Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

30
Jul 18

e à política e ao BE (ou a qualquer outro que seja) também não.

Sobre o "caso" Ricardo Robles e a especulação imobiliária e todo o impacto (e porque não, terremoto) político-partidário, XXX notas.

1. Os factos: Ricardo Robles, então vereador do BE na Câmara Municipal de Lisboa, adquire, em hasta pública, um imóvel em Alfama, pertença da Segurança Social, por 347 mil euros, nas quais realiza obras de requalificação no valor (dizem) de 650 mil euros, colocado, posteriormente, no mercado para venda por um valor estimado nos 5,7 milhões de euros.

2. Catarina Martins e Ricardo Robles afirmaram, no boom público do processo, que o (ex)Vereador do BE na Câmara Municipal de Lisboa não tinha feito nada de errado.

3. O caso tem, obviamente, impacto político no Bloco de Esquerda.

4. Caiu a máscara do populismo demagógico do BE.

5. Ricardo Robles apresenta a sua demissão como Vereador da Câmara Municipal de Lisboa e, segundo algumas notícias, de qualquer cargo político-partidário.

Assim...

De facto, do ponto de vista processual (excluindo eventual confirmação de notícias que afirmam que Ricardo Robles não cumpriu, totalmente, obrigações ficais) não há nada de errado no caso que virou mediatismo viral. Um cidadão, em parceria familiar, adquire uma imóvel, de forma claramente legítima e transparente, recupera-o e, face ao que é o mercado imobiliário, espera vendê-lo realizando mais-valias perfeitamente expectáveis.
Este é um processo natural em qualquer sociedade e para qualquer cidadão investidor. Não é, de forma alguma, notícia... ou se quisermos é uma não notícia.

Mas a realidade é outra. O caso tem contornos do ponto de vista da ética política, com impactos internos e externos no Bloco de Esquerda.
Tudo teria permanecido na perfeita normalidade não fosse Ricardo Robles, por exemplo desde 2016, um dos fortes porta-vozes bloquistas da bandeira ideológica no combate à especulação imobiliária, ao descontrolado aumento do alojamento local, à gentrificação dos centros históricos nas grandes cidades, aos vistos gold e às políticas nacionais para a habitação (deste e de anteriores governos, por exemplo, a tão criticada e condenada política habitacional protagonizada pela então ministra Assunção Cristas, no Governo de Passos Coelho).
E é neste confronto entre o que, publicamente, se afirma como crença político-ideológica e a realidade em que se vive, que Ricardo Robles errou, e errou de forma expressiva e contundente. O que se apregoa não correspondeu ao que se pratica e ao que se faz. Ou como a tentação capitalista foi mais forte que a fé ideológica.
Basta lembrar, deste mês de julho, dois twittes de Ricardo Robles: «Parar os despejos. Mudar a lei, Combater a especulação imobiliária» ou «os lisboetas merecem ser defendidos perante o bullying e a especulação imobiliária. Estamos do lado dos moradores».

O caso especulativo de Ricardo Robles vai muito para além da esfera pessoal ou individual. A bomba gelou o interior do Bloco de Esquerda, por mais que Catarina Martins tenha querido desviar os factos com acusações à imprensa e à direita. Aliás, essa atitude da coordenadora bloquista só veio enfatizar ainda mais a realidade e o caso e foi um claro tiro nos pés político.
Ricardo Robles, em dois ou três dias de forte exposição mediática conseguiu fazer mais pela queda da máscara do populismo bloquista que muitos anos de combate e confronto ideológico com os demais partidos, mesmo o PCP e o PS. De tal forma que são conhecidas as posições públicas de um dos fundadores do BE, Luís Fazenda, ao afirmar que «o Bloco tem que tirar conclusões» deste caso, e da reunião, com carácter de urgência, da Comissão Política do BE.
E não colherá o argumento usado por Luís Fazenda ou referir que «se querem um debate sobre valores, nós faremos esse debate» porque foram precisamente valores ideológicos que o BE sempre defendeu que foram, agora, colocados em causa pela incoerência entre o discurso demagógica e a vivência da realidade.
Imagine-se o que teria sido o rasgar de vestes se o caso tivesse como protagonista alguém dos denominados partidos da direita.
Este processo destruiu, grave e profundamente, um discurso político de um partido que sempre se mostrou colocar-se acima dos ricos, do capitalismo, dos especuladores, do diabolizado mercado, virando, claramente, o feitiço contra o feiticeiro no que respeita às acusações e confrontos da retórica político-partidária. O veneno tantas vezes criticado nos outros partidos foi, desta vez, muito provado e bebido.
Mas mais ainda... internamente este processo abre feridas internas no BE. Parte dos seus militantes, aqueles que na base suportam e valorizam ideologicamente o discurso bloquista sentem-se, obviamente, traídos e desiludidos. Alguns, qui ça, caídos na realidade e de regresso ao "mundo dos vivos".
Todo este caso traz-nos à memória, à esquerda, ao centro ou à direita, (como diria Sérgio Godinho) "uma frase batida", de George Orwell: «Todos os animais são iguais, mas há uns mais iguais que outros» (in Animal Farm, 1945), tão caracterizadora da ideologia do BE e das suas cúpulas directivas.

