Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

22
Mar 20

É nos tempos marcadamente de crise que se evidenciam aqueles que são, verdadeiramente, essenciais ao funcionamento da sociedade.
Felizmente, por mais negros que venham a ser os tempos pós-crise, não são os sectores como os mercados e os bolsistas, a banca e os seus banqueiros ou os gestores de fundos monetários; não é o milionário e obscuro mercado desportivo.
Estes dias que vivemos mostram-nos quem são os verdadeiro heróis e aqueles que mais impacto têm na sociedade e na nossa sobrevivência: os médicos, enfermeiros e auxiliares da saúde; as farmácias e os farmacêuticos, as forças de segurança, os bombeiros e os profissionais de protecção civil; os homens do lixo, do abastecimento de água e luz; os repositores e funcionários dos hiper e supermercados; a mais pequena mercearia de bairro ou o mercado tradicional; os motoristas de pesados; entre outros.
No meio de tanto medo e pânico social, da mudança drástica nos hábitos e rotinas, a melhor luz ao fundo do túnel, depois de vencido o "bicho", será a conquista do respeito por todos eles e pelas suas futuras e legítimas perspectivas profissionais. Será igualmente, a percepção da necessidade de olharmos para o que é verdadeiramente essencial, vital e prioritário na nossa sociedade para, dessa forma, podermos alicerçar o verdadeiro sentido de Estado.

Da mesma forma que é expectável que nestes momentos de crise profunda a política e os políticos tenham como igual prioridade a valorização da sua imagem e da sua primordial função na defesa do Estado de Direito Democrático.
Importa reconhecer que, na generalidade, Presidente da República, Governo (apesar das inúmeras falhas na gestão do processo... já lá iremos), a Assembleia da República e a quase totalidade dos partidos políticos (PSD, PCP, BE, PS, Iniciativa Liberal) com assento parlamentar, têm demonstrado um verdadeiro sentido de Estado, um respeito muito significativo pela conjuntura que vivemos, evitando claros aproveitamentos político-partidários da situação. A estes podemos juntar ainda as Ordens Profissionais directamente envolvidas e diversas entidades empresariais que, apesar das dificuldades que o dia a dia deixa transparecer, têm tido uma clara preocupação em fazer parte da solução e não do problema.
MAS... e infelizmente há sempre um mas.

A obsessão pelo poder, o facilitismo com que se cai no populismo, o execrável aproveitamento político não tem, infelizmente, limites.
Enquanto verdadeiro heróis sacrificam as suas vidas pessoais e profissionais, as suas famílias e o seu futuro (por exemplo: há, no país, mais de 50 médicos infectados e mais de 150 em quarentena), no mais profundo dos anonimatos e com o verdadeiro espírito de dedicação e cidadania, é abominável e condenável que o CDS emita uma nota pública e exclusivamente política a dizer: «Francisco Rodrigues dos Santos [líder do CDS-PP] alistou-se como voluntário para ajudar as Forças Armadas nas acções que vão desenvolver na luta contra o novo coronavírus durante o estado de emergência".
Se essa é, verdadeiramente a sua vontade, enquanto cidadão que, acima de tudo é, tomava a decisão e ponto. Como eventualmente muitos outros o fizeram, felizmente.
Vir para o palco mediático e partidário, com uma decisão que deveria ser, acima de tudo, pessoal é puro populismo e execrável aproveitamento partidário, demonstrativo do carácter político. A sociedade, os portugueses e a política (a verdadeira) dispensa veemente.

Ao PSD e a Rui Rio fica o apelo... mantenham-se bem ao centro (como é a intenção anunciada desde 2018) e longe destes reais e perigosos riscos de degradação da democracia e da política... custe os resultados eleitorais que custarem.

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publicado por mparaujo às 12:04

10
Fev 20

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ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".
Desbloqueador de frases públicas.

1. As desculpas não se pedem... evitam-se. E no caso de figuras e funções públicas a expressão toma contornos ainda mais importantes.
Lapsos, gafes, erros em situação de pressão, em directos, em contextos de perguntas e respostas ou informais, mesmo que criticáveis são compreensíveis.
Mas em intervenções pensadas, reflectidas, programadas e contextualizadas (escritas ou não) são inaceitáveis porque, tal como os actos, em política as palavras contam e têm um peso significativo. E são o que são... não outra coisa qualquer.
Por mais justificações e argumentos que a Ministra da Agricultura queira apresentar a expressão e a afirmação foram mais que claras: "o coronavírus até pode ter consequências bastante positivas para as exportações portuguesas do sector agroalimentar".

2. Joacine justifica voto contra propostas do PCP e do BE para evitar "queda do Governo".
Naïf e politicamente pueril. O Governo nunca cairia por causa do IVA na electricidade. Isso não passou de uma mera chantagem política.
Na verdade, a sua saída do Livre e a passagem a 'deputada não-inscrita' deixou Joacine Katar Moreira politicamente livre mas partidariamente orfã, com impactos em futura eleições legislativas. Não será por isso de estranhar que a política que afirma que "nasceu para ser deputada" (seja lá de que forma for, já vimos...) não tarde muito a afirmar que "nasceu socialista".

3. Ainda no rescaldo da aprovação do OE2020 e da problemática do IVA na electricidade.
Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS, diz que partido não dá satisfações a ninguém, não faz fretes a ninguém, nem anda às ordens do PSD.
Pelo princípio da independência partidária e da legitimidade democrática, o PSD nunca esperaria outra coisa. No entanto, importa recordar ao jovem presidente centrista e conservador de direita que a história política da democracia portuguesa é bem clara: o CDS só foi poder em Portugal à custa e às costas do PSD (excepção feita para uns breves 7 meses de governação PS-CDS, em 1978). E lembrar os resultados do CDS em 2019.

4. Augusto Santos Silva disse, na apresentação da recandidatura de Manuel Pizarro à distrital do PS Porto, que é motivo de orgulho a aprovação do Orçamento do Estado sem os votos da direita.
Deve ser o mesmo orgulho, ao contrário do que aconteceu na anterior legislatura, que o ministro Augusto Santos Silva deve ter sentido com a abstenção de toda a esquerda (BE, PCP e Verdes). Porque será que só o PS votou a favor?

5. Luís Montenegro, afirmou, durante o seu discurso no segundo dia do congresso do PSD, que não vê nem Rui Rio nem Miguel Pinto Luz como "adversários" mas sim como "companheiros" numa luta contra os outros partidos. Pelo histórico bem recente e "fresco" com amigos (companheiros) assim para que é que queremos inimigos.
Razão tinha Winston Churchill: "À minha frente sentam-se os meus adversários políticos. Os meus inimigos sentam-se aqui, ao meu lado".

publicado por mparaujo às 00:30

09
Fev 20

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Caiu o pano do Congresso Social-democrata. Rui Rio fechou o 38.º Congreso do PSD, em Viana do Castelo, com uma intervenção a lembrar a abertura da reunião magna social-democrata, na sexta-feira: com chave de ouro. Se em termos ideológicos, programáticos, políticos e oratórios o presidente do PSD foi bastante claro, credível, assertivo e estratégico, tal não significa um redundante "ouro sobre azul".
Rui Rio perdeu o Conselho de Jurisdição para uma das vozes internas mais críticas, Paulo Colaço. Ganhou o Conselho Nacional por 5 votos de diferença (21-16) para a lista liderada por Paulo Cunha e apoiada por Luís Montenegro. Mas olhando para o que foram algumas (muito poucas) intervenções, nomeadamente, de Luís Montenegro, Pedro Duarte, Hugo Soares, Paulo Cunha, ou Paulo Colaço ouve-se, ao longe, uma frase cirúrgica do Secretário-geral do partido, José Silvano: BASTA DE CINISMO.

E cinismo foi algo que marcou este congresso, desde a sua preparação até ao cair do pano. Não vale a pena esconder a cabeça na areia, qual avestruz, ou assobiar para o lado, como se isso fosse resolvesse as fracturas internas. A verdade é que uma das principais conclusões político-partidária deste 38.º Congresso é a de que as feridas continuam (e vão continuar) abertas.

