Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

02
Ago 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 2 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
A onda de choque

Já lá vão quase seis anos quando, em novembro de 2009, se começou a avistar no horizonte do Beira Mar dias muito cinzentos, face ao agravamento das condições de subsistência do clube (até atingir o ponto zero), face ao que era (e continuou a ser) o início da conflitualidade judicial. À data questionava, neste mesmo espaço (“Fundamentalismos e Extremismos”), a necessidade de se rever o projecto desportivo e o futuro da clube, definir realismos e não embarcar em desígnios desmedidos, nem que para tal tivesse que abdicar de tudo e recomeçar do zero.

Em novembro de 2010, nova crise se instaurava no clube com o agravamento da situação da gestão do clube e a usa ingovernabilidade: salários em atraso, contas e receitas penhoradas, dívidas à Segurança Social, etc. Dava-se conta da demissão do presidente Mário Costa e a conferência de imprensa dramática do vice-presidente António Regala. Pelo meio ficava a pairar uma SAD que em vez de se tornar “salvadora” do clube era, a olhos vistos, mais um dos seus carrascos. Importa realçar que a SAD não foi imposta, não tomou de assalto o clube (embora mais tarde, tomadas de assalto fossem mais do que notícia constante), não houve nenhum golpe de Estado; foi decisão livre e democrática dos sócios (ou dos que estiveram na Assembleia Geral e votaram). De novo as mesmas questões, as mesmas interrogações levantadas, as mesmas necessidades de se apurarem responsabilidades escondidas sob a capa da gestão colectiva, como se as responsabilidades (cíveis ou penais) surjam apenas no desempenho de acções individuais. A gota de água surgia no último trimestre do ano passado quando o velhinho pavilhão do Alboi (Santos Mártires) fechava, definitivamente, as suas portas, mesmo que esse fim estivesse mais que anunciado e não tivesse sido acautelado, nem encontrada alternativa. E novamente o mesmo questionar e interrogar (como foi aqui eco em “Um fim mais que anunciado”, a 29 de outubro).

A machadada final surgiu este mês: o Beira Mar bateu no fundo (campeonato distrital da II divisão) apesar dos alertas, dos sintomas, da crescente indiferença e da falta de esperança. O resultado prático é o mesmo do tantas vezes sugerido e apresentado; só é pena que este (re)começar do zero seja tão tardio, tão conflituoso, sem a dignidade da vontade própria do clube (gestão e sócios) mas sim por imposição e por ter sido empurrado para a lama.

E se ainda há vontade (e esperança) em fazer renascer o clube é imperativo que se acabem com as ilusões e com a emotividade que tantas vezes cegou a necessária e urgente racionalidade. Não houve nenhuma onda de choque em Aveiro. Deixem-se disso e parem para pensar. Isso é a emoção de um número, cada vez mais reduzido, de aveirenses ainda ligados ao que restava do Beira Mar. Já lá vai bem longe o tempo da conquista da Taça de Portugal. O clube foi-se esvaziando (mesmo em termos de património que não tem nenhum, zero), foi perdendo a sua identidade e a ligação a Aveiro. Os aveirenses (do concelho e não só da cidade) foram-se afastando do Beira Mar porque este foi deixou de ser referência e quebrou a ligação emotiva às pessoas. E isto não é uma questão geracional, é transversal. Os aveirense, mesmo os mais novos, sabem o que é o Beira Mar (infelizmente, pelas razões menos nobres face ao historial recente) mas já não se identificam com o clube e a sua história. Uns têm outras referências (Recreio Artístico, Galitos, Esgueira, Sporting de Aveiro, CENAP, Estrela Azul, os clubes de remo e canoagem de Cacia, Taboeira, Eixo, entre tantos outros) e outros, mesmo antes dos tempos da crise, deixaram de embarcar em “futebóis”. É que, por mais que algumas vozes (cada vez menos) “gritem aos sete ventos” por socorro, o Beira Mar afastou-se dos aveirenses. E isso é que importa questionar, analisar e projectar, se houver verdadeiro interesse em “salvar” a Instituição.

