Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

23
Jun 19

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A 23 de junho de 2018, um grupo de 12 jovens e o seu treinador, com idades entre os 11 e os 17 anos, desaparecia no complexo de grutas de Tham Luang, na Tailândia.
Grande parte da comunidade internacional ficava suspensa... durante 10 dias, o grupo, sobrevivia sem comida, luz, com oxigénio muito reduzido.
A 3 de julho, dá-se o "milagre": foram encontrados vivos. O resgate duraria 7 dias, até que, a 10 de julho, o último elemento do grupo, o treinador, era resgatado.

Hoje, volvido um ano, mais de um milhão de turistas visitou Tham Luang, que, entretanto, se transformou num verdadeiro destino turístico com hotéis e lojas.

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(créditos da foto: Lillian Suwanrumpha/AFP/Getty Images)

publicado por mparaujo às 21:11

19
Jan 19

Há cerca de dois ou três anos tive o primeiro contacto com a "causa", infelizmente mais uma, na defesa dos Direitos Humanos, concretamente dos Direitos das Crianças.

A defesa dos direitos fundamentais e da dignidade humana de qualquer cidadão, por razões acrescidas quando se trata de crianças, não devem conhecer fronteiras, nem distâncias e, muito menos, indiferença.

No Gana, bem no coração dessa África esquecida e explorada, os pais vendem os seus filhos por menos de 30 euros a traficantes que os revendem aos pescadores do Lago Volta. Estas crianças são obrigadas a trabalhar 14 horas por dia, 7 dias por semana, a troco de um único prato de mandioca. Há, naquele país da África ocidental, 240 mil crianças vítimas de trabalhos forçados e 6,3 milhões de crianças nunca entraram numa sala de aula.

Em 2007, a jornalista Alexandra Borges (TVI) foi ao Gana para produzir uma reportagem sobre violação dos direitos humanos (ver vídeos abaixo). A reportagem e a experiência pessoalmente vivida transformar-se-iam na sua missão pessoal: resgatar o maior número que pudesse de crianças (começaram por ser três) daquele verdadeiro flagelo humano e proporcionar-lhes uma esperança e um futuro, a começar pela sua educação e formação.
Foi assim que nasceu o centro de resgate, acolhimento e formação, em Kumassi (Gana), numa parceria entre a associação que fundou (Filhos do Coração) e a congénere americana Touch a Life Kids, conta já com cerca de uma centena de crianças que voltaram a poder sorrir e viver.

Como a Alexandra Borges afirma, não é só o tráfico de crianças é também a "indiferença que mata as crianças no Gana". Há, no entanto, uma oportunidade para podermos ajudar a resgatar sorrisos e vidas.
A Associação FILHOS DO CORAÇÃO vai lançar uma campanha solidária entre os dias 26 de janeiro e 4 de fevereiro: Vamos Resgatar Sorrisos!

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As crianças do Gana contam com a ajuda de todos: pode ajudar a RESGATAR SORRISOS e/ou apoiar a campanha como voluntário.

As reportagens da jornalista Alexandra Borges.

publicado por mparaujo às 18:18

02
Nov 18

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Mas há um turbilhão de sentimentos: revolta, solidariedade, impotência, comoção, choque, desassossego, (...).

E há igualmente uma premissa que importa, desde já, destacar: não colhe o argumento "cá também há situações de..." ou "isso é lá longe, o que conta são os 'nossos'". Não! Não é assim...

Primeiro, a vida, os direitos e a dignidade humana são universais e não conhecem fronteiras.
Segundo, existem realidades e contextos bem distintos.
Terceiro, a preocupação por aqueles que estão ao nosso lado não implica sejam esquecidos ou ignorados os que estão longe.
Por último, esse tipo de argumento (tão ouvido no que respeita à problemática dos refugiados/migrantes) serve, na maioria dos casos, para esconder uma total (seja perto ou longe) indiferença, apatia, marasmo, comodismo, insensibilidade.

Não foram tão poucas as vezes que aqui se deu conta que há muito mais para além do gravíssimo contexto da conflitualidade com o islamismo, que ultrapassa as vivências com os atentados terroristas na Europa ou nos Estados Unidos. Há todo um Norte e Centro de África e um Médio Oriente que vive, há décadas, assolado pela guerra, pela morte, pela fome, pela exploração por terceiros das suas riquezas... completamente ao abandono, onde impera a total ausência por um qualquer respeito pela vida e pelos direitos humanos.

A ciência e a tecnologia evoluem a cada nano-segundo... mas as sociedades e os homens teimam em manter um estado de primitivismo, medievalismo e arcaísmo gritantes (apesar de nos situarmos em pleno século XXI).

A informação e a comunicação atingem uma velocidade estonteante mas cada vez há uma maior conflitualidade entre as pessoas e as nações... Há riqueza e, simultaneamente, mais pobreza... Há melhores condições de vida mas morre-se de fome...

O Índice Global da Fome em 2018 revela que 821 milhões de pessoas passam fome.
Segundo os dados recentemente revelados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Organização Mundial da Saúde, Divisão da ONU para a População e pelo Banco Mundial, em 2017, morreram 5,4 milhões de crianças com menos de cinco anos e mais 900 mil crianças entre os  5 e 14 anos. Não há argumentos suficientes para se ser indiferente ao facto de, em 2017, tenham morrido todos os dias 15 mil crianças devido à guerra; à escravatura, onde as crianças são 25% das vítimas (ainda há leilões humanos em 2018, por exemplo, na Líbia, onde se vendem pessoas por pouco mais de 100 euros); à escassez de alimento e água; à falta de condições elementares de saúde (vacinação, tratamento médico, etc) ou de infraestruturas básicas como o saneamento.
A maioria das mortes ocorreu na África Subsariana, no Médio Oriente e no Sudeste Asiático, numa lista considerável de países como o Chade, Madagáscar, Serra Leoa, Iémen, Zâmbia, Burundi, República Democrática do Congo, Eritreia, Líbia, Somália, Sudão do Sul, Síria, Gabão, Gana, Maurícias, Senegal, ou o Sri Lanka... e por aí fora. Países sujos nomes, para muitos, são "perfeitos desconhecidos".

Mas são países com rostos, com vidas...

