Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

08
Jan 20

Greater_Middle_East_(orthographic_projection).svg.

Ou como paira no ar uma ilusória sensação de paz.

Não alinho no coro (que acho desafinado) daqueles que acham que caiu o pano sobre um eventual conflito Irão(Iraque)/Estados Unidos da América.
Assim como também não alinho naqueles que acham que podemos voltar todos à normalidade, que não há mais "nada para ver" depois dos acontecimentos que ditaram a morte do general iraniano Qasem Soleimani.
Tudo porque a reacção norte-americana à resposta iraniana à morte de Soleimani foi uma patética declaração de Trump.

Seria então preferível que os Estados Unidos cumprissem as ameaças do presidente norte-americano? Obviamente que não... ninguém, no perfeito juízo (algo que falta para os lados da terra do 'Tio Sam'), preferirá a guerra/violência.
Mas também é óbvio que tinha sido (mais) preferível que Donald Trump tivesse tido o bom senso (se é que isso é possível) de não ter tomado um dos maiores erros geopolíticos, como foi a decisão assumida no final da passada semana (3 de janeiro).

Mas apesar da reacção norte-americana aos mais de 20 misseis literalmente "descarregados" pelo Irão contra duas bases militares americanas sediadas em Al Assad e Erbil, no Iraque, ter sido um chorrilho de demagogias proferidas por Trump (e não, felizmente, uma resposta militar) ainda me falta muito para poder ficar convencido que tenha regressado a normalidade (ou alguma normalidade possível). Não me parece...

Do lado iraniano, o primeiro passo foi dado para vingar a morte do seu principal general. Aliás, afigura-se claro que a retaliação foi cirurgicamente preparada, evitando propositadamente vítimas, mas, simultaneamente, mostrando (internamente) aos iranianos que a morte de Soleimani não será facilmente esquecida.
Segue-se o crescimento da aversão e do ódio aos Estados Unidos (e respectivos aliados), o desejo que as tropas americanas instaladas em toda a região (e não apenas no Iraque) abandonem as suas bases militares. Há ainda o jogo geopolítico da vontade do Irão se afirmar na região e provocar o isolamento e enfraquecimento dos três principais aliados 'ocidentais': Israel, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Por último, apesar das circunstâncias, esta foi uma janela de oportunidade única para o Irão ter um argumento de peso para rasgar o acordo de limitação nuclear - Plano Conjunto de Acção, assinado em julho de 2015.

Do lado norte-americano a desgraça política e estratégica é quase total. Nem o facto de terem morto Soleimani escapa ao deplorável jogo político de Trump para salvar a pele como presidente, que nem para "consumo interno" consegue afirmar-se.
O argumento de terrorismo, independentemente dos actos militares cometidos às ordens do general iraniano, é perfeitamente inconsistente. O principal inimigo terrorista dos Estados Unidos, como os próprios americanos há muito determinaram, tem sido o jihadismo islamita (salafita e wahabita) presente na Al Qaeda, no Daesh, nos afegãos Talibãs, nos sírios do Jabhat Fateh al-Sham ou nos africanos Boko Haram. Grupos terroristas do extremismo islâmico que o Irão repugna e que o próprio Soleimani combateu. É, portanto, uma justificação de Trump, no mínimo, incongruente.