E de novo, ao fim de seis anos, as mesmas questões: Já alguém analisou as razões do afastamento do Clube em relação aos aveirenses?! Já se apurou quantos, dos cerca de 70000 aveirenses (concelho), são aqueles que se sentem identificados com o Clube e vivem a sua realidade actual? Já se questionaram as gestões anteriores?! Já se repensaram projectos e debateram opções tomadas? Já se repensaram os modelos de gestão? Já se discutiu o insucesso desportivo e a incapacidade de afirmação no futebol nacional?! Porque não se ouviram as mesmas vozes de hoje aquando da construção do novo estádio municipal e todas as implicações que teria no futuro do clube? Porque é que o Clube não consegue encontrar sinergias no tecido empresarial aveirense?! Se é que ainda há tempo e a quem interessar…

publicado por mparaujo às 21:45

29
Out 14

pavilhao_do_beira-mar.jpgpublicado na edição de hoje, 29 de novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Um fim mais que anunciado

A realidade foi sendo protelada durante algum tempo mas chegou: o pavilhão do Beira Mar, o pavilhão do Alboi, o pavilhão dos Santos Mártires, encerrou portas. O Sport Clube Beira Mar perde, assim, um dos seus últimos patrimónios e um ícone para as modalidades amadoras, nomeadamente o Basquetebol, o Boxe, o Judo, entre outras. Já para não falar na extinta modalidade do Andebol. Como aveirense e após alguns anos como treinador de basquetebol no clube não posso deixar de sentir alguma mágoa pelo rumo dos acontecimentos e pelo desfecho final. Assisti e vivi momentos empolgantes e vibrantes que ficarão, enquanto conseguir, na minha memória, para além de todos aqueles que comigo os partilharam. Ver encerrar este espaço que comporta inúmeras histórias e “estórias” do desporto e da vida aveirense é sempre de lamentar.

Mas a realidade tem um outro lado da moeda.

A continuidade, ou não, do pavilhão do Beira Mar já não é um processo novo. Há mais de 12 anos que já se falava da construção de um novo pavilhão: primeiro na antiga zona da Lota e posteriormente junto ao novo estádio. Toda a polémica envolvendo a anterior SAD e um grupo de ex-directores do clube acabou por ditar o fim do pavilhão.

Só que há, neste processo, um conjunto de interrogações que importa destacar.

Em Portugal há um princípio genético na sociedade de uma tendência questionável para o sentido de posse e de propriedade, muitas das vezes aliada a bairrismos discutíveis. O “ter” sobrepõe-se, maioritariamente, ao “haver”, “ser” e “comunitário”. Durante anos a fio, o país viveu alheado da sustentabilidade dos recursos, da partilha, da dimensionalidade. No caso concreto, Aveiro não foi capaz, por inúmeras e distintas razões, de criar estruturas únicas, comuns, que pudessem ser partilhadas por várias instituições e pelos aveirenses. Relacionando com esta questão do pavilhão do Alboi, teria sido muito mais eficaz e eficiente a construção de uma estrutura única que servisse escolas, comunidade e clubes, nomeadamente o Galitos e o Beira Mar. Nada complicado. Mas a verdade é que não foi feito.

Por outro lado, há ainda uma questão que o próprio clube deve meditar neste infeliz desfecho. Desde a questão do caso “penhora do pavilhão”, ano após ano (e a história não é assim tão recente) que se interroga a continuidade das modalidades naquele espaço. Toda a movimentação que agora surge em torno do pavilhão e do erguer de um novo, deveria ter tido outros desenvolvimentos e outros esforços ao longo deste período. Porque este final era, inquestionavelmente, conhecido e expectável.

Deixou-se cair, um pouco, no esquecimento e no arrastamento de uma solução sustentável para o Pavilhão do Alboi, tal como se arrasta o renascimento e a reestruturação do clube, devolvendo-o de novo aos bons momentos, ou, qui ça, a uma total reformulação da vida do clube que pode passar, sem qualquer tipo de constrangimentos, pela chamada “estaca zero”, como são tantos os exemplos no país (Feirense, Salgueiros, Boavista, etc., etc.)