Infelizmente vamos vivendo à "custa" de símbolos, de rostos, de imagens que se tornaram referência em diversos contextos: o pequeno Aylan Kurdi, a criança síria de apenas 3 anos, encontrado morto sobre a areia de uma praia na Turquia, em 2015; a jovem, Malala Yousafzay, de 17 anos, que sobreviveu a um ataque de talibãs em 2012, Nobel da Paz em 2014, e que luta pelo direito universal à educação das crianças; a jovem síria Doaa al-Zamel, uma das 11 sobreviventes de um naufrágio que vitimou 500 refugiados no mar Mediterrâneo, e que publicou a sua história no livro "Uma Esperança mais Forte do que o Mar", escrito em conjunto com Melissa Fleming, então directora de Comunicação e porta-voz do ACNUR; ou Clemantine Wamariya, que aos 6 anos atravessou sozinha, com a irmã, sete países, andou de campo de refugiados em campo de refugiados, para fugir do genocídio no Ruanda, acabando por encontrar os pais, 12 anos depois, num dos programas da Ophra.

Ontem a pior das notícias corria o mundo. A imagem da criança Amal Hussain, de 7 anos, colhida pelo fotojornalista Tuler Hicks do The New York Times, tinha-se tornado o "rosto" e o "símbolo" da crise alimentar e da fome no Iémen. É mais uma das fotos, das imagens, dos "rostos" tornados referências que NUNCA DEVIAM EXISTIR. A criança Amal não resistiu ao estado debilitado do seu corpo e do seu organismo e acabou por falecer num campo de refugiados a SEIS QUILÓMETROS DE UM HOSPITAL. Vergonha!

Se isto não indigna, não revolta, não inquieta, que a indiferença e a apatia esbarrem nos números que acrescem: a Cimeira Mundial de Defensores de Direitos Humanos, realizada esta semana, em Paris, revela que, em 2017, 312 activistas de direitos humanos foram assassinados (o dobro do registado em 2015); 4.400 trabalhadores humanitários foram vítimas de ataques graves ao longo das duas últimas décadas, dados revelados a propósito do Dia Mundial da Ajuda Humanitária, celebrado a 19 de agosto.

Isto não é (em) Portugal... mas vivemos todos no mesmo mundo e planeta (cada vez mais pequenos). E é tão fácil ajudar (há muitas formas, meios e entidades para escolhar)

(crédito da foto: Tuler Hicks/The New York Times)

publicado por mparaujo às 22:09

02
Set 18

Somos relativamente permissivos e influenciáveis pelo mediatismo e pelo colectivismo no que toca à tragédia, à desgraça e à morte.
Forma muitos os que assumiram a corrente do "Je Suis Charlie" quando em janeiro de 2015 se deu a barbárie do atentado ao jornal satírico francês Charlie Hebdo. Mesmo que até à data grande parte nunca tivesse ouvido falar do jornal, nem das suas posições editoriais significativamente polémicas (nomeadamente no que respeita às religiões e crenças). Uns (colectivos e individuais) manifestaram-se porque faz parte dos seus olhares pelo mundo a questão dos Direitos Humanos e das Liberdades e Garantias de qualquer cidadão (no caso, seja o direito à vida, o direito à ofensa e o da liberdade de expressão, opinião e imprensa). Outros porque foram sensibilizados pelas manifestações públicos e assumiram a causa. Há ainda os que o foram... porque sim.
Volvidos alguns meses, os direitos e liberdades depressa viraram a página da revolta popular.
Nem mesmo os trágicos atentados que percorreram a Europa fizeram abalar, significativamente, essa indiferença ou esquecimento prematuros.
Esquecemos a Síria, Iraque, Afeganistão, Somália, Nigéria, Birmânia, Sudão, Iémen, África Central, ... mantemo-nos (mais ou menos) indiferentes ao facto da  FAO (Food and Agriculture Organization), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, anunicar cerca de 224 milhões de pessoas subnutridas no continente africano;
ou, segundo a UNICEF, que uma criança morre a cada dez minutos no Iémen por falta de alimento;
ou ainda, como a ONG "Save the Children" sublinhava, em maio último, que mais de mil milhões de crianças vivem em países confrontados com pobreza extrema, 240 milhões estão em ambientes de guerra e que 575 milhões de meninas vivem em sociedades onde os preconceitos sexistas são um problema extremamente grave.

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Faz hoje precisamente 3 anos (setembro de 2015) que a imagem do corpo do pequeno Aylan Kurdi (com 3 anos de idade) caído na areia de uma praia turca chocavam o Mundo (ou grande parte dele).
À data esperava-se que a atrocidade e o impacto da imagem fosse suficiente para alterar mentalidades, políticas e acções, fossem elas dos Governos, de entidades, dos cidadãos, das comunidades ou da própria União Europeia. Até hoje... depressa esquecemos o simbolismo da altura de Aylan Kurdi. Qualquer morte é, por si só, estúpida, muito mais quando se trata de uma criança com apenas 3 anos... mas Aylan Kurdi deu à costa sem vida, com a vida perdida, para "nada".
A União Europeia, os Estados e Nações, os políticos, Governos e políticas, as comunidades, as instituições e a maioria dos cidadãos continua sem saber lidar com esta catástrofe humanitária de quem foge aos horrores e à morte movidos pela guerra de alguns contra alguns, sem qualquer preocupação pelos outros TODOS.
Cresce a xenofobia, o racismo, a indiferença, na Europa...
ganham expressão preocupante os extremismos e os radicalismos (que tanto combatemos no lado de quem faz a guerra e atenta contra a vida do Outro)...
aumenta a instabilidade social pelos confrontos na rua (são já 18 os feridos nos recentes e actuais protestos contra a migração e os refugiados, em Chemnitz na Alemanha)...
é preocupante a incapacidade da União Europeia de lidar com esta realidade, indiferente ao fortalecimento nacionalista e de extrema-direita no eixo Húngaro-Italiano...

E esquecemos... demasiadamente rápido.

A título de exemplo, em apenas três dias (29 junho a 1 de julho de 2018) morreram afogadas ao largo da Líbia mais de 200 migrantes.

O Mediterrâneo continua a ser, simultaneamente, a porta da salvação e o cemitério dos que tentam fugir à morte da guerra ou da fome.

As portas da Europa e o a própria União Europeia (cada vez mais indiferente e menos solidária e livre) continua a ser o Muro que ofusca a janela da esperança de milhares e milhares de PESSOAS.

