Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

11
Nov 17

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Não tem havido tema mais criticado e polémico na agenda de hoje, mesmo que no país haja, de facto, assuntos mais prementes (por exemplo, saúde e educação... lá iremos)

Mas o facto é que muitos portugueses indignaram-se com a realização do jantar de encerramento da Web Summit 2017 que teve lugar, pasme-se, em pleno Panteão Nacional (na Igreja de Santa Engrácia) mesmo ao lado dos túmulos de Amália, Eusébio, Humberto Delgado, Aquilino Ribeiro, Óscar Carmona, Teófilo Braga, Guerra Junqueiro, Sidónio Pais, Manuel de Arriaga, João de Deus e Almeida Garret. Onde podia estar também o Nobel da Literatura, José Saramago, entre outros, não tivesse expresso vontade contrária.

É certo que se não fosse o condenável, indigno e criticável jantar da feira web summit em pleno centro patrimonial e histórico nacional muito poucos seriam os portugueses que saberiam que tais eventos estão, desde 2014 (em plena governação de Passos Coelho pela mão do então Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier) perfeitamente enquadrados legalmente (Diário da República, 2ª série, nº122, de 27 de junho de 2014) e permitidos sob autorização e despacho prévios por parte da Direcção-Geral do Património Cultural, seja no Panteão Nacional (na Igreja de Santa Engrácia), nos Jerónimos ou whatever, infelizmente por razões meramente economicistas.

E o facto de tal regulamentação ser oriunda da governação de Passos Coelho não é, para o caso, displicente.

É que sem que a maioria das críticas tivesse tecido qualquer contextualização político-partidária, a verdade é que muitos socialistas viram-se na obrigação partidária de vir a terreiro tentar limpar a imagem política do Governo. E mal... tiveram dois anos para "limpar" a Lei e nada obrigava a cedência e autorização para a realização do evento por parte do Ministério da Cultura (tal como descreve o artigo 3º - Princípios gerais do contexto legislativo: «1. todas as actividades e eventos a desenvolver terão de respeitar o posicionamento associado ao prestígio histórico e cultural do espaço cedido. (...) 3. Serão, ainda, rejeitados os pedidos que colidam com a dignidade dos Monumentos (...).»).

Mais ainda... a autorização cheira a submissão e favor e vale muito pouco a reacção de chocado ou de indignação de António Costa porque não é convincente a pretensão do Primeiro-ministro em querer mudar o enquadramento legislativo. É hipocrisia política.

Não fosse o coro de críticas e, eventualmente, o ininterrupto tocar do telemóvel do Primeiro-ministro (importa referir que há muito familiar vivo dos actuais "inquilinos" do panteão Nacional) tudo tinha permanecido na mesma e sem qualquer preocupação governativa. Não é credível, nem compreensível, que o Primeiro-ministro, orador na Web Summit, não soubesse do evento ou até o seu Gabinete, acrescido ainda do facto de haver membros do Governo no jantar. Não nos façam de burros.

Soa a indignação de "lágrimas de crocodilo". Não queiram fazer o povo estúpido só para tentar limpara a "borrada" (grave) que foi feita. E nem colhe a tentativa fracassada de passar culpas para a anterior governação. Sendo certo que a infeliz e inaceitável legislação vem datada de 2014 também é verdade que a mesma não obriga a "deferimento obrigatório".

publicado por mparaujo às 17:31

07
Jan 14

… ou como diz o ditado: “preso por ter cão e preso por não ter”.
Os portugueses têm dos políticos, da política ou dos partidos uma péssima imagem que, com o correr dos tempos, cada vez se vai deteriorando mais. Com mais ou menos razões, sendo certo que, neste caso como em muitos outros, pagará sempre o “justo pelo pecador”, pelos erros que cria qualquer generalização dos casos e dos factos.
Mas esta é uma verdade. Basta ir para a rua, para as conversas em família, nos empregos (aqueles que os têm e onde podem conversar) ou nas mesas dos cafés. Basta olhar para os números da abstenção eleitoral ou para os movimentos de independentes (embora aqui com especiais reservas).
Mas há a outra face da moeda. A política, os políticos e os partidos que temos resultam, também, da mentalidade e maturidade (ou da falta delas) política dos portugueses. O deixa andar, o não pedir responsabilidades, o não assumir o direito e o dever cívico do voto, a ausência de participação noutros espaços de cidadania, a não envolvência na “cousa” política, seja local, regional ou nacional.
E para além disso, acresce ainda uma das facetas da identidade lusa: o criticar a “torto e a direito”, o “dizer mal por dizer”, o tal “preso por ter e preso por não ter”. É assim, normalmente, no nosso dia-a-dia, assim também o é na forma como olhamos a política, os políticos e os partidos.
A propósito, o grupo parlamentar do PSD perspectiva propor, na Assembleia da República (órgão competente para o efeito), honras de Panteão Nacional para o Eusébio.
Ora… caiu o “Carmo e a Trindade”. Ou como se diz aqui, por terras da beira-mar, “o S. Gonçalinho caiu do altar” (aproveitando a proximidade das festas em honra do santo). Não pelo facto de se questionar se Eusébio merece a distinta honra ou não, sendo certo que já lá está, por exemplo, a fadista Amália Rodrigues. Não se questiona sequer isso (o que, eventualmente, teria sido a lógica e legítima discussão).
Nada disso… discute-se sim o oportunismo, o eleitoralismo, da posição do grupo parlamentar do PSD.
E o que tem de ilegítimo ou de imoral (politicamente) esta posição do PSD da Assembleia da República? Nada. Simplesmente, nada.
E mal será se os portugueses definem o seu sentido de voto por uma posição mais que natural tomada pelo PSD, depois de toda a recente legítima homenagem prestada ao Eusébio da Silva Ferreira. Isso só demonstraria a imaturidade democrática e política dos portugueses. Isso só significaria que teríamos os partidos, os políticos e a política que merecemos e queremos.
Ou será que… não, recuso-me a acreditar.

publicado por mparaujo às 12:07

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