Há uma certeza nesta infeliz realidade. O Sport Clube Beira Mar perdeu, nas duas últimas décadas, identidade, ligação à cidade e à Região e, principalmente, perdeu património: não tem um estádio próprio, não tem uma piscina, não tem um pavilhão, não tem uma sede e não tem sócios.

Não foi apenas um pavilhão que o Beira Mar perdeu… foi muito da sua alma e da sua história.

Espero que saiba e consiga, a bem de Aveiro e dos aveirenses, renascer destas cinzas.

publicado por mparaujo às 09:23

05
Jan 14

seja na vida ou na morte, há coisas que, não tendo explicação racional, não deixam de surpreender pela coincidência dos factos.

Eusébio faleceu hoje, 5 de janeiro de 2014.

Há 37 anos, no dia 5 de janeiro de 1977, Eusébio defrontaria, pela ÚNICA vez em toda a sua carreira, o S.L. Benfica.
Foi no jogo a contar para o campeonato nacional da I Divisão nacional (época 76/77), que colocou frente-a-frente o Beira-Mar (onde jogava, na altura, o Eusébio) e o Benfica. Resultado final 2-2.

A crónica do Mário Varela.

publicado por mparaujo às 21:51

17
Nov 10
publicado por mparaujo às 21:52

22
Out 10
Por mais que as condições meteorológicas revelem um Outono inconstante mas já a tender para o fresco, acontece que Aveiro teve uma semana quente.
De repente a Cidade tornou-se duplamente demissionária.

Primeiro foi Mário Costa, Presidente da Direcção do Sport Clube Beira Mar, em plena Assembleia-Geral a apresentar a sua demissão: "Beira-Mar: Presidente demitiu-se e pede eleições antecipadas" (fonte: Notícias de Aveiro)

No final desta semana, surpreendentemente (se calhar até para o próprio, face aos argumentos apresentados), Pedro Jordão, Director-Artístico do Teatro Aveirense entrega as "chaves" da casa: "Director do Teatro Aveirense apresentou demissão" e "Pedro Jordão justifica demissão do Teatro Aveirense" (fonte: Notícias de Aveiro)
publicado por mparaujo às 23:51

05
Nov 09
Publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro.

Cheira a Maresia!
Fundamentalismos e Extremismos.


Aveiro entrou em fase de “histeria”.

Aliás, os aveirenses, independentemente do seu “beiramarismo”, da sua ligação ao clube ou do seu total alheamento (quer ao clube, quer ao futebol e, ainda, quer ao desporto em geral) muito dificilmente encontram, nestes últimos dias, outro tema de conversa.

Os encontros na rua, nos locais de trabalho, nos cafés, começam, logo a seguir ao “bom dia” ou “boa tarde”, com questões de retórica: o Beira Mar já acabou?! Sempre vai acabar?! Já encontraram solução?! Já há Presidente?!

Vão-se desfiando notícias, dão-se palpites, fazem-se prognósticos e avançam-se sugestões e soluções.

De repente, seja qual for a ligação e o grau de emotividade, Aveiro parou para falar do Beira Mar.

Ou então, é, apenas, exagero meu. Porque o mais evidente é o tema interessar a cerca de uma centena de aveirenses, ou melhor, sócios do Beira Mar.

É que, por mais que algumas vozes “gritem aos sete ventos”, o Beira Mar afastou-se dos aveirenses. E isso é que importa questionar, analisar e projectar, se houver verdadeiro interesse em “salvar” a Instituição.

Pena é que se queira resumir a temática e a realidade à relação do clube com a autarquia.

No entanto, essas mesmas vozes esquecem que Aveiro é muito mais que o Beira Mar e o futebol (ainda por cima profissional, com todas as implicações que tem, seja ao nível do seu financiamento, seja à impossibilidade, pela força da lei, de receber subsidiação das autarquias).

