Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

26
Jul 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 26 de julho, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
O valor das referências

Excluindo concepções narcisistas ou egocêntricas a ausência de referências nas nossas vidas, sejam elas de natureza pessoal, sociais ou histórico-culturais, deixa um inequívoco vazio, a perda de identidades ou a ausência de objectividade. Esta semana que passou fez realçar a importância das referências na construção e concepção das realidades e dos imaginários pessoais ou colectivos.

1. A notícia foi recebida com a agressividade de um estalo que atordoa e provoca inesperados momentos de inacção. Por mais que a nossa concepção e experiência de vida nos consciencialize para a noção de que tudo tem um princípio, meio e fim (seja qual for a sua duração), na realidade nunca estamos verdadeiramente preparados para o “fim”. Por mais sabor que tivesse o ‘prego’ (no pão ou no prato), por mais fresco que estivesse o ‘fino preto baixo’, o Ti Augusto era mais do que o seu “Rossio”. A Cervejaria pode ser (e é) uma das referências no roteiro turístico e gastronómico da cidade de Aveiro, mantida trigeracionalmente há mais de meio século. Mas o Ti Augusto era mais do que o seu negócio. Apesar de não ser natural de Aveiro (como tantos que escolheram a cidade para segundo berço) encarnava tudo aquilo que é para cagaréus, ceboleiros, afins, e quem nos visita, uma das referências desta cidade, a identidade das gentes do bairro da beira-mar: o saber acolher, o sentido da bondade, a atenção ao outro (seja vizinho, seja ‘forasteiro’), a devoção a S. Gonçalinho, a frontalidade e o puro e são bairrismo. Foram muitos “rossios” servidos, mas foram também muitos mais anos vividos e que espelharam, a quem com ele se cruzou, a identidade aveirense. Tal como na gestão do “Rossio” também a minha ligação ao Ti Augusto atravessou três gerações e bem sei que não o voltarei a ver sentado, na mesma mesa do canto, ao fundo, do lado direito. Mas também sei que a memória saberá perpetuar a sua imagem, sempre que ali voltar, que mais não seja para recordar como, apesar de me ter conhecido de fraldas, teimosamente me cumprimentava pelo título académico (por mais que não o sustente).

2. Este momento triste que a semana passada trouxe a Aveiro fez salientar esta questão das identidades e referências para outra dimensão: a cultural. A discussão centrada em específicos círculos culturais e políticos não teve impacto na comunidade e passou despercebida à maioria dos aveirenses. Ou melhor, mais do que despercebida afigura-se indiferente aos aveirenses a tutela e o estatuto do Museu de Aveiro (Museu Santa Joana), mesmo que a componente histórico-religiosa ligada à Padroeira da Cidade (e do Município) ainda seja uma referência para a comunidade. A verdade é que o Museu em si tem tido muito pouco impacto junto dos aveirenses (seguramente mais de cinquenta por cento da actual população nunca lá terá colocado um pé, quanto mais os dois, e muito menos saberá algo sobre a talha dourada da Igreja de Jesus) e é questionável o seu papel na promoção da cidade e da região. Também não é menos verdade que Aveiro tem tido, até hoje, muito pouco para oferecer a quem nos visita, excluindo os passeios(?) de moliceiro nos canais urbanos da Ria. A descentralização da gestão do Museu de Aveiro para a responsabilidade da autarquia faz-me retomar a questão da identidade aveirense.

É constrangedor que a história e a identidade cultural, económica e social de Aveiro, alicerçada e sustentada pela cerâmica, azulejaria e o sal, não tenha um espaço digno, permanente, pedagógico, histórico, preservador desta mesma identidade. Excepção para a especificidade e temporalidade da Marinha da Troncalhada, Aveiro não tem um museu do Azulejo, da Cerâmica e do Sal, que promova os nossos valores sociais, históricos e culturais, tal como acontece em tantas cidades e vilas deste país, ou por essa Europa fora (por exemplo). Talvez seja esta uma oportunidade para complementar a realidade histórico-religiosa perpetuada pelo túmulo de Santa Joana e dotar o Museu de Aveiro da identidade aveirense, colocando-o como referência para a região. Tal como acontece em Ílhavo (Museu Marítimo) e Vista Alegre, nas Caldas da Rainha (Bordalo Pinheiro), com o vidro na Marinha Grande, o Dão em Viseu, o Museu do Pão em Seia, com os Caretos de Podence em Macedo de Cavaleiros, com os espaços vinícolas no Douro, etc., etc,. etc. Ou então continuaremos a ser tão só e apenas a “mini Veneza” com “corridas” de moliceiros. Salvam-se os Ovos Moles.

publicado por mparaujo às 13:35

24
Jul 11
Até ao dia 2 de Setembro, o Museu da Cidade, em Aveiro, tem patente um exposição de Azulejos, nacionais e internacionais, representativos do período da "Arte Nova".
Os azulejos pertencem ao espólio de Feliciano David e Graciete Rodrigues, sendo a primeira vez que estão exposto ao público.
Em exposição estão mais de 100 painéis representativos das mais importantes fábricas nacionais e internacionais – Sacavém, Fonte Nova, Devezas, Carvalhinho, Lusitânia, Constância e Caldas da Rainha, bem como de várias fábricas internacionais.
Esta iniciativa ganha destaque por se tratar da primeira exposição de azulejaria nacional dedicada exclusivamente à temática Arte Nova, um tema tão próximo da identidade e do património aveirense.
Este pode ser o momento indicado, o impulso necessário, para que Aveiro não esqueça uma das suas vertentes histórica, cultural e social (a par com outros símbolos como os moliceiros, os ovos moles ou o sal), preservando um legado patrimonial relevante para o Concelho.
A exposição é comissariada pelos especialistas em azulejaria António José de Barros Veloso e Isabel Almasqué, que assinam também os textos do catálogo. A exposição conta ainda com o apoio da Câmara Municipal de Loures, através do Museu de Cerâmica de Sacavém, onde futuramente também estará patente.
publicado por mparaujo às 23:36

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