Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

05
Jul 13

Poderão achar estranho o “politicamente” entre parêntesis, mas a verdade é que a actual crise política/governativa (ainda longe de estar sarada) só tem, na realidade e na prática, um perdedor: os portugueses.

Mas do ponto de vista político o contexto pode ser outro.

Primeiro, tal como aqui referi (“O Circo chegou ao Governo”) há uma evidente quebra na imagem e confiança dos portugueses na política, nos partidos e nos políticos. Bateram no fundo. Pior que isto será muito difícil de conseguir (se bem que, em Portugal, está mais que demonstrado que “nada é impossível”).

Segundo, a própria democracia. Por um lado a óbvia noção (já não é só sensação) de que os dois anos de extrema exigência social e económica pedida aos portugueses e às empresas tem o sabor amargo da desilusão e da decepção. Por outro lado, esta obsessão de que o país pode parar, morre, afunda (como se ainda fosse possível ir mais fundo), por causa de eleições antecipadas é do mais demagogo possível e imaginável. A democracia assenta em eleições livres, participadas e que legitimam a realidade política do país. Sem isso, voltamos às ditaduras, às autocracias ou às tiranias. Se não houver eleições antecipadas, também é verdade que, apesar de ferido estruturalmente, o Governo tem a legitimidade do voto de 2011 e uma maioria relativa (tal como Sócrates entre 2009 e 2011) parlamentar que lhe permite continuar a governar. Esse é, igualmente, um facto.

Mas, por último e principalmente, com toda esta crise provocada pelo pedido de demissão de Paulo Portas (muito mais do que causada pelo pedido de Vítor Gaspar) quem sai claramente a perder, politicamente, é o CDS e o seu (ainda) líder.

O CDS há muito que é um partido extremamente personificado e que “gira” em torno da figura de Paulo Portas. Por isso, com razão Lobo Xavier o expressou ontem no programa “Quadratura do Círculo”, é que se compreende o adiamento do Congresso (e que não tem a ver com as reuniões do Presidente da República). Tal como a Comissão Executiva do CDS, não encontrando outra alternativa, se vê na “obrigação” de mandatar o ministro que se demite e que escreve a triste “epístola” sobre o governo e o primeiro-ministro para negociar com Passos Coelho para manter a coligação governamental. Isto é surreal. Assim como é incompreensível uma coligação governamental sem a presença dos dois líderes dos dois partidos que a compõem.

Politicamente, acabou o CDS e o político Paulo Portas.

Pelos vistos não será na rua que cairá o Governo. Era pelo mais óbvio… o fim da coligação.

Por fim, o que se lamenta mesmo é o sacrifício que foi exigido aos portugueses para que “alguns” andassem a brincar às governações e à política.

publicado por mparaujo às 16:44

02
Fev 13

É a máxima da política (agora completa): “o que hoje é verdade, amanhã é mentira”.

E ao contrário do que aqui afirmei em tempos e face às declarações proferidas, na altura, pelo vice-presidente centrista, Nuno de Melo, o CDS acabou por perder todo o sentido de responsabilidade e toda a ética politica. No fundo, os centristas acabaram por dar a melhor expressão prática à imagem que os cidadãos têm da política e dos partidos.

O PSD e o CDS ao formalizarem, ontem, o acordo para a constituição da coligação para o apoio da candidatura de Fernando Seara à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, nas próximas eleições autárquicas, entraram numa espiral de contradição e de excepção que contrariam os princípios defendidos pelo partido e que condenavam as eleições a outros municípios de presidentes das autarquias em limitação de mandatos (três mandatos consecutivos).

Nada justifica a dualidade de critérios entre a decisão de não apoiar a candidatura de Luís Filipe Menezes à Câmara do Porto e o apoio decidido a Fernando Seara para liderar a autarquia da capital. Os princípios deveriam ser os mesmos: não apoiar candidaturas de autarcas que tenham atingido o limite de mandatos.

