Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

24
Nov 17

Dois anos de idade separavam-nos...
Cinco anos separam o dia em que o programa "Janela Indiscreta" da Antena 1, com a assinatura e mestria do Pedro Rolo Duarte, destacavam este blogue e um artigo publicado no Diário de Aveiro.

Entre a surpresa e a modéstia do orgulho e da honra ficava, relevantemente, a consideração e o rspeito pelo profissional e pelo seu trabalho, algo que foi depois alimentado mesmo que a espaços.

Hoje... enquanto vamos vivendo focados em tudo e mais alguma coisa, no supérfulo, e nos vamos distraindo com a ridicularidade da história e das estórias, é quando um valente estalo e um enorme murro no estômago nos acordam para a importância da vida, do pormenor, das coisas simples mas que verdadeiramente importam.

Fica muito para além do jornalismo e do jornalista. Basta apenas a vida que é cortada demasiado cedo... muito demasiado.

Descansa em paz, Pedro Rolo Duarte.

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publicado por mparaujo às 12:08

20
Set 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 20 de setembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Na volta do correio

Estamos a duas semanas do “dia D” eleitoral e durante todo este período de pré-campanha e campanha ouvimos falar muito pouco de política concreta e real. Em contrapartida os cidadãos foram demasiadamente ocupados com distracções e diversões, com demasiado ruído paralelo. Foi a lista de putativos candidatos a candidatos presidenciais, foram os conhecidos e assumidos presidenciáveis, foram os polémicos cartazes e os bancos de imagens, é o caso Sócrates e as afirmações polémicas de Paulo Rangel, a venda adiada do Novo Banco, etc. De campanha propriamente dita sobra pouco, excepção para BE, Livre e CDU que mantêm-se fiéis às suas retóricas e às suas estratégias de acção.

Quanto às campanhas da coligação PSD-CDS e do PS estão muito mais focadas no confronto e conflito político (casos, polémicas, responsabilidades quanto ao resgate do país, responsabilidades governativas passadas – com se em 2011 já não tivesse havido eleições e os portugueses não tivessem feito as suas escolhas e os seus julgamentos). São disso infeliz exemplo os últimos dias, semanas. No debate simultâneo nos três canais da televisão portuguesa (RTP, SIC e TVI), entre Passos Coelho e António Costa, que o ainda Primeiro-ministro perdeu por responsabilidade própria, o caso José Sócrates foi o ponto alto do confronto político, sem que o líder do PSD se tivesse apercebido que o recurso a essa estratégia só traria dividendos ao PS. De fora, demasiado de fora, ficaram as políticas, as medidas, as propostas, o futuro. Não admira por isso que muito mais portugueses tenham escolhida as telenovelas para ocuparem o seu serão. Uma semana volvidos e o cenário repetia-se, agora para as rádios (TSF, Antena 1 e Renascença), num debate melhor conduzido do ponto de vista jornalístico (apesar da vantagem de se realizar após o televisivo, mesmo que, por si só, não fosse garantia de melhor qualidade). Melhor conduzido e com melhores resultados políticos: mais apresentação e discussão de políticas e medidas, como, por exemplo, o emprego e a segurança social, onde António Costa esteve, particularmente, inseguro (ao ponto de serem precisas algumas horas para que melhores explicações viessem a público nas redes sociais). Desta feita, Passos, menos nervoso e mais consistente, esteve melhor que no primeiro debate e do que António Costa. Mesmo que para tal tivesse de recuperar de um início de debate com uma estratégia errada: trazer a público e à discussão o caso dos terrenos do aeroporto de Lisboa e as dívidas da autarquia lisboeta, como se isso, ao caso e face às legislativas, tivesse qualquer impacto na decisão do eleitorado. Depressa e bem percebeu que esse seria um caminho que levaria ao desfecho do primeiro debate. De fora ficou, também bem, José Sócrates.

Mas o ex Primeiro-ministro não ficou de fora no espaço que mediou o primeiro e o segundo debate entre os principais candidatos à liderança do próximo governo.

