Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

07
Jan 20

Promovida, mais uma vez, pela Porto Editora, os portugueses escolheram a palavra do ano de 2019.

Por si só, qualquer contexto de violência é condenável, criticável e deve ser denunciado.
Têm vindo a público inúmeras realidades reprováveis: 900 casos de violência contra profissionais da saúde (normalmente, médicos e enfermeiros); praticamente todas as semanas há registo de casos com professores e auxiliares de educação; são mais que significativos os casos de violência contra idosos, seja em contexto familiar, seja, infelizmente, em contexto institucional; são as situações de roubo/assalto, algumas com finais trágicos; são as violações ou os abusos sexuais, incluindo, abominavelmente, crianças; é, ainda, a violência psicológica ou fruto da exclusão.

Mas os portugueses foram mais específicos... manifestaram uma consciência social e colectiva importante, espelharam o que tem sido um flagelo social que tem vindo a crescer, contrariamente ao que seria de esperar e desejável: a "Violência Doméstica".
Poderia ter sido uma outra opção mais confortável, eventualmente mais mediática ou mediatizada, como, por exemplo as palavras "seca", "sustentabilidade", "lítio", "trotineta" ou "jerricã".
Foi antes, uma escolha que, em si mesma, é o reflexo de uma inaceitável realidade social: em 2019 morreram 38 pessoas vítimas de violência doméstica (30 mulheres, 7 homens e 1 criança).

Sem Título.png

 

publicado por mparaujo às 22:19

30
Ago 17

menino-menina.jpg

publicado na edição de hoje, 30 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
É pró-menino e prá-menina

A semana ficou marcada pela polémica entre o “azul” e o “rosa” centrada na edição, por parte da Porto Editora (mas não caso único), de dois blocos de actividades para crianças diferenciados com base no sexo (rapaz/menino, rapariga/menina). Apesar da publicação ter quase um ano (em Portugal temos sempre esta infelicidade com os delays temporais) a referenciação pública levou às mais díspares opiniões e condenações, confinadas ao tradicional “pró e contra”.

A polémica tem várias vertentes e é social e politicamente relevante, ao contrário do que muitas vozes que se indignaram contra a legítima indignação querem fazer crer e menorizar. Há, em pleno ano de 2017, no pleno Portugal do século XXI, um estereótipo e um preconceito profundamente enraizado no que respeita à questão da igualdade de género. E não são pormenores ou peanuts. É um país, nesta área, substancialmente retrógrado, parado no tempo, medieval. Esta é a realidade dos factos.

Logo à cabeça surge a falta de percepção, de noção ou até de honestidade intelectual que impede a noção do sentido da “igualdade de género”. É óbvio, por mil e uma razões (que me abstenho de elencar por entender que ferem a inteligência de qualquer pessoa), que o menino é diferente da menina, o rapaz da rapariga, o homem da mulher. Ponto. É a vida… é da vida. Não é, nem nunca foi isso que está ou esteve em causa. Usar esta argumentação é reveladora de uma clara insuficiência cognitiva (antigamente dizia-se mesmo “burrice”). O que está em causa é a igualdade de oportunidades, de direitos, de respeito, de dignidade, independentemente do género. É tão simplesmente isto que grande parte da sociedade portuguesa ridiculariza, menospreza, desvaloriza, mesmo que isso continue a espezinhar e a ofender muitas meninas, raparigas e mulheres. Não se trata de questionar uma publicação só porque uma é azul (menino) e outra é cor-de-rosa (menina), o que por si só já é estúpido. Trata-se de questionar a necessidade de um bloco de actividades diferenciado para menino ou menina quando, pela missão pedagógica e educativa da Porto editora, se esperava e exigia uma publicação única para crianças. E também se esperava de uma editora que não houvesse tratamento desigual quanto à aprendizagem ou capacidades cognitivas baseadas no género (ao contrário do que há quem queira fazer crer para desvalorizar a indignação, o parecer técnico da Comissão para a Igualdade de Género referencia seis exercícios de dificuldade acrescida diferenciados no livro “azul” e quatro no livro “rosa”). Por essa razão teremos no futuro manuais escolares diferenciados, testes escolares diferenciados, exames diferenciados e regressaremos (cantando e rindo) às escolas diferenciadas para rapazes e raparigas. Mas, lamentavelmente, a questão da indignação não se limita ao estereótipo da diferenciação da cor ou da publicação diferenciada. A sociedade está mesmo carregada de preconceitos de género: a descrição e referenciação do menino ligado às actividades de ar livre, ao desporto, às ferramentas, enquanto a menina se apresenta no mundo das fadas e princesas, das actividades domésticas, é abjecta e abominável. É preconceituoso e é estereotipado.