A verdadeira razão para esta decisão absurda e (extremamente) perigosa, ainda longe do seu fim, foi, claramente, uma razão de ego político e de salvar uma imagem política caduca, perante o risco de perder a reeleição nas próximas eleições (daí o repetido e absurdo discurso crítico em relação à Administração Obama) ou ainda a embrulhada política que levou ao processo do impeachement.
A declaração de hoje (8 janeiro) de Donald Trump não é mais que a consciencialização de uma enorme derrota política e geoestratégica. O assassinato de Qasem Soleimani não teve qualquer legitimidade internacional (ONU/Conselho de Segurança) ou suporte e apoio dos tradicionais aliados americanos, nomeadamente a União Europeia e a NATO. Mais ainda... o que se esperava ser um trunfo político eleitoralista resultou numa estrondosa falha estratégica já que nem internamente (nos Estados Unidos) a decisão de Donalda Trump foi consensual. Aliás, bem longe disso.
Os riscos de uma escalada de violência e uma indesejada eventual repetição da Guerra do Golfo (do início da década de 90), com clara vantagem no terreno para o Irão, a inquestionável entrada em cena, mais tarde ou mais  cedo, da Rússia e da China como claros opositores de peso aos estados Unidos, pesaram, mesmo que tardiamente, na decisão americana de não retaliação.
Donald Trump e os Estados Unidos viram-se, de repente, obrigados a recuar e a redirecionarem a sua estratégia e discurso para o low profile político da temática da produção Nuclear e do Acordo rasgado, tentando, com isso, colocar a comunidade internacional ao seu lado. Mas mesmo neste campo, nem tudo é ouro sobre azul para a Administração Trump. Não é, de todo, previsível que o Irão queira sentar-se à mesa de uma negociação com o principal "inimigo público", com um país e um presidente que não inspira qualquer tipo de confiança e respeito.

A embrulhada está feita... os nós para desatar são vários, os cenários são múltiplos e, sinceramente, a procissão ainda vai no adro. Infelizmente para o Mundo.

publicado por mparaujo às 22:51

04
Jan 20

Começa da pior maneira o ano de 2020. Muito mal, mesmo.

E se muitos (infelizmente, a maioria) acham que os recentes acontecimentos no Médio Oriente, nomeadamente em Bagdad (Iraque) e, mais concretamente, a morte do general iraniano Qasem Soleimani (o segundo da hierarquia do regime do Irão), são aí mesmo, num longínquo médio oriente (onde a maioria só em 'sonhos' se imagina de férias no Qatar ou Dubai) é urgente alertar para a importância da tomada de consciência com a realidade e a necessidade de assentarmos bem os pés na terra.
O que se passou com a decisão (para alguns à margem da própria constituição e num manifesto abuso dos poderes presidenciais) tomada por Donald Trump em avançar com uma acção militar para assassinar Soleimani foi um evitável, deplorável e condenável "acto de guerra". Não há qualquer argumento que consiga minimizar o impacto de tal decisão de supremacia política que, só por si, já há muito que deveria ser controlada. Não se evita uma guerra (segundo as palavras do presidente norte-americano) abrindo outra guerra (aparentemente maior).
À margem de qualquer decisão do direito internacional (nomeadamente da ONU), o que Donald Trump fez foi, claramente, legitimar e justificar toda e qualquer escalada de violência e de terrorismo que se avizinha e que o Médio Oriente, nomeadamente o Irão, já prometeu.

Os impactos são óbvios... um aumento substancial do valor do petróleo e as consequências que o mesmo pode ter na economia mundial (pode ser que depois disso os muitos portugueses cépticos ou indiferentes comecem a perceber a realidade); um eventual regresso da "Guerra Fria" face ao posicionamento (mesmo que aparentemente neutral, devido ao terrorismo islâmico) da Rússia e o bloqueio nas relações comerciais China-USA; o aumento exponencial dos actos de terrorismo islâmico provocados pela sede de vingança e pelo reforço do extremismo político-religioso.

O mundo já tinha vivido este sentimento de enorme insegurança a partir de 1990-91, com a Guerra do Golfo, após o Iraque ter invadido (e tentado anexar) o Kuwait. Importa recordar que, na altura, a reacção da comunidade internacional (e não apenas dos estados Unidos) tinha como sustentação a Resolução 678 do Conselho de Segurança da ONU.
A década que se seguiu culminou com o ataque, em pleno território americano, às 'Torres Gémeas" (World Trade Center) e ao Pentágono, no fatídico 11 de setembro de 2001.
A partir daqui o mundo não seria mais o mesmo.
Seguiu-se, curiosamente também sob uma administração Republicana (George W. Bush), a invasão do Iraque que levou ao derrube (em 2003) e morte (por enforcamento, em 2006) de Saddam Hussein, sob a (inventada) suspeita de armas de destruição maciça ou massiva (por empréstimo externo, se usarmos o anglicismo). Um dos maiores flops da história geopolítica e que, até aos dias de hoje, tantas mortes provocou, seja pelos atentados terroristas no continente africano, no próprio Médio Oriente, na Europa, por exemplo, ou através da tragédia humanitária que tem sido a crise dos refugiados, nomeadamente aqueles que morreram nas águas do Mediterrâneo.

