Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

28
Mar 19

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José Luís Mendonça, familiarmente conhecido como Zeca Mendonça, era o verdadeiro “homem do presidente”. Funcionário do aparelho social-democrata desde a sua fundação, assessor de imprensa do PSD, serviu, até dezembro de 2017, quase todos os Presidentes “laranjas” (incluindo Sá Carneiro), foram 17. Nestas funções de assessoria de comunicação, José Mendonça levou cerca de 40 anos de serviços prestados ao partido (se não me falham as contas).

Não há jornalista que não tenha tido contactos com ele, não há cidadão que não tenha reparado nas suas “aparições públicas” (umas mais discretas que outras), não há, inclusive, político (mesmo de partidos distintos) que não se tenha “cruzado” com ele.

Faleceu hoje, aos 70 anos (celebrados no passado dia 23 de março), após perto de ano e meio de exercício de funções na assessoria de imprensa da Presidência da República (desde dezembro de 2017).
R.I.P. Zeca Mendonça.

(créditos da foto: António Cotrim / Lusa, in Sapo24)

publicado por mparaujo às 23:01

31
Out 18

mas infelizmente a realidade vivida no dia a dia por muitas pessoas (e são já demasiadas) e a falta de respostas sociais, médicas e económicas (já para não falar de uma total ausência de resposta cultural da sociedade) que são gritantes, apesar dos permanentes apelos, alertas e gritos de desespero.

O Diário de Notícias, na sua (con)versão diária digital, na edição de hoje, traz à reflexão uma notícia sobre o que significa para muitas famílias cuidar de alguém, concretamente um(a) filho(a), com paralisia cerebral: "Elas são a sombra dos filhos, à espera de uma lei que as proteja".

E, de repente, veio-me à memória o mês de setembro de 2014... já lá vão 4 anos mas este trabalho da Fátima Araújo, "Por acaso...", publicado no final desse ano, relacionado com a problemática social (em todas as suas vertentes) e os "dramas" que enfrentam os cidadãos com Paralesia Cerebral mantem-se, infelizmente, mais que atual e pertinente. Tomara que assim não fosse...

mas a "ter que ser"... Era bom nunca perder a memória.

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(créditos da foto: Filipe Amorim / Global Imagens in DN digital)

publicado por mparaujo às 15:41

20
Mai 18

Não... não é ironia, piada ou brincadeira.
Infelizmente... é verdade.

Independentemente de outras análises que não me interessam rigorosamente, na longa (ou extensíssima) entrevista de ontem de Bruno de Carvalho, entre vários "disparos", o presidente do Sporting Clube de Portugal apontou baterias à Comunicação Social. Infelizmente tinha razão... não propriamente pelos motivos apontados, mas teve razão. Obviamente que não cabe toda a responsabilidade pela actual situação do futebol português ao jornalismo. Mas mesmo numa percentagem menor, a comunicação social (grande parte, para não dizer toda) tem uma quota parte de responsabilidade.

Por um lado, já aqui o tinha referido: "Oportunidade de reflexão".

E a verdade é que, por outro lado, nada mudou, bem pelo contrário.

Em vésperas da final da Taça de Portugal, no meio do enorme turbilhão vivido no emblema de Alvalade, há quem anuncie em plena televisão, com toda a certeza, que na segunda-feira (amanhã) há cerca de 7 ou 8 jogadores que abandonarão o clube. Se isto não é meter mais achas na fogueira...

O jornal Expresso, apesar da nota da direção de informação, tem um erro editorial enorme ao descontextualizar do texto de Miguel Sousa Tavares uma frase com aquele teor, com direito a chamada na primeira página...

Há "perseguição" televisiva até ao hotel do autocarro e do carro do treinador até a sua casa (isto então ultrapassa tudo e qualquer limite) da equipa (pasmem-se) vencida...

Mas ainda mais grave... como quer o jornalismo ser respeitado quando o próprio se abstém de respeitar.

Mesmo para aqueles que não gostam ou apreciam futebol, é comumente reconhecido que a Taça de Portugal em Futebol é a chamada "festa do futebol", pela abrangência dos vários campeonatos e do número mais alargada de equipas numa mesma competição.

Historicamente, o Desportivo das Aves chegou à Final da Taça de Portugal e venceu, hoje, o Sporting, no Jamor (Estádio Nacional). É um feito enorme para uma comunidade, região e para um clube de pequena dimensão, mas com um empenho e entrega grandes: pela primeira vez na sua história e na história desportiva e social da Vila das Aves, o Desportivo das Aves vence uma Taça de Portugal em Futebol.

Resultado... a comunicação social (toda) despende de 99,9% seu tempo de antena, das suas páginas (digitais ou impressas) para falar, horas a fio, repetindo chavões e factos atrás de factos, do Sporting.

Afinal... nem só dos VENCEDORES reza a história.

Respeito pelo Desportivo das Aves era o mínimo exigível por quem tem uma responsabilidade social acrescida. Muito mal.

Afinal as palavras de Bruno de Carvalho, ontem (sábado), não era, de todo, descabidas.

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publicado por mparaujo às 22:15

24
Dez 17

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O Natal é, independentemente das crenças e credos, a Festa da Família, por excelência.

Enquanto nos perdemos na azáfama de saco, embrulhos e laços...
Enquanto nos perdemos na ansiedade da prenda tão esperada...
Enquanto preparamos as rabanadas, os filhós e o bacalhau...

