Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

17
Out 15

Não tenho nenhum receio do papão governo de esquerda e, felizmente e bem, deixei tudo perfeitamente resolvido com a democracia a 25 de novembro de 75. Não vou por aí.

Entendo que existe toda a legitimidade constitucional para a existência de um governo da coligação PSD-CDS ou de um governo de esquerda.

Tal como afirmo no artigo que virá a público amanhã, 18 de outubro, no Diário de Aveiro, o país vive em suspenso não por uma questão de legalidade constitucional mas por uma questão de legitimidade democrática e política. O que é bem diferente.

Nuno Saraiva - DN.jpgA propósito, o Diário de Notícias traz na sua edição de hoje um excelente artigo do seu subdirector Nuno Saraiva, sob o título "A importância dos formalismos".

E tal como aos formalismos diz respeito é também muito importante que a memória política não se apague, nomeadamente em tempos tão polémicos e controversos.

Pouco menos de um mês antes do dia das eleições legislativas, António Costa procurava conquistar leitorado na ala social-democrata (no sentido lato do termo) descontente com o rumo do actual PSD e com a notória negação (e mau uso) por parte de Passos Coelho do ADN social-democrata do partido. Mesmo que para tal a rama discursiva e política tenha sido o "mau exemplo" de Manuela Ferreira Leite, sabendo-se que a aversão a Pedro Passos Coelho é mais uma questão pessoal e individual do que político-partidária. Mas mesmo assim, António Costa afirmava, em plena campanha eleitoral, por exemplo: "Há identidade entre mim e Manuela Ferreira Leite" (entrevista ao jornal Sol); "Costa não afasta Manuela Ferreira Leite de um Governo PS" (jornal Público). Isto foi bandeira eleitoral em muito spin socialista. Curiosamente nem uma única reacção, volvidos apenas dois meses, sobre o eco que a imprensa dá à afirmação de Manuela Ferreira Leite na TVI24: "O que António Costa está a fazer é um verdadeiro golpe de Estado" (jornal Expresso, como serão também exemplo o jornal Solo Observador ou o jornal I).

publicado por mparaujo às 11:50

18
Set 15

A Fernanda Câncio tem um excelente artigo feminista (sem qualquer sentido pejorativo, antes pelo contrário), hoje, no Diário de Notícias.

Assertivo, pertinente e com uma interrogativa na conclusão mais que lógica.

Uma mulher não chora, mas devia...

Primeiro, porque chorar tem tanto de digno como rir.

Segundo, nem que seja por raiva e indignação.

fernanda cancio - dn opiniao.jpg

(clicar na imagem para aceder ao artigo)

 

publicado por mparaujo às 16:30

27
Jun 15

bloco ecografia.jpgA Fernanda Câncio tem um (ou mais um, conforme os gostos) excelente artigo publicado ontem, no Diário de Notícias, sobre um conjunto de medidas legislativas que irão a debate na Assembleia da República, no dia 3 de julho, relacionados com a actual lei da interrupção voluntária da gravidez (vulgo, "lei do aborto") - "Mintos nada urbanos".

O que tem sido tornado mais relevante e titulado neste processo é a intenção do Governo em obrigar ao pagamento de taxa moderadora no caso do recurso hospitalar à interrupção da gravidez. Isto, por si só, nada tem de clamoroso, nem seria o suficiente para voltarmos a ter os surrealismos e os fanatismo das "Isildas" Pegado deste país. A interrupção da gravidez (aborto) é um acto médico e como tal deve estar sujeito aos normais, legais e habituais procedimentos e regras de qualquer acto hospitalar, seja por vontade própria ou não, existindo ainda a possibilidade do recurso à isenção, dentro do actual quadro legal. Importa não esquecer que qualquer consulta de saúde sexual é já isenta de taxa moderadora.

