Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

10
Fev 20

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ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".
Desbloqueador de frases públicas.

1. As desculpas não se pedem... evitam-se. E no caso de figuras e funções públicas a expressão toma contornos ainda mais importantes.
Lapsos, gafes, erros em situação de pressão, em directos, em contextos de perguntas e respostas ou informais, mesmo que criticáveis são compreensíveis.
Mas em intervenções pensadas, reflectidas, programadas e contextualizadas (escritas ou não) são inaceitáveis porque, tal como os actos, em política as palavras contam e têm um peso significativo. E são o que são... não outra coisa qualquer.
Por mais justificações e argumentos que a Ministra da Agricultura queira apresentar a expressão e a afirmação foram mais que claras: "o coronavírus até pode ter consequências bastante positivas para as exportações portuguesas do sector agroalimentar".

2. Joacine justifica voto contra propostas do PCP e do BE para evitar "queda do Governo".
Naïf e politicamente pueril. O Governo nunca cairia por causa do IVA na electricidade. Isso não passou de uma mera chantagem política.
Na verdade, a sua saída do Livre e a passagem a 'deputada não-inscrita' deixou Joacine Katar Moreira politicamente livre mas partidariamente orfã, com impactos em futura eleições legislativas. Não será por isso de estranhar que a política que afirma que "nasceu para ser deputada" (seja lá de que forma for, já vimos...) não tarde muito a afirmar que "nasceu socialista".

3. Ainda no rescaldo da aprovação do OE2020 e da problemática do IVA na electricidade.
Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS, diz que partido não dá satisfações a ninguém, não faz fretes a ninguém, nem anda às ordens do PSD.
Pelo princípio da independência partidária e da legitimidade democrática, o PSD nunca esperaria outra coisa. No entanto, importa recordar ao jovem presidente centrista e conservador de direita que a história política da democracia portuguesa é bem clara: o CDS só foi poder em Portugal à custa e às costas do PSD (excepção feita para uns breves 7 meses de governação PS-CDS, em 1978). E lembrar os resultados do CDS em 2019.

4. Augusto Santos Silva disse, na apresentação da recandidatura de Manuel Pizarro à distrital do PS Porto, que é motivo de orgulho a aprovação do Orçamento do Estado sem os votos da direita.
Deve ser o mesmo orgulho, ao contrário do que aconteceu na anterior legislatura, que o ministro Augusto Santos Silva deve ter sentido com a abstenção de toda a esquerda (BE, PCP e Verdes). Porque será que só o PS votou a favor?

5. Luís Montenegro, afirmou, durante o seu discurso no segundo dia do congresso do PSD, que não vê nem Rui Rio nem Miguel Pinto Luz como "adversários" mas sim como "companheiros" numa luta contra os outros partidos. Pelo histórico bem recente e "fresco" com amigos (companheiros) assim para que é que queremos inimigos.
Razão tinha Winston Churchill: "À minha frente sentam-se os meus adversários políticos. Os meus inimigos sentam-se aqui, ao meu lado".

publicado por mparaujo às 00:30

09
Fev 20

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Caiu o pano do Congresso Social-democrata. Rui Rio fechou o 38.º Congreso do PSD, em Viana do Castelo, com uma intervenção a lembrar a abertura da reunião magna social-democrata, na sexta-feira: com chave de ouro. Se em termos ideológicos, programáticos, políticos e oratórios o presidente do PSD foi bastante claro, credível, assertivo e estratégico, tal não significa um redundante "ouro sobre azul".
Rui Rio perdeu o Conselho de Jurisdição para uma das vozes internas mais críticas, Paulo Colaço. Ganhou o Conselho Nacional por 5 votos de diferença (21-16) para a lista liderada por Paulo Cunha e apoiada por Luís Montenegro. Mas olhando para o que foram algumas (muito poucas) intervenções, nomeadamente, de Luís Montenegro, Pedro Duarte, Hugo Soares, Paulo Cunha, ou Paulo Colaço ouve-se, ao longe, uma frase cirúrgica do Secretário-geral do partido, José Silvano: BASTA DE CINISMO.

E cinismo foi algo que marcou este congresso, desde a sua preparação até ao cair do pano. Não vale a pena esconder a cabeça na areia, qual avestruz, ou assobiar para o lado, como se isso fosse resolvesse as fracturas internas. A verdade é que uma das principais conclusões político-partidária deste 38.º Congresso é a de que as feridas continuam (e vão continuar) abertas.

Muita razão tinha José Silvano, quando subiu à tribuna.
Luís Montenegro veio exigir ao partido e a Rui Rio tudo aquilo que não fez desde 2018: respeito, lealdade institucional (mesmo que divergente), unidade e coesão. Para além de ter procurado também, nas eleições internas, deslocar perigosamente o partido para o conservadorismo, para o liberalismo ou para o populismo.
Afirmava Montenegro que "no PSD há demasiada crispação e agressividade verbal. Há demasiado fanatismo e excessos". Isto só pode ser anedótico, no mínimo. Basta recordar todo o discurso nas internas, ao ponto de Carlos Carreiras, seu apoiante na segunda volta, ter apelidado Rui Rio de "traidor". Acho que basta como exemplo.
Além disso, é muito interessante ver Luís Montenegro parafrasear Sá Carneiro mas apenas quando e no que lhe interessa ou dá mais jeito. Curiosamente, nunca se ouviu Montenegro a recuar até 1975 e relembrar a frase do fundador do PSD "Somos um partido de esquerda não marxista e continuaremos a sê-lo". Ou até ao Congresso de 1978: "nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita". Sim... não dá mesmo jeitinho nenhum. O que dá jeito é recuar até 1972, em plena Assembleia Nacional, esquecer o contexto, a conjuntura e a realidade, e subscrever as palavras de Sá Carneiro: "O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for." Mas Montenegro faria um enorme favor lembrando-se do "dever de se calar", por uma simples e normal lealdade institucional.
Para além do cinismo e da hipocrisia também houve claros momentos de perfeito ressabiamento por quem, de derrota em derrota, ainda não percebeu que terminou, à nascença, o seu sonho de puro e mero carreirismo político. A intervenção e o papel deplorável de Hugo Soares (desde 2018 e) neste Congresso roçou o ridículo, como aliás muitas das suas intervenções em 8 (excessivos) anos de mediatismo político. As comparações com o PCP ou a adjectivação "socialistas de segunda" são o espelho da irresponsabilidade e da falta de ética política do ex (e importa reforçar "ex") deputado. Ao ex (e importa voltar a reforçar "ex") líder temporário da bancada parlamentar do PSD (alguns meses) importa recordar que em 2015, apesar da "COLIGAÇÃO" (e não o PSD) ter sido o 'partido' mais votado, não teve o peso da representatividade parlamentar suficiente para governar. Assim, como importa recordar desastroso resultado das autárquicas de 2017 que agora o Partido e Rui Rio se vêem na contingência de inverter.
Depois, há ainda os perfeitos "erros de casting", quem acha que ainda é ouvido só porque, num passado recente, teve algum papel político, como é o caso de Pedro Duarte e a sua responsabilidade na gestão da campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016.
Pedro Duarte enganou-se redondamente no destinatário do seu "recadinho": "um partido com um líder e não um líder com um partido”. Rui Rio foi, precisamente, eleito pelo partido em 2018 e 2020 para ser o seu líder. Já Luís Montenegro, que Pedro Duarte tanto apoiou, andou precisamente dois anos a tentar encontrar um partido (que não este PSD, felizmente) para a sua almejada liderança.

Vamos esperar para ver o que reserva o final de 2020 e início de 2021 quando começar a fervilhar as eleições autárquicas do próximo ano. Vamos ver até que ponto, críticos e apoiantes, se lembrarão dos princípios defendidos por Rui Rio neste Congresso em relação a listas e candidatos: o mérito e relevância local e a ética/transparência.
É que aqueles que tanto criticam Rui Rio pela falta de coesão partidária, de aceitação da diferença de opinião, de "varrer à vassourada" os críticos/opositores, esquecem-se, porque a memória selectiva dá um jeitaço, do que foram as varridelas, os "pontapés no traseiro" e todas as quezílias e conflitos internos nas últimas autárquicas, e que resultaram, entre outros, em abandonos, demissões e suspensões, e num surgimento exponencial de movimentos com candidaturas "independentes" (muitas das quais com pleno sucesso eleitoral, cconquistando, aliás, câmaras e freguesias sociais-democratas). Mas essa derrota não interessa lembrar... porque toca em supostos "ídolos" políticos (mesmo que com pés de barro) ou sustenta o argumento mais que válido, usado por Rui Rio, na análise eleitoral de 2019.

publicado por mparaujo às 16:22

08
Fev 20

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Dito de outra forma... eis a razão de eu e 53,2% dos militantes sociais-democratas termos votado em Rui Rio, nas directas de janeiro último. E este poder ser um dos melhores presidentes que o partido já teve (haja a oportunidade e tempo de o provar).
E a razão é bem simples e muito clara... com Rui Rio, desde 2018 (e não apenas agora, em Viana do Castelo) o Partido tem vindo a reencontrar o seu posicionamento ideológico ao centro (perdido, pelo menos, nos seus últimos anos: 2010-2018) e que alguns, poucos mas insistentes, tentam a todo o custo inverter; o Partido tem procurado encontrar forma de dignificar a política, seja por uma oposição crítica mas realista e consistente, seja pela sua transparência, ética e rigor, seja ainda por colocar os portugueses (todos) e o país em primeiro plano e prioridade; e, ainda, o Partido tem percorrido um sinuoso caminho na promoção de espaços de abertura à sociedade e à participação dos cidadãos na construção de um país bem melhor (e diferente)... pena é que muitas estruturas de base (concelhias) ainda não tenham compreendido a importância deste contexto para que o PSD volte a sedimentar-se nas freguesias, nos municípios, nas associações e instituições, no mundo laboral, nas escolas, no tecido comercial e empresarial (como foi a sua génese fundadora).

