Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

26
Mai 13

Publicado na edição de hoje, 26 de maio, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

Mobilidade (in)segura

Ao nível das redes sociais não tem havido descanso, nos últimos dias quanto à participação cívica, ao debate e à reflexão sobre mobilidade ciclável na cidade, ao ponto da temática me merecer, publicamente, uma terceira reflexão: “a questão da segurança na circulação ciclável na cidade de Aveiro”. Será ou não um mito? Ou se quisermos, relembrando o artigo de quarta-feira passada, mais uma desculpa para a não alteração de hábitos de mobilidade. Por uma questão de gestão de espaço e esquematização de conceitos/ideias permitam-me o recurso a simples tópicos, que espero resultem na contribuição para um eventual debate/reflexão. Importa destacar que a referência se situa no âmbito da mobilidade quotidiana (e não o lazer ou desporto).

1. A insegurança é, face a múltiplos factores sociais e à conjuntura actual, uma preocupação acrescida nos dias de hoje: as crianças não brincam livremente na rua como há uns anos (valentes); não se anda facilmente a pé por determinados sítios ou a determinadas horas, entre outros exemplos. Na mobilidade, especificamente na ciclável, a insegurança prende-se, essencialmente, com dois factores: um ao nível da prática/aprendizagem, da experiência e da confiança; e outro ao nível das acessibilidades e infraestruturas.

2. Por norma, em centros urbanos com a dimensão e escala da cidade de Aveiro, infraestruturas dedicadas, ciclovias, canais próprios, são sinónimo de maior segregação da bicicleta e mais facilitadores e promotores do excessivo continuado uso e recurso ao automóvel que, assim, se vê “dono e senhor” da rede viária. Além disso, Aveiro não tem, salvo raras excepções, zonas problemáticas de excesso de velocidade de tráfego. Aliás, com o aumento do volume automóvel surgem os conflitos de circulação e, normalmente, diminuem as velocidades, de forma natural.

3. A implementação de ciclovias sem que para tal haja dimensão viária, nem condições físicas, para tal, tornam-se mais rapidamente num problema do que na solução. Veja-se a marcação da ciclovia na Avenida (onde ela ainda possa ser visível) com estacionamento sobreposto ou o perigo que existe para o ciclista quando algum carro estacionado decida abrir a porta do lado do condutor. Por outro lado, a implementação de ciclovias para uma mobilidade quotidiana tem, em espaço urbano, naturais conflitualidades com cruzamentos, rotundas ou necessárias mudanças de direcção (principalmente à esquerda). Excluindo, com muito esforço, a Ponte de Praça, Aveiro não tem zonas de conflito acentuado e tem a particularidade de ser extremamente plana.

4. Face aos dados (último censos) que nos revelam que 90% das deslocações em bicicleta se efectuam nas freguesias periféricas, é curioso que os ciclistas se mostram mais seguros face a vias com maiores velocidades de tráfego, mesmo que com eventual menor volume. Recordo que durante vários meses, numa das acções do projecto ciclável LifeCycle houve alunos a deslocarem-se, diariamente, entre Azurva e a escola EB 2,3 de Eixo de bicicleta pela “assustadora” EN230.

5. É evidente que, para facilitar a segurança, tem de haver uma complementaridade de informação e prevenção, tal como, por exemplo, foi feito pelo projecto LifeCycle no exemplo referido (foto). Se a política de mobilidade for direcionada para o uso e recurso da mobilidade ciclável terá, forçosamente, de existir uma prioridade para a bicicleta na partilha do espaço público com o automóvel, tal como prevê o recente estudo para a requalificação da Avenida (sem ciclovias projectadas).

6. Por último, quanto menor for a segregação (salvo evidentes situações de conflito) e maior for o uso da via pública por parte da bicicleta, maior será a acalmia do tráfego e maior será o respeito do automobilista pelo ciclista. Em Paris, com o interessante projecto de mobilidade Vélib (20 mil bicicletas fabricadas em Águeda e cerca de mil parques), não existem canais dedicados. Nas zonas de claro conflito (não se compara Aveiro a Paris) a circulação faz-se partilhando os canais de BUS mas com definida prioridade da bicicleta sobre o transporte público.

