Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

04
Mai 13

A conversa no tweeter começou com uma simples brincadeira de “rapazes e raparigas” para rapidamente resvalar para a seriedade da temática da igualdade entre géneros.

Não se trata, obviamente, de questionar se o homem é igual à mulher. Só por falta de seriedade e intelectualidade é que alguém aborda a questão neste prisma: obviamente homem e mulher são diferentes (e ainda bem). Mas essa diferença não pode, de forma alguma, significar diferenciação de oportunidades, de tratamento ou de igualdade, seja na sociedade, na profissão, na política, no sector empresarial ou financeiro, na cultura, nas artes, no desporto ou nos cargos públicos. E se é certo que esta é uma questão de responsabilidade colectiva, qualquer Estado que se diz de “Estado de Direito” deve ter sempre esta problemática presente. Se bem que considero inqualificável e primitivo que, em pleno séc. XXI, este assunto ainda seja uma questão em discussão.

A propósito do Dia Internacional da Mulher, no passado dia 8 de março, entre muitas outras vertentes, ainda se falava sobre a descabida lei das quotas nas listas eleitorais ou sobre determinados sectores permanecerem demasiadamente “machistas”. Um desses exemplos vem curiosamente do Estado, mais concretamente do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Ressalvando alguma falta de rigor na exactidão dos dados recolhidos, pela forma como foram contabilizados face à forma como o Ministério dos Negócios Estrangeiros os apresenta, entre Embaixadores, Cônsules, Adidos, Conselheiros e Encarregados de Consulados contabilizei, na página do MNE, 303 membros diplomatas com responsabilidades principais (excluem-se aqui excluindo as delegações comerciais, delegações da AICEP ou do Instituto de Camões, e ainda embaixadas e consulados dependentes funcionalmente de outros). Destes 303 elementos, 255 são homens e 48 mulheres (menos de 16%), sendo que apenas existem duas Embaixatrizes.

Por isso não será de estranhar o que revela uma consulta, mesmo que superficial, ao Concurso Externo de Ingresso na Categoria de Adido de Embaixada da Carreira Diplomática (aprovado pelo despacho 16198-A/2012 publicado no Diário da República, 2ª série, nº 245, de 19 de dezembro de 2012, e aberto através do aviso 17239-A/2012 publicado no Diário da República, 2ª série, nº 250, de 27 de dezembro de 2012).

Na consulta dos vários elementos processuais prestaram prova escrita (exame) de cultura geral (repetição) 1021 candidatos (não considero o total de candidatos admitidos já que foi excessivo o número dos que faltaram à prova). Destes 1021 mais de metade, quase 52% (526), eram mulheres. No entanto é curioso verificar que apenas 45 dos 1021 que prestaram a prova tiveram nota positiva e destes 45 aprovados apenas duas são mulheres (o que representa um universo de cerca de 4% e em relação às 526 candidatas que fizeram o exame apenas 0,4%). Nada selectivo, nem machista, claro.


Nota final: um aspecto paralelo mas que não deixa de ser curioso. O Ministério dos Negócios Estrangeiros com tanto sentido de rigor e de transparência que pretende transmitir, acaba por ter, à semelhança do seu titular ministerial (Paulo Portas: eu é outro – f.câncio no DN de ontem, 3 de maio), infelizes comportamentos incoerentes. Conforme se lê no comunicado referente ao concurso, foram detectadas algumas irregularidades na primeira prova de cultura geral realizada no dia 16 de março, alegadamente por procedimentos desiguais entre os vários locais onde as mesmas se realizaram. Mas se as irregularidades foram detectadas prontamente porque não foi a prova imediatamente considerada nula, sem necessidade de avaliação dos exames prestados?! Se o rigor é a bandeira do MNE, porque é que a lista dos candidatos aprovados na segunda prova de cultura geral, realizada a 20 de abril, não indica a classificação e respectiva ordenação e apenas é apresentada por ordem alfabética?

Para além da necessidade de limar (e muito) a questão do género, o MNE precisa de coerência na transparência.

publicado por mparaujo às 18:55

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