Muita razão tinha José Silvano, quando subiu à tribuna.
Luís Montenegro veio exigir ao partido e a Rui Rio tudo aquilo que não fez desde 2018: respeito, lealdade institucional (mesmo que divergente), unidade e coesão. Para além de ter procurado também, nas eleições internas, deslocar perigosamente o partido para o conservadorismo, para o liberalismo ou para o populismo.
Afirmava Montenegro que "no PSD há demasiada crispação e agressividade verbal. Há demasiado fanatismo e excessos". Isto só pode ser anedótico, no mínimo. Basta recordar todo o discurso nas internas, ao ponto de Carlos Carreiras, seu apoiante na segunda volta, ter apelidado Rui Rio de "traidor". Acho que basta como exemplo.
Além disso, é muito interessante ver Luís Montenegro parafrasear Sá Carneiro mas apenas quando e no que lhe interessa ou dá mais jeito. Curiosamente, nunca se ouviu Montenegro a recuar até 1975 e relembrar a frase do fundador do PSD "Somos um partido de esquerda não marxista e continuaremos a sê-lo". Ou até ao Congresso de 1978: "nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita". Sim... não dá mesmo jeitinho nenhum. O que dá jeito é recuar até 1972, em plena Assembleia Nacional, esquecer o contexto, a conjuntura e a realidade, e subscrever as palavras de Sá Carneiro: "O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for." Mas Montenegro faria um enorme favor lembrando-se do "dever de se calar", por uma simples e normal lealdade institucional.
Para além do cinismo e da hipocrisia também houve claros momentos de perfeito ressabiamento por quem, de derrota em derrota, ainda não percebeu que terminou, à nascença, o seu sonho de puro e mero carreirismo político. A intervenção e o papel deplorável de Hugo Soares (desde 2018 e) neste Congresso roçou o ridículo, como aliás muitas das suas intervenções em 8 (excessivos) anos de mediatismo político. As comparações com o PCP ou a adjectivação "socialistas de segunda" são o espelho da irresponsabilidade e da falta de ética política do ex (e importa reforçar "ex") deputado. Ao ex (e importa voltar a reforçar "ex") líder temporário da bancada parlamentar do PSD (alguns meses) importa recordar que em 2015, apesar da "COLIGAÇÃO" (e não o PSD) ter sido o 'partido' mais votado, não teve o peso da representatividade parlamentar suficiente para governar. Assim, como importa recordar desastroso resultado das autárquicas de 2017 que agora o Partido e Rui Rio se vêem na contingência de inverter.
Depois, há ainda os perfeitos "erros de casting", quem acha que ainda é ouvido só porque, num passado recente, teve algum papel político, como é o caso de Pedro Duarte e a sua responsabilidade na gestão da campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016.
Pedro Duarte enganou-se redondamente no destinatário do seu "recadinho": "um partido com um líder e não um líder com um partido”. Rui Rio foi, precisamente, eleito pelo partido em 2018 e 2020 para ser o seu líder. Já Luís Montenegro, que Pedro Duarte tanto apoiou, andou precisamente dois anos a tentar encontrar um partido (que não este PSD, felizmente) para a sua almejada liderança.

Vamos esperar para ver o que reserva o final de 2020 e início de 2021 quando começar a fervilhar as eleições autárquicas do próximo ano. Vamos ver até que ponto, críticos e apoiantes, se lembrarão dos princípios defendidos por Rui Rio neste Congresso em relação a listas e candidatos: o mérito e relevância local e a ética/transparência.
É que aqueles que tanto criticam Rui Rio pela falta de coesão partidária, de aceitação da diferença de opinião, de "varrer à vassourada" os críticos/opositores, esquecem-se, porque a memória selectiva dá um jeitaço, do que foram as varridelas, os "pontapés no traseiro" e todas as quezílias e conflitos internos nas últimas autárquicas, e que resultaram, entre outros, em abandonos, demissões e suspensões, e num surgimento exponencial de movimentos com candidaturas "independentes" (muitas das quais com pleno sucesso eleitoral, cconquistando, aliás, câmaras e freguesias sociais-democratas). Mas essa derrota não interessa lembrar... porque toca em supostos "ídolos" políticos (mesmo que com pés de barro) ou sustenta o argumento mais que válido, usado por Rui Rio, na análise eleitoral de 2019.

publicado por mparaujo às 16:22

08
Fev 20

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Dito de outra forma... eis a razão de eu e 53,2% dos militantes sociais-democratas termos votado em Rui Rio, nas directas de janeiro último. E este poder ser um dos melhores presidentes que o partido já teve (haja a oportunidade e tempo de o provar).
E a razão é bem simples e muito clara... com Rui Rio, desde 2018 (e não apenas agora, em Viana do Castelo) o Partido tem vindo a reencontrar o seu posicionamento ideológico ao centro (perdido, pelo menos, nos seus últimos anos: 2010-2018) e que alguns, poucos mas insistentes, tentam a todo o custo inverter; o Partido tem procurado encontrar forma de dignificar a política, seja por uma oposição crítica mas realista e consistente, seja pela sua transparência, ética e rigor, seja ainda por colocar os portugueses (todos) e o país em primeiro plano e prioridade; e, ainda, o Partido tem percorrido um sinuoso caminho na promoção de espaços de abertura à sociedade e à participação dos cidadãos na construção de um país bem melhor (e diferente)... pena é que muitas estruturas de base (concelhias) ainda não tenham compreendido a importância deste contexto para que o PSD volte a sedimentar-se nas freguesias, nos municípios, nas associações e instituições, no mundo laboral, nas escolas, no tecido comercial e empresarial (como foi a sua génese fundadora).

Por norma e pela tradição a intervenção do presidente do partido na abertura dos Congressos Nacionais é dedicada ao partido, essencialmente dirigida aos congressistas e militantes, com uma mensagem marcadamente interna.
Tal aconteceu com Rui Rio, ontem, em Viana do Castelo. Mas não só... para além do contexto, foi a forma soberba como o fez. Daí que o Congresso não precisasse de mais nada porque o discurso de Rui Rio foi cirúrgico, assertivo, preciso, rigoroso, político e ideologicamente importante, sem qualquer necessidade de fulgor e empolgamento mediáticos, de grandes rasgos retóricos (que, por regra, soam sempre a demagogia e falácia) ou de calorosas ovações. Para além de ter sido, ainda, inquestionável e necessariamente educativo, no que respeita à precisão com que o presidente do PSD focou os críticos e as facções internas.

Dividindo o excelente discurso de Rui Rio em três partes, estas traduzem e espelham as actuais necessidades do PSD face à actual conjuntura política e ao seu futuro no contexto nacional.

Primeiro, a avaliação dos exigentes desafios mais próximos (já em 2021): as eleições regionais nos Açores e as Autárquicas.
O PSD para se voltar a afirmar na sociedade e na política, para voltar a crescer, não pode descurar o que é a sua base estrutural: as aldeias, vilas, cidades, freguesias, municípios. No fundo... o Poder Local, principal barómetro da implementação nacional de um partido e o espelho do seu vigor e da sua aceitação na sociedade.
Dos importantes elogios ao trabalho autárquico e ao peso do Poder Local no desenvolvimento do país, Rui Rio deixou uma mensagem interna bem clara: não vale a pena quererem condicionar as escolhas de candidatos e listas à "pala" de um falso sentimento de unidade e coesão (algo que uma minoria tem andado a fazer - e não acredito que por aqui parem - desde 2018 porque perderam influência, carreirismo e palco político). Divergência de opinião não é o mesmo que falta de lealdade partidária ou ética política, de valorização de interesses pessoais ou corporativos. Felizmente, com Rui Rio, o principal critério nas escolhas autárquicas será o do mérito, do valor, da relevância, da seriedade e rigor, independentemente das divergências de opinião. De fora ficam os interesses pessoais, o 'amiguismo', o clientelismo, o carreirismo político, os fundamentados 'casos de justiça' (que infelizmente existem, contrariando os que acham que há demasiada judicialização da política).

Segundo, a mensagem "churchilliana"... o recado aos críticos internos.
Os que tanto clamam por unidade, por coesão, são aqueles que nestes dois últimos anos tudo fizeram para fracturar o partido, com um notório deplorável sentimento de ressabiamento, vingança e rancor.
O que temos assistido no PSD, desde a chegada de Rui Rio à presidência (2018), é o espelho da actualíssima expressão de Wilson Churchill em relação à disposição das forças políticas no Parlamento Britânico: "em frente sentam-se os meus adversários políticos... ao meu lado os meus inimigos".
Aqueles que tanto têm bradado aos ventos para que Rui Rio assuma claramente António Costa com um adversário e o foco da estratégia partidária do PSD, são os mesmos que, interna ou publicamente, têm feito do Presidente do PSD o seu alvo e foco principal, o seu verdadeiro inimigo.

Por último, e mais determinante, o reposicionamento do PSD, contra o esvaziamento e desvio ideológico que um passado bem recente (última década), que os críticos e oposicionistas internos (nos dois últimos anos) têm procurado impor, remetendo para o esquecimento, para a mera "gaveta" das recordações, toda a história e princípios estruturantes da fundação do partido protagonizados, entre outros, por Sá Carneiro (que injuriosamente aclamam). Contra os que afirmando ter-se fechado um ciclo político, remetem-se ao anonimato e à privacidade, mas que, a espaços, vão querendo "andar por aí" e vão surgindo publicamente nos momentos mais determinantes da vida do partido, expressando desejos e sonhos recentes de viragem para um vazio ideológico e programático.
Mais que interpretar conceitos e afirmações, nada melhor que reproduzir algumas excelentes e soberbas expressões que o discurso de Rui Rio trouxe a público.
Antes de mais, aos críticos e ao que foram muitas das argumentações eleitorais internas no final de 2019 e início de 2020.

