Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

03
Nov 19

O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, no período de governação de Passos Coelho, já tinha anunciado a sua intenção de se candidatar ao lugar de Rui Rio (apesar, e sublinho apesar, do lugar de Rui Rio nunca ter estado disponível ou vago).
Nesta sexta-feira formalizou oficialmente a sua candidatura e abriu a campanha eleitoral, mas tal como surgiu o seu sonho (espera-se que não passe disso), também aqui da pior forma.

Já não bastava o manifesto desígnio de querer desvirtuar programática e ideologicamente o partido, posicionando-o onde ele nunca deveria ter estado em 2005 e, muito menos, entre 2010 e 2018 - no perigoso liberalismo, balofo conservadorismo e à direita (no espaço do CDS e, recentemente, do Aliança, da Iniciativa Liberal ou do, pasme-se, Chega) - vem agora, Luís Montenegro, de forma egocêntrica assumir-se como o centro e o sol do PSD (é o novo Luís XIV do partido - "Le PSD c'est moi!"). Não... não é. O PSD são os militantes, é a estrutura democraticamente eleita de forma pluralista (basta recordar a composição do Conselho Nacional e o número de apoiantes de Santana Lopes), é a sua comissão política nacional e o seu (actual) Presidente. O resto cheira a tomada de poder, a ressabiamento, a falta de sentido colectivo e democrático.
Mas há mais... é, no mínimo, politicamente desonesta toda a argumentação e demagogia usada por Luís Montenegro. Um partido forte, afirmando-se como alternativa ao PS (sem precisar de se "negar ideologicamente") e à actual governação, um PSD cheio de força (e obviamente uma força que só pode vir de dentro) é o que Rui Rio está a fazer (e bem) desde que chegou à presidência, em 2018.
Além disso, ao contrário do que é o foco central da frágil mensagem de Montenegro, quem está verdadeiramente obcecado pelo PS é o agora candidato oficial às directas de janeiro. É uma tentativa baixa de denegrir a liderança de Rui Rio ao confundir "vassalagem" com os superiores interesses do país e insistir, de forma continuada e persistente, na colagem de Rio ao PS. E esta é uma grande diferença: o sentido de responsabilidade política, de verdade política, de rigor e transparência, do respeito por todos os cidadãos, nomeadamente os sociais-democratas.

É, e sempre foi, óbvia a chegada de Luís Montenegro na actual conjuntura político-partidária: desde o Congresso, em 2018, até à surreal e absurda tentativa de destituição, em janeiro de 2019. E politicamente hipócrita a sua aparição na campanha eleitoral legislativa, claramente como prova de sobrevivência partidária e como tentativa de recolher palco mediático. Aliás, basta tomar como exemplo o recente debate parlamentar de discussão do Programa do XXII Governo (já lá iremos), apresentado, esta semana, na Assembleia da República. Luís Montenegro, lamentavelmente, não foi capaz de ter, no mínimo, o respeito institucional de reconhecer a excelente prestação parlamentar de Rui Rio e da bancada do PSD (como, por exemplo, Fernando Negrão). Algo que se ouviu da boca de Miguel Pinto Luz que elogiou a prestação do partido no debate do programa do Governo.
Esta falta de respeito político é de tal forma marcante em Luís Montenegro que teve o desplante e o topete de apelidar como "sua" a bancada parlamentar eleita no mês passado. Pena é que (ou se calhar, até, felizmente) não tenha o mesmo sentimento partidário para com um líder (independentemente de se gostar ou não... realidade que existe desde a fundação do partido com cada passagem de liderança) democraticamente eleito por maioria da vontade expressa dos militantes do PSD.

