Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

17
Fev 18
O futuro de um país e/ou de uma comunidade constrói-se na preservação da sua identidade e do seu património, como forma de valorizar, perpetuar e dignificar a sua história.
 
Adriano Miranda produziu um inquestionável trabalho (não só) fotográfico de excelência sobre as Minas do Pejão (lugar de Germunde, freguesia de Pedorido, município de Castelo de Paiva - distrito de Aveiro) - Carvão de Aço, que resultou no reavivar da memória material e imaterial de uma comunidade e de muita das suas gentes. Este trabalho veio a público numa publicação editada em maio de 2017 e voltou a ser lembrado no passado dia 27 de janeiro, numa exposição patente no espaço cultural Mira Forum, em Campanhã, no Porto, com o título "Minas do Pejão - Resgate da Memória".

01 - Carvao de Aco - Adriano Miranda - Mira Forum

02 - Carvao de Aco - Adriano Miranda - Mira Forum (créditos das fotos: Mira Forum, abertura da exposição fotográfica de Adriano Miranda - 27JAN2018 - "Minas do Pejão - Resgate da Memória")

É no seguimento desta reflexão no Porto que surge a necessidade partilhada de preservar a identidade e a história de uma comunidade, bem como as memórias das suas gentes. Nascia a vontade da criação de um núcleo museológico que perpetuasse o património material e imaterial do Pejão.
E isto serve como exemplo para tantas e tantos casos por esse país fora. Felizmente há casos de "sucesso" em muitas das localidade e regiões, mas infelizmente serão ainda demasiados os casos em que as comunidades, o poder local, o tecido empresarial, as entidades culturais e os governos, viram as costas ao seu passado, como se cada vivência presente, cada futuro que se projecta, surgisse do Nada ou do Zero.
 
Uma forma de pressionar a opinião pública (mormente as inúmeras peças publicadas na comunicação social, nomeadamente no jornal Público) e as entidades públicas (e privadas) é trazer para a discussão esta temática. É certo que a pequenez da infantilidade humana não tardou muito a banalizar as "petições públicas". No entanto e apesar disso, elas são um instrumento válido para que, por exemplo, após 4000 mil assinaturas um tema tenha de ser agendado para o plenário da Assembleia da República, de acordo com o direito Constitucional e a regulamentação do Parlamento.
 
Pelas gentes, pela história, pelo património, pela identidade e pela memória das Minas do Pejão, lugar de Germunde, freguesia de Pedorido, município de Castelo de Paiva e distrito de Aveiro... e por tantas e tantas histórias e memórias eu já ASSINEI.
Petição Pública: MINAS DO PEJÃO - Resgate da Memória.
(fotos de Adriano Miranda: Carvão de Aço - Minas do Pejão)

Carvao de Aco - Adriano Miranda - 01.jpg

Carvao de Aco - Adriano Miranda - 02.jpg

publicado por mparaujo às 10:09

11
Nov 17

mw-860.jpg

Não tem havido tema mais criticado e polémico na agenda de hoje, mesmo que no país haja, de facto, assuntos mais prementes (por exemplo, saúde e educação... lá iremos)

Mas o facto é que muitos portugueses indignaram-se com a realização do jantar de encerramento da Web Summit 2017 que teve lugar, pasme-se, em pleno Panteão Nacional (na Igreja de Santa Engrácia) mesmo ao lado dos túmulos de Amália, Eusébio, Humberto Delgado, Aquilino Ribeiro, Óscar Carmona, Teófilo Braga, Guerra Junqueiro, Sidónio Pais, Manuel de Arriaga, João de Deus e Almeida Garret. Onde podia estar também o Nobel da Literatura, José Saramago, entre outros, não tivesse expresso vontade contrária.

