Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

10
Jun 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".
Desbloqueador de frases públicas.

  • Numa primeira reacção à notícia divulgada pelo jornal Público que dava conta que Vítor Constâncio terá dado luz verde para que Joe Berardo pudesse levantar 350 milhões da Caixa Geral de Depósitos, o ex-Governador do Banco de Portugal afirmou, no twitter: "não tenho memória disso". Acrescentando ainda: "(...)nem de nada do género que tenha acontecido há 15 anos".
    Percebo claramente Vítor Constâncio. Às vezes empresto livros, cd's, tupperwares, ... e se não mos devolvem nunca mais me lembro a quem emprestei. É claro que também nunca emprestei mais que 5 euros....
  • Segundo o jornal Público, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, respondeu ao Observatório Técnico Independente, criado (em 2018) para acompanhar os incêndios florestais, afirmando que "o Governo presta conta dos fogos à Assembleia da República".
    Para além de uma verdade "la Palice" (porque o Governo tem que prestar todas as contas à Assembleia da República) é bom que o senhor ministro não se esqueça que o Governo também tem que prestar contas dos incêndios aos portugueses.
  • A propósito do eventual desaparecimento de cerca de 170 obras de arte da colecção pública, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmou, há uma semana, que "algumas obras da colecção de arte contemporânea do ministério que tutela precisam de uma localização mais exacta".
    Não há dúvidas... o Estado, o Governo, o Ministério da Cultura não sabe mesmo o paradeiro das 170 obras de arte das quais é proprietário. Uma sugestão à senhora ministra: talvez seja boa ideia começar a procurar nos gabinetes ministeriais... quem sabe??!!
  • O dirigente socialista Pedro Nuno Santos defendeu publicamente, no rescaldo dos últimos resultados eleitorais europeus, que o PS devia assumir na Europa uma tensão permanente face aos liberais.
    Pois... esqueceu-se foi de enviar a mensagem a António Costa. É que na Europa de 2019 assiste-se a um projecto de coligação entre, precisamente, Socialistas e Liberais. Basta olhar para a estratégia conjunta de Macron e Tsipras (por mais que doa ao Bloco de Esquerda, principalmente à Marisa Matias).
  • O deputado do PS, Fernando Anastácio, foi o responsável pelas negociações do aumento de salário dos juízes, que pode agora ultrapassar o valor auferido pelo primeiro-ministro. Mas não vê qualquer impedimento, ao caso, no facto de ser casado com uma juíza.
    Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço (principalmente fora do Hemiciclo).
  • António Costa elege como prioridades o combate à corrupção e investimento nos serviços públicos.
    Calma, não atirem já os foguetes... é só para a próxima legislatura. Até lá, muita água pode continuar correr, por baixo dos moinhos, e o ministro Mário Centeno pode manter as "suas" cativações, nem que seja, por exemplo, à custa da saúde (e nalguns casos, a vida) dos portugueses.
  • Face a relatórios vindos a público e que "condenavam" a gestão do Hospital, a ministra da (pouca) Saúde, Marta Temido, afirmou que foram as necessidades da população que levou à não renovação da PPP com o Hospital de Vila Franca de Xira.
    A questão é simples: a ministra ouviu as gentes de Vila Franca de Xira? É que, fazendo fé nas palavras do autarca daquela cidade ribatejana (por sinal eleito pelo PS), que foi ao Parlamento defender o trabalho desenvolvido pelo Hospital, a decisão parece precisamente contrária às vontades da população.
  • Há alguns dias, depois de comprovado o caos, o Governo pediu desculpa pelo funcionamento deficiente e inaceitável dos transportes públicos (nomeadamente a CP ou outros serviços na área metropolitana de Lisboa).
    Já diz o povo: "as desculpas não se pedem, evitam-se". E muito poderia ser evitado se a maior preocupação do Governo não fosse o populismo (e a injustiça nacional) do preço dos bilhetes e passes, mas sim um investimento em políticas de mobilidade e em melhores serviços de transporte. Aos quais se podem adicionar os inquestionáveis esforços que muitas autarquias, de norte a sul, do litoral ao interior, fazem para que as suas populações tenham o mínimo de condições de mobilidade.
  • António Costa, após as eleições europeias, destacou a vitória dos parceiros de governação (geringonça), em conjunto com a do PS.
    Ora... de repente, o PCP viu-se afastado da coligação parlamentar das "esquerdas (des)unidas". Isso, ou António Costa antecipa já a próxima legislatura e já substituiu (se ganhar) o PCP pelo PAN.

21323058_G81bB.png

publicado por mparaujo às 16:14

08
Abr 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário". Desbloqueador de frases públicas (as frases de 3 semanas ou alguns dias mais...).

  • Assunção Cristas: «O CDS está mais uma vez um passo à frente com aprovação dos cabeças de lista às legislativas». (fonte: DN 07-04-2019)
    O CDS está é claramente fora do contexto (a pouco mais de 1 mês das eleições europeias) e fora do tempo (as legislativas são em outubro e ainda há pelo meio as regionais na Madeira).
  • António Costa, num comício em Braga, no passado dia 5, pediu aos portugueses um «voto de confiança ao Governo nas eleições europeias de maio». (fonte: Expresso)
    Do mal, o menos... antes em maio que nas legislativas de outubro.
  • No dia em que entrou em vigor o passe único da Área Metropolitana de Lisboa, o primeiro-ministro, António Costa, numa viagem entre Ericeia e Setúbal, afirmou que «o país não pode parar por haver três eleições». A propósito da problemática das limitações da 'propaganda eleitoral'. (fonte: jornal I 01-04-2019)
    E tem razão... só é pena que a Comissão Nacional de Eleições "ameace" autarcas e partidos políticos e permita ao Governo inaugurar, anunciar e prometer, com toda a pompa e circunstância, tudo e mais alguma coisa em pleno período eleitoral.
  • António Costa: «não há confusão entre família política e política familiar» e «não há nenhuma relação familiar nova desde a constituição do Governo», afirmação proferida a 28 de março (Fonte: Público 28-03-2019).
    No primeiro caso, obviamente que não há qualquer confusão... para o PS é tudo igual. Já no que respeita à segunda afirmação, bastaram dois ou três dias para a demissão de um secretário de Estado no âmbito da polémica "familygate".
  • O novo partido, ou putativo partido, 'Chega' caça militantes no seu site mas André Ventura diz «que é engano». (fonte: Expresso 26-03-2019).
    O que é mesmo um "engano político" é o próprio Chega e André Ventura.
  • Mário Centeno ao enaltecer o défice de 0,5% do PIB, em 2018, afirmou que «este Governo não precisou de um milagre para estabilizar as contas públicas».(fonte: ECO 26-03-2019).
    É verdade... não foi mesmo milagre. Bastou enganar os portugueses com as cativações e a perda de investimento, e uma austeridade (nomeadamente na carga fiscal) bem pior que a da Troika.
  • Assunção Cristas acusou o Governo, neste março bem encalorado, de «não ter soluções para resolver falta de água». (fonte: DN 22-03-2019)
    Fica a sugestão para a próxima legislatura... sempre que houver seca, antes de qualquer Conselho de Ministros, o Governo deve encenar uma "dança da chuva" (à boa maneira 'india').
  • Marisa Matias: «A geringonça ficou muito aquém daquilo que poderia ter sido» (entrevista ao ECO 25-03-2019).
    O melhor comentário vem mesmo da parte da líder do BE, Catarina Martins: «Neste país ainda se vive muito mal». (SIC 16-03-2019).
    Confirma-se... a geringonça apenas serviu para impedir o PSD de governar após ter ganho as eleições (em 2015) e para o BE ter andado a brincar à política na coligação parlamentar.
  • António Costa: «nenhuma das greves resulta de medidas tomadas pelo Governo» (a propósito da inúmeras greves sectoriais decretadas, mais que na anterior legislatura). (fonte: Jornal Negócios 14-03-2019).
    E tem toda a razão... não resultam porque o Governo também não tomou medidas, pelo menos as importantes e necessárias (estruturais e reformas).

21323058_G81bB.png

publicado por mparaujo às 00:02

05
Mar 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário". Desbloqueador de frases públicas (as frases da semana e alguns dias mais...).