7. Perigo e insegurança é o uso indevido e incorrecto da bicicleta com a circulação nos passeios, nas passadeiras, em contramão, etc. Isso sim, é clara insegurança rodoviária. A maior ou menor sensação de segurança resultará sempre da maior ou menor experiência ciclista, tal como com a maior ou menor aptidão para conduzir um automóvel.

Nota final: exclui-se, propositadamente, da reflexão o estado das vias porque esse é um factor limitativo para a mobilidade ciclável, como para os malfadados amortecedores dos automóveis.

publicado por mparaujo às 14:01

22
Mai 13

Publicado na edição de hoje, 22 de maio, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Modos suaves… uma questão cultural?

A União Europeia consagrou o ano de 2013 como o Ano Europeu do Cidadão. Um dos objectivos passa por uma participação mais activa dos cidadãos, não só no conhecimento e nas causas europeias, mas também nas suas comunidades e nos meios onde estão envolvidos. Como referi na edição de domingo (“Entre a Proa e a Ré… Paixão pelas BUGA”) sem qualquer constrangimento no aproveitamento do mediatismo eleitoral, mas sem entrar em partidarismos ou politiquice, surgiu um espaço de participação cívica para o debate de ideias e conceitos em torno da mobilidade, mais concretamente em relação à mobilidade ciclável e à BUGA (Repensar a BUGA). No início do projecto, concretizado nos finais de 1999 e princípios de 2000, à semelhança do que acontece em países como a Holanda, a Bélgica ou a Dinamarca, o objectivo era muito claro: promover junto dos aveirenses, no seu quotidiano, um meio de transporte que facilitasse as deslocações, mesmo que pontuais, de curta distância, permitindo uma melhor qualidade de vida na cidade, uma melhor mobilidade urbana. No entanto, rapidamente a BUGA se converteu, por força da tipologia do seu uso, num projecto de lazer de alguns aveirenses e uma marca de turismo para quem nos visita. E esta realidade deve ser bem ponderada quando queremos falar de “Repensar o Projecto BUGA”. Que tipo de projecto? Que tipo de mobilidade?

Ao envolver-me num projecto europeu coordenado em Aveiro pela, à data, responsável pelo Gabinete de Mobilidade da Autarquia, Eng. Arminda Soares, (o projecto Life Cycle), foi notório através das acções realizadas junto das escolas, da Universidade (com o Prof. José Carlos Mota), das empresas, da própria cidade, que não existe uma cultura, uma mentalidade, de mobilidade suave, concretamente, com o recurso à bicicleta. As razões podem ser diversas e todas aceitáveis e válidas. Mas a verdade é que a bicicleta não é ainda, ou deixou de ser, um modo de mobilidade do quotidiano dos aveirenses nas suas deslocações casa-emprego, casa-escola, ou acções pontuais. Sem deixar de ser importante, a bicicleta é um recurso de lazer ou de mobilidade saudável (saúde e bem-estar). É muito difícil que esta realidade se altere. A mentalidade e a cultura do automóvel, o comodismo e um aparente bem-estar social, relegam a bicicleta (e por arrasto o projecto BUGA) para realidades muito distintas da mobilidade urbana. Não é uma questão de segurança ou insegurança rodoviária, não é uma questão de infra-estruturas dedicadas (até porque há muitos estudos e teorias que defendem a partilha do mesmo espaço entre bicicleta e automóvel, quer para benefício da primeira, quer por questões de acalmia de tráfego, salvo raras excepções para situações de claro conflito com a circulação, nomeadamente com vias rápidas onde a velocidade é mais elevada, ou a tipologia viária permite corredores, ciclovias ou canais dedicados) nem será uma questão de equipamentos (até porque o valor de uma bicicleta não é, hoje em dia, assim tão elevado). É, notoriamente, uma questão cultural. Basta olharmos os dados que o Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território, da Universidade de Aveiro, recentemente divulgou: um excessivo número de distâncias de muito curta duração, temporal e métrica, realizadas em automóvel, e um número muito reduzido (contrariando os valores da região, como por exemplo, Ílhavo e Murtosa) de viagens com recurso à bicicleta (1351, sendo que a grande maioria, cerca de 90%, se realiza nas freguesia limítrofes e não na malha urbana). Um dado que, durante o projecto, se mostrou óbvio: “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades… e o mundo é feito de mudanças”. Há cerca de três/quatro décadas, não mais, terminava-se a quarta classe (hoje 1º ciclo) e recebia-se uma bike nova de prenda; hoje recebe-se uma consola, um iphone, um computador. Há cerca de três/quatro décadas, não mais, terminava-se o curso superior e recebia-se de prenda a carta e o carro (na maior parte dos casos, em segunda mão ou até herdado); hoje, termina-se o 12º ano, entra-se na universidade com a carta e o carro novo. Há cerca de três/quatro décadas, não mais, brincava-se na rua, aprendia-se a andar de bicicleta na rua; hoje não há espaços (parques e zonas verdes) para que os mais novos brinquem ou aprendam a andar de bicicleta. A mobilidade ciclável em Aveiro é uma questão cultural e política: são urgentes políticas, sem grandes custos, mas permanentes (sem serem pontuais ou focalizadas) para que haja uma clara alteração de mentalidades e cultura. A bicicleta não é sinal de inferioridade, mas sim de igualdade social na diferença como encaramos a mobilidade e o futuro das cidades.

