Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

13
Jan 15

Muitos dos que criticaram a 'onda' do "Je suis Charlie" aproveitaram a marcha de ontem, em Paris, pela Liberdade para enviar mais umas "farpas" ao sistema, em laivos de superioridade intelectual e, até, profissional.

À falta de argumentos para minimizar o impacto que cerca de dois milhões de pessoas transmitiram ao percorrerem o centro de Paris, usa-se, e mal, o supérfluo (o insignificante) para desviar a atenção do essencial.
Tudo a propósito do que alguns apelidaram de Hipocrisia e Embuste, indo ao ponto de criticar a própria comunicação social que adjectivaram de cúmplice.

A imagem é esta, a da presença em Paris de várias representações internacionais.

marcha pela liberdade - governantes 01.jpg marcha pela liberdade - governantes 02.png

 e como resultado final esta foto (como exemplo das ditas críticas) apesar das evidências.

marcha pela liberdade - DN.jpgAté podiam ter ficado por aqui... alguns nomes presentes deixam uma significativa inquietação quando se olha para as suas acções governativas e se fala de Liberdade. Mas não... a ânsia da crítica e da vontade de diminuir e amesquinhar é tanta que se fica pela análise (deturpada) da realidade que as fotos nos apresentam.
O "embuste" gritado aos quatro ventos pretende criticar a postura dos governantes na manifestação, bem como a "ilusão jornalística" implicada a muitos jornais e televisões. É bom que se desmistifique, também, esta corrente.
Primeiro, desde sempre que se soube, e foi totalmente coordenado com a organização da marcha pela liberdade, que os governantes e representantes internacionais apenas percorriam uma curta distância e a cerca de 200 metros distanciados da manifestação.
Segundo, as razões são mais que óbvias e claramente compreensíveis: questões óbvias de segurança. A concentração de vários governantes junto a milhares de manifestantes dificultaria (ou até tornaria quase impossível) qualquer medida de segurança preventiva. Imagine-se o que não seria para uma organização terrorista esta mistura? Um verdadeiro "maná" celeste... E note-se que a questão da segurança não se limitou apenas aos governantes mas, naturalmente, aos próprios cidadãos que compunham a manifestação.

E é pena que quem perdeu imensos caracteres com um pormenor escusado não tenha elogiado a adesão massiva à iniciativa (para além de outros momentos idênticos e solidários espalhados por vários pontos do globo) ou, por exemplo, este intenso momento em que o presidente francês, François Hollande, abraça um dos sobreviventes (Patrick Pelloux) do massacre ao jornal Charlie Hedbo.

marcha pela liberdade - hollande e cartoonista 02. marcha pela liberdade - hollande e cartoonista 02.

publicado por mparaujo às 16:22

23
Jan 14
http://cdn.controlinveste.pt/Storage/JN/2014/big/ng2993878.JPG

Este é um dos ditados que da melhor forma possível espelha a realidade de muita da discussão político-partidária de hoje. É um constante atirar pedras ao vizinho quando se tem telhados de vidro.

Nesta legislatura (desde 2011), apesar das inúmeras vozes (dos vários espectros partidárias) que se congratularam pela eleição de primeira mulher à frente da Assembleia da República (aliás, como eu), a verdade é que por inúmeras vezes, Assunção Esteves tem sido criticada, particularmente “à esquerda”, pela forma como tem gerido (e bem) os significativos casos de manifestação nas galerias do Parlamento e que levaram a interrupções de trabalhos e a expulsões dos cidadãos das referidas galerias.

Não importa debruçar-me sobre a forma, a atitude ou a veemência com que Assunção Esteves toma posição sobre a questão e tem gerido as diversas situações. Do ponto de vista formal, há todo um procedimento legal, regimental, que é importante cumprir e aceitar.

Já quanto às críticas e acusações de “fascismo”, “anti-democracia”, “censura”, “atentado à liberdade de expressão”, a história é outra.

A Assembleia da república é o garante da democracia, liberdade e garantia dos direitos dos cidadãos. É, do ponto de vista político, a “casa do povo”… de TODO o povo. Os que sustentam o governo, os que o apoiam e os que a ele se opõe. TODO. E, ainda, o lugar da retórica, do confronto político, do contraditório, da argumentação… e não, do ataque, da gritaria, da revolta, do insulto fácil.