Nota prévia... O Bloco de Esquerda comemorou, no dia 1 de março, 20 anos de existência. PSR, ex MDP/CDE (Política XXI) e UDP, juntando quatro mentores (Francisco Louçã, Miguel Portas, Fernando Rosas e Luís Fazenda, formaram o novo partido "à esquerdas das esquerdas" que agregou vontades e conceitos. Diga-se com três particularidades que importa registar (goste-se ou não): superou o vaticínio de muitos que o davam como "insucesso garantido" (em 1999) superando várias crises; não tem um órgão formal "jota" como os 'tradicionais' PS, PSD, CDS ou PCP; e apesar das dissidências (Livre e Alternativa Socialista), ainda recentemente foram 23 militantes a "bater com a porta", continua com 'assento parlamentar'. Por isso a primazia do arranque deste "O dito pelo (não) dito..."

  • Catarina Martins, a propósito dos 20 anos do BE: “Não estamos nada cansados, temos muito pela frente”.
    Até pode não haver cansaço, mas não vale a pena esconder: há, pelo menos, um significativo desgaste de 4 anos de 'geringonça'. E quem aproveitou foi o PS.
  • Catarina Martins, a propósito dos 20 anos do BE: "Fizemos inimigos poderosos numa elite financeira".
    Qual elite? A da Banca? Como o caso do banco público CGD e a extinta Comissão Parlamentar de Inquérito? Ou o suporte a um Governo que gastou rios e rios de euros para sustentar o sistema financeiro bancário (e o que criticaram durante a Troika)? É que se for em relação à "elite financeira privada" a coisa nem aqueceu, nem arrefeceu... antes pelo contrário.
  • Entrevista de Marisa Matias (eurodeputada do BE e próxima 'cabeça de lista' às Europeias 2019) ao Expresso: “O PS lamenta, mas aceita a austeridade".
    Conclusão (apesar de tudo): PS é mais honesto que BE... Os socialistas ao menos ainda lamentam. Já o BE não só não lamenta, como apoiou um inúmero conjunto de medidas e políticas de agravamento da austeridade (mesmo que encapotada).
  • Miguel Morgado, deputado do PSD: "As fake news e o populismo são “tretas” de Bruxelas".
    Como??!! Perde-se as contas às páginas e páginas de estudos e investigação comunicacional e política. São mais que evidentes os factos e a realidade, até mesmo em Portugal (algo que, aliás, nem é novo). O populismo é uma das maiores preocupações para as eleições europeias de 2019. E isto são tudo tretas?. Ahhh... pois... Miguel Morgado é um "fake politician".
  • Santana Lopes prefere que "Aliança vá sozinha às europeias e legislativas".
    Claro que não prefere... não tem é ninguém que lhe queira "dar uma mãozinha".
  • Jerónimo de Sousa insiste que "Governo é do PS e não das esquerdas".
    Como é óbvio, pela primeira vez na história da política nacional (repetindo o 'feito político local' de Loures) o PCP esteve quatro anos coligado com a direita. Claro que esta 'geringonça' nem existiu, foi apenas uma miragem. Como se aproximam as eleições legislativas há que descolar e rasgar os compromissos. Mas Jerónimo de Sousa já vem tarde... já não dá para esconder quatro anos de "bem com Deus e o Diabo", com "um pé dentro e outro fora".
  • Mário Centeno: “Os portugueses hoje pagam mais impostos porque ganham mais”.
    Depois das cativações orçamentais, vêm agora as 'cativações do pensamento demagógico'. Sr. Ministro e Presidente do Eurogrupo... o povo já deixou de ser 'estúpido'. Os portugueses pagam mais impostos porque, de forma injusta e indirecta, esses impostos aumentaram e são mais gravosos.

A terminar (abrindo as próximos do próximo texto)...

  • Juiz Neto de Moura: “Os meus direitos têm sido lesados de forma perfeitamente inadmissível e intolerável”.
    Já os das vítimas de violência doméstica (nomeadamente, porque não só, as mulheres), a memória das mulheres assassinadas em contexto de violência doméstica, a valorização do crime e do criminoso, são pormenores... Como se costuma dizer, "é a vida".
    Triste justiça, a nossa.

21323058_G81bB.png

publicado por mparaujo às 16:25

20
Mai 18

Não... não é ironia, piada ou brincadeira.
Infelizmente... é verdade.

Independentemente de outras análises que não me interessam rigorosamente, na longa (ou extensíssima) entrevista de ontem de Bruno de Carvalho, entre vários "disparos", o presidente do Sporting Clube de Portugal apontou baterias à Comunicação Social. Infelizmente tinha razão... não propriamente pelos motivos apontados, mas teve razão. Obviamente que não cabe toda a responsabilidade pela actual situação do futebol português ao jornalismo. Mas mesmo numa percentagem menor, a comunicação social (grande parte, para não dizer toda) tem uma quota parte de responsabilidade.

Por um lado, já aqui o tinha referido: "Oportunidade de reflexão".

E a verdade é que, por outro lado, nada mudou, bem pelo contrário.

Em vésperas da final da Taça de Portugal, no meio do enorme turbilhão vivido no emblema de Alvalade, há quem anuncie em plena televisão, com toda a certeza, que na segunda-feira (amanhã) há cerca de 7 ou 8 jogadores que abandonarão o clube. Se isto não é meter mais achas na fogueira...

O jornal Expresso, apesar da nota da direção de informação, tem um erro editorial enorme ao descontextualizar do texto de Miguel Sousa Tavares uma frase com aquele teor, com direito a chamada na primeira página...

Há "perseguição" televisiva até ao hotel do autocarro e do carro do treinador até a sua casa (isto então ultrapassa tudo e qualquer limite) da equipa (pasmem-se) vencida...

Mas ainda mais grave... como quer o jornalismo ser respeitado quando o próprio se abstém de respeitar.

Mesmo para aqueles que não gostam ou apreciam futebol, é comumente reconhecido que a Taça de Portugal em Futebol é a chamada "festa do futebol", pela abrangência dos vários campeonatos e do número mais alargada de equipas numa mesma competição.

Historicamente, o Desportivo das Aves chegou à Final da Taça de Portugal e venceu, hoje, o Sporting, no Jamor (Estádio Nacional). É um feito enorme para uma comunidade, região e para um clube de pequena dimensão, mas com um empenho e entrega grandes: pela primeira vez na sua história e na história desportiva e social da Vila das Aves, o Desportivo das Aves vence uma Taça de Portugal em Futebol.

Resultado... a comunicação social (toda) despende de 99,9% seu tempo de antena, das suas páginas (digitais ou impressas) para falar, horas a fio, repetindo chavões e factos atrás de factos, do Sporting.

Afinal... nem só dos VENCEDORES reza a história.

Respeito pelo Desportivo das Aves era o mínimo exigível por quem tem uma responsabilidade social acrescida. Muito mal.

Afinal as palavras de Bruno de Carvalho, ontem (sábado), não era, de todo, descabidas.

thumbs.web.sapo.io.jpg

publicado por mparaujo às 22:15

17
Mai 18

Isto continua a não ser um texto sobre futebol mas sim sobre "bola".

O caso das agressões em Alcochete continua a marcar a agenda informativa, mediática e a encher as redes sociais. Por mais que nos queiramos abstrair, por mais não consiga perceber como é que ainda há quem ache isto "não normal" e esteja chocado (salvaguardando o ataque em si, como é óbvio) e por mais que queira pensar em coisas sérias, isto não está fácil.

Vê-se na televisão... fecha-se a televisão
ouve-se na rádio... desliga-se a rádio
lê-se nos jornais... fecham-se os jornais
apanhamos com tudo e mais alguma coisa nas redes sociais e na internet.
Só emigrando para Marte é que nos safamos, porque mesmo a nível internacional já há quem se refira, com (des)honras de destaque, à situação.
Portanto, não há como fugir (ou, pelo menos, não é fácil).

O envolvimento quase generalizado (doentio) do país abrange toda a gente e sectores da vida nacional: desporto, política, governação e informação.