Mas pronto... regressou o PSD do "saco de gatos", da fobia pela cadeira do poder da São Caetano, na Estrela (sempre tão apetecível).
À apresentação oficial de Luís Montenegro - "A força que vem de dentro" - só faltou mesmo a musica de fundo com o tema da Nelly Furtado... "como uma força..." ('Força'). Ficava o quadro bem completo.

site montenegro.png

publicado por mparaujo às 12:34

12
Out 19

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A ânsia e a febre desmedida do mediatismo e do poder conduz, na maioria das vezes, a discursos incoerentes, à manha, à manobra e maquinação pública.
O recente "vir à tona" de Luís Montenegro revela tudo isso e demonstra que está mais preocupado e focado em joguinhos de egos e narcisismos, no carreirismo partidário e na demagogia, do que no interesse da social-democracia, dos portugueses e do país.
Pelo contrário, bem contrário, Rui Rio sempre foi claro e coerente: acima do partido estão os portugueses (entre os quais todos os sociais-democratas, que agradecem) e está o país. Isso é que é ser político e é saber estar na política, na sua plenitude.

Luís Montenegro, nesta sua nova impulsiva aparição (foi fervilhando em lume brando desde fevereiro de 2018, apesar da derrota sofrida em janeiro deste ano, quando Rui Rio ganhou a Moção de Confiança que apresentou no Conselho Nacional) tem afirmado afirmou, por amiúdes vezes, que com ele na presidência do partido (Deus que nos livre....) "não haverá acordos com o PS, nem está disponível para dialogar com António Costa".
Pois... mas a política e a história do PSD têm memória (e não precisa de ser muito longínqua). Basta recordar que Luís Montenegro foi líder da bancada parlamentar entre 2011 e 2017, período que inclui toda a governação de Passos Coelho. Neste contexto, com a responsabilidade política que tinha (à data), importa lembrar ao agora putativo candidato (apenas 3 exemplos para não ser muito exaustivo) o seu mau sentido de Estado, a sua (in)coerência e a sua demagogia balofa: «Passos Coelho espera maior abertura do PS para entendimentos com o Governo, para compromissos essenciais para o país» (dezembro de 2014 - SIC Notícias); «Primeiro-ministro (Passos Coelho) espera aproximação entre PS e Governo para reforma do IRC» (dezembro 2013 - Dinheiro Vivo); ou ainda, «Passos Coelho garantiu que 'as medidas de austeridade que estiveram em vigor estes anos' vão ser removidas progressivamente e que pretende envolver o PS na reforma da Segurança Social» (Agência Lusa).
Enfim... o "psd de fantasia" de Luís Montenegro não quer nada com o PS... para Luís Montenegro, nunca o PSD teve, na sua história, alguma coisa a ver com o PS (só agora com Rui Rio). É triste... muito triste.

 

publicado por mparaujo às 22:13

11
Out 19

rui-rio-termina-campanha-com-portugal-em-primeiro.

Há uma vontade enorme de gritar BASTA… para não dizer “Chega” que, na conjuntura actual, pode ser foneticamente mal interpretado (ou pessimamente interpretado).

Os factos… a noite/madrugada do passado domingo revelou algo inquestionável, algo que nem Rui Rio colocou em causa: o PSD perdeu as eleições legislativas 2019.
Não há qualquer dúvida: o PSD obteve 27,9% dos votos expressos e o PS 36,65% (falta apenas contabilizar os votos da emigração).
Importa, no entanto, ler, politicamente, esse resultado social-democrata.

Pesava sobre o partido o recente resultado eleitoral europeu, volvidos pouco mais de 4 meses de intervalo: 727.207 votos e a perda de um mandato. Em relação às últimas legislativas (2015), a comparação pode ficar enviesada, já que nesse acto eleitoral o PSD apresentou-se a sufrágio numa coligação pré-eleitoral com o CDS.
Mas a verdade é que descontando o peso eleitoral (perdido, e muito) do CDS, o número de votos conquistados, pelo PSD, no passado dia 6 de outubro (quase 1 milhão e 500 mil de votos) não difere muito do valor de 2009, de 2015 e é bem superior ao de maio passado.