É certo que se não fosse o condenável, indigno e criticável jantar da feira web summit em pleno centro patrimonial e histórico nacional muito poucos seriam os portugueses que saberiam que tais eventos estão, desde 2014 (em plena governação de Passos Coelho pela mão do então Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier) perfeitamente enquadrados legalmente (Diário da República, 2ª série, nº122, de 27 de junho de 2014) e permitidos sob autorização e despacho prévios por parte da Direcção-Geral do Património Cultural, seja no Panteão Nacional (na Igreja de Santa Engrácia), nos Jerónimos ou whatever, infelizmente por razões meramente economicistas.

E o facto de tal regulamentação ser oriunda da governação de Passos Coelho não é, para o caso, displicente.

É que sem que a maioria das críticas tivesse tecido qualquer contextualização político-partidária, a verdade é que muitos socialistas viram-se na obrigação partidária de vir a terreiro tentar limpar a imagem política do Governo. E mal... tiveram dois anos para "limpar" a Lei e nada obrigava a cedência e autorização para a realização do evento por parte do Ministério da Cultura (tal como descreve o artigo 3º - Princípios gerais do contexto legislativo: «1. todas as actividades e eventos a desenvolver terão de respeitar o posicionamento associado ao prestígio histórico e cultural do espaço cedido. (...) 3. Serão, ainda, rejeitados os pedidos que colidam com a dignidade dos Monumentos (...).»).

Mais ainda... a autorização cheira a submissão e favor e vale muito pouco a reacção de chocado ou de indignação de António Costa porque não é convincente a pretensão do Primeiro-ministro em querer mudar o enquadramento legislativo. É hipocrisia política.

Não fosse o coro de críticas e, eventualmente, o ininterrupto tocar do telemóvel do Primeiro-ministro (importa referir que há muito familiar vivo dos actuais "inquilinos" do panteão Nacional) tudo tinha permanecido na mesma e sem qualquer preocupação governativa. Não é credível, nem compreensível, que o Primeiro-ministro, orador na Web Summit, não soubesse do evento ou até o seu Gabinete, acrescido ainda do facto de haver membros do Governo no jantar. Não nos façam de burros.

Soa a indignação de "lágrimas de crocodilo". Não queiram fazer o povo estúpido só para tentar limpara a "borrada" (grave) que foi feita. E nem colhe a tentativa fracassada de passar culpas para a anterior governação. Sendo certo que a infeliz e inaceitável legislação vem datada de 2014 também é verdade que a mesma não obriga a "deferimento obrigatório".

publicado por mparaujo às 17:31

26
Out 17

museu VA.jpg

Não sei se alguma vez alguém conseguirá quantificar o valor da história no desenvolvimento das comunidades.

Mas é mais que óbvio que cada comunidade, hoje, no presente, é estruturalmente aquilo que foi a sua história, o seu passado, e o peso que essa história representou no desenvolvimento e na consolidação social, cultural e económica.

Não há presente, nem faz sentido projectar o futuro, sem que esteja bem vincada a memória do que foram as realidades passadas das gentes, dos costumes e da história de cada comunidade.

Como os demais, Ílhavo também é disso exemplo: o mar como tradição histórica, na sua vertente social, económica, ambiental, não deixa, face às novas realidades temporais, de se manter, hoje, como uma referência estrutural do Município. Mas não só do mar (a actividade da pesca, o pescado, a indústria naval, etc.) vive Ílhavo. Há, no seu conjunto nicho comunitários com uma relevância histórica extremamente significativa. Exemplo disso é a Vista Alegre que extravasa a realidade industrial, artística e económica/empresarial.

É toda uma história de uma comunidade bem enraizada no Município de Ílhavo, com uma identidade muito própria e particular, com vivências específicas das suas gentes e do peso que representa a fábrica (e a própria história) da Vista Alegre.