Há quem tenha perdido a família pela estupidez da guerra... pelo infortúnio do destino... pela ganância... pela fome... pelo tráfico humano... pelos incêndios e pela reacção da natureza...

Há quem tenha perdido a família porque há quem esteja e se coloque acima da lei...
porque há quem não respeita a dignidade humana.

Independentemente do tempo, as vidas e as histórias de vida merecem uma especial atenção neste Natal.

Porque não concebo um retrocesso civilizacional na sociedade (a fazer lembrar tempos seculares - sec. XV - das "rodas dos enjeitados" às portas dos conventos ou das Misericórdias) o meu Natal é solidário com as famílias e crianças vítimas das adopções ilegais e dos raptos praticados ao longo de 20 anos pela IURD sem que as instituições, o Estado e a Justiça, agissem.

Finalmente, depois da excelente investigação da TVI com a assinatura da Alexandra Borges e da Judite França (imagem de Ricardo Ferreira, Nuno Ascenção Romeu Carvalho, João Pedro Matoso, Alexandre Vieira (drone), edição de Miguel Freitas e grafismo de Paulo Trindade, Sofia de Botton e João Nunes) "O Segredo dos Deuses" parece querer acordar a classe política, o Governo, o Ministério Público e, também, a sociedade. FINALMENTE.

Neste Natal... EU NÃO ADOTO ESTE SILÊNCIO.

publicado por mparaujo às 12:55

24
Nov 17

Dois anos de idade separavam-nos...
Cinco anos separam o dia em que o programa "Janela Indiscreta" da Antena 1, com a assinatura e mestria do Pedro Rolo Duarte, destacavam este blogue e um artigo publicado no Diário de Aveiro.

Entre a surpresa e a modéstia do orgulho e da honra ficava, relevantemente, a consideração e o rspeito pelo profissional e pelo seu trabalho, algo que foi depois alimentado mesmo que a espaços.

Hoje... enquanto vamos vivendo focados em tudo e mais alguma coisa, no supérfulo, e nos vamos distraindo com a ridicularidade da história e das estórias, é quando um valente estalo e um enorme murro no estômago nos acordam para a importância da vida, do pormenor, das coisas simples mas que verdadeiramente importam.

Fica muito para além do jornalismo e do jornalista. Basta apenas a vida que é cortada demasiado cedo... muito demasiado.

Descansa em paz, Pedro Rolo Duarte.

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publicado por mparaujo às 12:08

21
Ago 17

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publicado excepcionalmente na edição de hoje, 21 Agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
No tenim por
(*)

Os últimos e recentes momentos são de luto, de dor e de tragédia: incêndios, devastação, mortes, ataques terroristas. Foi no Pinhal Interior, no interior centro e sul do país, na Madeira, em Barcelona e em Cambrils (acrescentando-se ainda, com contornos por clarificar à hora da escrita deste texto, o atentado em Turku, na Finlândia). No caso das Ramblas e Cambrils, a Europa volta a ser alvo de dois hediondos ataques terroristas reivindicados pelo Daesh, apesar de várias notícias recentemente difundidas que davam conta de uma eventual fragilização na liderança e nos recursos do movimento radical islâmico. No entanto, no espaço de poucas horas e de escassos quilómetros de distância, dois atentados provocam 14 mortos e mais de uma centena de feridos, duas das quais portuguesas, num total de quase 40 nacionalidades.

A Europa voltou a ser alvo do extremismo e da fúria do radicalismo islâmico assente nos três pilares dogmáticos: social, religioso e político. O transtorno da normalidade do dia-a-dia, a instalação do pânico, do medo e da insegurança, a conflitualidade e a divisão multicultural, são objectivos claros da acção das células terroristas no seio das comunidades. A negação e o combate aos valores da sociedade ocidental por oposição aos valores do Islão, são os óbvios objectivos religiosos desta jihad menor. Por último, a reacção às acções da comunidade internacional, nomeadamente no médio oriente, que têm, ao longo de décadas (para não precisarmos de recuar muito mais nas memórias da história), criado na região uma instabilidade política, social e económica completamente desastrosa, espelha o combate político.

Novamente, em plena Europa, os nossos valores, costumes, princípios e modo de vida, foram atacados “por e de dentro”, por cidadãos europeus nos seus plenos direitos de cidadania. Mas, a par com a revolta e a solidariedade inequívocas, há algumas inquietações que os factos me suscitam.

