Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

26
Mai 19

Os dados/factos (aproximados, face ao que é conhecido e divulgado na hora em causa):
PS - 34,6% (9 eurodeputados)
PSD - 25,4% (6 eurodeputados)
BE - 9,4% (2 ou 3 eurodeputados)
CDU - 6,7% (1 eurodeputado)
CDS - 6,2% (1 eurodeputado)
PAN - 5,0% (1 eurodeputado)
Abstenção - 69%

As reflexões...
Nota 1 - Em política é muito fácil cair na tentação de transformar derrotas em vitórias ou sobrevalorizar as vitórias.
Pela democracia, isso não cabe aqui. Apenas a análise dos factos.

Nota 2 - O PS ganhou as eleições com valores ligeiramente superiores aos de 2014 (31,46%) e conquistando mais um eurodeputado (e não 2 - os 10 pretendidos durante a campanha).

Nota 3 - Os verdadeiros vencedores destas eleições, face aos números, são o Bloco de Esquerda (que duplica a sua percentagem, o número de votos e o número de eurodeputados - podendo chegar a 3) e o PAN que entra, em 2019, na política europeia (fruto da sua afirmação na política nacional).

Nota 4 - O PSD, não atingindo os objectivos traçados para as eleições (ganhar ou aumentar a sua representatividade), acaba como derrotado. No entanto, mantendo o número de eurodeputados e face à percentagem alcançada "disfarça" a derrota com um sabor agri-doce. Mas a verdade é que os números são o que são e a mensagem do partido não chegou aos portugueses. Há que reflectir e assumir os erros.
E é importante referir que essa estratégia traçada para estas eleições foi uma das principais causas deste modesto resultado. Ao cair na armadilha política do PS e de António Costa que "nacionalizaram" a campanha eleitoral, o partido não foi capaz de capitalizar os principais temas fracturantes (saúde, educação [excepto a problemática dos professores], justiça, segurança social, protecção civil, economia e carga fiscal), caindo no embuste político, lançado por António Costa, da problemática da contagem do tempo dos professores.
Além disso, o recurso, no momento chave da campanha, à imagem dos ex-líderes não foi uma aposta bem conseguida, quer interna, quer externamente, permitindo à oposição argumentos retóricos que não favoreceram o PSD.

Nota 5 - O CDS foi um claro derrotado. Para quem, como afirmou Assunção Cristas, queria ser a alternativa governativa e ser primeira-ministra, o resultado é catastrófico.

Nota 6 - A CDU cai para metade da percentagem de votos e perde 2 eurodeputados. Afirmarem que o melhor das eleições foi uma clara derrota da direita é o surrealismos demagógico do discurso (cassete) político que ouvimos do PCP há décadas: uma derrota é sempre uma vitória (nunca se percebe é bem como).

Nota 7 - O valor da abstenção entre os 69% e os 70% é um marco (negativo) histórico que deve merecer a reflexão de TODOS: políticos, partidos e a própria sociedade.
Concretamente nas eleições europeias há um facto que merece ser mencionado: excepção feita para o BE (diga-se, em abono da verdade) explicar aos portugueses o que é a União Europeia, qual o seu peso na vida dos países, que papel têm os Eurodeputados, foi algo que esteve, claramente, arredado dos discursos políticos durante a campanha eleitoral, levando a que os portugueses se alheassem, expressivamente, destas eleições. Aliás, excluindo o momento da adesão à CEE (veja-se a distância geracional) e ao Euro (muitos dos que hoje podem votar nunca viveram o "escudo"), a maioria dos portugueses não percebem (ao fim de tantos anos) o que significa estar na União Europeia e para o que serve... nem têm, sequer, a percepção dos impactos dos Fundos Comunitários.

Nota 8 - Transpor, como alguns líderes partidários ou comentadores o fizeram, estes resultados para as próximas legislativas ou comparando com as legislativas de 2015, é, no mínimo, um exercício de pura demagogia e totalmente esvaziado de sentido. Umas eleições com 70% de abstenção, com repartições eleitorais completamente imprevisíveis, não permitem transferir qualquer cenário político para as eleições legislativas, mesmo que as mesmas venham a ocorrer daqui a cerca de 4 meses.
É um exercício que apenas serve para sobrevalorizar vitórias ou menosprezar derrotas. Não tem qualquer sentido porque é inconsequente e infundamentado.

Nota 9 e última - Os partidos, como, por exemplo, o PS ou o BE, que se congratulam por um "eventual" afundamento da direita nestas eleições, era bom que olhassem para o panorama eleitoral europeu:
a) a participação e a taxa de votantes é muito mais elevada que em Portugal;
b) a redução de 40 eurodeputados no grupo europeu socialista e de 43 eurodeputados do partido popular, o aumento dos liberais (muito à custa dos resultados de Macron em França), o aumento do nacionalismo (com a vitória de Marie Le Pen, em França), dos conservadoristas e eurocépticos deveria preocupar muito mais o país do que as "derrotas" do PSD ou do CDS. Deveria preocupar o país e a própria Europa e o papel dos eurodeputados na construção do seu futuro.

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publicado por mparaujo às 22:23

06
Abr 19

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Estamos a pouco mais de um mês da data em que se realizam as eleições europeias: 26 de maio.

Isto num momento em que a Europa atravessa uma grave crise de identidade e se questiona o seu futuro: o crescimento do populismo, o surgimento dos extremismos (em ambos os opostos), o aumento do eurocepticismo e, no topo da agenda mediática, o caso do Brexit.

E mais... a Europa começa aqui, dentro das nossas portas, e não é uma realidade tão afastada do nosso quotidiano. Bem pelo contrário.

