Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

19
Jan 19

Há cerca de dois ou três anos tive o primeiro contacto com a "causa", infelizmente mais uma, na defesa dos Direitos Humanos, concretamente dos Direitos das Crianças.

A defesa dos direitos fundamentais e da dignidade humana de qualquer cidadão, por razões acrescidas quando se trata de crianças, não devem conhecer fronteiras, nem distâncias e, muito menos, indiferença.

No Gana, bem no coração dessa África esquecida e explorada, os pais vendem os seus filhos por menos de 30 euros a traficantes que os revendem aos pescadores do Lago Volta. Estas crianças são obrigadas a trabalhar 14 horas por dia, 7 dias por semana, a troco de um único prato de mandioca. Há, naquele país da África ocidental, 240 mil crianças vítimas de trabalhos forçados e 6,3 milhões de crianças nunca entraram numa sala de aula.

Em 2007, a jornalista Alexandra Borges (TVI) foi ao Gana para produzir uma reportagem sobre violação dos direitos humanos (ver vídeos abaixo). A reportagem e a experiência pessoalmente vivida transformar-se-iam na sua missão pessoal: resgatar o maior número que pudesse de crianças (começaram por ser três) daquele verdadeiro flagelo humano e proporcionar-lhes uma esperança e um futuro, a começar pela sua educação e formação.
Foi assim que nasceu o centro de resgate, acolhimento e formação, em Kumassi (Gana), numa parceria entre a associação que fundou (Filhos do Coração) e a congénere americana Touch a Life Kids, conta já com cerca de uma centena de crianças que voltaram a poder sorrir e viver.

Como a Alexandra Borges afirma, não é só o tráfico de crianças é também a "indiferença que mata as crianças no Gana". Há, no entanto, uma oportunidade para podermos ajudar a resgatar sorrisos e vidas.
A Associação FILHOS DO CORAÇÃO vai lançar uma campanha solidária entre os dias 26 de janeiro e 4 de fevereiro: Vamos Resgatar Sorrisos!

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As crianças do Gana contam com a ajuda de todos: pode ajudar a RESGATAR SORRISOS e/ou apoiar a campanha como voluntário.

As reportagens da jornalista Alexandra Borges.

publicado por mparaujo às 18:18

02
Nov 18

Amal Hussain.JPG

Mas há um turbilhão de sentimentos: revolta, solidariedade, impotência, comoção, choque, desassossego, (...).

E há igualmente uma premissa que importa, desde já, destacar: não colhe o argumento "cá também há situações de..." ou "isso é lá longe, o que conta são os 'nossos'". Não! Não é assim...

Primeiro, a vida, os direitos e a dignidade humana são universais e não conhecem fronteiras.
Segundo, existem realidades e contextos bem distintos.
Terceiro, a preocupação por aqueles que estão ao nosso lado não implica sejam esquecidos ou ignorados os que estão longe.
Por último, esse tipo de argumento (tão ouvido no que respeita à problemática dos refugiados/migrantes) serve, na maioria dos casos, para esconder uma total (seja perto ou longe) indiferença, apatia, marasmo, comodismo, insensibilidade.

Não foram tão poucas as vezes que aqui se deu conta que há muito mais para além do gravíssimo contexto da conflitualidade com o islamismo, que ultrapassa as vivências com os atentados terroristas na Europa ou nos Estados Unidos. Há todo um Norte e Centro de África e um Médio Oriente que vive, há décadas, assolado pela guerra, pela morte, pela fome, pela exploração por terceiros das suas riquezas... completamente ao abandono, onde impera a total ausência por um qualquer respeito pela vida e pelos direitos humanos.

A ciência e a tecnologia evoluem a cada nano-segundo... mas as sociedades e os homens teimam em manter um estado de primitivismo, medievalismo e arcaísmo gritantes (apesar de nos situarmos em pleno século XXI).

A informação e a comunicação atingem uma velocidade estonteante mas cada vez há uma maior conflitualidade entre as pessoas e as nações... Há riqueza e, simultaneamente, mais pobreza... Há melhores condições de vida mas morre-se de fome...

