Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

12
Jan 20

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Uma das principais virtudes de um verdadeiro líder é a sua elevação e grandeza nas vitórias e, igualmente, nas derrotas.
Algo que o discurso de Luís Montenegro não teve na noite eleitoral de ontem.
O que revela muito da sua ética política. Aliás, o que não se estranha desde o congresso de fevereiro de 2018. E, acredito, infelizmente, não irá parar por aqui.

Independentemente das regras em vigor (que obrigam a uma, "escusada", segunda volta... que em nada irá beneficiar o partido), só alguém com todo o topete político pode questionar uma vitória que ficou a cerca de 0,5% de uma clara maioria que terminaria, no sábado, o assunto das directas no PSD. Com topete e sem qualquer respeito democrático.

Mas o descaramento de Montenegro não fica por aqui. Há três notas nas suas afirmações que são demasiado graves, e falaciosas, para ficarem em claro.

Afirmou Luís Montenegro que "foram mais os militantes que votaram na mudança do que na continuidade". Não não foram...
A existência de duas candidaturas que se opuseram à reeleição de Rui Rio, significa tão somente que os 9,2% de militantes que votaram em Miguel Pinto Luz não votaram, de facto, na continuidade de Rui Rio mas também não quiseram a mudança de Luís Montenegro. A usurpação desses votos é, no mínimo, uma total falta de respeito pelo legítimo e democrático exercício de voto desses militantes.
Mas há ainda um facto curioso nesta afirmação de Montenegro, revelador da sua incoerência política e do seu jogo de pura demagogia eleitoral. Regressemos às legislativas de 2015. À data, PSD e CDS (PaF), foram a coligação mais votada nesse acto eleitoral. No entanto, a maioria dos portugueses elegeu uma Assembleia da República, maioritariamente, de esquerda (a tal 'geringonça'). Na altura Montenegro 'rasgou as vestes' ao criticar o que chamou de assalto ao poder por parte do PS e dos seu 'aliados', contrariando o que era a 'tradição' de constituição de um Governo pelo partido mais votado. Pois... a coerência é uma coisa chata mas não pode servir quando nos dá jeito. Luís Montenegro deita por terra qualquer seriedade e honestidade política ao usar, agora, os mesmos argumento do PS, BE e PCP na altura.

As Directas são eleições internas para a escolha do presidente do PSD. São, por isso, eleições que disputam projectos internos. Durante a grande parte, se não a maioria, da campanha eleitoral Luís Montenegro escolheu como alvo principal Rui Rio, acusando-o e criticando-o. Vir agora afirmar que o seu adversário é António Costa é, no mínimo, ridículo mas ao mesmo tempo revelador da sua obsessão pelo poder.
Pelo contrário, Rui Rio sempre manifestou e espelhou uma clara magnitude política: através do PSD, servir Portugal e os Portugueses.

Por último, Montenegro apresenta-se com uma presunção vencedora que se lamenta (para além de um erro político, mas isso já é problema seu).
Não é eticamente compreensível (e aceitável) que um político/candidato se apresente a um qualquer acto eleitoral como um anunciado vencedor ou, pior ainda, no caso de Montenegro afirmando (mais que uma vez) que ganharia as eleições de 2021 (autárquicas) e as de 2023, assumindo-se como Primeiro-ministro antecipado.
As eleições não se ganham previamente, não há vencedores antecipados. As eleições 'tentam-se' ganhar, conquistam-se. Primeiro, porque há um conjunto de factores que não se controlam ou que condicionam os actos eleitorais, como as conjunturas políticas. Segundo, e principalmente, porque ninguém é dono dos votos, o voto pertence à vontade e livre opção de cada eleitor.
Talvez por isso não seja de estranhar que Luís Montenegro tenha perdido, em Espinho, as eleições autárquicas de 2005 para o PS local (o socialista José Mota) e tenha perdido, agora, a primeira volta das directas no PSD, quando se apresentou, presunçosamente, como vencedor, com maioria (à 1.ª volta). Curiosamente, nem no distrito 'natal' (Aveiro), nem no Concelho de Aveiro onde encerrou a campanha e tão fervorosos adeptos tinha (ou como alguém referiu, numa das sessões de campanha, no Porto: "O Melhor de Aveiro" com Luís Montenegro).

Uma coisa Montenegro pode ter a certeza...
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) não querem um PSD esvaziados dos seus fundamentais princípios da social-democracia, fora do seu posicionamento ideológico (ao Centro) que Sá Carneiro tanto defendeu.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que não querem ver um PSD regressar ao sombrio e vazio tempo de 2010 a 2018.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que não aceitam que PSD ocupe um espaço político (perigosamente neoliberal) que não é o seu por natureza, que se confunda com CDS, Iniciativa Liberal, Aliança ou Chega.
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa) que querem ver um PSD ao centro e que, dessa forma, contribua para o fim dos extremismos (à direita e à esquerda).
Há mais de 49% dos militantes que votaram (22% optaram por ficar em casa), o maior número, que entendem que Rui Rio é o líder certo para construir uma alternativa política a António Costa, capaz de defender Portugal e os Portugueses.

publicado por mparaujo às 21:17

10
Jan 20

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O Orçamento de Estado para o ano de 2020 entrou na sua fase de apresentação e discussão parlamentar com vista à sua (para já, garantida) aprovação na generalidade (globalidade).

BE, PCP, Os Verdes, Livre, PAN, a chamada "liga das esquerdas", anunciaram o seu sentido de voto: Abstenção.
António Costa e Mário Centeno, desde a primeira hora das abordagens ao OE2020,  apelidaram este Orçamento de continuidade (em função da anterior legislatura) e de esquerda.

Face às criticas e ao sentido de voto da "liga dos 5" percebe-se que a continuidade da Geringonça faliu e que o OE2020 diz muito pouco às Esquerdas. O resto não passa de jogo político porque também é mais que óbvio que o OE2020 irá passar na globalidade e especificidade na Assembleia da República.

Tretas, portanto.

publicado por mparaujo às 17:10

04
Jan 20

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(créditos da foto: Estela Silva / LUSA)

Por tradição (mesmo que sem nexo aparente) o dia 1 de abril, considerado o 'dia das mentiras', é a altura do ano onde cabe o engodo com base numa inocente partida, mentira ou piada.

O Bloco de Esquerda conseguiu quase tudo isso antecipando o dia 1 de abril para hoje (4 de janeiro).

A piada, à qual podemos juntar a demagogia populista (há quase tudo de tão populista no discurso político e nas opções política do BE como no perigoso populismo da extrema-direita), está feita no anúncio público de Catarina Martins: o Bloco de Esquerda não vai votar favoravelmente o Orçamento de Estado para 2020.

Tretas...

O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que aritmética partidária na Assembleia da República é muito favorável ao PS e ao Governo de António Costa, apesar de não terem maioria absoluta.
O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que a conjuntura vivida na anterior legislatura não é repetível nos próximos 4 anos porque o PS já não precisa do BE e do PCP de forma tão intensa e estreita.
O Bloco sabe muito bem, desde o dia 6 de outubro de 2019, que todo o discurso que tem proferido não passa de uma falácia e um mero bluff. O facto de não votarem favoravelmente não tem impacto rigorosamente nenhum já que é mais que óbvio que o BE se vai abster na votação, abstenção essa que é mais que suficiente para que o OE2020 seja aprovado.
O Bloco sabe muito bem, e tenta tudo para o disfarçar, que os últimos quatro anos da coligação "Geringonça" foram apenas um jogo político (para afastar o PSD da governação), sem qualquer vantagem para o país e para os portugueses, e sem 'frutos partidários' para o BE e PCP (antes pelo contrário como espelham os críticos internos no BE ou o resultado eleitoral do PCP). Como resultado, bloquistas e comunistas sentem-se agora meras marionetas e que foram politicamente usados pelos socialistas.
O Bloco sabem muito bem que, votando contra o OE20202, seria politicamente muito difícil justificar e sobreviver a um novo "2011". Repetir a 'história' seria um suicídio partidário.