Por norma e pela tradição a intervenção do presidente do partido na abertura dos Congressos Nacionais é dedicada ao partido, essencialmente dirigida aos congressistas e militantes, com uma mensagem marcadamente interna.
Tal aconteceu com Rui Rio, ontem, em Viana do Castelo. Mas não só... para além do contexto, foi a forma soberba como o fez. Daí que o Congresso não precisasse de mais nada porque o discurso de Rui Rio foi cirúrgico, assertivo, preciso, rigoroso, político e ideologicamente importante, sem qualquer necessidade de fulgor e empolgamento mediáticos, de grandes rasgos retóricos (que, por regra, soam sempre a demagogia e falácia) ou de calorosas ovações. Para além de ter sido, ainda, inquestionável e necessariamente educativo, no que respeita à precisão com que o presidente do PSD focou os críticos e as facções internas.

Dividindo o excelente discurso de Rui Rio em três partes, estas traduzem e espelham as actuais necessidades do PSD face à actual conjuntura política e ao seu futuro no contexto nacional.

Primeiro, a avaliação dos exigentes desafios mais próximos (já em 2021): as eleições regionais nos Açores e as Autárquicas.
O PSD para se voltar a afirmar na sociedade e na política, para voltar a crescer, não pode descurar o que é a sua base estrutural: as aldeias, vilas, cidades, freguesias, municípios. No fundo... o Poder Local, principal barómetro da implementação nacional de um partido e o espelho do seu vigor e da sua aceitação na sociedade.
Dos importantes elogios ao trabalho autárquico e ao peso do Poder Local no desenvolvimento do país, Rui Rio deixou uma mensagem interna bem clara: não vale a pena quererem condicionar as escolhas de candidatos e listas à "pala" de um falso sentimento de unidade e coesão (algo que uma minoria tem andado a fazer - e não acredito que por aqui parem - desde 2018 porque perderam influência, carreirismo e palco político). Divergência de opinião não é o mesmo que falta de lealdade partidária ou ética política, de valorização de interesses pessoais ou corporativos. Felizmente, com Rui Rio, o principal critério nas escolhas autárquicas será o do mérito, do valor, da relevância, da seriedade e rigor, independentemente das divergências de opinião. De fora ficam os interesses pessoais, o 'amiguismo', o clientelismo, o carreirismo político, os fundamentados 'casos de justiça' (que infelizmente existem, contrariando os que acham que há demasiada judicialização da política).

Segundo, a mensagem "churchilliana"... o recado aos críticos internos.
Os que tanto clamam por unidade, por coesão, são aqueles que nestes dois últimos anos tudo fizeram para fracturar o partido, com um notório deplorável sentimento de ressabiamento, vingança e rancor.
O que temos assistido no PSD, desde a chegada de Rui Rio à presidência (2018), é o espelho da actualíssima expressão de Wilson Churchill em relação à disposição das forças políticas no Parlamento Britânico: "em frente sentam-se os meus adversários políticos... ao meu lado os meus inimigos".
Aqueles que tanto têm bradado aos ventos para que Rui Rio assuma claramente António Costa com um adversário e o foco da estratégia partidária do PSD, são os mesmos que, interna ou publicamente, têm feito do Presidente do PSD o seu alvo e foco principal, o seu verdadeiro inimigo.

Por último, e mais determinante, o reposicionamento do PSD, contra o esvaziamento e desvio ideológico que um passado bem recente (última década), que os críticos e oposicionistas internos (nos dois últimos anos) têm procurado impor, remetendo para o esquecimento, para a mera "gaveta" das recordações, toda a história e princípios estruturantes da fundação do partido protagonizados, entre outros, por Sá Carneiro (que injuriosamente aclamam). Contra os que afirmando ter-se fechado um ciclo político, remetem-se ao anonimato e à privacidade, mas que, a espaços, vão querendo "andar por aí" e vão surgindo publicamente nos momentos mais determinantes da vida do partido, expressando desejos e sonhos recentes de viragem para um vazio ideológico e programático.
Mais que interpretar conceitos e afirmações, nada melhor que reproduzir algumas excelentes e soberbas expressões que o discurso de Rui Rio trouxe a público.
Antes de mais, aos críticos e ao que foram muitas das argumentações eleitorais internas no final de 2019 e início de 2020.

«Podemos, até, ganhar eleições, mas tal não significa necessariamente que se tenha ganho o País. Ganhar os portugueses é conquistar o seu respeito e a sua confiança e não conseguir o seu voto, apenas porque eles acham que os outros são piores do que nós.
A frase que tantas vezes tenho citado, “Primeiro está Portugal, depois o partido e, por fim, a nossa circunstância pessoal” é o princípio que Sá Carneiro nos apontou, e que temos de ter sempre como pano de fundo de toda a nossa actuação política. Os partidos existem para servir o País, não existem para dar corpo às suas pequenas tácticas, nem aos interesses particulares dos seus dirigentes.»
«Em Portugal, (...) se berra mais alto, se diz mal de tudo o que o Governo faz, se não concorda com nada, então está a fazer uma verdadeira oposição. Se assim não é, se o faz com critério, coerência e elevação, então a sua acção política é fraca e a oposição muito frouxa. É isto que eu não quero que o PSD faça sob a minha liderança. Porque é esta postura, que foi descredibilizando a política ano após ano. Não adianta insistir na política do “bota-abaixo” e da critica sem critério nem coerência. Deixemos isso para os outros e portemo-nos nós com a elevação e a nobreza que a actividade política nunca devia ter perdido. Serve-se o País no Governo, tal como se serve o País na oposição. O nosso objectivo é Portugal, não é apostar no quanto pior, melhor. Somos oposição. Compete-nos enaltecer as diferenças relativamente ao Governo em funções, denunciar, com firmeza, as suas falhas e apresentar, com competência, políticas alternativas.»
«Não podemos ser contra ou a favor de uma ideia em função de quem a apresenta. Temos de tomar a nossa posição em função do mérito da mesma e não em função do seu autor.
É, pois, uma oposição credível e realista, aquela que o PSD fará ao Governo no mandato que agora se vai iniciar. Fazer o contrário, como alguns críticos internos defenderam e como tantos comentadores nos pretendiam ensinar, teria tido o mesmo resultado eleitoral que outros partidos tiveram, quando deram ouvidos a tais criticas e optaram por seguir as teses do politicamente correto.»

Por último, e verdadeiramente mais importante (no momento) a questão da ideologia.

«O PSD, tal como o seu nome indica, é um partido de ideologia social-democrata. Não somos, pois, a direita, nem somos a esquerda. Não somos liberais nem conservadores, assim como não somos socialistas nem estatizantes. Abarcamos todo o centro político ou seja, o espaço onde se encontra a esmagadora maioria das pessoas. Desde a nossa fundação, que apostamos em ter connosco os sectores mais moderados da nossa sociedade.»
«Somos um partido moderado, reformista e personalista. Rejeitamos o extremismo. Defendemos a via reformista como caminho para o progresso e para o desenvolvimento. Respeitamos a liberdade individual como elemento estruturante do rumo que cada um entenda dever dar à sua vida.»
«Disse Sá Carneiro no Congresso de 1978 em Lisboa: “Nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita.” Deslocar o PSD para a direita é desvirtuar os nossos princípios e os nossos valores e afunilar eleitoralmente o partido, em direcção a um espaço onde hoje já praticamente nada mais há para ganhar. Uma coisa é o PSD conseguir ser o líder de uma opção à direita da maioria de esquerda que nos tem governado, outra, completamente diferente, é sermos, nós próprios a direita.»

Portugal precisa do PSD. Seja na oposição ou no Governo.

publicado por mparaujo às 16:36

07
Fev 20

Focando apenas três casos como meros exemplos.

Em junho de 1993, o então Ministro do Ambiente, Carlos Borrego, do Governo de Cavaco Silva, visitava a cidade de Braga.
Nesse mesmo ano, entre abril e junho, a região de Évora vivia uma trágica realidade com a morte de 25 doentes que realizavam tratamento de hemodiálise, devido à contaminação por alumínio da água que abastecia o Hospital de Évora. Escuso-me, por uma questão de respeito, a relatar, textualmente, o "humor" usado pelo Ministro e divulgado por uma rádio local, referindo-se ao nível de alumínio encontrado no organismo das vítimas.

Em julho de 2009, ilustrando um hipotético litígio político-estratégico entre BE (Francisco Louçã) e o PCP (no caso, Bernardino Soares) referente a um contexto laboral que envolvia os trabalhadores das minas de Aljustrel, Manuel Pinho, ministro do Governo de José Sócrates com a pasta da Economia, durante o debate do estado da Nação, empolgou-se e dirigiu à oposição (Bernardino Soares) um gesto a simular uns "chifres", considerado insultuoso (motivando, inclusive, um pedido público e formal de desculpas do Primeiro-ministro).

Já mais recentemente, em abril 2018, o, à data, Ministro da Cultura, João Soares, cedeu claramente ao mediatismo das redes sociais e ofereceu "virtualmente" umas “salutares bofetadas” a Augusto M. Seabra e também ao comentador Vasco Pulido Valente, como reacção a artigos de opinião críticos da sua actividade ministerial, apesar de apenas 4 meses de exercício.