Estranhamente, nem PS, nem PSD-CDS, aprendem com os erros uns dos outros. Se é certo que continuo a achar que politizar e trazer Sócrates para a campanha é um erro que sairá caro, principalmente, ao PSD, também não é menos verdade que esta obsessão do PS pela responsabilidade da entrada da Troika em Portugal é algo surreal e é um descartar de responsabilidades infantil e inconsequente porque os portugueses têm boa memória. A carta confidencial que Passos Coelho remeteu a José Sócrates, em 2011, e que o jornal Público divulgou (volvidos quatro anos, o que é surpreendente) foi um tiro no pé socialista e voltou o feitiço contra o feiticeiro, deixando a opinião pública com mais certezas em relação aos acontecimentos de 2011.

Infelizmente, não há, nem pelo positivismo do PSD-CDS, nem pelas críticas do PS, uma avaliação clara a estes quatro anos (como se tivéssemos saltado directamente de 2011 para 2015), a discussão sobre o que interessa diariamente e tem impacto na vidas dos portugueses: a reforma e o papel do Estado (ainda esperamos pelo documento de Portas); as reformas e pensões e a sustentabilidade da Segurança Social; a carga fiscal; a saúde; a educação e a justiça.

Ao menos… seguem-se as arruadas e a “carne assada”.

publicado por mparaujo às 15:10

13
Fev 14

A UNESCO instituiu, em 2012, o dia 13 de fevereiro como o Dia Mundial da Rádio, como forma de promover um dos meios de comunicação mais difundido e mais requerido pelos cidadãos.

Eu que despertei para a comunicação social nas longínquas rádios piratas (ou, disfarçadamente, e já na altura, rádios locais para retirar o estigma do “ilegal”) como a Emissora Voz da Bairrada e, durante vários anos, na Rádio Oceano, não posso esquecer os quase três anos de Rádio Terra Nova (já na fase “legal”). Quem passa pelos “aquários” de uma rádio nunca o esquecerá.

A rádio mudou muito. Quer do ponto de vista jornalístico, de conteúdo, quer ainda do ponto de vista técnico (já ninguém “carrega” toneladas de discos em vinil e tem de estar, meticulosamente, a “apontar” o arranque das músicas nos dois pratos da misturadora). Mas não só… os desafios que se colocam à comunicação social são, em muitos aspectos, os mesmos que se colocam à Rádio: as novas plataformas digitais, a velocidade a que corre a informação, novos processos comunicacionais.

Só não percebo a relação da temática. Sendo um claro defensor da igualdade do género (entre outras vertentes) haveria outros momentos para que a UNESCO se pudesse debruçar sobre esta temática e deixasse o dia para a celebração da Rádio e a reflexão sobre o seu presente e futuro.

Uma nota de reconhecimento, pessoal, para a Terra Nova, a TSF, a RR, a Antena 1, a Comercial, a RFM, a Antena 3 e a Megahits.

Portal do Dia Mundial da Rádio

Mensagem da Diretora Geral da UNESCO

publicado por mparaujo às 10:57

17
Jan 13

Ainda a propósito da tal conferência pública/privada promovida pelo Governo e organizada pela advogada Sofia Galvão, "Pensar o futuro – um Estado para a sociedade" e no seguimento do que expus no post "Informar é diferente de fazer um discurso".

São diversas as opiniões/argumentos para justificar a concordância ou a discordância em relação à posição assumida por alguns jornalistas de abandonarem a conferência pelas razões que estão descritas no referido texto. Aliás, já referi ter posição diferente em relação à Fernanda Câncio (apenas nesse ponto), como também é diferente da posição assumida por Estrela Serrano, mesmo que a tenha tão elogiado (merecidamente) no início do post. E, de forma muito clara, com todo e o devido respeito e consideração, não tenho qualquer constrangimento em poder achar que a razão não me assiste.

O que não posso deixar de referenciar e manifestar o meu desacordo é com o texto de Henrique Monteiro no seu blogue do Expresso, com o título "A manada de jornalistas e a sociedade civil secreta".

Primeiro, parece-me totalmente inapropriado (pelo menos isso) que no título qualifique jornalistas como "manadas". Até porque nem se percebe a sua ligação com o conteúdo do texto.

Segundo, apesar da sua posição ser idêntica à da Fernanda Câncio e à de Estrela Serrano, a argumentação usada nos pontos 2 e 3 do seu post merece um comentário.