Aponta-se o dedo ao futebol... (a tudo o que ele comporta: ao sistema, negócio, jogadores; dirigentes; treinadores; adeptos; claques; ...)
Aponta-se o dedo à inércia política... (a proposta de António Costa foi apresentada na Assembleia da República, em setembro de 2017, pela Federação Portuguesa de Futebol)
Não demorará muito a ser apontado o dedo à Justiça... (faz parte da tradição)

A repartição de responsabilidades tem um evidente e claro risco: o passar culpas, a responsabilidade 'morrer solteira'. Mas o leque é, nas devidas proporções, abrangente.

E há ainda mais um sector: a COMUNICAÇÃO SOCIAL... a imprensa, o jornalismo, a comunicação, as assessorias, não podem ficar à margem de toda esta realidade. Mais importante que o esconderijo da teia do direito a informar e a liberdade de informação será a reflexão sobre o papel da comunicação social em todo este pântano, lamaçal e inferno desportivo.

(por uma questão de tempo e paciência) Ficando de fora a Rádio, os canais dos clubes, o digital, as redes sociais, mas tendo em conta os três jornais desportivos. Só para exemplo.

RTP 3: Grande Área - Trio d'Ataque
SIC Notícias: Play-Off - O dia Seguinte - Tempo Extra
TVI24: Futebol Mais - Mais Transferências - Mais Bastidores - Prolongamento - Mais Futebol
CMTV: Liga d'Ouro (terça a sexta) - Golos (fim de semana) - Pé em Riste

O paradigma não podia ser mais evidente: não há coincidências, nem acasos.

televisõesportuguesas_20150731.jpg

publicado por mparaujo às 00:21

15
Mai 18

Este texto não é sobre futebol... é sobre "bola".

No que se tornou o meio futebolístico, dentro e fora das quatro linhas, nos últimos anos, mais propriamente no decorrer da presente época que se aproxima do seu final, perspectivava, mais dia, menos dia, mais acontecimento, menos acontecimento, a ocorrência de situações como a que se vive no dia de hoje.
Por mais que muitos (infelizmente, muitos mesmo) bradem aos céus que isto não é normal (qualquer tipo de violência não é normal) a mim nada me espanta (apenas o lamento).

Mas o que não me parece normal é que um país, um Estado de direito, pare completamente por causa da "bola".
Pára o país, pára toda a comunicação social, pára o mundo...

De repente esquecemos Gaza, esquecemos que Trump riscou o Irão do mapa nuclear...
De repente esquecemos que em 2017 o país assistiu à maior carga fiscal (recorde) imposta aos portugueses, às famílias e às empresas...
De repente esquecemos que o 1.º trimestre da economia portuguesa registou um aumento abaixo do previsto pelo Governo...
De repente esquecemos o que se passa na saúde e na educação em Portugal...
De repente esquecemos que se aproxima a fase charlie (a chamada época dos incêndios)...

De repente... isto (em Portugal), na sociedade e na comunicação social, NÃO É NORMAL.

Fechem os Estádios para que o País volte a ser normal e possa respirar.

fnet.jpg

publicado por mparaujo às 23:01

24
Nov 17

Dois anos de idade separavam-nos...
Cinco anos separam o dia em que o programa "Janela Indiscreta" da Antena 1, com a assinatura e mestria do Pedro Rolo Duarte, destacavam este blogue e um artigo publicado no Diário de Aveiro.

Entre a surpresa e a modéstia do orgulho e da honra ficava, relevantemente, a consideração e o rspeito pelo profissional e pelo seu trabalho, algo que foi depois alimentado mesmo que a espaços.

Hoje... enquanto vamos vivendo focados em tudo e mais alguma coisa, no supérfulo, e nos vamos distraindo com a ridicularidade da história e das estórias, é quando um valente estalo e um enorme murro no estômago nos acordam para a importância da vida, do pormenor, das coisas simples mas que verdadeiramente importam.

Fica muito para além do jornalismo e do jornalista. Basta apenas a vida que é cortada demasiado cedo... muito demasiado.

Descansa em paz, Pedro Rolo Duarte.

Untitled.jpg

publicado por mparaujo às 12:08

21
Ago 17

atentado-barcelona-silencio-cartaz.jpg

publicado excepcionalmente na edição de hoje, 21 Agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
No tenim por
(*)

Os últimos e recentes momentos são de luto, de dor e de tragédia: incêndios, devastação, mortes, ataques terroristas. Foi no Pinhal Interior, no interior centro e sul do país, na Madeira, em Barcelona e em Cambrils (acrescentando-se ainda, com contornos por clarificar à hora da escrita deste texto, o atentado em Turku, na Finlândia). No caso das Ramblas e Cambrils, a Europa volta a ser alvo de dois hediondos ataques terroristas reivindicados pelo Daesh, apesar de várias notícias recentemente difundidas que davam conta de uma eventual fragilização na liderança e nos recursos do movimento radical islâmico. No entanto, no espaço de poucas horas e de escassos quilómetros de distância, dois atentados provocam 14 mortos e mais de uma centena de feridos, duas das quais portuguesas, num total de quase 40 nacionalidades.

A Europa voltou a ser alvo do extremismo e da fúria do radicalismo islâmico assente nos três pilares dogmáticos: social, religioso e político. O transtorno da normalidade do dia-a-dia, a instalação do pânico, do medo e da insegurança, a conflitualidade e a divisão multicultural, são objectivos claros da acção das células terroristas no seio das comunidades. A negação e o combate aos valores da sociedade ocidental por oposição aos valores do Islão, são os óbvios objectivos religiosos desta jihad menor. Por último, a reacção às acções da comunidade internacional, nomeadamente no médio oriente, que têm, ao longo de décadas (para não precisarmos de recuar muito mais nas memórias da história), criado na região uma instabilidade política, social e económica completamente desastrosa, espelha o combate político.

Novamente, em plena Europa, os nossos valores, costumes, princípios e modo de vida, foram atacados “por e de dentro”, por cidadãos europeus nos seus plenos direitos de cidadania. Mas, a par com a revolta e a solidariedade inequívocas, há algumas inquietações que os factos me suscitam.

  1. Por mais discursos e momentos de solidariedade que possam exprimir a dor e a revolta, das cerca de 40 nacionalidades representadas pelas vítimas dos atentados na Catalunha quantos governos não são responsáveis pela instabilidade política, económica e social do Médio Oriente (com a Síria à cabeça, sem esquecer a “amiga” norte-americana e europeia Arábia Saudita) e no coração africano, que tem levado ao surgimento e propagação do radicalismo islâmico?
  2. O ressurgimento do populismo e xenofobismo (islamofobia). Não faltou muito, poucas horas apenas, para que se instalasse a confrontação (discursiva ou mesmo física) entre aqueles, nos quais me incluo, que defendem a integração e o multiculturalismo, que acham que o drama dos refugiados nada tem a ver, directamente, com esta realidade, que a jihad menor não é apenas executada na Europa mas sim nos próprios países muçulmanos (mas é tão fácil esquecer a Síria, África, Afeganistão, Mossul, …, só porque é lá a “terra deles”); e os que preferem erguer muros e fronteiras, barreiras sociais e físicas contra a defesa da dignidade da pessoa humana e dos seus fundamentais direitos, liberdades e garantias inerentes a cada cidadão, muito para além das fronteiras do nosso quintal, bairro, comunidade ou país. E isso é um dos principais objectivos que motivam os jahidistas.
  3. No caso concreto, alargado a todos os atentados até agora realizados, a comunidade islâmica radicada na Europa tem publicamente condenado as acções dos radicais e extremistas. Mas é importante que os responsáveis por essas comunidades passem a ser, definitivamente de uma vez por todas, parte activa no combate ao terrorismo porque é no seu seio que surgem estes mujahidin. Importa lembrar que só na Catalunha estão mais de metade das mesquitas erguidas em território espanhol, algumas centradas no islamismo mais conservador. Não basta condenarem publicamente se o seu dia-a-dia é inconsequente no que respeita ao contributo para o fim das células terroristas.
  4. Por último, é inequivocamente louvável a forma como as comunidades que sofrem os atentados reagem, positivamente (mesmo com a dor e a revolta), a cada acto ignóbil e indigno que atenta contra o valor da vida humana e a sua dignidade. O regresso imediato, mesmo que a custo, à normalidade é algo que perturba o sucesso destas acções e dos seus autores. Daí que não seja perceptível o comportamento da comunicação social no tratamento informativo destes contextos, com a difusão excessiva e massiva de imagens das vítimas e dos impactos da tragédia, a proliferação repetitiva (e muitas vezes banalizada) dos directos e depoimentos, a divulgação dos rostos e nomes dos criminosos transformados, dessa forma, em mártires e exemplos vindouros, colocando em causa a própria responsabilidade social inerente à sua génese e missão. É contraditório, é perfeitamente escusado, é evitável, sem que isso menorize a qualidade informativa e o rigor da notícia. Importa distinguir interesse público de “interesse do público”.