publicado por mparaujo às 07:48

19
Mai 13

Publicado na edição de hoje, 19 de maio, do Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

Paixão pelas BUGA

Nestes últimos tempos, em Aveiro, muito se tem falado de política de mobilidade (ou da eventual falta dela). O tema tem vindo a público pelo concurso dos quatro parques de estacionamento e da concessão do estacionamento à superfície, pela concessão do transporte público de passageiros ou pela extinção da MoveAveiro. Altura para relembrar alguns projectos que envolveram a autarquia como o LifeCycle, o ActiveAccess ou o projecto Rampa, embora este mais vocacionado para as acessibilidades. Normalmente e na maioria dos casos a acessibilidade (complementar ou em ‘oposição’ à mobilidade) implica investimento (pequeno ou volumoso): intervenção no espaço público, na rede viária ou construção de novas vias, no edificado, a título de exemplo. Já a mobilidade, apesar da maioria das suas vertentes e da sua aplicabilidade requerer, igualmente, investimentos e recursos financeiros, também é um facto que algumas das suas políticas sustentam-se numa alteração de costumes, de cultura, de princípios, de hábitos quotidianos, sem custos ou com encargos diminutos. E estes princípios dizem respeito a todos: à autarquia e a entidades reguladoras (promoção de políticas e medidas) e aos cidadãos, no que se refere à concretização das mudanças de mentalidades e hábitos.

O que importa aqui reflectir é este papel de inclusão dos cidadãos, porque agentes activos, no desenvolvimento e na promoção de uma mobilidade sustentável. É óbvio que a mobilidade, para ser eficaz e ter eficiência, não deve ser sectorizada. Quanto mais abrangente, mais diversificada, mais complementar nas suas vertentes, mais sustentável ela será. No entanto, tem-se falado muito de trânsito, de estacionamento, de parqueamentos, de automóveis, de pontes e túneis, da MoveAveiro, da sua extinção, concessão e privatização, mas, curiosamente, pouco relevo e papel se tem dado a um sector, projecto, que já deu prémios, que foi referência na mobilidade urbana, mas que tem ficado na zona mais escura/cinzenta do debate: as BUGA. Muitas soluções podem ser encontradas para a (re)vitalização do projecto. Um projecto que iniciou o seu percurso em finais de 1999 e início de 2000, essencialmente, na altura, à semelhança duma Dinamarca ou Holanda, para permitir novas formas de mobilidade urbana aos aveirenses, acabou por se tornar, fundamentalmente (com responsabilidade de todos) numa vertente turística (mais até que de lazer), ao ponto de, em 2007 ou 2008 (sem precisão), o Turismo do Centro ter realizado um inquérito a quem visitava Aveiro. À pergunta sobre a referência simbólica de Aveiro, quando se esperava que a maioria respondesse os Ovos-Moles ou os Moliceiros, eis que surge a BUGA como a mais referida. Houve quem se esforçasse por não deixar cair o projecto (lembro-me do papel, quantas vezes inglório, da ex-coordenadora da mobilidade na autarquia, a Eng. Arminda Soares), a própria autarquia tentou reformular o conceito e o papel do projecto, “esbarrando” nas dificuldades conjunturais, estruturais e financeiras conhecidas (às quais se junta a ausência de projectos de investimento ao nível do QREN). E se a Câmara Municipal e a MoveAveiro têm, apesar das dificuldades, mantido o seu funcionamento, a bem da verdade e por uma questão de justiça, há alguém que se recusa, determinantemente, a deixar “morrer” o projecto: o Sr. Alcino. Exemplo de dedicação, de entrega, de paixão pela “sua” causa, mesmo que com teimosia ou alguma aversão à mudança, o facto é que, com o seu cansaço, alguma desilusão, mas sentido de responsabilidade e zelo, a ele se deve a sobrevivência da BUGA na cidade.