Assim como é condenável o recurso à manipulação política do tema. A Comissão de Igualdade do Género tem uma missão e uma responsabilidade mais que óbvias e, infelizmente, necessárias face ao frágil desenvolvimento social e cultural do país. Importa recordar (como fez e bem a Fernanda Câncio num recente artigo no Diário de Notícias, “Isto só lá vai com educação”) o plano, ainda em vigor, para a igualdade de género traçado pelo governo de Passos Coelho: «é tarefa fundamental do Estado promover a igualdade entre homens e mulheres" e "dever inequívoco de qualquer governo reforçar a intervenção no domínio da educação, designadamente com a integração da temática da igualdade de género como um dos eixos estruturantes das orientações para a educação pré-escolar». Sem mais comentários. Isto não é uma causa de esquerda ou direita.

Mas para aqueles que acham e tratam a questão da igualdade de género como uma minudência e uma obsessão ideológica ou fracturante de uma minoria, é importante relembrar: a necessidade de legislar para a inclusão (cotas) de mulheres em listas eleitorais; as mulheres ganham, em média, menos 16,7% que os homens (menos 165,06€ a menos), sendo que nos quadros superiores (habilitações qualificadas) essa diferença aumenta para os 26,4%; em média as mulheres dedicam mais 1:13 hora às tarefas domésticas que os homens; as mulheres ocupam apenas 13% dos cargos de gestão empresariais; valores que, tendencialmente, têm aumentado e não diminuído. Isto já para não falarmos dos valores da violência doméstica ou das restrições laborais por motivos da condição maternal.

Claro que dar a um menino um brinquedo cor-de-rosa é torná-lo potencialmente efeminado. Um perigo, portanto.

publicado por mparaujo às 00:20

05
Jan 17

untitled.JPG

Era mais que expectável a escolha de "Geringonça" para a palavra do ano de 2016, no inquérito promovido pela Porto Editora.

Num total de cerca de 28000 votos, perto de 9800 portugueses (representando cerca de 35% dos votos) escolheu a palavra, que entrou no léxico comum português pela mão de Paulo Portas de de Vasco Pulido Valente, tendo definido e marcado o discurso político nacional durante 2016.

Pessoalmente e espelhando o que foi um sentimento generalizado em relação ao ano de 2016 a palavra que melhor espelha o ano que terminou teria sido a expressão anglo-saxónica "RIP" (Rest in Peace - Descansa em Paz).

rip.jpg

publicado por mparaujo às 14:33

02
Dez 16

A Porto Editora volta a colocar à votação uma lista de 10 palavras para a escolha final da "Palavra do Ano".

A lista afigura-se equilibrada embora haja o evidente destaque para uma das expressões mais comummente usada ao longo desta ano, pelos eu impacto político e social: "geringonça".

As 10 palavras são: "brexit", "campeão", "empoderamento", "gerigonça", "humanista", "microcefalia", "parentalidade", "presidente", "turismo" e "racismo".

Pessoalmente, lamento a falta de uma palavra que resume, em várias áreas (nomeadamente a pessoal), o que foi este cinzento ano de 2016: "morte". Ou se preferível "RIP" (descansa em paz). Esta, sim, a palavra que mais marcou 2016.

unnamed.jpg

publicado por mparaujo às 11:05

04
Jan 16

palavra do ano 2015 - refugiado.pngHá uma certeza em relação à problemática dos Refugiados e à tragédia humanitária que é esta triste actual realidade: ninguém, seja qual for o critério, fundamento ou análise, consegue ficar indiferente.