«Podemos, até, ganhar eleições, mas tal não significa necessariamente que se tenha ganho o País. Ganhar os portugueses é conquistar o seu respeito e a sua confiança e não conseguir o seu voto, apenas porque eles acham que os outros são piores do que nós.
A frase que tantas vezes tenho citado, “Primeiro está Portugal, depois o partido e, por fim, a nossa circunstância pessoal” é o princípio que Sá Carneiro nos apontou, e que temos de ter sempre como pano de fundo de toda a nossa actuação política. Os partidos existem para servir o País, não existem para dar corpo às suas pequenas tácticas, nem aos interesses particulares dos seus dirigentes.»
«Em Portugal, (...) se berra mais alto, se diz mal de tudo o que o Governo faz, se não concorda com nada, então está a fazer uma verdadeira oposição. Se assim não é, se o faz com critério, coerência e elevação, então a sua acção política é fraca e a oposição muito frouxa. É isto que eu não quero que o PSD faça sob a minha liderança. Porque é esta postura, que foi descredibilizando a política ano após ano. Não adianta insistir na política do “bota-abaixo” e da critica sem critério nem coerência. Deixemos isso para os outros e portemo-nos nós com a elevação e a nobreza que a actividade política nunca devia ter perdido. Serve-se o País no Governo, tal como se serve o País na oposição. O nosso objectivo é Portugal, não é apostar no quanto pior, melhor. Somos oposição. Compete-nos enaltecer as diferenças relativamente ao Governo em funções, denunciar, com firmeza, as suas falhas e apresentar, com competência, políticas alternativas.»
«Não podemos ser contra ou a favor de uma ideia em função de quem a apresenta. Temos de tomar a nossa posição em função do mérito da mesma e não em função do seu autor.
É, pois, uma oposição credível e realista, aquela que o PSD fará ao Governo no mandato que agora se vai iniciar. Fazer o contrário, como alguns críticos internos defenderam e como tantos comentadores nos pretendiam ensinar, teria tido o mesmo resultado eleitoral que outros partidos tiveram, quando deram ouvidos a tais criticas e optaram por seguir as teses do politicamente correto.»

Por último, e verdadeiramente mais importante (no momento) a questão da ideologia.

«O PSD, tal como o seu nome indica, é um partido de ideologia social-democrata. Não somos, pois, a direita, nem somos a esquerda. Não somos liberais nem conservadores, assim como não somos socialistas nem estatizantes. Abarcamos todo o centro político ou seja, o espaço onde se encontra a esmagadora maioria das pessoas. Desde a nossa fundação, que apostamos em ter connosco os sectores mais moderados da nossa sociedade.»
«Somos um partido moderado, reformista e personalista. Rejeitamos o extremismo. Defendemos a via reformista como caminho para o progresso e para o desenvolvimento. Respeitamos a liberdade individual como elemento estruturante do rumo que cada um entenda dever dar à sua vida.»
«Disse Sá Carneiro no Congresso de 1978 em Lisboa: “Nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita.” Deslocar o PSD para a direita é desvirtuar os nossos princípios e os nossos valores e afunilar eleitoralmente o partido, em direcção a um espaço onde hoje já praticamente nada mais há para ganhar. Uma coisa é o PSD conseguir ser o líder de uma opção à direita da maioria de esquerda que nos tem governado, outra, completamente diferente, é sermos, nós próprios a direita.»

Portugal precisa do PSD. Seja na oposição ou no Governo.

publicado por mparaujo às 16:36

12
Jan 20

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Uma das principais virtudes de um verdadeiro líder é a sua elevação e grandeza nas vitórias e, igualmente, nas derrotas.
Algo que o discurso de Luís Montenegro não teve na noite eleitoral de ontem.
O que revela muito da sua ética política. Aliás, o que não se estranha desde o congresso de fevereiro de 2018. E, acredito, infelizmente, não irá parar por aqui.

Independentemente das regras em vigor (que obrigam a uma, "escusada", segunda volta... que em nada irá beneficiar o partido), só alguém com todo o topete político pode questionar uma vitória que ficou a cerca de 0,5% de uma clara maioria que terminaria, no sábado, o assunto das directas no PSD. Com topete e sem qualquer respeito democrático.

Mas o descaramento de Montenegro não fica por aqui. Há três notas nas suas afirmações que são demasiado graves, e falaciosas, para ficarem em claro.

Afirmou Luís Montenegro que "foram mais os militantes que votaram na mudança do que na continuidade". Não não foram...
A existência de duas candidaturas que se opuseram à reeleição de Rui Rio, significa tão somente que os 9,2% de militantes que votaram em Miguel Pinto Luz não votaram, de facto, na continuidade de Rui Rio mas também não quiseram a mudança de Luís Montenegro. A usurpação desses votos é, no mínimo, uma total falta de respeito pelo legítimo e democrático exercício de voto desses militantes.
Mas há ainda um facto curioso nesta afirmação de Montenegro, revelador da sua incoerência política e do seu jogo de pura demagogia eleitoral. Regressemos às legislativas de 2015. À data, PSD e CDS (PaF), foram a coligação mais votada nesse acto eleitoral. No entanto, a maioria dos portugueses elegeu uma Assembleia da República, maioritariamente, de esquerda (a tal 'geringonça'). Na altura Montenegro 'rasgou as vestes' ao criticar o que chamou de assalto ao poder por parte do PS e dos seu 'aliados', contrariando o que era a 'tradição' de constituição de um Governo pelo partido mais votado. Pois... a coerência é uma coisa chata mas não pode servir quando nos dá jeito. Luís Montenegro deita por terra qualquer seriedade e honestidade política ao usar, agora, os mesmos argumento do PS, BE e PCP na altura.

As Directas são eleições internas para a escolha do presidente do PSD. São, por isso, eleições que disputam projectos internos. Durante a grande parte, se não a maioria, da campanha eleitoral Luís Montenegro escolheu como alvo principal Rui Rio, acusando-o e criticando-o. Vir agora afirmar que o seu adversário é António Costa é, no mínimo, ridículo mas ao mesmo tempo revelador da sua obsessão pelo poder.
Pelo contrário, Rui Rio sempre manifestou e espelhou uma clara magnitude política: através do PSD, servir Portugal e os Portugueses.

Por último, Montenegro apresenta-se com uma presunção vencedora que se lamenta (para além de um erro político, mas isso já é problema seu).
Não é eticamente compreensível (e aceitável) que um político/candidato se apresente a um qualquer acto eleitoral como um anunciado vencedor ou, pior ainda, no caso de Montenegro afirmando (mais que uma vez) que ganharia as eleições de 2021 (autárquicas) e as de 2023, assumindo-se como Primeiro-ministro antecipado.
As eleições não se ganham previamente, não há vencedores antecipados. As eleições 'tentam-se' ganhar, conquistam-se. Primeiro, porque há um conjunto de factores que não se controlam ou que condicionam os actos eleitorais, como as conjunturas políticas. Segundo, e principalmente, porque ninguém é dono dos votos, o voto pertence à vontade e livre opção de cada eleitor.
Talvez por isso não seja de estranhar que Luís Montenegro tenha perdido, em Espinho, as eleições autárquicas de 2005 para o PS local (o socialista José Mota) e tenha perdido, agora, a primeira volta das directas no PSD, quando se apresentou, presunçosamente, como vencedor, com maioria (à 1.ª volta). Curiosamente, nem no distrito 'natal' (Aveiro), nem no Concelho de Aveiro onde encerrou a campanha e tão fervorosos adeptos tinha (ou como alguém referiu, numa das sessões de campanha, no Porto: "O Melhor de Aveiro" com Luís Montenegro).

Uma coisa Montenegro pode ter a certeza...
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) não querem um PSD esvaziados dos seus fundamentais princípios da social-democracia, fora do seu posicionamento ideológico (ao Centro) que Sá Carneiro tanto defendeu.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que não querem ver um PSD regressar ao sombrio e vazio tempo de 2010 a 2018.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que não aceitam que PSD ocupe um espaço político (perigosamente neoliberal) que não é o seu por natureza, que se confunda com CDS, Iniciativa Liberal, Aliança ou Chega.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que querem ver um PSD ao centro e que, dessa forma, contribua para o fim dos extremismos (à direita e à esquerda).
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa), o maior número, que entendem que Rui Rio é o líder certo para construir uma alternativa política a António Costa, capaz de defender Portugal e os Portugueses.

publicado por mparaujo às 21:17

10
Jan 20

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Ou como, facilmente, se atira a ética política para o lixo.

Nesta campanha para as eleições directas para a presidência do PSD já não bastava a bipolarização "pró ou contra" Rui Rio para termos assistido, desde a primeira hora, a um chorrilho de demagogias inconsistentes e incoerentes, nomeadamente por parte de Luís Montenegro.
À falta de uma alternativa consistente em relação à liderança de Rui Rio, à falta de uma argumentação sólida que colocasse em causa, de forma rigorosa, Montenegro refugiou-se numa estratégia baseada num pressuposto errado e falso: uma suposta (que nunca existiu, nem nunca foi anunciada) aliança ou submissão do PSD ao PS. Isso é uma pura falácia, engodo político, demagogia eleitoral e uma tentativa deplorável de denegrir o carácter e a imagem de Rui Rio.
Confundir "sentido de Estado" ou superior interesse do país e dos portugueses (incluindo todos os sociais-democratas com "muletas", "vassalagens", "submissões", é apenas irresponsabilidade política e partidarismo balofo.
Para além de desvirtuar, esgotar ou despojar o PSD da sua génese e posicionamento ideológico (bem definido por Rui Rio... ao CENTRO), é totalmente irracional a estratégica de Luís Montenegro de querer colocar o partido num espaço político liberal e conservador, perfeitamente alheio aos valores e princípios da social-democracia. Para isso já existe o CDS ou a Iniciativa Liberal, para isso já nos bastaram alguns anos de sacrifício partidário.