É que Aveiro também são as ruas, as freguesias, as instituições de solidariedade social, as associações culturais, todo o associativismo, os cuidados de saúde, as necessidades sociais, as famílias… Aveiro também é a educação, a juventude, as crianças, os idosos, o desemprego, as empresas…

Ou seja, Aveiro é muito mais que o Beira Mar, o futebol, ou, até mesmo, o desporto.

É a Banda Amizade, as Florinhas do Vouga, os escuteiros, os centros comunitários, o CETA, os grupos cénicos, os corais polifónicos, … E se quisermos, Aveiro também é o Recreio Artístico, Galitos, Esgueira, Sporting de Aveiro, Bonsucesso, CENAP, Estrela Azul, FIDEC, Taboeira, Eixo, e tantos outros…

Aveiro é muito mais que fundamentalismos ou extremismos.

Já alguém parou para questionar por onde andam cerca de 7000 sócios do Beira Mar?!

Já alguém analisou as razões do afastamento do Clube em relação aos aveirenses?! E não é nova esta falta de identidade entre aveirense e o clube: quando associado do Beira Mar, era constrangedor ver a “bancada central” do antigo estádio encher-se de sócios assíduos que trocavam o seu cachecol preto e amarelo pelo vermelho, verde e azul, quando o Benfica, Sporting ou Porto vinham jogar a Aveiro.

Já se questionaram as gestões anteriores?! Já se repensaram projectos e debateram opções tomadas? Já se repensaram os modelos de gestão? Já se questionou como é que as piscinas passaram de uma gestão lucrativa para um equipamento insustentável e deficitário?! Já se discutiu o insucesso desportivo e a incapacidade de afirmação no futebol nacional?! Porque não se ouviram as mesmas vozes de hoje aquando da construção do novo estádio municipal e todas as implicações que teria no futuro do clube?

Já se apurou quantos, dos cerca de 70000 aveirenses (concelho), são aqueles que se sentem identificados com o Clube e vivem a sua realidade actual?

Acho que, mais importante que projectos irrealistas e sonhadores, é relevante e urgente assentar os pés na terra e projectar o clube em função da realidade e das suas capacidades. Muito para além do mau hábito luso da subsidiodependência.

O clube deve ser repensado (seja ao nível que tiver que ser) em função da sua capacidade de subsistência. Isso é que lhe dará dignidade e devolverá os aveirenses ao clube (veja-se o caso do Boavista, do Salgueiros, do Farense, etc.).

O que não faz sentido é devolver a responsabilidade para quem deve ter como preocupação fundamental a gestão do domínio autárquico.

Qual seria a reacção da comunidade aveirense se uma determinada empresa, a braços com uma situação de falência, recorresse ao erário público para a sua sobrevivência?! Não estaria essa empresa legitimada também pelo interesse público: não aumentar o desemprego, de não potenciar a conflitualidade social, de projectar o desenvolvimento económico?!

Porque as actuais vozes tão críticas, não se erguem contra o tecido empresarial aveirense por não apoiar o Clube?! Não terão as empresas eventual negligência na sua responsabilidade social?!

É certo que o Clube, pela sua história e por aquilo que pode projectar, deve ser apoiado, dentro do racional, e deve ser, por todos os interessados, encontrada rapidamente uma solução. Mas de forma coerente, realista, lógica, sem que as emoções e as paixões inconsistentes entravem o futuro do Sport Clube Beira Mar.

Com todo o respeito por quantos desenvolveram incansáveis esforços para encontrar uma saída para esta crise de identidade…

publicado por mparaujo às 18:36

01
Nov 09
Pela forma como está apresentado...
Pela visão pessoal, emotiva, mas também bem racional...
Pelo retrato que faz do presente, do passado e projecta o futuro...
Esta visão muito particular sobre o caso "Beira Mar", após mais uma Assembleia Geral muito concorrida mas inconclusiva.
Ver aqui: Canal de Beiramarense no YouTube.
(a visão do actual estado do Beira-Mar e a informação divulgada no vídeo, são da inteira responsabilidade do seu autor)
publicado por mparaujo às 21:15

19
Out 09
Não está pacifica a relação dos aveirenses, dos sócios, dos ex-dirigentes, com o futuro do Beira Mar.
Nem parece ter solução à vista, tão breve quanto se desejaria.
E pacificação e soluções são coisas arredadas do futuro do Clube.