Num partido que amiúde agita a bandeira da sua história política e ideológica, nomeadamente com o uso (e abuso) da figura de Sá Carneiro, é importante relembrar também a história mais recente. Rui Rio conquista a liderança do PSD em fevereiro de 2018 (pouco mais de ano e meio) com a capacidade de devolver o partido à sua génese ideológica, perdida desde o final de 2004 com a surreal chegada de Santana Lopes à presidência, e durante a vigência de Passos Coelho até ao início de 2018.

Há ainda uma outra história por escrever e destacar. Houve, no PSD, três erros estratégicos, politicamente desastrosos, que marcaram o rumo do partido e condicionaram a actual conjuntura política: em 2011, face ao descalabro e afundamento do país com a governação socialista de José Sócrates, o PSD nunca devia ter embarcado na ânsia desenfreada de conquistar o poder. Sendo assumido até pela própria esquerda (caso do BE) que a responsabilidade do estado do país se devia à má governação de José Sócrates, sendo inevitável o resgate externo ao país, deveria ter sido o PS a assumir o compromisso de implementar o “caderno de encargos” externo para resgatar a situação económica e social nacional. Além disso, a obsessão por ir “mais além da Troika”, pela cedência fácil a um certo neo-liberalismo que invadiu o partido nesse período, deixaram marcas na governação e nas eleições de 2015 (essas, ao contrário do que diz agora Luís Montenegro, tinham todas as condições para serem ganhas, aproveitando o efeito político e social da “saída limpa” e com mérito de 2014). E, por último, correndo todos os riscos do politicamente incorrecto (é para o lado que durmo melhor) convém desmitificar, de uma vez por todas, esse resultado eleitoral. Ao contrário do que permanentemente agitamos no partido, o PSD não venceu as eleições de 2015. Dois factos óbvios e claros: primeiro, o partido apresentou-se a eleições numa coligação pré-eleitoral (PSD/CDS = a PàF); segundo, os votos conquistados pelos dois partidos (na prática representa sempre o somatório de duas forças partidárias) não atingiram a maioria. E foi nesta conjuntura que perdemos a governação para a esquerda. Não vale a pena continuar a alimentar mitos.

Mas regressemos a 6 de outubro de 2019…
É pura demagogia e politicamente desonesto afirmar que o resultado alcançado por Rui Rio nestas últimas legislativas é, historicamente, o pior resultado de sempre do PSD, tendo como base a percentagem alcançada (27,9%). As percentagens não podem servir como padrão de comparação porque elas dependem, exclusivamente, das condicionantes de cada eleição individualmente: o número de inscritos, o número de votantes, os votos brancos e nulos, a abstenção. E estes dados que estabelecem cada percentagem eleitoral não são repetíveis de acto eleitoral para acto eleitoral. É, por isso, um argumento falacioso e que distorce a realidade.
Porque a realidade do desfecho das Legislativas de 2019 foi bem descrita por Rui Rio na noite eleitoral do passado domingo: o resultado ultrapassou as expectativas e todos os quadros negros e catastróficos anunciados durante a pré e a campanha; o resultado não difere dos valores conquistados em eleições nas quais o PSD não venceu; o resultado estava, previamente, condicionado ao confronto com uma conjuntura política saída das eleições de 2015 e da conjuntura económica internacional que favoreceu a estabilidade governativa do PS e da geringonça.
Mas o resultado do PSD, a 6 de outubro, ainda sustenta uma outra realidade importante (ou, até mesmo, mais importante). Não há memória de uma contestação interna tão assumidamente pública e constante à liderança do partido, que nem a tradicional união face à vivência de actos eleitorais fez esbater. O ressabiamento da perda das directas em 2018 e de quem não sabe aceitar uma derrota; o infeliz saudosismo passista; a “orfandade” gerada pelo abandono do líder da alternativa a Rui Rio, em 2018 (Santana Lopes); a perda do carreirismo político no aparelhismo partidário, de muitos tachos e negócios; a não percepção e a não aceitação da mudança (necessária e urgente, na altura) de ciclo na vida do partido; a “inveja política” pela liderança de Rui Rio marcada pela coerência, pelo rigor, por um discurso mais próximo dos portugueses e menos “politiquês”, por uma afirmação que dispensa o alarmismo (afinal o diabo não chegou), o ataque fácil e a “gritaria mediática” (basta lembrar o fraco registo do CDS nestes 4 anos e o resultado final); a redefinição e o reposicionamento ideológico do partido com a chegada de Rui Rio e que tantas amarguras (ou amargos de boca e azia, se preferirmos) trouxe aos conservadoristas e neo-liberais que minaram os últimos anos do PSD…
(tudo isto) desperta o permanente pairar dos “abutres políticos”, tão sedentos do poder (porque o poder no PSD é, manifestamente, apetecível), e que teimam em sobrevoar a liderança mal lhes toca um leve, mesmo que muito ligeiro, cheirinho a fragilidade ou insucesso. Os mesmos que necessitaram de demonstrar “prova de vida política” ao surgirem, hipocritamente, na campanha eleitoral, em supostos e questionáveis contributos solidários.