Mas a inconsistência da campanha e estratégia de Montenegro esteve também presente num conjunto de mensagens e afirmações incoerentes. Para além de não trazer nada de novo ao que é qualquer estratégia óbvia de liderança do partido (tal como sempre afirmou Rui Rio: ser Governo, ser alternativa ao actual estado do país, liderar o maior número de autarquias) Montenegro procurou dividir, criar a dúvida e desvalorizar a presidência e a actuação de Rui Rio. Basta recordarmos, como mero exemplo, a obsessão pela pressa na definição do sentido de voto do PSD em relação ao Orçamento de Estado. Mesmo que isso significasse uma tomada de posição sem qualquer fundamentação e argumentação válidas ou que soasse apenas a ruído político (muito à semelhança da identidade discursiva da esquerda).

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E é importante recordar a incoerência e a deriva política de Luís Montenegro: quando líder da bancada parlamentar do PSD, bem ao lado de Pedro Passos Coelho, o PSD anunciava, a 22 de fevereiro de 2016, o voto contra a proposta de Orçamento do Estado para 2016. Até aqui nada de anormal... apenas não fosse o caso da discussão o OE2016, na Assembleia da República ter início nessa mesma tarde. Nessa altura também não era enganar e iludir os sociais-democratas e os portugueses? Ou a realidade é só quando nos convém, tipo catavento?
Mais ainda... a tentativa de Luís Montenegro colar Rui Rio a António Costa, para além de ridículo, cai facilmente nas imensas contradições das posições do ex-líder parlamentar. É de uma enorme incoerência acusar Rui Rio para, publicamente, defender uma recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa depois de um mandato onde o Presidente da República andou com o Governo claramente "ao colo" e defendeu a união das esquerdas em torno do OE2020 e da sua aprovação.

Por isso...
contra o "ressaibismo" partidário...
contra a deterioração e esvaziamento programático do partido...
pela afirmação do PSD no centro da ideologia política portuguesa...
pela ética e responsabilidade políticas...
pelo rigor e firmeza na liderança partidária...
pela preservação dos valores e princípios da social-democracia...
por um PSD ao serviço de Portugal e dos Portugueses...

EU VOTO RUI RIO. Porque é a melhor liderança para o PSD... a melhor alternativa a António Costa... a melhor proposta para recentrar o PSD e devolver a sua relevância autárquica.

publicado por mparaujo às 21:06

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O Orçamento de Estado para o ano de 2020 entrou na sua fase de apresentação e discussão parlamentar com vista à sua (para já, garantida) aprovação na generalidade (globalidade).

BE, PCP, Os Verdes, Livre, PAN, a chamada "liga das esquerdas", anunciaram o seu sentido de voto: Abstenção.
António Costa e Mário Centeno, desde a primeira hora das abordagens ao OE2020,  apelidaram este Orçamento de continuidade (em função da anterior legislatura) e de esquerda.

Face às criticas e ao sentido de voto da "liga dos 5" percebe-se que a continuidade da Geringonça faliu e que o OE2020 diz muito pouco às Esquerdas. O resto não passa de jogo político porque também é mais que óbvio que o OE2020 irá passar na globalidade e especificidade na Assembleia da República.

Tretas, portanto.

publicado por mparaujo às 17:10

04
Jan 20

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(créditos da foto: Estela Silva / LUSA)

Por tradição (mesmo que sem nexo aparente) o dia 1 de abril, considerado o 'dia das mentiras', é a altura do ano onde cabe o engodo com base numa inocente partida, mentira ou piada.

O Bloco de Esquerda conseguiu quase tudo isso antecipando o dia 1 de abril para hoje (4 de janeiro).

A piada, à qual podemos juntar a demagogia populista (há quase tudo de tão populista no discurso político e nas opções política do BE como no perigoso populismo da extrema-direita), está feita no anúncio público de Catarina Martins: o Bloco de Esquerda não vai votar favoravelmente o Orçamento de Estado para 2020.

Tretas...

O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que aritmética partidária na Assembleia da República é muito favorável ao PS e ao Governo de António Costa, apesar de não terem maioria absoluta.
O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que a conjuntura vivida na anterior legislatura não é repetível nos próximos 4 anos porque o PS já não precisa do BE e do PCP de forma tão intensa e estreita.
O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que todo o discurso que tem proferido não passa de uma falácia e um mero bluff. O facto de não votarem favoravelmente não tem impacto rigorosamente nenhum já que é mais que óbvio que o BE se vai abster na votação, abstenção essa que é mais que suficiente para que o OE2020 seja aprovado.
O Bloco sabe muito bem, e tenta tudo para o disfarçar, que os últimos quatro anos da coligação "Geringonça" foram apenas um jogo político (para afastar o PSD da governação), sem qualquer vantagem para o país e para os portugueses, e sem 'frutos partidários' para o BE e PCP (antes pelo contrário como espelham os críticos internos no BE ou o resultado eleitoral do PCP). Como resultado, bloquistas e comunistas sentem-se agora meras marionetas e que foram politicamente usados pelos socialistas.
O Bloco sabem muito bem que, votando contra o OE20202, seria politicamente muito difícil justificar e sobreviver a um novo "2011". Repetir a 'história' seria um suicídio partidário.

Portanto, todas as críticas ao Governo e ao PS, bem como ao OE2020 (que é uma continuidade do que foi a anterior governação... sem tirar nem pôr) não passa de demagogia política para convencer o seu eleitorado e para se desresponsabilizar, perante os portugueses, do actual e futuro Estado da Nação.

Não façam é dos portugueses parvos... porque cada vez há mais memória política colectiva.
E o Bloco de Esquerda, tal como o PCP, são corresponsáveis (nem que seja por omissão) pelo estado do país.

publicado por mparaujo às 23:43

15
Dez 19

É mais que inquestionável que a ausência de ética na política e nos políticos tem sido determinante para a deterioração do seu nobre exercício e para o aumento do fosso da relação/ligação entre eleitor e eleito (basta olharmos para os diversos "casos de justiça" ou para a recente e urgente necessidade sentida pelo "poder político" em mitigar e combater a corrupção, por exemplo, por via jurídica). Seria extenso e fastidioso elencar os inúmeros exemplos que retratam esta realidade que, infelizmente, apenas tem merecido especial atenção em processos eleitorais muito por força das elevadas taxas de abstenção (recentemente: europeias, 69,27% ,e legislativas, 51,43‬%).

Mas nem só a questão ética merece relevância na degradação ou desvalorização da política, dos partidos e dos políticos. Ao tradicional "o que hoje é verdade, amanhã é mentira" assistimos a um aumento significativo de discursos, atitudes, decisões carregados de contradições entre princípios ideológicos e programáticos e opções políticas que são tomadas.

Os primeiros exemplos surgem com o Orçamento de Estado 2020.
Primeiro, começa a ser dramático e revoltante a demagogia e a falácia discursiva do BE e do PCP sobre o seu sentido de voto em relação ao OE2020. Não vale a pena quererem transformar o povo, nomeadamente os eleitores, em cidadãos estúpidos. A iliteracia política do pós 25 de Abril, numa conjuntura e realidades sociais muito peculiares para quem saía de uma ditadura de 48 anos (1926 a 1974), já lá vai. À velocidade que corre a informação e a facilidade com que se acede à mesma torna, no mínimo, os portugueses mais despertos para a realidade. Não vale a pena, por isso, derramarem lágrimas de crocodilo ou verterem para a imprensa populismos demagogos: PCP e BE vão permitir a aprovação do OE2020, critiquem o que quiserem criticar em relação aos grandes poderes, aos mais pobres ou à luta das classes. Entre a abstenção ou o voto a favor, venha o diabo e escolha. PCP e BE não têm nem coerência política, andaram 4 anos a enganar o seu eleitorado, a proferir discursos que não condizem com os princípios e os programas que defendem. Este é só mais um exemplo, um claro déjà vu.
Segundo, porque esta questão da incoerência é, obviamente, transversal, a recente entrada liberal na Assembleia da República não foge à regra. A Iniciativa Liberal, mais propriamente o seu único deputado eleito - João Cotrim, já anunciou o seu sentido de voto em relação ao OE2020: contra. Argumento: um simples e vago "Estado a mais". Este fundamentalismo neoliberal atentador da sustentabilidade das funções Sociais do Estado, para além de perigoso, quer do ponto de vista político, quer social, (perigo patente, igualmente, no processo eleitoral interno do PSD com as candidaturas anti-Rio), é deplorável. E, no caso de João Cotrim, uma triste demagogia e incoerência. Basta recordar-nos que durante 4 anos, entre 2013 e 2016, o deputado da Iniciativa Liberal foi presidente do Conselho-Diretivo do Turismo de Portugal, entidade pública totalmente beneficiária da subsidiação do Estado e de Fundos Comunitários. Além disso, esteve envolvido, em 2015, nas negociações que fixaram, em Lisboa, a Web Summit, à custa de um enorme esforço orçamental para o país e para os portugueses devido ao enorme investimento do Estado. Aliás... demasiado Estado, Estado a mais. De coerência argumentativa estamos conversados quanto a liberalismos elitistas e urbanos.