Neste sentido, tendo em conta que estas eleições são, por tradição, caracterizadas por uma grande taxa de abstenção e um alheamento dos cidadãos, seria suposto que o debate político se centrasse na(s) temática(s) europeia(s). À boa maneira portuguesa, fala-se de tudo menos da Europa.

O CDS, assumindo-se como um suposto partido "pioneiro", quis marcar a diferença e preocupar-se, já, com as legislativas de outubro próximo, anunciando, publicamente e com pompa e circunstância, as suas listas e candidatos. Ao contrário do que afirma o partido de Assunção Cristas ("mais uma vez está um passo à frente"), isto não é estar, politicamente, "à frente"... é estar fora de tempo e de contexto.

Já António Costa, provavelmente sem ter grande confiança na lista que o PS apresenta às eleições europeias, prefere confundir os objectivos eleitorais e apelar a um "voto de confiança no Governo". Percebe-se, assim, a desvalorização e menorização do trabalho europeu que foi desenvolvido por ilustres eurodeputados como Ana Gomes, Francisco Assis ou Maria João Rodrigues.

E nem o PSD, que arrancou uma pré-campanha eleitoral com alguma veemência, escapa ao esquecimento europeu. Muito longe do essencial, o partido envergou pelo confronto político sustentado numa polémica estéril, assente no chamado "familygate" (as nomeações familiares). E pasme-se, até Cavaco Silva veio "ajudar à festa" (e mal, diga-se). Ao contrário do que afirmou (a falta de "memofante" é tramada) - «por curiosidade, fui verificar a composição dos três governos em que fui primeiro-ministro e não detectei lá nenhuma ligação familiar» - a lista encontrada refere, pelo menos, 11 casos (mesmo que consideradas em tempos distintos).

Mas mais do que a preocupação pelo recurso ao populismo para o confronto político, nomeadamente entre PS e PSD, é o recurso a uma discussão estéril, longe do que é essencial no plano eleitoral, político e para o país.

Mas é, também, importante que se desmistifique a questão, já que a mesma foi tornada tão obsessiva.

Contra a corrente, não acho que o assunto mereça tão relevante mediatismo, nem discussão pública (quanto muito, cabe ao seu espaço próprio: a Assembleia da República).

Em causa estão cargos públicos e políticos, de nomeação, e que são, claramente, de confiança política. E a confiança é isso mesmo... (in priberam) "fé que se deposita em alguém" ou "familiaridade". O que está em causa, porque outras situações são passíveis de fiscalização por parte de várias entidades (as que implicam concursos de ingresso em carreiras ou de chefia), são lugares como "assessores", "adjuntos", "chefes de gabinete", "secretarias e subscretarias", "secretariados", "presidências de institutos", entre outros. E estas funções devem ser preenchidas com base numa relação muito estreita entre os titulares de cargos.
Mais ainda... não me parece que esta questão da "familiaridade" seja menos ética que a nomeação de "amigos", "conhecidos" ou dos "aparelhos partidários".

E leva-nos ainda a uma outra análise complementar já que esta questão é uma "não questão"... limitando, impedindo ou "criminalizando" (como em França) esta realidade é dizer que num partido político, na vida política e partidária, no legítimo direito ao exercício da cidadania, não cabem, nem têm lugar, os laços familiares (directos ou menos directos). Isso é surreal e impensável.

Por fim, importa destacar que há duas afirmações de Rui Rio, sobre o tema, que são bem assertivas.
A primeira quando o presidente do PSD referiu que é quase impossível legislar sobre nomeações familiares. Até porque se levantam inúmeras questões, como, por exemplo, quais laços? casados? pais e filhos? primos? mas em que grau? (é perfeitamente normal existirem laços mais estreitos entre primos de 3.º grau, do que 2.º ou 1.º).
A segunda, é ainda mais correta e pertinente.
O assunto resolve-se com eleições e com mudança governativa.

Mas já agora... porque é que não há a mesma polémica com a questão (essa politicamente mais "perigosa") da incompatibilidade entre a função de deputado e advogado (por exemplo)? Ou porque é que não há o mesmo "rasgar de vestes" com o rodopio de "contratações" para determinadas empresas de ex-governantes, ex-políticos ou ex-deputados?

publicado por mparaujo às 22:25

13
Ago 14

publicado na edição de hoje, 13 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

O defraudar político

É geneticamente uma realidade portuguesa, não tenhamos dúvidas. Injustamente, os portugueses facilmente incorrem na crítica fácil aos políticos, aos partidos políticos, à democracia, às instituições, ao sistema. Porque são isto, são aquilo, não servem para nada, não fazem nada, só estorvam, têm uma péssima imagem e credibilidade. E quando se está do outro lado da barricada, do lado de “fora”, muito mais fácil se assume o tom crítico. Mas não há um fundo de verdade nas críticas? Há. Sejamos honestos. Em muitas ocasiões, é a própria realidade política (os partidos, os político, etc.) que fomenta essa imagem. Basta ver o que se passa com a actual disputa pela cadeira do poder socialista que provoca um impacto inverso ao esperado: em duas recentes sondagens apresentada este fim-de-semana a coligação governamental PSD/CDS obtêm mais 2,7% da preferência do eleitorado que o PS (34,8% contra 32,1%) na sondagem apresentada pelo Expresso (Eurosondagem) e mais 5% de diferença para os socialistas, na sondagem apresentada pelo Jornal I/Pitagórica (35% PSD/CDS e 30% PS).

Mas se há algum fundamento na imagem que os portugueses têm dos políticos e do sistema partidário, também não deixa de ser verdade que está na génese da identidade nacional a capacidade de alterarmos as nossas concepções em função da nossa posição. A notícia teve honras de destaque no Jornal de Notícias da passada semana, prontamente replicado pela comunicação social. Dois títulos mereceram destaque: "Marinho e Pinto vai abandonar Parlamento Europeu” e “Sete dias bastaram para Marinho e Pinto regressar a casa” (se bem que o regresso está agendado para daqui a um ano).

