Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

10
Jan 14
segredo justica

Em relação ao post anterior "Que anormalidade..." há uma leitura acrescida e focada por Estrela Serrano nesta sua interessante reflexão: "Afinal, o ex-espião foi um percursor…".

Podemo-nos (devemos... e é urgente que aconteça) revoltar e indignar por razões profissionais, deontológicas, jurídico-legais, constitucionais, por fundamentos da democracia, da cidadania e de um Estado de Direito. Tudo é, face ao que o Relatório da Auditoria ao Segredo de Justiça destaca num dos seus pontos (alteração do actual quadro jurídico-legal que permita escutas, buscas, apreensões de material e informação, aos jornalistas e aos órgãos de comunicação social). Tudo em nome do cumprimento da lei e em defesa do segredo de justiça.

No entanto, a Estrela Serrano levanta uma outra perspectiva do problema.

A transformação do jornalista em "cobaia", em "isco", em "bufo", como forma de, através destes, conseguirem incriminar aqueles que internamente (MP ou PGR) divulgam informação que viola o princípio do segredo de justiça.

É o mesmo que, como alguém dizia nas redes sociais, um hipermercado responsabilizasse os clientes pelo "desvio" de produtos por parte dos funcionários.

publicado por mparaujo às 22:46

06
Jan 14

A morte do Eusébio não poderia fugir à regra.
Apesar disso, entre os excessos de algum fanatismo (uns mais descontrolados que outros), entre alguma indiferença, entre os que gostam e os que detestam futebol, entre os que são do clube “A”, “B” ou “C”, nesta caso, houve um consenso alargado sobre o símbolo que foi Eusébio da Silva Ferreira para o desporto nacional, para o futebol e para o país. E basta dar uma espreitadela para as notícias que surgem na imprensa estrangeira, para o que sentiram, nomeadamente, as pessoas ligadas ao futebol por esse mundo fora, para termos uma noção da dimensão futebolística do Eusébio.
Mas é nesta dimensão que, à boa maneira portuguesa, corremos os riscos de sempre: o exagero. Não me refiro à valorização do Eusébio. Essa, goste-se de futebol ou não, penso que está, genericamente, ultrapassada. Eusébio é do povo, de todo o povo, independentemente do tempo e da carreira que fez no Benfica. Será sempre um símbolo do Benfica, da sua história e da grandeza do clube. Mas ultrapassou os relvados do estádio da Luz, vestiu a camisola da selecção, é, foi e será, um símbolo nacional.
E esta dimensão é que traz alguns constrangimentos. Na ânsia de valorização da personalidade, no desejo de homenagear e elevar o Eusébio, muito rapidamente caímos no erro do exagero, no irracional, na descontextualização das comparações, no fanatismo e, ao caso, na clubite. Por exemplo, não fosse Eusébio um ídolo do povo ficaríamos apenas a ouvir (legitimamente) o Hino do Benfica. Mas Eusébio era de Portugal e as vozes dos portugueses rapidamente se lembraram do Hino Nacional e entoaram A Portuguesa.
Mas este foi um episódio de somenos importância no contexto do que foi o dia de ontem e de hoje.
Eusébio merece este estatuto e esta homenagem nacional? Claramente. Só por mera indiferença se pode julgar o contrário (como houve indiferentes ao falecimento do Nobel da Literatura Portuguesa, José Saramago, ou quando do falecimento da fadista Amália Rodrigues).
Mas terá sido a sua memória respeitada? Tenho dúvidas. Não só pelo que já referi quanto às emoções irracionais, aos comentários despropositados (como alguém referir que o "Eusébio está ao nível de Mandela, talvez até um pouco mais acima") ou aos fanatismo (quer pró, quer contra), mas, essencialmente, pela forma como a Comunicação Social “explorou” a morte de Eusébio, em vez de celebrar a “sua vida”. Como referiu Luís Novaes Tito, no blogue “A Barbearia do Sr. Luís”, é importante saber “respeitar a memória dos mortos, principalmente daqueles que, em vida, nos serviram de exemplo”.
Que o País devesse uma sincera homenagem a Eusébio, que parasse durante várias horas para se despedir de um dos seus símbolos nacionais (não o que o Estado Novo tentou aproveitar, mas sim o que o povo quis escolher), tudo seria mais que merecido. Mas com um excessivo número de horas de transmissão dedicados à morte de Eusébio (quase que ininterruptamente), explorando muito mais as emoções, os sentimentalismos, as opiniões de todos e de mais alguns (mesmo que sujeitas às alarvidades do costume, como a citada acima, ou o comentário do Dr. Mário Soares, que pareceu sincero mas inoportuno ou despropositado – para não dizer, infeliz) do que o que foi a vida pessoal e desportiva do Rei Eusébio (e a RTP tinha material mais que suficiente para o fazer com extrema elevação) não me parece que se tenha prestado a devida homenagem pública nesta hora da despedida. A maior parte do tempo usado nas televisões nacionais, por força da necessidade de “ocupar tempo de antena”, foram as repetições, o exagero dos testemunhos e das opiniões, a disputa pelas emoções dos portugueses (mesmo que sinceras). Como escreveu a Estrela Serrano, no seu blogue “Vai e Vem”, “Homenagear Eusébio e outros grandes ídolos mundiais na hora do seu desaparecimento é também ser capaz de encontrar o equilíbrio no tempo, nas palavras e na selecção daqueles que efectivamente tenham algo para dizer que não seja o que qualquer um podia dizer”. Eu diria mais… Homenagear Eusébio seria ser capaz de celebrar muito mais a sua vida do que o momento da sua morte. E menos excesso não significaria menos gratidão. Antes pelo contrário, Seria sinal de maior respeito.
Mas também se reconhece que esta é a Comunicação Social/televisão que o povo quer e sonha. Um povo agarrado a horas sem fio de “Casas dos Segredos”, “Portugal em Festa” e tudo o que tenha sangue, tragédia e lágrimas (para o bem e para o mal).
Eusébio merecia menos, mas melhor. Muito melhor. Acho...