Tão simples quanto isto: PESSOAS.

publicado por mparaujo às 20:18

20
Nov 17

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A 20 de Novembro de 1989 a ONU adoptou, por unanimidade, a a Convenção sobre os Direitos da Criança.

É pena que essa unanimidade do plenário pouco se traduza na aplicação prática e concreta da Convenção.

É pena que as nações e as comunidades se tenham esquecido que a assinatura da Convenção, ainda por cima por unanimidade, após ratificada, passa a constituir ordem jurídica.

É pena que o dia-a-dia de muitas regiões do mundo não só esqueça como atropela permanentemente os quatro pilares que sustentam e fundamentam a Convenção sobre os Direitos da Criança: o direito à sobrevivência; o direito ao desenvolvimento; o direito à protecção e o direito à participação.

São, infelizmente (basta uma simples pesquisa na internet ou pelas inúmeras ONG's dedicadas às crianças, para percebermos (e nos preocupar-nos) com o futuro da humanidade. Tantas vezes nos "distraímos" (?) com as legítimas preocupações ambientais, políticas, económicas e militares e esquecemos, pura e simplesmente, o que é o direito a ser Criança.

Um dos exemplos que a UNICEF destaca no dia de hoje é o grave problema humanitário com as cerca de 320 mil crianças refugiadas no sul do Bangladesh, fugidas do conflito no Myanmar.

Acresce a esta flagelo humanitário, por exemplo, as crianças refugiadas que a pura sorte permitiu atravessarem o mediterrâneo mas que a vida parou no tempo e na incerteza de um qualquer campo de refugiados porque a União Europeia e a comunidade internacional não soube dar devida resposta.

Pessoalmente, relembro um outro condenável exemplo: o tráfico e a mercantilização de crianças no Gana ("Uma vida não tem preço... muito menos a de uma criança.")

Era bom que não fosse apenas mais um dia...

publicado por mparaujo às 10:48

09
Nov 17

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A solidariedade e a defesa dos direitos fundamentais e da dignidade humana de qualquer cidadão, por razões acrescidas quando se trata de crianças, não deve conhecer fronteiras nem distâncias.

No Gana, bem no coração dessa África esquecida e explorada, os pais vendem os seus filhos por menos de 30 euros a traficantes que os revendem aos pescadores do Lago Volta. Estas crianças são obrigadas a trabalhar 14 horas por dia, 7 dias por semana, a troco de um único prato de mandioca. Há, naquele país da África ocidental, 240 mil crianças vítimas de trabalhos forçados e 6,3 milhões de crianças nunca entraram numa sala de aula.

Está nas mãos de todos nós, os que podemos, não ficar indiferentes e tomarmos uma atitude, por mais singular e singela que seja.

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Há dez anos (em 2007), a jornalista Alexandra Borges foi ao Gana para realizar uma reportagem sobre violação dos direitos humanos. A reportagem e a experiência pessoalmente vivida transformar-se-ia na sua missão pessoal, no seu objectivo de vida. Resgatar o maior número que pudesse de crianças (começaram por ser três) daquele verdadeiro flagelo humano e proporcionar-lhes uma esperança e um futuro, a começar pela sua educação e formação.

Hoje, o centro de resgate, acolhimento e formação, em Kumassi (Gana), numa parceria entre a associação que fundou (Filhos do Coração) e a congénere americana Touch a Life kids, conta já com cerca de uma centena de crianças que voltaram a poder sorrir e viver.

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Como a Alexandra Borges afirma não é só o tráfico de crianças é também a "indiferença que mata as crianças no Gana".

Apesar de cada ano ter 365 dias e o sofrimento das crianças ser permanente a época natalícia é sempre propícia à solidariedade e é uma época em que os alertas e as denúncias e o activismo pelos direitos humanos tem mais dimensão e impacto.

É, por isso, uma oportunidade para podermos ajudar a resgatar sorrisos e vidas.

Neste Natal, no Corte Inglês, na Staples, no Pingo Doce ou online no site da organização (www.filhosdocoracao.org) podemos ajudar a educar e a formar estas crianças resgatadas comprando e oferecendo a agenda solidária "Smile" (preço unitário: 10 euros).

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 As reportagens da jornalista Alexandra Borges, TVI.

publicado por mparaujo às 22:00

27
Ago 17

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publicado na edição de hoje, 27 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Apontamentos semanais
(*)

Pena é que uma semana como a que passou incendiada nas redes sociais não tivesse sido o único palco dos incêndios em Portugal. Pelo menos estes não trariam os impactos que os reais, infeliz e tragicamente, têm espalhado.

1 A tragédia dos incêndios e dos atentados terroristas não preencheu a semana só com vítimas e destruição; houve claros impactos políticos e polémicas à mistura. Não se percebe como há ainda quem estranhe ou se admire com as acções do Presidente da República. Goste-se ou não, não há nada que não tivesse sido mais que expresso por Marcelo ainda durante o período eleitoral (a Presidência dos Afectos). Prefiro claramente um Presidente presente, activo, próximo e atento, do que um inquilino em Belém munido apenas do dever de promulgação ou do direito ao veto ou ainda publicamente visível nos primeiros dias de cada ano, a cada 25 de abril ou 10 de junho. Fez muito bem Marcelo Rebelo de Sousa em marcar presença pronta nos incêndios (ainda ontem em Oleiros), na Madeira ou em Barcelona. É esse o seu papel e a sua função. O que já não é tão claro e cristalino é a acção do Governo na gestão das crises. António Costa, a ministra da Administração Interna, o ministro da Agricultura, entre outros (ao contrário do que aconteceu com o ministro da Defesa no caso de Tancos) têm demonstrado (e não estou a falar de responsabilidades) uma notória falta de agilidade e desenvoltura política e governativa na gestão das tragédias e das calamidades. No fundo, de tudo o que foge à normalidade da governação, nomeadamente da preocupação da gestão do défice e das contas públicas. Não dá para disfarçar, apesar da disponibilidade e da presença, que a acção do Governo tem sido pautada e orientada pelas iniciativas e pressões presidenciais de Marcelo. O Presidente não governa, nem tem governado, mas neste verão tem sido notoriamente o líder e motor da governação.

