Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

25
Jan 14
Este fim de semana realizou-se no Meco uma homenagem aos estudantes mortos

Volto ao tema das praxes e da tragédia que ocorreu na Praia do Meco a 15 de dezembro de 2013.

E volto a repetir o que afirmei no poste anterior “Tudo Praxado”.

Não vou debater a questão das praxes porque não é, para mim, isso que está em causa e será sempre uma discussão estéril: quer as convicções contra, quer as favoráveis, e ainda as indiferentes, têm legítima fundamentação.

O que me faz regressar ao tema foi a constatação da surpreendente forma como, de repente, e de modo tão convincente, se encontrou (do nada e reforçada ao fim de 40 dias após os acontecimentos) a teoria para o esclarecimento dos factos. Mesmo que as investigações em curso nada tenham revelado. Apenas a “curiosidade” popular, a necessidade urgente de uma justificação, o encontrar um “bode expiatório” para algo que não se consegue explicar.

E, pessoalmente, mais grave… a forma como a comunicação social deu cobertura a esta realidade, a esta ânsia que a sociedade tem de encontrar culpados, de “fazer sangue” e de ser justiceira a qualquer custo.

Esta falta de racionalidade e de lógica, de rigor nas investigações, de capacidade de questionar as histórias e os relatos que surgiram, é que espelha uma das actuais e graves falhas na comunicação social. Qualquer coisa serve de notícia, qualquer coisa (por mais mórbida que seja) serve de entretém, tudo serve para encher páginas ou ocupar tempos de antena.

A agravar tudo isto é a precipitação com informação, a imprudência no que é relatado, criando falsas expectativas e realidades. E principalmente, uma preocupante falta de respeito pela memória dos jovens e das suas famílias.

A propósito do que aqui disse e do que escrevi ontem, o Diário de Notícias, de hoje, ajuda a perceber estas realidades (parabéns ao DN – via Lusa): “Família do sobrevivente do Meco conta como foi acidente”.

Agora, cada um pense o que quiser.

(créditos da foto: Vítor Rios/Global Imagens, in Diário de Notícias)

publicado por mparaujo às 10:58

24
Jan 14

Começo já por dizer que o texto nada tem a ver com “praxes académicas”. Segundo, não vou minimamente tecer qualquer comentário sobre as mesmas, sendo certo (a bem da verdade) que fui praxado, praxei e fui presidente de associação académica.

O que me leva a escrever estas linhas tem a ver com a tragédia ocorrida na praia do Meco, na noite de 15 de dezembro, e que vitimou seis jovens, por sinal alunos da Universidade Lusófona (infelizmente, sempre na boca do mundo pelas piores razões).

Os factos ocorreram em dezembro de 2013. Face ao natural e legítimo desespero dos familiares em encontrarem uma resposta cabal que justifiquem a tragédia, surgiu, paralelamente, a teoria de que tudo estaria relacionado com algum ritual de praxe académica (sendo esquisito que alunos trajados sejam praxados já que a mesma diz, por norma, respeito a alunos caloiros que não trajam, bem como, segundo rezam as informações, o facto de as vítimas pertencerem à Comissão de Praxe, logo não seriam praxados). Mas facto de serem alunos universitários, trajados e em período de praxes académicas, acrescida da “amnésia selectiva” do único sobrevivente da tragédia (líder da Comissão de Praxe) terá levantado as suspeitas e sustentado a teoria.

Em relação a isto, e registe-se, pela própria memória dos jovens e respeito pelas famílias, apenas me resta aguardar pelo processo de investigação e que o jovem João Gouveia recupera a memória e, principalmente, a coragem para falar. Merecem os jovens que faleceram, merecem as suas famílias.

O que me faz alguma confusão é toda a informação atirada a avulso, despropositadamente, sem consistência e veracidade, na e pela comunicação social. Principalmente os mais recentes acontecimentos, volvidos, pasme-se, 40 dias sobre a fatídica noite.