Isto seria simples, demasiado até, se fosse a realidade... mas a verdade é que há muito mais por trás da taxa moderadora e para além da taxa moderadora. Por exemplo, como refere o artigo da f., a observação, por parte da mulher, da ecografia e a sua assinatura (tipo, confirmação do "crime"), ao jeito dos maços de tabaco "o tabaco matar"; o não haver direito a qualquer tipo de subsídio (por exemplo, em caso de "baixa médica"); a presença imprescindível de um médico "objector de consciência" (anti-aborto) nas consultas (colocando em causa toda a deontologia e ética de qualquer outro médico); a obrigatoriedade da auscultação do "progenitor" (seria surreal no caso de abuso sexual); ou a opção de uma menor de 16 anos poder levar a gravidez até ao fim (ai a pressão do fundamentalismo religioso espanhol).

O que está aqui em causa não são meros pormenores processuais ou simples procedimentos legais. O que está em causa, para Isilda Pegado e as cerca de 37999 assinaturas subscritores da iniciativa "direito a nascer", é o alimentar da obsessão, do fanatismo, do querer a condenação "à força" e imposta do acto praticado, mesmo que a lei tenha já as suas barreiras e limites. É o querer tentar conseguir levar "avante" o que não conseguiram confrontados com a vontade livremente expressa dos cidadãos no referendo que levou à actual legislação sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez. É querer por subterfúgios legais o que não conseguiram pela argumentação.

E é, acima de tudo, o querer falsear a realidade e mentir sobre os factos. Quando foi legalizada a Interrupção Voluntária da Gravidez, Isilda Pegado e os seus "seguidores" bradaram a todos os ventos que o que estaria em causa era a "liberalização da morte" e que iria disparar o número de abortos dada a permissão do acto como quem vai ao supermercado ou o café do bairro. Percebe-se que custa muito o assumir a realidade, os factos/dados e o erro de abordagem: segundo os dados da Direcção-geral de Saúde, 2014 registou o número mais baixo de abortos, desde 2007 (data da entrada em vigor da actual legislação) - 16.589, menos 1692 que no ano de 2013. Ao todo, em sete anos (desde 2007) registaram-se cerca de 133 mil interrupções da gravidez (o que dá uma média de 19 mil actos clínicos, muito abaixo dos 40 mil anuais previstos pela Isilda Pegado). Importa ainda referir que apenas cerca de 20% deste valor se refere a "reincidências" , as tais leviandades para o movimento "direito a nascer" (entre 70 a 80% dos casos referem-se a mulheres que interromperam, pela primeira vez, a sua gravidez).

Por último, o que é mais repugnante não é esta obsessão de Isilda Pegado (já estamos mais que vacinados), mas sim o aproveitamento político e eleitoralista do do tema por parte do PSD e do CDS, não pela problemática em si, pela questão da consciência moral e da ética, mas sim pela ânsia do amealhar dos votos para outubro. Lamentavelmente... não é "bandeira eleitoral" que deva ser usada.

Isto é, dada a impossibilidade de crime e prisão das mulheres e dos médicos, um verdadeiro "crime psicológico". Pena que PSD e CDS embarquem na causa...

 

publicado por mparaujo às 11:26

29
Mai 15

f cancio - dn 29 de maio.jpgO artigo/crónica da Fernanda Câncio, publicado na edição de hoje do Diário de Notícias, merece uma reflexão mais cuidada e atenta.

A Fernanda já escreveu artigos muito mais interessantes (e soberbos), outros nem por isso. Já escreveu artigos (a maior parte) com os quais eu concordo (em grau, género e número), alguns dos quais foram “referência” para artigos meus no Diário de Aveiro, e já escreveu outros (poucos mas alguns) com os quais só me apetecia gritar com ela (o que era infrutífero porque ela não me liga nenhuma). Assim... o texto de hoje é diferente em quê e porquê? Por várias razões, intrínsecas e extrínsecas (assim mesmo, com léxico “rococó” porque o momento o exige).

É certo que a Fernanda Câncio já foi, por várias vezes, motivo de “A ler os outros…”. Por uma razão de declaração de interesses importa dizer que tenho a Fernanda Câncio (e ela sabe-o) como um referência profissional e em outros âmbitos (curisoamente, menos o político-partidário). Não é segredo nenhum; como não o é, felizmente, que o mundo me vai dando outras e boas referências, nos mais distintos âmbitos e universos. Mal de nós quando nos julgamos superiores a tudo e a todos e não cuidamos de ter as “nossas referências de vida”.

