Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

23
Ago 18

Pedro Santana Lopes formalizou, no início do mês, a sua saída do PSD e a criação de um novo partido "Aliança".

Pessoalmente, não me aquece, nem me arrefece, e não acredito que seja motivo para tanta apreensão no PSD e para um desmedido receio de concorrência eleitoral. O vazio ideológico e a mera visão personificada do poder político, a par com o populismo programático (personismo - esse novo conceito político santanista - liberalismo e solidariedade... que na ordem devida soaria melhor se fosse "P"ersonismo, "S"olidariedade e "L"iberalismo - PSL), para além da ausência de dimensão nacional e autárquica, transformará rapidamente a "Aliança" em mais uma linha nos boletins de voto.

Por outro lado, para muitos terá sido uma surpresa (para não referir uma traição aos que o apoiaram recentemente nas eleições internas do PSD) Pedro Santana Lopes ter colocado um ponto final numa militância de cerca de 42 anos.

Mas a verdade é que a história desmistifica e desvenda, pelo menos, 22 anos (mais de metade) dessa militância. Pelo menos o "sonho" faz-nos regressar (ou recordar) a 1996...

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De "Alianças", para além da relevância político-partidária que teve a AD (1979-1983), gosto muito destas... e para mim valem muito mais e bem regionais.

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publicado por mparaujo às 22:49

11
Ago 18

Os factos:
1. Pedro Santana Lopes (PSL) abandonou o PSD e pode vir a formar um novo partido ou a aproveitar alguns dos movimentos "emergentes" (por exemplo, o Democracia 21)
2. Pedro Duarte (PD) que provocar eleições internas e derrotar Rui Rio.

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Há três factores que ligam os dois propósitos e que os (con)fundem.

Primeiro, o crescimento do populismo tem servido de arma e estratégia políticas para o conforto demagógico dos (politicamente) derrotados, enfraquecendo a ética, a ideologia e os valores programáticos que sempre sustentaram a democracia, a política e os partidos.

Segundo, ao fim de cerca de 40 anos como militante do PSD, que sempre disse defender e a quem o partido deu, demasiadas vezes e de forma sobrevalorizada, excessivo palco mediático e político, Santana Lopes anunciou a sua desvinculação como militante e a eventual formação de um novo partido (estruturalmente liberal, mesmo que PSL defenda uma crescente e forte intervenção do Estado, por exemplo, na saúde, ou se tenha tornado mais eurocéptico).
Para os cerca de 19 mil social-democratas a quem PSL acusa agora de não o terem sabido escutar, este é um verdadeiro apunhalar pelas costas, uma sensação de terem sido usados e traídos, sentindo-se (legitimamente) envergonhados e a "face perdida". Mas é também algo que não surpreende (vindo de quem vem) e algo que seria perfeitamente esperado. Só se deixou enganar e iludir por Santana Lopes quem quis... a história sempre falou por si mesma. Três tentativas de presidência do Partido redundaram em três expressivas derrotas (em 1996 contra Marcelo Rebelo de Sousa, em 2008 contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho e em 2018 contra Rui Rio), para além de muitos avanços e recuos e de muitos outros tantos anúncios.
Finalmente, parece que PSL vai poder ser Presidente (não importa porquê, nem a quê, nem com que "bandeira partidária").
Santana Lopes não faz falta à política e, muito menos, ao PSD. Não deixará saudades... como já poucas (ou nenhumas) saudades restam da sua curta chefia do Governo (que abriu as portas à chegada triunfal de José Sócrates) ou das suas passagens pelas Autarquias da Figueira da Foz ou de Lisboa.
Numa coisa, tendo em conta a afirmação produzida na carta de despedida, Santana Lopes tem razão e com a qual estou inteiramente de acordo: «o PSD nunca quis saber». Não quis saber dele e haverá muitos poucos que, neste momento, queiram saber se continua por aí, por ali ou por acolá na política portuguesa.