Contará, agora, com a “ajuda” de um projecto de participação cívica, sem politiquices ou partidarismos, aproveitando legitima e naturalmente, o mediatismo eleitoral autárquico para, pelo menos, “Repensar a BUGA”.

A ver vamos…

publicado por mparaujo às 08:36

23
Set 12

Publicado na edição de hoje, 23 de setembro, no Diário de Aveiro.

Entre a Proa e a Ré

Mobilidade é responsabilidade de todos

Não poderia ser maior a coincidência de se celebrar a Semana da Mobilidade e o Dia Europeu Sem Carros (22 de setembro) numa altura em que Aveiro vive momentos conturbados, ou controversos, para se ser mais concreto, especificamente relacionados com esta área da mobilidade e acessibilidade.

Sejam quais forem as razões, nomeadamente as políticas, que norteiam as críticas à autarquia sobre o trânsito, estacionamento ou os transportes públicos, independentemente da sua validade, a verdade é que a Mobilidade não pode ser apenas encarada do ponto de vista da circulação automóvel, nem a sua responsabilidade apenas circunscrita à acção da gestão municipal.

A mobilidade (e a acessibilidade) reveste-se de aspectos culturais, sociais, ambientais, de saúde pública e individual, e, obviamente, de aspectos de planeamento, gestão e investimento públicos. Mas é, e tem de ser encarada, como uma responsabilidade colectiva.

E isto repercute-se em pequenas acções do nosso quotidiano: o andar a pé; o recurso à bicicleta em curtas distâncias contrariando um comodismo e uma aversão cultural a este modo suave de mobilidade (para a maioria dos cidadãos a bicicleta, no dia-a-dia, ainda é sinal de desvalorização social e não uma alternativa saudável de deslocação, nomeadamente, em espaços urbanos); a forma desordenada e abusiva como estacionamos; a utilização excessiva do transporte individual (automóvel); a construção de edifícios e equipamentos públicos sem contemplarem a acessibilidade a cidadãos com mobilidade reduzida (temporária ou não); a degradação, deterioração e vandalismo sobre o espaço público; o reordenamento do trânsito e estacionamento; a promoção dos transportes públicos; as campanhas e acção de sensibilização e educação, entre outros aspectos.

Como se pode verificar, há responsabilidades repartidas, e algumas comuns, na área da mobilidade, entre cidadãos e entidades.

Face à complexidade das relações e ligações que a mobilidade tem com o dia-a-dia das comunidades e dos cidadãos, por mais acções e iniciativas que se tomem em redor da Semana da Mobilidade e do Dia Europeu sem Carros parecem sempre “saber a pouco”. Se é verdade que Aveiro foi, em 2000, um dos municípios a aderir ao compromisso europeu do Dia Sem Carros, também não deixa de ser um facto que, hoje, em 2012, apenas quatro municípios do distrito de Aveiro (Aveiro, Oliveira de Azeméis, Castelo de Paiva e Oliveira do Bairro), celebram esta semana e este dia com mais ou menos iniciativas, com mais ou menos compromisso com a “carta europeia”.

Depois dos dois ou três anos iniciais, cheios de fulgor, com muita pompa e circunstância, com ruas totalmente cortadas ao trânsito e restrições nas circulações, a realidade mostra-nos as inconsequências das acções e a ausência de políticas e medidas duradouras nas diversas áreas da mobilidade e acessibilidade, para além da incapacidade de alteração dos hábitos, usos e costumes dos cidadãos nesta área (aliás com inquietantes agravamentos).

