Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

21
Nov 14

BE - joao semedo_catarina martins e pedro filipe.jSegundo o Diário de Notícias on-line, de hoje, há uma "Guerra aberta no Bloco de Esquerda".
Algo perfeitamente normal, como há noutras forças partidárias, quando se trata na "conquista" do poder.

Mas há um nota na notícia que importa realçar: «Pedro Filipe Soares diz que há "vontade de mudança no partido", João Semedo avisa que quem divide o partido não tem condições para o liderar» (fonte: Diário de Notícias).

Ora se Pedro Filipe Soares expressa um legítimo sentimento de mudança interna (tantas já houve que nunca vi um partido 'mudar' tanto), já João Semedo teve um momentâneo lapso de memória: então não foi o próprio BE que "dividiu" o poder interno, inovando a política portuguesa com a 'liderança bicéfala'?

publicado por mparaujo às 14:07

03
Out 13
http://expresso.sapo.pt/imv/1/951/912/capture-b07d.jpg

Ou, em alternativa, um título que dava, garantidamente (passe a modéstia), bestseller: "Como perder a vergonha político-partidária" (e não se trata de "irrevogável" demissão de Paulo Portas, a "swapada" da Ministra das Finanças ou a inverdade do Ministro Rui Machete).
É, espante-se, o total desatino da liderança bicéfala do Bloco de Esquerda e a perda de lucidez e de bom-senso de João Semedo.
A liderança bicéfala do BE perdeu a sensatez...
E logo pela "boca" de um dos seus dois líderes e, por sinal, também candidato autárquico derrotado (ao caso, em Lisboa).
Isto é que é "respeitar" os 'camaradas' e o esforço e dedicação de todos os que se empenharam no projecto autárquico do Bloco de Esquerda.
Com líderes assim para quê ter "inimigos"?

No Expresso online (via Antena 1), João Semedo resume a prestação autárquica do Bloco de Esquerda desta forma bombástica (logo ele que também foi candidato derrotado): «João Semedo diz que BE não apresentou 'candidatos credíveis'». Mas o que é isto???!!!

Isto é que é "respeitar" os 'camaradas' e o esforço e dedicação de todos os que se empenharam no projecto autárquico do Bloco de Esquerda?!
Com líderes assim para quê ter "inimigos"?

foto retirada da edição online do Expresso (03.10.2013)

publicado por mparaujo às 14:08

19
Ago 12

Publicado na edição de hoje, 19 de agosto, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

Sirvam-se as entradas…

Na gastronomia há quem as prefira e há quem as dispensa. Aí como na política passa-se o mesmo. As entradas (reentrés) são para todos os gostos (e para os não gostos) mas indiscutivelmente marcam os finais de cada verão.

Nesta semana, como vem sendo hábito, o PSD, com a sua tradicional festa do Pontal abriu as hostilidades. Só que este ano, a festa “laranja” teve algumas condicionantes, do ponto de vista político, óbvias: não foi ao ar livre e em espaço público por claras e compreensíveis razões de segurança (só não entendíveis por Marcelo Rebelo de Sousa porque não é ele que tem de dar a “cara e o corpo ao manifesto”); o habitual discurso interno, face à posição governativa, transferiu-se para a “obrigação” de um discurso de estado; a próxima avaliação da Troika, numa fase crucial do processo de resgate, também condicionou o “show-off” social-democrata.