  1. Por mais discursos e momentos de solidariedade que possam exprimir a dor e a revolta, das cerca de 40 nacionalidades representadas pelas vítimas dos atentados na Catalunha quantos governos não são responsáveis pela instabilidade política, económica e social do Médio Oriente (com a Síria à cabeça, sem esquecer a “amiga” norte-americana e europeia Arábia Saudita) e no coração africano, que tem levado ao surgimento e propagação do radicalismo islâmico?
  2. O ressurgimento do populismo e xenofobismo (islamofobia). Não faltou muito, poucas horas apenas, para que se instalasse a confrontação (discursiva ou mesmo física) entre aqueles, nos quais me incluo, que defendem a integração e o multiculturalismo, que acham que o drama dos refugiados nada tem a ver, directamente, com esta realidade, que a jihad menor não é apenas executada na Europa mas sim nos próprios países muçulmanos (mas é tão fácil esquecer a Síria, África, Afeganistão, Mossul, …, só porque é lá a “terra deles”); e os que preferem erguer muros e fronteiras, barreiras sociais e físicas contra a defesa da dignidade da pessoa humana e dos seus fundamentais direitos, liberdades e garantias inerentes a cada cidadão, muito para além das fronteiras do nosso quintal, bairro, comunidade ou país. E isso é um dos principais objectivos que motivam os jahidistas.
  3. No caso concreto, alargado a todos os atentados até agora realizados, a comunidade islâmica radicada na Europa tem publicamente condenado as acções dos radicais e extremistas. Mas é importante que os responsáveis por essas comunidades passem a ser, definitivamente de uma vez por todas, parte activa no combate ao terrorismo porque é no seu seio que surgem estes mujahidin. Importa lembrar que só na Catalunha estão mais de metade das mesquitas erguidas em território espanhol, algumas centradas no islamismo mais conservador. Não basta condenarem publicamente se o seu dia-a-dia é inconsequente no que respeita ao contributo para o fim das células terroristas.
  4. Por último, é inequivocamente louvável a forma como as comunidades que sofrem os atentados reagem, positivamente (mesmo com a dor e a revolta), a cada acto ignóbil e indigno que atenta contra o valor da vida humana e a sua dignidade. O regresso imediato, mesmo que a custo, à normalidade é algo que perturba o sucesso destas acções e dos seus autores. Daí que não seja perceptível o comportamento da comunicação social no tratamento informativo destes contextos, com a difusão excessiva e massiva de imagens das vítimas e dos impactos da tragédia, a proliferação repetitiva (e muitas vezes banalizada) dos directos e depoimentos, a divulgação dos rostos e nomes dos criminosos transformados, dessa forma, em mártires e exemplos vindouros, colocando em causa a própria responsabilidade social inerente à sua génese e missão. É contraditório, é perfeitamente escusado, é evitável, sem que isso menorize a qualidade informativa e o rigor da notícia. Importa distinguir interesse público de “interesse do público”.

(*) “No tenim por” significa, em catalão, “Não temos medo”

(créditos da foto: Lluis Gene/AFP - in Veja.com)

publicado por mparaujo às 11:15

21
Set 16

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publicado na edição de hoje, 21 de setembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Livro “mal-dito”

A par da questão do imposto ou taxa “Mortágua” (património), que deixaremos para outras núpcias quando o que agora não passa de um conjunto de intenções, que muda constantemente ao sabor do vento, se tornar algo mais concreto e consistente; a par do aproximar da data do Orçamento do Estado para 2017 (ao qual acresce o cumprimento ou não do défice); a par da jogada política de antecipação autárquica de Assunção Cristas para Lisboa; o mediatismo dos últimos dias tem-se centrado na publicação do livro de José António Saraiva, “Eu e os políticos - o livro proibido”, com o selo das edições Gradiva.

Tive algumas dúvidas em escrever sobre tal tema uma vez que demasiada publicidade, nestes casos, leva a um significativo aumento da curiosidade e à compra de abjecta literatura. Mas como está na génese dos portugueses, no seu adn, é da condição lusa o gosto pelo mórbido, pela mexeriquice, pelo cheiro à devassa, pelo mal-dizer (salve-se o escárnio) e porque o tema entrou também ele na agenda e no discurso político, não quis deixar passar em branco porque é demasiado grave e tem suscitado críticas e posições públicas dos mais variados quadrantes político-partidários.

Que o autor (jornalista, ex-director do jornal Expresso e do jornal Sol) escreva um livro sobre a sua relação com políticos usando informação privilegiada ou confidencial, pretendendo demonstrar uma posição de relevo na comunicação social e na política que dificilmente alguém lhe atribuirá, é um exercício de puro egocentrismo e narcisismo que, criticável, não deixa de ser legítimo e sustentado no princípio do direito à liberdade de expressão. A questão prende-se mesmo com o conteúdo (mais que a forma) e com parte do próprio título do livro “(…) - o livro proibido”. Num país que vive siderado por uma “casa dos segredos” onde até a política já entra nada melhor que surgir à estampa o pior e o mais ignóbil da mexeriquice e da alcofa alheia. Só que o problema é que o livro é mais do que a mera mexeriquice, é a devassa da privacidade e da intimidade de terceiros, através de um ignóbil recurso a eventuais informações transmitidas por quem já faleceu e não está entre nós para o contraditório, o que, por si só, é plausível de processo-crime (segundo a Lei Penal em vigor), para além de uma gritante falta de carácter do autor pelo uso de informação confidencial e pessoal (no sentido de íntimo e privado). Obviamente, o “crime” compensará pela eventual perspectiva do autor e da editora no lucro das vendas. Pessoalmente, só desejo o maior dos falhanços. A vida privada, a intimidade de cada um, nada tem de político, nem partidário. Vale pela reserva desse importante direito, mesmo em confronto com a liberdade de expressão. Os portugueses não podem andar, legitimamente, a bradar aos céus e a todos os ventos a defesa de direitos pessoais como as contas bancários, dados pessoais, entre outros, e não deixarem de star preocupados com a facilidade com que se expõe em praça pública informação íntima e privada de terceiros, mais ainda usando um esquema deplorável de colocar a responsabilidade da informação em quem já não a pode contrariar (ou até provar) ou impedir a publicação da mesma.

Há, ainda, a primeira parte do título do livro: “Eu e os políticos”, deixando de lado o narcisismo do “eu”.

