Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

29
Nov 17

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(crédito da foto: Getty)

Basta percorrer a página portuguesa da Aministia Internacional (deveria ser um hábito para todos) para percebermos que o Mundo tem permanentes conflitos que condicionam, atropelam e ofendem os mais básico, elementares e fundamentais Direitos Humanos. Conflitos que, infelizmente, passam longe dos holofotes do mediatismo, passam longe da "nossa porta", mas que merecem especial e cuidada atenção e acção: o desrespeito pela dignidade da vida humana (Farid al-Atrash e Issa Amro, colonatos israelitas; ou "eu acolho", crise dos refugiados); os presos políticos e/ou de consciência e a liberdade de opinião e expressão (Clovis Razafimalala - floresta Madagáscar; Tep Vanny - Camboja; Taner Kılıç - Turquia); as exclusões e crimes étnicos (Taibeh - deportação da Noruega para o Afeganistão; população rohingya em Myanamar/Birmânia); ataque à liberdade de informação (Shawkan - Egipto; jornalistas na Turquia), entre muitos outros casos (apenas exemplificados aqui através de algumas das petições abertas).

Acresce aos exemplos referidos a promoção aqui assumida do projecto da jornalista da TVI, Alexandra Borges (Filhos do Coração) contra a mercantilização e tráfico de crianças no Gana.

Poderíamos ainda referenciar a proliferação dos atentados sob a bandeira do Estado Islâmico, muito para lá dos olhares da velha e agastada Europa.

Mas é mais simples, mais cómodo, menos inquietante, mais volátil, entretermo-nos com a possível deslocalização a norte dos medicamentos; com os 200 € per capita pagos nas conferências governativas; na diabolização do eucalipto ou nas rendas energéticas; no irrisório aumento do IRC acima dos trinta milhões de lucros; ou na palavra dada, palavra desonrada do Governo (e já não entro no futebol porque é promessa pessoal, a bem da sanidade mental, riscar a modalidade do vocabulário público). E não somos capazes de uma simples e mera posição político-administrativa de isentar o pagamento do IMI a quem viu desaparecer o património que tinha (habitação ou empresa) por culpa do fogo e da incapacidade de resposta do Estado.

Ou seja... é demasiado fácil desviar as atenções, criar ruído sobre o essencial: a defesa da vida, das liberdades e garantias mais elementares para a digna existência de qualquer cidadão.

É, por isso, gritantemente preocupante, abjecto, deplorável que, em pleno século vinte e um, na recta final de 2017, haja seres humanos escravizados e mercantilizados por 330 euros (um cêntimo que fosse seria condenável). Não bastava milhares de pessoas que ao fugirem da morte em países como o Senegal, Mali, Costa do Marfim, Nigéria, Níger ou Gâmbia (entre outros tantos em África) encontram o inferno da escravatura na Líbia.

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 (manifestação na Suécia... crédito da foto: Getty)

publicado por mparaujo às 20:29

09
Nov 17

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A solidariedade e a defesa dos direitos fundamentais e da dignidade humana de qualquer cidadão, por razões acrescidas quando se trata de crianças, não deve conhecer fronteiras nem distâncias.

No Gana, bem no coração dessa África esquecida e explorada, os pais vendem os seus filhos por menos de 30 euros a traficantes que os revendem aos pescadores do Lago Volta. Estas crianças são obrigadas a trabalhar 14 horas por dia, 7 dias por semana, a troco de um único prato de mandioca. Há, naquele país da África ocidental, 240 mil crianças vítimas de trabalhos forçados e 6,3 milhões de crianças nunca entraram numa sala de aula.

Está nas mãos de todos nós, os que podemos, não ficar indiferentes e tomarmos uma atitude, por mais singular e singela que seja.

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Há dez anos (em 2007), a jornalista Alexandra Borges foi ao Gana para realizar uma reportagem sobre violação dos direitos humanos. A reportagem e a experiência pessoalmente vivida transformar-se-ia na sua missão pessoal, no seu objectivo de vida. Resgatar o maior número que pudesse de crianças (começaram por ser três) daquele verdadeiro flagelo humano e proporcionar-lhes uma esperança e um futuro, a começar pela sua educação e formação.

Hoje, o centro de resgate, acolhimento e formação, em Kumassi (Gana), numa parceria entre a associação que fundou (Filhos do Coração) e a congénere americana Touch a Life kids, conta já com cerca de uma centena de crianças que voltaram a poder sorrir e viver.

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Como a Alexandra Borges afirma não é só o tráfico de crianças é também a "indiferença que mata as crianças no Gana".

Apesar de cada ano ter 365 dias e o sofrimento das crianças ser permanente a época natalícia é sempre propícia à solidariedade e é uma época em que os alertas e as denúncias e o activismo pelos direitos humanos tem mais dimensão e impacto.

