Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

17
Fev 18
O futuro de um país e/ou de uma comunidade constrói-se na preservação da sua identidade e do seu património, como forma de valorizar, perpetuar e dignificar a sua história.
 
Adriano Miranda produziu um inquestionável trabalho (não só) fotográfico de excelência sobre as Minas do Pejão (lugar de Germunde, freguesia de Pedorido, município de Castelo de Paiva - distrito de Aveiro) - Carvão de Aço, que resultou no reavivar da memória material e imaterial de uma comunidade e de muita das suas gentes. Este trabalho veio a público numa publicação editada em maio de 2017 e voltou a ser lembrado no passado dia 27 de janeiro, numa exposição patente no espaço cultural Mira Forum, em Campanhã, no Porto, com o título "Minas do Pejão - Resgate da Memória".

01 - Carvao de Aco - Adriano Miranda - Mira Forum

02 - Carvao de Aco - Adriano Miranda - Mira Forum (créditos das fotos: Mira Forum, abertura da exposição fotográfica de Adriano Miranda - 27JAN2018 - "Minas do Pejão - Resgate da Memória")

É no seguimento desta reflexão no Porto que surge a necessidade partilhada de preservar a identidade e a história de uma comunidade, bem como as memórias das suas gentes. Nascia a vontade da criação de um núcleo museológico que perpetuasse o património material e imaterial do Pejão.
E isto serve como exemplo para tantas e tantos casos por esse país fora. Felizmente há casos de "sucesso" em muitas das localidade e regiões, mas infelizmente serão ainda demasiados os casos em que as comunidades, o poder local, o tecido empresarial, as entidades culturais e os governos, viram as costas ao seu passado, como se cada vivência presente, cada futuro que se projecta, surgisse do Nada ou do Zero.
 
Uma forma de pressionar a opinião pública (mormente as inúmeras peças publicadas na comunicação social, nomeadamente no jornal Público) e as entidades públicas (e privadas) é trazer para a discussão esta temática. É certo que a pequenez da infantilidade humana não tardou muito a banalizar as "petições públicas". No entanto e apesar disso, elas são um instrumento válido para que, por exemplo, após 4000 mil assinaturas um tema tenha de ser agendado para o plenário da Assembleia da República, de acordo com o direito Constitucional e a regulamentação do Parlamento.
 
Pelas gentes, pela história, pelo património, pela identidade e pela memória das Minas do Pejão, lugar de Germunde, freguesia de Pedorido, município de Castelo de Paiva e distrito de Aveiro... e por tantas e tantas histórias e memórias eu já ASSINEI.
Petição Pública: MINAS DO PEJÃO - Resgate da Memória.
(fotos de Adriano Miranda: Carvão de Aço - Minas do Pejão)

Carvao de Aco - Adriano Miranda - 01.jpg

Carvao de Aco - Adriano Miranda - 02.jpg

publicado por mparaujo às 10:09

09
Mar 15

Arcos antigo.jpgpublicado na edição de ontem, 8 de março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Identidades perdidas…

Não sou, nem espero vir a ser, adepto do chavão “antigamente é que era…”. Uma sociedade, uma comunidade, um país, desenvolve-se e estrutura-se na evolução e na dinâmica dos acontecimentos que marcam a sua história. E não agarrado a “amarras” saudosistas.
Não quero dizer com isto, antes pelo contrário, que se deva esquecer e “enterrar” o passado. Longe disso. Manter viva a identidade histórica, cultural e social de uma comunidade (seja qual for a sua dimensão) é tão importante como promover a dinâmica e a evolução, viver o presente e projectar futuros. Não viver amarrado a um tempo passado não é o mesmo que negá-lo ou renegá-lo como se não tivesse sido nesse mesmo tempo que foi alicerçado e se vive o presente.

Veio-me à memória, principalmente num tempo em que face às circunstâncias destes últimos dias a memória parece cada vez mais colocada em causa, o falecimento recente de Amadeu Ferreira, um dos principais impulsionadores do mirandês, segunda língua oficial portuguesa, que, apesar da sua circunscrição regional diminuta, não deixa de ser uma das referências históricas de Portugal (nas suas origens) e uma marca da identidade cultural e social do nosso país (independentemente das nossas ligações ou indiferenças à “terra fria” do Nordeste Transmontano).

Valorizar e promover a identidade de uma comunidade é sustentar a sua história e enriquecer o presente que se vive.
Aveiro tem, nesta vertente, bons e maus (alguns péssimos) exemplos. E também projectos e planos com valor.