publicado por mparaujo às 16:03

23
Jan 13

Demagogias (e convicções) políticas à parte.

O Estado português, ao fim de dois anos de resgate financeiro (troika), regressou aos mercados de financiamento colocando dívida pública soberana (a cinco anos). Numa operação que se manifestou um sucesso, apesar de fortemente pré-preparada, o Estado arrecadou cerca 2,5 mil milhões de euros de financeiro, com uma taxa de juro considerada record (mínimo) e inferior a 5% (cerca de 4,8%). Apesar da forte procura (segundo o Governo foi cinco vezes superior ao estimado) Portugal pagará mais juros por esta operação obrigacionista do que a última colocação de dívida pública irlandesa no mercado (início deste mês) que ronda os 3,4%.

Independentemente dos méritos, esta é uma boa notícia para uma parte do problema: o refinanciamento do Estado e da economia, mesmo que apenas com um pequeno passo.

Por isso é que o confronto político sobre a temática, principalmente entre PS e PSD/CDS (Governo), não encontra um vencedor.

O PS porque (como muito bem descreve a Estrela Serrano em “Governo – 1, PS – 0: o treinador não esteve à altura do desafio”) não soube capitalizar, no momento certo, um discurso que vinha repetidamente profetizando mas que acabou por se revelar inadaptado face ao sucesso da colocação de dívida pública nos mercados. Por outro lado, a renegociação das condições do memorando (mais tempo e diminuição dos juros) parece não ser, afinal, uma necessidade tão premente para uma das vertentes da saída da crise (desenvolvimento da economia). Além disso, importa referir que o sucesso da operação de refinanciamento provocou uma importante reacção financeira:  as quedas acentuadas dos juros da dívida pública para os prazos de dois e dez anos.

No caso do Governo, fazer desta operação uma excessiva euforia política é, simultaneamente, pura demagogia política e o encapotar do resto da realidade que é o ajuste das contas públicas e a austeridade que tem sido implementada (a crise interna). E acima de tudo, apesar do sucesso e da operação ter sido estrategicamente bem preparada e de termos regressado ao mercado antecipando, em vários meses, a data perspectivada (setembro/outubro), a verdade é que a confiança reconquistada aos investidores tem, eventualmente, um maior mérito externo que interno.