E a Vista Alegre abre-se ao mundo e aos olhares de quem, por curiosidade ou por nostalgia, está disposto a encontrar uma história rica e repleta de "estórias". A pretexto da descoberta arquitectónica e patrimonial da Vista Alegre, a empresa "Talkie-Walkie"(*), em parceria com o projecto 23 Milhas da Câmara Municipal de Ìlhavo, apresenta já este Sábado, dia 28 de Outubro (pelas 10:30 horas), um percurso pela história que fez a história desta particular e peculiar comunidade centenária: a fábrica, as suas gentes, a sua identidade, a sua arquitectura e... as suas "estórias".

Olhar Por Dentro - Os Percursos da Arquitectura de Ílhavo. Sábado, 28 de outubro, 10:30 horas... Visita à Vista Alegre.

(*) A Talkie-Walkie nasce da experiência de vários anos na divulgação da arte e da arquitetura através de visitas e workshops para diferentes públicos. Ana Neto Vieira e Matilde Seabra acreditam que a arquitetura, pela sua abrangência disciplinar, é o ponto de partida para conhecer o território, a cultura e o património.

publicado por mparaujo às 11:43

09
Mar 15

Arcos antigo.jpgpublicado na edição de ontem, 8 de março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Identidades perdidas…

Não sou, nem espero vir a ser, adepto do chavão “antigamente é que era…”. Uma sociedade, uma comunidade, um país, desenvolve-se e estrutura-se na evolução e na dinâmica dos acontecimentos que marcam a sua história. E não agarrado a “amarras” saudosistas.
Não quero dizer com isto, antes pelo contrário, que se deva esquecer e “enterrar” o passado. Longe disso. Manter viva a identidade histórica, cultural e social de uma comunidade (seja qual for a sua dimensão) é tão importante como promover a dinâmica e a evolução, viver o presente e projectar futuros. Não viver amarrado a um tempo passado não é o mesmo que negá-lo ou renegá-lo como se não tivesse sido nesse mesmo tempo que foi alicerçado e se vive o presente.

Veio-me à memória, principalmente num tempo em que face às circunstâncias destes últimos dias a memória parece cada vez mais colocada em causa, o falecimento recente de Amadeu Ferreira, um dos principais impulsionadores do mirandês, segunda língua oficial portuguesa, que, apesar da sua circunscrição regional diminuta, não deixa de ser uma das referências históricas de Portugal (nas suas origens) e uma marca da identidade cultural e social do nosso país (independentemente das nossas ligações ou indiferenças à “terra fria” do Nordeste Transmontano).

Valorizar e promover a identidade de uma comunidade é sustentar a sua história e enriquecer o presente que se vive.
Aveiro tem, nesta vertente, bons e maus (alguns péssimos) exemplos. E também projectos e planos com valor.

Não me parece relevante, a menos que por razões nostálgicas, o ressurgir do “polícia sinaleiro” (que Aveiro teve em tempos e vários) como aconteceu noutras cidades (Porto e Lisboa, como exemplos). Mas a ideia da autarquia aveirense recuperar e dar dignidade aos espaços antigos dos engraxadores nos Arcos, parece-me um excelente projecto. Não pela profissão em si, mas pela revitalização de um espaço nobre na cidade, pela sua identidade e por aquilo que sempre representou no coração urbano. Identidade e referência que serviram de base à escolha do título destas rubricas bissemanais (mais ou menos regulares… e já lá vão nove anos), bem como o título do blogue “Debaixo dos Arcos”. E os motivos são simples. A zona da Praça Melo Freitas e dos Arcos, aos quais se juntou mais tarde, o monumento à Liberdade, para além da sua inclusão no típico bairro da Beira Mar, foi, durante muitos e muitos anos, um espaço de encontro, de diversidades, de tertúlias espontâneas, do escárnio e mal dizer populares e instintivos. Também local de culturas, de comércio e feira (bem antigo, por exemplo a feira das cebolas), de informação (basta recordar os espaços onde eram afixadas as primeiras páginas de jornais como o extinto Comércio do Porto, o Primeiro de Janeiro, o Jornal de Notícias, entre outros, as notícias do Beira Mar e do Galitos, etc) e de ponto de encontro, marcado pela constante presença característica dos engraxadores. Retomar esta identidade é renovar a vida e o centro da cidade e valorizar a sua história.