O Índice Global da Fome em 2018 revela que 821 milhões de pessoas passam fome.
Segundo os dados recentemente revelados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Organização Mundial da Saúde, Divisão da ONU para a População e pelo Banco Mundial, em 2017, morreram 5,4 milhões de crianças com menos de cinco anos e mais 900 mil crianças entre os  5 e 14 anos. Não há argumentos suficientes para se ser indiferente ao facto de, em 2017, tenham morrido todos os dias 15 mil crianças devido à guerra; à escravatura, onde as crianças são 25% das vítimas (ainda há leilões humanos em 2018, por exemplo, na Líbia, onde se vendem pessoas por pouco mais de 100 euros); à escassez de alimento e água; à falta de condições elementares de saúde (vacinação, tratamento médico, etc) ou de infraestruturas básicas como o saneamento.
A maioria das mortes ocorreu na África Subsariana, no Médio Oriente e no Sudeste Asiático, numa lista considerável de países como o Chade, Madagáscar, Serra Leoa, Iémen, Zâmbia, Burundi, República Democrática do Congo, Eritreia, Líbia, Somália, Sudão do Sul, Síria, Gabão, Gana, Maurícias, Senegal, ou o Sri Lanka... e por aí fora. Países sujos nomes, para muitos, são "perfeitos desconhecidos".

Mas são países com rostos, com vidas...

Infelizmente vamos vivendo à "custa" de símbolos, de rostos, de imagens que se tornaram referência em diversos contextos: o pequeno Aylan Kurdi, a criança síria de apenas 3 anos, encontrado morto sobre a areia de uma praia na Turquia, em 2015; a jovem, Malala Yousafzay, de 17 anos, que sobreviveu a um ataque de talibãs em 2012, Nobel da Paz em 2014, e que luta pelo direito universal à educação das crianças; a jovem síria Doaa al-Zamel, uma das 11 sobreviventes de um naufrágio que vitimou 500 refugiados no mar Mediterrâneo, e que publicou a sua história no livro "Uma Esperança mais Forte do que o Mar", escrito em conjunto com Melissa Fleming, então directora de Comunicação e porta-voz do ACNUR; ou Clemantine Wamariya, que aos 6 anos atravessou sozinha, com a irmã, sete países, andou de campo de refugiados em campo de refugiados, para fugir do genocídio no Ruanda, acabando por encontrar os pais, 12 anos depois, num dos programas da Ophra.

Ontem a pior das notícias corria o mundo. A imagem da criança Amal Hussain, de 7 anos, colhida pelo fotojornalista Tuler Hicks do The New York Times, tinha-se tornado o "rosto" e o "símbolo" da crise alimentar e da fome no Iémen. É mais uma das fotos, das imagens, dos "rostos" tornados referências que NUNCA DEVIAM EXISTIR. A criança Amal não resistiu ao estado debilitado do seu corpo e do seu organismo e acabou por falecer num campo de refugiados a SEIS QUILÓMETROS DE UM HOSPITAL. Vergonha!

Se isto não indigna, não revolta, não inquieta, que a indiferença e a apatia esbarrem nos números que acrescem: a Cimeira Mundial de Defensores de Direitos Humanos, realizada esta semana, em Paris, revela que, em 2017, 312 activistas de direitos humanos foram assassinados (o dobro do registado em 2015); 4.400 trabalhadores humanitários foram vítimas de ataques graves ao longo das duas últimas décadas, dados revelados a propósito do Dia Mundial da Ajuda Humanitária, celebrado a 19 de agosto.

Isto não é (em) Portugal... mas vivemos todos no mesmo mundo e planeta (cada vez mais pequenos). E é tão fácil ajudar (há muitas formas, meios e entidades para escolhar)

(crédito da foto: Tuler Hicks/The New York Times)

publicado por mparaujo às 22:09

29
Nov 17

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(crédito da foto: Getty)