Portanto, todas as críticas ao Governo e ao PS, bem como ao OE2020 (que é uma continuidade do que foi a anterior governação... sem tirar nem pôr) não passa de demagogia política para convencer o seu eleitorado e para se desresponsabilizar, perante os portugueses, do actual e futuro Estado da Nação.

Não façam é dos portugueses parvos... porque cada vez há mais memória política colectiva.
E o Bloco de Esquerda, tal como o PCP, são corresponsáveis (nem que seja por omissão) pelo estado do país.

publicado por mparaujo às 23:43

15
Dez 19

É mais que inquestionável que a ausência de ética na política e nos políticos tem sido determinante para a deterioração do seu nobre exercício e para o aumento do fosso da relação/ligação entre eleitor e eleito (basta olharmos para os diversos "casos de justiça" ou para a recente e urgente necessidade sentida pelo "poder político" em mitigar e combater a corrupção, por exemplo, por via jurídica). Seria extenso e fastidioso elencar os inúmeros exemplos que retratam esta realidade que, infelizmente, apenas tem merecido especial atenção em processos eleitorais muito por força das elevadas taxas de abstenção (recentemente: europeias, 69,27% ,e legislativas, 51,43‬%).

Mas nem só a questão ética merece relevância na degradação ou desvalorização da política, dos partidos e dos políticos. Ao tradicional "o que hoje é verdade, amanhã é mentira" assistimos a um aumento significativo de discursos, atitudes, decisões carregados de contradições entre princípios ideológicos e programáticos e opções políticas que são tomadas.

Os primeiros exemplos surgem com o Orçamento de Estado 2020.
Primeiro, começa a ser dramático e revoltante a demagogia e a falácia discursiva do BE e do PCP sobre o seu sentido de voto em relação ao OE2020. Não vale a pena quererem transformar o povo, nomeadamente os eleitores, em cidadãos estúpidos. A iliteracia política do pós 25 de Abril, numa conjuntura e realidades sociais muito peculiares para quem saía de uma ditadura de 48 anos (1926 a 1974), já lá vai. À velocidade que corre a informação e a facilidade com que se acede à mesma torna, no mínimo, os portugueses mais despertos para a realidade. Não vale a pena, por isso, derramarem lágrimas de crocodilo ou verterem para a imprensa populismos demagogos: PCP e BE vão permitir a aprovação do OE2020, critiquem o que quiserem criticar em relação aos grandes poderes, aos mais pobres ou à luta das classes. Entre a abstenção ou o voto a favor, venha o diabo e escolha. PCP e BE não têm nem coerência política, andaram 4 anos a enganar o seu eleitorado, a proferir discursos que não condizem com os princípios e os programas que defendem. Este é só mais um exemplo, um claro déjà vu.
Segundo, porque esta questão da incoerência é, obviamente, transversal, a recente entrada liberal na Assembleia da República não foge à regra. A Iniciativa Liberal, mais propriamente o seu único deputado eleito - João Cotrim, já anunciou o seu sentido de voto em relação ao OE2020: contra. Argumento: um simples e vago "Estado a mais". Este fundamentalismo neoliberal atentador da sustentabilidade das funções Sociais do Estado, para além de perigoso, quer do ponto de vista político, quer social, (perigo patente, igualmente, no processo eleitoral interno do PSD com as candidaturas anti-Rio), é deplorável. E, no caso de João Cotrim, uma triste demagogia e incoerência. Basta recordar-nos que durante 4 anos, entre 2013 e 2016, o deputado da Iniciativa Liberal foi presidente do Conselho-Diretivo do Turismo de Portugal, entidade pública totalmente beneficiária da subsidiação do Estado e de Fundos Comunitários. Além disso, esteve envolvido, em 2015, nas negociações que fixaram, em Lisboa, a Web Summit, à custa de um enorme esforço orçamental para o país e para os portugueses devido ao enorme investimento do Estado. Aliás... demasiado Estado, Estado a mais. De coerência argumentativa estamos conversados quanto a liberalismos elitistas e urbanos.

Mas a questão não se compagina apenas às posições sobre o OE2020.
Espera-se que a Assembleia da República seja, por si só, a "casa" da democracia e o expoente máximo da nobreza do exercício político. Aqui cabe, por diversos contextos, o verdadeiro sentido da liberdade de expressão e opinião.
Neste âmbito, não me parece que a segunda Figura de Estado da República Portuguesa tenha prestado um bom serviço à promoção e valorização da política e do papel do Deputado, na polémica em que se envolveu com André Ventura (deputado do partido Chega).
Durante o debate de quinta-feira, na Assembleia da República, sobre a problemática do amianto nas Escolas (tema levantado pelo PSD), Ferro Rodrigues interrompeu e advertiu André Ventura por este ter usar (na sua intervenção fê-lo por quatro vezes) desmaiadas vezes as expressões "vergonha" e "vergonhoso": «utiliza com demasiada facilidade as palavras vergonha e vergonhoso, o que ofende muitas vezes este parlamento e ofende-o a si também». Ao caso, o Deputado do Chega afirmava que «era vergonhoso haver dinheiro para tudo, incluindo para “subvenções vitalícias, mas não haver dinheiro para a remoção do amianto. Uma vergonha!».
Não nutro qualquer tipo de simpatia por André Ventura, muito menos pelo Chega, antes pelo contrário; tenho até alguma repulsa. Mas custa-me perceber o porquê da atitude recriminatória de Ferro Rodrigues e não consigo compreender como é que "vergonha" e "vergonhoso" é uma ofensa ética e moral à Assembleia e aos Deputados. E acima de tudo a situação mediatizada só permitiu a André Ventura e ao Chega ganharem protagonismo e palco público.
Mas há mais... acima de tudo não percebo a incoerência do Presidente da Assembleia da República (já para não falar do lamentável aplauso socialista, um partido que se diz tão defensor das liberdades de abril e, concretamente, da liberdade de expressão).
Se formos pesquisar os documentos e registos das intervenções parlamentares (algo que o Observador se deu ao trabalho) os números são curiosos. Na última década (duas últimas legislaturas, 2009 a 2019) "vergonha" e "vergonhoso" foram usadas foi usada 2198 vezes: 259 pelo PS, 371 pelo PSD, 594 pelo PCP, 359 pelo Bloco, 264 pelo CDS-PP, 120 pelo PEV e 2 pelo PAN. Na última legislatura, em que Ferro Rodrigues também foi o Presidente do Parlamento, a palavra “vergonha” foi usada 710 vezes. Ou seja, demasiadas vezes, sem uma única reprimenda.
Como diria um determinado deputado da Assembleia da República, recentemente eleito... "uma Verg....!".

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(cartaz do partido Chega colocado, após polémica, nas imediações da Assembleia da República)

publicado por mparaujo às 22:12

08
Dez 19

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Populismo: substantivo masculino.
1. [Artes] (...)
2. [Política] Doutrina ou prática política que procura obter o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis às massas.
Se substituirmos "medidas" por "discursos" obtemos o perfeito retrato do populismo e falaciosa demagogia do Bloco de Esquerda e do PCP em relação ao Orçamento de Estado 2020 (OE2020). E, desta forma, vira-se o feitiço contra o feiticeiro no que respeita à coerência entre o discurso, a ideologia e a "sede do poder".

BE e PCP voltam a repetir, nesta "pré-campanha orçamental" para 2020, a triste imagem política deixada em cada debate e aprovação dos respectivos Orçamentos de Estado, entre 2015 e 2019, sob a capa protectora da "geringonça". Com uma clara agravante que já trouxe algum "amargo de boca interno" a Jerónimo de Sousa após as eleições legislativas de outubro passado e que começa a criar algum constrangimento partidário no seio do BE, com a anunciada movimentação do grupo crítico Via Esquerda que junta 60 críticos da actual orientação política do partido. É que a actual conjuntura político-partidária, patente na Assembleia da República, alivia a pressão do PS e do Governo para a discussão e aprovação do OE2020, bastando, para tal, contar com o apoio do PAN, Livre e dos três deputados sociais-democratas eleitos pelo círculo da Madeira que já anunciaram, pela voz de Miguel Albuquerque, o seu voto favorável se cumpridas as reivindicações madeirenses e os apoios à Região Autónoma da Madeira, como, por exemplo, a construção do novo Hospital, a ligação ferry semanal para o Continente e a comparticipação das viagens aéreas.
Pelo contrário, parece ficar de fora do OE2020 a descidda do IVA na eletricidade ou o englobamento dos rendimentos prediais no IRS, como tanto deseja o BE.