Esta perigosa presunção, infelizmente demasiadas vezes sustentada e 'aplaudida' por tantos "aliados", dos Estados Unidos serem os senhores/donos do mundo, os arautos da democracia e dos valores, os guardiões da liberdade e da verdade, só tem resultado num Mundo intolerante, sem respeito pelos outros ou pelos mais elementares direitos humanos, cada vez mais inseguro, menosprezando o direito à liberdade e à coexistência. A isto podemos ainda acrescentar o perigo subjacente ao exercício do poder por parte de um dos presidentes norte-americanos mais incauto e politicamente inadaptado para o cargo: Donald Trump.

Quando os interesses geopolíticos e geoestratégicos, aliados às 'vontades' económicas (ou interesses economicistas) se sobrepõe a todos os valores fundamentais e universais, não há argumento que justifique, valide ou sustente qualquer meio que leve à violência.
No caso concreto, lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump ataquem o Irão e o Iraque, mas validem todos os atentados aos direitos humanos que emergem na Arábia Saudita e nos Emirados Arabes Unidos. Lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump não tenham tido a mesma posição de força, por exemplo, no caso do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi. Lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump tenham contribuído para o alimentar do conflito entre Israel e a Palestina, por exemplo, com a decisão de mudar a embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém, numa clara atitude provocatória e de demonstração de força política.
No caso concreto, lamenta-se que os Estados Unidos e Donald Trump não tenham qaulqer tipo de preocupação com as consequências da decisão e os impactos futuros, apenas o interesse em salvar a face política (se é que alguma vez a teve) do presidente norte-americano perto de um acto eleitoral e sob a ameaça de um impeachment.

A partir de 2 de janeiro de 2020 o Mundo ficou, ainda, mais perigoso. Bullshit, Mr. Trump.

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publicado por mparaujo às 14:16

07
Out 18

No momento em que recordamos o 20.º aniversário da atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago (1998), o segundo atribuído a um cidadão português (depois do Nobel da Medicina - Egas Moniz, 1949), após a polémica em 2016 com a atribuição do Nobel a Bob Dylan, a Academia Sueca volta a envolver distinção literária em nova controvérsia ao decidir a não atribuição em 2018 devido a escândalos sexuais que envolvem o marido de Katarina Frostenson, uma das responsáveis pela escolha do premiado com o Nobel de Literatura.

Por outro lado, o mais "mediático" e singular Nobel da Paz, com particularidades próprias (é atribuído pelo Comité Nobel Norueguês, ao contrário dos restantes cinco que são atribuídos pela Academia Sueca - Física, Química, Medicina, Literatura e Economia - e é o único que pode ser atribuído a pessoas singulares ou a instituições/organizações) regressa à "normalidade" dos seus objectivos depois de envolto em alguma polémica: é questionável a manutenção da atribuição, em 2012, à União Europeia, face à forma como não tem conseguido lidar com a questão dos refugiados; e a Aung San Suu Kyi, em 1991, à data activista dos direitos humanos e políticos, agora líder da Birmânia, e que tem mantido um condenável silêncio em relação à perseguição e descriminação sobre a comunidade rohingya, obrigada a fugir para o Bangladesh.

O Comité Norueguês decidiu laurear, em 2018, com o Nobel da Paz, o congolês Denis Mukwege e a iraquiana Nadia Murad, "pela luta do fim do uso da violência sexual como uma arma de guerra e de conflito armado".