Muito mal, CDS… muito mal, mesmo.

publicado por mparaujo às 20:54

05
Out 12

No seguimento do post anterior, não é apenas o PS a mostrar alguma dificuldade em gerir os timmings e as oportunidades políticas.

A verdade é que desde o momento do anúncio das, agora abandonadas, alterações à Taxa Social Única que o país está algo suspenso à espera que o CDS-PP se assume de uma vez por todas e tenha, verdadeiramente e como afirma o seu líder, o sentido de Estado. E não esta posição incoerente e inconsistente entre o discurso e a prática.

Sentido de Estado significa tal e qual isso: estar mais preocupado com os cidadãos, com as instituições, com a democracia, com o país e não, apenas, com o segurar da "cadeira do poder" (aliás, posição não conquistada pelos votos mas sim por uma assinatura num acordo ou memorando de entendimento com o PSD, após as eleições).

Já na altura do anúncio da TSU o CDS expressou (como o tinha feito anteriormente) que era chegada a altura de não sobrecarregar mais os cidadãos com mais austeridade e, principalmente, mais impostos. Estamos no limite e a alternativa (que teima em chegar) preconizada pelo CDS encontra-se num esforço maior do Estado em conter a sua despesa (algo que até agora só teve impacto na rubrica dos recursos humanos e salários na função pública). A coligação tremeu (embora não tenha caído) com o golpe demagógico do sentido de Estado (e a presença da missão da Troika em Portugal), mas ficou sempre a imagem e a sensação de uma ferida que vai custar a sarar entre os parceiros governamentais.

Agora, depois do anúncio do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, das alternativas (se é que o são) ao abandono da TSU e que, segundo o próprio Governo, são tremendas, acentuando, de forma impressionante e inqualificável, o esforço que é exigido aos cidadãos (sempre pelo lado mais fácil: o da receita) com mais e agravdos impostos, o CDS vem a público afirmar que vai esperar pela apresentação definitiva do Orçamento do Estado para 2013 e ter "fé" (porque é este o apanágio da governação centrista neste Governo) que haja uma forte compensação das medidas agora anunciadas através de um esforço redobrado na contenção da despesa do Estado.

Ora, já toda a gente sabe (e disse) que nem com enorme "fé" (para alguns uma "fezada") ou até mesmo um verdadeiro milagre o Governo consegue inverter as suas políticas e medidas (porque isso significa abandonar os seus conceitos e ideologia - a sua "crença") e colocar em prática o que o ministro Vítor Gaspar afirmou, logo em 2011: a recuperação económica e a saída da crise se iria fazer com 2/3 do lado da despesa (gorduras e despesismo público) e 1/3 do lado da receita (cidadãos e empresas).

Aguarda-se para perceber o verdadeiro significado de "sentido de Estado" para o CDS: o país e os portugueses em primeiro ou a "cadeira do poder" que abandonada muito dificlmente será recuperada.

 

 (créditos da foto: © Steven Governo/Global Imagens - DN online)