Não é por isso de estranhar, por exemplo, o "desabafo" do comunista João Oliveira que afirmou que a «negociação do Orçamento não está a ser feita com a profundidade dos anos anteriores», tendo a actual relação com o Governo sido cingida aos mínimos: o “recenseamento” das propostas do PCP.

Mostram-se como mero jogo político e populismo bacoco as afirmações quer de Catarina Martins, quer de Jerónimo de Sousa, em relação ao que se espera da aprovação do OE2020. Por mais que a coordenadora do BE diga que o «sentido de voto do BE sobre o OE2020 está completamente em aberto», por mais que o líder comunista queira denunciar «retrocessos” do PS no Orçamento e ofensiva reaccionária», por mais que diga que «o Governo escolhe meta do défice em vez de resolver os problemas sociais», por mais que queira convencer a opinião pública e o seu eleitorado que «o PCP só dará o aval ao OE2020 se respeitadas algumas das 70 condições propostas»... a verdade é que ninguém (nem a direita) acredita no chumbo do Orçamento do Estado para 2020.

PCP e, nomeadamente o BE (ainda está bem presente na memória bloquista a 'azia partidária' gerada com a opção política de 2011), não irão entregar de mão beijada o poder ao PSD; não irão ter a responsabilidade partidária de gerar uma crise política perante um governo recém-eleito; nem o PS correria o risco (preferindo, numa ou noutra matéria, vender a alma ao diabo) de procurar já, passados apenas 2 meses das últimas eleições, uma maioria absoluta num novo processo eleitoral.

São, portanto, ridículas as posições públicas de BE e do PCP nesta matéria de discussão orçamental. Nem para consumo interno, do seu eleitorado, serve.

publicado por mparaujo às 17:23

O que se passa no Livre daria claramente para um estudo de caso no âmbito de qualquer dissertação, tese de mestrado/doutoramento ou processo de investigação na área das Ciências Políticas.

Em plena crise interna, estrutural e partidária, principalmente nos momentos mais particulares e onde a coesão só faria todo o sentido, um dos fundadores e principal rosto do Livre, Rui Tavares (que até admiro/respeito) e a deputada Joacine Katar Moreira, tendem a concordar discordando.

Enquanto Rui Tavares, à entrada para a reunião da Assembleia, admitia «dificuldades e erros», adiantando que «todos os partidos têm conflitos, o que os distingue é a forma como os resolvem», já Joacine Moreira afirmava que «não existe conflito absolutamente nenhum. Há uma relação de diálogo e entendimento e é sobre isso que iremos falar». Ou seja, para a deputada única do Livre, reuniram-se num domingo de manhã, em pleno outono cinzento, frio e molhado, como quem foi à missa dominical.

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(© André Kosters /Lusa)

publicado por mparaujo às 14:17

30
Nov 19

Enquanto uns se deslumbrem com as aparências ou com fugazes efeitos cénicos, Aveiro viveu, hoje (no encerramento de mais um mês), o verdadeiro espírito da social democracia. A verdadeira, a real, a paradigmática... sem populismos, sem demagogias.
A social democracia que importa para o PSD, para os portugueses e para o país.

O auditório do Parque de Feiras e Exposições de Aveiro encheu, de forma simples mas muito real, para ouvir Rui Rio afirmar-se como um verdadeiro líder: frontalidade, transparência, saber, experiência e, principalmente, um inequívoco sentido de Estado bem cimentado no que são os verdadeiros pilares da social-democracia - igualdade de oportunidades, solidariedade e justiça social.

Rui Rio foi mais uma vez, para além de igual a si mesmo, muito realista, directo e concreto: «Candidato-me a presidente do PSD por Portugal». O PSD é o contexto instrumental, o meio para atingir o sublime sentido da política: servir o país e os portugueses, com o olhar e pensar ideológico e político da social-democracia (bem ao centro, sem desvios dos princípios, dos valores e da génese que nortearam o partido). Com o objectivo de alcançar 'Melhores empregos, melhores salários, melhores serviços públicos, melhor qualidade de vida para os portugueses'.

Só com Rui Rio será possível um PSD em condições de servir melhor Portugal, de ser alternativa governativa, de reconquistar o centro e honrar a história do partido e dos seus fundadores.
Um PSD dos sociais-democratas, das bases do partido, (re)implantado e de novo enraizado no poder local, aberto à e com a sociedade, focado no país e nos portugueses.

Com RUI RIO: PORTUGAL AO CENTRO.

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publicado por mparaujo às 22:59

26
Nov 19

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Enquanto muitos se "deslumbraram" com deambulismos sobre a gaguez da deputada Joacine Katar Moreira e a saia do seu assessor parlamentar, foi-se secundarizando a questão principal: a mensagem (o seu conteúdo e não a forma) político-partidária.
A isto pode-se acrescentar o amadorismo político e o ego e deslumbramento parlamentares da deputada eleita que prejudica, notoriamente, o Livre. Mas isso é, obviamente, um problema do partido que, diga-se, não está isento em toda esta problemática da relação com Joacine. Um problema que deveria ter sido resolvido "à porta fechada", internamente, e não na praça pública, com danos colaterais que provocam danos na imagem do partido.
Mas, repito, esse é um problema do Livre, da sua direcção, de Joacine Moreira e de Rui Tavares. E importa referir que a abstenção em relação à condenação da Assembleia da República (proposta pelo PCP) da intervenção de Israel na Palestina não é, de todo, mais grave do que o Livre ter perdido (por ter ultrapassado os prazos definidos) a oportunidade de agendamento de um Projecto sobre a Lei da Nacionalidade.

Já o reflexo de toda esta embrulhada na democracia portuguesa é muito mais abrangente e diz respeito a todos, nomeadamente à política: leva-nos a uma reflexão (ou à necessidade de reflectirmos) sobre a actual Lei Eleitoral.
Há uma enorme incoerência no processo eleitoral e num perigoso esvaziamento do sentido e princípio colectivo da política a favor do egocentrismo político e pseudo-representativo.
O sistema eleitoral português ( seja no legislativo/nacional, como no autárquico/local) assenta na representatividade democrática das listas uninominais onde, ao contrário do que é senso comum, se vota nas pessoas e não nos partidos. Isto faz com que o eleito seja o legitimo detentor e tutelar do voto. Não há nada de mais hipócrita e perverso neste processo (para isso mais vale avançar para os círculos uninominais): os eleitos/candidatos concorrem sob o símbolo e um programa político de um determinado partido ou movimento... não concorrem de forma individualizada (isso acontece nas presidenciais). No entanto, em casos como o de Guterres e o "Queijo Limiano", mais recentemente com Paulo Trigo Pereira e o PS, e agora com Joacine Moreira e o Livre, os eleitos acabam donos dos seus lugares e só os abandonarão por vontade própria (por mais "expulsões" internas que os partidos promovam).
E é isto que traz o maior desconforto político ao Livre (agravado pela condição de deputada única), sem capacidade de reacção a afirmações como "Isto é um golpe e a minha resposta é esta: não sou descartável e exijo respeito", "Fui eu que ganhei as eleições, sozinha, e a direcção quer ensinar-me a ser política (como se qualquer um de nós não estivesse em permanente aprendizagem, principalmente quando se começa um novo desafio)". Com responsabilidades acrescidas para o próprio partido e, concretamente, para Rui Tavares, face ao processo interno, mais anárquico que democrático ou participativo, das eleições primárias para a elaboração de listas de candidatos. Ao contrário do que o Livre tentou fazer passar na sociedade, este é um processo mais perverso do que democrático e livre, que mais não seja porque liberta qualquer eleito nas primárias da "relação programática e ideológica" face ao partido.

publicado por mparaujo às 22:51

19
Nov 19

É um facto inquestionável que a cultura tem "ideologias" (assim... no plural). Apesar de niguém poder (ou dever) ser dono e proprietário da Cultura, a verdade é que a dinâmica cultural, nomeadamente a individual, é património da ideologia e concepção social do seu criador (músico, escritor, artistas plástico, actor, encenador, programador, whatever). Não há isenção concepcional na Cultura. Ela é o espelho e reflexo da individualidade.