Mas a questão não se compagina apenas às posições sobre o OE2020.
Espera-se que a Assembleia da República seja, por si só, a "casa" da democracia e o expoente máximo da nobreza do exercício político. Aqui cabe, por diversos contextos, o verdadeiro sentido da liberdade de expressão e opinião.
Neste âmbito, não me parece que a segunda Figura de Estado da República Portuguesa tenha prestado um bom serviço à promoção e valorização da política e do papel do Deputado, na polémica em que se envolveu com André Ventura (deputado do partido Chega).
Durante o debate de quinta-feira, na Assembleia da República, sobre a problemática do amianto nas Escolas (tema levantado pelo PSD), Ferro Rodrigues interrompeu e advertiu André Ventura por este ter usar (na sua intervenção fê-lo por quatro vezes) desmaiadas vezes as expressões "vergonha" e "vergonhoso": «utiliza com demasiada facilidade as palavras vergonha e vergonhoso, o que ofende muitas vezes este parlamento e ofende-o a si também». Ao caso, o Deputado do Chega afirmava que «era vergonhoso haver dinheiro para tudo, incluindo para “subvenções vitalícias, mas não haver dinheiro para a remoção do amianto. Uma vergonha!».
Não nutro qualquer tipo de simpatia por André Ventura, muito menos pelo Chega, antes pelo contrário; tenho até alguma repulsa. Mas custa-me perceber o porquê da atitude recriminatória de Ferro Rodrigues e não consigo compreender como é que "vergonha" e "vergonhoso" é uma ofensa ética e moral à Assembleia e aos Deputados. E acima de tudo a situação mediatizada só permitiu a André Ventura e ao Chega ganharem protagonismo e palco público.
Mas há mais... acima de tudo não percebo a incoerência do Presidente da Assembleia da República (já para não falar do lamentável aplauso socialista, um partido que se diz tão defensor das liberdades de abril e, concretamente, da liberdade de expressão).
Se formos pesquisar os documentos e registos das intervenções parlamentares (algo que o Observador se deu ao trabalho) os números são curiosos. Na última década (duas últimas legislaturas, 2009 a 2019) "vergonha" e "vergonhoso" foram usadas foi usada 2198 vezes: 259 pelo PS, 371 pelo PSD, 594 pelo PCP, 359 pelo Bloco, 264 pelo CDS-PP, 120 pelo PEV e 2 pelo PAN. Na última legislatura, em que Ferro Rodrigues também foi o Presidente do Parlamento, a palavra “vergonha” foi usada 710 vezes. Ou seja, demasiadas vezes, sem uma única reprimenda.
Como diria um determinado deputado da Assembleia da República, recentemente eleito... "uma Verg....!".

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(cartaz do partido Chega colocado, após polémica, nas imediações da Assembleia da República)

publicado por mparaujo às 22:12

08
Dez 19

O que se passa no Livre daria claramente para um estudo de caso no âmbito de qualquer dissertação, tese de mestrado/doutoramento ou processo de investigação na área das Ciências Políticas.

Em plena crise interna, estrutural e partidária, principalmente nos momentos mais particulares e onde a coesão só faria todo o sentido, um dos fundadores e principal rosto do Livre, Rui Tavares (que até admiro/respeito) e a deputada Joacine Katar Moreira, tendem a concordar discordando.

Enquanto Rui Tavares, à entrada para a reunião da Assembleia, admitia «dificuldades e erros», adiantando que «todos os partidos têm conflitos, o que os distingue é a forma como os resolvem», já Joacine Moreira afirmava que «não existe conflito absolutamente nenhum. Há uma relação de diálogo e entendimento e é sobre isso que iremos falar». Ou seja, para a deputada única do Livre, reuniram-se num domingo de manhã, em pleno outono cinzento, frio e molhado, como quem foi à missa dominical.

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(© André Kosters /Lusa)

publicado por mparaujo às 14:17

26
Nov 19

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Enquanto muitos se "deslumbraram" com deambulismos sobre a gaguez da deputada Joacine Katar Moreira e a saia do seu assessor parlamentar, foi-se secundarizando a questão principal: a mensagem (o seu conteúdo e não a forma) político-partidária.
A isto pode-se acrescentar o amadorismo político e o ego e deslumbramento parlamentares da deputada eleita que prejudica, notoriamente, o Livre. Mas isso é, obviamente, um problema do partido que, diga-se, não está isento em toda esta problemática da relação com Joacine. Um problema que deveria ter sido resolvido "à porta fechada", internamente, e não na praça pública, com danos colaterais que provocam danos na imagem do partido.
Mas, repito, esse é um problema do Livre, da sua direcção, de Joacine Moreira e de Rui Tavares. E importa referir que a abstenção em relação à condenação da Assembleia da República (proposta pelo PCP) da intervenção de Israel na Palestina não é, de todo, mais grave do que o Livre ter perdido (por ter ultrapassado os prazos definidos) a oportunidade de agendamento de um Projecto sobre a Lei da Nacionalidade.

Já o reflexo de toda esta embrulhada na democracia portuguesa é muito mais abrangente e diz respeito a todos, nomeadamente à política: leva-nos a uma reflexão (ou à necessidade de reflectirmos) sobre a actual Lei Eleitoral.
Há uma enorme incoerência no processo eleitoral e num perigoso esvaziamento do sentido e princípio colectivo da política a favor do egocentrismo político e pseudo-representativo.
O sistema eleitoral português ( seja no legislativo/nacional, como no autárquico/local) assenta na representatividade democrática das listas uninominais onde, ao contrário do que é senso comum, se vota nas pessoas e não nos partidos. Isto faz com que o eleito seja o legitimo detentor e tutelar do voto. Não há nada de mais hipócrita e perverso neste processo (para isso mais vale avançar para os círculos uninominais): os eleitos/candidatos concorrem sob o símbolo e um programa político de um determinado partido ou movimento... não concorrem de forma individualizada (isso acontece nas presidenciais). No entanto, em casos como o de Guterres e o "Queijo Limiano", mais recentemente com Paulo Trigo Pereira e o PS, e agora com Joacine Moreira e o Livre, os eleitos acabam donos dos seus lugares e só os abandonarão por vontade própria (por mais "expulsões" internas que os partidos promovam).
E é isto que traz o maior desconforto político ao Livre (agravado pela condição de deputada única), sem capacidade de reacção a afirmações como "Isto é um golpe e a minha resposta é esta: não sou descartável e exijo respeito", "Fui eu que ganhei as eleições, sozinha, e a direcção quer ensinar-me a ser política (como se qualquer um de nós não estivesse em permanente aprendizagem, principalmente quando se começa um novo desafio)". Com responsabilidades acrescidas para o próprio partido e, concretamente, para Rui Tavares, face ao processo interno, mais anárquico que democrático ou participativo, das eleições primárias para a elaboração de listas de candidatos. Ao contrário do que o Livre tentou fazer passar na sociedade, este é um processo mais perverso do que democrático e livre, que mais não seja porque liberta qualquer eleito nas primárias da "relação programática e ideológica" face ao partido.

publicado por mparaujo às 22:51

03
Nov 19

O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, no período de governação de Passos Coelho, já tinha anunciado a sua intenção de se candidatar ao lugar de Rui Rio (apesar, e sublinho apesar, do lugar de Rui Rio nunca ter estado disponível ou vago).
Nesta sexta-feira formalizou oficialmente a sua candidatura e abriu a campanha eleitoral, mas tal como surgiu o seu sonho (espera-se que não passe disso), também aqui da pior forma.

Já não bastava o manifesto desígnio de querer desvirtuar programática e ideologicamente o partido, posicionando-o onde ele nunca deveria ter estado em 2005 e, muito menos, entre 2010 e 2018 - no perigoso liberalismo, balofo conservadorismo e à direita (no espaço do CDS e, recentemente, do Aliança, da Iniciativa Liberal ou do, pasme-se, Chega) - vem agora, Luís Montenegro, de forma egocêntrica assumir-se como o centro e o sol do PSD (é o novo Luís XIV do partido - "Le PSD c'est moi!"). Não... não é. O PSD são os militantes, é a estrutura democraticamente eleita de forma pluralista (basta recordar a composição do Conselho Nacional e o número de apoiantes de Santana Lopes), é a sua comissão política nacional e o seu (actual) Presidente. O resto cheira a tomada de poder, a ressabiamento, a falta de sentido colectivo e democrático.
Mas há mais... é, no mínimo, politicamente desonesta toda a argumentação e demagogia usada por Luís Montenegro. Um partido forte, afirmando-se como alternativa ao PS (sem precisar de se "negar ideologicamente") e à actual governação, um PSD cheio de força (e obviamente uma força que só pode vir de dentro) é o que Rui Rio está a fazer (e bem) desde que chegou à presidência, em 2018.
Além disso, ao contrário do que é o foco central da frágil mensagem de Montenegro, quem está verdadeiramente obcecado pelo PS é o agora candidato oficial às directas de janeiro. É uma tentativa baixa de denegrir a liderança de Rui Rio ao confundir "vassalagem" com os superiores interesses do país e insistir, de forma continuada e persistente, na colagem de Rio ao PS. E esta é uma grande diferença: o sentido de responsabilidade política, de verdade política, de rigor e transparência, do respeito por todos os cidadãos, nomeadamente os sociais-democratas.