O primeiro caso ocorreu, publicamente, mas num contexto restrito.
O segundo, na Assembleia da República difundido pelo Canal do Parlamento.
O terceiro, numa página pessoal do facebook.

Há dois dias, a Ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, na maior feira internacional do sector das frutas e legumes - Fruit Logistica - em Berlim, afirmava, em discurso público, que o coronavírus podia ser bastante positivo para as exportações portuguesas na China.
O coronavírus uma oportunidade comercial e económica muito positiva.
Importa dar nota: até hoje, morreram cerca de 700 pessoas e estão infectadas mais de 31 mil devido ao surto do vírus.

Concluindo... por muito menos ou, no mínimo, por contexto idênticos caíram os três ministros citados.
Hoje... António Costa, PS e Governo, assobiam para o lado, numa enorme e inqualificável falta de respeito pela condição humana, por quem sofre e por quem morreu.

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(créditos da foto: João Silva / Global Imagens)

publicado por mparaujo às 22:52

31
Jan 20

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O Brexit passou à história... segue-se o "day after".

O Reino Unido deixa hoje, definitivamente, a União Europeia às 23h00 portuguesas e inglesas (fuso GMT) e às 24h00 da União Europeia. O Brexit pode, finalmente, abrir o champanhe, sem, no entanto, recordar que "a procissão ainda vai no adro" e que há muito ainda por discutir até ao final de 2020 (pelo menos).

Para já, há duas questões incontornáveis? Quem perde mais com a saída do Reino de Sua Majestade da UE? O que reserva o futuro após o 'day after'?

Reino Unido
Em 1973, a então CEE acolhe mais um Estado membro: o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte). Volvidos apenas dois anos, em 1975, o primeiro referendo coloca à prova a permanência na Comunidade Europeia: 67% vota pelo sim à continuidade.
41 anos depois, num claro erro político e uma desastrosa estratégia geridos por David Cameron (à altura, Primeiro-ministro eleito pelo Partido Conservador - apesar da sua preferência pública pelo "no deal"), os partidos Trabalhista, Aliança da Irlanda do Norte, Verde, Liberais Democratas, Partido Nacional Escocês, Sinn Féin, Partido Unionista do Ulster, entre outros, não foram suficientemente capazes de contrariar muito do populismo e demagogia que sustentaram os discursos "deal" de partidos como o Partido Conservador, Partido Unionista Democrático, Aliança Antiausteridade, Voz Unionista Tradicional ou o Partido da Independência (do extremista e eurocéptico Nigel Farage), como exemplos.
A 23 de junho de 2016, 51,89% dos eleitores 'britânicos' votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (contra 48,11% que optaram pelo "no deal" e pela permanência). O Brexit iniciava, assim, um período de mais 3 anos de altos e baixos, avanços e recuos, mais dúvidas que certezas, até à aprovação final, a 9 de janeiro deste ano (330 votos a favor e 231 contra) no Parlamento Britânico, da saída oficial do Reino Unido da União Europeia (31 de janeiro de 2020).
São muitas feridas que o Brexit deixa bem abertas. Primeiro, a memória do fatídico dia 16 de junho de 2016, quando a parlamentar trabalhista Jo Cox foi assassinada em Bristol por defender a permanência na União Europeia. Além disso, são evidentes, públicas e inequívocas as brechas políticas que o Brexit criou na própria união do Reino: Escócia e Irlanda do Norte à cabeça: a luta secular pela independência e, no caso dos segundos, acresce ainda o eterno desejo unionista (as duas irlandas numa só). Além disso, há uma fractura imensa na sociedade britânica, nas instituições e até nas famílias... e vai demorar a sarar.
A troco de um conjunto de populismos nacionalistas e chavões eurocépticos, aos quais se juntou o crescente sentimento anti-imigração, os britânicos (mais os ingleses e galeses) escolheram perder peso económico, político e estratégico.
A permanência na União Europeia, apesar de todas as circunstâncias e conjunturas, dava ao Reino Unido o conforto do peso internacional do bloco europeu, conferia-lhe dimensão política, assegurava-lhe capacidade negocial e económica. Com a saída os súbditos de Sua Majestade ficam dependentes de si mesmos (apenas), do resultado dos acordos com a União Europeia, fragilizados economicamente, dependentes da sua relação umbilical com os Estados Unidos da América (não sendo, nos dias de hoje, uma clara "segurança", nem uma aconselhável opção).
Como toda o sua altivez e vaidade nacionalistas e perseverança monárquica (mesmo a cair aos bocados), lá continuarão a conduzir pela esquerda.

União Europeia
A UE, com eventuais perdas menores, não deixa de sentir um sabor amargo neste contexto de rotura.
É inquestionável a sensação de fragilidade política que leva a colocar em causa o presente e o futuro da Comunidade. É óbvio que a União Europeia tem uma quota parte de responsabilidade neste Brexit porque se uns quiseram sair, a UE não foi capaz de ter arte e engenho para conseguir manter a sua unidade e não perder uma "peça de peso" na sua estrutura, perdendo o seu centro financeiro e ficando reduzida ao eixo franco-alemão (centro político e centro económico) com evidente supremacia do dinheiro/economia em relação à política.
Mas há mais... se é um facto que as vozes eurocépticas foram diminuindo no seu mediatismo (o que não significa que tenham desaparecido ou perderam peso e força), optando por aguardar novos desfechos e novos episódios, a União Europeia tem, a partir de hoje, enquanto durarem as negociações e os acordos que se seguem, desafios muito complexos para ultrapassar, sem que a União Europeia perca a sua essência, os seus valores e o seu sentido de unidade. Se os processo negociais resultarem em benefícios desproporcionados, com clara vantagem para o Reino Unido, isso pode ser manifestamente visto pelas vozes anti-UE como uma porta relativamente fácil para, face a potenciais crises políticas e sociais, surgirem novos Euroexits. E há 'bons' exemplos de quem não ensaie muito para colocar em causa a sua permanência, independentemente das vontades de integração da Turquia, Croácia, Albânia, Bósnia-Herzegovina, Islândia, Kosovo, República da Macedónia, Montenegro (a grande maioria destes países com fortes constrangimentos sociais, culturais e políticos).
Será, claramente, a forma como a União Europeia se projecte no presente e perspective o seu futuro, juntando processos 'pacíficos' de alargamento, e consiga criar fortes laços de unidade e integridade, com uma política forte de coesão social, de crescimento económico e financeiro, de ganhos e fortalecimento geoestratégico e geopolítico, que minimizará os impactos (haverá sempre) negativos do Brexit.

Day After
Se muitos pensam que o Brexit é o fecho e o fim de um ciclo podem "tirar o cavalinho da chuva". Este bem pode ser, como canta Sérgio Godinho, "o primeiro dia do resto das nossas vidas". E ainda a "procissão vai no adro".
Muitas horas, muitos dias, muitos avanços e recuos, hão-de acontecer, pelo menos, até ao final do presente ano. Serão negociados muitas contrapartidas, muitas regras e procedimentos, muita legislação que salvaguarde, agora, interesses contraditórios e opostos, nomeadamente aqueles que se sustentam na economia e nas relações comerciais e na livre circulação de pessoas e bens.

Mesmo que o processo seja, para já, irreversível (não sei se o será definitivamente... o que pode criar, no futuro, outro grande e complexo problema à União Europeia: um hipotético regresso - como? em que moldes? de que forma? igual a um outro qualquer pedido de adesão?) muita água irá correr por debaixo da ponte.

A história continuará... a vida também. Mas para o UK e para a UE nada será como dantes... há um antes de 31 de janeiro de 2020 e um depois do Brexit.

publicado por mparaujo às 21:08

29
Jan 20

A proposta da (ainda) deputada do Livre na Assembleia da República, Joacine Katar Moreira, que prevê a devolução às antigas colónias portuguesas de património cultural e histórico que faz parte do acervo museológico nacional é, no mínimo, discutível e polémica. Mas isso não justifica, nem legitima, que, ao abrigo da impunidade parlamentar ou da suposta liberdade de expressão, se use uma retórica clara e inequivocamente xenófoba e racista.
A ironia, ou, no caso, o completo falhanço humorístico, não fundamenta, nem justifica, um deplorável ataque à dignidade humana espelhado na afirmação do deputado do Chega na Assembleia da República, André Ventura, que sugeriu que Joacine seja "devolvida ao seu país de origem", o que tornaria tudo "muito mais tranquilo para todos... inclusivamente para o seu partido! Mas sobretudo para Portugal!". Mesmo que Joacine Katar Moreira tenha nacionalidade portuguesa, apesar de ter nascido na Guiné-Bissau.

As declarações de André Ventura não têm qualquer tipo de legitimidade, de justificação, nem podem ser aceitáveis.
Primeiro... porque a liberdade de expressão não legitima qualquer ataque de ódio ou racista.
Segundo... porque a impunidade parlamentar não justifica um ataque desta natureza a alguém que é democraticamente eleito e um par entre os pares.
Terceiro... porque tem que haver limites a uma suposta retórica política, a uma criticável demagogia que fere a dignidade de qualquer cidadão, sob a falácia do confronto político.

Daí que sejam de aplaudir todas as criticas ao ignóbil discurso de André Ventura já expressas pela "sociedade civil", por instituições e entidades, pelo poder político (partidos, ministros, ...).