É, por isso, uma oportunidade para podermos ajudar a resgatar sorrisos e vidas.

Neste Natal, no Corte Inglês, na Staples, no Pingo Doce ou online no site da organização (www.filhosdocoracao.org) podemos ajudar a educar e a formar estas crianças resgatadas comprando e oferecendo a agenda solidária "Smile" (preço unitário: 10 euros).

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 As reportagens da jornalista Alexandra Borges, TVI.

publicado por mparaujo às 22:00

30
Dez 15

Piropos.jpgpublicado na edição de hoje, 30 de dezembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Oh Boaaaa…

A Assembleia da República aprovou uma alteração legislativa ao Código Penal que introduz o assédio sexual na moldura penal como crime, acrescentando ao comportamento indesejado de natureza sexual não-verbal ou físico a forma verbal. Neste sentido, o artigo 170º do Código Penal incorpora a “importunação sexual verbal”, vulgos piropos na gíria portuguesa, como crime punível até três anos de prisão, dando expressão jurídica a parte da Convenção de Istambul de 2011 que prevê um conjunto de propostas de combate à violência contra as mulheres e a violência doméstica. A proposta surge pela mão do PSD com clara e abrangente concordância dos diversos grupos parlamentares.

Numa primeira reacção a aprovação da alteração ao Código Penal poderá afigurar-se como não prioritária, como secundária, face a outros tantos problemas e assuntos que assolam a conjuntura política e social do momento. Isto se quisermos esquecer que esta aprovação recente da Assembleia da República é o reflexo duma iniciativa legislativa do BE apresentada em Agosto e que caiu na especialidade. Mas bastou, na segunda-feira, percorrer as redes sociais para percebermos, claramente, a pertinência da alteração penal aprovada. Vou me escusar dos pormenores legislativos, realçando apenas o facto da alteração prever agravamento (a pena de três anos) quando em causa estiverem menores de 14 anos. E isto não é um pormenor. Nem sequer fará sentido estar aqui a discutir provas, decisões dos tribunais, etc. O que importa focar é que, infelizmente, o país que adjectivamos como “paraíso político e social”, um país sem grande conflitualidade social e com manifesta segurança nas ruas, um país pobre mas alegrete, permanece, em pleno séc. XXI, no mais retrógrado desenvolvimento social, civilizacional e cultural. Infelizmente, para se mudar mentalidades, tristes e condenáveis mentalidades, é necessário o recurso à imposição legislativa, à penalização e à criminalização. Só assim é que, a muito custo, aprendemos e mudamos. Mesmo que, perante a reacção generalizada, esta mudança vá levar muito e demasiado tempo. Só um triste e deplorável machismo cultural e identitário e enraizado, ainda e muito, na sociedade portuguesa (por mais incrível que pareça, também nos mais jovens ou mais novos) trariam uma reacção pública a esta medida legislativa como a que se assistiu no início desta semana. Confundir as mais abjectas “declarações” que são demasiado conhecidos no vocábulo corrente (só a título de exemplo usando os mais banais e softs «comia-te toda», «Oh borracho, queres por cima ou queres por baixo?») com galanteio ou elogio é o mesmo que confundir uma livre relação sexual com violação. Porque é, apesar da forma verbal, uma violação da dignidade da mulher (seja criança, jovem ou adulta) que está em causa. Liberdade de expressão ou de opinião não tem qualquer correspondência em “liberdade” de agredir, assustar ou humilhar. Isto não existe.

E esta realidade, ao contrário do que muitos querem fazer crer, existe muito para além do preconceituoso universo da “construção civil” ou da errada noção que tudo não passa de conceitos feministas radicais e fundamentalistas. Existe nas relações laborais, existe na escola juntamente e a par com os condenáveis e crescentes processos de bullying ou de stalking, existe nos círculos sociais e existe no dia-a-dia em cada esquina. Existe numa triste cultura que cria a ilusão de uma sociedade justa, igualitária, inclusiva, não racista ou não xenófoba, mas que, na prática, está a “anos luz” de o ser.

Todos aqueles que acham que tudo não passa de um histerismo, dum totalitarismo que impede um simples olhar, um sorriso ou um “piscar de olho”, aqueles que confundem agressão, opressão, atentado à dignidade, com elogio ou galanteio, nunca trataram directamente com a realidade. Nunca deixaram de passar por determinados sítios por receio ou desassossego, nunca tiveram que mudar de passeio ou de rua, nunca se sentiram pressionados, vexados, humilhados e ofendidos, nunca se sentiram alvo da mais abjecta risota ou chacota, nunca foram, inclusive, alvo de assédio físico. Mais ainda… quase de certeza, nunca chegaram a casa e tiveram a infelicidade de lidar com uma criança, uma adolescente ou a mulher, tristes, deprimidas ou a chorar, por terem sido confrontados com a deplorável realidade.