Para este sucesso e o retomar da confiança dos investidores (93% estrangeiros: 80% de fundos, 4% de seguros e 9% da banca) contribuiu, naturalmente, o cumprimento das metas impostas pelo memorando de resgate (o défice de 2012 poderá ficar nos definidos 5%, mesmo que à “custa” da ANA); as medidas do BCE; a imagem que a União Europeia tem transmitido sobre Portugal e o programa de ajustamento das nossas finanças públicas, ao ponto de justificar a flexibilização do cumprimento das metas impostas no memorando (mesmo que ainda não se saiba o que isso nos irá custar).

Mas apesar destes factores todos há um outro que se revelou extremamente importante e marcante: não nos podemos esquecer que a Irlanda (país igualmente sobre resgate financeiro) regressou aos mercados já no início deste mês, abrindo a tão badalada “janela de oportunidades” para o sucesso português. Mas mais ainda… a Irlanda assumiu, a 1 de janeiro, a presidência do Conselho da União Europeia. O que não pode deixar de poder ser considerado um aspecto importantíssimo, quer para as posições da UE que foram recentemente tomadas, quer para a confiança do próprio mercado de investimento. E a questão coloca-se, com alguma racionalidade: se não fosse essa realidade Portugal teria tido capacidade para regressar aos mercados?

Por fim… é legítimo exigir do Governo toda a clareza e verdade no seu discurso. Esta operação não terá, directamente, implicações no esforço que os portugueses estão a fazer e as dificuldades porque estão, e continuarão, a atravessar na consolidação das contas públicas.

publicado por mparaujo às 23:32

17
Jan 13

Ainda a propósito da tal conferência pública/privada promovida pelo Governo e organizada pela advogada Sofia Galvão, "Pensar o futuro – um Estado para a sociedade" e no seguimento do que expus no post "Informar é diferente de fazer um discurso".

São diversas as opiniões/argumentos para justificar a concordância ou a discordância em relação à posição assumida por alguns jornalistas de abandonarem a conferência pelas razões que estão descritas no referido texto. Aliás, já referi ter posição diferente em relação à Fernanda Câncio (apenas nesse ponto), como também é diferente da posição assumida por Estrela Serrano, mesmo que a tenha tão elogiado (merecidamente) no início do post. E, de forma muito clara, com todo e o devido respeito e consideração, não tenho qualquer constrangimento em poder achar que a razão não me assiste.

O que não posso deixar de referenciar e manifestar o meu desacordo é com o texto de Henrique Monteiro no seu blogue do Expresso, com o título "A manada de jornalistas e a sociedade civil secreta".

Primeiro, parece-me totalmente inapropriado (pelo menos isso) que no título qualifique jornalistas como "manadas". Até porque nem se percebe a sua ligação com o conteúdo do texto.

Segundo, apesar da sua posição ser idêntica à da Fernanda Câncio e à de Estrela Serrano, a argumentação usada nos pontos 2 e 3 do seu post merece um comentário.

Diz Henrique Monteiro que "2) Os organizadores de qualquer conferência têm o direito de impor as regras de divulgação que entenderem. Incluindo a de não quererem jornalistas por perto. O dever de informar não pode ser extensível a qualquer ato da sociedade. Isso nem faz sentido".

Ora, em teoria é um facto. Mas no que respeita ao caso em apreço, a verdade é que os jornalistas foram "usados" para a publicitação de um evento público (e não privado ou restrito). A verdade é que a Comunicação Social foi convidada a estar presente para exercer a sua função: informar/noticiar. Não foram colocadas quaisquer restrições prévias ao exercicío das funções jornalísticas. Estas foram reveladas já no decurso do evento. O dever de informar é "devido" a actos para os quais os jornalistas são, livremente, convidados e em actos públicos que pretendem, inclusive, envolver a sociedade civil.

Mas a minha maior discordância refere-se ao ponto 3 do texto: "O dever dos jornalistas é informar os seus leitores, ouvintes e espetadores, mesmo em condições mais adversas. (...) Esta ideia de que os jornalistas não têm deveres para com os seus leitores está a matar o jornalismo, transformando-nos (a nós profissionais) numa espécie de 'vacas sagradas' que decidem em manada abandonar locais em sinais de protesto. (...) O compromisso principal de um jornalista, para lá de todos os direitos que possa ter, é com o seu público."

É um facto que não podia estar mais de acordo com o que escreve Henrique Monteiro mas pelas razões, completamente, opostas.

