Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

02
Abr 14

Sempre fui (e espero sê-lo sempre) um fervoroso adepto da liberdade de expressão, opinião e, obviamente, informação, respeitando, claramente, os confrontos entre direitos fundamentais, liberdade e garantias (com os direitos humanos à "cabeça").

No entanto, entendo que a ofensa à dignidade humana, a ofensa à inteligência colectiva (e, modéstia à parte, à minha pessoalmente), deveria ser motivo mais que suficiente, legítimo e jurídico, para que determinadas pessoas fossem obrigadas a estarem caladas. Principalmente à frente de um microfone ou de um gravador.

Seja para o bem-estar de cada um de nós, seja pelo bem da sociedade ou da nação.

Ao caso, diria mais... pelo bem e pela digna imagem das instituições, como por exemplo, do meritório serviço social e solidário desempenhado pelo Banco Alimentar contra a Fome (a que acresce o trabalho, esforço e dedicação de centenas e centenas de voluntários).
Mas eis que há sempre alguém que "não nos faz falta". Nenhuma. Abolutamente nenhuma: Isabel Jonet.

Já não é a primeira vez, aliás, é rara a vez contrária, que o Mundo e o País seria muito mais feliz se Isabel Jonet se mantivesse na simples (e digna) tarefa de coordenar o honroso trabalho da Instituição. Mas... CALADA.

Depois de afirmar que os portugueses viveram "acima das nossas possibilidades" e foram uns despesistas e uns imorais, socialmente condenáveis, por "comerem uns bifes" em vez de uma simples bifana de fêvera de porco (mas quantas vezes deliciosa) no pão, eis que surge nova delícia antropológica/sociológica: o desprezo pelo despesismo informativo dos desempregados.

Esses que deveriam ter como única preocupação as filas intermináveis dos Centros de Emprego, dos Centros de Saúde (à procura de apoio psicológico/psiquiátrico, mas do SNS porque do privado é "comer bifes"), das Cantinas Sociais, das IPSS's, são uns inaptos, uns preguiçosos, uns acomodados, uns sornas, uns desleixados, uns ociosos, ... Tudo porque passam a vida nas redes sociais a ver pornografia, a arranjar encontros, na cusquice... Imagine-se até que pagam factura mensal (acesso à net) destes desvarios. Nem mexem uma palha para encontrar emprego.

Eu acho até que a estes desempregados deveria ser proíbido o acesso à televisão, aos jornais, à informação ou a qualquer tipo de lazer (excluindo, claro, as viagens populares patrocionadas pelos serviços sociais autárqucios ou pelas juntas de freguesia).
É que esta coisa das redes sociais, da internet é mesmo UMA COISA DO DEMO (apesar do Papa Francisco vir dizer que o inferno, afinal, não existe).
Infelizmente uma coisa existe para frustração alheia: a liberdade de opinião na boca de Isabel Jonet. É o que temos...

publicado por mparaujo às 14:12

05
Dez 13

Publicado na edição de hoje, 5 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Caridade ou Solidariedade?

É inquestionável que em Portugal (para não irmos mais longe), face à conjuntura em que vivemos, é demasiado elevado o número de portugueses e famílias com dificuldades de sobrevivência, com problemas de liquidez dos seus orçamentos pessoais e domésticos, com fome, sem emprego, ‘feridas’ na sua dignidade humana. Isto não tem a ver com partidarismos, política ou com compêndios económico-financeiros, apesar da evidente consequência dos seus impactos. É a realidade do dia-a-dia, o que o país real sente e vive, o que as comunidades observam nas suas ruas, em cada esquina ou vão de escada. E também o que espelham as preocupantes estatísticas: o elevado número de desempregados, o fenómeno da emigração, os cerca de 300 mil portugueses que não conseguem alimentar-se, os cerca de 2 milhões de pobres (com rendimentos inferiores a 360 euros mensais) segundo os dados do INE. Esta é a realidade nua e crua. Como resolver este flagelo? Entre estudos, conceitos e convicções ideológicas, há uma responsabilidade que cabe ao Estado e à sociedade. Ao Estado, na medida em que é responsável pelo garante do bem-estar dos seus cidadãos, pela gestão do bem público e pelas políticas que implementa (ou se abstém de implementar). À sociedade, porque é na relação social, no respeito pelos direitos dos outros, que se podem minimizar os impactos de um mundo onde o ter tem, cada vez mais, importância do que o ser.

A dificuldade na avaliação desta realidade prende-se essencialmente com o ‘conflito’ entre as questões da falta de medidas estruturais na sociedade que combatam a pobreza e a exclusão, e o assistencialismo ou a caridade/solidariedade.

