Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

13
Mai 18

Os que sempre "desalinharam" com e eleição e a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa tiveram que esperar mais de dois anos para ver o "Presidente dos Afectos" a "deslizar politicamente" três vezes só no espaço de uma semana. Sendo que os "deslizes" não são, por sinal, meros pormenores displicentes.

1. O "fogo" da não recandidatura.
Que Marcelo Rebelo de Sousa não se queira recandidatar, em 2021, a novo (e último) mandato presidencial é algo que lhe assiste, simplesmente. Sem necessidade de argumentário ou grandes retóricas justificativas. É um direito democrático, é uma opção pessoal perfeita legítima. Basta um só por que sim. Aliás, esta foi sempre uma questão que pairou no ar logo após os primeiros 365 dias de mandato.
O que parece não fazer qualquer sentido é a recente afirmação do Presidente da República sobre a sua eventual não recandidatura se a situação dos incêndios vivida em 2017 se repetisse na próxima fase charlie. E não faz qualquer sentido por várias razões: a primeira porque a primeira responsabilidade sobre possíveis falhas no combate aos incêndios (tenham ou não tragédias... esperemos bem que não) cabe ao Governo e ao Ministério da Administração Interna e não ao Presidente da República.
O que os portugueses esperam de Marcelo Rebelo de Sousa é, num cenário de falha de estratégia política e de coordenação, como o verificado em 2017, a responsabilização do Governo.

2. A pressão orçamental
Já todos percebemos que o modelo de estabilidade e de aliança parlamentar à esquerda, a chamada geringonça, esgotou-se. Ou melhor... esgotou a paciência dos seus parceiros, acabando por se manifestar, nesta última fase da legislatura, a diferenciação ideológica.
Além disso, o aproximar do fim do mandato e das eleições legislativas em 2019 (previstas para outubro desse ano) provocam a necessidade de BE e PCP se demarcarem da governação e de se posicionarem para uma campanha eleitoral que se afigura bastante intensa. Daí que surjam as pressões bloquistas e comunistas sobre o PS/Governo em relação à estratégia política do próximo orçamento e face às políticas para a saúde, emprego e educação, sem esquecer as posições do Governo em relação à União Europeia.
Por outro lado, neste abanar da relação na geringonça, não é menosprezável a mudança de liderança, de acção e de oposição no PSD e a clara aproximação ao centro e entre socialistas e social-democratas.
Daí que a afirmação de Marcelo Rebelo de Sousa de provocar eleições antecipadas caso o Orçamento de Estado para 2019 seja chumbado tenha apenas um impacto político significativo: a ajuda ao PS e ao PSD para a dicotomia da luta política pela (re)conquista da governação. Ao PS é servido o argumento da "vitimização político-partidária" e de chamar a si, em exclusivo, os louros da governação. Ao PSD é servido o argumento do falhanço das políticas de esquerda e da coligação da maioria à esquerda. Para além disso, o único efeito no país seria o de antecipar as eleições de outubro para o primeiro trimestre de 2019.
Mas não se afigura um cenário provável. Uma eventual abstenção do PSD e o facto de BE e PCP não quererem ficar com o ónus do fim do casamento da esquerda e desta governação fazem prever que a legislatura, com mais ou menos instabilidade social, chegue até outubro de 2019.

3. Marcelo ama Salvador Sobral mas não ama os Diplomatas
Os factos aconteceram em Abril quando o Presidente da República condecorou os irmãos Sobral com o grau de comendadores da Ordem do Mérito e provocaram uma reacção, agora conhecida, da Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses. Em causa está a afirmação proferida por Marcelo Rebelo de Sousa: "embaixadores mais qualificados e mais eficientes do que a generalidade da nossa diplomacia" (jornal Público). As palavras de Marcelo foram mal recebidas pelo corpo diplomático português, e com toda a razão. Foi inédita a conquista, em 2017, do Festival da Eurovisão que trouxe a final, também pela primeira vez, para Portugal (aconteceu este fim-de-semana em Lisboa, regressando Portugal à "normalidade": último lugar). É indiscutível (goste-se ou mão) que Cristiano Ronaldo tem um palco mediático internacional que, através do seu sucesso futebolístico, projecta o país além fronteiras. Como são igualmente os casos de José Mourinho, Telma Monteiro, a selecção Sub20 de Râguebi, Nelson Évora ou o Eusébio, entre tantos outros. Ou ainda, Saramago, Manoel de Oliveira, Amália Rodrigues, Daniela Ruah, Joaquim d'Almeida e Paula Rego (para não dizerem que só se fala em desporto).
Mas a questão é que o trabalho da diplomacia portuguesa (ou de qualquer outra) não se faz no palco do mediatismo e do populismo; tantas vezes efémero. Faz-se pelo cuidado na dignidade da imagem institucional de Portugal, da sua estratégia e influência internacional, da defesa e preocupação com os portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo, nas relações comerciais e políticas internacionais. Comparar o trabalho, diário e permanente, da diplomacia portuguesa a cinco minutos de fama foi, no mínimo, desrespeitoso. E já agora... perfeitamente escusado e inapropriado.