O dever do jornalista é informar e há que honrar o principal compromisso profissional que é para com o leitor. Mas foi mesmo isso que se passou com o abandono da conferência por parte de um grupo de jornalistas da Antena 1, Lusa, Público e TSF, foi o respeito pelo leitor (da mesma forma com aqueles que permaneceram). Porque o que ficou em causa foi precisamente o rigor, a verdade da informação, completamente condicionada ao que a organização pretendia que fosse divulgado: apenas os propósitos do evento (na abertura) e a opinião do Governo (no encerramento). Todas as restantes partes, tudo o que fosse dito como voz contrária às convicções do Governo, estava condicionado. Fazer disso notícia e informar o público dessa forma seria, isso sim, um atropelo à deontologia, aos estatutos, à lei, que garante ao cidadão o pleno exercício do direito a SER INFORMADO (com rigor, verdade e transparência).

E por todas as outras razões relacionadas com a função (direitos e deveres), continuo a entender que a posição assumida por aquele grupo (e não "manada") de jornalistas foi a mais correcta, independentemente de, lamentando, aceitar a decisão dos que resolveram permanecer.

publicado por mparaujo às 00:01

15
Jan 13

Na passada sexta-feira (11 de janeiro) Estrela Serrano tem um excelente texto publicado no blogue "Vai e Vem" sob o título "Eis em que se transformou a comunicação política em Portugal: informação relevante é conhecida através de fugas para os jornais". Neste texto, a docente, investigadora e ex-vogal da ERC, refere, de forma exemplar, dois recentes casos que retratam a forma como a Informação (Comunicação Social) é vista pela Presidência da República e pelo Governo: O documento do Presidente da República enviado ao Tribunal Constitucional e que justifica/fundamenta o seu pedido de fiscalização sucessiva do OE2013 e o pseudo-relatório do FMI que ninguém conhecia e que, um dia após a sua divulgação, acaba publicado no portal do Governo.

Hoje, ficámos a saber que o Governo solicitou à advogada, militante do PSD e ex-secretária de Estado, Sofia Galvão, a realização de um ciclo de conferências sobre o tema "Pensar o futuro – um Estado para a sociedade". Mas a reflexão sobre a "refundação do Estado" começou mal. Muito mal mesmo. Eu diria até de forma vergonhosa para a iniciativa, para o Governo, para a democracia e para a liberdade de informação.

Uma acção pública, largamente publicitada, que pretende envolver a sociedade civil sobre uma temática da maior importãncia e relevo para o país, à qual são chamados o jornalistas, só tem que ter um final: a sua divulgação, o exercício legitimo do direito de informar e do direito (dos cidadãos) a ser informado. Daí que seja de aplaudir (e de pé) a atitude dos profissionais da Antena 1, da Lusa, do Público e da TSF (embora só se conheça a posição oficial, comunicado, da Antena 1) que após terem sido informados pela organizadora do evento, Sofia Galvão, em pleno decurso do debate, da alteração das regras ("Não haverá registos de imagem e som. A permanência dos jornalistas na sala é permitida mas não haverá nada do que seja dito sem a expressa autorização dos citados", anunciou esta manhã Sofia Galvão na sua intervenção inicial. Só a abertura e encerramento da conferência – que serão feitas pelo primeiro-ministro, ao final da tarde de amanhã – serão totalmente abertas à comunicação social.) decidiram abandonar a conferência/debate.

Não se promove uma discussão pública para depois a manter fechada ou circunscrita a uma "sociedade civil" restringida a meia dúzia de iluminados. Não se envolve a sociedade civil para depois esconder da opinião pública tudo aquilo que não interessa (que não é favorável) ao governo. Não se chama a Comunicação Social para depois a silenciar ou a condicionar o seu legítimo direito ao normal e óbvio exercício da sua função que é, tão somente, informar (e não de mero assistente ou veículo de informação pré-selecionada como seria a cobertura apenas da abertura e encerramento/conclusões do evento). Tal como refere, de forma muito clara, a Fernanda Câncio em "a conferência onde aquilo que se diz não se escreve". Só não concordo com um ponto (um único, apenas) que a Fernanda Câncio refere: que os jornalistas deveriam ter ficado.