Segundo ao antigo Bastonário da Ordem dos Advogados, eleito eurodeputado nas últimas eleições europeias pelo Movimento Partido da Terra, com uns surpreendentes (embora questionáveis) 7% dos votos (o que levou, inclusive, à eleição de um segundo eurodeputado), as razões são essencialmente três (pelo que refere nas suas declarações à imprensa): a desilusão face ao projecto europeu: "o elemento agregador da Europa não está nos ideais nem nas políticas, mas no dinheiro". Ora bem... em que planeta vivia Marinho e Pinto quando se candidatou ao Parlamento Europeu? Sendo candidato em Portugal, por um partido português, numa altura em que o país ainda estava sob o programa de ajustamento (Troika), Marinho e Pinto acreditava mesmo que a economia tinha um papel secundário nos actuais destinos do mundo?; a questão salarial: "o rendimento auferido pelos eurodeputados, que pode chegar aos 17 mil euros/mês, é vergonhoso". Tapar o sol com a peneira ou tratar os portugueses por parvos é que não. Há, em Portugal, valores salariais (excepções, mas há) muito superiores a 17 mil euros. Por outro lado, tratando-se do Parlamento Europeu onde se encontram eurodeputados de 28 países, onde nalguns deles o salário mínimo nacional é 4 ou 5 vezes maior do que o de Portugal, não se percebe a vergonha (ou até mesmo a obscenidade) do valor auferido por um eurodeputado. O problema não está na vergonha dos 17 mil euros/mês... a vergonha está no valor médio de 800 euros dos salários em Portugal. Além disso, este valor é por demais sabido e público, até para o politicamente mais "comum" e "distraído" do cidadão. Marinho e Pinto já o sabia na altura das eleições. Pior… apesar do valor vergonhosamente alto do salário de um eurodeputado, Marinho e Pinto não abdica dele, pelo menos, durante ano com a ‘desculpa’ de que “precisa de dinheiro para viver”. Também milhares e portugueses; a realidade nacional: o quase futuro ex-eurodeputado afirma que projecta uma candidatura presidencial por entender que "os problemas nacionais são mais graves do que os europeus". Que a realidade nacional é o que é, está enferma e não tem sido fácil viver cá e aguentar toda esta crise, é um facto. Mas é a realidade que Marinho e Pinto poderia constatar no dia-a-dia dos portugueses na altura da campanha eleitoral. Porque é que avançou e não se afirmou antes como futuro candidato presidencial?

Do ponto de vista pessoal, a minha análise já tinha feito na altura da avaliação dos resultados eleitorais mas que se completa com esta notícia de hoje:

1. Marinho e Pinto não tinha nenhuma afinidade político-partidária com o partido que o elegeu (Movimento Partido da Terra). Apenas o mediatismo público.

2. No Parlamento Europeu, eurogrupo/família parlamentar “O Verdes” não o aceitou.

3. Sempre disse que era um "fiasco" em termos políticos, mesmo quando muitos vaticinaram projecções legislativas e presidenciais futuras.

Deste modo, aqueles que, pelo mediatismo do candidato ou porque quiseram demonstrar o seu descontentamento face ao sistema político e aos partidos políticos, votaram em Marinho e Pinto (e não no MPT) sentem-se hoje perfeitamente "defraudados". E sentem a política e os partidos mais distante. Com exemplos destes…

publicado por mparaujo às 10:32

28
Mai 14

publicado na edição de hoje, 28 de maio, do Diário de Aveiro

Debaixo dos Arcos

Rescaldo eleitoral europeu

Primeira nota para os resultados. Apesar do PS ter sido o partido com maior percentagem, número de votos e número de eleitos (o que, matematicamente o rotula como vencedor das eleições europeias de 2014), a verdade é que o pódio deve ser repartido por dois claros vencedores destas eleições: a CDU que reforça a sua presença europeia e surge, neste caso, como a terceira força partidária; e a surpresa Marinho e Pinto (ex-Bastonário dos Advogados) ao ser eleito eurodeputado pelo Movimento Partido da Terra, arrastando consigo mais um eleito. Há depois três casos de insucesso eleitoral: o PSD viu-se relegado para a segunda força partidária europeia, mesmo que com apenas um eurodeputado a menos que o PS e com uns pouco relevantes 3,5% de votos, aproximadamente, de diferença para os socialistas; o Livre, do ex-eurodeputado Rui Tavares que não vê espelhado nas urnas o interessante trabalho europeu que produziu nos últimos cinco anos, não tendo sido eleito; e o Bloco de Esquerda que, depois de várias “vivências” internas desde as eleições de 2011, vê o seu eleitorado cair para menos de metade (de cerca de 11% para 5%, valores arredondados) e apenas eleger a eurodeputada Marisa Matias, ficando muito aquém dos números conquistados por Marinho e Pinto e o MPT. Por fim, embora esperada, a surpreendente percentagem da abstenção (acima de 66% quando em 2009 rondou os 63%).