Portugal, ao longo da sua história política, cultural e social, sempre viveu sobre o manto da corrupção, do amiguismo, do caciquismo, dos favores pessoais, da cunha, etc. Apesar disso, há uma grande parte da sociedade que manifestamente tem vindo olhar para essas realidades de forma muito mais crítica e condenatória, principalmente quando envolve a política e os políticos. É por isso lamentável e criticável que para, José António Saraiva, a política, ou a “sua” política, e os políticos, com quem, profissionalmente, andou tantos anos de mãos dadas, se resuma a uma convivência pessoal e profissional do mexerico, da intimidade, da intriga, da sexualidade e da alcofa. Triste, abjecto, infeliz…

Por último, porque de política e políticos se trata, porque há sempre uma linha, ética e deontológica, muito ténue entre a política e o jornalismo, pelo conteúdo da publicação, é incompreensível para os portugueses, nomeadamente para os militantes e simpatizantes do PSD, que o líder social-democrata, ex-Primeiro ministro, actual líder do maior partido da oposição, com tantos problemas no país, se preze a um teatro mediático desprezível e se mostre disponível para apresentar, publicamente, o livro. Por maiores ligações pessoais que existam entre Passos Coelho e José António Saraiva, o líder do PSD sairá, publicamente, manchado. Era, e é, escusado.

publicado por mparaujo às 09:50

18
Mar 16

Há quem diga que é fruto de novos tempos e de novas exigências.

Eu acredito mais que será tempo de repensar e reformular, o que não implica que se mantenham as mesmas plataformas.

Mas também penso que é tempo de reflectir sobre tutelas, modelos de gestão, realidades laborais, profissionalismo e ética deontológica.

Mas independentemente de qualquer ou toda a reflexão, é tempo de preocupação.

Preocupação pelo pluralismo, pela diversidade, pela informação.

Preocupação pelo futuro profissional de quem, bem ou menos bem, com maior ou menor esforço, com maior ou menos visibilidade, vê reduzida a sua "luz ao fundo do túnel".

Nem tudo acabou... mas pelo histórico recente, mesmo que a esperança seja a última a "suspirar", os dias do Diário Económico, ao fim de 26 anos, estão como o tempo de hoje (nem de propósito): cinzentos.

Suspensa a edição em papel (hoje foi a última), resta a plataforma digital (http://economico.sapo.pt/) e a plataforma televisiva (Económico Tv - ETV). E resta igualmente o nobre e heróico esforço e dedicação de todos os seus profissionais, mesmo sem a certeza do futuro.

"(...) há explicações para este fim. E não são editoriais, nunca foram. Saí em divergência com as opções do accionista, sim, mas em convergência com os jornalistas. Como leitor, sempre. Como colunista, semanalmente. O Diário Económico não acaba por causa dos seus jornalistas, acaba porque o accionista desapareceu e não deixou que outro o substituísse em devido tempo. E houve tempo e vontades. E ofertas. Não é, agora, o tempo de procurar todas as respostas, nem sequer de lamentar a crise da democracia com o fim de mais um jornal no papel. Mesmo quando este jornal, ao contrário de outros, desaparece apesar de ser a primeira escolha." (António Costa, ex-director do DE, na edição, a última, de hoje)

A última edição em papel do Diário Económico tem como destaque, na sua capa, um "Obrigado" (sobre a imagem de um aperto de mão), numa mensagem de agradecimento aos leitores.

Mas, no seguimento das palavras de António Costa, pelos jornalistas que ao longo destes 26 anos de existência marcaram a história do jornalismo económico, é altura para dizer: nós (leitores e camaradas) é que agradecemos. MUITO OBRIGADO.

Solidariamente...

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publicado por mparaujo às 10:54

24
Fev 16

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Não é fácil fazer vingar no panorama informativo uma marca com características de especificidade, ainda mais se a particularidade for a economia.

Mesmo que a economia se confronte, no dia-a-dia, com a política para a primazia no "espaço público" e na gestão das sociedades, a verdade é que a tecnicidade e uma área pouco acessível à maioria dos cidadãos leva a uma restrição do público-alvo de uma informação no sector da economia e das finanças.

Apesar disso, o Diário Económico tem sabido marcar uma posição de relevo nesta vertente apesar das conhecidas e, agora, tornadas públicas dificuldades de sustentabilidade, ao ponto de se afigurar como plausível a insolvência do grupo (jornal, tv e online).

Dificuldades financeiras, receitas deficitárias em função dos encargos, insustentabilidade da marca, salários em atraso, diversas saídas de profissionais que deixaram um vazio de saber e profissionalismo, tudo isto tem sido prejudicial ao futuro do Diário Económico (em toda a sua extensão).

Há muita análise a merecer uma reflexão urgente na Comunicação Social, nomeadamente na nacional. São inúmeros os casos de desaparecimento de Órgãos de Comunicação Social, de redução de profissionais nas redacções e noutras estruturas, seja ao nível da imprensa escrita, da televisão ou da rádio. São demasiadas circunstâncias e situações, são demasiados camaradas sem emprego, com sonhos desfeitos, com perspectivas futuras precárias... têm sido demasiadas pessoas como tantas "outras pessoas" (porque também se trata de pessoas e famílias).

E há muito para analisar, discutir, alterar, projectar. É a concepção do jornalismo, a importância da informação para a democracia e para a sociedade, a sustentabilidade da comunicação social, as suas (in)dependências, os seus meios e métodos, as suas organizações (trabalhadores, ordem e sindicato, carteira profissional, etc), ...

Mas enquanto esta reflexão e discussão, que à vista de todos é cada vez mais urgente mas, igualmente, cada vez mais utópica e distante, não surge, os profissionais do Diário Económico não desistem e continuam a lutar pela sua marca, pelo seu projecto profissional, por garantirem e quererem manter um lugar de destaque no panorama informativo nacional, pelos seus sonhos e projectos de vida.