Diz Henrique Monteiro que "2) Os organizadores de qualquer conferência têm o direito de impor as regras de divulgação que entenderem. Incluindo a de não quererem jornalistas por perto. O dever de informar não pode ser extensível a qualquer ato da sociedade. Isso nem faz sentido".

Ora, em teoria é um facto. Mas no que respeita ao caso em apreço, a verdade é que os jornalistas foram "usados" para a publicitação de um evento público (e não privado ou restrito). A verdade é que a Comunicação Social foi convidada a estar presente para exercer a sua função: informar/noticiar. Não foram colocadas quaisquer restrições prévias ao exercicío das funções jornalísticas. Estas foram reveladas já no decurso do evento. O dever de informar é "devido" a actos para os quais os jornalistas são, livremente, convidados e em actos públicos que pretendem, inclusive, envolver a sociedade civil.

Mas a minha maior discordância refere-se ao ponto 3 do texto: "O dever dos jornalistas é informar os seus leitores, ouvintes e espetadores, mesmo em condições mais adversas. (...) Esta ideia de que os jornalistas não têm deveres para com os seus leitores está a matar o jornalismo, transformando-nos (a nós profissionais) numa espécie de 'vacas sagradas' que decidem em manada abandonar locais em sinais de protesto. (...) O compromisso principal de um jornalista, para lá de todos os direitos que possa ter, é com o seu público."

É um facto que não podia estar mais de acordo com o que escreve Henrique Monteiro mas pelas razões, completamente, opostas.

O dever do jornalista é informar e há que honrar o principal compromisso profissional que é para com o leitor. Mas foi mesmo isso que se passou com o abandono da conferência por parte de um grupo de jornalistas da Antena 1, Lusa, Público e TSF, foi o respeito pelo leitor (da mesma forma com aqueles que permaneceram). Porque o que ficou em causa foi precisamente o rigor, a verdade da informação, completamente condicionada ao que a organização pretendia que fosse divulgado: apenas os propósitos do evento (na abertura) e a opinião do Governo (no encerramento). Todas as restantes partes, tudo o que fosse dito como voz contrária às convicções do Governo, estava condicionado. Fazer disso notícia e informar o público dessa forma seria, isso sim, um atropelo à deontologia, aos estatutos, à lei, que garante ao cidadão o pleno exercício do direito a SER INFORMADO (com rigor, verdade e transparência).

E por todas as outras razões relacionadas com a função (direitos e deveres), continuo a entender que a posição assumida por aquele grupo (e não "manada") de jornalistas foi a mais correcta, independentemente de, lamentando, aceitar a decisão dos que resolveram permanecer.

publicado por mparaujo às 00:01

15
Jan 13

Na passada sexta-feira (11 de janeiro) Estrela Serrano tem um excelente texto publicado no blogue "Vai e Vem" sob o título "Eis em que se transformou a comunicação política em Portugal: informação relevante é conhecida através de fugas para os jornais". Neste texto, a docente, investigadora e ex-vogal da ERC, refere, de forma exemplar, dois recentes casos que retratam a forma como a Informação (Comunicação Social) é vista pela Presidência da República e pelo Governo: O documento do Presidente da República enviado ao Tribunal Constitucional e que justifica/fundamenta o seu pedido de fiscalização sucessiva do OE2013 e o pseudo-relatório do FMI que ninguém conhecia e que, um dia após a sua divulgação, acaba publicado no portal do Governo.

Hoje, ficámos a saber que o Governo solicitou à advogada, militante do PSD e ex-secretária de Estado, Sofia Galvão, a realização de um ciclo de conferências sobre o tema "Pensar o futuro – um Estado para a sociedade". Mas a reflexão sobre a "refundação do Estado" começou mal. Muito mal mesmo. Eu diria até de forma vergonhosa para a iniciativa, para o Governo, para a democracia e para a liberdade de informação.