publicado por mparaujo às 23:52

16
Jul 11
A relação de forças políticas (a balança entre a maioria ou a minoria) na Câmara Municipal de Aveiro alterou-se na última semana, com o Presidente do Executivo a ser "obrigado" a retirar pelouros e confiança a dois vereadores da posição (um eleito pelo PSD e outro pelo CDS na lista de coligação Juntos por Aveiro).
Em causa (pelo menos... a causa conhecida) a votação, tal como os vereadores da oposição - PS, contra o contrato-programa (protocolo) de cedência de gestão do Estádio Municipal de Aveiro, por dez anos, ao Sport Clube Beira Mar.
O assunto encheu páginas e sons na informação local e foi tema "quente" na última reunião da Assembleia Municipal de Aveiro (13 de julho).
Não me cabe fazer (por razões óbvias e conhecidas), pelo menos publicamente, qualquer juízo de valor sobre as opções de cada interveniente.
Apenas cabe a opinião pessoal sobre a situação em si, de forma abstracta.
E cabe, neste momento, fazer um exercício de análise eleitoral. Nas eleições autárquicas de 2009, o PSD e o CDS apresentaram-se a sufrágio numa coligação pré-eleitoral (Coligação Juntos por Aveiro), em que o candidato a Presidente da Câmara era a recandidatura de um independente, sendo os lugares da lista de vereadores distribuídos em função de critérios acordados que, para o caso, são perfeitamente irrelevantes.
Dos resultados eleitorais finais a distribuição de lugares no executivo aveirense atribuiu seis lugares à coligação (incluindo o Presidente) e três lugares ao Partido Socialista. Dos cinco vereadores da coligação, três foram indicados na lista pelo PSD e dois pelo CDS. Realce, mais uma vez, para o facto da coligação ser pré-eleitoral e não um acordo pós-eleitoral de distribuição de lugares. E não se pense que isto é irrelevante. Antes pelo contrário.
Apesar disso, pela legislação eleitoral, os nove elementos com acento na Câmara são eleitos "directamente", ou seja, não podem ser demitidos (quanto muito não têm pelouros ou apresentam a demissão).
Ou seja...
No caso concreto, o que se verifica é que os dois vereadores passaram, por decisão do Presidente, a vereadores sem qualquer pelouro (sem funções executivas) mas, ainda por força da retirada da confiança política, passaram também a "independentes", o que altera a relação de forças políticas para, além da presidência, três vereadores da coligação, três da oposição - PS, e mais dois independentes (que vão funcionar como "balança" decisiva): a coligação perde, por isso, a maioria.
No entanto, há uma outra análise que merece ser efectuada.
É certo que num Estado de direito e democrático, por força da Constituição da República Portuguesa (ver exemplos da Liberdade de Expressão - artigo 37º; Liberdade de Consciência - artigo 41º; Direitos e Liberdade de participação política - Capítulo II; e Participação política dos cidadãos - artigo 109º), os cidadãos devem e podem actuar segundo os seus princípios, valores e convicções, de forma individualizada. É um direito fundamental que assiste a qualquer cidadão. E foi, segundo declarações dos mesmos, o princípio usado para a tomada de posição. O que implica igualmente o assumir das consequências pessoais e políticas de tal acto (por exemplo, ficarem sem os pelouros), sem ressentimentos ou constrangimentos (o que, pelo crispar das relações, não terá, de todo, acontecido).
E se esta é uma realidade e o um direito que assiste aos dois vereadores, também não é menos verdade que há outro facto importante: é que a presença numa lista de coligação pré-eleitoral e a atribuição de pelouros executivos merece por quem aceita a responsabilidade executiva um acrescido sentido de lealdade e solidariedade. Até porque é sabido que a Câmara Municipal de Aveiro, concretamente o seu Executivo, têm espaços próprios para que os vereadores com pelouros possam, espera-se que livremente, manifestar as suas posições e convicções.

No fim resulta que estes dois anos que restam para o final do mandato vai exigir alguma capacidade de persuasão e de liderança.
Sendo certo também que as futuras reuniões da Câmara Municipal de Aveiro vão ser muito "cara ou coroa" nas decisões deliberativas.