Lamechices à parte…

  1. O texto, de hoje, da Fernanda Câncio, tem a particularidade de dar uma “lição de moral política”, com toda a legitimidade e autoridade, para aqueles que acham que fazer política é apenas enveredar pelo carneirismo cego ou apenas a motivação do “deitar abaixo e criticar por criticar”. A consciência e liberdade políticas, a coerência e a racionalidade, o equilíbrio e a justiça, fazem-se e possuem-se tendo a capacidade para saber reconhecer os aspectos positivos e negativos da actuação política alheia, independentemente do lado da “barricada”. O reconhecimento do mérito alheio não é sinal de fraqueza, anste pelo contrário... é sinal de personalidade, de coerência, de dignidade. Se a ministra das Finanças tem razão, qual o constrangimento ou o demérito políticos em reconhecê-lo? Tomara que isso servisse para muito partido e político reflectirem. Principalmente, nesta fase de pré-campanha eleitoral, onde se usa (e abusa) a questão das reformas apenas como arma do confronto político, na maior parte dos casos, sem consistência nenhuma, sem factualidade e com inúmeras contradições e indefinições.
  2. Mas não só… para aqueles que, por inveja, por complexo de inferioridade, por desdém, gostam, tantas e tantas vezes, de criticar o profissionalismo da Fernanda Câncio (embora isso seja para o lado que ela dorme melhor) têm aqui a prova, a mais que confirmação, de que o rigor, a verdade, a transparência, mesmo acima da isenção, são a marca jornalística da Fernanda, por mais vorazes (ou assertivas) que sejam as suas palavras. Falem agora de “tendenciosa”, de “esquerdalha” e outros adjectivos (uiiii, havia tantos) já tantas vezes proferidos... Esta é a prova que, no jornalismo, é possível ser-se rigoroso, verdadeiro, claro, objectivo, sem ter a necessidade de se recorrer ao "chavão" da isenção e imparcialidade. Antes pelo contrário.
  3. O artigo/crónica em si tem ainda outra particularidade. E nisso a Fernanda foi exemplar. Num “artigo de opinião” ou “crónica” (importa referir que ambos são géneros jornalísticos) onde o factor opinativo, pessoal, crítico, é predominante, é interessante conseguir descortinar a inúmera informação divulgada pelos factos, números e questões que a Fernanda levantou e posicionou antes do seu remate final. Afinal, para os incrédulos e "velhos do restelo", é possível opinar e informar/noticiar ao mesmo tempo. Embrulhem.

Aprendam que ela ainda dura, embora não seja para sempre (como tudo nesta vida).