Uma acção pública, largamente publicitada, que pretende envolver a sociedade civil sobre uma temática da maior importãncia e relevo para o país, à qual são chamados o jornalistas, só tem que ter um final: a sua divulgação, o exercício legitimo do direito de informar e do direito (dos cidadãos) a ser informado. Daí que seja de aplaudir (e de pé) a atitude dos profissionais da Antena 1, da Lusa, do Público e da TSF (embora só se conheça a posição oficial, comunicado, da Antena 1) que após terem sido informados pela organizadora do evento, Sofia Galvão, em pleno decurso do debate, da alteração das regras ("Não haverá registos de imagem e som. A permanência dos jornalistas na sala é permitida mas não haverá nada do que seja dito sem a expressa autorização dos citados", anunciou esta manhã Sofia Galvão na sua intervenção inicial. Só a abertura e encerramento da conferência – que serão feitas pelo primeiro-ministro, ao final da tarde de amanhã – serão totalmente abertas à comunicação social.) decidiram abandonar a conferência/debate.

Não se promove uma discussão pública para depois a manter fechada ou circunscrita a uma "sociedade civil" restringida a meia dúzia de iluminados. Não se envolve a sociedade civil para depois esconder da opinião pública tudo aquilo que não interessa (que não é favorável) ao governo. Não se chama a Comunicação Social para depois a silenciar ou a condicionar o seu legítimo direito ao normal e óbvio exercício da sua função que é, tão somente, informar (e não de mero assistente ou veículo de informação pré-selecionada como seria a cobertura apenas da abertura e encerramento/conclusões do evento). Tal como refere, de forma muito clara, a Fernanda Câncio em "a conferência onde aquilo que se diz não se escreve". Só não concordo com um ponto (um único, apenas) que a Fernanda Câncio refere: que os jornalistas deveriam ter ficado.

À parte de todas as questões e atropelos legais, por parte da organização (Sofia Galvão), à Constituição, à Lei da Imprensa, da Rádio e da Televisão, ao Estatuto dos Jornalistas ou ao seu código deontológico, e que me vou, aqui, escusar de nomear, o que eu acho é que TODOS os jornalistas deveriam ter saído. TODOS. Por uma questão de respeito, valorização e dignificação da profissão, do seu Código e do seu Estatuto. Mas TODOS (o que, infelizmente, tal como em muitas outras situações, raramente acontece. Ou por falta de solidariedade ou por falta de concertação. Ou porque...). E depois sim, com essa atitude colectiva, condenar publicamente o acto de censura e de limitação do direito de informar a que foram sujeitos.
E este inqualificável episódio faz-me lembrar outra realidade também comum e perante a qual os jornalistas têm sido muito displicentes: as conferências de imprensa sem direito a perguntas. Ir lá para quê? Gastar recursos (financeiros, técnicos e humanos) para quê? Bastava, e seria mais barato, célere e fácil, o envio de comunicados para as redacções.

A TODOS os que corajosa e dignamente tomaram esta posição, a minha total solidariedade, o meu respeito e o meu sincero aplauso.


Nota da direcção de informação da Antena1

"A Direcção de Informação da Antena1 não recebeu previamente, por parte da organização, qualquer informação sobre as condições de registo de declarações dos participantes na conferência Pensar o Futuro.
Não concordando com as regras impostas, uma vez que como o próprio nome indica se tratava de uma conferência, e por essas regras colocarem em causa o estatuto dos jornalistas e o princípio da liberdade de imprensa, a Antena1 decidiu não acompanhar o evento nos momentos em que não é permitida a divulgação do seu conteúdo."

publicado por mparaujo às 22:02

27
Set 12

O Programa de Pedro Rolo Duarte - "Janela Indiscreta", na Antena 1, na sua emissão do dia 24 de setembro (segunda-feira) destacou este blogue (Debaixo dos Arcos). "Janela Indiscreta" é um "O Olhar de Pedro Rolo Duarte pelo Universo dos Blogs. Em frente ao computador ele espreita as ideias e opiniões dos outros... De 2ª a 6ª Feira às 18:20 (às 02:20 de 6ª para Sábado), na Antena 1".

 (clicar para ouvir os 3 minutos do programa)

 

A escolha de Pedro Rolo Duarte teve como referência o texto que é (re)publicado na edição de ontem, dia 26 de setembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

No Outono cai a folha… e a TSU.