A segunda nota para a análise política dos resultados. O Partido Socialista, que tanto pediu um cartão vermelho ao Governo (apesar das eleições serem europeias) e um resultado histórico, apenas se pode congratular com o facto de ter sido o mais votado. Nem houve um resultado histórico, nem se destacou do PSD e do CDS (sendo a margem muito pequena ou pouco relevante) e nem conseguiu capitalizar o voto de protesto, conforme demonstra a percentagem conquistada (cerca de 31%). Aliás, o PSD e o CDS, em coligação, sofreram, de facto, uma queda de 4% dos votos em relação a 2009, mas não tão significativa quanto o PS esperaria (e pediu) e sem grande transferência de votos para as cores socialistas (o que não significa que o cenário legislativo não possa ser diferente do que foram estas eleições). A verdade é que o grande cartão vermelho e o “voto de protesto” ao Governo veio pelo lado da abstenção (que cresceu ao contrário do que aconteceu no resto da Europa), muita com origem na sua própria faixa partidária e eleitoral. Daí o óbvio e obrigatório arrefecimento do júbilo socialista, já que os resultados não foram tão expressivos quanto esperavam e sem dar origem a fundamentação sustentada para uma extrapolação para as próximas eleições legislativas, deixando ainda muitas dúvidas à liderança de António José Seguro e à sua capacidade para criar uma alternativa socialista ao actual Governo. A CDU demonstrou, como já o tinha feito nas autárquicas de 2013, uma coerência e constante eleitoral relevante e expressiva, sendo aqui, claramente espelhado o voto do descontentamento face à Europa. Por outro lado, Portugal assistiu a um novo processo de populismo eleitoral com a eleição de Marinho e Pinto. Este resultado, a par da elevada abstenção, deviam obrigar os partidos, principais responsáveis pela crise democrática e pelo afastamento dos cidadãos em relação às instituições e à política, a reflectirem sobre as suas práticas políticas, sobres as suas estratégias, sobre os seus desempenhos democráticos. Porque este foi, claramente, um resultado da indiferença democrática, de uma alternativa ao voto em branco (ou nulo), que dificilmente terá expressão numas eleições legislativas, mas que já teve expressão nos movimentos de independentes nas recentes autárquicas do ano passado. Além destes factos, importa ainda olhar para os resultados do BE e do recém criado Livre. O BE vive, desde de 2011 (pelo menos) uma crise de identidade, de consolidação e de estruturação que serão espelhadas nas próximas eleições legislativas, obrigando a um acrescido trabalho árduo. Quanto ao Livre, a não eleição de Rui Tavares (injusta) deverá ter reflexos num partido criado muito em torno destas eleições, da figura do ex-eurodeputado, muito em cima dos acontecimentos, sem tempo para amadurecer. E os reflexos são óbvios: a incapacidade de afirmação pública e de estruturação interna para as eleições legislativas de 2015.

Terceira nota e final. Os surpreendentes resultados europeus dos partidos extremistas (à direita e à esquerda) como a vitória em França da Frente Nacional, na Grécia do Syriza e do terceiro lugar do Aurora Dourada, ou dos anti-europeístas (como, por exemplo o britânico UKIP). Curiosamente, para os partidos ditos tradicionais e dos arcos governativos respectivos estes resultados apresentam-se como preocupantes. De facto e não devem ser subvalorizados, porque a verdade é que este crescimento dos radicalismos e extremismos, e este descontentamento em relação ao futuro da Europa deverá merecer preocupações e reflexões futuras e um assumir, por parte dos partidos tradicionais, da sua enorme responsabilidade nos ferimentos na democracia, na desvalorização do papel da política, e, no caso em concreto, no desvirtuar do espírito que esteve na génese da União Europeia.

publicado por mparaujo às 10:42

27
Mai 14

Conhecida a totalidade dos eurodeputados eleitos, confirmando-se o que já era esperado face aos resultados apurados no domingo (PS 8; PSD/CDS 7; CDU 3; MPT 2; BE 1), ficam aqui algumas notas que servem de antevisão ao artigo que será publicado na edição de amanhã, 28 de maio, do Diário de Aveiro.

1. Apesar do PS ter conquistado o maior número de eurodeputados e o maior números de votos  verdade é que os dois grandes vencedores destas eleições, me Portugal, foram a CDU e o MPT que, para além do populismo e da visibilidade do ex-Bastonário dos Advogados, Marinho e Pinto, ainda elege um eurodeputado "a reboque".

2. Ao contrário do que o PS esperaria e que, durante a campanha, não se cansou de pedir ao eleitorado, o cartão vermelho ao Governo veio por parte da abstenção e não pela capitalização de votos no partido (conquistando apenas cerca de 31%). Não fora, aliás, a excessiva politização interna das eleições europeias e poder-se-ia questionar os resultados obtidos por todos, com eventual excepção para o PCP que mantém um interessante estabilidade e coerência eleitoral.

3. A derrota histórica do PSD/CDS não se constatou com tanta intensidade como o pretendido pela oposição, sendo pouco significativa a diferença de percentagem de votos para o PS (pouco mais de 3%) e apenas a diferença de um lugar europeu. A excessiva preocupação com guerrinhas demagógicas com os socialistas e a obsessão por José Sócrates desviaram a mensagem da coligação do essencial: a Europa. Apesar da queda verificada para os partidos do Governo, a penalização veio por parte da abstenção, muita da qual do próprio eleitorado social-democrata e centrista desiludido e não pela transferência de votos para outras forças políticas.

4. Acresce ainda que esta abstenção é um cartão vermelho à maioria dos partidos. Por um lado pela forma como têm desvalorizado e denegrido o papel das instituições e da política, sendo os principais responsáveis pelo afastamento dos portugueses em relação à política e aos processos democráticos; por outro lado, o completo desinteresse dos portugueses pela Europa, apesar do impacto que esta teve na vida interna do país, nomeadamente nos últimos três anos. Um desinteresse que tem origem no desconhecimento da importância da Europa na vida interna dos países (a nível legislativo, económico, social) e ainda pela forma como a maioria dos partidos se desviou do essencial da campanha (as eleições europeias e a Europa) para se centrarem em guerras internas sobre política nacional e quezílias sem qualquer tipo de interesse a não ser criar ruído. Aliás, o que estas eleições tiveram foi demasiado ruído e muito pouca, ou quase nenhuma, clareza e bom-senso na campanha.