2. A Secretaria de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa “incendiou” as redes sociais, esta semana, com a declaração pública sobre a sua orientação sexual, em entrevista ao Diário de Notícias. Facto… fez história. Facto… inquestionavelmente com coragem política (e pessoal, diga-se). Face às reacções, concretamente aqueles que criticaram e condenaram a afirmação, é óbvio que a declaração de Graça Fonseca é mais que justificada, é demasiado importante, é, política e socialmente, reveladora. Só quem não passa pela sabor da exclusão, da diferença e da indiferença, de ser minoria, de ser ostracizado, preterido, de ter de esconder ou disfarçar as suas legítimas opções individuais, de não ter acesso aos mesmos direitos, é que pode achar que o preconceito que, infelizmente, persiste em pleno século XXI, deve prevalecer como motor da sociedade estereotipada. Graça Fonseca fez mesmo história na política nacional. O que se lamenta é que a sociedade portuguesa, hoje, em 2017, ainda se surpreenda com tais realidades porque do resto da entrevista, das afirmações políticas e governativas da Secretária de Estado nem uma linha, nem um comentário. Triste.

3. Porque é que tem que ser “pró-menino e prá-menina”? Não seria mais que suficiente e correcto ser apenas “prá-criança”? Claro que sim. Num país que tem uma das maiores desigualdades de género da Europa, onde as mulheres trabalham mais horas, recebem menos salário e têm menos direitos, era perfeitamente dispensável haver descriminação em função do género. Mais ainda, era dispensável que a polémica tivesse tido origem naqueles que deveriam primar por uma pedagogia de igualdade de direitos, através do conhecimento e do saber. A Porto Editora (e outras editoras… porque, infelizmente, há mais) errou, falhou a todos os níveis (publicação, explicações e reacção). O pormenor do azul e rosa é o menos da questão. Não passa de um pormenor estúpido. Mas editarem um livro de actividades para crianças diferenciado no grau de dificuldades cognitivas das tarefas entre rapaz e rapariga é, no mínimo dos mínimos, deplorável e desprezível. E esteve ainda muito mal a Porto Editora que precisou de uma recomendação (escusada) da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e de um coro de críticas (que nem os poucos elogios abafaram) para retirar do mercado os livros de actividades. Era escusado… primeiro porque erraram em publicar (nem sequer deveriam ter colocado essa possibilidade); segundo… porque não souberam reconhecer o erro e não assumiram, por iniciativa própria, a retirada da publicação.

(*) semana de 19 a 27 agosto

publicado por mparaujo às 13:16

01
Fev 16

Boko Haram criancas armadas.jpgInfelizmente... não há só a Síria e a conflitualidade com o Estado Islâmico no Médio Oriente ou os refugiados que atravessam o Mediterrâneo, os que lá morrem e os que esbarram com as portas, fronteiras, muros e arames farpados da Europa.

Há toda uma África votada ao inferno - "Boko Haram queima crianças vivas em atentado" - sem merecer os devidos olhares internacionais.

Até quando?

 

publicado por mparaujo às 21:41

20
Nov 15

dia internacional dos direitos das criancas.jpgNem de propósito ou, melhor, bem a propósito... Hoje assinala-se o Dia Internacional dos Direitos das Crianças em que se regista e celebra a aprovação da Declaração Universal dos Direitos das Crianças. E Portugal faz história.

A Assembleia da República aprovou hoje a adopção de crianças por casais do mesmo sexo.

Não é uma questão de ideologia ou, como em tantas outras coisas, o confronto entre esquerda e direita, aliás como o comprova o resultado da votação (por exemplo sobre a proposta do PS) que teve 19 votos favoráveis e uma abstenção na bancada do PSD e duas abstenções centristas. É uma questão de direito, liberdade e garantia. De todos...

A questão da adopção de crianças por casais do mesmo sexo tem que ser vista, por todos, como uma questão de direito, como uma questão socialmente determinante, como o combate à exclusão e à discriminação, e pela defesa das liberdades.

Para uma sociedade mais conservadora, para grupos ou círculos que, legitimamente, constroem a sua concepção do mundo pelo primas religioso, esta questão da homossexualidade tem que deixar de ser vista como uma questão dogmática da fé, porque ela nada tem a ver com a fé.

Esta questão é um exercício de liberdades, direitos e garantias e da legítima igualdade de tratamento de todos perante a lei, sem discriminação quanto a credos, raças e orientações sexuais.

A questão da homossexualidade e da adopção é uma questão de afectos, de sentimentos, de opções de vida. Não é uma questão de crenças ou dogmatismos.

Desde quando a sociedade tem a legitimidade para determinar se uma casal heterossexual é mais capaz de transmitir mais amor familiar que um casal homossexual? Que direito tenho eu (como católico e homossexual) de me sentir superior ao outro?

É tão pura e simplesmente um retrógrado preconceito homofóbico.

O que a Assembleia da República garantiu, hoje, com este enorme passo civilizacional é que uma criança, em condições de adopção, o possa ser por quem lhe garanta as melhores condições de afecto, sustentabilidade, vivência e desenvolvimento. Isto, independentemente de ser heterossexual, homossexual, crente (seja qual for a religião) ou ateu/agnóstico...

O afecto, o amor, o respeito pelo outro, não tem orientação sexual, não tem cor de pele ou raça, não é propriedade de nenhum credo. E é a esse amor, afecto e respeito que, agora, mais crianças terão direito.

O mal mesmo... é infelizmente haver, em pleno século XXI, uma sociedade que não saiba garantir o futuro e proteger as crianças. Condenável, mesmo, é que, em pleno século XXI, haja uma sociedade onde existam crianças sem um lar.

 

publicado por mparaujo às 15:07

06
Set 15

aylan.jpgpublicado na edição de hoje, 6 de setembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
O poder da imagem

Ditam os cânones que uma imagem vale mais que mil palavras. Não tenho a certeza de tal rigor matemático mas afigura-se como certo que perante determinada imagem fica-se sem qualquer palavra e assola-nos um turbilhão de emoções e reacções, essas sim manifestamente incalculáveis. Daí que na comunicação social haja sempre uma acrescida dificuldade na decisão editorial de publicar ou não determinadas fotografias. Há razões do foro do direito à reserva da privacidade, da segurança, do pudor, da sensibilidade, do interesse público, entre outros. Ao contrário do que à primeira vista poderia parecer a divulgação de uma imagem carece, em determinadas circunstâncias, de maior cuidado do que a divulgação de uma notícia.

