Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

29
Out 14

Ainda no domingo, ao fazer o resumo da semana no "Olhar a Semana" (ponto 2), na outra "casa" (Olhar Direito), destaquei o estado a que chegou o estado da educação nestes dois meses de arranque do ano lectivo 2014-2015.

Na semana passada, o Secretário de Estado da Administração Escolar, João Casanova, afirmava, a propósito de toda a polémica no concurso dos professores, que faltava apenas um valor residual na colocação dos docentes: menos de 10%.

A verdade é que, hoje, ainda faltam preencher cerca de 288 horários (quase 12%) e há ainda a registar 185 horários que carecem da confirmação dos docentes. Para além de todas esta embrulhada, há ainda o relato do caso do professor colocado em 95 horários, simultaneamente, a verdade é que este ano lectivo, a meio do primeiro período, tem sido uma dor de cabeça para alunos, pais, escolas e para as desculpas do ministro Nuno Crato.

Desculpas que afiguram-se caídas em "saco roto" já que, em plena polémica na vida do ensino, o Ministro da Educação afirmou, ainda hoje, que "Portugal caminha na direcção certa para melhorar a educação em Portugal».

Fica assim justificada a posição de Passos Coelho sobre o ministro: "o homem certo para o lugar certo", confirmando que recusou um pedido de demissão de Nuno Crato.

O país, as escolas, os alunos e os professores, não agradecem e muito dificilmente desculparão. Em 2015 haverá um "exame final", sem possibilidade de "melhoria de nota" ou "recurso".

publicado por mparaujo às 17:12

28
Set 14

publicado na edição de hoje, 28 de setembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Um Governo desculpável

Recentemente assistimos a algo insólito neste Governo. Após um conjunto de situações/medidas polémicas, após uma sucessão de críticas e contestações, (e só) após a confrontação com os factos e as realidades, quer o ministro da Educação, quer a ministra da Justiça, vieram a público proferir um pedido de desculpas pelos erros cometidos. Não propriamente o assumir dos erros e das responsabilidades, mas sim usar o estratagema político do pedido de desculpas que mais não foi do que uma “não desculpa” com vista escamotear o que seria normal: a admissão do erro e das responsabilidades (a sua consequência política).

O ministro Nuno Crato pediu desculpa e mandou refazer a lista de colocação de professores depois de defender o processo inicial mas incapaz de suster a pressão e a realidade dos factos. A ministra Paula Teixeira da Cruz andou várias semanas a escusar responsabilidades e críticas face à polémica instaurada pelo “crash” do programa Citius até ser confrontada com a incapacidade do seu ministério em resolver, eficaz e atempadamente, o problema.

Na prática, os pedidos de desculpas formulados pelos dois governantes resultaram politicamente (e mesmo tecnicamente com muitas dúvidas) em zero: serviu para uma saída subtil da pressão política, sem a assumpção da responsabilidade pessoal enquanto ministros e tutelares dos organismos dos seus ministérios. O catedrático Viriato Soromenho Marques, professor de Filosofia Social e Política na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, escrevia há dias no Diário de Notícias a propósito do tema: «O perdão implica, primeiro, o reconhecimento de um dano irreversível causado a outros, que são vítimas. E, em segundo lugar, o perdão obriga a mudar radicalmente de conduta para permitir a reconciliação, como condição para um novo caminho.» Tenho dúvidas que o “perdão” formulado pelos dois ministros tenha tido a necessária consequência que deveria dignificar o acto: o assumir as responsabilidades e a mudança radical, ou pelo menos significativa, da realidade e dos actos (erros) cometidos.

Muito mais importante que um populismo mediático que o país dispensava de bom grado (face às figuras que fizeram publicamente) teria sido o rigor governamental e técnico das medidas aplicadas. À maioria dos portugueses, que felizmente já não embarca tão facilmente em “cantigas” e “lágrimas de crocodilo”, uma questão fundamental se colocou: os ministros, responsáveis máximos pelos actos dos seus ministérios, tinham informação suficiente e conhecimento dos factos que poderiam ter impedido os desfechos verificados? Em caso afirmativo, o “nobre” pedido de desculpa deveria ter sido acompanhado de um digno assumir das responsabilidades e daí retirarem as consequências políticas das suas gestões governamentais. Isso sim, seria um elevado sentido político e de serviço público. A teatralidade do acto só revelou fraqueza política e sinal de hipocrisia, já que nada mudou. A coragem necessária (reconheça-se) para vir a público pedir desculpa diluiu-se na falta de coragem para, consequentemente, assumirem as devidas responsabilidades. Em nada dignificaram o verdadeiro sentido do perdão.

Mas esta é a moda deste Governo. Já em 2010 (ainda na oposição) Pedro Passos Coelho pedia desculpa aos portugueses pelo aumento de impostos aplicados pelo então Governo de Sócrates. Volvidos quatro anos, agora no Governo, as desculpas resultaram num avolumar de aumento de impostos e não numa mudança de paradigma.

De novo, a montanha pariu um rato.

publicado por mparaujo às 11:26

19
Set 14

Há um velho ditado que diz: "as desculpas não se pedem... evitam-se".

O ditado cai por terra quando os erros assumem uma realidade factual, quando acontecem.

O ditado cai por terra quando, em contexto político, as desculpas servem para desviar responsabilidades, para o não assumir essas mesmas responsabilidades.

Tudo isto a propósito das polémicas e das devidas desculpas, acrescidas das consequentes promessas políticas, que envolveram o Ministério da Justiça (novo mapa administrativo e, principalmente, o caso Citius) e o Ministério da Educação (arranque do novo ano lectivo e, principalmente, o concurso de professores). Politicamente tudo fica na mesma, mesmo com a demissão do director-geral da Administração Escolar.

A Alda Telles, no Código Fonte, explica muito bem o como e o porquê: "A desculpa não-desculpa".

A ler...

publicado por mparaujo às 16:13

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