Sem um plano abrangente e exequível, sem a participação de todos (cidadãos e entidades) na forma como podemos encarar a mobilidade nas comunidades, as iniciativas que se tomem vão ter sempre este sabor a desilusão. E não são precisos grandes projectos, nem empreendimentos, se houver a definição de um plano consistente de mobilidade municipal. A sua colocação em prática pode resultar no envolvimento de todos e em acções simples, pequenas, mas que conjugadas e relacionadas podem fazer a diferença e a mudança. Por exemplo, o incentivo ao uso de modos alternativos o transporte individual (transporte público, ciclável ou pedonal) e recordo aqui os projectos municipais europeus LifeCycle e ActivAcess; a partilha do transporte individual em sistemas como o carpooling entre funcionários de uma mesma empresa (ou empresas vizinhas); campanhas de sensibilização e educação com custos extremamente reduzidos ou nulos, como o projecto das Passadeiras – “Cuidado com o Peão, Arte em Circulação” (embora seja importante realçar a relevância que tem a valorização da componente comunicacional); as restrições à circulação e ao estacionamento, integradas com a promoção do uso de espaços ou parques de estacionamentos; a sensibilização para medidas que facilitem a mobilidade e a acessibilidade para cidadão com incapacidades; e acções que minimizem a degradação e o vandalismo sobre o espaço e equipamentos públicos; acções escolares que promovam diferentes hábitos de mobilidade e que possam trazer alterações comportamentais no futuro das comunidades e dos cidadãos.

O que não pode, nem deve, continuar a acontecer é a falta de consequência prática e duradoura das acções e das iniciativas. Não se pode continuar a tratar a mobilidade nas cidades e nas comunidades como algo pontual e fugaz. Não basta o recurso a “folclore” que não deixa marcas, não traz perspectivas de mudança no futuro e só gasta recursos tão necessários hoje em dia.

A Mobilidade tem de ser vivida e sentida todos os dias, e por todos.

publicado por mparaujo às 16:25

09
Nov 11
O Movimento "Pedal Aveiro" é um conceito e projecto de mobilidade ciclável da responsabilidade da Câmara Municipal de Aveiro, em conjunto com outros parceiros sociais da comunidade aveirense, por exemplo a Universidade de Aveiro ou o Hospital Distrital Infante D. Pedro.

Em actividade desde Junho deste ano, realizou em Setembro uma iniciativa de lançamento do projecto denominada "Rota dos Mercados".

Desta vez, o Movimento "Pedal Aveiro" associa-se ao Hospital de Aveiro e à Universidade de Aveiro para, juntos, promoverem um ciclotour urbano para alertar a comunidade aveirense para uma das doenças mais marcantes deste século: A Diabetes. 

Pedalar "Contra a Diabetes" é a iniciativa que terá lugar no próximo dia 13 de Novembro, com partida marcada às 10.30 em frente ao Hospital Infante D. Pedro.


inscrição (gratuita) através do email movimentopedalaveiro@gmail.com.
publicado por mparaujo às 22:31

14
Set 11
Publicado na edição de hoje, 14 de Setembro, do Diário de Aveiro.

Preia-Mar
A mobilidade passou de moda?