5. O BE é outro dos derrotados destas eleições, com a maior queda de percentagem de votos registada, tendo, inclusive, sido ultrapassado nos votos expressos pelo MPT. A eleição de Marisa Matias soube a muito pouco e não é o suficiente para disfarçar a preocupação bloquista em relação ao seu futuro, nomeadamente desde as eleições de 2011.

6. Decepção (e pessoalmente injusta) foi a não eleição do ex-eurodeputado Rui Tavares pelo recém criado partido Livre. O partido, constituído muito em cima do processo eleitoral e sem tempo de maturação, não foi suficiente para capitalizar a imagem de Rui Tavares e o seu interessante trabalho europeu. Daí alguma injustiça face à eleição de eurodeputados com base na visibilidade e no populismo. Aliás, se estas eleições europeias têm é algo de injusto em relação ao papel importante desenvolvido por vários eurodeputados: o caso da não eleição de Rui Tavares; as exclusões de Regina Bastos, Edite Estrela, Capoulas Santos das listas do PSD e do PS.

7. Quanto ao Livre, face ao pouco impacto eleitoral conquistado e tendo sido o partido criado muito em torno da realidade europeia, não se afigura um futuro muito fácil daqui para a frente.

8. Há, por último, um dado que importa destacar. A análise política e a reflexão que os países e as instituições europeias devem fazer quanto ao futuro da Europa e à forma como se tem vindo a degradar o espírito que esteve na génese da criação da Comunidade Europeia, face aos resultados que se verificaram: elevado número de votos em partidos radicais e extremistas (à direita e à esquerda, casos da França, Bélgica, Grécia) e em partidos anti-europeístas (como o caso do UKIP, no Reino Unido).

publicado por mparaujo às 09:36

19
Abr 14

A RTP, infelizmente, não pára de surpreender com a polémica em torno do programa com José Sócrates.

Por mais que me queira restringir à questão jornalística, tal como o fiz em "José vs José... mais que mera polémica.", a verdade é que depois da confrontação entre as posições do provedor do espectador da RTP e do Director de Informação da televisão pública os factos são, também, claramente de natureza política.

Em total consonância com a posição que aqui expressei, no programa "Voz do Cidadão", transmitido hoje na RTP1, o provedor do telespectador, Jaime Fernandes, defendeu que o espaço de comentário político e de opinião de José Sócrates deveria retomar o modelo inicial, sem contraditório, sem o formato de entrevista.

Por mais relevante que seja a opinião dos provedores (tv, rádio, jornais) é um facto que a mesma não tem contornos legais ou jurídicos que forcem as direcções dos diversos órgãos de comunicação social a acatá-la. Seria, por isso, perfeitamente compreensível e inquestionável que a direcção de informação da RTP tivesse uma opinião contrária à do Provedor do Espectador e, como tal, uma decisão oposta.

Mas há contornos estranhos neste processo. É que os argumentos que José Manuel Portugal referiu para sustentar a sua opinião de manter a alteração introduzida recentemente no formato do programa são, no mínimo, questionáveis, criticáveis. Curiosamente, não por razões jornalísticas aquelas que,  partida, mais interessariam, como o facto de se transformar um espaço de comentário e opinião, numa entrevista semanal, regular, constante (periódica), ao ex-Primeiro ministro e não ao cidadão (com experiência política e de governação) José Sócrates. Aliás, como acontece, por contraste, com Morais Sarmento.

A afirmação mais surpreendete do director de informação foi "Até às eleições europeias, sim, fica tudo igual". Mas José Manuel Portugal acrescentaria ainda que "Tenho que me sentar com o engenheiro José Sócrates e com Dr. Morais Sarmento para definirmos em conjunto o que vai acontecer, mas para já fica tudo igual". O responsável pela informação da RTP entende que os dois programas de comentário (reforço o "de comentário"), do ex-primeiro-ministro do PS e do ex-ministro do PSD, fazem "sentido em conjunto", pelo que qualquer alteração também será feita em conjunto.

Ora bem (ou mal, neste caso).

O Provedor do Telespectador da RTP, no seu programa, colocou a análise da questão ao nível jornalístico quando foi claro ao afirmar que o programa foi, e tem sido, anunciado como de opinião, o que, para Jaime Fernandes, "pressupõe que o comentador faça as considerações que entenda sobre temas da actualidade sem necessitar de contraditório", o qual (contraditório) a acontecer deverá ser em espaços distintos e próprios, como os debates ou entrevistas. Isto não é sequer minimamente questionável por José Manuel Portugal (o que na minha opinião até faz sentido pelo facto de ser uma realidade ou evidência jornalística). Mas o Director de Informação da RTP comete dois erros de análise preocupantes e que levam, legitima e inevitavelmente, à abordagem da questão do ponto de vista político.

Ao ser colocado no calendário uma eventual (de novo) reformulação daquele espaço televisivo apenas após as eleições europeias, é claro que existiram pressões externas para condicionar/minimizar o impacto dos comentários e das opiniões de José Sócrates na opinião pública e, concretamente, os efeitos que poderiam provocar na campanha eleitoral.

Por outro lado, afirmar-se que os espaços de José Sócrates e Morias Sarmento são analisados em conjunto é demagogia e o sacudir de responsabilidades, já que os espaços iniciaram-se de facto nos mesmos moldes, mas não têm, hoje, a mesma configuração, nem o mesmo contexto.