A que triste estado chegou a oposição interna no partido que ilegitimamente fala em nome das bases, quando essas bases, maioritária e democraticamente, se expressaram e pronunciaram há pouco mais de ano e meio.
A que triste estado chegou a oposição interna no partido que tanto apelo faz à união e à unidade demonstrando uma total incoerência com os seus actos. Os mesmos que rasgaram as vestes e atacaram António Costa no confronto deste com António José Seguro (lembram-se??!!).
A que triste estado chegou a oposição interna no partido quando, desonrosamente, invoca o nome de Francisco Sá Carneiro em vão desvirtuando o posicionamento ideológico do PSD como um partido do centro, social-democrata e humanista, e não um qualquer CDS alaranjado, um conservadorista Aliança ou um liberal Iniciativa.

Se for para dar um enorme e colossal passo à rectaguarda, se for para entregar a condução do partido a “montenegros”, “hugos soares”, “relvas”, "pedros duarte", “miguéis morgados”, “pintos luz”, “teresas morais”… façam favor. É da maneira que poupo 12 euros por ano.

Mas para esses... BASTA!
Rui Rio tem todo o direito a liderar o PSD: porque foi eleito, porque foi a escolha da maioria dos sociais-democratas, pelo que trouxe (de novo) ao partido, pelo que fez neste ano e meio e pelos resultados eleitorais que alcançou.

publicado por mparaujo às 01:12

13
Jan 19

Deplorável! Condenável! Péssimo! Politicamente baixo! Funesto! Cínico! Sem sentido de ética e moral! Abominável! Repreensível! Reprovável! Censurável!
Não faltará, na língua de Camões e no dicionário português, adjectivos que qualifiquem a tomada de posição de confronto interno do ex-líder e ex-deputado da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro.

São vários os contornos político-partidários que merecem uma análise e reflexão sobre a opção que levou/leva Luís Montenegro a desencadear uma clara e evidente "guerra civil interna" e uma execrável tentativa de "golpe de estado" para derrubar a liderança de Rui Rio.

O histórico
Importa relembrar, o que não será de somenos importância, que Luís Montenegro não teve a coragem política de se posicionar como candidato às eleições internas de 13 de fevereiro de 2018, virando as costas ao que parecem ser, agora, fortes convicções partidárias.
Importa relembrar igualmente que o ex-deputado do PSD na Assembleia da república abandonou as suas funções, por vontade e iniciativa própria, no dia 5 de abril de 2018.
Rui Rio está apenas a cerca de um ano à frente dos destinos e da liderança social-democrata, após o falhanço da formação do governo em 2015, de um  enorme desaire autárquico em 2017 e de uma conjuntura política que, mesmo falaciosa e ilusória, é favorável à esquerda nacional.