Por solidariedade e respeito profissionais... porque o jornalismo e os jornalistas também têm direito a ser notícia (por mais que, teimosamente, se queira continuar a achar que não).

Comunicado da Comissão Instaladora da Comissão de Trabalhadores do Económico/ETV

publicado por mparaujo às 14:19

17
Fev 16

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Ninguém é insubstituível... embora a máxima, em relação à vida, seja, no mínimo, questionável.

Mas no que respeita à sociedade (ao trabalho, à escola, ao círculo de amigos ou de acção) isso será verdade. Uns surgem, outros deixam espaços vazios, mas com mais ou menos esforço há sempre forma de substituir mesmo correndo-se o risco de não serem obtidos os mesmos resultados.

Por outro lado, a vida (toda ela... profissional ou pessoal) é feita exclusivamente de opções. A cada passo, a cada dia, a cada hora, temos que as tomar, umas vezes com maior ponderação, outra com mais emotividade, umas acertadas, outras nem por isso. Mas cada momento que vivemos é consequência de opções que tomamos.

Para além disso, nunca tendo sido adepto de idolatrias e ídolos (tirando a adolescência própria da forragem das paredes e armários com poster musicais) porque acho que são demasiado frágeis e com "pés de barro", entendo que a nível pessoal, social ou profissional (ou ainda o somatório de tudo isto) a vida é demasiada vazia sem as nossas referências. Ninguém consegue viver de forma blindada e isolada. Isso não é vive, é vegetar.

Elencar aqui o rol das minhas referências (passadas e actuais) seria, felizmente para mim, fastidioso e sem qualquer relevância pública.

Mas hoje, por razões pessoais e profissionais, não posso deixar de o fazer, de forma particular.

Podem encontrar todos os substitutos e mais alguns mas a verdade é que a RTP e a Comunicação Social ficaram mais "cinzentos", mais vazios, com o anúncio da saída de "cena", do enquadramento, do plano, dos bastidores, da jornalista Cecília Carmo.

O argumento de "já eram 30 anos" tem o valor que tem. Principalmente se considerarmos que "os 30 anos" deixaram uma marca significativa e uma imagem indiscutível.

Opções pessoais não se discutem, não se comentam. São o que são.

Por isso, com muita pena... felicidades Cecília Carmo.

publicado por mparaujo às 14:42

03
Jan 16

Morre, infelizmente, muita gente... embora esse seja o ciclo natural da vida.

caceres monteiro.jpgMorre gente importante, gente anónima, gente mediática, gente que marca vida e marca vidas de forma simples e discreta. É o ciclo da vida.

Gente dos variados círculos e profissões.

Também morrem jornalísticas... e como na vida, os mais discretos, os anónimos, os mais mediáticos e os que marcaram o jornalismo (e muitos jornalistas).

Há 10 anos o jornalismo português ficava mais pobre. Muito mais pobre. Demasiado pobre.

Para jornalistas, para alguém da área (mesmo não exercendo), para muitos cidadãos, Cáceres Monteiro era uma das grandes referências da comunicação social em Portugal. Não vou discutir, nem me interessa, se era a maior ou não. Haverá outros, houve, com certeza, outros.

Pessoalmente, Cáceres Monteiro era uma enorme referência que o jornalismo português perdeu, um lugar que muito dificilmente será preenchido.

Coincidências das coincidências, foi com uma revista Visão nas mãos (revista que fundou e dirigiu) que me deparei hoje com a divulgação de uma carta/texto do seu filho João, por parte da Ana Cáceres Monteiro (para quem tem acesso ao facebook) e de um texto da jornalista editora da Revista Visão, Patrícia Fonseca, ambos alusivos ao 10º aniversário da morte de Carlos Cáceres Monteiro.

Num altura em que o jornalismo vive, pelas mais diversificadas razões, momentos mais atribulados e agitados (despedimentos, encerramento de órgãos de comunicação social, acusação pública de falta de credibilidade, ética e deontologia), sabe bem recordar Cáceres Monteiro... e a falta que faz (e que fariam muitos "Cáceres Monteiro") ao jornalismo português.

Já foi há 10 anos...

publicado por mparaujo às 21:08

30
Nov 15

O encerramento de uma qualquer actividade económica será sempre motivo de apreensão e lamento.

O encerramento de um órgão de comunicação social, neste caso dois, independentemente de gostarmos mais ou de gostarmos menos das suas orientações editoriais, é motivo para tristeza e redobrado lamento.

Tristeza porque afectará sempre um número significativo (nem que fosse um, apenas) de profissionais que ficarão sem os seus postos de trabalho, limitados no exercício da sua profissão/missão e do seu rendimento salarial. As notícias divulgadas sobre este fim anunciado do semanário e do diário avançam para cerca de 120 despedimentos e apenas a previsão de 60 profissionais com eventual participação num novo projecto informativo que fundirá os dois títulos (até agora pertença maioritária da empresa Newshold).

Redobrado lamento porque, goste-se ou não destes jornais, acresce um vazio no olhar escrutinador e atento sobre a sociedade e o mundo. Perde a democracia, perde o fundamental exercício do direito à informação e de informar.

Solidariamente... um abraço aos profissionais dos jornais sol e i.

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publicado por mparaujo às 15:39

26
Nov 15

Primeira nota de abertura, contexto temporal: Novembro de 2015, pleno século XXI.