Denis Mukwege, criticado pelo governo por tentativa de "politização" do seu trabalho humanitário, é médico ginecologista na República Democrática do Congo, onde fundou, em 1999, o Hospital Panzi no qual foram tratadas mais de 50 mil mulheres vítimas de violência sexual na guerra e nos conflitos armados. No Congo, em média, 48 mulheres são violadas a cada hora.

Nadia Murad, de minoria étnica Yazidi, em 201, com 21 anos, foi raptada pelo Estado Islâmico, no Iraque, tendo sido vítima de violência sexual. Três meses conseguiu fugir, tendo-se tornado uma forte activista dos direitos humanos, contando a sua própria história para alertar para o problema da violência sexual como arma de guerra.

Denis Mukwege foi galardoado com o Prémio Europeu da Liberdade de Expressão, Prémio Sakharov 2016, prémio igualmente atribuído em 2016 a Nadia Murad que foi, ainda, nomeada Embaixadora da Boa-Vontade das Nações Unidas, nesse mesmo ano.

A afirmação de Denis Mukwege reflecte a nobreza e a justiça da nomeação: "este não é um problema só das mulheres, é um problema da humanidade".

nobel paz 2018.jpg

publicado por mparaujo às 01:03

30
Dez 06
As minhas previsões estavam certas. Não que isso me traga qualquer rasgo de felicidade. Bem pelo contrário. Infelizmente só acerto no que não é racional e benéfico. (por isso é que para a semana à jackpot no euromilhões).
A reacção óbvia ao enforcamento de Saddam Hussein - Aqui.
A estupidez habitual no discurso de quem pensa que é dono do mundo e das pessoas, mais a sua real aliança - "A execução do antigo ditador iraquiano é "uma etapa importante" no caminho para a democracia no Iraque, afirmou o presidente norte-americano George W. Bushqui".
E a hipocrisia europeia da condenação do acto, mas com o habitual lavar de mãos historicamente herdado de Pilatos - Aqui.
publicado por mparaujo às 13:07

Por uma questão de princípio (valores), pela defesa da vida, por razões sociais, culturais e por razoabilidade civilizacional: pena de morte… NUNCA!
Como diz a Carta dos Direitos Fundamentais: "ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado".
Ninguém. Nem mesmo por razões que a emotividade e o irracional desconhece.
Ao fim de um julgamento, que contemplou situações mais próximas do dantesco, do polémico e do anárquico, do que propriamente do conceito de justiça e do judicial, Saddam Hussein foi esta madrugada enforcado (publico on-line). Condenar o que foram os 24 anos de ditadura e as atrocidades étnicas, religiosas e políticas cometidas pelo regime de Saddam é relativamente fácil e óbvio.
Por outro lado, para quem defende a dignidade humana e o valor da vida, é racionalmente espontânea a oposição consciente à pena de morte. O princípio defendido que punir um crime com outro crime corresponde à lei do “olho por olho, dente por dente”. Nada justifica um crime com outro crime.
Aliás, até que ponto o cumprimento da sentença já algum tempo proferida, não irá desencadear uma onda de revolta na minoria sunita, transformando Saddam Hussein num verdadeiro mártir?!
Onde está a coerência da Europa (bastião da defesa da abolição total da pena de morte) que publicamente condenou, as atrocidades do regime de Saddam e que, apesar disso, se opôs igualmente (salvo as excepções conhecidas - Inglaterra, Espanha e Portugal) à intervenção norte-americana?!
Que relevância ou pressão diplomática junto da Administração Bush tem a posição Europeia na condenação da sentença, no sentido de exigir a face inegociável de um princípio como o da defesa da dignidade humana e da vida?!
Uma Europa que, num verdadeiro instinto de avestruz, traduzido pela subserviência aos Estados Unidos, diz-se revoltada, mas amorfa na defesa da sua Carta Europeia dos Direitos Fundamentais.
Hoje, não deixa de ser verdadeiramente importante reflectir-se o que foram estes últimos anos de Iraque, após a “captura” de Saddam: um incalculável (porque contraditório) número de mortes, atentados diários, insegurança e instabilidade (medo), crise social e económica instalada. A democracia tão apregoada, continua uma miragem na aridez dos desertos iraquianos. A isto tudo, acresce os conhecidos e polémicos casos de abuso das forças militares estrangeiras, nomeadamente as americanas e britânicas, que em nada se inferiorizam aos acontecimentos do então regime iraquiano.
A razão e a legitimidade assiste a quem souber fazer e pautar-se pela diferença. E não pelos mesmos meios que nunca justificam os fins.
Assim termina um 2006 que em nada augura um melhor 2007.
publicado por mparaujo às 12:12