É curioso que surjam agora vídeos de telemóveis e testemunhos de quem presenciou factos que se mostram relevantes para a averiguação dos acontecimentos. Mas… só agora??? Só agora, depois de tanta escrita, tantos desabafos e lamentos por parte dos familiares, tantas interrogações, é que se recordam de vir para a comunicação social falar no “rastejar”, nas “pedras nos tornozelos” e nas “meias rotas”??? Ao fim de 40 dias???

E a comunicação social deleita-se em dar eco…

Respeitem (todos) a memória dos jovens e o sofrimento das famílias.

(créditos da foto: João Girão - Global Imagens, in jornal i)

publicado por mparaujo às 14:20

07
Abr 13

Publicado na edição de hoje, 7 de abril, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

A narrativa da falha anímica

A demissão de um ministro só me parece concebível quando estão em causa duas vertentes: um consequente avolumar de erros políticos de governação ministerial ou um conflito entre a estratégia do governo e a actuação do ministro; ou alguma acção passível de processo criminal. Curiosamente, o país, na quinta-feira, foi “abalado” (entre “urras” e “comoções”) pela surpresa do pedido de demissão do ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. E surpresa por dois motivos distintos. Primeiro, porque Miguel Relvas era o rosto e o pilar políticos deste Governo. Foi o responsável pela ascensão ao poder partidário e governativo de Pedro Passos Coelho, pela forma como desenhou toda a estratégia para o confronto interno com o peso dos históricos do PSD que permitiu a Passos Coelho ganhar a liderança do partido e, também, pela forma como planeou, durante dois anos, o combate eleitoral entre a sua “criação” e José Sócrates, nas legislativas de 2011. Temos pois, como resultado imediato, um governo que se vê privado do seu alicerce político, reduzindo um espaço que fica apenas preenchido pelo líder do elo mais fraco da coligação, o CDS/Paulo Portas (com toda a instabilidade que isso possa gerar), deixando ainda Passos Coelho sem o seu braço-direito, a sua muleta, o seu mentor. Por outro lado, o actual governo fica refém da vertente técnica (tecnocrata) da sua gestão, e logo nas mãos de um independente: Vítor Gaspar. Mas o mais curioso é que o segundo aspecto traz-nos a verdadeira surpresa da decisão. É que Miguel Relvas não se demite por erros de governação, por razões políticas ou até mesmo por questões criminais (embora o motivo não tenha sido, nem por ele, nem pelo governo, verdadeiramente clarificado: apenas uma insustentável referência à “falta de condições anímicas”). Não está em causa o grave atentado ao direito da personalidade cometido contra a ex-jornalista do Público, Maria José Oliveira; não está em causa o caso do cancelamento e censura do programa da Antena 1, “Este Tempo” do jornalista Pedro Rosa Mendes, aquando da realização do Prós & Contras em directo de Angola; não está em causa o processo das escutas e do SIED envolvendo Silva Carvalho; não está em causa o deplorável processo de privatização da RTP; não está em causa um suspeito envolvimento no processo de saneamento do ex-director de informação da RTP, Nuno Santos; não está em causa toda a polémica e ataque ao Poder Local com a reforma administrativa territorial autárquica (agregação das freguesias); não está em causa a não clarificação da lei que limita os mandatos autárquicos e todas as trapalhadas que daí têm resultado; não está em causa a nova lei das autarquias e das comunidades intermunicipais; não está em causa, sequer, o facto do ex-ministro não saber cantar a “Grândola”. Apesar de não explicado, é implícito que Miguel Relvas “cai” da cadeira do poder porque corre o risco de deixar de ser “dr.”, no seguimento da polémica com a sua suposta licenciatura (curiosamente, um conjunto de factos ocorridos ainda antes de ser ministro e que lhe imputam responsabilidade ética ao próprio, mas eventuais consequências criminais à Universidade Lusófona). Miguel Relvas sai do governo porque um “não-assunto”, como à data denominou Passos Coelho, passou a ser “assunto de Estado”. Miguel Relvas sai do Governo com um impacto político por razões não políticas e que nada têm a ver com os apontados (e resumidos) casos de má governação. Miguel Relvas sai do governo porque o país (ou grande parte da sua sociedade) ainda vive embrenhado num medieval, fedorento e balofo complexo de superioridade de posição social sustentada num canudo académico (muito longe da “descomplexidade social” de várias sociedades europeias, como são exemplo a Sra. Merkel ou o Sr. Hollande). Infelizmente, Miguel Relvas não sai do governo porque “animicamente” nunca deveria ter entrado ou pelos seus inúmeros e graves erros de estratégia e governação política.

