Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

12
Mai 19

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Passe (ou exclua-se, por completo) o saudosismo da expressão, a verdade é que "ainda sou do tempo" de ver nascer e crescer o Bairro de Santiago. Ou, sem qualquer tipo de constrangimento, porque é essa a sua génese... a Urbanização Social (habitação económica de promoção pública estatal - FFH, IGAPHE, IHRU e CMA) Bairro de Santiago.

Planeada por volta de 1973, seria com Girão Pereira que o Bairro ganha corpo e execução física, em 1983, com um conjunto significativo de complexidades processuais e pressões da comunidade. Por exemplo, recorda-se a expropriação/compra dos terrenos, o tão falado (à data) "muro da vergonha" que pretendia separar/delinear o bairro da Rua Dr. Mário Sacramento, ou, ainda hoje sentida, a problemática da inclusão/inserção social.

Se a gestão patrimonial e imaterial do Bairro, com mais ou menos intensidade (em função das conjunturas) a Junta de Freguesia (agora) da Glória e Vera Cruz e, principalmente, a Câmara Municipal de Aveiro têm sabido desempenhar o seu papel e cumprir com as suas responsabilidades, o facto é que o Bairro de Santiago é muito mais que os cerca de 1000 fogos, os 50 espaços não habitacionais ou o seu Centro Escolar (para além da sua envolvendo, como o ISCAA, a Universidade, a escola João Afonso, o Hospital ou o Parque Infante D. Pedro).

A Urbanização de Santiago é, essencialmente, um complexo e emaranhado de existências e histórias muito particulares, uma realidade social difícil e labiríntica porque assenta nas vivências das pessoas que habitam, vivem e sobrevivem no Bairro. E é sobre esta complexidade social que importa dar nota e dar o devido mérito a quem intervém, de forma activa e desprendida, em projectos de cidadania participada.

Cumpridas, pelas entidades públicas, as suas responsabilidades, é importante realçar projectos mobilizadores de cidadãos para dar respostas práticas que cabem aos próprios cidadãos, e não estarem à espera, constantemente, que o Estado/Público responda a tudo.

Se o Bairro de Santiago é feito, também, das vivências e histórias das pessoas, devem ser "as pessoas" a dar vida ao Bairro, a cumprir a sua função social, inclusiva e participativa.
Deste modo, só posso curvar-me e "aplaudir" o projecto de cidadania "Lab Cívico Santiago", espelhado neste artigo no jornal Público da jornalista Maria José Santana (Eles estão a melhorar o bairro, “sem orçamento e apenas com voluntários”).
Aos AMIGOS José Carlos Mota, Gil Moreira e Adriano Miranda, à equipa técnica das Florinhas do Vouga e aos mediadores/coordenadores da Universidade de Aveiro (DCSPT e DECA), à Associação Mon Na Mon, entre outros, a cidade e o Bairro agradecem.
Eu, pessoalmente, fico orgulhoso pelo trabalho desenvolvido. Bem hajam!

publicado por mparaujo às 16:14

31
Out 12

Publicado na edição de hoje, 31 de outubro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Centralidades com escala

Têm sido recorrentes as referências a novas centralidades, com alargamento de competências, com novas dimensões e escala que favoreçam o surgimento de massa crítica e melhoria de serviços que promovam o bem-estar e o desenvolvimento das comunidades.

Tudo começou com o que tem sido, há alguns anos a esta parte, uma constante alteração e “refundação” (para usar terminologia política actual) do paradigma do poder local e regional. Surgiram as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDRs), as comunidades intermunicipais (para além das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto) como a AMRia, a GAMA e a CIRA, no caso de Aveiro, e, mais recentemente, todo este processo da Reforma da Administração Local, da qual é reflexo a fusão/agregação de freguesias.

Toda esta realidade tem subjacente a questão da dimensão geográfica que permita escala de investimento e gestão, melhor administração de recursos, mais eficácia nos serviços a prestar. Mas há uma outra face da moeda que tem a ver com a questão de identidade social, cultural e histórica das diversas comunidades envolvidas. E aqui começam as dificuldades, acrescidas com realidades como a económica e o “peso político” que cada uma comporta.

Surgem os bairrismos, a imposição do mais forte sobre o menos forte (ou mesmo, mais fraco) ou as “velhas” rivalidades, entretanto ultrapassadas no tempo com as migrações (trabalho, estudo, novas oportunidades de vida) e com as novas gerações que se vão localizando em terras “adoptadas”.

Aveiro sempre teve este problema existencial em relação a Coimbra. Quer pelo obstáculo geográfico da dificuldade de enquadramento a norte ou ao centro de Portugal, quer pelo facto de Coimbra ter absorvido uma centralidade administrativa que “retirou” ou quer pela ligação académica de muitos aveirenses à Universidade de Coimbra (principalmente antes da criação da Universidade de Aveiro).

Há umas décadas foram direcções regionais que se perderam em Aveiro e que ficaram “centralizadas” em Coimbra, a CCDR-C, mais recentemente foi a questão do Museu de Aveiro e agora surge nova nuvem cinzenta com a polémica da eventual futura entidade que passe a gerir o saneamento (e a água) dos municípios de Aveiro, Coimbra e Leiria. Sem esquecermos que a Direcção Regional de Economia, o Turismo Centro Portugal e a gestão partilhada dos Portos de Aveiro e Figueira da Foz foram “conquistas” aveirenses. Mas a questão é que estas “guerrinhas” não têm qualquer sentido e levam, a maior parte das vezes, a um desleixo no cuidar das “coisas” aveirenses e ao alheamento na defesa dos interesses legítimos da nossa região.

É que o “mal” desta realidade não está em Coimbra. Está em Aveiro e nos aveirenses. Seja à escala regional ou até mesmo local. Sabemos criticar, sabemos condenar e transformarmo-nos em vítimas. Mas somos completamente inoperantes, de um conformismo às vezes preocupante, de uma inércia gritante. Coimbra apenas defende os seus interesses e marca uma posição regional que Aveiro não consegue impor, principalmente por que nos falta uma capacidade e um peso político que há muito perdemos. Nós só nos temos de culpar de nós próprios. Por não aproveitarmos novas realidades e novos contextos sociais e económicos, e, principalmente, por nem sabermos aproveitar as oportunidades que nos surgem (caso da importância estratégica do Porto de Aveiro, da centralidade na cidade do Turismo Centro de Portugal e da Direcção Regional de Economia).

Em jeito de conclusão e a título de exemplo que ilustra esta realidade. Salvo raríssimas excepções, quem, de Aveiro, alguma vez se preocupou (já para não dizer, visitou) com o Museu de Aveiro (tradicional Museu Sta. Joana)?!

Estamos preocupados com Coimbra e Aveiro corre o risco de perder o Tribunal do Trabalho porque anda praticamente sozinha a delegação de Aveiro da Ordem dos Advogados a tentar encontrar um espaço digno e a fazer um esforço para que Aveiro não perca este importante serviço de justiça. É isto que é defender a centralidade de Aveiro?!

Se calhar, ainda bem que temos Coimbra por perto… digo eu.

publicado por mparaujo às 14:10

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