Se é verdade que existem inúmeras falhas em alguns processos de solidariedade, quer a nível individual, quer através das inúmeras instituições e entidades; se é ainda verdade que tenho bastante relutância, para não dizer toda, em defender as posições pessoais da presidente da Banco Alimentar contra a Fome; não deixa de ser igualmente verdade que sem o papel e a acção de várias instituições, como, por exemplo, o Banco Alimentar contra a Fome manter-se-ia, infelizmente, a questão: o que seria de milhares de portugueses e de famílias sem o recurso à solidariedade social dos cidadãos e destas entidades? Ou ainda… que alternativas, imediatas e concretas haveria para conter a eventual “explosão de violência” a nível social e político, e que o Papa Francisco alerta na sua recente Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, concretamente na abordagem à doutrina social da Igreja. Doutrina que muitos sectores político-partidários vêm “reforçar” porque interessa ao combate político, mesmo esquecendo que essa é uma realidade da Igreja desde os tempos do Papa Leão XIII (“Rerum Novarum”) nos remotos anos de 1890/91, reforçada (mesmo que inconsistente e erradamente aplicada, na prática) nos documentos conciliares do Vaticano II.

Em plena crise social e económica, os portugueses doaram cerca de 2,8 toneladas de alimentos ao Banco Alimentar. Rapidamente, quer em plena campanha, quer ao serem conhecidos os resultados, várias vozes soltaram brados porque quem beneficiaria com a campanha seriam as grandes superfícies (esses monstros do comércio) e o próprio Estado com o aumento da receita de IVA. Mesmo que esta seja a realidade dos factos, não é no seu todo. Excluindo a manifesta solidariedade dos portugueses para com cerca de meio milhar de cidadãos pobres (e novos pobres), excluídos e marginalizados, muitas das 2.300 instituições que serão apoiadas, não beneficiariam de uma ajuda, de um apoio, de uma solidariedade e fraternidade (em alguns casos, caridade mas não simples caridadezinha) que minimize o sofrimento do dia-a-dia, a frustração da exclusão e da pobreza.

Seria bem pior convivermos com esta triste realidade da pobreza e exclusão sociais, ao mesmo tempo que nada fosse feito para evitar o que seria o escândalo humanitário da destruição, no lixo, do excedente alimentar da rede comercial, porque, cada vez mais, a fome ganha (demasiado) rostos. Não resolve estruturalmente o problema da pobreza ou da exclusão, mas combate o desespero de milhares de portugueses que vivem e sentem esse flagelo no seu dia-a-dia. Às entidades e ao Estado caberá fazerem muito mais do que têm feito.

E aos que sentiram a vontade de serem solidários, resta dizer: Obrigado.

publicado por mparaujo às 09:19

25
Mai 12

... ou à distância de um simples clique.

Bem sei que a Solidariedade passa por aqui: "Unidos com a Mariana".

Mas a verdade é que as exigências solidárias são, nos dias de hoje, infelizmente, cada vez mais prementes e urgentes.

O Banco Alimentar contra a Fome vai lançar, durante este fim-de-semana mais uma campanha nacional (a primeira este ano) de recolha de alimentos nos supermercados e nas grandes superficies.
No entanto, com o objectivo de alargar o campo de "recrutamento" o Banco Alimentar promove até ao dia 3 de Junho a campanha através do seu portal "Alimente esta ideia", onde, com um simples clique, é possível dar o seu contributo comodamente e de forma segura.

Por fim mencionar que esta campanha envolve milhares de voluntários que irão estar à espera do nosso contributo em 1500 lojas em todo o país.

Os 19 Bancos Alimentares contra a Fome apoiam cerca de 1800 Instituições do país e "alimentam" mais de 275 mil cidadãos. Números que, face à realidade do dia-a-dia, vão aumentando e dificultando a capacidade de resposta.

Na última campanha, levada a cabo em novembro de 2011 (o Banco Alimentar procede a duas campanhas anuais com estas características... final de Maio e de Novembro), cerca de 3150 pessoas doaram, atarvés do portal, 90 toneladas de alimentos, enquanto à "boca" dos supermercados e hipermercados foram recolhidas perto de 3 mil toneladas de bens.

Até ao dia 3 de Junho (e nas lojas, neste fim-de-semana) ALIMENTE ESTA IDEIA e contribua para um Portugal mais solidário.

publicado por mparaujo às 22:41

27
Nov 11
Publicado na edição de hoje, 27 Novembro, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré
Solidariedade… em tempos de crise.