Basta percorrer a página portuguesa da Aministia Internacional (deveria ser um hábito para todos) para percebermos que o Mundo tem permanentes conflitos que condicionam, atropelam e ofendem os mais básico, elementares e fundamentais Direitos Humanos. Conflitos que, infelizmente, passam longe dos holofotes do mediatismo, passam longe da "nossa porta", mas que merecem especial e cuidada atenção e acção: o desrespeito pela dignidade da vida humana (Farid al-Atrash e Issa Amro, colonatos israelitas; ou "eu acolho", crise dos refugiados); os presos políticos e/ou de consciência e a liberdade de opinião e expressão (Clovis Razafimalala - floresta Madagáscar; Tep Vanny - Camboja; Taner Kılıç - Turquia); as exclusões e crimes étnicos (Taibeh - deportação da Noruega para o Afeganistão; população rohingya em Myanamar/Birmânia); ataque à liberdade de informação (Shawkan - Egipto; jornalistas na Turquia), entre muitos outros casos (apenas exemplificados aqui através de algumas das petições abertas).

Acresce aos exemplos referidos a promoção aqui assumida do projecto da jornalista da TVI, Alexandra Borges (Filhos do Coração) contra a mercantilização e tráfico de crianças no Gana.

Poderíamos ainda referenciar a proliferação dos atentados sob a bandeira do Estado Islâmico, muito para lá dos olhares da velha e agastada Europa.

Mas é mais simples, mais cómodo, menos inquietante, mais volátil, entretermo-nos com a possível deslocalização a norte dos medicamentos; com os 200 € per capita pagos nas conferências governativas; na diabolização do eucalipto ou nas rendas energéticas; no irrisório aumento do IRC acima dos trinta milhões de lucros; ou na palavra dada, palavra desonrada do Governo (e já não entro no futebol porque é promessa pessoal, a bem da sanidade mental, riscar a modalidade do vocabulário público). E não somos capazes de uma simples e mera posição político-administrativa de isentar o pagamento do IMI a quem viu desaparecer o património que tinha (habitação ou empresa) por culpa do fogo e da incapacidade de resposta do Estado.

Ou seja... é demasiado fácil desviar as atenções, criar ruído sobre o essencial: a defesa da vida, das liberdades e garantias mais elementares para a digna existência de qualquer cidadão.

É, por isso, gritantemente preocupante, abjecto, deplorável que, em pleno século vinte e um, na recta final de 2017, haja seres humanos escravizados e mercantilizados por 330 euros (um cêntimo que fosse seria condenável). Não bastava milhares de pessoas que ao fugirem da morte em países como o Senegal, Mali, Costa do Marfim, Nigéria, Níger ou Gâmbia (entre outros tantos em África) encontram o inferno da escravatura na Líbia.

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 (manifestação na Suécia... crédito da foto: Getty)

publicado por mparaujo às 20:29

21
Nov 16

São já 27 os anos que separam o dia 20 de novembro de 1989 do dia celebrado ontem (20 de novembro de 2016).

São já 27 os anos que distam do dia em que as Nações Unidas adoptaram a Convenção dos Direitos das Crianças (20 de novembro de 1989).

Hoje (ontem) é dia de lembrar o que nos relata a UNICEF.

  • seis milhões de crianças continuam a morrer anualmente de causas evitáveis.
  • 50 milhões de crianças foram obrigadas a abandonar as suas casas, das quais 28 milhões estão deslocadas por conflitos ou pela guerra.
  • 250 milhões de crianças vivem em países afectados por conflitos. (Síria, Iraque e norte da Nigéria, a título de exemplo).

crianca alepo.JPG

  • 385 milhões de crianças vivem na pobreza extrema.
  • Mais de 250 milhões de crianças em idade escolar não estão a aprender.
  • Perto de 300 milhões de crianças vivem em zonas com os níveis tóxicos de poluição do ar mais elevados (seis vezes superior aos valores definidos internacionalmente).

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 Mas também Portugal não foge à tragédia dos números.

  • 2,8 milhões de portugueses encontram-se em risco de pobreza, sendo que destes mais de 640 mil serão crianças e jovens.
  • uma em cada quatro crianças portuguesas vive na pobreza.

crianca portugal.JPG

Para além de todos este dados, permanece-me na memória, bem viva, o pequeno sírio Aylan Kurdi numa praia turca e os milhares de crianças que morreram no mar Mediterrâneo.

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Isto sem esquecer os milhões de crianças em todo o mundo e dos milhares em Portugal vítimas de abusos, violência, tráfico e escravatura.

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publicado por mparaujo às 14:11

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