Pena é que se tenham perdido, no tempo e com o tempo, outras oportunidades de preservação da nossa identidade. Excepção para o aproveitamento turístico dos canais urbanos da Ria, Aveiro, enquanto cidade, deixou de ter que oferecer e mostrar a sua identidade a quem nos visita. Apesar do esforçado EcoMuseu da Troncalhada, uma cidade que se alicerçou na importância social e económica do Sal, perdeu quase toda a beleza das salinas e não tem um verdadeiro Museu do Sal.
Aveiro, enquanto cidade, que foi crescendo em torno das suas cerâmicas e azulejarias, que o tempo e as ‘economias’ foram eliminando, não tem um Museu da Cerâmica e do Azulejo (Ovar tem, por exemplo), apesar de continuar com o edifício da antiga Estação desocupado.
Em contrapartida Aveiro, enquanto cidade, há alguns anos (não muito distantes) integrou a rede de Turismo Religioso, infelizmente sem articulação alguma e com a maioria das igrejas e capelas permanentemente fechadas. A par disto resta a incerteza quanto ao futuro do Museu Santa Joana, outro ícone da história da cidade.

Apesar de Aveiro ter, ao longo dos tempos, perdido muito da sua identidade e da sua história, resta a esperança nestas iniciativas por mais simples que, por mais simples que pareçam, são de um importante valor.

publicado por mparaujo às 09:50

01
Dez 14

Há três anos o dia de hoje, 1 de dezembro, era considerado feriado nacional.

Dizem, segundo reza a história, que é o dia da restauração...

restauracao IVA.jpg

upssss... esperem, é a outra Restauração.

restauracao independencia.jpg

publicado por mparaujo às 14:05

22
Nov 11
25 de Novembro - Biblioteca Municipal de Aveiro

"Jornadas de História Local e Património Documental"

Organização conjunta entre a Aderav – Associação para o Estudo e Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro e a Câmara Municipal de Aveiro.

Integrada na missão de valorizar o património documental da região de Aveiro, para desse modo preservar a memória colectiva da comunidade local, partindo das temáticas de valorização do documento como elemento de registo de informação essencial à partilha do conhecimento.


Esta iniciativa, que tem reunido anualmente um conjunto de investigadores e interessados nas diversas vertentes do desenvolvimento cultural, económico e natural de Aveiro, constitui-se como um momento de debate público, aberto a toda a comunidade aveirense, onde todos podem e devem participar.
publicado por mparaujo às 19:45

22
Ago 10
Porque esta é a melhor cidade e região do mundo (e arredores), o "Debaixo dos Arcos" abre um espaço onde são divulgadas referências ao património natural, histórico e cultural de Aveiro, à sua história e gentes.
"Olhares... sobre Aveiro"!
publicado por mparaujo às 15:33

01
Dez 08

1 de Dezembro do ano de 1640. Fim da Guerra Filipina e a Restauração da Independência.









foto originária de "A Biblioteca do Jacinto".

A Hitória também comete erros que o tempo não restaura.

publicado por mparaujo às 11:04
Tags:

04
Nov 07
Praticamente a dois anos de se comemorar o 2º centenário ou bi-centenário do nascimento de José Estêvão, recordamos hoje a sua morte (4.11.1862).
E recordamos também o seu papel pela política, na maioria dos casos, pela independência, pela frontalidade e pela verdade. Sem esquecer a sua importância e papel preponderante no desenvolvimento da região de Aveiro.
A sua acção parlamentar foi pugnada por um conjunto de projectos de interesse para a zona de Aveiro, com destaque para a construção de um novo edifício para o liceu, a passagem por esta cidade da linha férrea que ligaria Lisboa ao Porto, a dragagem da barra e as obras de melhoramento portuário e iluminação da costa.
Para além das suas habituais tarefas políticas, José Estêvão privilegiou a Confederação Maçónica Portuguesa, da qual foi eleito Grão-Mestre, por influência das tradições maçónicas na família, já que seu pai pertencera à loja que em 1823 funcionava na Quinta dos Santos Mártires, em Aveiro.
Entre 1861 e 1862 José Estêvão está ainda envolvido na fundação, em Aveiro, de um asilo para a infância desvalida, o que faz com meios financeiros da Maçonaria. Com tal actividade pretendeu demonstrar que a “filantropia liberal” podia ser tão activa e operante como a caridade religiosa.
Quando a 4 de Novembro de 1862, um acidente vascular cerebral lhe veio ceifar a vida aos 53 anos de idade, já tinha proferido cerca de 1500 intervenções parlamentares e era uma das figuras mais conhecidas da política portuguesa e símbolo da história de Aveiro.
publicado por mparaujo às 21:57

01
Nov 07
Há 252 anos a terra tremia em Portugal.
Lisboa era desvastada pelo sismo, pelo tsunami e pelo fogo, bem como uma grande parte do Litoral Algarvio.
Embora seja sempre de recordar as cerca de 90 mil pessoas que morreram, há no "day after" da catástrofe algumas curiosidades relevantes:
1. A destruição de um património arquitectónico e cultural incalculávele que não foi recuperado.
2. O surgimento da visão científica do acontecimento, com os primeiros estudos de sismologia.
3. A visão de planeamento urbanístico de Marquês de Pombal.
4. A repercursão política - social e religiosa no pós sismo: a consolidação do Absolutismo, a tentativa de regicídio (processo dos Távoras).

Mas esta que é igualmente relatada no Correio da Manhã e que ilustra quão interessante é a relação afectiva dos espanhóis por nós. O agradecimento divino pelo facto da catástrofe ter sobrado para os pobrezinhos do lado de cá da fronteira.
publicado por mparaujo às 11:37

06
Out 07
Assinala-se hoje o cinquentenário do I Congresso Republicano, que a 6 de Outubro de 1957 (47 anos após a implantação da República) reuniu em Aveiro a oposição ao regime do Estado Novo, tendo como alguns dos seus principais protagonistas Dr. Mário Sacramento - Dr. Vale de Guimarães (Governador Civil) - Dr. Costa e Melo - Dr. Manuel das Neves e o Arcebispo de Aveiro D. João Evangelista da Lima Vidal.
Pela defesa do ideal da liberdade, "marca" política e social da história da cidade, Aveiro, há 50 anos atrás, tinha efectivamente o que o tempo, o comodismo e o conformismo foi-se encarregando de, cruelmente, "aniquilar": PESO POLÍTICO e POSIÇÃO DE RELEVO na estratégia do país.
Hoje... resta-nos a memória.
publicado por mparaujo às 01:07

05
Out 07
I República - queda do regime monárquico.
A história revela-nos que as mudnaças sociais e políticas ocorreram sempre sustentadas por processos revolucionários: I República - "II República" (28 de Maio de 1926) que deu origem a um dos períodos mais controversos e polémicos da nossa história, O Estado Novo e o 25 de Abril de 1974 (provavelmente a III República).
Foi assim que uma varanda da câmara de lisboa teve o seu apogeu histórico e simbólico a 5 de Outubro de 1910, quando foi implantada a República (a tal I República), encerrando-se um ciclo de 7 séculos de Reis, Rainhas, Principes e Princesas e de muitos contos de fadas.
De tal facto histórico, social e político surgiram nomes como os de Teófilo Braga, Manuel Arriaga, Benardino Machado e Sidónio Pais, entre muitos outros.
E surgiu também um país onde reina a corrupção, a "cunha" e o favorecimento pessoal, a crise económica, a crise de valores, o mau trato das crianças (de novo Casa Pia, para ler no "Sol"), o desemprego, a crise na educação e na saúde.
É caso para dizer que, mesmo com o fim da Monarquia, "O Rei vai nú".
publicado por mparaujo às 12:48