Esta semana a comunicação social, nacional e internacional, viu-se a braços com este dilema editorial: a divulgação da imagem do pequeno sírio Aylan que deu à costa numa praia da Turquia, já cadáver, vítima de afogamento no Mediterrâneo. A opção generalizada foi a da sua publicação.

A imagem choca inquestionavelmente. Choca-nos por ser uma criança indefesa, vítima do desespero dos seus pais em encontrarem a esperança de viver condignamente na Europa; choca-nos pela crueldade de ver o pequeno Aylan morto, sozinho naquela praia, ao mesmo tempo que a imagem transmite uma serenidade assustadora; choca-nos por expressar o clímax da inaptidão da Europa e da comunidade internacional em encontrar uma solução para esta tragédia humana dos refugiados que, dia após dia, batem às portas do velho continente. Fogem da morte com o sonho e a esperança de encontrarem a vida na Europa, preferindo os riscos de poderem morrer no Mediterrâneo à quase certeza de morrerem na sua terra natal.

Mas a opção editorial de muitos órgãos de comunicação social (que rapidamente tomou proporções virais nas redes sociais) de publicarem a imagem do pequeno Aylan prostrado numa praia turca não implicava apenas a questão do choque e do alertar para a realidade trágica dos refugiados. A imagem em si transporta muito mais que o choque emocional que provocou. É, em si mesma, um manancial de informação com muito mais impacto que as inumeráveis notícias já publicadas sobre os refugiados. Tal como poderiam ser (e deveriam ser) as publicações das imagens do interior dos camiões abandonados na Áustria ou das execuções bárbaras de tantas crianças pelo proclamado estado islâmico.

A imagem “horrorosamente bela”, como lhe chamou a Estrela Serrano, chocou, criou um reboliço de sentimentos e reacções (infelizmente algumas mais extremistas e fundamentalistas), deu nova dimensão à tragédia que se vive na Europa e para a qual, quer aqui, que na origem, tarda a ser encontrada uma solução e uma intervenção. Entretanto cresce a dimensão da tragédia humanitária, a incapacidade da Europa se unir em torno de uma solução política e social conjunta… e infelizmente cresce o sentimento “anti-refugiados”, os obstáculos à sua aceitação a integração, os extremismos e fundamentalismos, com os revoltantes argumentos do “também temos os ‘nossos’ refugiados nas nossa ruas, nas nossas cantinas sociais, nas nossas sopas dos pobres, nos nossos caixotes do lixo. Infelizmente, só nos lembramos disso quando necessitamos de usar esta realidade, apesar dela estar sempre à frente dos nosso olhos, na nossa vizinhança, para argumentar a favor da indiferença, da xenofobia, da insensibilidade social. Uma ajuda não impede a outra, as dimensões e contextos são, naturalmente, diferentes.

Vemos, Ouvimos e Lemos… não podemos Ignorar. Apesar de ser óbvio que não será possível acolher, nem salvar, toda a gente, a Europa e a comunidade internacional (entenda-se “ocidente”) não pode continuar a esconder o peso político e social das realidades que provocou ou ajudou a criar no Oriente, nomeadamente sob a capa da ONU, da NATO e sob o “comando” dos Estados Unidos.

Descansa em paz, pequeno Aylan. Perdoa-nos.

publicado por mparaujo às 14:51

06
Mai 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, 4 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Da ética à coerência

Só por distracção ou pelo desviar de atenções que o final do campeonato de futebol ou as peripécias da greve da TAP possam provocar, já para não falar no lançamento da biografia de Passos Coelho, é que nos são indiferentes realidades e contextos jurídicos, sociais e políticos que polarizam pólos distintos de convicções e crenças, colocando nos pratos da balança distintos conceitos de ética e coerência. E esta semana foi, de facto, profícua. Três meros exemplos (sem qualquer critério cronológico), sem relação casual, mas que traduzem dilemas e sentimentos divergentes e que colidem com conceitos demasiadamente desvalorizados, como a ética, a justiça e a coerência, sejam eles de âmbito jurídico, social ou político.

O primeiro, de âmbito social, traz à discussão a questão da interrupção da gravidez (aborto). Duas adolescentes (12 e 13 anos), com a plena cumplicidade materna, foram abusadas sexualmente (uma pelo companheiro da mãe e a outra por prostituição forçada) e engravidaram. Não poderia haver “melhor” contextualização para provocar o ressurgimento da polémica em torno do aborto e dos seus limites legais. Infelizmente, a discussão deixou passar para plano nenhum (nem segundo, nem terceiro, nem último) preocupações quanto às vítimas, quanto ao papel social preventivo das instituições e do Estado na defesa das crianças, quanto a medidas jurídicas de penalização dos crimes, quanto a políticas de apoio às vítimas, podendo-se ainda acrescentar o debate sobre a violência doméstica. Felizmente, o hospital onde deu entrada a criança de 12 anos (Hospital Santa Maria) teve a coragem de tomar a decisão ética mais correcta, muito para além da vertente jurídica (tantas vezes alheada da realidade), tendo em conta o sofrimento da criança, quer do ponto de vista da maternidade, quer do ponto de vista emocional e psicológico.

O segundo, do ponto de vista da ética política e da coerência, prende-se com o recente elogio de Passos Coelho a Dias Loureiro, dando-o com exemplo de sucesso empresarial. A facilidade com que se tenta apagar da memória pública determinadas realidades e comportamentos, a diversos níveis reprováveis e criticáveis, é algo inqualificável. Mas a memória, que não é tão curta como muitos querem fazer crer, reporta-nos para o afastamento de Dias Loureiro do Conselho de Estado, as suas prestações na Comissão de Inquérito Parlamentar no âmbito do caso BPN, onde foi administrador.