Por último, Pedro Duarte é o eterno esquecido (ressuscitado durante a campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa), permanentemente desvalorizado e incompreendido pelos pares (militantes e pelo partido). É aquele repetido congressista orador (quando vai) que na hora do seu discurso 99,9% dos presentes aproveita para ir fumar, tomar café ou, simplesmente, esticar as pernas e apanhar ar.
Afirma PD que «o PSD tem sido um aliado do Governo socialista porque a estratégia tem sido quebrar a actual forma governativa, retirando o BE e o PCP da solução».
Duas notas a uma afirmação que comporta, por um lado, uma errada avaliação política e, por outro, uma óbvia estratégia há muito desejada no PSD.
Comecemos pelo fim... foi a actual forma governativa (a Geringonça) que retirou ao PSD a legitimidade governativa em 2015. É o actual acordo político-parlamentar que tem esvaziado o papel social do Estado, a sua relevante referência e intervenção na sociedade e tem diminuído a importância económica das empresas e dos portugueses para o desenvolvimento do país, nomeadamente no esforço que foi feito por TODOS durante os quatro anos da Troika e a saída, em tão pouco tempo, do Programa de Ajustamento Externo. Ter como objectivo a desvalorização da actual Geringonça nada tem de questionável para o PSD, é uma estratégia tão legítima e democrática como a que ainda hoje (e apenas) sustenta os actuais acordos à esquerda:manter a direita fora da governação custe o que custar, mesmo que isso represente, nomeadamente para o Bloco de Esquerda, a fragilidade das convicções e princípios programáticos até sempre defendidos.
E é neste âmbito que reside a errada avaliação política de Pedro Duarte sobre a actual conjuntura do partido. Nunca Rui Rio escondeu ao que vinha e o que propôs aos militantes do PSD nas eleições interna: renovar o partido, recolocá-lo no seu espectro político-ideológico, ser uma alternativa e referência à actual governação e, se caso fosse, colocar os interesses nacionais em primeiro plano. E esta é que é a confusão de Pedro Duarte. O PSD querer reconquistar e ganhar o seu espaço no Centro Político da democracia portuguesa não é a mesma coisa, nem tem que ser, retomar o "fantasma" do Bloco Central (mesmo que não veja nada de errado nisso, antes pelo contrário).
A realidade é que erradamente sempre se catalogou o PSD de partido de direita, algo que nunca, e muito menos para Sá Carneiro, esteve sequer na génese da fundação do Partido. A Social-democracia, principalmente a particularidade com que a mesma alicerçou o PPD-PSD, não se define, nem se situa, dogmaticamente à direita, mas sim ao centro (se quisermos ao centro-direita).
Mas obviamente tudo vale, até a demagogia e o populismo, para Pedro Duarte vir dizer, tal como dizia Santana Lopes, «ando por aqui». Aliás, Pedro Duarte afigura-se, no PSD, como o novo e futuro Pedro Santana Lopes: o sonho pessoal (diga-se, legítimo) de querer ser Presidente e o facto de, tal como a Santana Lopes, ninguém lhe ligar nenhuma. Bastava, pelo menos, ter vindo a votos nas últimas eleições do PSD.

E isto tudo nem para silly season serve.

 

publicado por mparaujo às 13:22

28
Mar 14

Pela enésima vez, Santana Lopes (o Pedro) apresenta-se como candidato a um cargo político. Mesmo que assuma que lhe faltam condições "profissionais e pessoais". O mesmo significará que lhe falta o apoio político necessário.

E se alguns se surpreenderam e, inclusive, se indignaram com a minha observação em "Santana presidenciável...", fica aqui, para memória colectiva, e para que se esclareçam as dúvidas.
"Presidenciais: Santana à espera" (jornal Sol)

publicado por mparaujo às 16:36

16
Mar 14

Pedro Santana Lopes não assinou, não foi convidado a assinar, o manifesto pela reestruturação da dívida pública portuguesa.

Como apoiantes do referido manifesto estão personalidades próximas de Marcelo Rebelo de Sousa.
Apesar da distância temporal que ainda nos separa das eleições presidenciais (as últimas deste próximo ciclo eleitoral, apenas em 2015), mesmo sem o assumir publicamente, Marcelo Rebelo de Sousa afigura-se como o candidato a candidato presidenciável na direita política e com eventuais possibilidades de "pescar" eleitorado no centro-esquerda (PS), a menos que Sócrates surja como o candidato socialista.

Depois de uma passagem muito discreta no último congresso social-democrata, e longe do fulgor de outros anos, Pedro Santana Lopes surge hoje no jornal Público com algumas referências curiosas. Principalmente, as que dizem respeito a José Sócrates.

Contextualizando, não deixa de ser interessante que Santana Lopes se refira desta forma a José Sócrates: "Foi um primeiro-ministro com visão em várias áreas. Ele era vários deuses ao mesmo tempo, depois caiu em desgraça e passou a ser o culpado de tudo. Isso é caricato. Ele foi um primeiro-ministro com várias qualidades, um chefe de Governo com autoridade e capaz de impor a disciplina no seio do seu Governo."

Não considero errado o pressuposto (posso ou não concordar com as qualidades referidas, mas isso é outra história). A responsabilidade política termina em cada ciclo eleitoral. Andar sempre a culpabilizar o passado parece ser, cada vez mais, um "desporto nacional, tal como o referi aqui em "A carta errada e os anti-manifesto".

Pedro Santana Lopes acredita mesmo no que disse?! A verdade é que as dúvidas são muitas... toda a entrevista afigura-se como o querer manter-se à tona da vida pública, não ser esquecido e colar-se, claramente, a um lugar a candidato presidencial.

(créditos da foto: Daniel Rocha, in jornal Público online)

publicado por mparaujo às 22:35

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