E agora, Aveiro?!
publicado por mparaujo às 20:29

16
Jun 11
Fotografia © Rodrigo Cabrita / Global Imagens - Edição do DN de 18.04.2011
Não me vou pronunciar sobre a personalidade de Fernando Nobre, nem sobre o seu percurso enquanto médico ou responsável e fundador da AMI.
Não me vou pronunciar sobre questões de carácter de pessoas que não conheço e com as quais nunca privei, nem é isso que está em causa.
Mas como disse, sempre desde o primeiro momento, Fernando Nobre é um total e inexplicável erro de casting nestas eleições legislativas, na campanha do PSD, como cabeça de lista por Lisboa e na declarada candidatura ao cargo de Presidente da Assembleia da República, por curiosidade tão somente a segunda figura na hierarquia do Estado Português.
A acrescentar a todos estes factos, Pedro Passos Coelho e o PSD arriscam-se a iniciar esta legislatura com uma "pedra no sapato".
Já foi muito difícil perceber a inclusão de Fernando Nobre nas listas do PSD... por tudo o que ele afirmou, convictamente, sobre os partidos, os políticos e o próprio poder. E estamos a contextualizar uma realidade de apenas há quatro/cinco meses atrás.
Como se tal não bastasse o anúncio público da candidatura de Nobre ao cargo de Presidente da Assembleia da República, pelas razões já apontadas, e pelo facto de Fernando Nobre nunca ter tido qualquer experiência parlamentar, nem político-partidária ou pelo facto da eleição para o desempenho daquelas funções ser da responsabilidade da Assembleia da República através de voto secreto e resultado da vontade própria dos deputados eleitos.
Este problema revela outra questão. O desprezo, o desrespeito, a falta de consideração e a desvalorização do principal órgão do Estado e da Nação: a Assembleia da República.
A haver justiça... Fernando Nobre não é eleito por rejeição livre dos deputados (a começar pelo CDS).
publicado por mparaujo às 23:07

22
Out 10
O PCP foi o primeiro partido indicar oficialmente o seu sentido de voto para o debate sobre o Orçamento do Estado para 2011. Segui-se-lhe o BE.
Curiosamente (ou não) o "sentido de Estado" foi o mesmo: CONTRA!
Apesar de Paulo Portas ter anunciado no facebook que amanhã (Sábado - dia 23.10.2010) anunciaria oficialmente o sentido de voto do CDS, o jornal Expresso antecipa o anúncio da decisão... esta verdadeiramente curiosa: CONTRA!
Portanto, resta a decepção política orçamental do momento... por mais esperanças que eu tivesse, expressas aqui, aqui, aqui e aqui, Pedro Passos Coelho deu um verdadeiro "tiro no pé": o sentido de Estado deveria estar presente na confirmação do discurso, nas convicções, na afirmação como alternativa governativa. E não assumir uma factura que não pertence ao PSD, ter um discurso e assumir uma posição política parlamentar contrária.
Se o Orçamento é péssimo, se em nada contribui para a melhoria das condições sociais, da sobrevivência da economia e do combate à crise, para quê negociar condições que não trazem mais-valias significativas e apenas "colam" o PSD a este "crime orçamental", transformando o partido num cúmplice governamental.
Enfim...
publicado por mparaujo às 23:38

24
Jan 10
Antes da análise política ao processo negocial do OE 2010, que envolveu PS, PSD e CDS, deixo ao livre arbítrio das opiniões e concepções, os fundamentos da negociação entre Governo e CDS.PP.
Amanhã, na segunda parte, será feita a análise ao peso político das negociações.

(fonte: página oficial do CDS, via twitter)

PONTOS DE CONVERGÊNCIA QUE JUSTIFICAM A "ABSTENÇÃO CONSTRUTIVA":
- Saúde
Contratualizar cerca de 40.000 cirurgias (em várias especialidades) através de um acordo-quadro com as Misericórdias.
Efectivação da unidose.
- Agricultura e Florestas
Aumento considerável das verbas nacionais do PRODER
Desburocratizar completamente o PRODER, para evitar novas perdas de fundos.
- Impostos
Abertura a uma significativa majoração do desconto no IRS por cada filho.
Alteração do regime que prejudica o casamento no IRS.
Melhorar significativamente os direitos do contribuinte nas penhoras fiscais.
Arbitragem fiscal: resolução mais rápida para os litígios fiscais.
- PME’s
Reembolso do IVA a 30 dias, a partir de 1 de Janeiro.
Abertura à negociação de um novo regime de pagamentos atempados das dívidas do Estado.
Maiores apoios à internacionalização das empresas portuguesas.