Mas neste contexto, goste-se ou não, estejamos mais próximos ou liminarmente no oposto, uma REFERÊNCIA da cultura, património e identidade de uma comunidade é, e deverá ser sempre, uma REFERÊNCIA.

E quando um referência parte ficará sempre um vazio irreparável e insubstituível. Goste-se ou não.
Apesar do "lado oposto", lamento... ficámos cultural e patrimonialmente mais pobres na música: R.I.P. JOSÉ MÁRIO BRANCO.

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(crédito da foto: Isabel Pinto, in Comunidade Cultura e Arte)

publicado por mparaujo às 12:04

09
Nov 19

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(créditos da foto: ricardo stuckert, in viomundo)

Já há algum tempo que a probabilidade ganhava contornos reais e concretizáveis... após 20 meses de cativeiro, Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, foi, ontem, libertado após o Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF) ter decidido anular a decisão de prisão, em abril de 2018, do Tribunal de segunda instância.

Neste processo, há 3 ou 4 pressupostos que importa referir.
1. Não tenho qualquer afinidade ideológica com o Partido dos Trabalhadores (Brasil), fundado, em 1980, precisamente por Luiz Inácio da Silva - "Lula da Silva".
2. Por falta de informação completa e aprofundamento dos factos, não tenho uma opinião formada e consolidada sobre o processo "Lava Jato" que levou à prisão do ex-Chefe de Estado brasileiro. Tal como em relação ao processo "Vaza Jato".
Entendo que a Justiça (o poder judicial), seja em que parte do mundo for, deve ter uma forte e total independência em relação ao poder político e à componente ideológica. Nem um processo, nem outro, deveria estar politizado e partidarizado. Sempre defendi o direito à "presunção de inocência" até que um processo transite em julgado e seja apurada toda a verdade.
3. Será pura demagogia e mero populismo, e uma triste presunção altaneira e arrogante, achar-se que a corrupção tem o seu expoente máximo nas regiões sul-americanas ou africanas. Basta olharmos para o nosso umbigo, para a nossa realidade, para os "casos de justiça" nacionais, para percebermos e reconhecermos que Portugal não é exemplo "dos bons costumes da ética política e do serviço público". Seja na política, na governação (nacional, regional ou local), nas empresas, na economia, nas famílias e em cada um dos cidadãos. Basta, por exemplo, ver como, cada um de nós, de forma individual e particular, encaramos o cumprimento das obrigações fiscais (mesmo no simples facto de solicitarmos a mera factura sobre o consumo).
4. Mas infelizmente, perante toda a complexidade conhecida destes dois processos (aos quais se juntarão, inevitavelmente, os que atropelam os mais elementares direitos universais - como o caso "Marielle Franco"), dos seus impactos políticos, esta realidade brasileira mistura, no mesmo saco, a justiça com o poder político, a política e a ideologia. O que, infelizmente, dá sempre muito mau resultado; veja-se o caso actual da Catalunha e a reação à condenação, pelo Tribunal Supremo de Espanha, à condição de 'presos políticos' dos independentistas catalães (Oriol Junqueras, Jordi Turull, Raül Romeva, Dolors Bassa, Joaquim Forn, Josep Rull, Meritxell Borrás, Carles Mundó, Santiago Vila, Carme Forcadell, Jordi Sànchez e Jordi Cuixart).

Há uma questão incontornável na libertação de Lula da Silva (que não significa a sua absolvição): a devolução do sentido pleno da sua liberdade (mesmo que o processo continue o seu percurso judicial) tem impacto na democracia e justiça brasileiras. Algo que deveria ser mais abrangente do que a mera retórica ideológica da esquerda portuguesa (BE e PCP).

Independentemente de se gostar ou não de Lula da Silva, independentemente da maior ou menor proximidade ideológica com o PT, a libertação do ex-Presidente do Brasil é uma manifesta excelente notícia face ao preocupante rumo democrático do país. Mesmo que ainda esteja em suspenso o desfecho final do processo, Lula da Silva em liberdade será sempre um factor de estabilidade da democracia (por óbvia oposição a Bolsonaro), para além da sempre desejada pluralidade para o equilíbrio da qualquer sociedade.

publicado por mparaujo às 16:12

03
Nov 19

O ex-líder da bancada parlamentar do PSD, no período de governação de Passos Coelho, já tinha anunciado a sua intenção de se candidatar ao lugar de Rui Rio (apesar, e sublinho apesar, do lugar de Rui Rio nunca ter estado disponível ou vago).
Nesta sexta-feira formalizou oficialmente a sua candidatura e abriu a campanha eleitoral, mas tal como surgiu o seu sonho (espera-se que não passe disso), também aqui da pior forma.

Já não bastava o manifesto desígnio de querer desvirtuar programática e ideologicamente o partido, posicionando-o onde ele nunca deveria ter estado em 2005 e, muito menos, entre 2010 e 2018 - no perigoso liberalismo, balofo conservadorismo e à direita (no espaço do CDS e, recentemente, do Aliança, da Iniciativa Liberal ou do, pasme-se, Chega) - vem agora, Luís Montenegro, de forma egocêntrica assumir-se como o centro e o sol do PSD (é o novo Luís XIV do partido - "Le PSD c'est moi!"). Não... não é. O PSD são os militantes, é a estrutura democraticamente eleita de forma pluralista (basta recordar a composição do Conselho Nacional e o número de apoiantes de Santana Lopes), é a sua comissão política nacional e o seu (actual) Presidente. O resto cheira a tomada de poder, a ressabiamento, a falta de sentido colectivo e democrático.
Mas há mais... é, no mínimo, politicamente desonesta toda a argumentação e demagogia usada por Luís Montenegro. Um partido forte, afirmando-se como alternativa ao PS (sem precisar de se "negar ideologicamente") e à actual governação, um PSD cheio de força (e obviamente uma força que só pode vir de dentro) é o que Rui Rio está a fazer (e bem) desde que chegou à presidência, em 2018.
Além disso, ao contrário do que é o foco central da frágil mensagem de Montenegro, quem está verdadeiramente obcecado pelo PS é o agora candidato oficial às directas de janeiro. É uma tentativa baixa de denegrir a liderança de Rui Rio ao confundir "vassalagem" com os superiores interesses do país e insistir, de forma continuada e persistente, na colagem de Rio ao PS. E esta é uma grande diferença: o sentido de responsabilidade política, de verdade política, de rigor e transparência, do respeito por todos os cidadãos, nomeadamente os sociais-democratas.

É, e sempre foi, óbvia a chegada de Luís Montenegro na actual conjuntura político-partidária: desde o Congresso, em 2018, até à surreal e absurda tentativa de destituição, em janeiro de 2019. E politicamente hipócrita a sua aparição na campanha eleitoral legislativa, claramente como prova de sobrevivência partidária e como tentativa de recolher palco mediático. Aliás, basta tomar como exemplo o recente debate parlamentar de discussão do Programa do XXII Governo (já lá iremos), apresentado, esta semana, na Assembleia da República. Luís Montenegro, lamentavelmente, não foi capaz de ter, no mínimo, o respeito institucional de reconhecer a excelente prestação parlamentar de Rui Rio e da bancada do PSD (como, por exemplo, Fernando Negrão). Algo que se ouviu da boca de Miguel Pinto Luz que elogiou a prestação do partido no debate do programa do Governo.
Esta falta de respeito político é de tal forma marcante em Luís Montenegro que teve o desplante e o topete de apelidar como "sua" a bancada parlamentar eleita no mês passado. Pena é que (ou se calhar, até, felizmente) não tenha o mesmo sentimento partidário para com um líder (independentemente de se gostar ou não... realidade que existe desde a fundação do partido com cada passagem de liderança) democraticamente eleito por maioria da vontade expressa dos militantes do PSD.