Só que no caso dos partidos políticos há um outro lado da moeda (há quase sempre um "vice-versa").
Partido Socialista (Ana Catarina Mendes), Livre (apesar de continuar, em crescendo, toda a polémica que envolve a relação partido vs deputada), Bloco de Esquerda (Pedro Filipe Soares), Adolfo Mesquita Nunes, entre outros (como por exemplo a Ministra da Justiça).
A questão, principalmente no que toca aos partidos com assento parlamentar, é que todo este mediatismo tem duas vertentes que não podem ser escamoteadas. Uma que é inevitável e preferível, apesar de tudo, ao silêncio: a ampliação pública da afirmação de André Ventura que, incompreensivelmente, em pleno século XXI, ainda colhe adeptos.
A outra é a recolha de dividendos políticos, de ganho de popularidades partidárias, à custa das críticas (e, infelizmente, da própria visada/atacada Joacine). Como aliás refere o insuspeito bloquista José Manuel Pureza. As críticas dos mencionados Livre, do PS e do BE não passam de mensagens marcadamente políticas porque, infelizmente, não há qualquer consequência política ou condenatória para a execrável atitude do deputado e líder do Chega, André Ventura.
Verdadeiro impacto e desejadas consequências das críticas proclamadas de condenação das declarações xenófobas e racistas seria a Assembleia da República poder ir mais longe que um inconsequente "voto de repúdio". É apenas um "louro" político que, estupidamente, favorece também o populismo político-partidário e ideológico do Chega, dando-lhe eco e palco.

Curiosamente, ao contrário de tanta "falsidade", "cobardia", "vergonha", gritadas aos 4 ventos na última assembleia do Livre, a melhor resposta foi a da própria Joacine que se limitou, para já, ao silêncio.

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publicado por mparaujo às 22:36

12
Jan 20

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Uma das principais virtudes de um verdadeiro líder é a sua elevação e grandeza nas vitórias e, igualmente, nas derrotas.
Algo que o discurso de Luís Montenegro não teve na noite eleitoral de ontem.
O que revela muito da sua ética política. Aliás, o que não se estranha desde o congresso de fevereiro de 2018. E, acredito, infelizmente, não irá parar por aqui.

Independentemente das regras em vigor (que obrigam a uma, "escusada", segunda volta... que em nada irá beneficiar o partido), só alguém com todo o topete político pode questionar uma vitória que ficou a cerca de 0,5% de uma clara maioria que terminaria, no sábado, o assunto das directas no PSD. Com topete e sem qualquer respeito democrático.

Mas o descaramento de Montenegro não fica por aqui. Há três notas nas suas afirmações que são demasiado graves, e falaciosas, para ficarem em claro.

Afirmou Luís Montenegro que "foram mais os militantes que votaram na mudança do que na continuidade". Não não foram...
A existência de duas candidaturas que se opuseram à reeleição de Rui Rio, significa tão somente que os 9,2% de militantes que votaram em Miguel Pinto Luz não votaram, de facto, na continuidade de Rui Rio mas também não quiseram a mudança de Luís Montenegro. A usurpação desses votos é, no mínimo, uma total falta de respeito pelo legítimo e democrático exercício de voto desses militantes.
Mas há ainda um facto curioso nesta afirmação de Montenegro, revelador da sua incoerência política e do seu jogo de pura demagogia eleitoral. Regressemos às legislativas de 2015. À data, PSD e CDS (PaF), foram a coligação mais votada nesse acto eleitoral. No entanto, a maioria dos portugueses elegeu uma Assembleia da República, maioritariamente, de esquerda (a tal 'geringonça'). Na altura Montenegro 'rasgou as vestes' ao criticar o que chamou de assalto ao poder por parte do PS e dos seu 'aliados', contrariando o que era a 'tradição' de constituição de um Governo pelo partido mais votado. Pois... a coerência é uma coisa chata mas não pode servir quando nos dá jeito. Luís Montenegro deita por terra qualquer seriedade e honestidade política ao usar, agora, os mesmos argumento do PS, BE e PCP na altura.

As Directas são eleições internas para a escolha do presidente do PSD. São, por isso, eleições que disputam projectos internos. Durante a grande parte, se não a maioria, da campanha eleitoral Luís Montenegro escolheu como alvo principal Rui Rio, acusando-o e criticando-o. Vir agora afirmar que o seu adversário é António Costa é, no mínimo, ridículo mas ao mesmo tempo revelador da sua obsessão pelo poder.
Pelo contrário, Rui Rio sempre manifestou e espelhou uma clara magnitude política: através do PSD, servir Portugal e os Portugueses.

Por último, Montenegro apresenta-se com uma presunção vencedora que se lamenta (para além de um erro político, mas isso já é problema seu).
Não é eticamente compreensível (e aceitável) que um político/candidato se apresente a um qualquer acto eleitoral como um anunciado vencedor ou, pior ainda, no caso de Montenegro afirmando (mais que uma vez) que ganharia as eleições de 2021 (autárquicas) e as de 2023, assumindo-se como Primeiro-ministro antecipado.
As eleições não se ganham previamente, não há vencedores antecipados. As eleições 'tentam-se' ganhar, conquistam-se. Primeiro, porque há um conjunto de factores que não se controlam ou que condicionam os actos eleitorais, como as conjunturas políticas. Segundo, e principalmente, porque ninguém é dono dos votos, o voto pertence à vontade e livre opção de cada eleitor.
Talvez por isso não seja de estranhar que Luís Montenegro tenha perdido, em Espinho, as eleições autárquicas de 2005 para o PS local (o socialista José Mota) e tenha perdido, agora, a primeira volta das directas no PSD, quando se apresentou, presunçosamente, como vencedor, com maioria (à 1.ª volta). Curiosamente, nem no distrito 'natal' (Aveiro), nem no Concelho de Aveiro onde encerrou a campanha e tão fervorosos adeptos tinha (ou como alguém referiu, numa das sessões de campanha, no Porto: "O Melhor de Aveiro" com Luís Montenegro).

Uma coisa Montenegro pode ter a certeza...
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) não querem um PSD esvaziados dos seus fundamentais princípios da social-democracia, fora do seu posicionamento ideológico (ao Centro) que Sá Carneiro tanto defendeu.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que não querem ver um PSD regressar ao sombrio e vazio tempo de 2010 a 2018.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que não aceitam que PSD ocupe um espaço político (perigosamente neoliberal) que não é o seu por natureza, que se confunda com CDS, Iniciativa Liberal, Aliança ou Chega.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que querem ver um PSD ao centro e que, dessa forma, contribua para o fim dos extremismos (à direita e à esquerda).
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa), o maior número, que entendem que Rui Rio é o líder certo para construir uma alternativa política a António Costa, capaz de defender Portugal e os Portugueses.

publicado por mparaujo às 21:17

10
Jan 20

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O Orçamento de Estado para o ano de 2020 entrou na sua fase de apresentação e discussão parlamentar com vista à sua (para já, garantida) aprovação na generalidade (globalidade).

BE, PCP, Os Verdes, Livre, PAN, a chamada "liga das esquerdas", anunciaram o seu sentido de voto: Abstenção.
António Costa e Mário Centeno, desde a primeira hora das abordagens ao OE2020,  apelidaram este Orçamento de continuidade (em função da anterior legislatura) e de esquerda.

Face às criticas e ao sentido de voto da "liga dos 5" percebe-se que a continuidade da Geringonça faliu e que o OE2020 diz muito pouco às Esquerdas. O resto não passa de jogo político porque também é mais que óbvio que o OE2020 irá passar na globalidade e especificidade na Assembleia da República.

Tretas, portanto.

publicado por mparaujo às 17:10

04
Jan 20

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(créditos da foto: Estela Silva / LUSA)

Por tradição (mesmo que sem nexo aparente) o dia 1 de abril, considerado o 'dia das mentiras', é a altura do ano onde cabe o engodo com base numa inocente partida, mentira ou piada.

O Bloco de Esquerda conseguiu quase tudo isso antecipando o dia 1 de abril para hoje (4 de janeiro).

A piada, à qual podemos juntar a demagogia populista (há quase tudo de tão populista no discurso político e nas opções política do BE como no perigoso populismo da extrema-direita), está feita no anúncio público de Catarina Martins: o Bloco de Esquerda não vai votar favoravelmente o Orçamento de Estado para 2020.

Tretas...

O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que aritmética partidária na Assembleia da República é muito favorável ao PS e ao Governo de António Costa, apesar de não terem maioria absoluta.
O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que a conjuntura vivida na anterior legislatura não é repetível nos próximos 4 anos porque o PS já não precisa do BE e do PCP de forma tão intensa e estreita.
O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que todo o discurso que tem proferido não passa de uma falácia e um mero bluff. O facto de não votarem favoravelmente não tem impacto rigorosamente nenhum já que é mais que óbvio que o BE se vai abster na votação, abstenção essa que é mais que suficiente para que o OE2020 seja aprovado.
O Bloco sabe muito bem, e tenta tudo para o disfarçar, que os últimos quatro anos da coligação "Geringonça" foram apenas um jogo político (para afastar o PSD da governação), sem qualquer vantagem para o país e para os portugueses, e sem 'frutos partidários' para o BE e PCP (antes pelo contrário como espelham os críticos internos no BE ou o resultado eleitoral do PCP). Como resultado, bloquistas e comunistas sentem-se agora meras marionetas e que foram politicamente usados pelos socialistas.
O Bloco sabem muito bem que, votando contra o OE20202, seria politicamente muito difícil justificar e sobreviver a um novo "2011". Repetir a 'história' seria um suicídio partidário.