publicado por mparaujo às 14:46

04
Jan 14

A “polémica” tem a data do dia 20 de Dezembro de 2013. Polémica gerada mais pelos comentários, pela diversidade dos comentários, pelo aversão, pelo mau estar e pela estupefacção que a situação gerou, do que pelo acontecimento em si. Os factos (e não só)…
A jornalista Rita Marrafa de Carvalho, no dia 20 de dezembro (sendo este um período de férias escolares) ia levar a sua filha de 7 anos de idade para um ATL da RTP quando foi destacada para a cobertura da chegada da Ministra da Justiça, Paula Teixeira, ao Palácio de Belém, com os indultos para serem despachados pelo Presidente da República. Morando a cerca de 100 metros do local, evitando o constrangimento de ter de fazer cerca de 28 km (acrescido do transtorno do tempo de deslocação), não tendo com quem deixar, mesmo que temporariamente, a sua filha, decidiu ir a pé com ela, até à residência oficial da Presidência da República. Ao chegar lá foi confrontada pelos serviços de segurança com o facto de não poder entrar com a filha. Nos vinte minutos que durou a cobertura noticiosa, a Mariana ficou à responsabilidade de um agente da PSP que se dispôs a tomar conta da criança. Até aqui nada de especial não fora o facto da Rita Marrafa ter sentido, com toda a legitimidade, algum constrangimento e revolta pela posição da Presidência da República. Isto quando é sabido que em datas “solenes” o Palácio de Belém é “assaltado” por centenas de visitantes e ranchos folclóricos. Mas claro, a pequena Mariana (7 anos) seria um grave problema de segurança de Estado ou de “limpeza dos tapetes” de Belém, ou ainda, quem sabe, seria portadora de algum cartaz menos próprio para mostrar perante as câmaras (e não se pode perturbar o sossego do Sr. Presidente Cavaco Silva). No seguimento da polémica houve a exposição de casos em que foi permitida a entrada de crianças a acompanhar pais jornalistas. Enfim, critérios…
Apesar dos factos terem acontecido em contexto profissional, a realidade é inteiramente pessoal e familiar, numa conflitualidade de mãe-profissional que a sociedade ainda não consegue, infelizmente, clarificar, promover e apoiar. Seja mãe ou pai… quem nunca em criança passou horas a fio nos locais de trabalhos dos seus pais, ou quem nunca levou por alguns momentos os filhos para o seu local de trabalho (seja ele qual for)? Aliás, sobre esta realidade das mães e pais e a profissão, é importante recordar a acção da eurodeputada italiana Licia Runzulli ao levar, durante vários anos, a sua filha para o Parlamento Europeu.
Com toda a legitimidade de um Estado de direito, democrático e constitucional, a Rita Marrafa de Carvalho sentiu-se no direito de expressar o seu descontentamento, de forma muito simples, pela situação gerada, num espaço que é seu, pessoal, particular, mesmo que público e de acesso “aberto” (numa das suas duas páginas do facebook). Nada que qualquer cidadão não o faça, usando o direito fundamental da liberdade de expressão e de opinião. Para além disso, esta questão de que os jornalistas têm que assumir a sua profissão 24 horas por dia, 365 dias por ano, independentemente de se encontrar ou não em serviço, é de uma visão tão primitiva e redutora daquilo que é a realidade pessoal, a vida de cada um, a particularidade do ser humano, o seu universos individual, fora do seu contexto e da sua profissão.
Só que, desta feita, começaram a surgir os primeiros “confrontos” de opiniões. Mas mesmo assim, nada que não seja natural quando expomos a nossa opinião e a assumimos publicamente. A pluralidade de opiniões só favorece o sentido crítico e o confronto de ideias. Só que, nestas coisas há sempre um mas… E o “mas” surgiu quando a simples e legitima opinião contrário deu origem ao mais surreal, incrédulo e ofensivo comentário de um “famoso” jornalista/operador de câmara português residente nos Estados Unidos (Mário Rui de Carvalho), numa partilha feita pela jornalista Joana Latino (tal como muitas outras partilhas de que quis dar o seu apoio à Rita Marrafa).
Quatro notas: 1. O comentário é de um chauvinismo inqualificável, de um sexismo deplorável e de uma visão machista sobre a sociedade e o exercício laboral; 2. O Sr. não tem a mínima noção da realidade laboral em Portugal, seja qual for a profissão. E não o sabendo deveria ter-se inteirado antes de comentar, já que a realidade laboral portuguesa e norte-americana não são comparáveis; 3. É qualquer coisa surreal, ridícula, sem qualquer sentido, a observação sobre um eventual processo disciplinar a instaurar pela RTP à Rita Marrafa de Carvalho; 4. O facto do Sr. Mário Rui ser um famoso operador de imagem, com vários prémios nos estados Unidos, com inúmeras reportagens de guerra, não lhe dá o mínimo direito de dar lições de moral e de escolhas profissionais sobre algo que não tem a ver com o jornalismo, mas sim com a vida pessoal e familiar de uma jornalista (que são coisas diferentes).