25
Jun 07
Há factos que são históricos e que fazem parte do património cultural português.
No entanto, há, igualmente, realidades sociais, políticas e culturais actuais que "teimam" em negar e contrariar tal património.
Isto lembrou-me a minha amiga cegonha "Matilde".
Pelos vistos ontem teve um daqueles domingos sociais. No chá das cinco, uma das suas amigas (monárquica de sete penas) fez questão de lembrar a data histórica de ontem: 24 de Junho de 1128 - Batalha de S.Mamede.
A Batalha de São Mamede foi uma guerra travada entre Dom Afonso Henriques e as tropas de sua mãe, D. Teresa e do conde galego Fernão Peres de Trava, que se tentavam apoderar do governo do Condado Portucalense. As duas facções confrontaram-se no campo de São Mamede, perto de Guimarães.
Com a derrota, D. Teresa e Fernão Peres abandonaram o governo condal, que ficaria assim nas mãos do infante, futuro primeiro Rei de Portugal. D. Teresa desistia assim das ambições de ser senhora de toda a Galiza.
Resumindo, começou desta forma a nossa desgraça nacional.
publicado por mparaujo às 22:46

01
Dez 06
1 de Dezembro de 1640. Mais para o mal do que para o bem, Portugal libertava-se da sua ligação a Espanha, retomando a sua condição de nação/reino independente.
D. João IV ascendia ao lugar de Rei de Portugal.
Seria por ele que Nossa Senhora da Conceição era proclamada padroeira de Portugal.
Seria no seu reinado que surgiria a mais velha aliança do mundo: Portugal - Inglaterra.
publicado por mparaujo às 23:40

05
Out 06
Zamora - 5 de Outubro de 1143
O Tratado de Zamora. Reconhecimento da soberania portuguesa (confirmada pelo Papa Alexandre III em 1179) e confirmação do título de Rei de Portugal a D. Afonso Henriques.
Assim nascia PORTUGAL, pela mão monárquica.
Porque será que teimosamente esquecemos a data do nosso nascimento?!

A 3 de Outubro de 1910 estalou a revolta republicana que já se avizinhava no contexto da instabilidade política e do descrédito da monarquia.
A 5 de Outubro o Governo rendia-se, os republicanos proclamavam a República e D. Manuel II era exilado. Terminava o reinado monárquico, sem que isso signifique acabar com um infimo sentimento afectivo pela coroa e pela realeza.
No entanto, mudava o regime, mas continuava a instabilidade social, a corrupção (que vigora até hoje), a crise política provocada por quase 50 anos ditaturiais.
publicado por mparaujo às 22:10

07
Set 06
A 9 de Setembro de 1822 - o Grito do Ipiranga e a Independência do Brasil.
D. Pedro I - Proclamado Imperador. "Independência ou Morte".


Hoje, corrupção ou mudança.

publicado por mparaujo às 23:00

20
Jul 06
20 de Julho de 1969.
Mar da Tranquilidade - Solo lunar.
"Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade" - Neil Armstrong.
O impossível aconteceu.
A humanidade é que não deu esse salto gigante...
Pelo contrário. Ao que hoje se assiste, deu foi uma grande cambalhota.
publicado por mparaujo às 23:09