Portanto, todas as críticas ao Governo e ao PS, bem como ao OE2020 (que é uma continuidade do que foi a anterior governação... sem tirar nem pôr) não passa de demagogia política para convencer o seu eleitorado e para se desresponsabilizar, perante os portugueses, do actual e futuro Estado da Nação.

Não façam é dos portugueses parvos... porque cada vez há mais memória política colectiva.
E o Bloco de Esquerda, tal como o PCP, são corresponsáveis (nem que seja por omissão) pelo estado do país.

publicado por mparaujo às 23:43

15
Dez 19

É mais que inquestionável que a ausência de ética na política e nos políticos tem sido determinante para a deterioração do seu nobre exercício e para o aumento do fosso da relação/ligação entre eleitor e eleito (basta olharmos para os diversos "casos de justiça" ou para a recente e urgente necessidade sentida pelo "poder político" em mitigar e combater a corrupção, por exemplo, por via jurídica). Seria extenso e fastidioso elencar os inúmeros exemplos que retratam esta realidade que, infelizmente, apenas tem merecido especial atenção em processos eleitorais muito por força das elevadas taxas de abstenção (recentemente: europeias, 69,27% ,e legislativas, 51,43‬%).

Mas nem só a questão ética merece relevância na degradação ou desvalorização da política, dos partidos e dos políticos. Ao tradicional "o que hoje é verdade, amanhã é mentira" assistimos a um aumento significativo de discursos, atitudes, decisões carregados de contradições entre princípios ideológicos e programáticos e opções políticas que são tomadas.

Os primeiros exemplos surgem com o Orçamento de Estado 2020.
Primeiro, começa a ser dramático e revoltante a demagogia e a falácia discursiva do BE e do PCP sobre o seu sentido de voto em relação ao OE2020. Não vale a pena quererem transformar o povo, nomeadamente os eleitores, em cidadãos estúpidos. A iliteracia política do pós 25 de Abril, numa conjuntura e realidades sociais muito peculiares para quem saía de uma ditadura de 48 anos (1926 a 1974), já lá vai. À velocidade que corre a informação e a facilidade com que se acede à mesma torna, no mínimo, os portugueses mais despertos para a realidade. Não vale a pena, por isso, derramarem lágrimas de crocodilo ou verterem para a imprensa populismos demagogos: PCP e BE vão permitir a aprovação do OE2020, critiquem o que quiserem criticar em relação aos grandes poderes, aos mais pobres ou à luta das classes. Entre a abstenção ou o voto a favor, venha o diabo e escolha. PCP e BE não têm nem coerência política, andaram 4 anos a enganar o seu eleitorado, a proferir discursos que não condizem com os princípios e os programas que defendem. Este é só mais um exemplo, um claro déjà vu.
Segundo, porque esta questão da incoerência é, obviamente, transversal, a recente entrada liberal na Assembleia da República não foge à regra. A Iniciativa Liberal, mais propriamente o seu único deputado eleito - João Cotrim, já anunciou o seu sentido de voto em relação ao OE2020: contra. Argumento: um simples e vago "Estado a mais". Este fundamentalismo neoliberal atentador da sustentabilidade das funções Sociais do Estado, para além de perigoso, quer do ponto de vista político, quer social, (perigo patente, igualmente, no processo eleitoral interno do PSD com as candidaturas anti-Rio), é deplorável. E, no caso de João Cotrim, uma triste demagogia e incoerência. Basta recordar-nos que durante 4 anos, entre 2013 e 2016, o deputado da Iniciativa Liberal foi presidente do Conselho-Diretivo do Turismo de Portugal, entidade pública totalmente beneficiária da subsidiação do Estado e de Fundos Comunitários. Além disso, esteve envolvido, em 2015, nas negociações que fixaram, em Lisboa, a Web Summit, à custa de um enorme esforço orçamental para o país e para os portugueses devido ao enorme investimento do Estado. Aliás... demasiado Estado, Estado a mais. De coerência argumentativa estamos conversados quanto a liberalismos elitistas e urbanos.

Mas a questão não se compagina apenas às posições sobre o OE2020.
Espera-se que a Assembleia da República seja, por si só, a "casa" da democracia e o expoente máximo da nobreza do exercício político. Aqui cabe, por diversos contextos, o verdadeiro sentido da liberdade de expressão e opinião.
Neste âmbito, não me parece que a segunda Figura de Estado da República Portuguesa tenha prestado um bom serviço à promoção e valorização da política e do papel do Deputado, na polémica em que se envolveu com André Ventura (deputado do partido Chega).
Durante o debate de quinta-feira, na Assembleia da República, sobre a problemática do amianto nas Escolas (tema levantado pelo PSD), Ferro Rodrigues interrompeu e advertiu André Ventura por este ter usar (na sua intervenção fê-lo por quatro vezes) desmaiadas vezes as expressões "vergonha" e "vergonhoso": «utiliza com demasiada facilidade as palavras vergonha e vergonhoso, o que ofende muitas vezes este parlamento e ofende-o a si também». Ao caso, o Deputado do Chega afirmava que «era vergonhoso haver dinheiro para tudo, incluindo para “subvenções vitalícias, mas não haver dinheiro para a remoção do amianto. Uma vergonha!».
Não nutro qualquer tipo de simpatia por André Ventura, muito menos pelo Chega, antes pelo contrário; tenho até alguma repulsa. Mas custa-me perceber o porquê da atitude recriminatória de Ferro Rodrigues e não consigo compreender como é que "vergonha" e "vergonhoso" é uma ofensa ética e moral à Assembleia e aos Deputados. E acima de tudo a situação mediatizada só permitiu a André Ventura e ao Chega ganharem protagonismo e palco público.
Mas há mais... acima de tudo não percebo a incoerência do Presidente da Assembleia da República (já para não falar do lamentável aplauso socialista, um partido que se diz tão defensor das liberdades de abril e, concretamente, da liberdade de expressão).
Se formos pesquisar os documentos e registos das intervenções parlamentares (algo que o Observador se deu ao trabalho) os números são curiosos. Na última década (duas últimas legislaturas, 2009 a 2019) "vergonha" e "vergonhoso" foram usadas foi usada 2198 vezes: 259 pelo PS, 371 pelo PSD, 594 pelo PCP, 359 pelo Bloco, 264 pelo CDS-PP, 120 pelo PEV e 2 pelo PAN. Na última legislatura, em que Ferro Rodrigues também foi o Presidente do Parlamento, a palavra “vergonha” foi usada 710 vezes. Ou seja, demasiadas vezes, sem uma única reprimenda.
Como diria um determinado deputado da Assembleia da República, recentemente eleito... "uma Verg....!".

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(cartaz do partido Chega colocado, após polémica, nas imediações da Assembleia da República)

publicado por mparaujo às 22:12

08
Dez 19

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Populismo: substantivo masculino.
1. [Artes] (...)
2. [Política] Doutrina ou prática política que procura obter o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis às massas.
Se substituirmos "medidas" por "discursos" obtemos o perfeito retrato do populismo e falaciosa demagogia do Bloco de Esquerda e do PCP em relação ao Orçamento de Estado 2020 (OE2020). E, desta forma, vira-se o feitiço contra o feiticeiro no que respeita à coerência entre o discurso, a ideologia e a "sede do poder".

BE e PCP voltam a repetir, nesta "pré-campanha orçamental" para 2020, a triste imagem política deixada em cada debate e aprovação dos respectivos Orçamentos de Estado, entre 2015 e 2019, sob a capa protectora da "geringonça". Com uma clara agravante que já trouxe algum "amargo de boca interno" a Jerónimo de Sousa após as eleições legislativas de outubro passado e que começa a criar algum constrangimento partidário no seio do BE, com a anunciada movimentação do grupo crítico Via Esquerda que junta 60 críticos da actual orientação política do partido. É que a actual conjuntura político-partidária, patente na Assembleia da República, alivia a pressão do PS e do Governo para a discussão e aprovação do OE2020, bastando, para tal, contar com o apoio do PAN, Livre e dos três deputados sociais-democratas eleitos pelo círculo da Madeira que já anunciaram, pela voz de Miguel Albuquerque, o seu voto favorável se cumpridas as reivindicações madeirenses e os apoios à Região Autónoma da Madeira, como, por exemplo, a construção do novo Hospital, a ligação ferry semanal para o Continente e a comparticipação das viagens aéreas.
Pelo contrário, parece ficar de fora do OE2020 a descidda do IVA na eletricidade ou o englobamento dos rendimentos prediais no IRS, como tanto deseja o BE.

Não é por isso de estranhar, por exemplo, o "desabafo" do comunista João Oliveira que afirmou que a «negociação do Orçamento não está a ser feita com a profundidade dos anos anteriores», tendo a actual relação com o Governo sido cingida aos mínimos: o “recenseamento” das propostas do PCP.

Mostram-se como mero jogo político e populismo bacoco as afirmações quer de Catarina Martins, quer de Jerónimo de Sousa, em relação ao que se espera da aprovação do OE2020. Por mais que a coordenadora do BE diga que o «sentido de voto do BE sobre o OE2020 está completamente em aberto», por mais que o líder comunista queira denunciar «retrocessos” do PS no Orçamento e ofensiva reaccionária», por mais que diga que «o Governo escolhe meta do défice em vez de resolver os problemas sociais», por mais que queira convencer a opinião pública e o seu eleitorado que «o PCP só dará o aval ao OE2020 se respeitadas algumas das 70 condições propostas»... a verdade é que ninguém (nem a direita) acredita no chumbo do Orçamento do Estado para 2020.