Se em "José vs José... mais que mera polémica." não tive qualquer constrangimento em afirmar que José Sócrates esteve mal no confronto pessoal com o jornalista José Rodrigues dos Santos, a verdade é que hoje tenho muito mais convicção de que a alteração provocada no programa de José Sócrates tem como motivo principal condicionar e desvalorizar a opinião do ex-Primeiro Ministro, claramente, por razões políticas.

publicado por mparaujo às 19:44

13
Abr 14

Publicado na edição de hoje, 13 de abril, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Olhar as europeias

Retomo as preocupações expressas no artigo publicado neste espaço, no passado dia 19 de março (“O ‘inconseguimento’ europeu”): a previsão de elevada abstenção eleitoral; uma campanha centrada na política interna; o desconhecimento generalizado do papel e da importância da União Europeia. E uma grande parte da responsabilidade por estas preocupações cabe, em primeira instância, aos partidos, aos candidatos e aos políticos, seja pela forma como apresentam os seus manifestos, as suas propostas, seja pela forma como serão, ou não, capazes de aproximar os portugueses à Europa. A maioria dos portugueses, apesar distarem quase 30 anos, ainda não tem a noção de que após o dia 1 de janeiro de 1986 (adesão de Portugal à então CEE) a realidade nacional não é mais a mesma, consubstanciada com a entrada do país na Zona Euro a 1 de janeiro de 1999. A adopção de políticas comuns, a adesão a um mercado financeiro único, a multiculturalidade, as diversidades históricas e sociais, têm, hoje, uma dimensão que ultrapassa fronteiras e que, para além dos órgãos de soberania nacional, têm um novo epicentro situado em Bruxelas (Comissão Europeia), em Estrasburgo (Parlamento Europeu) ou em Frankfurt (Banco Central Europeu). Para além disso, a maioria dos portugueses não tem a noção que as eleições do próximo mês de maio têm uma dimensão e uma abrangência maior do que a expressividade nacional. É que apesar do voto ser “depositado” no PSD, CDS, PS, BE, PCP, Livre, etc., a expressividade do voto tem reflexos na eleição de deputados europeus que irão representar “partidos europeus” (onde os nacionais se inserem). Por exemplo, Partido Popular Europeu, Partido Socialista Europeu, Partido da Esquerda Europeia, Partido Democrático Europeu, entre outros. São estes partidos que, em função dos seus programas e manifestos, ditarão os destinos da União Europeia que, obviamente, influenciarão os destinos nacionais. E seria importante que os partidos e candidatos nacionais demonstrassem, na campanha, essa realidade, porque é essa que importa.

Felizmente há quem rume contra este distanciamento dos portugeses à Europa e da desresponsabilização política dos agentes eleitorais. Independentemente de ser essa a natureza da sua existência e estruturação, o CIEDA (Centro de Informação Europe Direct de Aveiro), do grupo Escola Profissional de Aveiro/AEVA, evidenciou uma intervenção formativa, educativa e de cidadania exemplares, com uma vitalidade que importa destacar. Desde janeiro até ao passado dia 10 de abril (com a 15ª sessão realizada na Alameda das Competências, na Feira de Março, em Aveiro, com a presença do ex-eurodeputado Armando França) realizou 15 acções públicas relacionadas com as eleições europeias deste ano, sob o tema: Agir, Reagir, Decidir. Para além da divulgação de informação dita institucional sobre a União Europeia, as referidas acções contaram com a presença de oradores com marcado currículo europeu, como Marisa Matias, Vital Moreira, José Manuel Fernandes, Alda Sousa, entre outros, ou destacados “pensadores” europeus da região, como João Pedro Dias, Armando França ou Pedro Jordão, a título de exemplo. De Castro d’Aire até Coimbra, percorrendo praticamente toda a Região de Aveiro, o CIEDA, para além as questões institucionais (a importância do voto, as instituições europeias, o papel dos eurodeputados, etc.), também levou à reflexão temas relacionados com a economia, o emprego, a qualidade de vida, os diretos dos cidadãos europeus, por exemplo. Mas há um aspecto que merece destaque. Apesar de abertas ao público, as sessões tiveram uma especial atenção para com os jovens. Aqueles que, por diversas razões e face à conjuntura actual, mais sentem a realidade europeia, seja ao nível intercultural, seja ao nível formativo/académico, seja ao nível laboral por força da opção emigratória (bastante elevada nos jovens). Neste âmbito, não poderia ser mais apropriada e incisiva a escolha de um conjunto de interrogações críticas que formassem, informassem e levassem ao sentido crítico dos jovens desta região. Nada mais ajustado como o debate de temáticas como “as políticas de educação e juventude da UE”; “como viajar e viver no espaço da UE”; “o papel dos jovens no futuro da UE”; “o futuro da UE nos horizontes dos jovens”; …

Com intervenções na sociedade como o CIEDA tem vindo a desempenhar pode ser que desta vez seja diferente, pelo menos ao nível dos jovens, mais motivados para uma efectiva consciência do que é estarmos na União Europeia.

publicado por mparaujo às 22:20

26
Mar 14

O título poderia ter um significativo número diferenciado de expressões. Por exemplo, "como perder as eleições numa só noite"; "a ingratidão política"; "do mérito à prateleira"; "as incoerências de Seguro"; "o peso da oposição socialista"; etc.

A pré-campanha eleitoral para as eleições europeias do próximo 25 de maio não me parece ter merecido, por parte do PS e, nomeadamente, de António José Seguro, uma especial e cuidada atenção. Mesmo que, como aqui o disse, entenda que este processo eleitoral em causa é, contextualmente, europeu (e deve ser pautado por isso), é evidente que a tendência de voto possa expressar o descontentamento dos eleitores em relação à coligação que governa o país. Não aproveitar esse facto é de uma incoerência e imaturidade política relevante. Aliás, algo que o próprio governo tem acautelado ao projectar o anúncio da saída do processo de ajuda externa apenas após as eleições. "Quem tem cu tem medo", lá diz o ditado.