PONTOS DE CONVERGÊNCIA QUE JUSTIFICAM A "ABSTENÇÃO CONSTRUTIVA" - QUESTÕES MACRO-ECONÓMICAS

1 - Garantia de que não há aumento de impostos
2 - Melhor subsídio de desemprego para casais com filhos
3 - Endividamento: admissão de um controlo reforçado das PPP
4 - Alargamento do plano de privatizações


DIVERGÊNCIAS DE FUNDO DO CDS QUE IMPEDEM O VOTO A FAVOR (mas mantém a abstenção - nota minha)

1 - O Governo não aceita uma redução selectiva de impostos para estimular a economia
2 - O nível da despesa pública sobre o produto é muito elevado
3 - Não há disponibilidade para rever as prioridades do investimento público já decidido
4 - Redução do Pagamento Especial por Conta: permanece divergência (CDS disposto para reduzir até 50%)
5 - Governo não aceitou cortar no rendimento mínimo para aumentar mais 7 euros (aos 3 euros anunciados) nas pensões mais baixas
6 - Problema com o recrutamento de agentes das forças de segurança para 2010
publicado por mparaujo às 20:49

12
Out 09
O País foi, no mesmo ano e pela terceira vez, a votos.
Objectivos das 3 cruzes a assinalar nos respectivos boletins: eleição da gestão municipal; eleição dos vogais da Assembleia Municipal e eleição dos membros das Assembleias de Freguesia, onde será eleito o executivo das Juntas de Freguesia.
Em Aveiro, os resultados finais foram:

Câmara Municipal
Coligação "Juntos por Aveiro" - 19243 votos (6 mandatos/vereadores); PS - 11849 votos (3 mandatos/vereadores); BE - 1814 votos e a CDU - 1311 votos.

Assembleia Municipal
Coligação "Juntos por Aveiro" - 18931 votos (16 mandatos); PS - 10421 votos (8 mandatos); BE - 2381 votos (2 mandatos); CDU - 1580 votos (1 mandato) e MEP - 830 votos.

Assembleias de Freguesia
Aradas: Coligação "Juntos por Aveiro" - 1842 votos; PS - 1287 votos (diferença: 555 votos)
Cacia: Coligação "Juntos por Aveiro" - 2275 votos; PS - 685 votos (diferença: 1590 votos)
Eirol: PS - 340 votos; Coligação "Juntos por Aveiro" - 184 votos (diferença: 156 votos)
Eixo: Coligação "Juntos por Aveiro" - 1177 votos; PS - 866 votos (diferença: 311 votos)
Esgueira: PS - 2320 votos; Coligação "Juntos por Aveiro" - 2009 votos (diferença: 311 votos)
Glória: Coligação "Juntos por Aveiro" - 2577 votos; PS - 1314 votos (diferença: 1263 votos)
Nariz: Coligação "Juntos por Aveiro" - 340 votos; Indp. - 170 votos (diferença: 170 votos)
Oliveirinha: Coligação "Juntos por Aveiro" - 1558 votos; PS - 627 votos (diferença: 931 votos)
Requeixo: Coligação "Juntos por Aveiro" - 557 votos; PS - 110 votos (diferença: 447 votos)
São Bernardo: Coligação "Juntos por Aveiro" - 1393 votos; PS - 593 votos (diferença: 800 votos)
São Jacinto: Coligação "Juntos por Aveiro" - 327 votos; PS - 299 votos (diferença: 28 votos)
Vera Cruz: PS - 1788 votos; Coligação "Juntos por Aveiro" - 1661 votos (diferença: 127 votos)
Santa Joana: Coligação "Juntos por Aveiro" - 2698 votos; PS - 749 votos (diferença: 1949 votos)
N.Sra. Fátima: Independentes - 554 votos; Coligação "Juntos por Aveiro" - 513 votos (diferença: 41 votos)