Mas a falta de coerência e de ética, ao contrário da coragem da decisão hospitalar acima referida, ainda teve contornos públicos nestes últimos dias. Muitas foram as vozes que criticaram a inqualificável e inaceitável pressão de Miguel Relvas sobre uma jornalista do Público e sobre o próprio jornal, quando este estava no Governo. Foram, infelizmente, algumas as vozes concordantes com a criticável atitude do ex-ministro. A história inverte-se mas repete-se: o tão badalado sms de António Costa dirigido a um jornalista do Expresso (por sinal director-adjunto) com críticas sobre o seu trabalho jornalístico de análise ao documento socialista “Uma década para Portugal”. Os que defenderam Relvas não têm legitimidade para acusar Costa. Os muitos que criticaram Relvas não podem ficar calados, em silêncio, perante esta pressão e limitação da liberdade de imprensa. Quando o nosso grito “Je Suis Charlie” se torna selectivo em função de interesses e posições, termina aqui qualquer legitimidade, coerência e valor da defesa da liberdade de expressão e da liberdade de informação. Mais ainda, a António Costa faltou coerência e ética política com a sua atitude, ainda por cima desmedida já que, em momento algum, o jornalista fez qualquer análise pessoal e de carácter a António Costa. Mas bastaria recordar ao líder socialista a manifestação pública às portas da Câmara Municipal de Lisboa segurando um cartaz “Je Suis Charlie”. Percebe-se agora porque é que a frase do cartaz não foi completada com um “…Sempre”.

publicado por mparaujo às 10:58

03
Mai 15

eu_DA_debaixo-dos-arcos.jpgpublicado na edição de hoje, dia 3 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
A justiça de pelourinho

Longe, bem longe felizmente, vão os tempos das condenações nas fogueiras ou das chicotadas nos pelourinhos. Absurdamente, em pleno século XXI, há quem, teimosamente, pretenda andar para trás e trazer de novo para a ribalta a justiça popular. Curiosamente, alguém que tutela a justiça e com a qual deveria ter uma relação de confiança e promoção. Regressamos à polémica com a lista dos pedófilos com base na nova lei que cria o registo criminal nacional aprovada em Assembleia da República na passada quinta-feira, apenas como os votos favoráveis da maioria, o que não deixa de ser preocupante.

Mais do que as veementes críticas da Comissão de Protecção de Dados, dos juízes, da Procuradoria-geral da República, entre outros, bastava imperar o bom-senso e a racionalidade, para além do rigor da sustentação e da argumentação (os valores de reincidência manipulados pelo Ministério da Justiça não correspondem à verdade e foram-no, por inúmeras vezes, contestados).

É mais que conhecida e pública a minha posição relativa a crimes que limitem ou violem dois dos principais direitos fundamentais: o maior de todos, a vida; e os que atentam contra a dignidade humana, qualquer que seja a sua natureza. Entram, portanto, neste rol, a título de exemplo, as violações, as mutilações, os raptos, as coacções psicológicas, a liberdade de opinião, a privacidade e intimidade, e, claro, os abusos sexuais onde se incluem os crimes de pedofilia. Abstraindo-me da minha qualidade de pai e rejeitando liminarmente a retórica do “e se fosse com a tua filha”, porque estas duas realidades retiram racionalidade e transportam-nos para o campo emocional, a proposta de lei agora aprovada é de um retrocesso temporal e social preocupante.

O crime de pedofilia é algo que me repugna, que reputo de obsceno, horrendo, inqualificável e inaceitável. Algo para o qual não encontro qualquer desculpa ou justificação. Aliás, do ponto de vista da vítima, é algo que se sabe irreparável ou muito dificilmente apagável (nem me atrevo a dizer, pagável, sequer). Não estaria, portanto, em causa a criação de uma base de dados com os crimes e os respectivos culpados ou, até, investigados. Mas tudo isto teria lógica limitado à esfera judicial ou da investigação policial. Ponto.

Só que a nova lei permitirá o acesso público à informação e ao registo criminal, não sendo de todo irrelevante para a discussão o facto de se tratar de cidadãos que cumpriram moldura penal pelo crime cometido.

A proposta de lei apresentada por Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça, afigura-se como um queijo suíço pela quantidade de “buracos” que a mesma comporta.

Primeiro, a manipulação dos dados de reincidência, quer pela deturpação do estudo de referência (algo que foi criticado pelo próprio autor do estudo), quer pela disparidade dos valores, sabendo-se, por várias fontes (incluindo a Procuradoria-geral da República) que a taxa de reincidência nos casos de pedofilia ronda os 18%.

Segundo, o direito à privacidade é um dos direitos fundamentais, mesmo em casos como estes, de pedófilos que já cumpriram pena pelos crimes cometidos.

Terceiro, a facilidade com que publicamente se acede a informação desta natureza abrirá uma panóplia de exposições públicas anárquicas, correndo-se, claramente, o risco de surgirem acusação infundadas, por mera vingança ou intenção de denegrir a honra e a imagem de outrem. Imagine-se a facilidade com que um vizinho, de cadeias avessas com o da “porta ao lado”, poderá fazer e gerar falseando informação desta natureza.

Quarto, é surreal que um país tenha uma ministra da Justiça que releva para segundo plano a própria justiça, transpondo-a para a praça pública, para o linchamento (físico, social ou psicológico) e para a “justiça popular”, com todos os riscos óbvios.

Quinto, porque a proposta de lei colide com um dos princípios fundamentais que deveria estar na sua origem e limitá-la à justiça e às polícias: a defesa da vítima. Importa recordar que a maioria dos casos ocorre no seio familiar ou nas relações muito próximas e íntimas, não se vislumbrando, por isso, qualquer eficácia, na lista de acesso facilitado ou público.

Lamenta-se é que não tenha havido coragem governativa para, isso sim, rever as molduras penais para crimes de violação e abusos sexuais, ou ainda, e tão importante, reforçar os mecanismos de protecção das potenciais vítimas e os apoios às vítimas desses abusos.

Isso sim, seria enaltecer a justiça e garantir uma maior estabilidade social.

publicado por mparaujo às 14:29

20
Nov 14

25 anos convencao direitos da crianca.jpgNão bastou à comunidade internacional a aprovação da Carta Universal dos Direitos do Homem.
Não bastou à comunidade internacional a aprovação, a 20 de novembro de 1959, da Declaração Universal dos Direitos das Crianças (resolução nº 1386/XIV da Assembleia Geral da ONU).

As especificidades do direito da personalidade e da própria identidade individual das crianças, adolescentes e jovens, levou a que, em 20 de novembro de 1989 (volvidos 30 anos após a aprovação da declaração universal), celebrando-se esta ano o 25º aniversário, fosse aprovado o tratado da Convenção Internacional dos Direitos das Crianças (resolução nº 44/XXV da Assembleia Geral da ONU).
Os objectivos prendem-se com a protecção de crianças e adolescentes de todo o mundo, através do direito à vida, à liberdade, das obrigações dos pais, da sociedade e do Estado, contra agressões (exploração e violência sexual, por exemplo), consagrando os princípios da Participação, da Sobrevivência e Desenvolvimento, do Interesse Superior da Criança, e da Não-Discriminação.