Das palavras do líder do PSD e primeiro-ministro há a destacar a continuidade de um discurso que afinal não trouxe nada de novo, a não ser a “embrulhada” criada pelo Tribunal Constitucional em relação ao corte dos subsídios. De resto, continua-se a denotar uma dificuldade na implementação de medidas estruturais que consolidem as contas e que complementem a necessária (mas até agora única) exigência dos sacrifícios impostos aos cidadãos, a falta de reestruturação da função do Estado e a sua organização, a necessidade de cortar despesas sem aniquilar a função social do Estado, a incapacidade de “lutar” contra poderes e pressões instalados, a recuperação económica marcada para finais de 2013 (ou seja daqui a um ano). Só que da teoria à prática vai uma grande distância e, no caso português, uma evidente grande distância. É louvável o esforço que tem sido feito e que tem dado frutos no sector das exportações, mas não deixa de ser preocupante que o consumo interno caia consecutivamente, as empresas fechem diariamente, o desemprego aumente descontroladamente e as receitas fiscais (directas ou indirectas) fiquem aquém das expectativas e das necessidades do equilíbrio das contas públicas. O ano de 2013 afigura-se uma miragem e um obstáculo difícil (para não dizer impossível) de ultrapassar.

Para além do PSD, também o Bloco de Esquerda, mesmo sem o palco do mediatismo político, marca este final de Agosto com a questão da sucessão da liderança. Aliás, não da liderança mas sim da função e porta-voz já que o partido não tem (pelo menos nestes 13 anos) um líder mas sim um porta-voz. Francisco Louçã, uma das figuras (ou a figura) mais emblemática do BE despede-se da ribalta e propõe a continuidade numa função repartida entre João Semedo e Catarina Martins. O mais relevante deste momento na vida do mais jovem partido parlamentar é o fim do ciclo dos seus fundadores (Loução, Miguel Portas, Luís Fazenda e Fernando Rosas) e um evidente desgaste político e ideológico, mesmo que o BE seja uma mistura “explosiva” de valores ideológicos. A verdade é que o BE está distante dos tempos idos de há 13 anos e dos 16 deputados eleitos em 2009: está menos marcante na sociedade, menos vigoroso, mais cotado com uma imagem pública de radicalismo e extremismo, situação à qual não será alheia as divergências internas (Rui Tavares, Daniel Oliveira, etc), bem como alguns erros graves do ponto de vista político como foi o caso da Moção ao governo de José Sócrates e a ausência no processo das reuniões com a Troika. Numa sondagem promovida pelo jornal Expresso e a SIC a Eurosondagem revela que metade dos inquiridos afirma que nada irá mudar no BE com a saída de Francisco Louçã. Nada mais de errado. Já há cerca de dois anos que muita coisa tem vindo a mudar no seio do Bloco e goste-se ou não, concorde-se ou não, critique-se com mais ou menos veemência, a verdade é que Francisco Loução personaliza o Bloco. Pelo menos, este BE. E por mais valor que tenha João Semedo (e tem) ou Catarina Martins o Bloco de Esquerda não será o mesmo.

Resta-nos a Festa do Avante (“não há festa como esta”) para ouvirmos o discurso habitual da esquerda comunista centrada no ataque à austeridade, na defesa dos direitos adquiridos no trabalho, contra a Troika. Também aqui nada de novo se espera.

O que será uma incógnita, até para o próprio partido, é o discurso da reentré socialista. O PS mantém-se na encruzilhada, na indefinição de posicionamento, no balançar entre a oposição ao governo e os compromissos assumidos com o memorando, para além da responsabilidade governativa nos últimos anos. E em nada a próxima avaliação da Troika, sendo positiva (mesmo que ligeiramente positiva) facilitará a posição e o discurso de José Seguro. A não ser um conjunto de frases e conceitos fora da realidade, sem conteúdo, sem propostas concretas sobre áreas fulcrais como as contas públicas, o desemprego, a saúde, o ensino, a justiça e a reforma da administração local, por exemplo.

É que esta liderança do PS tem sido demasiadamente invulgar por evidente falta de posicionamento ideológico, de conceitos e propostas concretas e alternativas à situação que se vive no país. O discurso socialista tem andado demasiadamente ao sabor da agenda do momento, sem qualquer perspectiva futura, nem opções válidas. Daí não se estranhar que, mesmo face a todo o desgaste do governo, as últimas sondagens conhecidas não retirem o PS dos valores alcançados nas últimas eleições legislativas de há pouco mais de um ano.

Uma boa semana.

publicado por mparaujo às 14:46

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