À parte de todas as questões e atropelos legais, por parte da organização (Sofia Galvão), à Constituição, à Lei da Imprensa, da Rádio e da Televisão, ao Estatuto dos Jornalistas ou ao seu código deontológico, e que me vou, aqui, escusar de nomear, o que eu acho é que TODOS os jornalistas deveriam ter saído. TODOS. Por uma questão de respeito, valorização e dignificação da profissão, do seu Código e do seu Estatuto. Mas TODOS (o que, infelizmente, tal como em muitas outras situações, raramente acontece. Ou por falta de solidariedade ou por falta de concertação. Ou porque...). E depois sim, com essa atitude colectiva, condenar publicamente o acto de censura e de limitação do direito de informar a que foram sujeitos.
E este inqualificável episódio faz-me lembrar outra realidade também comum e perante a qual os jornalistas têm sido muito displicentes: as conferências de imprensa sem direito a perguntas. Ir lá para quê? Gastar recursos (financeiros, técnicos e humanos) para quê? Bastava, e seria mais barato, célere e fácil, o envio de comunicados para as redacções.

A TODOS os que corajosa e dignamente tomaram esta posição, a minha total solidariedade, o meu respeito e o meu sincero aplauso.


Nota da direcção de informação da Antena1

"A Direcção de Informação da Antena1 não recebeu previamente, por parte da organização, qualquer informação sobre as condições de registo de declarações dos participantes na conferência Pensar o Futuro.
Não concordando com as regras impostas, uma vez que como o próprio nome indica se tratava de uma conferência, e por essas regras colocarem em causa o estatuto dos jornalistas e o princípio da liberdade de imprensa, a Antena1 decidiu não acompanhar o evento nos momentos em que não é permitida a divulgação do seu conteúdo."

publicado por mparaujo às 22:02

14
Jun 12

 

Estrela Serrano tem uma análise que considero soberba a um artigo com o título "As coisas mais estranhas", publicado na edição do dia 12 de Junho da Revista Sábado.

O texto de Estrela Serrano, publicado no blogue "Vai e vem", com o título "Originalidades do jornalismo em Portugal" é, de facto, muito bom e mereceu leitura atenta e "atrevimento" de comentário (meu) que passo a transcrever:

O texto é algo de soberbo e excepcionalmente claro e sentético de parte da realidade do universo jornalístico e da sua relação com a política. Com toda a sinceridade... (sem qualquer necessidade de "favor").
A análise no ponto 1 é perfeita e refelecte um marco na história da comunicação social em Portugal e do reflexo que tem (ou deixou de ter) nos dias de hoje.
No ponto 2 eu teria ido mais longe. Face à realidade social (onde se incluem os "maus" hábitos de leitura e de sentido crítico dos portugueses) e à dimensão do país é incompreensivel que haja tanto jornal e tantos canais televisivos. Pelo exposto, só seria de esperar que o jornalismo se tornasse num processo mediático, estatístico (audiências) e comercial/económico.
Em relação ao ponto 3 penso que essa realidade e dualidade, há quem a denomine de simbiose (eu acho que em muitos casos, demasiados até, é mais parasitismo), é comum ao universo da comunicação social e da política, à relação entre ambos, em qualquer canto do mundo. Sempre foi uma relação de "amor-ódio" com mais ou menos episódios. A dificuldade reside na altura em que a ética, a deontologia, a verdade precisa de ser colocada em prática: na altura de informar com isenção, rigor e verdade.
Só não percebo a admiração em relação aos directos dos eventos político-partidários. Acho que isso se resume ao interesse informativo e à exigência que o cidadão tem de ser informado numa área perfeitamente de interesse público (que deve, apesar de tudo, ser distinta do "interesse DO público").

A ler...

publicado por mparaujo às 21:07

08
Jun 12

A "ouver"...

Primeiro relembrar o comentário da Fernanda Câncio no 25ª hora da madrugada de quarta-feira - 6 de Junho. E a preparar complemento pessoal. Muito bem na primeira abordagem, apesar de eu achar que a questão dos resultados da sondagem, em relção ao PS, não está numa eventual "colagem" ao governo, mas sim na falta de propostas alternativas e de uma agenda própria e eficaz. Na segunda parte faltou alguma clareza face ao diálogo surgido com o João Maia Abreu.