É, e sempre foi, óbvia a chegada de Luís Montenegro na actual conjuntura político-partidária: desde o Congresso, em 2018, até à surreal e absurda tentativa de destituição, em janeiro de 2019. E politicamente hipócrita a sua aparição na campanha eleitoral legislativa, claramente como prova de sobrevivência partidária e como tentativa de recolher palco mediático. Aliás, basta tomar como exemplo o recente debate parlamentar de discussão do Programa do XXII Governo (já lá iremos), apresentado, esta semana, na Assembleia da República. Luís Montenegro, lamentavelmente, não foi capaz de ter, no mínimo, o respeito institucional de reconhecer a excelente prestação parlamentar de Rui Rio e da bancada do PSD (como, por exemplo, Fernando Negrão). Algo que se ouviu da boca de Miguel Pinto Luz que elogiou a prestação do partido no debate do programa do Governo.
Esta falta de respeito político é de tal forma marcante em Luís Montenegro que teve o desplante e o topete de apelidar como "sua" a bancada parlamentar eleita no mês passado. Pena é que (ou se calhar, até, felizmente) não tenha o mesmo sentimento partidário para com um líder (independentemente de se gostar ou não... realidade que existe desde a fundação do partido com cada passagem de liderança) democraticamente eleito por maioria da vontade expressa dos militantes do PSD.

Mas pronto... regressou o PSD do "saco de gatos", da fobia pela cadeira do poder da São Caetano, na Estrela (sempre tão apetecível).
À apresentação oficial de Luís Montenegro - "A força que vem de dentro" - só faltou mesmo a musica de fundo com o tema da Nelly Furtado... "como uma força..." ('Força'). Ficava o quadro bem completo.

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publicado por mparaujo às 12:34

21
Out 19

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(fonte da foto: RTP online)

Porque é que Rui Rio é importante para o PSD?
Questão mais que pertinente em fevereiro de 2018 e que se volta a colocar hoje, após o anúncio da sua recandidatura à liderança do PSD (directas previstas para janeiro de 2020).

Embora possa influenciar a resposta, não é, de todo, apenas pela personalidade de Rui Rio. Será sempre um factor discutível, como será na avaliação da personalidade de qualquer líder e a sua liderança.
Essencialmente, o grande valor de Rui Rio está na capacidade de trazer de volta a génese política e dogmática do partido (reposicionar programaticamente), afirmando e confirmando, claramente, o seu princípio social-democrata.

Foi, por isso, com especial agrado que o anúncio público da sua recandidatura à liderança do PSD confirmou esta realidade: a defesa e afirmação da social-democracia e o posicionamento do partido no centro político português (de onde não devia, nunca, ter saído há uns anos), ganhando aí o seu lugar ideológico e programático, o seu eleitorado e consolidando-se como (a única) alternativa governativa.

Do discurso de Rui Rio, hoje, no Porto, há duas afirmações que merecem nota de destaque, pelo valor político que enraízam, externa e internamente (muito mais importante, face ao "oposicionismo" egocêntrico que vai latejando):  "o PSD não pode ser uma força partidária ideologicamente vazia e liberal” e (refutando as críticas de Teresa Morais - enfim... - que afirmou que "Rui Rio não gosta do PSD") "de facto não gosto... não gosto do que vejo nos partidos, incluindo o meu" (recordando os que tanto criticaram e acusaram o PS, em 2014, de "atentado político" a António José Seguro, para em janeiro deste ano tentarem o mesmo ou ainda pior).

É esta a importância que o actual líder do PSD tem para o futuro do partido: o 'regresso' à social-democracia e ao centro e uma forma de fazer e estar na política de maneira séria, ética, contra o politicamente correto e sem cinismos. Infelizmente e lamentavelmente há quem confunda isto com uma (suposta) subalternização ao PS... puro engano. O que há, e o país e muito sociais-democratas agradecem, é uma subalternização do PSD a Portugal... porque Primeiro está Portugal (37.º congresso nacional - 2018).

Todo esta conjuntura política interna faz-me sempre recordar Sá Carneiro, principalmente pela "desonestidade política" com que tantos críticos de Rui Rio e supostos "salvadores da pátria e do reino" invocam o seu nome (em vão).
É nesta alturas que a hipocrisia política não pode ser tolerada e recordar, sem qualquer constrangimento político ou ideológico, sem medo das palavras e dos conceitos, algumas das (fortes) afirmações políticas e parlamentares de Francisco Sá Carneiro:
"Nós, Partido Social Democrata, não somos nem seremos nunca uma força de direita".
"A social-democracia é desejável para Portugal pois é, até hoje, a única via experimentada na Europa que tem conseguido caminhar para a igualdade sem violação da liberdade".
E ao contrário da demagogia e populismo de Catarina Martins (BE)...
"O socialismo democrático [social-democracia], na Europa, enraíza na ética cristã, no humanismo e na filosofia clássica". E sem "medos"... "Somos socialistas porque somos sociais-democratas, mas somos socialistas sem subordinação a dogmas marxistas, muito menos leninistas, sem subordinação a dogmas de apropriação colectiva dos meios de produção".

Com Rui Rio o PSD pode voltar a ser um partido social-democrata, na sua raiz, e ao centro... sem precisar de "liberalismo de iniciativa questionável" ou de "alianças afundadas". Para isso e esses... CHEGA!

publicado por mparaujo às 23:16

03
Out 19

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Nem sempre a morte de uma figura política (seja nacional ou não) se reveste de consensos, independentemente do respeito.
Curiosamente (ou não), no caso do falecimento de Freitas do Amaral a excepção confirma a regra: PCP reconhece o peso histórico de um dos quatro "pais" da democracia; o BE elogia a vertente humanitária e a defesa dos valores fundamentais dos direitos humanos; o PS destaca o seu papel de grande estadista; algo que é ainda mais valorizado pelo PSD, juntado-lhe a função de aliado político. A sociedade ainda lembra o seu fulgor europeísta e a sua passagem pela presidência da Assembleia Geral da ONU.
E o CDS? Se no contexto do reconhecimento público e histórico da relevância política de Freitas do Amaral na fundação e percurso da democracia portuguesa, seria de esperar que o partido que fundou, juntamente com Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta, Morais Leitão, entre outros, tivesse, neste dia, a mesma reacção das restantes forças políticas e das várias personalidades que se juntaram a este pesar, já se afigura estranho o lamento público que se assemelha a um "mar de lágrimas de crocodilo", com tamanhas referências ao papel de fundador e de mestre político para os líderes centristas.

É que importa recordar que não é assim tão distante o ano de 2005 e a forma deplorável e condenável como o CDS tratou o seu fundador quando Pedro Mota Soares, mandou retirar o retrato de Freitas da sede centrista, no Largo do Caldas, em Lisboa. Nesse momento, toda a história e o peso político de Freitas do Amaral foi esquecido e quase apagado.

O que a vida separou a morte juntará? Infelizmente, parece que é uma realidade histórica. É quase sempre assim, em inúmeras vertentes (na política, no social, na cultura, etc.).
Mesmo assim... nem tudo é tão claro. Até ao momento, o CDS confirmava que iria manter a agenda da campanha, mas “com sobriedade”. Seja lá o que isso signifique.
Fica-lhes o exemplo de dignidade política: o PSD cancelou o que é, por norma, um dos pontos (ou o ponto) mais alto das campanhas eleitorais - o comício de encerramento (que estava marcado para o Largo do Carmo, em Lisboa, amanhã - sexta-feira - à noite). Exemplos.

publicado por mparaujo às 22:43

25
Set 19

Os resultados do recente processo eleitoral na Madeira têm leituras que mostram uma diversidade de "estados de alma" e distintas interpretações que acumulam vitórias e derrotas numa mesma análise.

Registo, numa primeira abordagem, para o aumento do número de votantes e para a consequente diminuição da taxa de abstenção que condicionou, em parte, os resultados finais.

Contra a vontade de todos os outros partidos candidatos, sem excepção, o PSD ganhou as eleições regionais na Madeira com 39,42% dos votos expresso, elegendo 21 deputados.
Apesar de ter, pela primeira vez em 43 anos, perdido a maioria, a verdade é que foi o partido vencedor e tudo indica para que continue a governar a Madeira.
Mas há ainda outro dado importante. Embora tenha perdido a maioria, obtido menos 4,93% dos votos, em relação a 2015, em termos absolutos, o PSD perdeu apenas 121 votos expressos.

Em relação ao PS, que nestas eleições conquistou mais 36.633 votos, mais 24,33% que em 2015, é clara a sua subida eleitoral, mesmo que isso não signifique uma maior representatividade do partido na Madeira, já que é claríssima a transferência de votos do BE, da CDU e do Juntos pelo Povo (JPP) nas urnas.
Para além disso, os resultados espelham um sabor agri-doce, uma manifesta "morte na areia da praia": os socialistas não venceram as eleições e não retiraram o PSD do poder (apesar do forte investimento político e de recursos).
Mais ainda... com as enormes derrotas da CDU e do BE (menos 4.483 votos e menos 1 deputado, e menos 2.361 votos, com 0 deputados, respectivamente) e uma clara transferência de eleitorado proveniente do JPP (menos 5.284 votos e menos 2 deputados), o PS não ganhou, não obteve uma maioria absoluta tão desejada e planeada, não retirou o poder ao PSD e, ainda, não conseguiu projectar para o arquipélago o quadro político do continente patente na geringonça.