10
Nov 06
Publicado na edição de ontem (9.11.06) do Diário de Aveiro

Post-its e Retratos
A morte da pena!


Por uma questão de princípio (valores), pela defesa da vida, por razões sociais, culturais e por razoabilidade civilizacional, somos contra a pena de morte.
E como diz a Carta dos Direitos Fundamentais: "ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado".
Ninguém. Nem mesmo por razões que a emotividade desconhece.
Ao fim de mais de um ano de um julgamento, que contempla situações mais próximas do dantesco, do polémico e do anárquico, do que propriamente do conceito de justiça e do judicial, Saddam Hussein foi condenado, pelo tribunal iraquiano, à morte por enforcamento.
Pela emotividade inerente à essência humana, condenar o que foram os 24 anos de ditadura e as atrocidades étnicas, religiosas e políticas cometidas pelo regime de Saddam é relativamente fácil e óbvio.
Por outro lado, para quem defende a dignidade humana e o valor da vida, é racionalmente espontânea a oposição consciente à pena de morte. O princípio defendido que punir um crime com outro crime corresponde à lei do “olho por olho, dente por dente”.
Aliás, no caso concreto, é generalizada a opinião de que o cumprimento da sentença proferida, poderá desencadear uma onda de revolta na minoria sunita, transformando Saddam Hussein num verdadeiro mártir.
Então, entre a dualidade da defesa da vida e da análise crítica aos acontecimentos cometidos pelo regime que permitiriam sustentar a pena de morte, onde reside a dúvida?!
Numa questão de coerência.
Será que reagiríamos com a mesma clareza de princípios se a realidade estivesse bem ao nosso lado?!
Não será incoerente ou, até mesmo, hipócrita a posição da Europa (bastião da defesa da abolição total da pena de morte) que publicamente condenou, de forma sistemática, as atrocidades do regime de Saddam e que agora, se mostra oposicionista da sentença, mas sem qualquer relevância ou pressão diplomática, no sentido de exigir a face inegociável de um princípio como o da defesa da dignidade humana e da vida?!
Uma Europa que, num verdadeiro instinto de avestruz, traduzido pela subserviência aos Estados Unidos, diz-se revoltada, mas amorfa na defesa da sua Carta Europeia dos Direitos Fundamentais.
A posição de George Bush é plausível. É a sustentabilidade da fundamentação da sua política externa, nomeadamente a forma como foi considerada e processada a crise no Iraque, e é, igualmente, uma questão de valores: Saddam Hussein é sentenciado à morte porque “assinou” a sentença de 142 rebeldes em Dujail em 1982. George Bush assinou as sentenças de morte de 152 pessoas enquanto foi Governador do Estado do Texas.
Só pela coerência destes princípios é que a administração norte-americana poderia ter a discutível e lamentável opinião de que, tendo sido Saddam Hussein um ditador, a sentença marca um virar de página na consolidação democrática do país e no “esquecer” um período dramático da história iraquiana.
No entanto, não deixa de ser importante reflectir-se o que foram estes últimos três anos de Iraque, após a “captura” de Saddam: um incalculável (porque contraditório) número de mortes, atentados diários, insegurança e instabilidade (medo), crise social e económica instalada. A isto tudo, acresce os conhecidos e polémicos casos de abuso das forças militares estrangeiras, nomeadamente as americanas e britânicas, que em nada se inferiorizam aos acontecimentos do então regime iraquiano.
A par disto, as inqualificáveis e inexplicáveis realidades de Guantánamo e os voos secretos da CIA, na Europa.
Já aqui referi que o Mundo, após o 11 de Setembro, está mais inseguro.
O Mundo, após a invasão o Iraque e a desastrosa política externa desta administração americana, está, claramente, perigoso (Afeganistão - Irão - Coreia do Norte - Paquistão - América do Sul, etc.).
O Mundo ficará, irremediavelmente perdido, se a dignidade humana e a vida, reduzirem os Direitos dos Homens a nada de valor.
Se disparas, eu ataco.
Se matas… morres! Sem pena!
publicado por mparaujo às 21:14