Desde criança que, em texto (palavras) ou desenho (imagem), associamos o Outono a determinadas cores e à queda das folhas das árvores.

Desde este fim-de-semana que o início do Outono vai ficar igualmente marcado, não só nas crianças, como para memória futura, na queda do projecto governamental da alteração à Taxa Social Única (TSU), com as implicações a que isso conduzirá.

Era certo e sabido que os Conselheiros de Estado iriam dar um "puxão de orelhas" a Pedro Passos Coelho pela forma como foi delineada a recente medida de austeridade e pela forma como foi conduzido todo o processo. Isso era o mais expectável e que acabou por acontecer ao lermos o comunicado oficial com a síntese (e apenas isso) dos trabalhos do Conselho de Estado. Mas há outras leituras a destacar, deste longo Conselho de Estado, acompanhado no exterior por milhares de manifestantes.

Primeira análise vai para o que se pode entender como uma desautorização do primeiro-ministro. Não é, em nada, habitual o Presidente da República convocar para um Conselho de Estado um membro do governo, mesmo sendo um ministro de Estado e das Finanças, quando tem a seu lado o Primeiro-ministro e chefe do governo em funções. Aliás, mais estranho se afigura a presença do ministro Vítor Gaspar no Palácio de Belém quando foi o próprio Pedro Passos Coelho quem, na memorável noite de 7 de Setembro, anunciava, em mensagem que dirigia a todos os portugueses, esse "desastre" político que foi a mexida na Taxa Social Única, com as consequências sociais e políticas que se seguiram, expressas numa enorme contestação. Não me parece que esta situação tenha sido benéfica para a já fragilizada imagem do Primeiro-ministro e do Governo.

Algo que também se estranha foi a necessidade de Pedro Passos Coelho garantir a solidez da coligação governativa. E se as recentes reuniões, comunicados e conselhos de coordenação (como se não fosse suficiente a coordenação governativa que deve pautar qualquer governo) fizeram transparecer alguma "paz", não é líquido que as feridas estejam sanadas, que tudo esteja resolvido e que não possam surgir novas brechas (com impactos negativos maiores) aquando do próximo Orçamento do Estado, principalmente quando são ventiladas medidas de austeridade ao nível fiscal (IRS, etc) ultimamente combatidas e criticadas pelo CDS.

Entre as demagogias políticas dos desejos de consenso em concertação social, dos parceiros políticos, do consenso partidário alargado, há algo que preocupa nas conclusões do Conselho de Estado de 21 de Setembro: "No quadro da situação do País, os conselheiros sublinharam a importância crucial do diálogo político e social e da procura de consensos de modo a encontrar soluções que (...) garantam a equidade e a justiça na distribuição dos sacrifícios bem como a protecção das famílias de mais baixos rendimentos e permitam perspectivar o crescimento económico sustentável" (ponto 4 do comunicado). Relacionado com o ponto seis do mesmo comunicado e que refere que "o Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única". É que de equidades (que nem constitucionalmente existem) e de alternativas, neste momento e nesta fase da vida portuguesa, estou Eu e a maioria dos portugueses fartos. Fartos de excepções, de preocupações constitucionais que na prática não funcionam, nem se aplicam, dos sacrifícios serem sempre para o mesmo lado e quase sempre sobre o valor do trabalho e do rendimento. E este Conselho de Estado deixa-me deveras angustiado e preocupado: é que, por norma, as alternativas têm deixado sempre um sabor amargo: são alternativas que levam a um crescente esforço e sacrifício dos cidadãos, enquanto o estado vai apresentando migalhas no esforço de contenção da despesa e do despesismo público. O que aliás se tem notado nas declarações dos parceiros sociais nas rondas negociais em sede de concertação.

Se há uns dias atrás, Pedro Passo Coelho tinha (e, legitimante, usou) a "almofada" do Acórdão do Tribunal Constitucional sobre a equidade e os cortes salariais, não me surpreende nada que o Primeiro-ministro não vá usar o Conselho de Estado de 21 de Setembro como nova "almofada" para que as alternativas à TSU sejam mais sacrifícios dos portugueses. Até porque sem essas alternativas não haverá "chequezinho" da Troika.

Acordai! Acordai!

publicado por mparaujo às 20:37

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