É muito fácil vir falar de 'beiramarismos', 'aveirismos' e outros "ismos" que tais. Mas se o dinheiro "perdido" tivesse sido o meu, reagiria da mesma maneira ou pior: "
Ex-dirigentes voltam a penhorar Beira-Mar" (fonte: JN de 17.10.2009). O continuar à mercê da falta de resposta e auto-suficiência só apressa um final nada feliz...
publicado por mparaujo às 22:53

03
Set 09
No processo das "Piscinas do Beira Mar" pode-se ler aqui o Comunicado Oficial do Clube.
publicado por mparaujo às 22:48

13
Ago 09
Publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro...

Sais Minerais
As piscinas...

O regresso, depois de um descanso merecido…
Este é, de facto, um verdadeiro ano político. Eleitoral e, à boa maneira lusa, eleitoralista.
A confrontação política vai marcando a agenda neste Verão irregular, “carregando” as baterias para o arranque das campanhas eleitorais: primeiro legislativas e, logo a seguir, as autárquicas.
Em relação a estas últimas, para quem se candidata é o momento de estar atento e aproveitar todas as oportunidades (com maior ou menor astúcia, às vezes mais política que realista) para criticar ou denunciar. Para quem se recandidata é a altura para preparar as defesas, contrapor e argumentar com a experiência adquirida.
Recentemente, tem sido “campo de batalha” o terreno das Piscinas do Beira Mar.
Em relação a tudo o que tem sido argumentado não me caberá a mim defender, por várias razões (ou porque não fui incumbido de servir de advogado de ninguém ou porque, simplesmente, há outras considerações).
Do ponto de vista da legitimidade, o protocolo entre a Câmara Municipal e o Beira Mar foi assinado e foi cumprido. Face à legalidade de tal acto, o Clube entendeu gerir o seu património e a sua actividade dentro das suas necessidades. Para mim, estes são os factos.
Mas estes factos, como muitos outros exemplos por esse país fora, no que diz respeito ao desporto, demonstram uma outra realidade preocupante.
A estrutura social e económica do país desenvolveu uma cultura desportiva desarticulada, irrealista e inconsequente: no final são mais as “montanhas a parir ratos” que os casos de sucesso. O desporto perdeu a sua essência cultural e social, tornando-se, insuportavelmente, economicista e comercial. O “não profissional” não resistiu à pressão da exigência profissional. E esta, não resistiu à falta de estrutura, organização, gestão e capacidade financeira.
Durante alguns anos, o desporto (a encoberta da vertente social da formação) “viveu” à custa da subsidiodependência. Foi, durante vários anos, alimentando-se de protocolos sem visão a médio e longo prazo, sem previsão de auto-suficiência, sem realismo (que, na maioria dos casos, serviram para fazer face aos exigentes encargos financeiros com o sector profissional). O desporto foi, irreparavelmente, ficando seriamente dependente. Nomeadamente dos dinheiros públicos e, concretamente, do erário autárquico.
Os clubes não souberam, não foram capazes ou, por comodidade, não quiseram criar condições e estruturas capazes de proveram as suas modalidades de recursos suficientes para o desenvolvimento do seu papel e actividade.
E são inúmeros os casos, quer em Aveiro, na região e no país. Enumerá-los seria fastidioso e longo. Mas são, publicamente conhecidos, nas mais diversas modalidades: basquetebol, andebol, ginástica, etc. A muito custo e, por força da projecção mediática, lá se vai mantendo (com cada vez mais excepções) o futebol.
E é este que tem absorvido, cada vez em maior número, a deficiente realidade das outras modalidades. Para sua sobrevivência (questionável ou não) vão-se definhando e vão desaparecendo os outros “espaços” que ocupavam, na vida de muitos jovens, um papel primordial no seu desenvolvimento social, físico e humano.
E esta é que é a verdadeira realidade do caso “piscinas do Beira Mar”, como é o caso de muitas piscinas, pavilhões, ginásios, por esse país fora.
Desportiva e socialmente cada vez mais pobre.
Ao sabor da pena…
publicado por mparaujo às 13:28