Conhecidos os resultados eleitorais do passado dia 4 de outubro surgiram logo duas realidades que espelham a falta de maturidade social da sociedade portuguesa e a clara e evidente falta de estruturação para a inclusão (sim... a recordar a Fátima Araújo com o seu livro "Por acaso..."): os portugueses elegeram o deputado do BE, Jorge Falcato Simões (deficiente motor) e o deputado socialista Alexandre Quintanilha (homossexual). Não faltou muito para surgirem nas primeiras páginas e nos minutos de televisão referências às dificuldades estruturais da Assembleia da República para receber um deputado com deficiência motora, bem como são conhecidas as polémicas em torno da orientação sexual do deputado Alexandre Quintanilha, nomeadamente aquela que envolveu o pivot da RTP, José Rodrigues dos Santos.

O "melhor" ainda estava, afinal, para vir.

O XXI Governo Constitucional, da responsabilidade de António Costa e que hoje tomará posse, incorpora nos seus ministérios e secretarias de Estado cidadãos negros, etnia cigana e com deficiência visual.

Só em Portugal, em pleno ano de 2015 depois de Cristo, é que o facto da Ministra da Justiça ser negra, o facto do Secretário de Estado das Autarquias Locais nunca ter renegado as suas origens ciganas e o facto da Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência ser invisual de nascença, é que é motivo de referência, de notícia e de relevância. Infelizmente, só no ano 2015 Portugal acordou, mesmo que sobressaltado, para a inclusão social e para a intervenção pública igual para todos.

Mas pior... se me custa aceitar que a sociedade "civil" ainda faça disto um tabu, é VERGONHOSO ver alguma comunicação social a fazer disto título de notícia. Se, por formação académica, sempre aplaudi e critiquei o que de bom e mau se faz no jornalismo, chegou a coincidência de não conseguir sequer adjectivar e qualificar este título do Correio da Manhã.

Só me ocorre... VERGONHA!

CM e Governo de Costa.jpg

 

publicado por mparaujo às 09:58

06
Nov 15

titulo expresso aumentos funcao publica 2016.jpgAo jornalismo exige-se, entre outras coisas da ética e da deontologia, rigor. Mais até, do meu ponto de vista muito pessoal, do que isenção (esta bastante discutível e questionável, embora os princípios e os códigos também a requeiram).

Ler um título de um jornal implica que o mesmo transmita rigor, verdade e factualidade (para além das regras básicas do jornalismo).

O Expresso noticiava há dois dias que os «Funcionários públicos vão ter quatro “aumentos” salariais no próximo ano». Mesmo com o recurso às aspas que, comportam em si e pelo seu uso, uma variável interpretativa, o título não deixa de ser uma falácia, aliás, como acaba por contradizer o próprio corpo da notícia e o próprio lead.

Quem lê o título, mesmo com a presença das aspas (que acabam, pela interpretação da leitura, por serem desvalorizadas), fica logo com a noção de que o acordo à esquerda (PS, BE e PCP) vai premiar os funcionários da administração central e local com aumentos do valor salarial. O que não é, de todo, verdade.

A confusão é estabelecida pelo título e pela forma como a notícia é apresentada porque uma coisa é o aumento da massa salarial (do valor a pagar pelo trabalho, estabelecido nas tabelas salariais) outra coisa é a reposição do valor dos cortes efectuados por força das medidas impostas pelo Programa de Ajustamento.

E esta é que é a verdade: os funcionários públicos não vão ser aumentados. Vão ver, segundo o acordo e no prazo de um ano, reposto o valor que recebiam antes dos cortes aplicados nos seus salários, conforme as tabelas salariais.

publicado por mparaujo às 14:59

29
Out 15

Censura foto.jpgTemos este péssimo "código genético": o da incoerência, o de agir em função do vento e das modas, o de tomar posições em função dos nossos interesses e do que mais nos convém. É péssimo e é condenável.

Importa, primeiramente, afirmar: não gosto do Correio da Manhã, nem da CMTV, bem pelo contrário. Isso é público e já por várias vezes proclamado.

Mas tal como critiquei, muito recentemente, o jornal Público pela eventual colaboração como cronista do ex-ministro Miguel Relvas ("Que a memória não se apague") depois do deplorável caso de pressão e perseguição à jornalista Maria José Oliveira, não posso deixar de criticar e repudiar, em defesa da liberdade de informação, do direito a informar e da liberdade de expressão, a decisão judicial de "calar e censurar" (porque é disto que se trata) o Correio da Manhã em relação ao processo "Marquês" que envolve o ex Primeiro-ministro, José Sócrates.

Nunca, até hoje e em função do desenrolar do caso, apontei qualquer crítica a José Sócrates (nem o defendi) por acreditar na separação de poderes e no elevado princípio da presunção de inocência. É público e repetido.

Mas não posso, independentemente de achar criticável o jornalismo (?) praticado pelo grupo Cofina, deixar de condenar o que entendo ser um acto puro de censura à informação e um claro e evidente ataque a um órgão (grupo) de comunicação social.

O CM e a CMTV, em particular, aos quais podemos juntar ainda a Sábado e a Flash, não são exemplos das virtudes jornalísticas, do meu ponto de vista. Mas tal como não sou adepto da sátira informativa do Charlie, pela superior defesa da liberdade de informação "não concordo, em nada, com o que a Cofina diz, mas não posso deixar de defender a liberdade da sua existência".

Há mecanismos próprios para condenar a acção dos órgãos de comunicação social do grupo Cofina sem limitar e amordaçar a liberdade e o direito de informar.