Este ano, a comemoração da “Semana Europeia da Mobilidade” e o “Dia Europeu Sem Carros na Cidade” celebram dez anos. Uma data (dita “redonda”) que relança a discussão sobra a importância e a vitalidade da mobilidade para o desenvolvimento sustentável das cidades e para a melhoria da qualidade de vida no espaço urbano.
Com enorme coincidência e curiosidade, o lema deste ano da Semana da Mobilidade 2011, que se realiza entre 16 e 22 de Setembro, é: “Mobilidade Alternativa”. Ou seja, soluções alternativas para a melhoria do espaço urbano, do ambiente e da qualidade de vida dos cidadãos, através, por exemplo, do recurso à mobilidade pedonal e ciclável, bem como a combustíveis e energias alternativas.
Focando-nos nos dois modos suaves de mobilidade (pedonal e ciclável), Aveiro tem feito algum esforço para a sua promoção: há três anos que a mobilidade saudável, com o projecto europeu Life Cycle (terminou a 31 de Maio deste ano), tem sido uma das acções mais prementes na área da mobilidade, e que deu origem a um novo projecto “Movimento Pedal Aveiro; e mais recentemente a aposta na mobilidade pedonal, com a parceria no projecto europeu ActiveAccess.
O projecto ciclável pretende promover alterações aos estilos de vida dos aveirenses, melhorando a qualidade de vida, a valorização do espaço urbano, o ambiente das cidades, através do recurso à bicicleta, nas pequenas e médias distância, no quotidiano dos cidadãos.
Já o programa pedonal pretende encorajar a circulação pedonal nas pequenas deslocações, reduzindo o consumo de energia e emissões, bem como a melhoria da saúde, a prosperidade do comércio tradicional e ainda o aumento do sentido de pertença a um lugar, reforçando os laços de vizinhança e sociabilidade, e um maior sentido de urbanidade.
A Mobilidade tem de deixar de ser uma moda para passar a ser, definitivamente, uma realidade, com a responsabilidade de todos: autarquia, entidades, empresas, comércio e, obviamente, cidadãos.
As cidades, mesmo as de dimensão reduzida como Aveiro, precisam de uma sustentabilidade e desenvolvimento que se estruture numa mobilidade que promova o desenvolvimento social e económico, a defesa do ambiente e da qualidade de vida, e de melhor urbanidade (espaço urbano mais eficaz).
A Semana Europeia da Mobilidade é uma clara oportunidade para promover este princípio basilar para a melhoria do ambiente urbano. Perder esta oportunidade é desvalorizar um dos objectivos principais da urbanidade e da socialização das cidades: a mobilidade! Mesmo que uma vez por ano… mas como diz o ditado: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.
Mas de forma abrangente, com dimensão, com pedagogia e sensibilização, à procura de públicos-alvo para determinadas e específicas acções. Em espaço urbano público, com especificidade (por exemplo, as vias urbanas mais movimentadas, as praças, os bairros), sem ser em locais descontextualizados do princípio e do objectivo, com visibilidade reduzida.
As políticas de implementação de uma verdadeira mobilidade urbana deveriam encarar o espaço urbano e o tempo como bens fundamentais e não supríveis, consentindo que respondessem a um conjunto de necessidades de deslocações dos cidadãos, para suster a ruína da qualidade de vida nas cidades, por mais pequenas que elas sejam.
É urgente que sejam implementadas medidas de restrição ou proibição do uso automóvel e alterações nos hábitos quotidianos dos cidadãos, reduzindo o efeito negativo sobre as cidades, o espaço e o meio ambiente.
Por fim, a mobilidade é, ao mesmo tempo, a causa e o efeito da sustentabilidade económico-social, da expansão urbana e da distribuição geográfica e consistência das actividades.
publicado por mparaujo às 06:29

06
Abr 11
Publicado na edição de hoje, 6.04.2011, do Diário de Aveiro.

Preia-Mar
O Vídeo e o Contra-vídeo!