(*) “No tenim por” significa, em catalão, “Não temos medo”

(créditos da foto: Lluis Gene/AFP - in Veja.com)

publicado por mparaujo às 11:15

30
Dez 16

Entendo que, pessoalmente, não faz sentido tecer qualquer tipo de considerações sobre Mário Soares (Presidente Mário Soares ou ex-Presidente Mário Soares, como quiserem) sob pena de tornar a ser repetitivo quando, de facto, se constatar o natural desfecho de qualquer vida humana, independentemente das circunstâncias.

Vou, por isso mesmo, abster-me de me posicionar em relação a Mário Soares, por enquanto e apesar de não me ser indiferente o seu estado de saúde.

Além disso, não pretendo tecer quaisquer observações sobre os diversos breafings mais ou menos regulares ou à forma (não propriamente quanto ao conteúdo) como os diversos órgãos de comunicação social têm acompanhado todo o desenvolvimento do estado clínico de Mário Soares desde que deu entrada no Hospital de Cruz Vermelha.

Mas se não me pronuncio quanto à forma não posso, no entanto, deixar de me pronunciar quanto a conteúdos.

Numa altura em que se aproxima a realização do 4º Congresso de Jornalistas entre os dias 12 e 15 de janeiro de 2017, no cinema S. Jorge, em Lisboa (infelizmente, por razões profissionais, não poderei acompanhar directamente, nem estar presente) não faz sentido deixar passar em claro, sem qualquer tipo de crítica ou condenação, o que entendo como uma clara falta de sentido ético e deontológico, uma evidente postura de ausência de profissionalismo e sentido de informação e formação, a notícia de hoje do Correio da Manhã.

Sou dos que defendem que não há bom ou mau jornalismo... pura e simplesmente há jornalismo ou não há jornalismo, independentemente de alguns erros que se cometam. Isto não é errar, é a total ausência de jornalismo. E é mau demais para passar em claro e ser desculpável.

É importante que o 4º Congresso dos Jornalistas (ou do jornalismo ou da comunicação, como quiserem) não se prenda com a questão laboral/salarial, o peso do poder económico nos órgãos de comunicação e nas redacções ou se haverá lugar aos jornais em papel ou digitais. Há, infelizmente, muito para discutir para além disso. Isto é só um triste e condenável exemplo.

untitled.JPG

publicado por mparaujo às 14:14

26
Out 16

_UpvfQEy.jpgÀ comunicação social exige-se verdade e rigor, mais até que isenção (que serão outras núpcias). Aliás, é a própria comunicação social que autodetermina essa mesma necessidade (nos dispositivos legislativos, na ética, na deontologia).

Muito recentemente foi noticiada, a propósito de habilitações académicas, a demissão de um dos adjuntos do Primeiro-ministro António Costa: ao seu (agora ex) adjunto para os Assuntos Regionais, Rui Roque.

Neste processo informativo o jornal Público e a SIC falharam claramente no dever de informar com rigor e exactidão. E não é um pormenor.

Os títulos de duas notícias espelham essa falha lamentável e dispensável (pelo menos).

No jornal Público é noticiado que se demitiu adjunto de António Costa que tinha falsa licenciatura. Por seu lado, a SIC informa na sua plataforma online que o adjunto de António Costa demitiu-se mas cai no mesmo erro do jornal Público ao referir no lead da notícia que o mesmo terá declarado uma falsa licenciatura.

Apetece mesmo dizer que, face aos dois exemplos, o que é falso são as notícias do Público e da SIC.

Rui Roque cometeu o grave erro político e ético de declarar publicamente habilitações académicas que, de facto, se comprovaram não ter. É grave porque espelha uma imagem degradada dos políticos. É lamentável porque a sociedade portuguesa continua a olhar para as capacidades dos seus cidadãos em função do "canudo" ou do currículo académico (com todo o respeito pelas habilitações alheias, incluindo as minhas). Mas a verdade é que em pleno século XXI, em algo que a Europa já ultrapassou há décadas, não não for doutor, engenheiro ou afins, dificilmente tem uma oportunidade.

E é isto que está em causa. Grave e lamentável.

O que é igualmente grave e lamentável é que Público e SIC se refiram ao caso como falsa licenciatura. Não existe nenhuma licenciatura falsa. Isso implicaria a obtenção de falso diploma, o não cumprimento de regras académicas e do ensino superior e uma consequente investigação criminal. Não é nada disso que se trata. Não queiram fazer disto o espelho do caso Miguel relvas (e mesmo esse...).

Haja rigor.

publicado por mparaujo às 09:46

12
Jul 16

radio_0.jpg

Há mais de trinta anos havia as rádios piratas (rádios locais) onde tanta gente, como eu, se iniciou nas lides da rádio, da locução, da técnica, do jornalismos, dos programas de autor (quase todos, aliás).

A 12 de julho de 1986 nascia mais uma, sem "baptismo", mas que seria a génese da Rádio Terra Nova.

Depois, há 28 anos, fez-se "luz" na legislação portuguesa e o governo de então (liderado por Cavaco Silva e como ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Oliveira Martins). Em plena véspera de Natal (de 24 de dezembro de 1988 a 1991) surgia a legislação e todo o processo que iria "legalizar" as chamadas rádios locais.

Infelizmente muitas silenciaram-se... Infelizmente muita da magia da rádio perdeu-se, principalmente da magia da chamada "rádio local"... infelizmente muitos abandonaram os sonhos.

Mas a Terra Nova resistiu a tudo e aos tempos... manteve-se fiel aos seus princípios, à sua génese e às suas origens. E nem os temporais a calaram.

Há 27 anos, durante cerca de dois anos e meio, fiz parte desta existência. Não sei se deixei lá alguma coisa, o mais certo e provável e nem haver memória disso (desporto, informação, programa de autor). Nem importa. O que importa mesmo é que foram dois anos e meio muito cheios, muito ricos, fantásticos.

Parabéns TERRA NOVA... que venham mais trinta anos de rádio, pela rádio, pela comunicação, pela Região, com o mesmo espírito "pirata".

Obrigado... com imensas e colossais saudades.

logotipoterranova.png

publicado por mparaujo às 15:41

03
Mai 16

3 de maio - liberdade de imprensa.jpg

O dia 3 de maio assinala o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. O direito a informar e a ser informado de forma livre, sem pressões ou constrangimentos.

Qualquer democracia e Estado de Direito precisam, na sua estrutura, de uma comunicação social independente, livre, atenta, rigorosa e que fale, acima de tudo, verdade.

Importa, por isso, lembrar no dia de hoje (o que deveria ser feito todos os dias) a actual realidade da comunicação social, as suas dependências económicas, as suas dependências administrativas, os impactos editoriais e as condições de trabalho dos seus profissionais.

Assim como importa lembrar no dia de hoje (o que deveria ser feito todos os dias) os que morreram ao serviço da liberdade de imprensa, em plenas funções ( a ong Repórters sem Fronteiras aponta para cerca de 110 profissionais mortos em todo o mundo no ano de 2015), para além dos que são torturados e presos (54 sequestrados e 153 estão presos) pelo simples uso de um direito universal e fundamental intrínseco à sua profissão.

Mas também devia ser dia (agora que foi anunciado um eventual próximo congresso de jornalistas) e deveria sê-lo todos os dias altura para reflectir sobre a própria realidade da imprensa.

Ainda no discurso das comemorações do 42º aniversário do 25 de Abril de 74, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aludia à importância da Liberdade de Imprensa como uma das grandes "conquistas de Abril", a par da Liberdade de Expressão.

É também nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes e contextos, que a própria imprensa se define e se recria diariamente.