Mas pronto... regressou o PSD do "saco de gatos", da fobia pela cadeira do poder da São Caetano, na Estrela (sempre tão apetecível).
À apresentação oficial de Luís Montenegro - "A força que vem de dentro" - só faltou mesmo a musica de fundo com o tema da Nelly Furtado... "como uma força..." ('Força'). Ficava o quadro bem completo.

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publicado por mparaujo às 12:34

21
Out 19

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(fonte da foto: RTP online)

Porque é que Rui Rio é importante para o PSD?
Questão mais que pertinente em fevereiro de 2018 e que se volta a colocar hoje, após o anúncio da sua recandidatura à liderança do PSD (directas previstas para janeiro de 2020).

Embora possa influenciar a resposta, não é, de todo, apenas pela personalidade de Rui Rio. Será sempre um factor discutível, como será na avaliação da personalidade de qualquer líder e a sua liderança.
Essencialmente, o grande valor de Rui Rio está na capacidade de trazer de volta a génese política e dogmática do partido (reposicionar programaticamente), afirmando e confirmando, claramente, o seu princípio social-democrata.

Foi, por isso, com especial agrado que o anúncio público da sua recandidatura à liderança do PSD confirmou esta realidade: a defesa e afirmação da social-democracia e o posicionamento do partido no centro político português (de onde não devia, nunca, ter saído há uns anos), ganhando aí o seu lugar ideológico e programático, o seu eleitorado e consolidando-se como (a única) alternativa governativa.

Do discurso de Rui Rio, hoje, no Porto, há duas afirmações que merecem nota de destaque, pelo valor político que enraízam, externa e internamente (muito mais importante, face ao "oposicionismo" egocêntrico que vai latejando):  "o PSD não pode ser uma força partidária ideologicamente vazia e liberal” e (refutando as críticas de Teresa Morais - enfim... - que afirmou que "Rui Rio não gosta do PSD") "de facto não gosto... não gosto do que vejo nos partidos, incluindo o meu" (recordando os que tanto criticaram e acusaram o PS, em 2014, de "atentado político" a António José Seguro, para em janeiro deste ano tentarem o mesmo ou ainda pior).

É esta a importância que o actual líder do PSD tem para o futuro do partido: o 'regresso' à social-democracia e ao centro e uma forma de fazer e estar na política de maneira séria, ética, contra o politicamente correto e sem cinismos. Infelizmente e lamentavelmente há quem confunda isto com uma (suposta) subalternização ao PS... puro engano. O que há, e o país e muito sociais-democratas agradecem, é uma subalternização do PSD a Portugal... porque Primeiro está Portugal (37.º congresso nacional - 2018).

Todo esta conjuntura política interna faz-me sempre recordar Sá Carneiro, principalmente pela "desonestidade política" com que tantos críticos de Rui Rio e supostos "salvadores da pátria e do reino" invocam o seu nome (em vão).
É nesta alturas que a hipocrisia política não pode ser tolerada e recordar, sem qualquer constrangimento político ou ideológico, sem medo das palavras e dos conceitos, algumas das (fortes) afirmações políticas e parlamentares de Francisco Sá Carneiro:
"Nós, Partido Social Democrata, não somos nem seremos nunca uma força de direita".
"A social-democracia é desejável para Portugal pois é, até hoje, a única via experimentada na Europa que tem conseguido caminhar para a igualdade sem violação da liberdade".
E ao contrário da demagogia e populismo de Catarina Martins (BE)...
"O socialismo democrático [social-democracia], na Europa, enraíza na ética cristã, no humanismo e na filosofia clássica". E sem "medos"... "Somos socialistas porque somos sociais-democratas, mas somos socialistas sem subordinação a dogmas marxistas, muito menos leninistas, sem subordinação a dogmas de apropriação colectiva dos meios de produção".

Com Rui Rio o PSD pode voltar a ser um partido social-democrata, na sua raiz, e ao centro... sem precisar de "liberalismo de iniciativa questionável" ou de "alianças afundadas". Para isso e esses... CHEGA!

publicado por mparaujo às 23:16

12
Out 19

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A ânsia e a febre desmedida do mediatismo e do poder conduz, na maioria das vezes, a discursos incoerentes, à manha, à manobra e maquinação pública.
O recente "vir à tona" de Luís Montenegro revela tudo isso e demonstra que está mais preocupado e focado em joguinhos de egos e narcisismos, no carreirismo partidário e na demagogia, do que no interesse da social-democracia, dos portugueses e do país.
Pelo contrário, bem contrário, Rui Rio sempre foi claro e coerente: acima do partido estão os portugueses (entre os quais todos os sociais-democratas, que agradecem) e está o país. Isso é que é ser político e é saber estar na política, na sua plenitude.

Luís Montenegro, nesta sua nova impulsiva aparição (foi fervilhando em lume brando desde fevereiro de 2018, apesar da derrota sofrida em janeiro deste ano, quando Rui Rio ganhou a Moção de Confiança que apresentou no Conselho Nacional) tem afirmado afirmou, por amiúdes vezes, que com ele na presidência do partido (Deus que nos livre....) "não haverá acordos com o PS, nem está disponível para dialogar com António Costa".
Pois... mas a política e a história do PSD têm memória (e não precisa de ser muito longínqua). Basta recordar que Luís Montenegro foi líder da bancada parlamentar entre 2011 e 2017, período que inclui toda a governação de Passos Coelho. Neste contexto, com a responsabilidade política que tinha (à data), importa lembrar ao agora putativo candidato (apenas 3 exemplos para não ser muito exaustivo) o seu mau sentido de Estado, a sua (in)coerência e a sua demagogia balofa: «Passos Coelho espera maior abertura do PS para entendimentos com o Governo, para compromissos essenciais para o país» (dezembro de 2014 - SIC Notícias); «Primeiro-ministro (Passos Coelho) espera aproximação entre PS e Governo para reforma do IRC» (dezembro 2013 - Dinheiro Vivo); ou ainda, «Passos Coelho garantiu que 'as medidas de austeridade que estiveram em vigor estes anos' vão ser removidas progressivamente e que pretende envolver o PS na reforma da Segurança Social» (Agência Lusa).
Enfim... o "psd de fantasia" de Luís Montenegro não quer nada com o PS... para Luís Montenegro, nunca o PSD teve, na sua história, alguma coisa a ver com o PS (só agora com Rui Rio). É triste... muito triste.

 

publicado por mparaujo às 22:13

11
Out 19

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Há uma vontade enorme de gritar BASTA… para não dizer “Chega” que, na conjuntura actual, pode ser foneticamente mal interpretado (ou pessimamente interpretado).

Os factos… a noite/madrugada do passado domingo revelou algo inquestionável, algo que nem Rui Rio colocou em causa: o PSD perdeu as eleições legislativas 2019.
Não há qualquer dúvida: o PSD obteve 27,9% dos votos expressos e o PS 36,65% (falta apenas contabilizar os votos da emigração).
Importa, no entanto, ler, politicamente, esse resultado social-democrata.

Pesava sobre o partido o recente resultado eleitoral europeu, volvidos pouco mais de 4 meses de intervalo: 727.207 votos e a perda de um mandato. Em relação às últimas legislativas (2015), a comparação pode ficar enviesada, já que nesse acto eleitoral o PSD apresentou-se a sufrágio numa coligação pré-eleitoral com o CDS.
Mas a verdade é que descontando o peso eleitoral (perdido, e muito) do CDS, o número de votos conquistados, pelo PSD, no passado dia 6 de outubro (quase 1 milhão e 500 mil de votos) não difere muito do valor de 2009, de 2015 e é bem superior ao de maio passado.