A este propósito importa dar destaque aos vencedores da 3ª edição dos Prémios de Jornalismo "Os Direitos da Criança em Notícia" promovido pelo "Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens" (UNICEF):
A reportagem da ex-jornalista da TSF Noémia Malva Novais, emitida em outubro de 2013 com o título "Nascer Outra Vez", venceu na categoria rádio.
A reportagem da jornalista da RTP, Sandra Soares Machado, inserida no programa "Sexta às 9", emitida a 11 de abril de 2014, com o título "Mães Discriminadas" e a Grande Reportagem da jornalista da SIC, Susana André, "Um dia vou ser português", foram os premiados em televisão.
Na categoria imprensa o destaque vai para a partilha do primeiro prémio entre a reportagem publicada a 23 de fevereiro de 2014, no Caderno 2 do jornal Público, “Sim vou deixar-te morrer”, da jornalista Sofia da Palma Rodrigues, e a reportagem da revista Máxima, publicada em maio deste ano, "Não amam nem deixam amar" das jornalistas Isabel Stilwell e Carla Marina Mendes.

publicado por mparaujo às 08:39

30
Out 14

pobreza infantil.jpgNo dia em que se discute, na generalidade, a proposta do Orçamento de Estado para 2015 importa olhar para fora das folhas financeiras que suportam tecnicamente o documento.

Podemos mesmo dizer, sem qualquer tipo de incómodo e sem a pretensão de desviarmos a atenção que o OE2015 merece, antes pelo contrário, que “há mais vida para além do OE”. Ou, pelo menos, que o OE2015 produzirá impactos fortes na sociedade portuguesa, seja do ponto de vista singular, das famílias ou do tecido empresarial.

A discussão e a polémica centram-se em dois aspectos genéricos principais: o risco que o Orçamento comporta face às previsões apontadas pelo Governo; a continuidade do excesso da carga fiscal e outras medidas políticas que mantêm o nível ainda elevado de esforço e austeridade exigidos aos portugueses.

Entre as justificações do Primeiro-ministro para sustentar este OE2015 (muitas para justificar o injustificável), entre avanços e recuos fiscais e experimentalismos no equilíbrio das contas públicas, sem a tão famigerada Reforma do Estado (já para não falar na da Segurança Social) este OE2015, politicamente inexistente, esqueceu-se completamente do dia-a-dia de um Portugal real.

Já não bastava a OCDE alertar para uma revisão das previsões apontadas pelo Governo para sustentar o OE2015: aumento do PIB (apenas 0,8%) e diminuição do desemprego (14,1%). Por outro lado, o Conselho Económico Social critica o OE2015 pelo facto de não aliviar a carga fiscal às famílias e às empresas.

Mas o mais grave desta realidade é-nos apresentado pela UNICEF num estudo que avaliou as políticas sociais de 24 países. Aquela Instituição conclui que Portugal é o país que apresenta a maior taxa de pobreza infantil, mesmo depois da atribuição dos apoios sociais. Isto é, ou os mesmo são insuficientes, ou não são abrangentes, ou não são adequados e eficazes. Mas tendo em conta a questão Orçamental do Estado, no mesmo estudo Portugal retoma o lugar inferior na redistribuição dos apoios sociais e dos subsídios familiares em função do PIB, o que demonstra a escassez de políticas sociais em Portugal.

Estas realidades, nuas e cruas, da vida dos portugueses, obviamente, que não cabem numa folha de Excel orçamental.

publicado por mparaujo às 16:31

01
Jun 14

Entre as algazarras, as correrias, os jogos, as visitas a espaços temáticos, os balões e as gomas, os almoços familiares, etc., a verdade é que hoje, 1 de Junho, não é o Dia da Criança.
Erradamente, a abreviação da efeméride cria, no senso comum e na opinião pública, a ilusão e a desvalorização do que verdadeiramente se comemora no dia 1 de Junho: O Dia Internacional dos Direitos da Criança. Algo bem diferente, parece-me…
É bem verdade que o excesso de efemérides, dias internacionais disto e daquilo, das coisas mais importantes às mais aberrantes (sem criar qualquer juízo de valores) tendem a fazer esquecer as realidades do dia-a-dia, dos restantes dias do ano. Mas também importa referir que, apesar do criticável esquecimento da existência, as datas acabam por poder ter, eventualmente, o condão de relembrar essas mesmas existências.
Daí que, neste dia 1 de Junho, importa pensar nisto…
- Em Portugal há cerca de 450 mil crianças (menores 18 anos) em risco de pobreza.
- Em Portugal, registos apenas da Polícia Judiciária, foram investigados 1634 casos de crianças desaparecidas.
- Em Portugal, dados apenas da Polícia Judiciária, foram sinalizados e investigados 1326 casos de abuso sexual de crianças, havendo 49 casos de vítimas de tráfico.
- Em Portugal, mais de 10 mil crianças abandonam a escola antes de terminarem o 9º ano (3º ciclo), situação que terá impacto no surgimento do flagelo do trabalho infantil, face à conjuntura económica e social de muitas famílias.
- Em Portugal, no primeiro trimestre de 2014, registaram-se menos cerca de 40 mil benefícios fiscais às famílias: abono de família.

A Unicef lançou uma campanha de emergência no valor de 2,2 mil milhões de dólares para auxílio a cerca de 59 milhões de crianças.
No mundo, importa recordar: as crianças raptadas na Nigéria ou vítimas de violência na República Centro-Africana, as vítimas de fome extrema e da guerra (como no Sudão ou na Síria), as vítimas de violência sexual como o caso da Índia. Há cerca de 67 milhões de crianças, em todo o mundo, sem qualquer acesso ao ensino.
Hoje… vale a pena pensar nisto: Convenção sobre os Direitos da Criança.

 

publicado por mparaujo às 16:06

08
Mai 14

Começa a ganhar proporções de globalização a campanha nas redes sociais para tentar salvar as alunas recentemente raptadas na Nigéria.

Tal como este exemplo...

Não faz sentido ficar indiferente.

publicado por mparaujo às 17:05

21
Abr 14
A minha fotografia

A ler os outros... Andrea Diegues.