Curiosamente, quem mais aclamou vitória foi o CDS, um dos partidos que mais perdeu nas eleições (menos 9.243 votos e menos 4 deputados).
O facto é que este partido da direita acaba por ter a "faca e o queijo na mão", sendo a porta da continuidade do PSD na liderança governativa do arquipélago ou a mudança da conjuntura política insular. E tal como acontece no continente, o CDS mantém-se à "boleia" do poder desde 1974.

Não sendo previsível que o CDS insular crie uma crise partidária interna, o mais provável, com maior ou menor negociação política, é que o PSD tenha o apoio dos centristas para governar a Madeira, com apoio parlamentar ou, até, com a cedência de cargos governativos.

Mas a principal leitura dos resultados das Eleições Regionais na Madeira é a notória perda eleitoral da esquerda (por exemplo, a perda de todos os deputados bloquistas) e a incapacidade de repetir o que António Costa conseguiu em 2015: o afastamento do PSD e do CDS do poder e uma aliança das esquerdas.
Um mau presságio para as legislativas de 6 de outubro? A ver vamos...

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publicado por mparaujo às 21:32

28
Jul 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".
Desbloqueador de frases públicas.

  • Ministra Marta Temido encabeça lista do PS pelo círculo de Coimbra.
    A ministra da Saúde, Marta Temido, vai encabeçar a lista socialista pelo círculo eleitoral de Coimbra nas próximas eleições legislativas, disse à agência Lusa a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes.
    Fica apenas a questão: o PS abdicou de tentar ganhar em Coimbra?
  • "Prender médicos só se for com laços de amor".
    Ministra da Saúde diz que lógica de grilhões ou prisão não é a tónica das medidas que estão a ser estudadas pelo Ministério para fixar médicos no Serviço Nacional de Saúde. (jornal I)
    No que toca a enfermeiros (nomeadamente os da Ordem) é "grilhá-los" à vontadinha.
  • Ministra da Saúde diz que transformar SNS "é o grande desafio" do futuro. (TVI24)
    Sim... porque em relação ao presente, pior é difícil de conseguir.
  • Mário Centeno entre os favoritos para suceder a Lagarde no FMI.
    Se tal se concretizar, eis o dia em que a esquerda da Geringonça (BE, PCP, Verdes) engolem o maior sapo do mundo. De uma só "dentada". Tudo o que diabolizaram na Troika caiu-lhes no colo, com a assinatura do PS, Governo e do Ministro das Finanças.
  • Costa promete aumentar salários na função pública. (Expresso)
    Como em tantas outras medidas anunciadas e prometidas (atiradas para as Calendas Gregas), António Costa só não disse foi quando, como, nem quanto. Populismo (também) é isto.
  • "Gestão danosa" na Caixa gera discórdia na Comissão de Inquérito. (Diário de Notícias)
    Inclusão da expressão "gestão danosa" no relatório final da Comissão de Inquérito à gestão da CGD provocou críticas por parte do Bloco de Esquerda e do PS.
    Como em causa está um período negro da história da governação socialista, fiquemos pelas deambulações políticas.
    Se fosse uma governação da direita só não havia "cadeira eléctrica" porque (felizmente) a pena de morte em Portugal foi abolida em 1852, curiosamente para "crimes políticos".
    Mas até aqui, nada de novo. As Comissões Parlamentares de Inquérito nem para atribuição de responsabilidades políticas servem... apenas de palco mediático político-partidário. Recordo uma em particular: Comissão Parlamentar de Inquérito do caso Camarate... só foram 10 (se bem me lembro).
  • "Quase metade dos manuais escolares são reutilizados", diz Ministro.
    O mesmo significa dizer, Sr. Ministro, que mais de metade dos manuais não são reutilizáveis. Ou seja..."mais de metade do copo está "meio cheio".
  • Donald Trump: "Não tenho um osso racista no meu corpo". (revista Sábado)
    Alguém que informe o "inquilino" da casa Branca que o racismo não é um problema de cartilagem, mas sim de consciência, personalidade (ou falta dela) e mentalidade (triste e mesquinha, claro).

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publicado por mparaujo às 22:28

23
Jun 19

há finais felizes...
e também há notícias felizes.

«António Capucho deve regressar ao PSD até ao início da campanha eleitoral», entrevista à Rádio Renascença.

Pessoalmente, o dia de hoje está repleto.

Espero que não demore muito tempo para poder dizer: «seja bem-vindo... bom regresso a 'casa'». Faz falta... faz-nos muita falta.
Mesmo que em 2017 a vontade fosse outra, compreensivelmente.

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(José Carlos Carvalho, in Expresso online)

publicado por mparaujo às 21:48

10
Jun 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".
Desbloqueador de frases públicas.

  • Numa primeira reacção à notícia divulgada pelo jornal Público que dava conta que Vítor Constâncio terá dado luz verde para que Joe Berardo pudesse levantar 350 milhões da Caixa Geral de Depósitos, o ex-Governador do Banco de Portugal afirmou, no twitter: "não tenho memória disso". Acrescentando ainda: "(...)nem de nada do género que tenha acontecido há 15 anos".
    Percebo claramente Vítor Constâncio. Às vezes empresto livros, cd's, tupperwares, ... e se não mos devolvem nunca mais me lembro a quem emprestei. É claro que também nunca emprestei mais que 5 euros....
  • Segundo o jornal Público, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, respondeu ao Observatório Técnico Independente, criado (em 2018) para acompanhar os incêndios florestais, afirmando que "o Governo presta conta dos fogos à Assembleia da República".
    Para além de uma verdade "la Palice" (porque o Governo tem que prestar todas as contas à Assembleia da República) é bom que o senhor ministro não se esqueça que o Governo também tem que prestar contas dos incêndios aos portugueses.
  • A propósito do eventual desaparecimento de cerca de 170 obras de arte da colecção pública, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmou, há uma semana, que "algumas obras da colecção de arte contemporânea do ministério que tutela precisam de uma localização mais exacta".
    Não há dúvidas... o Estado, o Governo, o Ministério da Cultura não sabe mesmo o paradeiro das 170 obras de arte das quais é proprietário. Uma sugestão à senhora ministra: talvez seja boa ideia começar a procurar nos gabinetes ministeriais... quem sabe??!!
  • O dirigente socialista Pedro Nuno Santos defendeu publicamente, no rescaldo dos últimos resultados eleitorais europeus, que o PS devia assumir na Europa uma tensão permanente face aos liberais.
    Pois... esqueceu-se foi de enviar a mensagem a António Costa. É que na Europa de 2019 assiste-se a um projecto de coligação entre, precisamente, Socialistas e Liberais. Basta olhar para a estratégia conjunta de Macron e Tsipras (por mais que doa ao Bloco de Esquerda, principalmente à Marisa Matias).
  • O deputado do PS, Fernando Anastácio, foi o responsável pelas negociações do aumento de salário dos juízes, que pode agora ultrapassar o valor auferido pelo primeiro-ministro. Mas não vê qualquer impedimento, ao caso, no facto de ser casado com uma juíza.
    Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço (principalmente fora do Hemiciclo).
  • António Costa elege como prioridades o combate à corrupção e investimento nos serviços públicos.
    Calma, não atirem já os foguetes... é só para a próxima legislatura. Até lá, muita água pode continuar correr, por baixo dos moinhos, e o ministro Mário Centeno pode manter as "suas" cativações, nem que seja, por exemplo, à custa da saúde (e nalguns casos, a vida) dos portugueses.
  • Face a relatórios vindos a público e que "condenavam" a gestão do Hospital, a ministra da (pouca) Saúde, Marta Temido, afirmou que foram as necessidades da população que levou à não renovação da PPP com o Hospital de Vila Franca de Xira.
    A questão é simples: a ministra ouviu as gentes de Vila Franca de Xira? É que, fazendo fé nas palavras do autarca daquela cidade ribatejana (por sinal eleito pelo PS), que foi ao Parlamento defender o trabalho desenvolvido pelo Hospital, a decisão parece precisamente contrária às vontades da população.
  • Há alguns dias, depois de comprovado o caos, o Governo pediu desculpa pelo funcionamento deficiente e inaceitável dos transportes públicos (nomeadamente a CP ou outros serviços na área metropolitana de Lisboa).
    Já diz o povo: "as desculpas não se pedem, evitam-se". E muito poderia ser evitado se a maior preocupação do Governo não fosse o populismo (e a injustiça nacional) do preço dos bilhetes e passes, mas sim um investimento em políticas de mobilidade e em melhores serviços de transporte. Aos quais se podem adicionar os inquestionáveis esforços que muitas autarquias, de norte a sul, do litoral ao interior, fazem para que as suas populações tenham o mínimo de condições de mobilidade.
  • António Costa, após as eleições europeias, destacou a vitória dos parceiros de governação (geringonça), em conjunto com a do PS.
    Ora... de repente, o PCP viu-se afastado da coligação parlamentar das "esquerdas (des)unidas". Isso, ou António Costa antecipa já a próxima legislatura e já substituiu (se ganhar) o PCP pelo PAN.