 

(clicar na imagem para aceder ao vídeo)

 

A ler...
Segundo, a ler com muita atenção a conclusão da Estrela Serrano em relação à notícia do Correio da Manhã e replicada pelo jornal i (o que não deixa de ser curioso) sobre D. Januário, bispo das forças armadas... De facto, é interessante que só depois das declarações do representante da Irgeja junto dos militares, dirigidas ao primeiro-ministro, é que alguma imprensa se preocupa com os rendimentos monetários de D. Januário...
Cheira mal...
E isto não tem a ver com crenças... mas, concordando com a Estrela Serrano, tenho uma fé que isto é "bem" encomendado.
Aliás... as cinco questões (Quem? Diz o quê? Através de que canal? A quem? Com que efeito?) do modelo da teoria da comunicação preconizado por Lasswell parecem óbvias e fáceis de responder ou concretizar.

 

publicado por mparaujo às 22:00

21
Set 11
Enquanto a RTP lançava, nesta segunda-feira, a renovada RTPN com o surgimento da RTP I(nformação) lia este excelente texto da Estrela Serrano "A televisão pública não existe para “derrotar” as privadas", e assolava-me apenas um pensamento: a RTP afundou-se, perdeu uma oportunidade única de marcar a diferença, de se afirmar como verdadeiro serviço público, algo que vai descurando e desvirtuando. Aliás, sobre as propostas (e o próprio comentário de Nuno Santos - pena que a Estrela Serrano tenha sido "politicamente correcta") apraz-me referir: gosto muito de humor, tenho razoável sentido de humor, mas entendo que há coisas que devem ser tratadas com seriedade (pelo menos a possível) e que não basta o mediatismo da figura pública para garantir qualidade (quando muito o sucesso de ganhar audiências)... infelizmente é disto que vai vivendo muita da comunicação social portuguesa, bem como com a mistura perigosa entre informação e programação.

Já aqui o afirmei, a RTP perdeu uma preciosa oportunidade, no âmbito do tão badalado processo de reestruturação (que me parece mais exclusivamente economicista que estrutural), de dar dimensão, qualidade "competitiva", verdadeira concepção de serviço público, ao relançar e renovar a RTP N com o lançamento, nesta segunda-feira, da RTP I. É que teria sido muito mais vantajoso,a todos os níveis (informativos, formativos, sociais e culturais, de recursos financeiros, técnicos e humanos), se tivesse havido uma fusão entre a RTP 2 e a nova RTP I.
É que tirando o processo de naming, alteração de cenários e logotipagens ou grafismos, e uns esforçados (mesmo que bem conseguidos) "mais-valias" ou "Justiça Cega", que se espera não caia num banal "casos de polícia" ou no "crime" ou mediatismo fácil de muita imprensa actual, não se nota qualquer inovação, redimensão, para além de ser dúbia a capacidade para competir com a SIC N ou mesmo a ainda "criança" TVI24.
E mais se lamenta a oportunidade perdida porque, diga-se em abona da verdade, é notória a capacidade profissional da globalidade dos seus jornalistas (só, pura e simplesmente, a título de exemplo: Alberta Marques Fernandes, Sandra Pereira, Estela Machado, Cristina Esteves, Daniel Catalão, Fátima Araújo, Carla Trafaria, Maria Flor Pedroso, Carlos Daniel, Sandra Felgueiras, Cecília Carmo, Inês Gonçalves e Luís Castro, entre outros).
publicado por mparaujo às 01:27

11
Set 11
Estrela Serrano (resumo carreira profissional), uma das minhas referências pessoais na Comunicação Social, através do seu "espaço" de análise, concepção e crítica: "Vai e Vem", já tinha abordado (com honrosa partilha de visões e opiniões no twitter, mesmo que resumidamente, e fruto deste meu texto) a questão dos limites da imprensa e do que deve ser o legítimo "interesse público" (diferente do que é o interesse do público) neste texto "A dupla devassa dos registos telefónicos de Nuno Simas".

Agora, é relevante e interessante a outra face do jornalismo, do papel do jornalista e dos órgãos de comunicação, com a selecção criteriosa do que deve ser, ou não, o "interesse público" que legítima a sua importância para a sociedade e para os cidadãos: a ler... "Uma porta fechada com vários buracos".
publicado por mparaujo às 17:03

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