Depois de tanta tinta corrida, Ricardo Robles apresenta a sua demissão da função de Vereador da Câmara Municipal de Lisboa e, segundo consta, de qualquer cargo político. A questão não está no desfecho final que deveria ter sido assumido, por todas as partes, Robles e BE, desde o início (e teria poupado muitos amargos de boca. A questão é que Ricardo Robles não se demitiu. Foi obrigado a demitir-se... obrigado pela consciência, pela incoerência (mais uma vez) dos argumentos para tentar explicar o inexplicável (os dele e os de Catarina Martins), pela pressão interna do BE (como é óbvio... nem quero imaginar o "espumar" da Mariana Mortágua perante o caso) e pela pressão mediática que o caso provocou na opinião pública.

Se nada tivesse vindo a público, tudo permaneceria na mesma, dentro do mesmo populismo, continuando a mulher de César (o romano) a parecer mas nunca a ser.

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publicado por mparaujo às 22:01

28
Abr 15

Primeiro surgiu o documento estratégico "Uma década para Portugal" sob a bandeira socialista.

Depois surgiu o desmantelar das previsões macroeconómicas do documento do PS e as críticas ao irrealismo das propostas sob os megafones sociais-democratas.

A seguir veio o colar o PS ao centro esquerda, com o afastamento da esquerda, pelo distanciamento do PCP e do BE curiosamente face a uma das bandeiras do documento - a TSU - e pela visão europeísta da sustentação macroeconómica das propostas socialistas.

Estas e outras trocas de galhardetes obrigaram, claramente, o PSD e o CDS a anteciparem o anúncio da coligação, apesar do óbvio, em alguns meses e entrar no jogo pré-eleitoral.

Ao mais que previsível "casamento político", em vez do tradicional arroz ou das tradicionais pétalas de rosa (sem conotação partidária), choveram críticas e "maus-olhados", na maioria dos casos por ciúmes eleitorais e políticos.

Ainda em plena "lua de mel" o PSD pressiona o PS a sustentar, em sede de UTAO, as medidas e as políticas plasmadas no documento estratégico.

Não contente, PS desafia PSD, já que este entrou no jogo pré-eleitoral, a apresentar um programa eleitoral detalhado.

No meu tempo de criança (agora as motivações são outras), de escola primária, a isto nós dizíamos: "a minha pilinha é maior que a tua".

E assim vai o país.

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publicado por mparaujo às 16:36

06
Abr 14

Publicado na edição de hoje, 6 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

O país das incongruências

Há um princípio para mim fundamental na firmação da democracia e na sustentação do exercício da cidadania no espaço público: o da liberdade de opinião e expressão. Acresce, por força da formação, o da liberdade de informação. No entanto, apesar da defesa intransigente deste princípio fundamental, tem-se assistido na sociedade portuguesa, e aqui cabem vários sectores desde a política à economia, passando pela cidadania/responsabilidade social, a um significativo número de afirmações públicas que, entre contradições e incoerências, resultam num questionar permanente desta inabalável “fé” num dos inabaláveis direitos, liberdades e garantias. Se a sabedoria popular, o saber conquistado pela experiência da vida, fosse o mínimo exigível para o exercício de responsabilidades públicas (mesmo que no sector institucional ou privado) muitos teriam a obrigação de não esquecer que, me muitos casos, “o silêncio é de ouro” (e não é apenas nos negócios). A política é terreno fértil nestes desígnios. Basta para tal recordar o que são as matérias e promessas em contexto eleitoral face à realidade futura de quem vence (governa) e mesmo de quem na oposição se confronta com outros contextos. Neste campo não há nada melhor que sustenta a sabedoria popular: “o que hoje é verdade, amanhã é mentira”. Sem excepções. Só a título de exemplos, muito recentes, por questão de memória e de espaço.