Um dos direitos fundamentais (seja natural ou constitucional) é o da liberdade de expressão. Algo que, por formação, muito prezo. Assim, entendo que todo e qualquer cidadão tem o direito ao seu sentido crítico e ao pleno exercício da sua cidadania.
Vem este contexto a propósito de um vídeo lançado pela JS de Aveiro como repto ao vídeo promocional do projecto LifeCycle, apresentado pela autarquia aveirense, em Sevilha, e, ainda, no seguimento do que aqui escrevi na semana passada “A opção somo nós!”.
Primeiro, importa uma declaração de interesses. Não assumo qualquer posição oficial da autarquia, nem tão pouco faria qualquer sentido, comento apenas como cidadão e pelo facto de ter estado cerca de ano e meio envolvido directamente na equipa coordenadora do projecto Life Cycle em Aveiro.
Segunda nota… Não tenho qualquer intenção de refutar ou rejeitar a posição política e crítica da JS de Aveiro, pelas razões já apontadas. Apenas um mero comentário e uma clarificação de alguns aspectos que merecem algum cuidado, e que possam contribuir para a discussão do tema.
O primeiro aspecto a realçar tem a ver com o objectivo do projecto e do vídeo em causa. O LifeCycle é um projecto europeu de mobilidade saudável, ao qual a autarquia aveirense se candidatou (a custo zero), cujo objectivo é a promoção do uso da bicicleta (e não a BUGA, ou não apenas a BUGA) no quotidiano dos cidadãos, muito para além da vertente do lazer. Trata-se um programa de mobilidade, definido e estruturado no âmbito da Comunidade Europeia, que associa a utilização da bicicleta como modo suave de transporte nas deslocações do dia-a-dia (emprego, escola, tarefas diárias) com benefícios para a saúde (nomeadamente, obesidade e doenças cardiovasculares) e para o bem-estar. E este objectivo assenta, não em estruturas físicas, mas tão somente no promoção, sensibilização, alteração de hábitos e cultura de mobilidade.
Em segundo lugar, quer o projecto, quer o vídeo não têm qualquer referência a ciclovias pelo facto do objectivo ser o de colocar a bicicleta no seu “habitat” natural de mobilidade que é a convivência com o automóvel (e não a sua segregação). Muitos são os conceitos e estudos de mobilidade e de acessibilidades que não defendem as ciclovias (excepção para volumes de tráfego intenso e velocidades de circulação elevadas), antes pelo contrário, defendem que um aumento significativo de bicicletas na via pública pode permitir uma redução da velocidade de circulação automóvel nos espaços urbanos e uma maior percepção da segurança. Por isso é que o vídeo do LifeCycle pretende demonstrar que a bicicleta é uma alternativa eficaz na mobilidade urbana (a imagem da “paixão”, da alternativa ao automóvel, mesmo em casos de “aflição”).
Há, por este motivo, um aspecto no vídeo promovido pela Juventude Socialista que merece uma especial referência (para além da questão política, que não vou discutir, inerente à ciclovia apresentada como exemplo e que é da responsabilidade da gestão autárquica socialista).
É que a maioria dos exemplos apresentados no vídeo da JS de Aveiro não são, nem devem corresponder, ao ambiente natural de circulação ciclável (nomeadamente os passeios).
Durante o decorrer do projecto, foram desenvolvidas várias campanhas, com vários públicos-alvo (escolas secundárias, universidade, universo laboral), em ambientes tão distintos como o espaço urbano (cidade) ou zonas mais rurais, mas com grande incidência de tráfego, como é o caso da estrada nacional que liga Azurva a Eixo ou a própria cidade.
De facto, o projecto pode concluir que Aveiro (Concelho), na sua globalidade, tem apetências muito favoráveis para o uso da bicicleta e em segurança (dois anos de campanha comprovaram essa realidade: muitas centenas de aderentes, sem qualquer tipo de acidente registado).
E como o disse na semana passada, a noção de insegurança ciclável em Aveiro é mais ilusória do que real. Não há registo de acidentes com os inúmeros estrangeiros (nomeadamente espanhóis) que utilizam a BUGA para visitar Aveiro.
O que o vídeo LifeCyle pretendeu, tão simplesmente, foi devolver à cidade a sua cultura ciclável, tão visível nos primeiros anos de existência, por exemplo, da Universidade de Aveiro (ainda hoje um dos maiores pólos de utilizadores da bicicleta no quotidiano citadino).
Se há muitas coisas que podem ser melhoradas em Aveiro para facilitar o uso da bicicleta, é indiscutível (muito para além das BUGA). Mas também cabe aos aveirenses assumir essa cultura de mobilidade e adoptar a bicicleta como um meio suave de transporte, e, principalmente, sem a mistificação de que andar de bicicleta destrói o “status”.
 
(nota: pelo contraditório - Video Aveiro LifeCycle - Video JS Aveiro


publicado por mparaujo às 06:33

29
Mar 11
Porque Bicicleta é Vida... e uma clara alternativa de mobilidade urbana.
Aveiro fez a sua escolha.

Três anos de parceria do Projecto Europeu de Mobilidade Saudável - LifeCycle.
Três anos a promover o uso da bicicleta como modo saudável de mobilidade em espaço urbano, no quotidiano dos aveirenses.
Três anos a potenciar alterações de hábitos, de percepção da realidade sustentável, de culturas.
Com muito orgulho e honra: ano e meio de contributo pessoal e profissional.

Aveiro Life Cycle - um vídeo promocional realizado por Miguel Mendes.


publicado por mparaujo às 21:45

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