A polémica tinha sido “enterrada” com o Ano Novo e permanecido nos anais de 2013 da vida pessoal da Rita Marrafa, quando inesperadamente é reacendido o tema de uma forma completamente atípica, sobrenatural e inqualificável. Eis que hoje, a coluna do Provedor do jornal Diário de Notícias é preenchida, com a assinatura do Provedor do Leitor, com a repescagem da controvérsia, sob o título “Três significativos episódios da sobranceria de arrivistas e da deplorável falta de chá”. E esta foi pior a emenda que o soneto. Isto ultrapassa todos os limites do bom-senso, do aceitável, do ético e da deontologia. Aliás algo tão assumido pelo Sr. Provedor do Leitor do DN, que acaba por se “virar o feitiço contra o feiticeiro”. De forma telegráfica porque a única coisa que me merece é o respeito, a defesa, a consideração e a admiração pela Rita Marrafa de Carvalho.
1. É condenável (muito mais que criticável) que Óscar Mascarenhas use a sua qualidade de Provedor do Leitor do DN, aquela coluna específica e com especificidades concretas e particulares, para criticar um profissional que não pertence ao Diário de Notícias. Muito menos sem qualquer solicitação por parte dos leitores. Não seria igualmente aceitável que o Provedor do Leitor do Público, do Telespectador ou do Ouvinte da RTP, viessem tecer considerações sobre o Provedor do Leitor do Diário de Notícias.
2. Nada do que aconteceu tem qualquer relevância do ponto de vista jornalístico. Apenas uma situação pessoal, privada e familiar (mesmo que em contexto profissional). A situação é ainda mais criticável quando o Provedor do Leitor do DN recorre a factos da vida privada e pessoal da jornalista Rita Marrafa de Carvalho (posts colocados nas suas páginas do facebook) para tecer as suas considerações.
3. É curioso que quem fala de ética, deontologia e lealdade nem se atreve, numa única linha do texto, a proferir o nome da Rita Marrafa. Mais ainda, para um Provedor do Leitor (já nem me refiro à sua condição de jornalista e de professor universitário) é de uma baixeza e de uma falta de carácter que se tenha refira à Rita Marrafa como: “certa famosa jornalista de televisão”; “a madame jornalista”; “em defesa da vedeta de televisão incomodada em Belém”; “a mesma jornalista e um pedante e decadente humorista televisivo”; “a vedeta televisiva”; “a distinta jornalista televisiva” (sendo óbvio o sentido pejorativo de ‘distinta’).
4. Por último, “o feitiço contra o feiticeiro”. O Provedor do Leitor do DN não tem qualquer moral, ética ou legitimidade para proferir tais “discursos”. E muito menos tem o direito de reclamar, nos outros, a falta de chá (que não deve ter tomada em pequenino). Para além de ter usado, em anteriores textos, termos como “paulada nos jornalistas” ou condenado a liberdade de expressão de cidadãos (que são, profissionalmente, jornalista), de igual forma como o fez hoje, é bom recordar (já que gosta tanto de redes sociais) a pressão que exerceu num grupo do facebook (jornalistas) para “silenciar” a polémica em torno da “mala da Pepa”, só porque a pessoa em causa era amiga da filha, só demonstra a qualidade moral, ética, deontológica e profissional do actual Provedor do Leitor do DN. (informação prestada pelo jornalista João de Sousa).
A Rita Marrafa de Carvalho devo este desfilar de caracteres como forma de expressar a minha solidariedade, consideração, admiração e respeito.
Bem como para com todos os camaradas (apesar do não exercício profissional porque a vida assim não o permitiu ou não o quis, e as incompatibilidades legais não deixam) que, por força das circunstâncias da vida, têm de levar os filhos para as suas actividades profissionais (e não são assim tão poucos quanto isso, como foi demonstrado). Aliás, não só em relação aos jornalistas, mas a todos os que trabalham e, pelos mais diversificados contextos, passam pelas mesmas preocupações (infelizmente a sociedade não cuida destes pormenores, nem a escola pública, nem o Estado, nem todos têm avós à “mão de semear”).
Ainda uma nota para a Joana Latino que "encarnou" a situação da Rita Marrafa como ninguém.