Abriu-se uma perigosa Caixa de Pandora, seja por este caso que envolve José Sócrates, seja por que caso for.

Isto é um claro atentado ao Estado de Direito e à democracia.

publicado por mparaujo às 11:45

24
Out 15

maria jose oliveira.jpgAs escolhas editoriais dos órgão de comunicação social (seja imprensa, rádio ou televisão) são da responsabilidade dos seus Conselhos de Redacção e/ou das suas Direcções. São opções próprias, internas, passíveis de crítica ou de anuência, mas comportam uma inquestionável dose de responsabilidade.

O que não podem é servir como forma de apagar a memória e a história.

Na edição de hoje do jornal Público há um artigo de opinião assinado por Miguel Relvas, por sinal novo cronista daquele diário. A responsabilidade editorial é, obviamente do jornal Público.

A minha responsabilidade moral é a defesa da ética e do profissionalismo dos jornalistas.

Para que a memória não se apague, nem a história seja rescrita.

Decorria o ano de 2012, o mês de maio, Miguel Relvas era Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares do anterior governo PSD-CDS.

Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares é acusado pelo Conselho de Redação do jornal "Público" de ter ameaçado a jornalista Maria José Oliveira, de quem "divulgaria, na Internet, dados da vida privada", caso uma notícia fosse publicada.

Critérios...

publicado por mparaujo às 23:31

10
Out 15

jose rodrigues dos santos e o caso quintanilha.jpgNão nutro qualquer empatia por José Rodrigues dos Santos, nem como escritor e muito menos como profissional da comunicação social. Não lhe reconheço talento, nem profissionalismo. Apenas o mediatismo, tantas vezes fútil, que a própria televisão cultiva também no campo da informação. O que não me impediu por uma ou outra vez de lhe reconhecer algum mérito (lembro-me, por exemplo, da polémica com o espaço de comentário de José Sócrates).

Não é agora o caso.

Já não é a primeira vez, e muito dificilmente será a última, que José Rodrigues dos Santos, tem a veleidade de se achar "engraçadinho" frente aos écrans de televisão (nem sei se o caso dos sem-abrigo na Grécia terá sido o mais recente).

Surge agora a polémica com o "erro homofóbico" do pivot da RTP ao referir-se ao Prof. Alexandre Quintanilha como "o" ou "a" deputado eleito mais velho para a próxima legislatura. E pior do que a forma como o jornalista apresentou a peça no telejornal de quinta-feira, foram as desculpas e as justificações mais que esfarrapadas e inconsistentes.

Seria, por si só, extremamente grave a postura de José Rodrigues dos Santos na referência feita ao deputado eleito pelo partido socialista. Mas há mais...

A atitude condenável de José Rodrigues dos Santos tem outros impactos. À custa de um mediatismo e vedetismo dispensáveis e dúbios, a atitude do jornalismo denegriu a profissão, a ética profissional, e colocou em causa o esforço e a dedicação de tantos profissionais que dão tanto à causa (jornalismo) e à casa (RTP). Uns com mérito reconhecido publicamente, outros, infelizmente muitos, sem que o seu trabalho seja devida e merecidamente confirmado.

Infelizmente há quem se brilho e sem brio, brilhe à custa do brio dos outros.

publicado por mparaujo às 22:19

13
Set 15

Prós-e-Contras.jpgAmanhã regressa ao écran da RTP1 o programa "Prós e Contra", moderado e conduzido pela jornalista Fátima Campos Ferreira.

E regressa da pior forma, demonstrando que vamos ter mais uma "temporada" de momentos hilariantes e que irão, com certeza, alimentar muito humor nas redes sociais e na opinião pública.

Para segunda-feira a equipa coordenadora do programa escolheu o tem da Justiça para assinalar o regresso após o período de férias. Em "palco" vão estar magistrados, a Bastonária da Ordem dos Advogados, um sociólogo e jornalistas (alguns) como Miguel Sousa Tavares e Octávio Ribeiro (escolhas questionáveis, obviamente).

O tema em si é, por infinitas razões, sempre pertinente. Para a sociedade a questão da Justiça traz sempre um conjunto de interrogações e críticas, sendo que para um normal funcionamento de um Estado de Direito (e não do Direito) a Justiça é um dos pilares basilares. Haveria, por isso, inúmeros exercícios que podiam ser feitos na abordagem à problemática: os recursos da Justiça, o acesso à Justiça, a equidade na e da Justiça, o segredo de justiça, os vários códigos processuais e a sua estruturação, os procedimentos de investigação, a separação de poderes.

Pelo contrário, pegar na afirmação polémica, que já fez correr bastante "tinta", de Paulo Rangel na Universidade de Verão do PSD ("Teríamos um ex-primeiro ministro preso se o PS fosse governo?") e fazer dela o mote e o slogan do programa é, independentemente de estarem presentes ou não políticos no debate, politizar o tema da Justiça. Algo perfeitamente dispensável e recusável. E muito menos colhe o argumento usado pela jornalista Fátima Campos Ferreira quando afirma que "os cidadãos merecem saber, em fase eleitoral, se há interferência da política na justiça". Não.... os cidadãos, em fase eleitoral, precisam de saber quais as propostas políticas para melhorar a Justiça e o Direito em Portugal. Saber se há interferências políticas, ou não, na justiça é algo que preocupa os portugueses em qualquer momento. Usá-lo em plena campanha, seja pelos partidos, seja por quem for, é, claramente, politizar a discussão, mais ainda quando o contexto da afirmação proferida por Paulo Rangel era notoriamente político-partidário e tinha um alvo perfeitamente definido: José Sócrates. Aliás, importa ainda recordar o contexto em que a frase foi proferida pelo social-democrata e a argumentação política que a sustentou: "Não é mérito deste governo, mas foi durante este governo que pela primeira vez houve um ataque sério à corrupção" e "Uma coisa é certa: o ar democrático em Portugal hoje é mais respirável", acrescentou, na altura, Paulo Rangel.