À cabeça surge a expressão do líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro, nas vésperas do XXXV Congresso do PSD (fevereiro): “as pessoas estão piores mas o país está muito melhor”. Desde o desfasamento com a realidade que é vivida pelos portugueses no dia-a-dia, até à falta de noção da realidade do próprio país, é espantoso que o principal responsável político pelos parlamentares eleitos pelos cidadãos que votaram no PSD (militantes ou não) não perceba que não existe um país sem pessoas ou que um país não se constrói com números abstractos. Mas Luís Montenegro ainda foi mais longe nas jornadas parlamentares do PSD, em Viseu (25 de março) o social-democrata afirmaou, contrapondo a acusação do PS sobre a eventual “agenda escondida”, que “não é verdade que venham aí mais cortes de salários e pensões, mais cortes de rendimentos”. Ora, um dia antes, Pedro Passos Coelho, na sessão de abertura das mesmas jornadas parlamentares, afirmava que não há alternativa a mais cortes já que “toda a gente sabe que está acordada uma meta orçamental de 2,5% do PIB para 2015”.

Mas é também a oposição fértil nas incoerências discursivas, muitas vezes justificadas mais pelo “ser do contra” do que pela coerência, face à “necessidade” eleitoral. António José Seguro, desde de 2011, que tem tido um registo político centrado na reestruturação da dívida, nas críticas às políticas de austeridade implementadas pelo Governo, nas críticas ao rumo da UE, na perspectiva de falhanço do cumprimento das metas orçamentais. Só que a ausência de medidas concretas e de alternativas capazes acabam por “atraiçoar” Seguro e, de facto, dar razão ao PSD quando, pela voz de Marco António Costa, se reconhece que “caiu a máscara ao PS”. Isto tudo porque afinal António José Seguro acabou por reconhecer que “não será possível repor os níveis salariais, pensões e prestações sociais anteriores a 2011, e recuperar as contas públicas”.

Há ainda um terreno fértil nas incongruências políticas nacionais, curiosamente por parte de quem, pelas responsabilidades supremas, deveria ter o cuidado na coerência discursiva: a actual Presidência da República. Cavaco Silva, a quem, ao fim de quase 20 anos, o país ainda pede explicações pelo que, enquanto Primeiro-ministro, fez ao sector das pescas e da agricultura, veio aconselhar, recentemente (7 de março), “os jovens a experimentarem a agricultura”, defendendo que este é um “sector fundamental para uma mais rápida recuperação da economia nacional”. Ora, não só o sector praticamente desapareceu, como alguém se esqueceu de informar o Presidente da República que segundo informações públicas desta sexta-feira, Portugal tem que devolver a Bruxelas 12,56 milhões de euros de ajudas indevidamente usadas no setor da Agricultura.

Para terminar, apenas mais duas notas. A primeira, na pessoa de Paulo Portas, esse manancial de “irrevogabilidades”. Para justificar mais cortes sociais, neste caso, no Rendimento Social de Inserção (RSI), o vice Primeiro-ministro afirmou que os cortes “só excluíram do RSI quem tinha mais de 100 mil euros no banco”. Ou Portas perdeu o sentido de humor com piadas sem qualquer graça ou é incompreensível, face ao que já foram as restrições implementadas ao acesso a este apoio social, como é que alguém com mais de 100 mil euros numa conta bancária poderia ser beneficiário do RSI. A segunda nota, cabe ao PCP e à sua posição, tanto de extremista como de incoerente, em relação à NATO e, ao caso, às comemorações do 65º aniversário daquela organização. Das palavras de ordem recupera-se o “somos pela Paz”. Só que para o PCP há “paz” e há “paz”, sem conseguir explicar como é que, coerentemente, justificam as recentes acções da Rússia e da Coreia do Norte.

Voltamos ao princípio… na política nem sempre importa falar, divulgar, comentar: “há silêncios que são de ouro”.

publicado por mparaujo às 11:03

14
Mai 10
Com conversas e bolos se enganam os tolos... (nem depois das tristes e inqualificáveis medidas anunciadas se perde o descaramento)

O primeiro-ministro, José Sócrates, defendeu hoje existirem «boas razões para ter confiança na economia e no país».
«Portugal foi um dos primeiros países a sair da condição de recessão técnica depois da eclosão da crise mundial; foi também um dos países que melhor resistiu à crise em toda a Europa e finalmente, Portugal teve este trimestre o maior crescimento da Europa», enfatizou. (fonte: TSF)

SE SOMOS ASSIM TÃO RICOS, TÃO PRÓSPEROS, TÃO EVOLUÍDOS E COMPETITIVOS... PORQUE É QUE ESTAMOS TÃO FALIDOS E NECESSITADOS DE MEDIDAS SOCIAIS TÃO DRÁSTICAS?!!!!
publicado por mparaujo às 17:30

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