publicado por mparaujo às 23:14

20
Nov 13

Publicado na edição de hoje, 20 de novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Do salário mínimo… mas não só

A controvérsia política voltou às páginas dos jornais e às televisões pelas declarações do professor de economia da Universidade Católica, João César das Neves em entrevista ao Diário de Notícias/TSF, onde abordou três áreas fundamentais no actual panorama nacional: demografia, corporativismo e situação económica nacional.

Em relação à primeira, a fundamentação que utiliza de que a demografia (com alarmantes quebras na natalidade, envelhecimento do país e um valor considerável na emigração) é uma questão cultural e não deriva das dificuldades económicas é de uma falta de realismo inqualificável. A maioria das famílias portuguesas não tem filhos, ou mais filhos, pelas dificuldades financeiras que atravessam, pela instabilidade laboral, pela falta de emprego ou pelo desemprego, pela necessidade de emigrarem. Chamar a isto uma razão cultural é, obviamente, uma ofensa às famílias, aos jovens casais, àqueles que “atrasam” no tempo a eventual opção de casarem pelas dificuldades da vida. Além disso, afirmar que a emigração pode ser boa para o país é de bradar aos céus. O país formou cidadãos altamente (bem) qualificados, à custa de um considerável esforço financeiro na sua formação, e que agora “deixa” partir e “empurra” para o estrangeiro, não por falta de empregos qualificados mas sim porque o país não tem tido capacidade de criar empregos (simplesmente). Ainda na entrevista, João César das Neves volta a “dar voz” ao papel que o Tribunal Constitucional tem desempenhado nesta legislatura, qualificando-o de político em vez de jurídico. Qualquer acção jurídica do Tribunal Constitucional, pela sua natureza, constituição e missão, tem impactos políticos. E os portugueses só têm de agradecer, apesar de todo o esforço que já lhes foi exigido, o facto de existir (e funcionar) o Tribunal Constitucional.

Mas a maior polémica da entrevista residiu nas afirmações de João César das Neves de que “subir o salário mínimo é a melhor maneira de estragar a vida aos pobres” e de que “a maioria dos pensionistas está a fingir que são pobres”. A primeira afirmação é uma das discussões actuais no sector económico académico: um aumento do valor do salário mínimo implicaria um esforço acrescido para quem emprega com eventuais impactos na taxa de desemprego, impedindo novos empregos (alguns países europeus não têm salário mínimo estabelecido ou tabelado). Há, neste âmbito, quem tenha convicções opostas e teorias diferentes, e, portanto, a posição de César das Neves é legítima. No entanto, há outra análise sobre a qual importa reflectir: não há provas da relação directa entre salário mínimo e desemprego; há um importante factor de justiça e equidade; e há, acima de tudo e fundamentalmente, uma questão de dignidade humana e social, fundamentada na valorização do valor do trabalho. Por outro lado, apesar dos recentes dados apontarem para uma desaceleração ou estagnação da taxa de desemprego, os valores (para além das leituras dos impactos da emigração, das sazonalidades) estarão desfasados do número real do desemprego, acrescido pelos dados divulgadas, esta segunda-feira, pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) que indicam um aumento de número de inscritos nos Centros de Emprego, nos meses de Setembro e Outubro (cerca de 80 mil inscritos, mais 4,7% que no ano anterior). Ao contrário do que César das Neves afirma, há cada vez mais pobres e desempregados pobres em Portugal. Outra das afirmações polémicas de João César das Neves é a insensibilidade social e a falta de respeito (principalmente para quem se assume tão “extrema e devotamente” católico) pela maioria dos que trabalharam uma vida inteira, se sacrificaram, contribuíram para o Estado Social, pagaram os seus impostos, e vêem o fruto de todo esse esforço ser “expropriado”, cortado, diminuído, ano após ano, orçamento após orçamento. Generalizar reformas elevadas, milionárias, “pornograficamente” excessivas, com a maioria dos pensionistas e reformados (cerca de 70%) que recebem pensões abaixo dos 1500 euros e ainda têm de ajudar os filhos desempregados ou os estudos dos netos (cada vez em maior número de casos) é, acima de tudo, indigno e revoltante.

Há, por fim e no entanto, uma afirmação de César das Neves que merece especial atenção. Existe no país, face ao desespero de muitos dos portugueses e das famílias, quem se aproveite da pobreza e das carências dos outros: são as falsas ofertas de emprego; a exploração laboral; os falsos peditórios; as instituições de solidariedade social “fantasmas” e as respectivas campanhas; os falsos agentes bancários, judicias, da segurança social, que burlam os idosos, principalmente nas regiões do interior. Aqui sim… infelizmente, César das Neves tem razão (e “obriga-me” a dar-lhe razão. Logo eu que nem gosto nada dele).

publicado por mparaujo às 10:39

01
Nov 13

A ler o artigo de hoje, 1 de novembro, da Fernanda Câncio no Diário de Notícias ("Carrilho trágico")...
Deixando, e muitíssimo bem, a fofoquice, os aspectos da vida privada e da devassa da vida alheia, a banalidade e a miséria de "espírito" que assola protagonista, jornalista e leitores, fica o registo de mais um excelente artigo sob a perspectiva jornalística e profissional. Algo que Ferreira Fernandes també tinha aflorado (noutra perspectiva) em "Perguntas abertas a Manuel Maria Carrilho".