12
Abr 08
Só espero que "isto" não sobre (mais uma vez) para a Câmara Municipal de Aveiro.
O desenvolvimento social e económico, a qualidade de vida e o bem-estar do município não deve ser hipotecado em sectores que têm a obrigação de ser auto suficientes, como qualquer sector empresarial e profissional. Há prioridades muito, mas mesmo muito, importantes no Concelho.
Há uma aptidão "mórbida" na sociedade portuguesa que sustenta a permissão para tudo se fazer, sem planear, projectar, prever riscos, recursos e custos. No fim, logo se há-de ver o que acontece. E normalmente o que acontece é sempre a catástrofe.
Sempre me ensinaram (felizmente) que acima deve vir a dignidade, o brio e o empenhamento pessoal (ou colectivo). E só depois a glória, muitas vezes (senão quase sempre) efémera.
Quando não se tem cão, caça-se com gato. E nunca vi fazer omeletes sem ovos (sejam eles quais forem).
O que seria do erário público (Estado, Empresas Públicas, Autarquias) se cada empresa privada que estivesse em dificuldades (e infelizmente há imensas) ou para fechar, se socorresse desses fundos para sobreviver?!
Já chega. Basta!
publicado por mparaujo às 19:27

04
Fev 08

O Sport Clube Beira Mar sempre foi identificado com as cores preto e amarelo. Neste momento, nota-se mais o preto que amarelo.
Sem estádio...
Sem relvado...
Sem sorte no regresso ao velhinho Mário Duarte...
Sem Dinheiro...
E agora...
Sem Treinador...
Será que ainda há clube?!
publicado por mparaujo às 20:35

21
Jan 07
Quer se goste ou não...
Quer se assuma ou não uma identidade comum...
É certo que a nossa história sempre teve uma relação estrutural, de amor e ódio com Espanha.
Desde os tempos de Castela. Dos tempos da aliança Filipina.
Desde o tempo em que "fechámos" o mar a Espanha.
Desde os tempos em que Espanha nos fechou a Europa.
Sem querer entrar em emotividades descontroladas e irracionais, Portugal é hoje um país apetecível a Espanha.
Espanha é hoje um país desejável a Portugal e a uma grande quantidade de portugueses.
Aveiro não foge à regra.
Na Páscoa desejamos a invasão espanhola.
No desporto, contrariando a velha alinaça portuguesa com as terras de sua majestade, o Beira Mar tornou-se apetecível e economicamente desejado.
De Espanha bons ventos e bons euros.
publicado por mparaujo às 18:42

16
Jul 06
Para além de parte de uma música dos Xutos e Pontapés, é o reflexo do actual estado do país.
Portugal foi para banhos.

Resta-nos a novela luso-brasileira: Super Mário atrasou-se e falha viagem de Moliceiro com entrada directa no estádio de aveiro.
Entre o ser e o não ser, o vir e o não vir, esta reabilitação desportiva e social do Sport Clube Beira Mar, começa mal.
A ver vamos se não termina pior.
publicado por mparaujo às 21:15

11
Jul 06
Este é, claramente, um início de época atribulado para a Direcção do Beira Mar e para o próprio Clube.
É a dívida reclamada à Câmara.
É a polémica com o ex-presidente da direcção do Beira Mar.
É o relacionamento com a EMA.
É um plantel construído sem nomes sonantes e créditos reconhecidos.
Desculpem... lapso.
Há um nome: Mário Jardel.
E as àguas agitaram-se na Ria.
Expressão curiosa é o título que Jorge Ferreira utilizou para o seu post sobre o tema em Só Aveiro. Soberbo!
Mas também inteligente é a abordagem, extremamente interessante, de Júlio Almeida no Já Agora.
A ler obrigatoriamente. Com as devidas vénias.
publicado por mparaujo às 23:53

02
Mai 06
Agora, de cabeça mais fria.
Primeiro ponto: sou desportista.
Segundo ponto: sou "beira-marista".
Terceiro ponto: gosto de futebol (embora mais de basket).
Quarto ponto: sou aveirense.