Se a liberdade de expressão, como direito fundamental, é inquestionável e deve ser, sempre, preservada e protegida, não deixa de ser igualmente verdade que o papel socializador da comunicação social deveria estar sempre presente nos critérios editoriais. Mesmo criticando e condenando conhecidas concepções e intervenções do economista Pedro Arroja sobre homossexualidade, o papel das mulheres na sociedade e na política, sobre juízos de valor em relação a dirigentes femininas do Bloco de Esquerda (Catarina Martins, Marisa Matias, Mariana Mortágua), etc., assiste-lhe o direito à sua opinião, por mais surreal, absurda e estúpida que seja. O que não se compreende é que um órgão de comunicação social, como o Porto Canal, se esqueça do seu papel e da sua condição (para além do esquecimento dos jornalistas do seu código deontológico e do seu estatuto legal) e sirva de palco a atentados homofóbicos, sexistas, xenófobos. Tudo agravado com uma posição editorial que afirma publicamente o seu distanciamento em relação às posições do professor economista, mas que insiste em dar voz pública, enquanto informação, aos constantes atropelos dos mais elementares direitos universais.

Mas ainda recentemente a comunicação social conheceu mais uma incompreensível incoerência entre a informação e a realidade e que nos leva a questionar, também, a relevância do actual papel da imprensa na sociedade.

A SIC iniciou há poucas semanas, segundas-feiras à noite, um novo espaço de reflexão sobre a sociedade. O programa "E se fosse consigo?" aborda, de forma excelente e com interessante trabalho jornalístico, temas muito próximos das pessoas como o racismo, o bullying ou, mais recentemente ainda, a obesidade.

O curioso, nesta questão da temática da obesidade, é um canal de televisão (ao caso a SIC, mas poderia ter sido outro qualquer ou até todos) promover um debate e uma reflexão sobre a obesidade, os seus impactos nos vários processos de socialização, no bem-estar (físico e psicológico) dos cidadãos, quando se sabe (interna e externamente) que o próprio meio televisivo é um péssimo exemplo no que respeita à forma como privilegia o aspecto físico nas funções dos seus profissionais, nomeadamente dos jornalistas de sexo feminino.

Também nisto, nestas pequenas coisas que vão construindo o dia-a-dia da imprensa e contribuem para a sua imagem de credibilidade e de liberdade, se devia reflectir e repensar.

publicado por mparaujo às 14:07

18
Mar 16

Há quem diga que é fruto de novos tempos e de novas exigências.

Eu acredito mais que será tempo de repensar e reformular, o que não implica que se mantenham as mesmas plataformas.

Mas também penso que é tempo de reflectir sobre tutelas, modelos de gestão, realidades laborais, profissionalismo e ética deontológica.

Mas independentemente de qualquer ou toda a reflexão, é tempo de preocupação.

Preocupação pelo pluralismo, pela diversidade, pela informação.

Preocupação pelo futuro profissional de quem, bem ou menos bem, com maior ou menor esforço, com maior ou menos visibilidade, vê reduzida a sua "luz ao fundo do túnel".

Nem tudo acabou... mas pelo histórico recente, mesmo que a esperança seja a última a "suspirar", os dias do Diário Económico, ao fim de 26 anos, estão como o tempo de hoje (nem de propósito): cinzentos.

Suspensa a edição em papel (hoje foi a última), resta a plataforma digital (http://economico.sapo.pt/) e a plataforma televisiva (Económico Tv - ETV). E resta igualmente o nobre e heróico esforço e dedicação de todos os seus profissionais, mesmo sem a certeza do futuro.

"(...) há explicações para este fim. E não são editoriais, nunca foram. Saí em divergência com as opções do accionista, sim, mas em convergência com os jornalistas. Como leitor, sempre. Como colunista, semanalmente. O Diário Económico não acaba por causa dos seus jornalistas, acaba porque o accionista desapareceu e não deixou que outro o substituísse em devido tempo. E houve tempo e vontades. E ofertas. Não é, agora, o tempo de procurar todas as respostas, nem sequer de lamentar a crise da democracia com o fim de mais um jornal no papel. Mesmo quando este jornal, ao contrário de outros, desaparece apesar de ser a primeira escolha." (António Costa, ex-director do DE, na edição, a última, de hoje)

A última edição em papel do Diário Económico tem como destaque, na sua capa, um "Obrigado" (sobre a imagem de um aperto de mão), numa mensagem de agradecimento aos leitores.

Mas, no seguimento das palavras de António Costa, pelos jornalistas que ao longo destes 26 anos de existência marcaram a história do jornalismo económico, é altura para dizer: nós (leitores e camaradas) é que agradecemos. MUITO OBRIGADO.

Solidariamente...

diario economico - ultima capa.jpg

publicado por mparaujo às 10:54

24
Fev 16

Diario Economico.jpg

Não é fácil fazer vingar no panorama informativo uma marca com características de especificidade, ainda mais se a particularidade for a economia.

Mesmo que a economia se confronte, no dia-a-dia, com a política para a primazia no "espaço público" e na gestão das sociedades, a verdade é que a tecnicidade e uma área pouco acessível à maioria dos cidadãos leva a uma restrição do público-alvo de uma informação no sector da economia e das finanças.

Apesar disso, o Diário Económico tem sabido marcar uma posição de relevo nesta vertente apesar das conhecidas e, agora, tornadas públicas dificuldades de sustentabilidade, ao ponto de se afigurar como plausível a insolvência do grupo (jornal, tv e online).

Dificuldades financeiras, receitas deficitárias em função dos encargos, insustentabilidade da marca, salários em atraso, diversas saídas de profissionais que deixaram um vazio de saber e profissionalismo, tudo isto tem sido prejudicial ao futuro do Diário Económico (em toda a sua extensão).

Há muita análise a merecer uma reflexão urgente na Comunicação Social, nomeadamente na nacional. São inúmeros os casos de desaparecimento de Órgãos de Comunicação Social, de redução de profissionais nas redacções e noutras estruturas, seja ao nível da imprensa escrita, da televisão ou da rádio. São demasiadas circunstâncias e situações, são demasiados camaradas sem emprego, com sonhos desfeitos, com perspectivas futuras precárias... têm sido demasiadas pessoas como tantas "outras pessoas" (porque também se trata de pessoas e famílias).

E há muito para analisar, discutir, alterar, projectar. É a concepção do jornalismo, a importância da informação para a democracia e para a sociedade, a sustentabilidade da comunicação social, as suas (in)dependências, os seus meios e métodos, as suas organizações (trabalhadores, ordem e sindicato, carteira profissional, etc), ...

Mas enquanto esta reflexão e discussão, que à vista de todos é cada vez mais urgente mas, igualmente, cada vez mais utópica e distante, não surge, os profissionais do Diário Económico não desistem e continuam a lutar pela sua marca, pelo seu projecto profissional, por garantirem e quererem manter um lugar de destaque no panorama informativo nacional, pelos seus sonhos e projectos de vida.

Por solidariedade e respeito profissionais... porque o jornalismo e os jornalistas também têm direito a ser notícia (por mais que, teimosamente, se queira continuar a achar que não).

Comunicado da Comissão Instaladora da Comissão de Trabalhadores do Económico/ETV

publicado por mparaujo às 14:19

18
Fev 16

Por uma questão de solidariedade...
Pelos dois anos e meio que fiz parte do projecto...
Por uma questão de justiça pelo inquestionável valor informativo que presta à região...
Pelos inúmeros amigos e camaradas...
Que a "VOZ" da Rádio Terra Nova não se cale...

Não pode ser um temporal, uma antena caída, um mero azar (alguns dirão "do caraças", curiosamente na altura da comemoração do Dia da Rádio) que fará tombar um projecto de décadas, um projecto que se mantém fiel ao espírito da informação local e à essência das rádios locais (a fazer lembrar as velhas "rádios piratas").

Pela Rádio Terra Nova... solidariamente.

12743928_10207067465019255_4734632646885599425_n.j

publicado por mparaujo às 11:02

17
Fev 16

Cecilia Carmo.JPG

Ninguém é insubstituível... embora a máxima, em relação à vida, seja, no mínimo, questionável.

Mas no que respeita à sociedade (ao trabalho, à escola, ao círculo de amigos ou de acção) isso será verdade. Uns surgem, outros deixam espaços vazios, mas com mais ou menos esforço há sempre forma de substituir mesmo correndo-se o risco de não serem obtidos os mesmos resultados.