Por isso, não posso deixar de sublinhar (e subscrever) o excelente e soberbo parágrafo com que a Fernanda Câncio termina a sua crónica de sexta-feira, no Diário de Notícias: “Sai como entrou e esteve: sem dimensão nem sentido de Estado, respirando impunidade e descaramento. (…). Antes não saísse de todo: era mais honesto”. O Governo perdeu o tino…

publicado por mparaujo às 12:23

06
Abr 13

A primeira parte (lado A) deste “disco sound” será publicada na edição de amanhã, 7 de abril, no Diário de Aveiro (e republicada aqui).

Importa, no entanto, destacar alguns aspectos que merecem relevância na leitura de demissão do (ex) ministro Miguel Relvas.

1. A explicação que é dada, apenas pelo próprio, sem qualquer posição oficial do Governo refere uma “incapacidade anímica” para continuar no cargo, chamando a si um narcisismo e um protagonismo de poder nunca visto.

(declaração de Miguel Relvas)

2. Mas perante os factos e a realidade, a verdadeira razão prender-se-á com o caso da sua suposta licenciatura e o facto do processo de investigação agora concluído (e que segundo o ministro Crato lhe chegou às mãos no mês passado e que, as linhas gerais do mesmo, teriam sido comunicadas a Passos Coelho) seguir para o Tribunal Administrativo (com indicação de anulação do grau académico) e para o Ministério Público, por suspeita de irregularidades criminais.

Legislação correspondente, faltando os regulamentos internos da Lusófona:
- lei de bases do sistema educativo: Lei 46/1986 - Lei 37/2003Lei 49/2005

- processo de Bolonha: Decreto-Lei 74/2006Decreto-Lei 107/2008Decreto-Lei 230/2009

- documento da auditoria da inspecção geral de educação e ciência

- comunicado do ministério da Educação

Sobre este ponto 2, convém referir:

- infelizmente, Miguel Relvas sai do Governo não por questões directamente relacionadas com erros graves de gestão política (e havia tantos) mas por uma questão de irresponsabilidade ética, num processo da sua vida privada antes de ser ministro.

- quem incorre em atropelos à legalidade (procedimentos judiciais e criminais) é a Universidade Lusófona pelo incumprimento da Lei (ou das Leis) e dos próprios regulamentos internos.

- é indiscutível que a sociedade portuguesa, em pleno século XXI, ainda viva embebida por um complexo social burguês e aristocrata da posição social e do mérito pessoal sustentados num simples grau académico, o chamado “canudo”. Esquecendo, por exemplo, que supostamente poderá ser mais enriquecedor para um CV a referência como ex-ministro do que um simples “dr.”

- além disso, o país precisa de um verdadeira Reforma do Ensino, como um todo, que volte a valorizar o mérito, o conhecimento, o saber, a experiência, que, sem elitizar classes, não caia no extremo da massificação, por exemplo do ensino superior (algo que o infeliz processo de Bolonha gerou), que abandone o estigma de inferioridade do ensino técnico-profissional, que ‘descomplexe’ a realidade entre ensino público e particular (quando muitos destes fazem parte da rede pública, com contratos de associação, e pedagogicamente iguais).

Este é que é o impacto político-social de uma demissão inesperada e, simultaneamente, injustificável, pelo menos pelas razões apontadas.

publicado por mparaujo às 12:29

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