Excelente recado às redacções e editores, e excelente case study para cursos/cadeiras de Jornalismo. Por exemplo: "ética e deontologia / direito da comunicação" - "teorias da comunicação" ou "comunicação e sociedade"... etc.


Tudo o resto não interessa e cheira mal...

publicado por mparaujo às 16:14

04
Jun 13

Os portugueses estão a partir de hoje, 4 de junho, "libertos" de impostos, depois de terem trabalhado mais de cinco meses para pagarem ao Estado as suas obrigações fiscais, sendo o salário recebido daqui para a frente o seu verdadeiro rendimento líquido. Obrigações fiscais referentes aos rendimentos sobre o trabalho, já que não são contemplados outros impostos como, por exemplo, o IMI.

No entanto este dia da LIBERDADE FISCAL, tem vindo, progressivamente a aumentar. Em 2011, os portugueses tiveram de trabalhar até 29 de maio para cumprir as suas obrigações fiscais e, em 2012, até 03 de junho, dia a partir da qual o rendimento ganho já é para encaixe próprio e não para o Estado.

(fonte: Diário de Notícias Economia)

publicado por mparaujo às 09:46

23
Fev 13

Artigo da Fernanda Câncio publicado na edição de ontem do Diário de Notícias: "Não ser Relvas".

E se dúvidas houvesse quanto às qualidades, capacidades e profissionalismo da Fernanda Câncio elas dissipam-se aqui.

Posso até nem concordar com tudo o que defende e escreve (mesmo que a discordância seja rara). Mas este texto está simplesmente... SOBERBO.
E a propósito do que sairá na edição de amanhã, 24 fevereiro, no Diário de Aveiro, sob o título: "Saber Ouvir..."

publicado por mparaujo às 16:37

29
Jan 12
Este texto do Pedro Marques Lopes - "A autárquica aldrabice", publicado na edição de hoje, 29.01.2012, do Diário de Notícias, está simplesmente soberbo (aliás como é seu apanágio, fazendo uso da sua "democritica" independência).
O texto está relacionado com a temática da reforma da Administração Local, mais propriamente sobre as recentes declarações do ministro Miguel Relvas a propósito da limitação de mandatos autárquicos.

Tal como o fiz na edição da passada quarta-feira, no Diário de Aveiro, e transcrito aqui, em: "Dar com uma mão..." (não tão bem, claro).
publicado por mparaujo às 22:13

20
Nov 11
Posso não concordar num ou outro aspecto, ou melhor, podem faltar outro tipo de argumentos igualmente válidos neste excelente texto de Paulo Baldaia, director da TSF - "Porca miséria", na edição de hoje do Diário de Notícias.
De facto, assim vai a nossa justiça... é o caso Duarte Lima, Face Oculta, Isaltino Morais, o desaparecimento de muitos "Ruis Pedros", a Casa Pia, o BPN, Fátima Felgueiras, etc., etc. ...

(excertos)


Penso que ninguém tem dúvidas de que é a Democracia que é posta em causa quando não há justiça. Perder soberania para os funcionários de 7.ª linha da troika é coisa pouca comparada com esta prepotência de uns quantos senhores da justiça em relação a todos os portugueses.  
publicado por mparaujo às 16:10

16
Out 11
publicado por mparaujo às 20:57

15
Out 11
Antecipando o meu artigo de opinião para a edição de amanhã do Diário de Aveiro, oportunidade para ler com interesse e atenção, com uma reflexão muito clara sobre "murro" no estômago que os portugueses levaram na passada quinta-feira, ao jantar.