Até ao próximo dia 4 de Dezembro o Banco Alimentar Contra a Fome volta a lançar mais uma campanha nacional de recolha de alimentos: "Graças à sua ajuda há cada vez mais sorrisos", espalhada de norte a sul do país e contará com o contributo de cerca de 34 mil voluntários.
O resultado da campanha deste ano reverterá a favor de cerca de 320 mil pessoas com carências alimentares através de mais de duas mil instituições de solidariedade social.
É reconhecida a capacidade solidária dos portugueses que, nos momentos mais difíceis, se mostram mais próximos dos amigos, dos vizinhos ou, até mesmo, daqueles que não conhecem o rosto mas reconhecem as dificuldades da vida.
Mais uma vez, através de uma das instituições nacionais com um papel determinante no apoio social e solidário (sem qualquer tipo de menosprezo por muitas e muitas instituições que pautam a sua acção e missão por ajudar, de várias formas, aqueles que mais necessitam, na maioria dos casos substituindo um papel e uma responsabilidade que caberia, em primeira instância, ao Estado e às entidades públicas) os portugueses são chamados a demonstrar, de facto, esse espírito de solidariedade e de entre-ajuda.
Com início na sexta-feira passada e até às 13.00 horas de ontem (sábado), no site que o Banco Alimentar disponibiliza como alternativa para que os cidadãos possam, como alternativa, efectuar as suas doações (www.alimentestaideia.net) já tinham sido doados cerca de 3500 litros de azeite, 3200 litros de óleo, 17200 litros de leite, 580 quilos de atum, 1700 quilos de salsichas e 3400 quilos de açúcar.
A campanha deste ano tem uma particularidade. Para além dos alimentos que são doados através do site ou nos super e hipermercados, o Banco Alimentar está igualmente a solicitar doação de papel (jornais, revistas, papel usado, panfletos) que, já não têm valor e que iria para o lixo (ou para reciclar). Com este pedido, segundo a presidente da Federação dos Bancos Alimentares contra a Fome, Isabel Jonet, o papel passa a ter valor monetário: o Banco Alimentar tem o compromisso com uma empresa que paga 100 euros em produtos alimentares, por cada tonelada de papel. Uma outra solução para a angariação de recursos que permitam dar continuidade a um projecto cada vez mais premente.
Mas há duas questões que importa colocar. Será que os portugueses mantêm o espírito solidário que sempre nos caracterizou ou tornaram-se mais individualistas e isolados? E face à conjuntura actual será que ainda restam cidadãos, mesmo que com vontade de ajudar, que tenham capacidade e possibilidade de ajudar? Por natureza, aqueles que menos têm, por sentirem mais fortemente as dificuldades, são os que se mostram mais solidários. A questão é que, cada vez mais, são os que recorrem à ajuda e precisam da solidariedade.
Mesmo que os números divulgados pelo Banco Alimentar demonstrem que, ano após ano, o volume de alimentos doados tem vindo a crescer, a verdade é que esta campanha se desenvolve em plena crise de austeridade, com cortes nos subsídios, no poder de compra e nas finanças domésticas e das empresas. Mas sobretudo há muitas famílias e cidadãos carenciados, e cresce o número de desempregados (12,5% de inscritos nos centros de emprego, o que significa que o número de desempregados é ainda mais elevado por força dos que não recebem subsídio de desemprego e não estão nas listas).
Dados divulgados pelo Banco Alimentar revelam que já em 2011 foram apoiadas 329 mil pessoas através de mais de duas mil instituições e que no ano de 2010 o resultado das campanhas cifrou-se na recolha de cerca 26.600 toneladas de alimentos, numa média diária de 106 toneladas (média calculada por dias úteis).
Mas os números da realidade que o país atravessa são preocupantes, o que reforça a necessidade de uma solidariedade enorme e de um empenho de todos: o aumento do desemprego, a perda de subsídios e de alguns benefícios sociais, apesar do esforço do governo para não penalizar os mais carenciados, a subida das rendas de habitação e dos juros dos empréstimos bancários, o nível do custo de vida, a precariedade laboral, entre outros, são razões consideravelmente fortes que fazem com que cada vez mais portugueses necessitem do apoio de instituições de solidariedade social. Por exemplo, para além dos números divulgados pela Federação dos Bancos Alimentares, a Cáritas Portuguesa, desde o início de 2011 prestou apoio a cerca de 28 mil agregados familiares, correspondendo sensivelmente a 66500 pessoas. Simultaneamente foram recebidas inscrições de 4645 novas famílias (uma preocupante média de 516 casos por mês), equivalentes a um considerável registo de cerca de 12500 novas pessoas apoiadas (1400/mês).
Conforme os números do governo (em função da promessa de descongelamento de reformas) há cerca de um milhão de idosos a viver com cerca de 280 euros mensais. Além disso, um quinto das famílias portuguesas (uma em cada cinco – cerca de 20%) tem dificuldades em cobrir as suas necessidades mais elementares e diárias.
Mas as dificuldades são sentidas também ao nível das próprias instituições solidárias já que o aumento exponencial de pedidos de ajuda provoca a roptura na capacidade de resposta. Por exemplo, em Setúbal, uma das zonas do país mais afectadas pelo desemprego e pela precaridade, o Banco Alimentar responda a cerca de 30 mil solicitações de apoio.
Quando se fala tanto em equidade e justiça, hoje, mais do que nunca, a crise carece de uma resposta fortemente solidária.
Ontem (sábado), ao início da tarde, o Banco Alimentar de Portalegre já tinha recebido quatro toneladas de bens alimentares. No entanto, como dizia uma colega jornalista na rede social twitter… “quatro toneladas e parece tão vazio”!
Uma boa semana… com forte contributo solidário. Porque todos precisamos!
publicado por mparaujo às 14:59

27
Mai 11
O Banco Alimentar contra a fome inovou no processo comunicacional e nos procedimentos de recolha de doações.

Agora já é possível, de forma bastante simples, doar via internet: Alimente Esta Ideia!

publicado por mparaujo às 21:33

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