PCP e, nomeadamente o BE (ainda está bem presente na memória bloquista a 'azia partidária' gerada com a opção política de 2011), não irão entregar de mão beijada o poder ao PSD; não irão ter a responsabilidade partidária de gerar uma crise política perante um governo recém-eleito; nem o PS correria o risco (preferindo, numa ou noutra matéria, vender a alma ao diabo) de procurar já, passados apenas 2 meses das últimas eleições, uma maioria absoluta num novo processo eleitoral.

São, portanto, ridículas as posições públicas de BE e do PCP nesta matéria de discussão orçamental. Nem para consumo interno, do seu eleitorado, serve.

publicado por mparaujo às 17:23

O que se passa no Livre daria claramente para um estudo de caso no âmbito de qualquer dissertação, tese de mestrado/doutoramento ou processo de investigação na área das Ciências Políticas.

Em plena crise interna, estrutural e partidária, principalmente nos momentos mais particulares e onde a coesão só faria todo o sentido, um dos fundadores e principal rosto do Livre, Rui Tavares (que até admiro/respeito) e a deputada Joacine Katar Moreira, tendem a concordar discordando.

Enquanto Rui Tavares, à entrada para a reunião da Assembleia, admitia «dificuldades e erros», adiantando que «todos os partidos têm conflitos, o que os distingue é a forma como os resolvem», já Joacine Moreira afirmava que «não existe conflito absolutamente nenhum. Há uma relação de diálogo e entendimento e é sobre isso que iremos falar». Ou seja, para a deputada única do Livre, reuniram-se num domingo de manhã, em pleno outono cinzento, frio e molhado, como quem foi à missa dominical.

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(© André Kosters /Lusa)

publicado por mparaujo às 14:17

30
Nov 19

Enquanto uns se deslumbrem com as aparências ou com fugazes efeitos cénicos, Aveiro viveu, hoje (no encerramento de mais um mês), o verdadeiro espírito da social democracia. A verdadeira, a real, a paradigmática... sem populismos, sem demagogias.
A social democracia que importa para o PSD, para os portugueses e para o país.

O auditório do Parque de Feiras e Exposições de Aveiro encheu, de forma simples mas muito real, para ouvir Rui Rio afirmar-se como um verdadeiro líder: frontalidade, transparência, saber, experiência e, principalmente, um inequívoco sentido de Estado bem cimentado no que são os verdadeiros pilares da social-democracia - igualdade de oportunidades, solidariedade e justiça social.

Rui Rio foi mais uma vez, para além de igual a si mesmo, muito realista, directo e concreto: «Candidato-me a presidente do PSD por Portugal». O PSD é o contexto instrumental, o meio para atingir o sublime sentido da política: servir o país e os portugueses, com o olhar e pensar ideológico e político da social-democracia (bem ao centro, sem desvios dos princípios, dos valores e da génese que nortearam o partido). Com o objectivo de alcançar 'Melhores empregos, melhores salários, melhores serviços públicos, melhor qualidade de vida para os portugueses'.

Só com Rui Rio será possível um PSD em condições de servir melhor Portugal, de ser alternativa governativa, de reconquistar o centro e honrar a história do partido e dos seus fundadores.
Um PSD dos sociais-democratas, das bases do partido, (re)implantado e de novo enraizado no poder local, aberto à e com a sociedade, focado no país e nos portugueses.

Com RUI RIO: PORTUGAL AO CENTRO.

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publicado por mparaujo às 22:59

26
Nov 19

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Enquanto muitos se "deslumbraram" com deambulismos sobre a gaguez da deputada Joacine Katar Moreira e a saia do seu assessor parlamentar, foi-se secundarizando a questão principal: a mensagem (o seu conteúdo e não a forma) político-partidária.
A isto pode-se acrescentar o amadorismo político e o ego e deslumbramento parlamentares da deputada eleita que prejudica, notoriamente, o Livre. Mas isso é, obviamente, um problema do partido que, diga-se, não está isento em toda esta problemática da relação com Joacine. Um problema que deveria ter sido resolvido "à porta fechada", internamente, e não na praça pública, com danos colaterais que provocam danos na imagem do partido.
Mas, repito, esse é um problema do Livre, da sua direcção, de Joacine Moreira e de Rui Tavares. E importa referir que a abstenção em relação à condenação da Assembleia da República (proposta pelo PCP) da intervenção de Israel na Palestina não é, de todo, mais grave do que o Livre ter perdido (por ter ultrapassado os prazos definidos) a oportunidade de agendamento de um Projecto sobre a Lei da Nacionalidade.

Já o reflexo de toda esta embrulhada na democracia portuguesa é muito mais abrangente e diz respeito a todos, nomeadamente à política: leva-nos a uma reflexão (ou à necessidade de reflectirmos) sobre a actual Lei Eleitoral.
Há uma enorme incoerência no processo eleitoral e num perigoso esvaziamento do sentido e princípio colectivo da política a favor do egocentrismo político e pseudo-representativo.
O sistema eleitoral português ( seja no legislativo/nacional, como no autárquico/local) assenta na representatividade democrática das listas uninominais onde, ao contrário do que é senso comum, se vota nas pessoas e não nos partidos. Isto faz com que o eleito seja o legitimo detentor e tutelar do voto. Não há nada de mais hipócrita e perverso neste processo (para isso mais vale avançar para os círculos uninominais): os eleitos/candidatos concorrem sob o símbolo e um programa político de um determinado partido ou movimento... não concorrem de forma individualizada (isso acontece nas presidenciais). No entanto, em casos como o de Guterres e o "Queijo Limiano", mais recentemente com Paulo Trigo Pereira e o PS, e agora com Joacine Moreira e o Livre, os eleitos acabam donos dos seus lugares e só os abandonarão por vontade própria (por mais "expulsões" internas que os partidos promovam).
E é isto que traz o maior desconforto político ao Livre (agravado pela condição de deputada única), sem capacidade de reacção a afirmações como "Isto é um golpe e a minha resposta é esta: não sou descartável e exijo respeito", "Fui eu que ganhei as eleições, sozinha, e a direcção quer ensinar-me a ser política (como se qualquer um de nós não estivesse em permanente aprendizagem, principalmente quando se começa um novo desafio)". Com responsabilidades acrescidas para o próprio partido e, concretamente, para Rui Tavares, face ao processo interno, mais anárquico que democrático ou participativo, das eleições primárias para a elaboração de listas de candidatos. Ao contrário do que o Livre tentou fazer passar na sociedade, este é um processo mais perverso do que democrático e livre, que mais não seja porque liberta qualquer eleito nas primárias da "relação programática e ideológica" face ao partido.

publicado por mparaujo às 22:51

19
Nov 19

É um facto inquestionável que a cultura tem "ideologias" (assim... no plural). Apesar de niguém poder (ou dever) ser dono e proprietário da Cultura, a verdade é que a dinâmica cultural, nomeadamente a individual, é património da ideologia e concepção social do seu criador (músico, escritor, artistas plástico, actor, encenador, programador, whatever). Não há isenção concepcional na Cultura. Ela é o espelho e reflexo da individualidade.

Mas neste contexto, goste-se ou não, estejamos mais próximos ou liminarmente no oposto, uma REFERÊNCIA da cultura, património e identidade de uma comunidade é, e deverá ser sempre, uma REFERÊNCIA.

E quando um referência parte ficará sempre um vazio irreparável e insubstituível. Goste-se ou não.
Apesar do "lado oposto", lamento... ficámos cultural e patrimonialmente mais pobres na música: R.I.P. JOSÉ MÁRIO BRANCO.

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(crédito da foto: Isabel Pinto, in Comunidade Cultura e Arte)

publicado por mparaujo às 12:04

09
Nov 19

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(créditos da foto: ricardo stuckert, in viomundo)

Já há algum tempo que a probabilidade ganhava contornos reais e concretizáveis... após 20 meses de cativeiro, Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, foi, ontem, libertado após o Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF) ter decidido anular a decisão de prisão, em abril de 2018, do Tribunal de segunda instância.

Neste processo, há 3 ou 4 pressupostos que importa referir.
1. Não tenho qualquer afinidade ideológica com o Partido dos Trabalhadores (Brasil), fundado, em 1980, precisamente por Luiz Inácio da Silva - "Lula da Silva".
2. Por falta de informação completa e aprofundamento dos factos, não tenho uma opinião formada e consolidada sobre o processo "Lava Jato" que levou à prisão do ex-Chefe de Estado brasileiro. Tal como em relação ao processo "Vaza Jato".
Entendo que a Justiça (o poder judicial), seja em que parte do mundo for, deve ter uma forte e total independência em relação ao poder político e à componente ideológica. Nem um processo, nem outro, deveria estar politizado e partidarizado. Sempre defendi o direito à "presunção de inocência" até que um processo transite em julgado e seja apurada toda a verdade.
3. Será pura demagogia e mero populismo, e uma triste presunção altaneira e arrogante, achar-se que a corrupção tem o seu expoente máximo nas regiões sul-americanas ou africanas. Basta olharmos para o nosso umbigo, para a nossa realidade, para os "casos de justiça" nacionais, para percebermos e reconhecermos que Portugal não é exemplo "dos bons costumes da ética política e do serviço público". Seja na política, na governação (nacional, regional ou local), nas empresas, na economia, nas famílias e em cada um dos cidadãos. Basta, por exemplo, ver como, cada um de nós, de forma individual e particular, encaramos o cumprimento das obrigações fiscais (mesmo no simples facto de solicitarmos a mera factura sobre o consumo).
4. Mas infelizmente, perante toda a complexidade conhecida destes dois processos (aos quais se juntarão, inevitavelmente, os que atropelam os mais elementares direitos universais - como o caso "Marielle Franco"), dos seus impactos políticos, esta realidade brasileira mistura, no mesmo saco, a justiça com o poder político, a política e a ideologia. O que, infelizmente, dá sempre muito mau resultado; veja-se o caso actual da Catalunha e a reação à condenação, pelo Tribunal Supremo de Espanha, à condição de 'presos políticos' dos independentistas catalães (Oriol Junqueras, Jordi Turull, Raül Romeva, Dolors Bassa, Joaquim Forn, Josep Rull, Meritxell Borrás, Carles Mundó, Santiago Vila, Carme Forcadell, Jordi Sànchez e Jordi Cuixart).