Análise/reflexão sobre as eleições
O processo/resultados eleitorais comportam alguns dados que se afiguram relevantes:
1. Sendo previsível a repetição de um resultado próximo do de 2005 (5 vs 4 mandatos), acabou por ser expressiva a vitória da Coligação "Juntos por Aveiro", conquistando uma maioria absoluta e o dobro dos mandatos em relação ao PS (6 vs 3 mandatos). Foi, por mais argumentos e justificações que se queiram encontrar, esta a vontade democrática dos aveirense. Respeite-se!
Élio Maia obteve 53,79% das preferências dos votos expressos e José Costa 33,12%.
Uma diferença considerável que resultou, do meu ponto de vista, em falhas comunicacionais, por parte da candidatura do PS, expressas na forma como se desenrolou a campanha: muita lateralização dos assuntos, muitos "fair divers", muita quezília, alguns "tiros no pé", ausência de discussão dos assuntos importantes para o Concelho, ... Os aveirenses acabaram por não se relacionar com a forma como a campanha se desenrolou.
Alguns apontam o número considerável de abstenções (cerca de 47%), penalizando José Costa. Não sou tão simplista nessa análise, nem me parece que esse seja o único argumento válido. Até porque isso significaria uma dupla derrota para o PS local: a perda significativa das eleições e um claro "cartão" vermelho à sua lista e propostas.
Acredito que alguns socialistas não tenham ido votar por falta de empatia com a candidatura do PS.
Mas, por outro lado (como pode servir de exemplo a Freguesia da Glória), muita da abstenção significou igualmente um alheamento eleitoral (nesta caso a desfavor da coligação) por muitos eleitores entenderem que já se esperava uma vitória de Élio Maia.
Há, ainda, o "cansaço" natural de um ano eleitoralista e a proximidade temporal dos dois últimas actos eleitorais (apenas 15 dias de diferença).
2. A Coligação "Juntos por Aveiro" conquista mais 2576 votos que em 2005 e o PS perde 1933 votos.
3. Outro dado curioso é que, pela primeira vez desde 1976, o PS perde as eleições em S.Jacinto, tendo a Coligação conquistado, desta vez, a Junta de Freguesia.
4. A coligação perde a Junta de Freguesia de N. Sra. de Fátima, não para o PS, mas para o Movimento de Independentes.
5. O PS manteve as Juntas de Freguesia de Eirol, da Vera Cruz e a de Esgueira.
6. Apesar das críticas que transmitiram o desagrado na forma negativa como a Câmara se teria (eventualmente) relacionado com as Juntas e algumas Instituições e Associações, o certo é que Élio Maia (Câmara) perdeu por 30 votos em Eirol, por 100 votos em Esgueira e por 40 votos na Vera Cruz, sendo relevante o facto da Coligação reforçar a sua maioria na Assembleia Municipal onde apenas perdeu na(s) mesa(s) de voto de Eirol por 23 votos de diferença.
7. As diferenças consideráveis na eleição dos membros das listas da Coligação nas Assembleias de Freguesia, foram registadas: Aradas (555 votos), Cacia (1590 votos), Glória (1263 votos - o BE elegeu 1 mandato), Oliveirinha (931 votos), São Bernardo (800 votos) e Santa Joana (1949 votos).
8. Na conquista das Assembleias de Freguesia por parte das listas do PS, as diferenças são consideravelmente reduzidas: Eirol (156 votos), Esgueira (311 votos - eleição de 1 mandato para o BE) e Vera Cruz (127 votos - eleição de 1 mandato para o BE).
9. Nas restantes Assembleias de Freguesia, os resultados demonstram diferenças menos acentuadas, mas com vitória das listas da Coligação: Eixo (311 votos), Nariz (110 votos de diferença para a Candidatura de um Movimento de Independentes - para o PS a diferença foi de 179 votos), Requeixo (447 votos), S.Jacinto (28 votos).

Em resumo, ganhou a estratégia da Coligação "Juntos por Aveiro" sobre a estratégia do PS, sendo que os aveirenses, que expressaram o seu direito de cidadania, escolheram, democraticamente, as propostas e a continuidade da gestão do município por parte de Élio Maia e a sua equipa.