Num partido que amiúde agita a bandeira da sua história política e ideológica, nomeadamente com o uso (e abuso) da figura de Sá Carneiro, é importante relembrar também a história mais recente. Rui Rio conquista a liderança do PSD em fevereiro de 2018 (pouco mais de ano e meio) com a capacidade de devolver o partido à sua génese ideológica, perdida desde o final de 2004 com a surreal chegada de Santana Lopes à presidência, e durante a vigência de Passos Coelho até ao início de 2018.

Há ainda uma outra história por escrever e destacar. Houve, no PSD, três erros estratégicos, politicamente desastrosos, que marcaram o rumo do partido e condicionaram a actual conjuntura política: em 2011, face ao descalabro e afundamento do país com a governação socialista de José Sócrates, o PSD nunca devia ter embarcado na ânsia desenfreada de conquistar o poder. Sendo assumido até pela própria esquerda (caso do BE) que a responsabilidade do estado do país se devia à má governação de José Sócrates, sendo inevitável o resgate externo ao país, deveria ter sido o PS a assumir o compromisso de implementar o “caderno de encargos” externo para resgatar a situação económica e social nacional. Além disso, a obsessão por ir “mais além da Troika”, pela cedência fácil a um certo neo-liberalismo que invadiu o partido nesse período, deixaram marcas na governação e nas eleições de 2015 (essas, ao contrário do que diz agora Luís Montenegro, tinham todas as condições para serem ganhas, aproveitando o efeito político e social da “saída limpa” e com mérito de 2014). E, por último, correndo todos os riscos do politicamente incorrecto (é para o lado que durmo melhor) convém desmitificar, de uma vez por todas, esse resultado eleitoral. Ao contrário do que permanentemente agitamos no partido, o PSD não venceu as eleições de 2015. Dois factos óbvios e claros: primeiro, o partido apresentou-se a eleições numa coligação pré-eleitoral (PSD/CDS = a PàF); segundo, os votos conquistados pelos dois partidos (na prática representa sempre o somatório de duas forças partidárias) não atingiram a maioria. E foi nesta conjuntura que perdemos a governação para a esquerda. Não vale a pena continuar a alimentar mitos.

Mas regressemos a 6 de outubro de 2019…
É pura demagogia e politicamente desonesto afirmar que o resultado alcançado por Rui Rio nestas últimas legislativas é, historicamente, o pior resultado de sempre do PSD, tendo como base a percentagem alcançada (27,9%). As percentagens não podem servir como padrão de comparação porque elas dependem, exclusivamente, das condicionantes de cada eleição individualmente: o número de inscritos, o número de votantes, os votos brancos e nulos, a abstenção. E estes dados que estabelecem cada percentagem eleitoral não são repetíveis de acto eleitoral para acto eleitoral. É, por isso, um argumento falacioso e que distorce a realidade.
Porque a realidade do desfecho das Legislativas de 2019 foi bem descrita por Rui Rio na noite eleitoral do passado domingo: o resultado ultrapassou as expectativas e todos os quadros negros e catastróficos anunciados durante a pré e a campanha; o resultado não difere dos valores conquistados em eleições nas quais o PSD não venceu; o resultado estava, previamente, condicionado ao confronto com uma conjuntura política saída das eleições de 2015 e da conjuntura económica internacional que favoreceu a estabilidade governativa do PS e da geringonça.
Mas o resultado do PSD, a 6 de outubro, ainda sustenta uma outra realidade importante (ou, até mesmo, mais importante). Não há memória de uma contestação interna tão assumidamente pública e constante à liderança do partido, que nem a tradicional união face à vivência de actos eleitorais fez esbater. O ressabiamento da perda das directas em 2018 e de quem não sabe aceitar uma derrota; o infeliz saudosismo passista; a “orfandade” gerada pelo abandono do líder da alternativa a Rui Rio, em 2018 (Santana Lopes); a perda do carreirismo político no aparelhismo partidário, de muitos tachos e negócios; a não percepção e a não aceitação da mudança (necessária e urgente, na altura) de ciclo na vida do partido; a “inveja política” pela liderança de Rui Rio marcada pela coerência, pelo rigor, por um discurso mais próximo dos portugueses e menos “politiquês”, por uma afirmação que dispensa o alarmismo (afinal o diabo não chegou), o ataque fácil e a “gritaria mediática” (basta lembrar o fraco registo do CDS nestes 4 anos e o resultado final); a redefinição e o reposicionamento ideológico do partido com a chegada de Rui Rio e que tantas amarguras (ou amargos de boca e azia, se preferirmos) trouxe aos conservadoristas e neo-liberais que minaram os últimos anos do PSD…
(tudo isto) desperta o permanente pairar dos “abutres políticos”, tão sedentos do poder (porque o poder no PSD é, manifestamente, apetecível), e que teimam em sobrevoar a liderança mal lhes toca um leve, mesmo que muito ligeiro, cheirinho a fragilidade ou insucesso. Os mesmos que necessitaram de demonstrar “prova de vida política” ao surgirem, hipocritamente, na campanha eleitoral, em supostos e questionáveis contributos solidários.

A que triste estado chegou a oposição interna no partido que ilegitimamente fala em nome das bases, quando essas bases, maioritária e democraticamente, se expressaram e pronunciaram há pouco mais de ano e meio.
A que triste estado chegou a oposição interna no partido que tanto apelo faz à união e à unidade demonstrando uma total incoerência com os seus actos. Os mesmos que rasgaram as vestes e atacaram António Costa no confronto deste com António José Seguro (lembram-se??!!).
A que triste estado chegou a oposição interna no partido quando, desonrosamente, invoca o nome de Francisco Sá Carneiro em vão desvirtuando o posicionamento ideológico do PSD como um partido do centro, social-democrata e humanista, e não um qualquer CDS alaranjado, um conservadorista Aliança ou um liberal Iniciativa.

Se for para dar um enorme e colossal passo à rectaguarda, se for para entregar a condução do partido a “montenegros”, “hugos soares”, “relvas”, "pedros duarte", “miguéis morgados”, “pintos luz”, “teresas morais”… façam favor. É da maneira que poupo 12 euros por ano.

Mas para esses... BASTA!
Rui Rio tem todo o direito a liderar o PSD: porque foi eleito, porque foi a escolha da maioria dos sociais-democratas, pelo que trouxe (de novo) ao partido, pelo que fez neste ano e meio e pelos resultados eleitorais que alcançou.

publicado por mparaujo às 01:12

03
Out 19

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Nem sempre a morte de uma figura política (seja nacional ou não) se reveste de consensos, independentemente do respeito.
Curiosamente (ou não), no caso do falecimento de Freitas do Amaral a excepção confirma a regra: PCP reconhece o peso histórico de um dos quatro "pais" da democracia; o BE elogia a vertente humanitária e a defesa dos valores fundamentais dos direitos humanos; o PS destaca o seu papel de grande estadista; algo que é ainda mais valorizado pelo PSD, juntado-lhe a função de aliado político. A sociedade ainda lembra o seu fulgor europeísta e a sua passagem pela presidência da Assembleia Geral da ONU.
E o CDS? Se no contexto do reconhecimento público e histórico da relevância política de Freitas do Amaral na fundação e percurso da democracia portuguesa, seria de esperar que o partido que fundou, juntamente com Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta, Morais Leitão, entre outros, tivesse, neste dia, a mesma reacção das restantes forças políticas e das várias personalidades que se juntaram a este pesar, já se afigura estranho o lamento público que se assemelha a um "mar de lágrimas de crocodilo", com tamanhas referências ao papel de fundador e de mestre político para os líderes centristas.