Isto a propósito da elaboração, ontem, da lista dos candidatos socialistas a eurodeputados. Segundo a Comissão Política Nacional do PS em cima da mesa estiveram três critérios de selecção: renovação, qualidade e competências específicas em dossiês fundamentais para Portugal. Não se sabendo se os critérios são cumulativos ou independentes. Quanto à "renovação" tenho sempre a referência desportiva (não apenas futebolística) de que "em equipa vencedora não se mexe". Renovar apenas por um mero critério de "tempo" parece-me do mais redutor que possa existir. Aliás, para muitos dos cidadãos este aspecto da renovação, normalmente, está associado a um "encostar à prateleira", afastar geograficamente, para não ser embaraço político interno. E são tantos os casos que poderíamos usar para ilustrar tal realidade. Incomoda, é oposição interna, afasta-se para a Europa ou para uma outra qualquer instituição fora do país.

O que, mesmo que não tenha sido esse o critério, não andará muito longe da imagem deixada por António José Seguro ao anunciar o cabaça-de-lista socialista às europeias. Conhecidas as movimentações do PSD para as eleições europeias, foi notória a pressão interna que Seguro sofreu pelo impasse que estava a parecer preocupante em relação ao processo socialista. Uma das vozes do descontentamento, a par da de António Costa, foi a de Francisco Assis, aliás adversário interno de António José Seguro. Resultado: precipitação clara na forma como foi anunciado publicamente o cabeça-de-lista (em simultâneo com o congresso social-democrata) e a escolha do próprio Francisco Assis para cabeça-de-lista.

Não me vou pronunciar sobre a escolha, até porque os cenários de análise poderiam ser diversos.

Mas no entanto, a menos que haja uma qualquer razão ou um plausível motivo pessoal (que não consta publicamente e acho difícil a sua consistência e realidade) há um enorme tiro no pé na elaboração da lista socialista.

Apesar das listas serem uninominais, os portugueses votam pelo partido A, B ou C. No entanto, é mais que óbvio que a presença de personalidades de relevo, incluindo os cabeças-de-lista, facilitam o impacto eleitoral.
Se já colocaria, pessoalmente, em causa o facto de não ter sido escolhida para cabeça-de-lista, por mais razões que queiram apresentar para justificar o injustificável, é completamente inqualificável que o PS tenha deixado de fora às próximas eleições europeias a actual eurodeputada Edite Estrela. Trabalho e provas dadas não faltam. Embate político com coragem e frontalidade como muito poucos, ou raríssimos. Para além de ter sido, recentemente (2013) e pela segunda vez, nomeada a melhor eurodeputada (entre os 766 eurodeputados) para os assuntos do emprego e assuntos sociais. Se isto não tem valor, nada mais terá. Isto é de um ingratidão política que, mesmo para quem de "fora", inaceitável e incompreensível.
Isto sim... é brincar às eleições. E depois o Passos Coelho é que se está a lixar para as eleições.

publicado por mparaujo às 13:56

12
Mar 14
Televisões recusam cobrir campanha e fazer debates

Já tinha acontecido nas útlimas eleições autárquicas, em setembro de 2013.

Volta a ser tema polémico e controverso.
Maioria e PS preparam-se para alterar a legislação que regula a cobertura jornalística das campanhas eleitorais. Isto a apenas dois meses de distância do próximo acto eleitoral: eleições europeias.

Em causa estão eventuais princípios constitucionais de equidade em confronto com a liberdade de informação e a independência editorial, embora com algumas diferenças de aplicação entre a proposta do PSD-CDS e a do PS, nomeadamente no que diz respeito a distinções entre períodos de pré-campanha e campanha leitorais.

De qualquer forma, as três direcções de informação - RTP, SIC e TVI já vieram denunciar a eventual alteração à lei e a sua não exequibilidade ou a sua inviabilidade operacional e jornalística. Isto expresso num comunicado conjunto que levará a procedimentos jornalísitcos idênticos aos das eleições autárquicas de 2013.

publicado por mparaujo às 16:34

26
Jan 14

Ontem, o Jornal de Negócios, publicou uma sondagem (produzida pela Aximage) referente às intenções de voto dos portugueses para o próximo processo eleitoral: eleições europeias.

As eleições terão lugar daqui a cerca de quatro meses (em Maio). Os resultados apurados dão uma vitória à já anunciada coligação PSD/CDS com 37,1% das intenções de voto, contra os 35,5% de votos no actual maior partido da oposição, o PS.

Não vou, nem faz qualquer sentido a esta distância temporal, fazer qualquer comentário às intenções de voto nos partidos. Ainda há caminho a percorre, não se entrou em qualquer período de campanha, o Governo ainda terá sobre si o ónus da austeridade e terá de justificar o período pós-Troika que se avizinha. Como diz o ditado popular, muita água correrá debaixo da ponte.

Mas há dois dados sobre os quais importe refletir, porque esses não deverão sofrer significativas alterações e são relevantes.

Primeiro, o facto da sondagem espelhar um significativo valor de votos nulos, em branco e em “outros” partidos, situando este item acima das intenções de voto no PCP e no BE.