Actualização

Mais notícias relacionadas: em Notícias de Aveiro e Expresso on-line (declarações de Alberto Souto).
publicado por mparaujo às 20:01

15
Mai 09
Não parece, mas já faltará menos que 6 meses para a hora do veredicto local.
Duas candidaturas foram já oficialmente anunciadas: a do PCP e a do PS.
No caso dos socialistas, o candidato José Costa apresenta o seu site e blog oficiais de campanha, sob o lema: Adoro Aveiro.
Entretanto, assumindo-se a recandidatura de Élio Maia (ainda não oficializada, mas mais que natural, como já referido pela concelhia do PSD), continuo a não perceber, entender (mas também já lá vai o tempo em que, eventualmente, percebia alguma coisa) e compreender a lógica centrista de um tabu (coligação ou não coligação, género: ser ou não ser - existir ou não existir) que apenas servirá para perder o comboio eleitoral, perder "peso político" e relevância local.
Nem mesmo as recentes jornada parlamentares realizadas em Aveiro, poderão disfarçar esta incompreensível não tomada de posição.
Mas alguém de direito deverá perceber esta lógica.
Eu, como centrista (embora ex-militante desde Janeiro de 2008), não percebo...
publicado por mparaujo às 22:56

09
Abr 09
No seguimento do post anterior...
É óbvio que a aposta centrista na lista para as europeias, é uma boa opção e recheada de valores com capacidade inquestionável.
Nuno Melo, Diogo Feyo e Teresa Caeiro.
Mas...
E cá no burgo?! Com quem Paulo Portas contará para a Assembleia da República?
Com menos "valias"?!
publicado por mparaujo às 22:25

08
Abr 09
Uma boa aposta europeia do PP - Nuno Melo.



publicado por mparaujo às 22:31

05
Mar 09
Devem sobrar dores de cabeça na Concelhia do PP, em Aveiro.
Enquanto dura um tabu e um "braço de ferro", sobra mais uma dor de cabeça: a distrital já indiciou, por diversas vezes, um sim à coligação. Agora vem Paulo Portas, em Aveiro, dizer isto: "a polémica na Concelhia do partido é para resolver internamente e, quanto às autárquicas, avisa que o PP é muito importante para repetir a maioria que governa a Câmara de Aveiro" (fonte: Diário de Aveiro).
Isto não está nada fácil...
publicado por mparaujo às 21:42

07
Fev 09
A temática da liberdade de expressão é, pessoalmente, algo que prezo e defendo, mesmo enquadrada em limites circunstanciais (como o dever de lealdade por "contratualidade" laboral, por exemplo). Assim, entendo que qualquer cidadão tem o direito e a liberdade de exprimir as suas ideias, convicções e sonhos. É legítimo...
No entanto, tal pode implicar que as reacções a essa expressividade e opiniões, sejam de indiferença, incredibilidade, distanciamento ou oposição, ou ainda de alguma jocosidade.
É que se podemos aceitar que, pelo direito às liberdades individuais, se possa, legitimamente, dizer ISTO, também não deixa de ser verdade que por ISTO e por outras, mesmo mantendo as convicções, princípios e opções politico-partidárias, tenha entregue o "cartão" (nº 010500232) e pedido a desfiliação.
publicado por mparaujo às 17:12

02
Set 08
Ora agora escondo-me eu... ora agora escondeste tu!
Ora agora escondo-te eu a ti (fonte jornal Público)!
É obra...
publicado por mparaujo às 23:26

03
Ago 08
para mais tarde recordar...

A propósito da aprovação, pelo TC, do pedido de empréstimo da CMA no valor de 58 milhões de euros.
E agora?! Após o que foi lido aqui, a 31 de Julho de 2008 (edição número 856 de "O Aveiro")que "cabeça vai rolar"?! A quem pedir responsabilidades?!
publicado por mparaujo às 11:23