A Assembleia da República (galerias) não é “propriedade” dos que se sentem (legitimamente, face à realidade do país) indignados, oprimidos, explorados, insatisfeitos. É de TODOS. Tal como refere, muito bem e melhor que eu, Porfírio Silva, na sua "Máquina Speculatrix", em "a democracia não está nas galerias."

Transpor a “rua” (espaço público de liberdade de expressão, de democracia e de manifestação) para as galerias de S.Bento é desrespeitar a democracia, a liberdade e, acima de tudo, desrespeitar o voto, os que foram eleitos (todos eles) e o próprio povo.

Como diz a “chefa cá de casa”… ‘à vontade, não é à vontadinha’.

E o mesmo ponto de vista serve, igualmente, para as diversas Assembleias com as mesmas características e funções: as Assembleias de Freguesia ou as Assembleias Municipais.

É curioso que determinado sector ideológico-partidário seja tão célere a criticar Assunção Esteves ou a assumir um silêncio comprometedor face aos acontecimentos e que nada tenha expressado face ao que, nesta terça-feira, se passou na principal Assembleia Municipal do país: "Público retirado das galerias da Assembleia Municipal de Lisboa".

A democracia e a liberdade de expressão são muito bonitas mas quando dizem respeito aos outros... mudam a "orquestra e a música".

publicado por mparaujo às 15:09

02
Mar 13

2 de Março de 2013...

Aveiro - 16.00 horas - Avenida Dr. Lourenço Peixinho (rumo à Praça Marquês de Pombal).

Eu estive lá... não para lixar a Troika (que nos emprestou o dinheiro) mas contra a austeridade, para "lixar" este governo (que de social-democrata não tem nada, nem de liberal sequer) e pela revolta pelo estado a que chegou o país.

(créditos da foto: Júlio Almeida - Notícias de Aveiro)

 

publicado por mparaujo às 20:59

24
Fev 13

Publicado na edição de hoje, 24 de fevereiro, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

Saber ouvir

A Constituição da República Portuguesa determina, no número dois do seu artigo 45º (Direito de reunião e de manifestação) que “a todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação”. Assim como determina ainda, no seu artigo 37º (Liberdade de expressão e informação) que “todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, (…), sem impedimentos nem discriminações”, bem como garante, no mesmo articulado, que “o exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura”. Vem isto a propósito de alguns acontecimentos que marcaram esta semana.

Primeiro, a manifestação na Assembleia da República que interrompeu uma intervenção do Primeiro-ministro, no habitual debate quinzenal, com um grupo de cidadãos a entoar nas galerias o mítico “Grândola Vila Morena”. Importa referir que o Parlamento, como símbolo e casa da democracia, não é o mesmo espaço público que uma avenida ou uma praça onde se pode (e deve) dar voz a uma manifestação.

Depois, voltou a ouvir-se Zeca Afonso num debate público, embora organizado por um “espaço privado”, quando algumas vozes interromperam o ministro Miguel Relvas numa iniciativa do Clube dos Pensadores, em Gaia.

Mas a “canção de Abril” estava ainda reservada para o ministro da Saúde, Paulo Macedo, quando se preparava para falar, no Porto, sobre o sistema de saúde, ou para o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, junto a um hotel em Lisboa numa conferência sobre a reforma do Estado.

No entanto, o caso mais relevante voltaria a ter como protagonista o ministro Miguel Relvas que foi impedido de discursar na conferência sobre jornalismo organizada pela TVI (comemorações dos 20 anos) no ISCTE. E este caso tem maior relevância porque, ao contrário do que sucedeu nas outras circunstâncias, o ministro foi mesmo impedido de falar e de se expressar, tendo abandonado as instalações sob medidas de segurança excepcionais, para além de forte contestação. E aqui reside a primeira questão. Se é legítimo e constitucional o direito à manifestação, também não deixa de ser verdade que o direito à liberdade de expressão significa, igualmente, saber ouvir e não pode ser limitado por qualquer forma ou tipo de censura. Mais ainda, quando se espera que o ensino superior saiba ser, também, espaço de democracia e de liberdade.