No fundo, o programa de amanhã servirá para a milésima "aparição" do ex Primeiro-ministro na campanha e no confronto político-partidário, sendo cada vez mais o centro eleitoral apesar de ter estado sujeito a sufrágio em 2011.

publicado por mparaujo às 21:01

29
Mai 15

f cancio - dn 29 de maio.jpgO artigo/crónica da Fernanda Câncio, publicado na edição de hoje do Diário de Notícias, merece uma reflexão mais cuidada e atenta.

A Fernanda já escreveu artigos muito mais interessantes (e soberbos), outros nem por isso. Já escreveu artigos (a maior parte) com os quais eu concordo (em grau, género e número), alguns dos quais foram “referência” para artigos meus no Diário de Aveiro, e já escreveu outros (poucos mas alguns) com os quais só me apetecia gritar com ela (o que era infrutífero porque ela não me liga nenhuma). Assim... o texto de hoje é diferente em quê e porquê? Por várias razões, intrínsecas e extrínsecas (assim mesmo, com léxico “rococó” porque o momento o exige).

É certo que a Fernanda Câncio já foi, por várias vezes, motivo de “A ler os outros…”. Por uma razão de declaração de interesses importa dizer que tenho a Fernanda Câncio (e ela sabe-o) como um referência profissional e em outros âmbitos (curisoamente, menos o político-partidário). Não é segredo nenhum; como não o é, felizmente, que o mundo me vai dando outras e boas referências, nos mais distintos âmbitos e universos. Mal de nós quando nos julgamos superiores a tudo e a todos e não cuidamos de ter as “nossas referências de vida”.

Lamechices à parte…

  1. O texto, de hoje, da Fernanda Câncio, tem a particularidade de dar uma “lição de moral política”, com toda a legitimidade e autoridade, para aqueles que acham que fazer política é apenas enveredar pelo carneirismo cego ou apenas a motivação do “deitar abaixo e criticar por criticar”. A consciência e liberdade políticas, a coerência e a racionalidade, o equilíbrio e a justiça, fazem-se e possuem-se tendo a capacidade para saber reconhecer os aspectos positivos e negativos da actuação política alheia, independentemente do lado da “barricada”. O reconhecimento do mérito alheio não é sinal de fraqueza, anste pelo contrário... é sinal de personalidade, de coerência, de dignidade. Se a ministra das Finanças tem razão, qual o constrangimento ou o demérito políticos em reconhecê-lo? Tomara que isso servisse para muito partido e político reflectirem. Principalmente, nesta fase de pré-campanha eleitoral, onde se usa (e abusa) a questão das reformas apenas como arma do confronto político, na maior parte dos casos, sem consistência nenhuma, sem factualidade e com inúmeras contradições e indefinições.
  2. Mas não só… para aqueles que, por inveja, por complexo de inferioridade, por desdém, gostam, tantas e tantas vezes, de criticar o profissionalismo da Fernanda Câncio (embora isso seja para o lado que ela dorme melhor) têm aqui a prova, a mais que confirmação, de que o rigor, a verdade, a transparência, mesmo acima da isenção, são a marca jornalística da Fernanda, por mais vorazes (ou assertivas) que sejam as suas palavras. Falem agora de “tendenciosa”, de “esquerdalha” e outros adjectivos (uiiii, havia tantos) já tantas vezes proferidos... Esta é a prova que, no jornalismo, é possível ser-se rigoroso, verdadeiro, claro, objectivo, sem ter a necessidade de se recorrer ao "chavão" da isenção e imparcialidade. Antes pelo contrário.
  3. O artigo/crónica em si tem ainda outra particularidade. E nisso a Fernanda foi exemplar. Num “artigo de opinião” ou “crónica” (importa referir que ambos são géneros jornalísticos) onde o factor opinativo, pessoal, crítico, é predominante, é interessante conseguir descortinar a inúmera informação divulgada pelos factos, números e questões que a Fernanda levantou e posicionou antes do seu remate final. Afinal, para os incrédulos e "velhos do restelo", é possível opinar e informar/noticiar ao mesmo tempo. Embrulhem.

Aprendam que ela ainda dura, embora não seja para sempre (como tudo nesta vida).

publicado por mparaujo às 14:46

06
Mai 15

R.I.P. Oscar Mascarenhas.

Nem sempre tivemos posições, conceitos e visões semelhantes. Antes pelo contrário. Foram mais as divergências que as convergências, ao ponto de uma ou outra ter sido pública.

Mas como em tudo na vida (passe o "sarcasmo") as polémicas não tornam as pessoas inimigas ou hostis, antes transformam as diferenças em respeito.

Seria de uma injustiça inqualificável não reconhecer o profissionalismo, o saber, a experiência e a dedicação à causa jornalística patente na vida de Oscar Mascarenhas.

Registe-se o meu tributo público a um grande profissional e docente. Paz à sua alma.

O jornalismo ficou mais pobre... claramente mais vazio.

Oscar Mascarenhas.jpg

publicado por mparaujo às 14:29

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