Há uma questão incontornável na libertação de Lula da Silva (que não significa a sua absolvição): a devolução do sentido pleno da sua liberdade (mesmo que o processo continue o seu percurso judicial) tem impacto na democracia e justiça brasileiras. Algo que deveria ser mais abrangente do que a mera retórica ideológica da esquerda portuguesa (BE e PCP).

Independentemente de se gostar ou não de Lula da Silva, independentemente da maior ou menor proximidade ideológica com o PT, a libertação do ex-Presidente do Brasil é uma manifesta excelente notícia face ao preocupante rumo democrático do país. Mesmo que ainda esteja em suspenso o desfecho final do processo, Lula da Silva em liberdade será sempre um factor de estabilidade da democracia (por óbvia oposição a Bolsonaro), para além da sempre desejada pluralidade para o equilíbrio da qualquer sociedade.

publicado por mparaujo às 16:12

03
Nov 19

O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, no período de governação de Passos Coelho, já tinha anunciado a sua intenção de se candidatar ao lugar de Rui Rio (apesar, e sublinho apesar, do lugar de Rui Rio nunca ter estado disponível ou vago).
Nesta sexta-feira formalizou oficialmente a sua candidatura e abriu a campanha eleitoral, mas tal como surgiu o seu sonho (espera-se que não passe disso), também aqui da pior forma.

Já não bastava o manifesto desígnio de querer desvirtuar programática e ideologicamente o partido, posicionando-o onde ele nunca deveria ter estado em 2005 e, muito menos, entre 2010 e 2018 - no perigoso liberalismo, balofo conservadorismo e à direita (no espaço do CDS e, recentemente, do Aliança, da Iniciativa Liberal ou do, pasme-se, Chega) - vem agora, Luís Montenegro, de forma egocêntrica assumir-se como o centro e o sol do PSD (é o novo Luís XIV do partido - "Le PSD c'est moi!"). Não... não é. O PSD são os militantes, é a estrutura democraticamente eleita de forma pluralista (basta recordar a composição do Conselho Nacional e o número de apoiantes de Santana Lopes), é a sua comissão política nacional e o seu (actual) Presidente. O resto cheira a tomada de poder, a ressabiamento, a falta de sentido colectivo e democrático.
Mas há mais... é, no mínimo, politicamente desonesta toda a argumentação e demagogia usada por Luís Montenegro. Um partido forte, afirmando-se como alternativa ao PS (sem precisar de se "negar ideologicamente") e à actual governação, um PSD cheio de força (e obviamente uma força que só pode vir de dentro) é o que Rui Rio está a fazer (e bem) desde que chegou à presidência, em 2018.
Além disso, ao contrário do que é o foco central da frágil mensagem de Montenegro, quem está verdadeiramente obcecado pelo PS é o agora candidato oficial às directas de janeiro. É uma tentativa baixa de denegrir a liderança de Rui Rio ao confundir "vassalagem" com os superiores interesses do país e insistir, de forma continuada e persistente, na colagem de Rio ao PS. E esta é uma grande diferença: o sentido de responsabilidade política, de verdade política, de rigor e transparência, do respeito por todos os cidadãos, nomeadamente os sociais-democratas.

É, e sempre foi, óbvia a chegada de Luís Montenegro na actual conjuntura político-partidária: desde o Congresso, em 2018, até à surreal e absurda tentativa de destituição, em janeiro de 2019. E politicamente hipócrita a sua aparição na campanha eleitoral legislativa, claramente como prova de sobrevivência partidária e como tentativa de recolher palco mediático. Aliás, basta tomar como exemplo o recente debate parlamentar de discussão do Programa do XXII Governo (já lá iremos), apresentado, esta semana, na Assembleia da República. Luís Montenegro, lamentavelmente, não foi capaz de ter, no mínimo, o respeito institucional de reconhecer a excelente prestação parlamentar de Rui Rio e da bancada do PSD (como, por exemplo, Fernando Negrão). Algo que se ouviu da boca de Miguel Pinto Luz que elogiou a prestação do partido no debate do programa do Governo.
Esta falta de respeito político é de tal forma marcante em Luís Montenegro que teve o desplante e o topete de apelidar como "sua" a bancada parlamentar eleita no mês passado. Pena é que (ou se calhar, até, felizmente) não tenha o mesmo sentimento partidário para com um líder (independentemente de se gostar ou não... realidade que existe desde a fundação do partido com cada passagem de liderança) democraticamente eleito por maioria da vontade expressa dos militantes do PSD.

Mas pronto... regressou o PSD do "saco de gatos", da fobia pela cadeira do poder da São Caetano, na Estrela (sempre tão apetecível).
À apresentação oficial de Luís Montenegro - "A força que vem de dentro" - só faltou mesmo a musica de fundo com o tema da Nelly Furtado... "como uma força..." ('Força'). Ficava o quadro bem completo.

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publicado por mparaujo às 12:34

21
Out 19

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(fonte da foto: RTP online)

Porque é que Rui Rio é importante para o PSD?
Questão mais que pertinente em fevereiro de 2018 e que se volta a colocar hoje, após o anúncio da sua recandidatura à liderança do PSD (directas previstas para janeiro de 2020).

Embora possa influenciar a resposta, não é, de todo, apenas pela personalidade de Rui Rio. Será sempre um factor discutível, como será na avaliação da personalidade de qualquer líder e a sua liderança.
Essencialmente, o grande valor de Rui Rio está na capacidade de trazer de volta a génese política e dogmática do partido (reposicionar programaticamente), afirmando e confirmando, claramente, o seu princípio social-democrata.

Foi, por isso, com especial agrado que o anúncio público da sua recandidatura à liderança do PSD confirmou esta realidade: a defesa e afirmação da social-democracia e o posicionamento do partido no centro político português (de onde não devia, nunca, ter saído há uns anos), ganhando aí o seu lugar ideológico e programático, o seu eleitorado e consolidando-se como (a única) alternativa governativa.

Do discurso de Rui Rio, hoje, no Porto, há duas afirmações que merecem nota de destaque, pelo valor político que enraízam, externa e internamente (muito mais importante, face ao "oposicionismo" egocêntrico que vai latejando):  "o PSD não pode ser uma força partidária ideologicamente vazia e liberal” e (refutando as críticas de Teresa Morais - enfim... - que afirmou que "Rui Rio não gosta do PSD") "de facto não gosto... não gosto do que vejo nos partidos, incluindo o meu" (recordando os que tanto criticaram e acusaram o PS, em 2014, de "atentado político" a António José Seguro, para em janeiro deste ano tentarem o mesmo ou ainda pior).

É esta a importância que o actual líder do PSD tem para o futuro do partido: o 'regresso' à social-democracia e ao centro e uma forma de fazer e estar na política de maneira séria, ética, contra o politicamente correto e sem cinismos. Infelizmente e lamentavelmente há quem confunda isto com uma (suposta) subalternização ao PS... puro engano. O que há, e o país e muito sociais-democratas agradecem, é uma subalternização do PSD a Portugal... porque Primeiro está Portugal (37.º congresso nacional - 2018).

Todo esta conjuntura política interna faz-me sempre recordar Sá Carneiro, principalmente pela "desonestidade política" com que tantos críticos de Rui Rio e supostos "salvadores da pátria e do reino" invocam o seu nome (em vão).
É nesta alturas que a hipocrisia política não pode ser tolerada e recordar, sem qualquer constrangimento político ou ideológico, sem medo das palavras e dos conceitos, algumas das (fortes) afirmações políticas e parlamentares de Francisco Sá Carneiro:
"Nós, Partido Social Democrata, não somos nem seremos nunca uma força de direita".
"A social-democracia é desejável para Portugal pois é, até hoje, a única via experimentada na Europa que tem conseguido caminhar para a igualdade sem violação da liberdade".
E ao contrário da demagogia e populismo de Catarina Martins (BE)...
"O socialismo democrático [social-democracia], na Europa, enraíza na ética cristã, no humanismo e na filosofia clássica". E sem "medos"... "Somos socialistas porque somos sociais-democratas, mas somos socialistas sem subordinação a dogmas marxistas, muito menos leninistas, sem subordinação a dogmas de apropriação colectiva dos meios de produção".

Com Rui Rio o PSD pode voltar a ser um partido social-democrata, na sua raiz, e ao centro... sem precisar de "liberalismo de iniciativa questionável" ou de "alianças afundadas". Para isso e esses... CHEGA!

publicado por mparaujo às 23:16

12
Out 19

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A ânsia e a febre desmedida do mediatismo e do poder conduz, na maioria das vezes, a discursos incoerentes, à manha, à manobra e maquinação pública.
O recente "vir à tona" de Luís Montenegro revela tudo isso e demonstra que está mais preocupado e focado em joguinhos de egos e narcisismos, no carreirismo partidário e na demagogia, do que no interesse da social-democracia, dos portugueses e do país.
Pelo contrário, bem contrário, Rui Rio sempre foi claro e coerente: acima do partido estão os portugueses (entre os quais todos os sociais-democratas, que agradecem) e está o país. Isso é que é ser político e é saber estar na política, na sua plenitude.