Pela partilha fui dar de caras com este texto e este testemunho (por razões profissionais) da Andrea.

Dei de caras... engoli em seco... contive o nó na garganta... e fiquei em silêncio. E um silêncio que incomoda cá dentro. E muito.

Sim... porque às vezes o silêncio também compromete, também solidariza, também expressa. Mas também incomoda e tira-nos do conforto, desconsola.

Acima de tudo, o Silêncio também Respeita.

E no mínimo, o que se exige é Respeito. Ao menos, isso.

A Ler: O incómodo silêncio...

publicado por mparaujo às 14:08

16
Mar 14

Foram várias a vozes que se insurgiram contra a opção de voto de vários deputados parlamentares (por exemplo, CDS) na votação sobre a especialidade do projecto-lei do PS sobre "Co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo". Isto, obviamente, para além da criticável e condenável posição da bancada social-democrata, salvaguardando as honrosas 15 excepções.

Sobre a votação e todo o processo da co-adopção (que já vem do ano passado) já aqui expressei a minha posição e aqui a minha convicção. Se bem que a "Vergonha Par(a)lamentar" ficou agravada com o desfecho final, na passada sexta-feira.

Mas é curioso que muitos poucos, ou quase ninguém, se referem às abstenções da bancada socialista, independentemente de terem sido apenas duas e de não alterar, na prática, o resultado final. Mas é uma questão de coerência, de solidariedade partidária, ou o que quiserem. Nomeadamente no que respeita à opção de voto (abstenção) da deputada socialista Isabel Oneto.
A incoerência política é de tal forma, a hipocrisia gritante, que a referida deputada da bancada do PS, no próprio dia da votação (sexta-feira) e esperando ansiosamente pelo desaire da votação de um projecto do próprio partido, afirmou a sua intenção de apresentar uma alternativa à co-adopção: um projecto-lei sobre a responsabilidade parental. Mais do que um oportunismo político e uma hipocrisia política condenáveis e criticáveis, o pior da situação é que os fundamentos e os argumentos a que a deputada socialista recorre para sustentar a sua proposta servem precisamente o mesmo propósito do projecto-lei da deputada Isabel Moreira: "a salvaguarda dos direitos das crianças" ou "é prioritário é que haja protecção jurídica para aqueles que têm objectivamente crianças a seu cargo".
Mas há ainda a cereja em cima do bolo. A hipocrisia política e a desvalorização do projecto do seu próprio partido (e da sua colega de bancada) estão bem expressos na forma como a Isabel Oneto se referiu ao projecto-lei da co-adopção: "o debate ficou inquinado com a confusão entre a adopção (que substitui os laços de filiação) e responsabilidade parental, que também assenta em laços de afectividade. Essa confusão não deixou espaço para outras soluções". Mesmo que o debate tenha surgido no ano passado e que tenham sido levados a cabo mais de sete meses de trabalho, discussão, avaliação de peritos, etc.
Enfim... é o que temos, nem sempre o que merecemos.

Continuo a achar que quem perdeu, e muito, foram as crianças.

publicado por mparaujo às 21:44

14
Mar 14

O parlamento chumbou, hoje, o processo legislativo que permitiria a co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo. A proposta na especialidade foi rejeitada por uma maioria (apenas cinco votos de diferença), sendo que da bancada do PSD 15 deputados votaram a favor, não sendo, no entanto, suficiente face à unânime abstenção (um incompreensível “nim”) da bancada do CDS e dois deputados socialistas. No ano passado a proposta do PS, subscrita pela deputada Isabel Moreira, tinha sido aprovado na generalidade e baixado a um grupo de trabalho para apresentação de um projecto na especialidade. Projecto esse hoje chumbado e que inviabilizou ainda a discussão na globalidade.
Pelo meio, ficou o polémico caso do referendo popular a este processo, e que, aliás, o Tribunal Constitucional indeferiu na forma como o mesmo foi formulado e proposto.
É evidente e óbvio que este chumbo é justificado pela obsessão social-democrata na realização do referendo, proposta que deverá regressar à Assembleia da República após as eleições europeias. Aliás, a hipocrisia política da bancada do PSD é tal que se torna claro a falta de coragem na aprovação da proposta do PS, sustentada no receio da perda do eleitorado mais conservador da sociedade no próximo processo eleitoral. Embora o anúncio tenha sido feito, não acredito que esta temática regresse ao Parlamento antes da próxima legislatura.
Lamentavelmente, o país regrediu, recuou décadas socialmente, e logo pela mão (voto) dos que se dizem tão liberais, tão próximos da família (mas qual família) e tão defensores das crianças. Infelizmente… deveria haver mais vida para além da dívida.
Uma questão de valorização dos princípios e direitos fundamentais, da defesa e salvaguarda dos direitos das crianças, dos valores jurídicos essenciais para a promoção de uma sociedade mais justa, fraterna e equitativa, foi transformada, por uma visão e concepção ideológicas de uma (triste) maioria, num autêntico “circo” político-partidário. Uma maioria hipócrita que promove uma sociedade onde se preferem crianças institucionalizadas do que crianças livres, felizes e com família, mesmo que esta seja, legitimamente, diferente.
Já se lixaram as eleições e os portugueses… agora lixam-se as minorias e as crianças.
Importa, por uma questão de justiça, a referência dos 15 deputados do PSD que votaram a favor da proposta socialista: Teresa Leal Coelho, Miguel Frasquilho, Luís Menezes, Francisca Almeida, Nuno Encarnação, Mónica Ferro, Cristóvão Norte, Ana Oliveira, Ângela Guerra, Paula Cardoso, Joana Barata Lopes, Pedro Pinto, Sérgio Azevedo, Odete Silva e Gabriel Goucha.

(créditos da foto: jornal público online)

publicado por mparaujo às 14:49

11
Mar 14

O ano de 2013 registou um aumento de 14% dos casos em que as crianças são alvo de crimes sexuais.

No ano passado a Polícia Judiciária abriu 1227 inquéritos para investigação e acusação de crimes sexuais contra crianças.

Este dado representa mais de metade (cerca de 52%) do total dos crimes de abusos sexuais registados (2372) em 2013.

Facto que merece destaque na capa da edição de hoje do Diário de Notícias.

Vale a pena pensar nisto...

publicado por mparaujo às 16:22

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