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publicado por mparaujo às 16:14

09
Jun 19

Screenshot_2019-06-09 ''O Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ontem, na feira Nacional de Agricultura, em Santarém, que "o Presidente da República é um árbitro".

Isto a propósito da polémica afirmação do Presidente da República, numa intervenção, no passado domingo, no rescaldo das eleições europeias, proferida na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. À referência de poder haver "uma forte possibilidade duma crise na direita portuguesa nos próximos anos", acrescentou ainda o argumento que Portugal tem agora "uma esquerda muito mais forte do que a direita" e que "o que aconteceu à direita é muito preocupante".

Ora... seja ao Presidente da República, seja a um árbitro (em qualquer modalidade desportiva), o que se pede no exercício das suas funções é que seja, no mínimo, isento em relação aos protagonistas, quer político-partidários, quer adversários desportivos.

No caso em apreço, Marcelo Rebelo de Sousa não só extravasou (e muito) as suas competências/funções presidenciais (não esqueceu o seu papel de comentador e criador de factos políticos), como, passada apenas uma semana, caiu numa enorme contradição: “[o árbitro] De vez em quando chama a atenção de um jogador ou outro para evitar ter de lhe dar cartão amarelo, para ter de evitar marcar faltas, mas o ideal é o árbitro não ter de intervir". O ideal seria mesmo isso. Só que neste caso, Marcelo não chamou a atenção do jogador A, B ou C... na prática, o que fez foi mesmo intervir (e publicamente, mesmo que em inglês).

Mas o que está em causa nas declarações do Presidente da República não é a sua repentina preocupação com a direita, a oposição à actual maioria de esquerda ou qualquer análise eleitoral face aos resultados das Europeias 2019. Até porque, apesar dos apelos que antecederam o ato eleitoral, não vimos a mesma preocupação de Marcelo pela enorme taxa de abstenção (a terceira mais alta dos 27 países da UE, incluindo (ainda) o Reino Unido). Isso sim, é uma crise do sistema político (e não apenas dos partidos) que nos deveria preocupar a TODOS, incluindo (e principalmente) o Presidente da República. Já para não falar no (in)suspeito (em alguns contextos "à la carte") diploma do Código de Conduto dos Deputados à Assembleia da República ou nos recentes casos de corrupção que envolvem autarcas (de 15 casos, 10 são eleitos pelo PS... o que não invalida, nem menoriza ou desculpabiliza, a infeliz transversalidade partidária noutros casos).

O que Marcelo Rebelo de Sousa procurou com esta afirmação foi marcar a sua própria agenda eleitoral, deixando em aberto qualquer retórica para um dos dois desfechos possíveis de final de mandato.
Depois da tragédias dos incêndios de 2017, a sua recandidatura estava dependente da forma como o Governo e o País reagiriam e resolveriam esta questão.
Depois do anúncio do Papa Francisco que marcou as próximas jornadas mundiais da juventude para Portugal, a fé de Marcelo moveu todos os obstáculos e voltaria a colocar, em cima da mesa, a sua recandidatura.
Depois das Europeias2019, a pouco mais de 4 meses das próximas Legislativas, a recandidatura a um segundo mandato fica dependente do equilíbrio (ou não) das forças partidárias, resultante do resultado eleitoral.

E é esta a agenda eleitoral do Presidente da República. Uma vitória significativa do PS e da esquerda, deixa Marcelo eleitoralmente dependente da vontade do CDS, da Aliança e de alguns socialistas para o suporte a uma recandidatura (sendo insuficiente a vontade e a empatia populares), mas "crucificado" e preterido à esquerda e, quem sabe, pelo próprio PSD.
Caso o PS vença as eleições sem grande margem, mantendo-se o actual cenário político, transformar-se-á o papel do Presidente da República num permanente "mediador político" (a sua verdadeira "praia"). Aí, Marcelo terá todo o "palco político e partidário" para receber um largo apoio eleitoral para cumprir o segundo (e último) mandato.

Foi este o "barro que atirou à parede" com a alegada e presumível crise do sistema político e da direita portuguesa.

publicado por mparaujo às 12:19

26
Mai 19

Os dados/factos (aproximados, face ao que é conhecido e divulgado na hora em causa):
PS - 34,6% (9 eurodeputados)
PSD - 25,4% (6 eurodeputados)
BE - 9,4% (2 ou 3 eurodeputados)
CDU - 6,7% (1 eurodeputado)
CDS - 6,2% (1 eurodeputado)
PAN - 5,0% (1 eurodeputado)
Abstenção - 69%

As reflexões...
Nota 1 - Em política é muito fácil cair na tentação de transformar derrotas em vitórias ou sobrevalorizar as vitórias.
Pela democracia, isso não cabe aqui. Apenas a análise dos factos.

Nota 2 - O PS ganhou as eleições com valores ligeiramente superiores aos de 2014 (31,46%) e conquistando mais um eurodeputado (e não 2 - os 10 pretendidos durante a campanha).

Nota 3 - Os verdadeiros vencedores destas eleições, face aos números, são o Bloco de Esquerda (que duplica a sua percentagem, o número de votos e o número de eurodeputados - podendo chegar a 3) e o PAN que entra, em 2019, na política europeia (fruto da sua afirmação na política nacional).

Nota 4 - O PSD, não atingindo os objectivos traçados para as eleições (ganhar ou aumentar a sua representatividade), acaba como derrotado. No entanto, mantendo o número de eurodeputados e face à percentagem alcançada "disfarça" a derrota com um sabor agri-doce. Mas a verdade é que os números são o que são e a mensagem do partido não chegou aos portugueses. Há que reflectir e assumir os erros.
E é importante referir que essa estratégia traçada para estas eleições foi uma das principais causas deste modesto resultado. Ao cair na armadilha política do PS e de António Costa que "nacionalizaram" a campanha eleitoral, o partido não foi capaz de capitalizar os principais temas fracturantes (saúde, educação [excepto a problemática dos professores], justiça, segurança social, protecção civil, economia e carga fiscal), caindo no embuste político, lançado por António Costa, da problemática da contagem do tempo dos professores.
Além disso, o recurso, no momento chave da campanha, à imagem dos ex-líderes não foi uma aposta bem conseguida, quer interna, quer externamente, permitindo à oposição argumentos retóricos que não favoreceram o PSD.

Nota 5 - O CDS foi um claro derrotado. Para quem, como afirmou Assunção Cristas, queria ser a alternativa governativa e ser primeira-ministra, o resultado é catastrófico.

Nota 6 - A CDU cai para metade da percentagem de votos e perde 2 eurodeputados. Afirmarem que o melhor das eleições foi uma clara derrota da direita é o surrealismos demagógico do discurso (cassete) político que ouvimos do PCP há décadas: uma derrota é sempre uma vitória (nunca se percebe é bem como).

Nota 7 - O valor da abstenção entre os 69% e os 70% é um marco (negativo) histórico que deve merecer a reflexão de TODOS: políticos, partidos e a própria sociedade.
Concretamente nas eleições europeias há um facto que merece ser mencionado: excepção feita para o BE (diga-se, em abono da verdade) explicar aos portugueses o que é a União Europeia, qual o seu peso na vida dos países, que papel têm os Eurodeputados, foi algo que esteve, claramente, arredado dos discursos políticos durante a campanha eleitoral, levando a que os portugueses se alheassem, expressivamente, destas eleições. Aliás, excluindo o momento da adesão à CEE (veja-se a distância geracional) e ao Euro (muitos dos que hoje podem votar nunca viveram o "escudo"), a maioria dos portugueses não percebem (ao fim de tantos anos) o que significa estar na União Europeia e para o que serve... nem têm, sequer, a percepção dos impactos dos Fundos Comunitários.

Nota 8 - Transpor, como alguns líderes partidários ou comentadores o fizeram, estes resultados para as próximas legislativas ou comparando com as legislativas de 2015, é, no mínimo, um exercício de pura demagogia e totalmente esvaziado de sentido. Umas eleições com 70% de abstenção, com repartições eleitorais completamente imprevisíveis, não permitem transferir qualquer cenário político para as eleições legislativas, mesmo que as mesmas venham a ocorrer daqui a cerca de 4 meses.
É um exercício que apenas serve para sobrevalorizar vitórias ou menosprezar derrotas. Não tem qualquer sentido porque é inconsequente e infundamentado.

Nota 9 e última - Os partidos, como, por exemplo, o PS ou o BE, que se congratulam por um "eventual" afundamento da direita nestas eleições, era bom que olhassem para o panorama eleitoral europeu:
a) a participação e a taxa de votantes é muito mais elevada que em Portugal;
b) a redução de 40 eurodeputados no grupo europeu socialista e de 43 eurodeputados do partido popular, o aumento dos liberais (muito à custa dos resultados de Macron em França), o aumento do nacionalismo (com a vitória de Marie Le Pen, em França), dos conservadoristas e eurocépticos deveria preocupar muito mais o país do que as "derrotas" do PSD ou do CDS. Deveria preocupar o país e a própria Europa e o papel dos eurodeputados na construção do seu futuro.

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publicado por mparaujo às 22:23

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