Por isso não é de estranhar que a escolha da palavra do ano de 2015 tenha sido "REFUGIADO". Esta foi a realidade mais marcante no ano passado e que mais impacto teve nas sensibilidades de todos, nas vivências comunitárias  e nas políticas (ou nas suas ausências) de muitos países da Europa.

A iniciativa tem o "carimbo" da Porto Editora e iniciou-se no ano de 2009. Nesse ano a palavra escolhida pelos portugueses foi "Esmiuçar". Nos anos seguintes as escolham recaíram sobre as palavras "Vuvuzela" (2010), "Austeridade" (2011 - crise portuguesa), "Entroikado" (2012 - chegada da Troika), "Bombeiro" (2013) e "Corrupção" (2014).

A escolha de "Refugiado" como palavra do ano obteve 31% dos votos dos portugueses que participaram na iniciativa, tendo deixado a segunda palavra mais votada - "Terrorismo" a uma distância considerável (17% das preferências).

Curiosamente as três primeiras palavras retratam aspectos relacionados, complementares ou paralelos, da mesma realidade: Refugiado; Terrorismo; e Acolhimento.

Mas há coincidências "curiosas". Na mesma altura em que surgiam as notícias da escolha da palavra do ano de 2015, a comunicação social difundia mais um "lado negro" da guerra e de quem dela foge para encontrar uma esperança de vida, muitas vezes não alcançada: no sábado (2 de janeiro), nas primeiras horas de um novo ano, que na gíria tanta vezes se associa "nova ano a vida nova", o Mediterrâneo fazia a sua primeira vítima mortal nas já tão constantes tentativas de entrada na Europa por parte dos barcos com migrantes ilegais e Refugiados. Não é, para já, conhecida a identidade. Apenas que tinha 2 anos e viaja com a mãe da Turquia para a Grécia à procura de uma vida melhor.

publicado por mparaujo às 16:00

03
Jan 14

Desde 2009 (ano da primeira iniciativa) que a Porto Editora tem colocado à votação, durante o mês de dezembro de cada ano, uma lista de palavras para a escolha, pelos leitores/cidadãos, da palavra do ano.
Em 2009 foi escolhida a palavra escolhida pelos portugueses foi “esmiuçar”; em 2010 foi “vuvuzela” (aquando da realização do mundial de futebol na África do Sul); em 2011 foi escolhida a palavra “austeridade”; e no ano passado (2012) foi escolhida a expressão “entroikado”.
Para o ano de 2013, quando, pela lógica da relação do dia-a-dia dos portugueses com a política e a governação, se esperava que a palavra “irrevogável” fosse a mais escolhida, eis que surge em primeiro lugar (com 48% dos votos, contra 17% para a “irrevogável”) a palavra “bombeiro”.
Pela justificação da Porto Editora, ficou a saber-se que a escolha deveu-se ao facto de, "neste Verão, os bombeiros portugueses terem demonstrado uma enorme coragem no combate aos violentos incêndios que destruíram florestas e roubaram vidas".
Mas algumas dúvidas surgiram já no pensamento de muitos portugueses (como expressou a Marina Pimental, no facebook). Terá sido pelos acontecimentos do Verão ou pelo calendário dos Bombeiros de Setúbal (até porque a votação é realizada em dezembro, precisamente em “cima” do acontecimento mediático)?
Pessoalmente, é-me indiferente a fundamentação. A verdade é mais que justificado o mérito e a vitória na escolha que os portugueses fizeram, como por várias vezes aqui o expressei ("Há tributos e tributos…" - "Dose dupla…" - "Uma mão cheia... de demasiado vazio." - "Mortes sem rosto?" - "Das duas, uma…" - "Sem papas na língua... (Vida por Vida)" - "“Vida por Vida”… levado à ‘letra’").

publicado por mparaujo às 12:03

pesquisar neste blog
 
arquivos
2020:

 J F M A M J J A S O N D


2019:

 J F M A M J J A S O N D


2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

30 seguidores

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Abril 2020
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30


Siga-me
links