Não me parece relevante, a menos que por razões nostálgicas, o ressurgir do “polícia sinaleiro” (que Aveiro teve em tempos e vários) como aconteceu noutras cidades (Porto e Lisboa, como exemplos). Mas a ideia da autarquia aveirense recuperar e dar dignidade aos espaços antigos dos engraxadores nos Arcos, parece-me um excelente projecto. Não pela profissão em si, mas pela revitalização de um espaço nobre na cidade, pela sua identidade e por aquilo que sempre representou no coração urbano. Identidade e referência que serviram de base à escolha do título destas rubricas bissemanais (mais ou menos regulares… e já lá vão nove anos), bem como o título do blogue “Debaixo dos Arcos”. E os motivos são simples. A zona da Praça Melo Freitas e dos Arcos, aos quais se juntou mais tarde, o monumento à Liberdade, para além da sua inclusão no típico bairro da Beira Mar, foi, durante muitos e muitos anos, um espaço de encontro, de diversidades, de tertúlias espontâneas, do escárnio e mal dizer populares e instintivos. Também local de culturas, de comércio e feira (bem antigo, por exemplo a feira das cebolas), de informação (basta recordar os espaços onde eram afixadas as primeiras páginas de jornais como o extinto Comércio do Porto, o Primeiro de Janeiro, o Jornal de Notícias, entre outros, as notícias do Beira Mar e do Galitos, etc) e de ponto de encontro, marcado pela constante presença característica dos engraxadores. Retomar esta identidade é renovar a vida e o centro da cidade e valorizar a sua história.

Pena é que se tenham perdido, no tempo e com o tempo, outras oportunidades de preservação da nossa identidade. Excepção para o aproveitamento turístico dos canais urbanos da Ria, Aveiro, enquanto cidade, deixou de ter que oferecer e mostrar a sua identidade a quem nos visita. Apesar do esforçado EcoMuseu da Troncalhada, uma cidade que se alicerçou na importância social e económica do Sal, perdeu quase toda a beleza das salinas e não tem um verdadeiro Museu do Sal.
Aveiro, enquanto cidade, que foi crescendo em torno das suas cerâmicas e azulejarias, que o tempo e as ‘economias’ foram eliminando, não tem um Museu da Cerâmica e do Azulejo (Ovar tem, por exemplo), apesar de continuar com o edifício da antiga Estação desocupado.
Em contrapartida Aveiro, enquanto cidade, há alguns anos (não muito distantes) integrou a rede de Turismo Religioso, infelizmente sem articulação alguma e com a maioria das igrejas e capelas permanentemente fechadas. A par disto resta a incerteza quanto ao futuro do Museu Santa Joana, outro ícone da história da cidade.

Apesar de Aveiro ter, ao longo dos tempos, perdido muito da sua identidade e da sua história, resta a esperança nestas iniciativas por mais simples que, por mais simples que pareçam, são de um importante valor.

publicado por mparaujo às 09:50

29
Mai 13

O desacordo e a aversão, as incoerências e indefinições, as imprecisões e a não aplicabilidade geral, dificuldades de ensino e aprendizagem, duplicação de grafias que dificultam a correcta interpretação semântica, a submissão a razões e objectivos externos, mas, e acima de tudo, a perda de uma identidade e cultura identitárias de um país e de uma nação, vão mantendo acesa a discussão e, igualmente, a contestação à imposição do novo Acordo Ortográfico.

Felizmente, são muitos os que ainda vão “lutando” pela causa, não por qualquer princípio de xenófobo (em relação aos países de língua oficial portuguesa) ou qualquer tipo de saudosismo, mas pela forma como o processo foi conduzido. Faltou debate público, faltou consenso na academia, faltaram estudos sustentáveis e faltou, principalmente, a verificação de um facto óbvio e lógico: a natural evolução e alteração da língua. E não uma imposição legislativa e interesse comercial.

São várias as acções e as movimentações que se vão perfilando, mesmo que menos mediáticas ou mais “silenciosas”. Por exemplo, a carta dirigida ao Ministro da Educação e Ciência em 6 de janeiro de 2013 ou a petição enviada à Assembleia da República a 26 de abril de 2013.

Mas para além da resistência e dos resistentes são demasiado interessantes estas duas recentes posições tomadas por dois juízes para as ocultarmos ou desvalorizarmos (e que, apesar de a outro nível contrastam, demasiadamente, com esta lamentável atitude do ministro das finanças, Vítor Gaspar):

- Rui Teixeira juiz do Tribunal de Torres Vedras, figura bem conhecida da fase de instrução do processo 'Casa Pia', proíbe acordo ortográfico.

- já em março, o juiz Rui Estrela Oliveira do Tribunal de Viana do Castelo tinha emitido uma ordem de serviço onde proibia a utilização da grafia do novo Acordo Ortográfico em todos os processos e tramitações do segundo Juízo Civil daquele tribunal.

De faCto…

publicado por mparaujo às 21:24

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