Por outro lado, a vida (toda ela... profissional ou pessoal) é feita exclusivamente de opções. A cada passo, a cada dia, a cada hora, temos que as tomar, umas vezes com maior ponderação, outra com mais emotividade, umas acertadas, outras nem por isso. Mas cada momento que vivemos é consequência de opções que tomamos.

Para além disso, nunca tendo sido adepto de idolatrias e ídolos (tirando a adolescência própria da forragem das paredes e armários com poster musicais) porque acho que são demasiado frágeis e com "pés de barro", entendo que a nível pessoal, social ou profissional (ou ainda o somatório de tudo isto) a vida é demasiada vazia sem as nossas referências. Ninguém consegue viver de forma blindada e isolada. Isso não é vive, é vegetar.

Elencar aqui o rol das minhas referências (passadas e actuais) seria, felizmente para mim, fastidioso e sem qualquer relevância pública.

Mas hoje, por razões pessoais e profissionais, não posso deixar de o fazer, de forma particular.

Podem encontrar todos os substitutos e mais alguns mas a verdade é que a RTP e a Comunicação Social ficaram mais "cinzentos", mais vazios, com o anúncio da saída de "cena", do enquadramento, do plano, dos bastidores, da jornalista Cecília Carmo.

O argumento de "já eram 30 anos" tem o valor que tem. Principalmente se considerarmos que "os 30 anos" deixaram uma marca significativa e uma imagem indiscutível.

Opções pessoais não se discutem, não se comentam. São o que são.

Por isso, com muita pena... felicidades Cecília Carmo.

publicado por mparaujo às 14:42

03
Jan 16

Morre, infelizmente, muita gente... embora esse seja o ciclo natural da vida.

caceres monteiro.jpgMorre gente importante, gente anónima, gente mediática, gente que marca vida e marca vidas de forma simples e discreta. É o ciclo da vida.

Gente dos variados círculos e profissões.

Também morrem jornalísticas... e como na vida, os mais discretos, os anónimos, os mais mediáticos e os que marcaram o jornalismo (e muitos jornalistas).

Há 10 anos o jornalismo português ficava mais pobre. Muito mais pobre. Demasiado pobre.

Para jornalistas, para alguém da área (mesmo não exercendo), para muitos cidadãos, Cáceres Monteiro era uma das grandes referências da comunicação social em Portugal. Não vou discutir, nem me interessa, se era a maior ou não. Haverá outros, houve, com certeza, outros.

Pessoalmente, Cáceres Monteiro era uma enorme referência que o jornalismo português perdeu, um lugar que muito dificilmente será preenchido.

Coincidências das coincidências, foi com uma revista Visão nas mãos (revista que fundou e dirigiu) que me deparei hoje com a divulgação de uma carta/texto do seu filho João, por parte da Ana Cáceres Monteiro (para quem tem acesso ao facebook) e de um texto da jornalista editora da Revista Visão, Patrícia Fonseca, ambos alusivos ao 10º aniversário da morte de Carlos Cáceres Monteiro.

Num altura em que o jornalismo vive, pelas mais diversificadas razões, momentos mais atribulados e agitados (despedimentos, encerramento de órgãos de comunicação social, acusação pública de falta de credibilidade, ética e deontologia), sabe bem recordar Cáceres Monteiro... e a falta que faz (e que fariam muitos "Cáceres Monteiro") ao jornalismo português.

Já foi há 10 anos...

publicado por mparaujo às 21:08

30
Nov 15

O encerramento de uma qualquer actividade económica será sempre motivo de apreensão e lamento.

O encerramento de um órgão de comunicação social, neste caso dois, independentemente de gostarmos mais ou de gostarmos menos das suas orientações editoriais, é motivo para tristeza e redobrado lamento.

Tristeza porque afectará sempre um número significativo (nem que fosse um, apenas) de profissionais que ficarão sem os seus postos de trabalho, limitados no exercício da sua profissão/missão e do seu rendimento salarial. As notícias divulgadas sobre este fim anunciado do semanário e do diário avançam para cerca de 120 despedimentos e apenas a previsão de 60 profissionais com eventual participação num novo projecto informativo que fundirá os dois títulos (até agora pertença maioritária da empresa Newshold).

Redobrado lamento porque, goste-se ou não destes jornais, acresce um vazio no olhar escrutinador e atento sobre a sociedade e o mundo. Perde a democracia, perde o fundamental exercício do direito à informação e de informar.

Solidariamente... um abraço aos profissionais dos jornais sol e i.

varios jornais.jpg

 

publicado por mparaujo às 15:39

26
Nov 15

Primeira nota de abertura, contexto temporal: Novembro de 2015, pleno século XXI.

Conhecidos os resultados eleitorais do passado dia 4 de outubro surgiram logo duas realidades que espelham a falta de maturidade social da sociedade portuguesa e a clara e evidente falta de estruturação para a inclusão (sim... a recordar a Fátima Araújo com o seu livro "Por acaso..."): os portugueses elegeram o deputado do BE, Jorge Falcato Simões (deficiente motor) e o deputado socialista Alexandre Quintanilha (homossexual). Não faltou muito para surgirem nas primeiras páginas e nos minutos de televisão referências às dificuldades estruturais da Assembleia da República para receber um deputado com deficiência motora, bem como são conhecidas as polémicas em torno da orientação sexual do deputado Alexandre Quintanilha, nomeadamente aquela que envolveu o pivot da RTP, José Rodrigues dos Santos.

O "melhor" ainda estava, afinal, para vir.

O XXI Governo Constitucional, da responsabilidade de António Costa e que hoje tomará posse, incorpora nos seus ministérios e secretarias de Estado cidadãos negros, etnia cigana e com deficiência visual.

Só em Portugal, em pleno ano de 2015 depois de Cristo, é que o facto da Ministra da Justiça ser negra, o facto do Secretário de Estado das Autarquias Locais nunca ter renegado as suas origens ciganas e o facto da Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência ser invisual de nascença, é que é motivo de referência, de notícia e de relevância. Infelizmente, só no ano 2015 Portugal acordou, mesmo que sobressaltado, para a inclusão social e para a intervenção pública igual para todos.

Mas pior... se me custa aceitar que a sociedade "civil" ainda faça disto um tabu, é VERGONHOSO ver alguma comunicação social a fazer disto título de notícia. Se, por formação académica, sempre aplaudi e critiquei o que de bom e mau se faz no jornalismo, chegou a coincidência de não conseguir sequer adjectivar e qualificar este título do Correio da Manhã.

Só me ocorre... VERGONHA!

CM e Governo de Costa.jpg

 

publicado por mparaujo às 09:58

29
Out 15

Censura foto.jpgTemos este péssimo "código genético": o da incoerência, o de agir em função do vento e das modas, o de tomar posições em função dos nossos interesses e do que mais nos convém. É péssimo e é condenável.

Importa, primeiramente, afirmar: não gosto do Correio da Manhã, nem da CMTV, bem pelo contrário. Isso é público e já por várias vezes proclamado.

Mas tal como critiquei, muito recentemente, o jornal Público pela eventual colaboração como cronista do ex-ministro Miguel Relvas ("Que a memória não se apague") depois do deplorável caso de pressão e perseguição à jornalista Maria José Oliveira, não posso deixar de criticar e repudiar, em defesa da liberdade de informação, do direito a informar e da liberdade de expressão, a decisão judicial de "calar e censurar" (porque é disto que se trata) o Correio da Manhã em relação ao processo "Marquês" que envolve o ex Primeiro-ministro, José Sócrates.

Nunca, até hoje e em função do desenrolar do caso, apontei qualquer crítica a José Sócrates (nem o defendi) por acreditar na separação de poderes e no elevado princípio da presunção de inocência. É público e repetido.

Mas não posso, independentemente de achar criticável o jornalismo (?) praticado pelo grupo Cofina, deixar de condenar o que entendo ser um acto puro de censura à informação e um claro e evidente ataque a um órgão (grupo) de comunicação social.

O CM e a CMTV, em particular, aos quais podemos juntar ainda a Sábado e a Flash, não são exemplos das virtudes jornalísticas, do meu ponto de vista. Mas tal como não sou adepto da sátira informativa do Charlie, pela superior defesa da liberdade de informação "não concordo, em nada, com o que a Cofina diz, mas não posso deixar de defender a liberdade da sua existência".