É que importa recordar que não é assim tão distante o ano de 2005 e a forma deplorável e condenável como o CDS tratou o seu fundador quando Pedro Mota Soares, mandou retirar o retrato de Freitas da sede centrista, no Largo do Caldas, em Lisboa. Nesse momento, toda a história e o peso político de Freitas do Amaral foi esquecido e quase apagado.

O que a vida separou a morte juntará? Infelizmente, parece que é uma realidade histórica. É quase sempre assim, em inúmeras vertentes (na política, no social, na cultura, etc.).
Mesmo assim... nem tudo é tão claro. Até ao momento, o CDS confirmava que iria manter a agenda da campanha, mas “com sobriedade”. Seja lá o que isso signifique.
Fica-lhes o exemplo de dignidade política: o PSD cancelou o que é, por norma, um dos pontos (ou o ponto) mais alto das campanhas eleitorais - o comício de encerramento (que estava marcado para o Largo do Carmo, em Lisboa, amanhã - sexta-feira - à noite). Exemplos.

publicado por mparaujo às 22:43

28
Jul 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".
Desbloqueador de frases públicas.

  • Ministra Marta Temido encabeça lista do PS pelo círculo de Coimbra.
    A ministra da Saúde, Marta Temido, vai encabeçar a lista socialista pelo círculo eleitoral de Coimbra nas próximas eleições legislativas, disse à agência Lusa a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes.
    Fica apenas a questão: o PS abdicou de tentar ganhar em Coimbra?
  • "Prender médicos só se for com laços de amor".
    Ministra da Saúde diz que lógica de grilhões ou prisão não é a tónica das medidas que estão a ser estudadas pelo Ministério para fixar médicos no Serviço Nacional de Saúde. (jornal I)
    No que toca a enfermeiros (nomeadamente os da Ordem) é "grilhá-los" à vontadinha.
  • Ministra da Saúde diz que transformar SNS "é o grande desafio" do futuro. (TVI24)
    Sim... porque em relação ao presente, pior é difícil de conseguir.
  • Mário Centeno entre os favoritos para suceder a Lagarde no FMI.
    Se tal se concretizar, eis o dia em que a esquerda da Geringonça (BE, PCP, Verdes) engolem o maior sapo do mundo. De uma só "dentada". Tudo o que diabolizaram na Troika caiu-lhes no colo, com a assinatura do PS, Governo e do Ministro das Finanças.
  • Costa promete aumentar salários na função pública. (Expresso)
    Como em tantas outras medidas anunciadas e prometidas (atiradas para as Calendas Gregas), António Costa só não disse foi quando, como, nem quanto. Populismo (também) é isto.
  • "Gestão danosa" na Caixa gera discórdia na Comissão de Inquérito. (Diário de Notícias)
    Inclusão da expressão "gestão danosa" no relatório final da Comissão de Inquérito à gestão da CGD provocou críticas por parte do Bloco de Esquerda e do PS.
    Como em causa está um período negro da história da governação socialista, fiquemos pelas deambulações políticas.
    Se fosse uma governação da direita só não havia "cadeira eléctrica" porque (felizmente) a pena de morte em Portugal foi abolida em 1852, curiosamente para "crimes políticos".
    Mas até aqui, nada de novo. As Comissões Parlamentares de Inquérito nem para atribuição de responsabilidades políticas servem... apenas de palco mediático político-partidário. Recordo uma em particular: Comissão Parlamentar de Inquérito do caso Camarate... só foram 10 (se bem me lembro).
  • "Quase metade dos manuais escolares são reutilizados", diz Ministro.
    O mesmo significa dizer, Sr. Ministro, que mais de metade dos manuais não são reutilizáveis. Ou seja..."mais de metade do copo está "meio cheio".
  • Donald Trump: "Não tenho um osso racista no meu corpo". (revista Sábado)
    Alguém que informe o "inquilino" da casa Branca que o racismo não é um problema de cartilagem, mas sim de consciência, personalidade (ou falta dela) e mentalidade (triste e mesquinha, claro).

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publicado por mparaujo às 22:28

03
Jul 19

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Apesar de alguns dos resultados das negociações de bastidores na União Europeia necessitarem do escrutínio final são já conhecidas as atribuições de alguns cargos e as propostas de nomes para outros.

Quer numa circunstância, quer noutra, há, no entanto, um facto inquestionável: o eixo franco-germânico continua a dominar a política e a economia da Europa (com todo o afundar do peso britânico com o processo do Brexit), ao qual se junta a actual capacidade negocial de países nos quais cresce o extremismo e o eurocepticismo, como a Polónia, República Checa, Hungria e Eslováquia, juntando ainda a "outsider" (e eternamente secundarizada) da política europeia, a Itália.

Depois da euforia dos resultados eleitorais de 26 de maio, depois das tão badaladas e propagadas reuniões e cimeiras nos corredores de Bruxelas/Estrasburgo, depois do mediatismo e da esperança na estratégia política do PS/António Costa na ribalta europeia, eis que chega a frustração, o desalento e a, praticamente, derrota. Como o próprio reconheceu de viva voz («Eu acho que tudo correu mal e obviamente o resultado é muito frustrante»).

A realidade e os factos, comprovam o "estado de alma" do Primeiro-ministro português:
1. A esquerda que segurou a governação de António Costa nos últimos quatro anos e algumas vozes no interior do Governo/PS (por exemplo, Pedro Nuno Santos), foram sempre críticas da "coligação negocial" entre liberais e socialistas.
2. António Costa, ainda as negociações davam os primeiros passos, afirmava que depois da presidência italiana do Parlamento Europeu e do BCE era imperativo uma mudança de 'nacionalidades'. Só acertou no mais óbvio: o BCE. O italiano (socialista) David-Maria Sassoli sucede ao italiano (conservador) Antonio Tajani.
3. No caso do BCE, para além da surpresa, fica o "amargo de boca" português pela eleição da ex-ministra francesa (aposta ganha de Macron) e ex directora-geral do FMI, Christine Lagarde, para a presidência do Banco Central Europeu (sucedendo ao italiano Mario Draghi) cujo nome e personalidade não deixam quaisquer saudades a Portugal pelas posições assumidas durante a passagem da Troika pelo país. Para além do que antagonismo que representa para a visão estratégica do PS para a economia e finanças nacionais.
4. Aparentemente, a "maior desilusão" para António Costa terá sido a vitória do grupo PPE e, principalmente, de Angela Merkel, com a nomeação da ex-ministra da Defesa do governo alemão, Ursula von der Leyen, para presidir aos destinos da Europa: a Comissão Europeia.
5. Salvou-se a eleição de Pedro Silva Pereira para vice-presidente do Parlamento Europeu. E, mesmo assim, com um sabor agri-doce. Depois de todo o afastamento político-partidário entre José Sócrates e o PS, importa, no entanto, recordar que Pedro Silva Pereira transporta ("eternamente") a imagem do "político sombra" de José Sócrates.

publicado por mparaujo às 22:55

23
Jun 19

há finais felizes...
e também há notícias felizes.

«António Capucho deve regressar ao PSD até ao início da campanha eleitoral», entrevista à Rádio Renascença.

Pessoalmente, o dia de hoje está repleto.

Espero que não demore muito tempo para poder dizer: «seja bem-vindo... bom regresso a 'casa'». Faz falta... faz-nos muita falta.
Mesmo que em 2017 a vontade fosse outra, compreensivelmente.

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(José Carlos Carvalho, in Expresso online)

publicado por mparaujo às 21:48

10
Jun 19

ou, de outra forma: "nem uma coisa, nem outra... antes pelo contrário".
Desbloqueador de frases públicas.