O que leva Luís Montenegro a esta inqualificável e ignóbil tentativa de "tomada de poder"? O que o move? Porquê e para quê?
As razões podem ser múltiplas, mas são simples e óbvias, não deixando de ser, igualmente, injustificadas e dispensáveis.
1. O timing, apesar das várias opiniões que o definem como despropositado (e é, em grande medida) não tem a ver propriamente com o actual momento político do PSD, com a eventual marcação imediata de novas eleições internas. Nem Luís Montenegro esperaria ver concretizado, JÁ, o desafio e o repto lançados de directas imediatas. Isso foi pura demagogia e claro bluff político.
Luís Montenegro marcou uma clara, apesar de condenável, posição de ataque à liderança do PSD mas a concretizar após as eleições europeias e/ou legislativas. Foi uma tomada de posição que desafia Rui Rio no pós próximo actos eleitorais, como que a dizer, face a resultados menos positivos: "eu bem tinha avisado", "era isto que já se esperava"... "agora é a minha vez".
Só que importa recordar a Luís Montenegro que, em fevereiro de 2018, a promessa de Rui Rio foi um combate claro ao PS e à actual maioria parlamentar, sem prometer vitórias eleitorais que sempre se souberam, desde o fim da governação de Passos Coelho, difíceis de alcançar face à conjuntura política. Que a promessa e o que muitos dos militantes (quase 55% dos que votaram) esperam de Rui Rio é que traga de volta o PSD às bases, às comunidades, ao poder local (precisamente após o desaire completo do PSD, em 2017, com Passos Coelho na liderança do partido).
2. Este regresso à ribalta mediática de Luís Montenegro incorpora ainda um passado, mais ou menos, recente da conflitualidade surgida entre Porto e Gaia, à data, quando Rui Rio era o autarca da "cidade invicta".
3. Por outro lado, já há muito que não se ouve, ninguém lê ou sabe, de Pedro Passos Coelho. Mas a verdade é que ele ainda anda por aí, ainda percorre os bastidores e os corredores obscuros do partido, qual "fantasma político". Pelo menos no que respeita ao saudosismo, perfeitamente dispensável, da sua governação e liderança que desvirtuaram a génese social-democrata do PSD, o seu posicionamento ideológico e programático. E se o ex-líder do PSD se tem mantido afastado dos palcos políticos, já os seus seguidores, os seus sebastianistas (como, por mero exemplo, Teresa Morais, Maria de Lurdes Albuquerque, Hugo Soares, Miguel Morgado, Carlos Abreu Amorim, Marco António Costa, Miguel Relvas ou Carlos Carreiras - curiosamente contrapondo com uma extraordinária agradável surpresa por parte do Comissário Europeu, Carlos Moedas), ou, inclusive, as "alucinações comentaristas" de Marques Mendes, ainda não conseguiram, ao fim de quase um ano, fazer "o luto" das derrotas eleitorais (autárquicas 2017 e directas 2018) e da mudança pragmática que, felizmente, o PSD vive hoje e começa a afirmar na política nacional.
4. E tendo em consideração ainda esta vertente sebastianista de uma minoria de "passistas saudosistas", esta "declaração de guerra política" de Luís Montenegro tem, igualmente, uma outra razão substantiva: com o aproximar dos actos eleitorais previstos para 2019, há quem não queira aceitar, há quem esteja demasiadamente preso aos lugares (e não ao partido ou convicções), há quem saiba, de antemão, que vai perder o "tacho" e faça de Rui Rio o "bode expiatório", o carrasco das carreiras políticas "pessoais". São agendas claramente pessoais que sustentam este confronto à liderança do partido.