Há mecanismos próprios para condenar a acção dos órgãos de comunicação social do grupo Cofina sem limitar e amordaçar a liberdade e o direito de informar.

Abriu-se uma perigosa Caixa de Pandora, seja por este caso que envolve José Sócrates, seja por que caso for.

Isto é um claro atentado ao Estado de Direito e à democracia.

publicado por mparaujo às 11:45

13
Set 15

Prós-e-Contras.jpgAmanhã regressa ao écran da RTP1 o programa "Prós e Contra", moderado e conduzido pela jornalista Fátima Campos Ferreira.

E regressa da pior forma, demonstrando que vamos ter mais uma "temporada" de momentos hilariantes e que irão, com certeza, alimentar muito humor nas redes sociais e na opinião pública.

Para segunda-feira a equipa coordenadora do programa escolheu o tem da Justiça para assinalar o regresso após o período de férias. Em "palco" vão estar magistrados, a Bastonária da Ordem dos Advogados, um sociólogo e jornalistas (alguns) como Miguel Sousa Tavares e Octávio Ribeiro (escolhas questionáveis, obviamente).

O tema em si é, por infinitas razões, sempre pertinente. Para a sociedade a questão da Justiça traz sempre um conjunto de interrogações e críticas, sendo que para um normal funcionamento de um Estado de Direito (e não do Direito) a Justiça é um dos pilares basilares. Haveria, por isso, inúmeros exercícios que podiam ser feitos na abordagem à problemática: os recursos da Justiça, o acesso à Justiça, a equidade na e da Justiça, o segredo de justiça, os vários códigos processuais e a sua estruturação, os procedimentos de investigação, a separação de poderes.

Pelo contrário, pegar na afirmação polémica, que já fez correr bastante "tinta", de Paulo Rangel na Universidade de Verão do PSD ("Teríamos um ex-primeiro ministro preso se o PS fosse governo?") e fazer dela o mote e o slogan do programa é, independentemente de estarem presentes ou não políticos no debate, politizar o tema da Justiça. Algo perfeitamente dispensável e recusável. E muito menos colhe o argumento usado pela jornalista Fátima Campos Ferreira quando afirma que "os cidadãos merecem saber, em fase eleitoral, se há interferência da política na justiça". Não.... os cidadãos, em fase eleitoral, precisam de saber quais as propostas políticas para melhorar a Justiça e o Direito em Portugal. Saber se há interferências políticas, ou não, na justiça é algo que preocupa os portugueses em qualquer momento. Usá-lo em plena campanha, seja pelos partidos, seja por quem for, é, claramente, politizar a discussão, mais ainda quando o contexto da afirmação proferida por Paulo Rangel era notoriamente político-partidário e tinha um alvo perfeitamente definido: José Sócrates. Aliás, importa ainda recordar o contexto em que a frase foi proferida pelo social-democrata e a argumentação política que a sustentou: "Não é mérito deste governo, mas foi durante este governo que pela primeira vez houve um ataque sério à corrupção" e "Uma coisa é certa: o ar democrático em Portugal hoje é mais respirável", acrescentou, na altura, Paulo Rangel.

No fundo, o programa de amanhã servirá para a milésima "aparição" do ex Primeiro-ministro na campanha e no confronto político-partidário, sendo cada vez mais o centro eleitoral apesar de ter estado sujeito a sufrágio em 2011.

publicado por mparaujo às 21:01

06
Mai 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 4 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Da ética à coerência

Só por distracção ou pelo desviar de atenções que o final do campeonato de futebol ou as peripécias da greve da TAP possam provocar, já para não falar no lançamento da biografia de Passos Coelho, é que nos são indiferentes realidades e contextos jurídicos, sociais e políticos que polarizam pólos distintos de convicções e crenças, colocando nos pratos da balança distintos conceitos de ética e coerência. E esta semana foi, de facto, profícua. Três meros exemplos (sem qualquer critério cronológico), sem relação casual, mas que traduzem dilemas e sentimentos divergentes e que colidem com conceitos demasiadamente desvalorizados, como a ética, a justiça e a coerência, sejam eles de âmbito jurídico, social ou político.

O primeiro, de âmbito social, traz à discussão a questão da interrupção da gravidez (aborto). Duas adolescentes (12 e 13 anos), com a plena cumplicidade materna, foram abusadas sexualmente (uma pelo companheiro da mãe e a outra por prostituição forçada) e engravidaram. Não poderia haver “melhor” contextualização para provocar o ressurgimento da polémica em torno do aborto e dos seus limites legais. Infelizmente, a discussão deixou passar para plano nenhum (nem segundo, nem terceiro, nem último) preocupações quanto às vítimas, quanto ao papel social preventivo das instituições e do Estado na defesa das crianças, quanto a medidas jurídicas de penalização dos crimes, quanto a políticas de apoio às vítimas, podendo-se ainda acrescentar o debate sobre a violência doméstica. Felizmente, o hospital onde deu entrada a criança de 12 anos (Hospital Santa Maria) teve a coragem de tomar a decisão ética mais correcta, muito para além da vertente jurídica (tantas vezes alheada da realidade), tendo em conta o sofrimento da criança, quer do ponto de vista da maternidade, quer do ponto de vista emocional e psicológico.

O segundo, do ponto de vista da ética política e da coerência, prende-se com o recente elogio de Passos Coelho a Dias Loureiro, dando-o com exemplo de sucesso empresarial. A facilidade com que se tenta apagar da memória pública determinadas realidades e comportamentos, a diversos níveis reprováveis e criticáveis, é algo inqualificável. Mas a memória, que não é tão curta como muitos querem fazer crer, reporta-nos para o afastamento de Dias Loureiro do Conselho de Estado, as suas prestações na Comissão de Inquérito Parlamentar no âmbito do caso BPN, onde foi administrador.

Mas a falta de coerência e de ética, ao contrário da coragem da decisão hospitalar acima referida, ainda teve contornos públicos nestes últimos dias. Muitas foram as vozes que criticaram a inqualificável e inaceitável pressão de Miguel Relvas sobre uma jornalista do Público e sobre o próprio jornal, quando este estava no Governo. Foram, infelizmente, algumas as vozes concordantes com a criticável atitude do ex-ministro. A história inverte-se mas repete-se: o tão badalado sms de António Costa dirigido a um jornalista do Expresso (por sinal director-adjunto) com críticas sobre o seu trabalho jornalístico de análise ao documento socialista “Uma década para Portugal”. Os que defenderam Relvas não têm legitimidade para acusar Costa. Os muitos que criticaram Relvas não podem ficar calados, em silêncio, perante esta pressão e limitação da liberdade de imprensa. Quando o nosso grito “Je Suis Charlie” se torna selectivo em função de interesses e posições, termina aqui qualquer legitimidade, coerência e valor da defesa da liberdade de expressão e da liberdade de informação. Mais ainda, a António Costa faltou coerência e ética política com a sua atitude, ainda por cima desmedida já que, em momento algum, o jornalista fez qualquer análise pessoal e de carácter a António Costa. Mas bastaria recordar ao líder socialista a manifestação pública às portas da Câmara Municipal de Lisboa segurando um cartaz “Je Suis Charlie”. Percebe-se agora porque é que a frase do cartaz não foi completada com um “…Sempre”.

publicado por mparaujo às 10:58

14
Abr 15

"RTP acaba com políticos comentadores"

Interessante... mesmo que não me pareça errado o comentário político feito por políticos, prefiro, de longe, o comentário/análise político produzido por um jornalista ou, até, por um cidadão.

E acima de tudo prefiro pluralidade e contraditório, algo que teimosamente desapareceu das televisões.

comentarios politicos na rtp.jpg

publicado por mparaujo às 15:03

07
Abr 15

bola de cristal e cartola magica.jpgA discussão traz, normalmente, bastante polémica e não é, de todo, recente. Refiro-me à questão do segredo de justiça, à sua "eventual" violação e à legitimidade na divulgação de factos processuais, não apenas na comunicação social, embora nestes casos seja o mais mediático (e imediato).

A discussão sobre a relação entre o dever de informar, o supremo interesse público (bem diferente do interesse do público) e a reserva da intimidade e da privacidade, tem fronteiras muito débeis e facilmente transpostas, com argumentações válidas (fora os excessos) para ambos os casos (divulgação factual/imagem ou não). E, neste caso da reserva da privacidade e intimidade, há ainda outras áreas como a questão do sigilo bancário, fiscal (lista vip das finanças), etc.