A "Actualidade em três tempos" do director do Diário de Notícias, João Marcelino.

e

"Rasgar o contrato de confiança", do jornalista Nuno Saraiva, também do Diário de Notícias.
publicado por mparaujo às 23:15

25
Set 11
A propósito do post anterior, com referência muito ligeira ao debate parlamentar sobre o enriquecimento ilícito, nada melhor que uma leitura atenta a este interessante artigo de opinião do Director do Diário de Notícias, João Marcelino, na edição de 24.09.2011.

O enriquecimento ilícito
publicado por mparaujo às 01:39

07
Ago 11
A esta notícia do Diário de Notícias falta rigor jornalístico.

Porque não dizer que das 447 apenas cerca de 16% são "boys"?
Porque não comparar o número de nomeações comas do anterior governo?
Porque não comparar o número de boy socialista no anterior governo e empresas públicas?

Isso seria muito mais isento e rigoroso!
publicado por mparaujo às 18:14

03
Mar 11
Nem sempre reparo nos artigos de opinião de Ferreira Fernandes no Diário de Notícias (embora leia regularmente o jornal).
E quando reparo nos seus artigos, nem sempre estou de acordo com as suas fundamentações, temáticas ou conteúdos.
No entanto, o "Um ponto é tudo" publicado hoje (3.03.2011) sob o título de "Obrigadinho pela vergonha" é um daqueles textos que, depois de lido e repensado, eu gostaria de ter escrito.
Um texto ao qual a sabedoria popular adjectivaria de "curto e grosso".
No fundo... brutal e espectacular.
publicado por mparaujo às 22:57

05
Dez 10
Entre o estilo e a oportunidade do Orçamento de Estado para 2011, a posição açoriana e o mundial de futebol de 2018 entregue à Rússia (felizmente para nós).

publicado por mparaujo às 17:51

06
Set 10
ou se quisermos... mais um passo para o abismo!
Há expressões tradicionais, regionalismo, ditos populares, que, face aos acontecimentos recentes, se tornam realidades linguísticas muito pertinentes: "quem quer ser respeitado, deve respeitar"; "os actos (ou as palavras) ficam com quem os pratica"; "sacudir a água do capote"; "lágrimas de crocodilo"; ... e por aí fora.

Mas acima de tudo quando queremos ser credíveis, quando queremos que acreditem na nossa sinceridade ou na nossa causa, as palavras que proferimos e os actos que praticamos têm um impacto extremamente significativo nas pessoas (nos outros).
Podemos fazer muitas conferências de imprensa, revelar o que consideramos a verdade (pelo menos a nossa), mas tudo se manifesta e acaba por ruir quando a argumentação ou fundamentação que usamos apenas se baseia na delação, no denegrir a personalidade alheia, na banal acusação.

Tal como aconteceu na sexta-feira passada, ainda antes da sentença ser conhecida, o cidadão Carlos Cruz expressava-se, desta forma, em relação a uma das vítimas e testemunhas do processo, precisamente a que o acusou:

É claro que isto não passa de mais uma 'acabala' jornalística da mediatização do caso que não é da Casa Pia, mas sim de Carlos Cruz... malditos jornalistas e comunicação social.
publicado por mparaujo às 22:17

05
Set 10
É de uma pertinência deveras interessante a visão que o Director do Diário de Notícias, João Marcelino, tem, na sua crónica Canal Livre, sobre a conclusão do Processo Casa Pia e das reacções finais dos acusados e seus advogados.
Transcrevo, com a devida vénia, a conclusão final do artigo de opinião de João Marcelino, publicado na edição de ontem, 4 de Setembro de 2010.
"Só escrevi esta crónica sobre um tema longínquo, no tempo e no espaço, porque depois de seguir as transmissões televisivas em directo da leitura da sentença do chamado caso Casa Pia não fui capaz de deixar de responder ao repto de um mediático advogado que vi berrar aos jornalistas sobre a falta de qualidade da justiça, dos juízes que a fazem, e do jornalismo que a não escrutina de forma devida. Espero que o senhor advogado admita que erros há muitos, vítimas sempre, criminosos assumidos é que quase nunca..."
publicado por mparaujo às 12:25

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