Mas mais importante e preocupante, é o número de abstenções: 60,8%. É certo que as eleições europeias sempre tiveram muito pouco impacto nos portugueses. Ou porque os portugueses, ao fim destes anos todos de integração europeia, ainda não entendem o peso e a importância da UE; ou porque, entendendo-a , não a aceitam; ou porque os portugueses continuam alheados da política (por mais que critiquem); ou, ainda, pelo facto, da maioria dos portugueses estarem completamente desiludidos com o rumo do país. Não só pelos 60% de abstenções (e mais 11% de indecisos), mas também pelos resultados da sondagem da Universidade Católica, realizada este mês, e que revele que “mais de dois terços dizem que o país está pior do que antes da Troika”.

publicado por mparaujo às 23:28

11
Jun 09
Ainda no rescaldo das eleições europeias do passado dia 7...
Se é certo que o acto eleitoral em causa pretendia, exclusivamente, eleger os 22 deputados que representarão (espera-se) Portugal em Bruxelas, também não é menos verdade que a campanha, o sentido de voto dos portugueses e os resultados verificados têm tudo a ver menos com o Parlamento Europeu. Na prática foram muito poucos os portugueses que votaram conscientemente para a eleição europeia.
E este é um facto, somado ao desaire do PS nestas eleições (derrota à direita, à esquerda e na abstenção), que o Primeiro Ministro José Sócrates não pode esconder, por mais que o tente.
A verdade é que nenhum partido da oposição "exigiu" a demissão do governo (a tão curto espaço de tempo das legislativas, era perfeitamente surrealista).
Mas a verdade é que estas eleições foram marcadas pela insatisfação para com o governo. E quem o determinou foi uma campanha arredada do tema EUROPA (por todos os partidos) e o voto expresso dos portugueses.
A este facto acresce ainda a insatisfação dentro do próprio PS, com uma abstenção demasiado elevada, em grande parte provocada pela necessidade de muitos socialistas marcarem, também, a sua posição de desagrado: entre o votar PS contrariados, muitos, mas muitos mesmo, optaram por não votar.
Por mais que José Sócrates se esforçe por contrariar o óbvio, o que é certo é que estas europeias não foram mais do que umas "primárias" para Setembro (legislativas).
Mesmo que nessa altura o contexto possa ser diferente... resta saber se para melhor ou pior.
publicado por mparaujo às 21:50

07
Jun 09
Está perfeitamente actual o que escrevi no Diário de Aveiro, há uma semana atrás e que está referenciado no post anterior.
"Para PS e PSD a disputa eleitoral resume-se à imagem de umas eleições primárias. Se o PSD se aproximar, em intenções de voto, do PS, relança o combate político para Outubro e relança a hipótese de ser alternativa governativa. Se o PS marcar a sua diferença, poderá ganhar alento para retomar a suplicada maioria."

Mas há mais...
A Abstenção "votou" para o Parlamento Europeu.
Quem exerceu o seu direito de voto, votou como primárias para as Legislativas de Outubro.
As contas... cada um faça as suas!
publicado por mparaujo às 22:38

29
Mai 09

Publicado na edição de ontem (28.05.09) do Diário de Aveiro.

Sais Minerais
A Europa absentista.

Este é um verdadeiro ano político.
Por força desse facto, um ano eleitoral mas também eleitoralista. E eleitoralista, no pior do seu conceito.
Não bastava a iliteracia política da maioria dos portugueses, para entrarmos e assistirmos àqueles ciclos onde muito se fala, pouco se aprofunda ou concretiza, onde “ganha” quem falar mais alto (em bom português: “quem berrar mais alto”).
E não se trata de uma análise redutora, mas sim a (triste) constatação da realidade.
Facto: Campanha Eleitoral – Europeias 2009.
O que se discute ou o que está em causa?!
A eleição de 22 deputados (por força do alargamento da União Europeia, foram “perdidos” dois deputados) para a representação nacional (ao caso, portuguesa) no Parlamento Europeu.
E neste sentido, a discussão da importância da Europa, o que significa estar ou não estar no contexto europeu e a zona euro, o funcionamento das suas instituições, a participação dos cidadãos, o impacto político, social, cultural e económico da União Europeia nos países, deveriam ser a preocupação principal dos partidos e dos políticos (acrescida de algumas Instituições e Presidente da República) e o objectivo primário deste período eleitoral. No entanto, o que assistimos, neste arranque de campanha, é um desfilar de conteúdos, propostas e contexto vazios.
Para uns, principalmente PS e PSD, a campanha trava uma “luta” na relação de forças (poder e oposição), numa conquista percentual de votos, mesmo que os conteúdos e as formas se situem nos ataques vazios e na demagogia.
Para outros, concretamente PCP e BE, o uso do espaço da campanha eleitoral resume-se à crítica governativa, ao tão implorado “cartão vermelho” como se estivéssemos perante as eleições legislativas. Como se fosse secundário que, em algumas acções, os governos estão condicionados ao que os deputados europeus eleitos decidem nos lugares de Bruxelas.
Para PS e PSD a disputa eleitoral resume-se à imagem de umas eleições primárias. Se o PSD se aproximar, em intenções de voto, do PS, relança o combate político para Outubro e relança a hipótese de ser alternativa governativa. Se o PS marcar a sua diferença, poderá ganhar alento para retomar a suplicada maioria.
Em qualquer dos casos, somando as acções e intenções (da direita à esquerda) o que fica por debater e discutir é o verdadeiro sentido das eleições, o que está em causa em cada voto e cada cruz assinalada, os objectivos fundamentais deste acto cívico.
Discute-se o paralelo, o superficial, o virtual e irreal. Não se discute o papel da Europa, os seus impactos, alternativas, princípios e valores…
À boa maneira portuguesa, não se discute. Fala-se muito; grita-se ainda mais!
Também à boa maneira portuguesa, a política e os cidadãos continuam de costas voltadas, distantes e desgarrados.
Curiosamente, neste processo, a excepção à regra têm sido as minorias (os partidos e movimentos ditos pequenos) que “sofrem” a ausência de espaço e representatividade.
Também, à boa maneira lusa, o maior partido português é o Partido Português do Absentista, por culpa dos próprios partidos e políticos.
No dia 7 de Junho… VOTE!
Ao sabor da pena…

publicado por mparaujo às 21:00

08
Abr 09
Uma boa aposta europeia do PP - Nuno Melo.



publicado por mparaujo às 22:31

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