Luís Montenegro, nesta sua nova impulsiva aparição (foi fervilhando em lume brando desde fevereiro de 2018, apesar da derrota sofrida em janeiro deste ano, quando Rui Rio ganhou a Moção de Confiança que apresentou no Conselho Nacional) tem afirmado afirmou, por amiúdes vezes, que com ele na presidência do partido (Deus que nos livre....) "não haverá acordos com o PS, nem está disponível para dialogar com António Costa".
Pois... mas a política e a história do PSD têm memória (e não precisa de ser muito longínqua). Basta recordar que Luís Montenegro foi líder da bancada parlamentar entre 2011 e 2017, período que inclui toda a governação de Passos Coelho. Neste contexto, com a responsabilidade política que tinha (à data), importa lembrar ao agora putativo candidato (apenas 3 exemplos para não ser muito exaustivo) o seu mau sentido de Estado, a sua (in)coerência e a sua demagogia balofa: «Passos Coelho espera maior abertura do PS para entendimentos com o Governo, para compromissos essenciais para o país» (dezembro de 2014 - SIC Notícias); «Primeiro-ministro (Passos Coelho) espera aproximação entre PS e Governo para reforma do IRC» (dezembro 2013 - Dinheiro Vivo); ou ainda, «Passos Coelho garantiu que 'as medidas de austeridade que estiveram em vigor estes anos' vão ser removidas progressivamente e que pretende envolver o PS na reforma da Segurança Social» (Agência Lusa).
Enfim... o "psd de fantasia" de Luís Montenegro não quer nada com o PS... para Luís Montenegro, nunca o PSD teve, na sua história, alguma coisa a ver com o PS (só agora com Rui Rio). É triste... muito triste.

 

publicado por mparaujo às 22:13

11
Out 19

rui-rio-termina-campanha-com-portugal-em-primeiro.

Há uma vontade enorme de gritar BASTA… para não dizer “Chega” que, na conjuntura actual, pode ser foneticamente mal interpretado (ou pessimamente interpretado).

Os factos… a noite/madrugada do passado domingo revelou algo inquestionável, algo que nem Rui Rio colocou em causa: o PSD perdeu as eleições legislativas 2019.
Não há qualquer dúvida: o PSD obteve 27,9% dos votos expressos e o PS 36,65% (falta apenas contabilizar os votos da emigração).
Importa, no entanto, ler, politicamente, esse resultado social-democrata.

Pesava sobre o partido o recente resultado eleitoral europeu, volvidos pouco mais de 4 meses de intervalo: 727.207 votos e a perda de um mandato. Em relação às últimas legislativas (2015), a comparação pode ficar enviesada, já que nesse acto eleitoral o PSD apresentou-se a sufrágio numa coligação pré-eleitoral com o CDS.
Mas a verdade é que descontando o peso eleitoral (perdido, e muito) do CDS, o número de votos conquistados, pelo PSD, no passado dia 6 de outubro (quase 1 milhão e 500 mil de votos) não difere muito do valor de 2009, de 2015 e é bem superior ao de maio passado.

Num partido que amiúde agita a bandeira da sua história política e ideológica, nomeadamente com o uso (e abuso) da figura de Sá Carneiro, é importante relembrar também a história mais recente. Rui Rio conquista a liderança do PSD em fevereiro de 2018 (pouco mais de ano e meio) com a capacidade de devolver o partido à sua génese ideológica, perdida desde o final de 2004 com a surreal chegada de Santana Lopes à presidência, e durante a vigência de Passos Coelho até ao início de 2018.

Há ainda uma outra história por escrever e destacar. Houve, no PSD, três erros estratégicos, politicamente desastrosos, que marcaram o rumo do partido e condicionaram a actual conjuntura política: em 2011, face ao descalabro e afundamento do país com a governação socialista de José Sócrates, o PSD nunca devia ter embarcado na ânsia desenfreada de conquistar o poder. Sendo assumido até pela própria esquerda (caso do BE) que a responsabilidade do estado do país se devia à má governação de José Sócrates, sendo inevitável o resgate externo ao país, deveria ter sido o PS a assumir o compromisso de implementar o “caderno de encargos” externo para resgatar a situação económica e social nacional. Além disso, a obsessão por ir “mais além da Troika”, pela cedência fácil a um certo neo-liberalismo que invadiu o partido nesse período, deixaram marcas na governação e nas eleições de 2015 (essas, ao contrário do que diz agora Luís Montenegro, tinham todas as condições para serem ganhas, aproveitando o efeito político e social da “saída limpa” e com mérito de 2014). E, por último, correndo todos os riscos do politicamente incorrecto (é para o lado que durmo melhor) convém desmitificar, de uma vez por todas, esse resultado eleitoral. Ao contrário do que permanentemente agitamos no partido, o PSD não venceu as eleições de 2015. Dois factos óbvios e claros: primeiro, o partido apresentou-se a eleições numa coligação pré-eleitoral (PSD/CDS = a PàF); segundo, os votos conquistados pelos dois partidos (na prática representa sempre o somatório de duas forças partidárias) não atingiram a maioria. E foi nesta conjuntura que perdemos a governação para a esquerda. Não vale a pena continuar a alimentar mitos.

Mas regressemos a 6 de outubro de 2019…
É pura demagogia e politicamente desonesto afirmar que o resultado alcançado por Rui Rio nestas últimas legislativas é, historicamente, o pior resultado de sempre do PSD, tendo como base a percentagem alcançada (27,9%). As percentagens não podem servir como padrão de comparação porque elas dependem, exclusivamente, das condicionantes de cada eleição individualmente: o número de inscritos, o número de votantes, os votos brancos e nulos, a abstenção. E estes dados que estabelecem cada percentagem eleitoral não são repetíveis de acto eleitoral para acto eleitoral. É, por isso, um argumento falacioso e que distorce a realidade.
Porque a realidade do desfecho das Legislativas de 2019 foi bem descrita por Rui Rio na noite eleitoral do passado domingo: o resultado ultrapassou as expectativas e todos os quadros negros e catastróficos anunciados durante a pré e a campanha; o resultado não difere dos valores conquistados em eleições nas quais o PSD não venceu; o resultado estava, previamente, condicionado ao confronto com uma conjuntura política saída das eleições de 2015 e da conjuntura económica internacional que favoreceu a estabilidade governativa do PS e da geringonça.
Mas o resultado do PSD, a 6 de outubro, ainda sustenta uma outra realidade importante (ou, até mesmo, mais importante). Não há memória de uma contestação interna tão assumidamente pública e constante à liderança do partido, que nem a tradicional união face à vivência de actos eleitorais fez esbater. O ressabiamento da perda das directas em 2018 e de quem não sabe aceitar uma derrota; o infeliz saudosismo passista; a “orfandade” gerada pelo abandono do líder da alternativa a Rui Rio, em 2018 (Santana Lopes); a perda do carreirismo político no aparelhismo partidário, de muitos tachos e negócios; a não percepção e a não aceitação da mudança (necessária e urgente, na altura) de ciclo na vida do partido; a “inveja política” pela liderança de Rui Rio marcada pela coerência, pelo rigor, por um discurso mais próximo dos portugueses e menos “politiquês”, por uma afirmação que dispensa o alarmismo (afinal o diabo não chegou), o ataque fácil e a “gritaria mediática” (basta lembrar o fraco registo do CDS nestes 4 anos e o resultado final); a redefinição e o reposicionamento ideológico do partido com a chegada de Rui Rio e que tantas amarguras (ou amargos de boca e azia, se preferirmos) trouxe aos conservadoristas e neo-liberais que minaram os últimos anos do PSD…
(tudo isto) desperta o permanente pairar dos “abutres políticos”, tão sedentos do poder (porque o poder no PSD é, manifestamente, apetecível), e que teimam em sobrevoar a liderança mal lhes toca um leve, mesmo que muito ligeiro, cheirinho a fragilidade ou insucesso. Os mesmos que necessitaram de demonstrar “prova de vida política” ao surgirem, hipocritamente, na campanha eleitoral, em supostos e questionáveis contributos solidários.

A que triste estado chegou a oposição interna no partido que ilegitimamente fala em nome das bases, quando essas bases, maioritária e democraticamente, se expressaram e pronunciaram há pouco mais de ano e meio.
A que triste estado chegou a oposição interna no partido que tanto apelo faz à união e à unidade demonstrando uma total incoerência com os seus actos. Os mesmos que rasgaram as vestes e atacaram António Costa no confronto deste com António José Seguro (lembram-se??!!).
A que triste estado chegou a oposição interna no partido quando, desonrosamente, invoca o nome de Francisco Sá Carneiro em vão desvirtuando o posicionamento ideológico do PSD como um partido do centro, social-democrata e humanista, e não um qualquer CDS alaranjado, um conservadorista Aliança ou um liberal Iniciativa.

Se for para dar um enorme e colossal passo à rectaguarda, se for para entregar a condução do partido a “montenegros”, “hugos soares”, “relvas”, "pedros duarte", “miguéis morgados”, “pintos luz”, “teresas morais”… façam favor. É da maneira que poupo 12 euros por ano.

Mas para esses... BASTA!
Rui Rio tem todo o direito a liderar o PSD: porque foi eleito, porque foi a escolha da maioria dos sociais-democratas, pelo que trouxe (de novo) ao partido, pelo que fez neste ano e meio e pelos resultados eleitorais que alcançou.

publicado por mparaujo às 01:12

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