Infelizmente, somos demasiado primitivos para que uma mudança cultural e social tenha de surgir com base num processo de criminalização e penalização.

Mas como resposta, finalize-se: esta alteração do Código Penal é… “boa comó milho”.

publicado por mparaujo às 10:44

22
Set 14

A guerra traz-nos imagens e realidades cruéis. Facto.

A fome traz-nos imagens e realidades que abominamos e dificilmente compreendemos face aos recursos que existem no mundo e nos países. Facto.

A morte, por mais natural que seja, afigura-se-nos sempre “estúpida”. Facto.

Portugal tem todas as potencialidades para ser um país exportador de serviços de inovação e tecnologia. Facto.

O 25 de Abril de 74 trouxe-nos liberdade, democracia, mais educação, mais saúde, mais emprego (mesmo que a taxa de desemprego esteja a níveis insuportáveis), mais igualdade, mais justiça. Não vale a pena esconder o que era a realidade antes e pós 1974. Facto.

Não consigo entender que em 2014, com tudo o que nos rodeia e nos é proporcionado, cultural e socialmente vivamos, em Portugal, ainda em plena Idade da Pedra.

Factos:

Violência doméstica aumentou 2,3% no primeiro semestre de 2014.

Em seis meses (1º semestre de 2014) 24 mulheres foram mortas e 27 vítimas de tentativa de homicídio (apesar da violência doméstica não ter como vítima exclusiva a mulher)

Tudo isto a juntar a outros dados resultantes de estudos referentes a 2012 e que não vislumbram redução significativa ou, preferencialmente, a sua extinção.

Processos de violência doméstica são arquivados em 80% dos casos.

Violência doméstica presenciada por crianças em 42% dos casos.

Violência doméstica contra idosos aumentou 76% em dois anos.

Tudo isto é estúpido, inaceitável, cruel, abominável… e não são apenas os tempos de crise, de desemprego, de problemas financeiros domésticos e pessoais, que sustentam os actos em si.

Há questões nacionais mais prementes que as primárias no PS ou o regresso do mais degradante lixo televisivo que é a Casa dos Segredos.

publicado por mparaujo às 16:09

23
Jan 14
http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/12/%C3%ADndia1.jpg

Venham os argumentos culturais, históricos, sociais, religiosos…

Venha a complexidade do ser humano, o machismo, o feminismo…

Venham os horrores da guerra, das contestações sociais violentas, das repressões policiais…

Venham as tragédias da natureza, o “azar” dos acidentes, os desaparecimentos, os raptos…

Venha tudo...

Por mais que queiram, nada me conseguirá vergar perante aquele que é o maior crime de todos: o desprezo pela dignidade humana.

Com uma referência rápida, num espaço de pouco mais de um ano, é de “arrepiar” o que se passa na Índia em pleno século XXI.

Tudo começou(?) aqui: “Violação de rapariga gera violentos protestos na Índia” (23.12.2012)

Morre estudante indiana vítima de violação coletiva” (28.12.2012)

Novo caso de violação colectiva na Índia” (13.01.2013)

Polícia e médicos "humilham" crianças indianas que denunciam abusos” (07.02.2013)

Turista suíça violada na Índia diante do marido” (17.03.2013)

Detidos dois suspeitos de violar menina de cinco anos na Índia” (22.04.2013)

Freira raptada e violada durante uma semana na Índia” (16.07.2013)

Novo caso de violação colectiva na Índia. Vítima é fotojornalista” (24.08.2013)

Cinco polícias detidos na Índia por violação de jovem de 17 anos” (20.12.2013)

Turista dinamarquesa violada por oito homens na Índia” (15.01.2014)

Mas se tudo isto não fosse suficiente eis que se chegou ao topo da revolta.

Conselho de aldeia indiana ordena violação colectiva de uma mulher” (23.01.2014).

Por mais que os responsáveis indianos tentem alterar o rumo dos acontecimentos (“Índia aprova lei mais dura contra violações”) tudo parece ser insuficiente. Mesmo para uma ONU, tantas vezes preocupada com a democracia de algumas nações, com as supostas aramas químicas ou de destruição maciça, com o negócio do petróleo e com os jogos geopolíticos, só isto não chega e sabe a muito pouco, muito mesmo: “ONU quer debate sobre penas após violação na Índia”.

Tudo isto é Nojento! Asqueroso! Revoltante! Infame!

Enquanto que por cá vamos discutindo o protocolo da saia da assessora do Presidente da República.

publicado por mparaujo às 16:42

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