Para além disso, são indiscutíveis os sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses, às famílias e às empresas, sem que se vejam, no dia-a-dia dos cidadãos, quaisquer resultados positivos. É, por isso, compreensível e normal que a frequência das manifestações e o sentimento de "revolta" seja maior do que noutras circunstâncias e conjunturas. Mas, como costuma dizer o povo "o que é demais cheira mal" ou "o que é demais enjoa". E o exagero da repetição faz com que o protesto se banalize e faça perder o sentido, o significado e o impacto dos símbolos que marcaram um momento tão histórico como a revolução de Abril de 74. Qualquer dia, em tão escasso período de tempo, canta-se mais vezes o "Grândola" do que em abril de 74 ou durante o PREC. Haja memória colectiva e sensatez... e que o país não perca o sentido da liberdade e da democracia que tanto custaram a reconquistar. Porque estes direitos não são propriedade de ninguém.

publicado por mparaujo às 09:13

20
Fev 13

A Liberdade de Expressão (e de opinião), o direito à manifestação, é, para além de constitucional, um dos pilares da democracia e de um Estado de Direito.

Face ao sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses, às famílias e às empresas, é compreensível e normal que a frequência das manifestações e o sentimento de "revolta" seja maior do que noutras circunstâncias e conjunturas.

Mas, como costuma dizer o dito povo "o que é demais cheira mal" ou "o que é demais enjoa".

E o exagero da repetição faz com que o protesto se banalize e faça perder o sentido, o significado, e o impacto dos símbolos que marcaram um marco histórico como a revolução de Abril de 74.

No espaço de meia dúzia de dias foi na Assembleia da República perante Passos Coelho, foi na conferência do Clube dos Pensadores, em Gaia, perante Miguel Relvas que viu repetir a "dose" no ISCTE, nos 20 anos da TVI, e foi agora a vez do ministro da Saúde, Paulo Macedo, no Porto.

Qualquer dia, em tão escasso período de dias, canta-se mais vezes o "Grândola" do que em abril de 74 e no PREC.

Haja memória colectiva e sensatez...

publicado por mparaujo às 14:54

05
Out 12

Já não bastava ao Governo o constante e permanente "assalto" aos bolsos dos contribuintes retirando-lhes, em pouco mais de um ano, qualidade de vida, sobrevivência, emprego, serviços públicos, apoios sociais, valorização do trabalho e salários, para ainda ter o descaramento de achar que, para além de ignorantes (como afirmou António Borges) também são estúpidos.

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, no debate de quinta-feira, na Assembleia da República, afirmou que "o povo português revelou-se o melhor povo do mundo" a propósito da forma como decorreu a manifestação de 15 de setembro passado.

Ora, a demagogia, para além do topete, usada pelo ministroa das Finanças não deixa de ter, de facto, um reverso da medalha e algo de verdadeiro:

1. A manifestação de 15 de setembro foi um claro e evidente acto de civismo, muito para além e acima de qualquer interesse partidário ou sindical.

2. O povo português tem manifestado um evidente sentido patriótico e cívico, criticando, manifestando a sua indignação para com as políticas seguidas por este governo. E, apesar de todas as circunstância, com um enorme sentido de responsabilidade. Algo que o Governo tem falhado redondamente. Mas é bom que haja a consciência que, com cada agravamento da situação do país, anúncio após anúncio, a paciência vai-se esgotando.

3. O ministro Vítor Gaspar afirmaria ainda, no decorrer do debate, que as manifestações e a saída dos portugueses às ruas só demosntra que têm uma enorme vontade em "livrar-se o mais rapidamente possível da troika". Aliás, deu como a data para o alcance dessa vontade popular Junho de 2014.

Pois bem... aqui é que penso que o ministro não foi totalmente "feliz". De facto, neste momento, ninguém deseja mais este sofrimento e este esforço desmedido (mesmo sabendo-se que foi a Troika que nos emprestou o dinheiro para a continuação da nossa sobrevivência nacional). Mas o que o ministro Vítor Gaspar não percebeu da mensagem de 15 de setembro, é que. mais do que a Troika, os portugueses, a grande maioria dos portugueses, deseja mesmo é que este governo deixe e liberte o país. Muitos cidadãos, mesmo. Nomeadamente, aqueles que hoje sentem um enorme arrependimento e desilusão, ao fim de pouco mais de um ano.

O ideal era nem esperar por 2014, quanto mais pelas eleições de 2015.

De facto, nós somos o melhor povo do mundo. Pena que este governo seja o pior que alguma vez Portugal já teve.

(foto: iol - "Push by iol")
publicado por mparaujo às 23:59

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