Por fim, os argumentos a que Luís Montenegro recorreu para sustentar esta sua posição são do mais pobre e do mais fútil, já para não falar de notoriamente contraditórios.
Se Rui Rio, ao fim de 11 meses, não conseguiu unir o PSD (como o ex-deputado afirmou) tal deve-se, em parte (e numa maior fatia) a esta oposição interna ridícula e dispensável, a este permanente recurso a tentativas de desestabilização internas e descredibilização da liderança do partido.
Mais ainda... Luís Montenegro, contrariando o que o próprio esperaria da actuação política do partido, apenas está a valorizar e potenciar a oposição, a esquerda portuguesa, o PS e o Governo de António Costa (que assiste de "cadeirão", serenamente, aplaudindo e divertindo-se com este triste espectáculo).
Mas Luís Montenegro não afrontou apenas Rui Rio ou a direcção nacional do partido. Desrespeitou, desprezou, desconsiderou, desonrou, pelo menos, os 54,15% de social-democratas, os 22.728 militantes de base, que, em fevereiro do ano passado, viram (e ainda acreditam) em Rui Rio o líder ideal para voltar a trazer a social-democracia ao PSD, reposicioná-lo ideologicamente, ser uma clara alternativa a António Costa, de limpar o partido de caciques e interesse mesquinhos e pessoais que, infelizmente, ao longo de mais de 40 anos minaram o partido e foram o espelho dos interesses extra-partidários que se movem nos corredores, nos bastidores, na penumbra, do poder ou da tentativa de poder.

Luís Montenegro_0010001000112.jpg

Uma nota complementar.
O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de TODOS os portugueses (mesmo os que não votaram nele), de quem se esperaria isenção, distanciamento e afastamento partidário, esteve, neste caso, muito mal, demasiadamente mal, bem pior que no telefonema à apresentadora Cristina Ferreira.
Em política o que parece... É! Totalmente a despropósito o timing da reunião com Rui Rio em pleno anúncio do desafio interno efectuado por Luís Montenegro.
Injustificável, insustentado e claramente parcial, o encontro, amanhã (segunda-feira, dia 14) com Luís Montenegro, opositor e desafiador interno do PSD.
Não há desculpa, nem forma de esconder. Marcelo Rebelo de Sousa, ex-deputado, ex-presidente social-democrata, ex-comentador político e, agora, Presidente da República imiscui-se, intrometeu-se, envolveu-se, na vida interna do PSD. Por mais que queira dizer e fazer crer o contrário.

publicado por mparaujo às 13:37

05
Mar 14

publicado na edição de hoje, 5 de março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Da série… as pessoas e o país.