Análise.
Os acordos (escritos ou não) e os protocolos de todo e qualquer tipo, porque assumidos, devem ser cumpridos, por questões de respeito e responsabilidade.
O que não devem ser é assumidos de forma irracional e desmedida.
Na qualidade de Presidente do S.C. Beira Mar, quem exerce essa missão deve, obviamente, defender os interesses do clube.
Mas a que custo?! Sem olhar à realidade e à situação contextual?!
E porque razão deve ser mais importante que os outros compromissos?!
Mais euro menos euro, é reconhecida publicamente a dificuldade financeira do município.
Mais euro menos euro é do conhecimento de muita gente a dificuldade da cma em cumprir compromissos económicos com associações, entidades públicas, empresas privadas e com particulares.
Como o Beira Mar, qualquer "credor" tem o direito de exigir o cumprimento dos compromissos assumidos.
Por outro lado, não ouvi da parte da CMA qualquer intenção de não cumprimento no saldar das dívidas.
Há que ter a razoabilidade e o bom senso na atribuição de prioridades e de compromisso comuns para o desenvolvimento sustentado do concelho. Quer na sua vertente económica, social, cultural e desportiva.
Ninguém deve estar acima de ninguém.
Todos têm o direito à sua legítima reinvidicação. Com bom senso e respeito.
Só assim me parece lógico o entendimento.
Porque para o Beira Mar é, obviamente, importante o cumprimento da dívida de 800000 euros.
Para outros está em causa a sobrevivência da sua empresa e a dos seus funcionários.
Para outros ainda a sobrevivência familiar sustentada no cumprimento salarial mensal.
Há que ter os pés bem assentes na terra.
Por Aveiro e pelo Beira Mar.
publicado por mparaujo às 23:40

30
Abr 06
Campeões, Olé!
Campeões, Olé!
Campeões, Olé!


publicado por mparaujo às 20:04

23
Abr 06
São João antecipado







e
São Gonçalinho bisado.







Num caso e noutro... o Povo saiu à rua!
publicado por mparaujo às 22:26

17
Abr 06
Descubra as igualdades/semelhanças
-> FC Porto - 1º Classificado da I Liga / Beira Mar - 1º Classificado da Liga de Honra
-> FC Porto - Praticamente Campeão / Beira Mar - Praticamente Campeão
-> FC Porto - 1 ano de intervalo entre a última vez que foi campeão (época 2003/2004)
-> Beira Mar - 1 ano de intervalo com apenas 1 ano de permanência na II Liga.
-> FC Porto - melhor eqquipa da I Liga / Beira Mar - melhor equipa da II Liga.

Beira Mar e FC Porto, as minhas duas almas gémeas.
publicado por mparaujo às 22:01

14
Nov 05
que percebi bem a notícia divulgada pelo Notícias de Aveiro, sobre a reunião de hoje do executivo camarário?!
À interpelação do vereador do PS - Dr. Pedro Silva, que estranhava, como eu já Aqui referi, a provável instalação em Ilhavo da academia do Beira Mar, o vereador do pelouro do desporto - Dr. Jorge Greno respondeu que a Câmara tudo fará para manter esta infraestrutura am Aveiro.
Espero ter lido bem... Espero que se cumpra o prometido!
Afinal já não estou assim tão triste.
publicado por mparaujo às 22:50

pesquisar neste blog
 
arquivos
2020:

 J F M A M J J A S O N D


2019:

 J F M A M J J A S O N D


2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

28 seguidores

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Fevereiro 2020
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
12
13
14

17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29


Siga-me
links