Uma semana presidencial muito pouco afectuosa.

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publicado por mparaujo às 13:39

04
Mai 13

A conversa no tweeter começou com uma simples brincadeira de “rapazes e raparigas” para rapidamente resvalar para a seriedade da temática da igualdade entre géneros.

Não se trata, obviamente, de questionar se o homem é igual à mulher. Só por falta de seriedade e intelectualidade é que alguém aborda a questão neste prisma: obviamente homem e mulher são diferentes (e ainda bem). Mas essa diferença não pode, de forma alguma, significar diferenciação de oportunidades, de tratamento ou de igualdade, seja na sociedade, na profissão, na política, no sector empresarial ou financeiro, na cultura, nas artes, no desporto ou nos cargos públicos. E se é certo que esta é uma questão de responsabilidade colectiva, qualquer Estado que se diz de “Estado de Direito” deve ter sempre esta problemática presente. Se bem que considero inqualificável e primitivo que, em pleno séc. XXI, este assunto ainda seja uma questão em discussão.

A propósito do Dia Internacional da Mulher, no passado dia 8 de março, entre muitas outras vertentes, ainda se falava sobre a descabida lei das quotas nas listas eleitorais ou sobre determinados sectores permanecerem demasiadamente “machistas”. Um desses exemplos vem curiosamente do Estado, mais concretamente do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Ressalvando alguma falta de rigor na exactidão dos dados recolhidos, pela forma como foram contabilizados face à forma como o Ministério dos Negócios Estrangeiros os apresenta, entre Embaixadores, Cônsules, Adidos, Conselheiros e Encarregados de Consulados contabilizei, na página do MNE, 303 membros diplomatas com responsabilidades principais (excluem-se aqui excluindo as delegações comerciais, delegações da AICEP ou do Instituto de Camões, e ainda embaixadas e consulados dependentes funcionalmente de outros). Destes 303 elementos, 255 são homens e 48 mulheres (menos de 16%), sendo que apenas existem duas Embaixatrizes.

Por isso não será de estranhar o que revela uma consulta, mesmo que superficial, ao Concurso Externo de Ingresso na Categoria de Adido de Embaixada da Carreira Diplomática (aprovado pelo despacho 16198-A/2012 publicado no Diário da República, 2ª série, nº 245, de 19 de dezembro de 2012, e aberto através do aviso 17239-A/2012 publicado no Diário da República, 2ª série, nº 250, de 27 de dezembro de 2012).

Na consulta dos vários elementos processuais prestaram prova escrita (exame) de cultura geral (repetição) 1021 candidatos (não considero o total de candidatos admitidos já que foi excessivo o número dos que faltaram à prova). Destes 1021 mais de metade, quase 52% (526), eram mulheres. No entanto é curioso verificar que apenas 45 dos 1021 que prestaram a prova tiveram nota positiva e destes 45 aprovados apenas duas são mulheres (o que representa um universo de cerca de 4% e em relação às 526 candidatas que fizeram o exame apenas 0,4%). Nada selectivo, nem machista, claro.


Nota final: um aspecto paralelo mas que não deixa de ser curioso. O Ministério dos Negócios Estrangeiros com tanto sentido de rigor e de transparência que pretende transmitir, acaba por ter, à semelhança do seu titular ministerial (Paulo Portas: eu é outro – f.câncio no DN de ontem, 3 de maio), infelizes comportamentos incoerentes. Conforme se lê no comunicado referente ao concurso, foram detectadas algumas irregularidades na primeira prova de cultura geral realizada no dia 16 de março, alegadamente por procedimentos desiguais entre os vários locais onde as mesmas se realizaram. Mas se as irregularidades foram detectadas prontamente porque não foi a prova imediatamente considerada nula, sem necessidade de avaliação dos exames prestados?! Se o rigor é a bandeira do MNE, porque é que a lista dos candidatos aprovados na segunda prova de cultura geral, realizada a 20 de abril, não indica a classificação e respectiva ordenação e apenas é apresentada por ordem alfabética?

Para além da necessidade de limar (e muito) a questão do género, o MNE precisa de coerência na transparência.

publicado por mparaujo às 18:55

22
Ago 10
A propósito das celebrações dos 150 anos do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Japão e Portugal, segundo informação da Agência Lusa, o embaixador japonês em Portugal defendeu a importância de "reanimar o significado do tratado de 1860, que constitui a base das relações bilaterais entre o Japão e Portugal".
Na óptica do embaixador nipónico Akira MIWA, relembra-se um relacionamento histórico que está a ser "um pouco esquecido por Lisboa".


Entendo a preocupação diplomática do Senhor Embaixador do Japão, mas não compreendo a sua admiração: se Portugal até de si próprio e dos seus compromissos internos se esquece quanto mais dos compromissos com os outros.
publicado por mparaujo às 17:13

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