  • Numa primeira reacção à notícia divulgada pelo jornal Público que dava conta que Vítor Constâncio terá dado luz verde para que Joe Berardo pudesse levantar 350 milhões da Caixa Geral de Depósitos, o ex-Governador do Banco de Portugal afirmou, no twitter: "não tenho memória disso". Acrescentando ainda: "(...)nem de nada do género que tenha acontecido há 15 anos".
    Percebo claramente Vítor Constâncio. Às vezes empresto livros, cd's, tupperwares, ... e se não mos devolvem nunca mais me lembro a quem emprestei. É claro que também nunca emprestei mais que 5 euros....
  • Segundo o jornal Público, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, respondeu ao Observatório Técnico Independente, criado (em 2018) para acompanhar os incêndios florestais, afirmando que "o Governo presta conta dos fogos à Assembleia da República".
    Para além de uma verdade "la Palice" (porque o Governo tem que prestar todas as contas à Assembleia da República) é bom que o senhor ministro não se esqueça que o Governo também tem que prestar contas dos incêndios aos portugueses.
  • A propósito do eventual desaparecimento de cerca de 170 obras de arte da colecção pública, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, afirmou, há uma semana, que "algumas obras da colecção de arte contemporânea do ministério que tutela precisam de uma localização mais exacta".
    Não há dúvidas... o Estado, o Governo, o Ministério da Cultura não sabe mesmo o paradeiro das 170 obras de arte das quais é proprietário. Uma sugestão à senhora ministra: talvez seja boa ideia começar a procurar nos gabinetes ministeriais... quem sabe??!!
  • O dirigente socialista Pedro Nuno Santos defendeu publicamente, no rescaldo dos últimos resultados eleitorais europeus, que o PS devia assumir na Europa uma tensão permanente face aos liberais.
    Pois... esqueceu-se foi de enviar a mensagem a António Costa. É que na Europa de 2019 assiste-se a um projecto de coligação entre, precisamente, Socialistas e Liberais. Basta olhar para a estratégia conjunta de Macron e Tsipras (por mais que doa ao Bloco de Esquerda, principalmente à Marisa Matias).
  • O deputado do PS, Fernando Anastácio, foi o responsável pelas negociações do aumento de salário dos juízes, que pode agora ultrapassar o valor auferido pelo primeiro-ministro. Mas não vê qualquer impedimento, ao caso, no facto de ser casado com uma juíza.
    Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço (principalmente fora do Hemiciclo).
  • António Costa elege como prioridades o combate à corrupção e investimento nos serviços públicos.
    Calma, não atirem já os foguetes... é só para a próxima legislatura. Até lá, muita água pode continuar correr, por baixo dos moinhos, e o ministro Mário Centeno pode manter as "suas" cativações, nem que seja, por exemplo, à custa da saúde (e nalguns casos, a vida) dos portugueses.
  • Face a relatórios vindos a público e que "condenavam" a gestão do Hospital, a ministra da (pouca) Saúde, Marta Temido, afirmou que foram as necessidades da população que levou à não renovação da PPP com o Hospital de Vila Franca de Xira.
    A questão é simples: a ministra ouviu as gentes de Vila Franca de Xira? É que, fazendo fé nas palavras do autarca daquela cidade ribatejana (por sinal eleito pelo PS), que foi ao Parlamento defender o trabalho desenvolvido pelo Hospital, a decisão parece precisamente contrária às vontades da população.
  • Há alguns dias, depois de comprovado o caos, o Governo pediu desculpa pelo funcionamento deficiente e inaceitável dos transportes públicos (nomeadamente a CP ou outros serviços na área metropolitana de Lisboa).
    Já diz o povo: "as desculpas não se pedem, evitam-se". E muito poderia ser evitado se a maior preocupação do Governo não fosse o populismo (e a injustiça nacional) do preço dos bilhetes e passes, mas sim um investimento em políticas de mobilidade e em melhores serviços de transporte. Aos quais se podem adicionar os inquestionáveis esforços que muitas autarquias, de norte a sul, do litoral ao interior, fazem para que as suas populações tenham o mínimo de condições de mobilidade.
  • António Costa, após as eleições europeias, destacou a vitória dos parceiros de governação (geringonça), em conjunto com a do PS.
    Ora... de repente, o PCP viu-se afastado da coligação parlamentar das "esquerdas (des)unidas". Isso, ou António Costa antecipa já a próxima legislatura e já substituiu (se ganhar) o PCP pelo PAN.

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publicado por mparaujo às 16:14

09
Jun 19

Screenshot_2019-06-09 ''O Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ontem, na feira Nacional de Agricultura, em Santarém, que "o Presidente da República é um árbitro".

Isto a propósito da polémica afirmação do Presidente da República, numa intervenção, no passado domingo, no rescaldo das eleições europeias, proferida na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. À referência de poder haver "uma forte possibilidade duma crise na direita portuguesa nos próximos anos", acrescentou ainda o argumento que Portugal tem agora "uma esquerda muito mais forte do que a direita" e que "o que aconteceu à direita é muito preocupante".

Ora... seja ao Presidente da República, seja a um árbitro (em qualquer modalidade desportiva), o que se pede no exercício das suas funções é que seja, no mínimo, isento em relação aos protagonistas, quer político-partidários, quer adversários desportivos.

No caso em apreço, Marcelo Rebelo de Sousa não só extravasou (e muito) as suas competências/funções presidenciais (não esqueceu o seu papel de comentador e criador de factos políticos), como, passada apenas uma semana, caiu numa enorme contradição: “[o árbitro] De vez em quando chama a atenção de um jogador ou outro para evitar ter de lhe dar cartão amarelo, para ter de evitar marcar faltas, mas o ideal é o árbitro não ter de intervir". O ideal seria mesmo isso. Só que neste caso, Marcelo não chamou a atenção do jogador A, B ou C... na prática, o que fez foi mesmo intervir (e publicamente, mesmo que em inglês).

Mas o que está em causa nas declarações do Presidente da República não é a sua repentina preocupação com a direita, a oposição à actual maioria de esquerda ou qualquer análise eleitoral face aos resultados das Europeias 2019. Até porque, apesar dos apelos que antecederam o ato eleitoral, não vimos a mesma preocupação de Marcelo pela enorme taxa de abstenção (a terceira mais alta dos 27 países da UE, incluindo (ainda) o Reino Unido). Isso sim, é uma crise do sistema político (e não apenas dos partidos) que nos deveria preocupar a TODOS, incluindo (e principalmente) o Presidente da República. Já para não falar no (in)suspeito (em alguns contextos "à la carte") diploma do Código de Conduto dos Deputados à Assembleia da República ou nos recentes casos de corrupção que envolvem autarcas (de 15 casos, 10 são eleitos pelo PS... o que não invalida, nem menoriza ou desculpabiliza, a infeliz transversalidade partidária noutros casos).

O que Marcelo Rebelo de Sousa procurou com esta afirmação foi marcar a sua própria agenda eleitoral, deixando em aberto qualquer retórica para um dos dois desfechos possíveis de final de mandato.
Depois da tragédias dos incêndios de 2017, a sua recandidatura estava dependente da forma como o Governo e o País reagiriam e resolveriam esta questão.
Depois do anúncio do Papa Francisco que marcou as próximas jornadas mundiais da juventude para Portugal, a fé de Marcelo moveu todos os obstáculos e voltaria a colocar, em cima da mesa, a sua recandidatura.
Depois das Europeias2019, a pouco mais de 4 meses das próximas Legislativas, a recandidatura a um segundo mandato fica dependente do equilíbrio (ou não) das forças partidárias, resultante do resultado eleitoral.

E é esta a agenda eleitoral do Presidente da República. Uma vitória significativa do PS e da esquerda, deixa Marcelo eleitoralmente dependente da vontade do CDS, da Aliança e de alguns socialistas para o suporte a uma recandidatura (sendo insuficiente a vontade e a empatia populares), mas "crucificado" e preterido à esquerda e, quem sabe, pelo próprio PSD.
Caso o PS vença as eleições sem grande margem, mantendo-se o actual cenário político, transformar-se-á o papel do Presidente da República num permanente "mediador político" (a sua verdadeira "praia"). Aí, Marcelo terá todo o "palco político e partidário" para receber um largo apoio eleitoral para cumprir o segundo (e último) mandato.

Foi este o "barro que atirou à parede" com a alegada e presumível crise do sistema político e da direita portuguesa.

publicado por mparaujo às 12:19

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