23
Jun 06
Recentemente foi polemicamente instaurada a guerra à bandeira publicitária.
Constitucionalmente, a bandeira nacional (adoptada pela implementação a República a 5 de Outubro em 1910) é um dos símbolos – a par do hino, representativos da soberania nacional.
Mas este facto, em si, que significado tem?!
Entre 1974 e 2004, que impacto e significado teve a bandeira portuguesa no sentimento nacional e patriotismo dos portugueses?!
Para além de “enfeitar” edifícios públicos, o Palácio de Belém, a Assembleia da República e a frente do carro presidencial, que simbologia e referência é para cada um dos portugueses?!
Goste-se ou não, o futebol e, concretamente, o Euro 2004 restituiriam uma forte ligação emotiva e simbólica com a bandeira nacional o patriotismo e a essência do colectivismo.
Se assim foi, se isso representou um reencontro dos portugueses com os seus símbolos e o seu colectivismo nacional, porquê tornar a criar um distanciamento absurdo entre o “sagrado simbolismo” e o povo por ele representado?!
Se, por exemplo através do desporto, se consegue criar esta empatia entre o ser-se português e a vontade de o exprimir através do hino e da bandeira, que constrangimento patriótico poderá existir se a bandeira tem ou não publicidade?!
Torna-a menos portuguesa?! Denegride o país?! É ofensivo?!
As referências expressas não são nacionais?!
Porque é que será menos digno a divulgação de um produto ou marca portuguesas através da bandeira nacional e não o é a colectânea de assinaturas dos jogadores de futebol no mesmo símbolo?!
A expressividade patriótica não deveria ser “retida” e “amordaçada” por um constitucionalismo desenraizada do sentimento das pessoas.
Ser português também é isto: ser livre na expressão emotiva dos seus símbolos.

Actualização (comentário tornado mais visível em jeito de esclarecimento)

Caro Amigos
Permitam-me uma pequena reflexão para esclarecimento. Não sou contra a publicidade na bandeira, como também não sou a favor.
Neste caso a minha posição é claramente um Nim, ou, nem sim nem não, antes pelo contrário. Se a bandeira tem num canto inferior o nome de um jornal, de um hipermercado ou supermercado do bairro, ou se diz "Amo-te Portugal" ou se vem assinada pelos jogadores da selecção, não me parece que isso denegrida a sua imagem, que desprestigie a nação ou a nossa soberania.
O que temos é muito mau hábito de generalizar, banalizar e dos excessos.
A questão para mim passa por outro lado. É ou não verdade que os portugueses (aqui e lá fora) assumiram muito mais o seu símbolo nacional, criando com ele um melhor relacionamento e empatia?!
É ou não verdade que face a esta onda (no caso concreto relacionada com o futebol, mas poderia muito bem ser por outra razão nacional), uma grande maioria de casas e portugueses tem guardada uma bandeira pronta a usar numa qualquer causa nacional?!
Esta é para mim a melhor razão.
Em 30 anos de democracia, digam-me, antes do Euro 2004, em quê e onde é que os portugueses assumiram um patriotismo tão forte e uma ligação à bandeira e ao hino tão emotiva?!
Quantas crianças de muita tenra idade (e dou o exemplo da minha filhota) cantaram o hino nacional, antes de 2004?!
E isto não me parece vulgarização, mas sim compromisso nacional.
Pena é que esta reacção relacionada cm a publicidade na bandeira, não tenha sido levada a cabo, com a venda no comércio chinês, de tantas bandeiras adulteradas nos castelos, nas quinas, etc.
Cumprimentos patrióticos
publicado por mparaujo às 23:36

12
Jun 06
Ainda há pouco tempo se abordava na blogoesfera aveirense a questão dos feriados e das suas comemorações.
Este ano, nem dei pelo famoso 10 de Junho.
Aliás, só dou por ele quando se junta ao fim-de-semana ou dá para uma pontezita (que, por acaso, até nem tenho por hábito fazer - acreditem).
Reza a denominação: 10 de Junho - Camões, Dia de Portugal e das Comunidades!
Ora Camões é passado, mesmo que histórico e já poucos se "deliciam" com tais armas e barões assinalados. E a ocidental praia continua desconhecida.
Portugal passado é, para muitos, história e o futuro, para quase todos, uma imagem muito cinzenta! Ou seja, comemorar o quê?!
As comunidades são ainda o estigma de um passado colonialista e uma realidade cultural e social muito pouco defendida e preservada. Basta ver o impacto (ou a falta dele) da entidade PALOP, da sempre controversa relação de irmandade com o Brasil, já para não falar do longínquo Macau, Goa e Timor.
Aliás, 10 de Junho foi ontem... no dia 11. Na Alemanha.
Aqui foi o verdadeiro dia de Portugal e das Comunidades.
publicado por mparaujo às 22:15