Mas há ainda a questão das fugas de informação e as escutas (muito para além da questão do segredo de justiça) que costumam, por exemplo, preocupar partidos, políticos, Governo e Presidência da República. Só que, neste âmbito, a contradição, a promiscuidade e os interesses menos transparentes, transformam esta realidade na maior das permissividades e confusões. Até porque há ainda a dificuldade em perceber a quem interessa e a quem prejudica, verdadeiramente, algumas fugas de informação.

A realidade é já antiga, tem "barbas" e até já poderia ter sido tema de comentário. Adiamento atrás de adiamento, aqui vai finalmente.

A prestação de comentador político de Marques Mendes é algo de surreal. Primeiro são notórias as deambulações entre a crítica e o elogio ao Governo, nunca definindo um posicionamento (o tal ditado "uma no cravo, outra na ferradura"); segundo são as constantes revelações, premeditações, o adivinhar o futuro, sempre em antecipação ao Governo. Das duas, três... ou Marques Mendes é adivinho (e a Maya que se ponha à coca face à concorrência) ou Marques Mendes é usado como evidente "soundbite" político do Governo para que este apure impactos e reacções de medidas, projectos ou posições que tenha de tomar publicamente, sem ter que correr riscos com "fugas de informação".

Num processo tão complexo quanto delicado como é o caso BES e a intenção governativa de vender o Novo Banco faz algum sentido vir publicamente afirmar, categoricamente mesmo que tudo devesse ter o maior recato possível, que o Banco Popular e o Banco da China ficaram fora da "corrida" ao Novo Banco e anunciar, com a mesma certeza e publicidade, quais os finalistas no processo? Se é fuga de informação deve ser averiguada, se há intencionalidade na divulgação dos factos afigura-se uma estratégia governativa lamentável e condenável.

E não deixa de ser curioso que com tanto ruído à volta das presidenciais de 2016, Marques Mendes ainda não tenha consultado a sua "bola de cristal" para saber e anunciar quem é, de facto, o candidato da direita. Ou será o próprio? E já agora... quem ganhará as eleições?

E ainda... o "meu" Porto ainda conseguirá ganhar o campeonato?

publicado por mparaujo às 14:45

02
Abr 15

Goste-se ou não, o assunto dá teses e teses, o jornalismo (seja qual for a sua área) é fértil em polémicas exógenas, em situações umas caricatas outras infelizes, seja por questões de profissionalismo ou ética, seja pelo simples erro/gafe a que qualquer profissão está sujeita.
Mas há uma outra nota relevante: o jornalismo não deixa de surpreender.
Como é que isto é possível?
Como é que falha a revisão/edição?

(entrevista do semanário Sol à ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque)

perguntas sol a MLA.jpg

publicado por mparaujo às 14:19

05
Mar 15

Parabéns ao jornal Público pelo seu 25º aniversário.

Amado por muitos, indiferente a alguns e motivo de alguns ódios, a verdade é que, num curto espaço de 25 anos, face ao que é o panorama da idade média da imprensa nacional, o Público soube posicionar-se no jornalismo de referência, apesar de algumas polémicas fortes (relembro o caso de Miguel Relvas e a jornalista Maria José Oliveira, muito mal gerido internamente e condenável) ou os despedimentos de um considerável número de jornalistas e profissionais.

Apesar disso, continuamos ligados...

PARABÉNS.

25 anos Publico.jpg

publicado por mparaujo às 11:16

13
Fev 15

Dizem que hoje é o dia Mundial da Rádio...
Saudades muitas daqui Rádio Terra Nova e dos velhos tempos piratas da Rádio Oceano.
Já lá vão longos anos (quase 30).
Um abraço aos camaradas da TSF, Antena1, Renascença, as inúmeras e IMPORTANTES Rádios Locais, e as generalistas nacionais. Um forte abraço a todos da RÁDIO.

Se bem que isto agora já não é a mesma coisa... agora a malta da rádio é mais "informática" que outra coisa qualquer; é tudo informatizado e pré-programado e tal.
Antigamente é que era... Carregar com os discos (LP e SP - 45 e 33 rotações), "apontar" as músicas, largar os "pratos" no timing certo... isso é que era intensidade radiofónica

radio as.jpg

publicado por mparaujo às 15:29

13
Jan 15

Muitos dos que criticaram a 'onda' do "Je suis Charlie" aproveitaram a marcha de ontem, em Paris, pela Liberdade para enviar mais umas "farpas" ao sistema, em laivos de superioridade intelectual e, até, profissional.

À falta de argumentos para minimizar o impacto que cerca de dois milhões de pessoas transmitiram ao percorrerem o centro de Paris, usa-se, e mal, o supérfluo (o insignificante) para desviar a atenção do essencial.
Tudo a propósito do que alguns apelidaram de Hipocrisia e Embuste, indo ao ponto de criticar a própria comunicação social que adjectivaram de cúmplice.

A imagem é esta, a da presença em Paris de várias representações internacionais.

marcha pela liberdade - governantes 01.jpg marcha pela liberdade - governantes 02.png

 e como resultado final esta foto (como exemplo das ditas críticas) apesar das evidências.

marcha pela liberdade - DN.jpgAté podiam ter ficado por aqui... alguns nomes presentes deixam uma significativa inquietação quando se olha para as suas acções governativas e se fala de Liberdade. Mas não... a ânsia da crítica e da vontade de diminuir e amesquinhar é tanta que se fica pela análise (deturpada) da realidade que as fotos nos apresentam.
O "embuste" gritado aos quatro ventos pretende criticar a postura dos governantes na manifestação, bem como a "ilusão jornalística" implicada a muitos jornais e televisões. É bom que se desmistifique, também, esta corrente.
Primeiro, desde sempre que se soube, e foi totalmente coordenado com a organização da marcha pela liberdade, que os governantes e representantes internacionais apenas percorriam uma curta distância e a cerca de 200 metros distanciados da manifestação.
Segundo, as razões são mais que óbvias e claramente compreensíveis: questões óbvias de segurança. A concentração de vários governantes junto a milhares de manifestantes dificultaria (ou até tornaria quase impossível) qualquer medida de segurança preventiva. Imagine-se o que não seria para uma organização terrorista esta mistura? Um verdadeiro "maná" celeste... E note-se que a questão da segurança não se limitou apenas aos governantes mas, naturalmente, aos próprios cidadãos que compunham a manifestação.

E é pena que quem perdeu imensos caracteres com um pormenor escusado não tenha elogiado a adesão massiva à iniciativa (para além de outros momentos idênticos e solidários espalhados por vários pontos do globo) ou, por exemplo, este intenso momento em que o presidente francês, François Hollande, abraça um dos sobreviventes (Patrick Pelloux) do massacre ao jornal Charlie Hedbo.

marcha pela liberdade - hollande e cartoonista 02. marcha pela liberdade - hollande e cartoonista 02.

publicado por mparaujo às 16:22

31
Dez 14

A Rádio Terra Nova fecha o ano de 2014 com um surpresa: a entrada "no ar" do novo site informativo e institucional da rádio.
Embora com estrutura idêntica à do anterior, o novo site está muito mais "limpo", com uma significativa "leitura fácil" e mais "apelativo".
Parabéns, Rádio Terra Nova
!

Radio Terra Nova novo log.png

publicado por mparaujo às 11:54

27
Nov 14

Ontem Mário Soares levantou "o dedo" para a comunicação social, avisando os jornalistas de se estarem a "lixar".
Hoje, foi a vez de José Sócrates "lixar" alguma comunicação social, trocando as voltas a quem (por sinal dois jornais) esperaria manter a "exclusividade" da razão e do processo.
Mas eis que José Sócrates apenas "telefonou" ao Público, (ou apenas atendeu o Público) deixando a roer de ciúmes o Sol e o CM.
Que maldade... não se faz.

capa do Publico - 27-11-2014_caso socrates.jpg

publicado por mparaujo às 12:03

pesquisar neste blog
 
arquivos
2019:

 J F M A M J J A S O N D


2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

29 seguidores

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Junho 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


Siga-me
links