Nas vésperas do trigésimo congresso social-democrata (que decorreu há cerca de uma semana) o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, afirmava publicamente (e sem se rir) que "a vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor". E nada me surpreenderia que, de forma convicta, a expressão mais correcta fosse, aliás, "a vida das pessoas está claramente pior mas o país está muito melhor". Para o Governo e para “este” PSD é evidente que o país se dissociou das pessoas, até porque o país que governam não é o país real. Ou ainda, é mais que evidente um país que, cada vez mais, tem menos pessoas forçadas à emigração. O país “muito melhor” a que o líder da bancada parlamentar social-democrata se referia, o tal onde as pessoas não contam, está longe de ser um Portugal real. A começar pelo dado positivo do valor das exportações e que tem servido de gáudio político ao vice Primeiro-ministro Paulo Portas e ao ministro da Economia, Pires de Lima. Algo que o próprio FMI veio enregelar na décima avaliação (e ainda falta o relatório final da décima-primeira). Apesar do reconhecido trabalho “sombra” do secretário de Estado do Turismo (Adolfo Mesquita Nunes), a verdade é que a influência do sector do turismo na balança das exportações é algo vulnerável e volátil (em função das conjunturas) já que falta muito para Portugal se tornar estruturalmente turístico. Por outro lado, a incapacidade produtiva (concretamente, industrial) do país conduzirá a um natural aumento das necessidades de importação para fazer face a compromissos de exportação, criando novas dificuldades na recuperação da balança externa. Mas regressando à expressão, "a vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor", há algo de verdadeiro no seu conteúdo: a taxa de desemprego estagnou, em janeiro, a descida que se verificou nos últimos dez meses do ano passado (justificada pelo próprio INE em função dos 120 mil portugueses que emigraram em 2013); os cortes salariais e nas reformas, sob a capa de “temporários” para contornar o Tribunal Constitucional, afiguram-se como definitivos; aumenta o custo de vida nos bens essenciais; a dívida pública, em finais de 2013, situou-se nos 129,4% contrariando a “festividade” do cumprimento do défice previsto para aquele ano (ficou abaixo dos 5,5% previsto); perdeu-se, no fundo de uma qualquer “gaveta”, a seriedade da urgência de uma Reforma do Estado; no relatório da décima avaliação do programa de assistência a Comissão Europeia defende uma redução salarial entre os 2,5% e os 5% para combate ao desemprego que é significativamente diferente da realidade dos números estatísticos (lembre-se que em janeiro se registou um aumento do desemprego jovem e do preocupante desemprego de longa duração). Mas a última avaliação da Troika vai mais longe. O risco, a médio prazo, de incumprimento mantém-se; o crescimento continua em risco; há medidas estruturais que são necessárias implementar representando cortes na ordem dos três mil milhões de euros (cortes na saúde, por exemplo); e há, ainda, a preocupação com as medidas eleitoralistas, face aos processos eleitorais que se avizinham (europeias, legislativas). E este risco é tão visível (aliás já patente nalgumas afirmações populistas de Paulo Portas) que o Governo e o PSD entenderam que, ao contrário de Montenegro, há um país com pessoas e que estas, afinal, já contam. Contam para efeitos eleitorais. Muito por força de uma oposição frágil por parte do PS (basta, por exemplo, recordarmos o momento do anúncio oficial do cabeça-de-lista socialista às europeias, Francisco Assis; já para não falar da própria escolha quando a eurodeputado Edite Estrela foi recentemente premiada como umas das melhores eurodeputadas), Pedro Passos Coelho repensou a sua convicção em relação ao “que se lixem as eleições”. Ao recandidatar-se à liderança do PSD e ao autoproclamar-se como candidato à renovação da cadeira da governação do país, as eleições voltam a ser o alvo preferencial de Passos Coelho e as pessoas (votos) voltam a ter relevância. Tanta relevância que, correndo todos os riscos políticos internos, o recém (re)eleito líder social-democrata, foi repescar o polémico Miguel Relvas para a liderança do Conselho Nacional do PSD. Convém não esquecer que Miguel Relvas é o mentor político da recente ascensão de Passos Coelho no PSD (frente a Ferreira Leite e com a vitória sobre Rangel e Aguiar Branco) e na vitória eleitoral de 2011. E é tão forte esta simbiose política que o PS se apressou a recuperar Jorge Coelho para a máquina partidária.

O país, nem por sombras, está muito melhor... as pessoas podem estar (e estão) mais pobres, mas ainda votam. E neste caso, são sempre úteis ao país. Desculpem… aos partidos.

publicado por mparaujo às 09:39

21
Fev 14

Isto é a sério???
Esta capa do JN da edição de hoje (21.02.2014) só pode ser "brincadeira de Carnaval"...
Como é possível que alguém com responsabilidades políticas acrescidas (líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro) tenha uma afirmação destas: "A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor".

Logo no arranque do 35º congresso social-democrata que se prevê uma decepcionante bajulação ao "chefe"; num altura em que o FMI acaba com o "foguetório" do suposto sucesso da recuperação da crise; numa altura em que a missão da Troika regressa ao país para a 11ª avaliação trazendo na bagagem mais cortes salariais e mais austeridade (por força da meta do défice de 2,5% e por um valor da dívida pública de 129% do PIB); entre outros... vir dizer que a vida das pessoas não está melhor mas congratular-se com o eventual sucesso do país é o mesmo que dizer "que se lixem as pessoas". Ou, como diz a voz popular, "pobretes mas alegretes".

E é esta a classe que nos governa... o esforço das pessoas, os sacrificios a que as pessoas, as famílias e as empresas têm estado sujeitos, não têm qualquer relevância. As pessoas são números e fazem parte de folhas de excel.

Mas também é verdade que as pessoas não se podem esquecer que fizeram, em 2011, esta escolha eleitoral. Podemos não ter o que merecemos, mas temos o que escolhemos.

publicado por mparaujo às 09:52

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