19
Ago 06
As guerras e os atentados são, por si só, merecedoras de qualquer crítica, de repúdio, seja qual fo o seu fundamento.
Nada justifica a morte.
No entanto elas existem, infelizmente, por esse mundo fora.
Médio Oriente, Afeganistão, Àfrica Austral, Àsia e particularmente o conflito Israel-Libano e Iraque.
As guerras trazem sempre vitimas.
Infelizmente um maior número de desprotegidos: homens, mulheres e crianças vítimas de uma situação qualquer que não criaram e da qual não têm qualquer responsabilidade.
Civis anónimos que as estatísticas ignoram como seres humanos, representando-as como meros casos colaterais.
E há também aqueles que são verdadeiros mártires.
Porque são cumpridores de tarefas humanitárias, em favor dos outros e das causas justas, em detrimento, na maioria dos casos, das vidas particulares e familiares.
Hoje é um exemplo, infelizmente, vivo apenas nas nossa memórias.
Depois do extraordinário processo desenvolvido na ajuda da constituição do mais recente e novo país do mundo: Timor, acabaria por perder a vida a tentar contrapor o efeito bélico da guerra no Iraque, com o esforço da diplomacia.
Há 3 anos atrás, o mundo e a ONU perdia um GRANDE HOMEM de GRANDES CAUSAS.
Dr. Sérgio Vieira de Mello.
publicado por mparaujo às 21:04

20
Abr 06
Entre um Iraque em constante pressão e a viver uma dramática guerra civil



e um nascente e preocupante Irão Nuclear


vão apenas (fronteiras meias) 60% de impopularidade estatística
(bem recente) e bem perigosa. Um claro "deja vu". Ou ainda... uma mera questão de tempo!
(por exemplo, ver noticia do expresso online)
publicado por mparaujo às 23:47

05
Abr 06
Pela primeira vez Saddam Hussein é oficalmente acusado de genocídio, correspondente a crimes contra ahumanidade, num dos episódios mais sangrante do seu regime: a morte de mais de 100 mil curdos apenas em dois anos (1987-1988).
Este é, por inúmeras razões políticas, sociais, religiosas e económicas, o julgamento destes dois últimos séculos.
No entanto, algumas perguntas impõem-se:
Será este o princípio do fim do terrorismo?!
Será este o início de um Iraque livre e democrático?!
Será esta a justificação (se é que a há) para a "invasão" e permanência Americana naquele país?!
Que contributo dará o resultado deste julgamento para o início do fim do conflito no médio oriente?!
Se a prisão (e consequente condenação) de Saddam Hussein tivesse contribuído para a paz e a democracia no Iraque, porque é que a presença estrangeira naquele país ainda se mantém?!
Mais do que um julgamento que permita repor a justiça e a liberdade democrática naquele país, parece-me um julgamento de "ajuste de contas" e mais mediático, do que racional e prático.
A ver vamos... a bem da verdade e daquele povo!
publicado por mparaujo às 21:50

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