03
Jul 08
A cerca de um ano das eleições, é completamente a despropósito esta afirmação bombástica (in O Aveiro).
Porque são mais as questões a colocar do que as respostas lógicas, sensatas e coerentes: agora? porquê agora? para quê agora? porque razão? que benefícios e dividendos (sejam políticos ou não)? etc...
Ou é um lamentável lapso político conjuntural
ou
é o "atirar a toalha ao chão" antes do final do próximo combate (as eleições do próximo ano).
publicado por mparaujo às 22:50

13
Jan 08
Já aqui afirmei, por diversas e distintas vezes, a minha convicção política como democrata-cristão e centrista.
Entendo que são as opções pessoais que nos devem orientar nas nossas convicções e no nosso dia-a-dia (independentemente do respeito e da pluralidade).
Não acho que devam ser questões de subserviência político-partidária que nos devem orientar nos nossos propósitos, nem condicionar as nossas opções.
Assim sendo… e aproveitando o fim-de-semana influenciado pelo meu padroeiro (que está em festa) e, como se ousa dizer e ouvir: “ano novo, vida nova” (o que nem sempre é verdade), as minhas convicções pessoais e as minhas opções políticas mantenho-as como princípios e valores.
O que não pretendo manter é, por questões de mera e legítima opção pessoal, a minha filiação partidária. À qual renuncio neste início de 2008.
Ponto Final.
publicado por mparaujo às 22:02

24
Jul 07
A semana de reflexão terminou, embora haja questões importantes ainda por solucionar.
Mas algumas realidades são relevantes.
Mesmo num contexto local, a realidade pode ganhar contornos mais abrangentes.
E é um facto que as eleições em Lisboa poderão ter marcado e traçado um futuro nada agradável ao CDS.PP.
A conflitualidade interna vivida há alguns meses atrás deixou marcas que dificilmente serão sanadas.
Além disso e mais uma vez, o partido “paga” uma factura bem alta do resultado de uma coligação onde se apresenta como o “elo mais fraco”. Foi assim após a saída do governo de Durão Barroso e a entrada de Santa Lopes. Foi assim após o erro político de um mau cálculo estratégico e uma opção política precipitada da presidente da assembleia municipal da câmara de Lisboa e da Distrital do PSD de Lisboa e da própria direcção do partido, ao provocarem as eleições intercalares.
E como dizia o histórico Narana Coissoró, o CDS.PP desceu à II Liga.
E agora?
Só o futuro dirá. Mas a derrocada foi real e provocou “estragos”.
Deixando um vazio… restam as convicções pessoais e sociais. Resta encontrar um espaço e solução para as mesmas.
publicado por mparaujo às 19:59

21
Jan 07
Com a demissão de Nuno de Melo da presidência da Bancada do CDS.PP, nada ficará como dantes para os lados do Largo do Caldas.
A divisão e o desentendimento entre a direcção do partido e a bancada parlamentar estará longe de se tornar pacífica.
O que é certo é que Ribeiro e Castro se tornou o presidente de uma fracção de uma CDS cada vez mais ilusório.
Seja ou não uma realidade...
Seja ou não o mais desejável...
As portas do Caldas estão mais abertas ao regresso de Paulo Portas.
publicado por mparaujo às 19:07

19
Nov 06
Ribeiro e Castro, depois de tantas vezes ter sido aqui criticado, teve aquele que foi o melhor posicionamento político desde as últimas eleições: a oposição ao governo do PS tem que ser feita por propostas concretas e coerentes e não por retóricas iguais às propagandas governativas. Daí que se aplauda a forma não crítica como analisou a entrevista do Presidente da República. Bem distinta e mais racional que a de Marques Mendes
Até que enfim, senhor Presidente! Uma acertada.
Quem esta semana também marcou pontos foi a banda da bancada parlamentar do CDS.
Para muitos que já davam a orquestra como desfeita e sem som, eis que conseguem ver incluídas propostas suas na lei das finanças regionais, independentemente da sua relevância ou quantidade.
Mas as propostas estão lá, por se entenderem importantes. Nomeadamente os fundos de emergência.
A banda afinal ainda tem coreto.
publicado por mparaujo às 16:37

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