01
Mai 06
Foi há 120 anos…
Chicago não era só uma realidade cultural e musical. Transportava para o mundo, a realidade laboral.
Da reivindicação das 8:00 de trabalho diário, para a celebração internacional de um dia cheio de “chavões”, demagogias e cada vez mais um simples feriado histórico.
O dia dos sindicalismo cada vez mais partidário e menos abrangente para trabalhadores.

A realidade do dia-a-dia mostra-nos cada vez mais desemprego, códigos do trabalho irreais, irracionalidade e falta de flexibilidade de funções, de actividades, de objectivos das empresas e seus colaboradores.
“Do justo pelo pecador”!
Salários abaixo da média europeia…
Trabalho infantil por combater…
Iletracia na maioria da população e uma excessiva média de abandono escolar…
Empresas a fechar, quase que diariamente, criando uma realidade familiar e social, muito aquém do “propagandex” governamental.
Um país assimétrico, cada vez mais "litoralizado" e desertificado no seu interior.
Portugal tem graves problemas na saúde, na segurança social, na educação, na justiça e na economia.
Interessante a edição deste fim-de-semana do Expresso, que retrata na sua revista o espelho de uma classe média (onde me incluo - 1500 €/mês) cada vez mais frustrada, sem recursos, a lutar pela sua sobrevivência mensal e responsável por manter um país vivo e a “mexer”.

Este é o 1º de Maio de 2006.
Com muito “choque tecnológico”, sem muito choque social, económico e cultural.
Em vez de gestão do país… vamos tendo uma congestão governativa!
publicado por mparaujo às 14:57

19
Abr 06
Há precisamente 500 anos, durante o reinado de Rei Manuel I, Portugal vivia uma página bem negra da sua história politico-religiosa: cerca de 4000 judeus (homens, mulheres e crianças) foram, pura e simplesmente, "limpos", durante 3 dias.
Este marco tornar-se-ia no maior genocídio da história lusa.


Há 33 anos - 19 de Abril de 1973, um ano antes da restauração da democracia em Portugal, a Acção Socialista Portuguesa, fundava, numa cidade alemã, o Partido Socialista.
Democraticamente... parabéns.


Há um ano, sem grande especulação e estupefacção, o conclave do vaticano, após 4 eleições, elegia como Papa sucessor de João Paulo II, o Cardeal alemão Joseph Ratzinger, que escolheu como nome Bento XVI.


Precisamente hoje, a novela Parque Mayer foi substituída pelo Parque das Nações. De parque para parque, o casino de lisboa foi finalmente inaugurado.

E entre as memórias e a vida real, vamos cantando e rindo (cada vez menos) com a subida do custo de vida, da despesa pública, das taxas de juro e do petróleo.

A vida... portanto!

publicado por mparaujo às 22:28

15
Mar 06
Quase todos nós nos lembramos das nossas primeira referências históricas.
O primeiro Rei de Portugal...
O condado portucalense...
O berço da nação...
D. Afonso Henriques...
A conquista de Lisboa...
Hoje... voltou a reescrever-se a história!
Guimarães conquistou Lisboa.

Estou melhor da azia... Obrigado!
publicado por mparaujo às 22:44

pesquisar neste blog
 
arquivos
2019:

 J F M A M J J A S O N D


2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

28 seguidores

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Outubro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9

14
15
16
17
18
19

21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


Siga-me
links