Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

16
Mar 16

Marcelo Rebelo de Sousa no Porto - JN - Artur Mach

publicado na edição de hoje, 16 de março, do Diário de Aveiro

Debaixo dos Arcos
Afectos presidenciais

Era inevitável não haver referência a esta semana que marcou a tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República, precisamente há uma semana. Desde o próprio dia da tomada de posse até aos dias que se seguiram não houve noticiário televisivo, capa ou chamada de capa em jornais ou informação nas rádios que não tivesse na agenda e no alinhamento o novo Presidente da República. Perguntar-se-á: exagero mediático e informativo? Claramente, não. Marcelo Rebelo de Sousa foi bem claro, pelo menos numa vertente da sua função presidencial, durante a campanha e após a vitória eleitoral de Janeiro último: seria um Presidente para o povo. E foi neste registo que não esqueceu quem, na prática, o elegeu e que foram os muitos cidadãos que escolheram Marcelo Rebelo de Sousa, à primeira volta, de diferentes quadrantes políticos e ideológicos (algo que custou digerir pelo BE e PCP) e de forma expressiva, fora dos aparelhos partidários e acima dos dogmas ideológicos. Aliás, não é por acaso que as candidaturas presidenciais são nominais (independentemente dos apoios partidários) já que, em teoria, é suposto o Presidente ser de toda a república, de todos os portugueses. Não é surpresa, nem mero “show off” (como alguns sugeriram), toda esta relação de Marcelo com a sociedade nestes primeiros dias de vida presidencial. A figura do Presidente da República tornou-se mais próxima de todos, mais aberta a toda a sociedade e não apenas a sectores elitistas ou dominantes, tornou-se muito menos cinzenta, fazendo jus ao livre exercício de todos os portugueses que votaram no dia 24 de Janeiro. Antes de tomar posse, Marcelo regressou ao mesmo centro de dia para cumprir “promessa” eleitoral, depois das formalidades protocolares (mesmo com alguns furos) o novo Presidente foi a uma Mesquita, festejou à noite com os jovens, levou banho de multidão no Porto, esteve na rua, por clara opção pessoal (fora de todo o protocolo e segurança) deslocou-se, sozinho, a casa de Mário Soares. Os portugueses voltaram a sentir que têm um Presidente da República. No fundo, Presidente Marcelo Rebelo de Sousa igual a si mesmo, igual a Marcelo Rebelo de Sousa. Nada de novo, portanto. Mas tudo isto tem um elevado risco para a imagem que Marcelo tem revelado enquanto Presidente. Uma expectativa demasiado alta para muitos portugueses que tenderão a rever no papel do Presidente da República algo que ele não é ou não tem poderes para tal, independentemente dos apelos à mobilização, á autoconfiança, às nossas capacidades enquanto povo: o salvador da pátria. Uma pátria com 20% da população no limiar da pobreza, com uma elevada taxa de desemprego, com uma elevada taxa de emigração, com uma débil economia e um desenvolvimento estagnado. E é aqui que reside a incógnita do sucesso presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, sabermos até que ponto do ponto de vista político e institucional saberá gerir e de que forma lidará com as grandes questões políticas que se avizinham. É certo que será pacífica e clara a sua relação institucional com a Assembleia da República, como demonstrou no seu discurso da tomada de posse. É certo que não será “força de bloqueio” ao actual Governo (o que ditará fragilidades e marcará a actuação do PSD na oposição) que tudo tem feito para dar expressão ao sonho do actual PS (de muitos que rodeiam António Costa) que é um novo bloco central PS/BE (sim… sem PCP). A homologação do Orçamento do estado acontecerá sem qualquer resistência. Mas do ponto de vista da política externa (por exemplo a relação com a CPLP que vetou a presidência a Portugal ou a relação com Angola deixada de fora na tomada de posse), da forma como lidará com a pressão e os recados da União Europeia, a forma como saberá (ou não) gerir com uma eventual e esperada rotura dos compromissos da esquerda. O primeiro grande desafio será a gestão política, já em maio, com a execução orçamental e o segundo com o Orçamento para 2017. Pelo meio fica a capacidade para ser o garante da estabilidade política no conflito de forças entre PS/Governo e PSD. As suas capacidades de decisão política serão decisivas para marcar o seu mandato no papel institucional e político (mesmo com todas as limitações) do Presidente da República, já que, para a sociedade, a relação está, garantidamente, ganha. Habemus Presidente.

(créditos da foto: Jornal Notícias on line - Artur Machado/Global Imagens)

publicado por mparaujo às 10:55

13
Mar 16

Cavaco Silva de saida.jpgpublicado na edição de hoje, 13 de março, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
Sem saudades

Este era, por muitos, um momento há ansiosamente esperado. Tal como nas suas funções de Primeiro-ministro, estes dez anos de exercício do mais alto cargo político nacional não deixa saudades e advinha-se que apenas a história o registará e um círculo muito pequeno de alguns incondicionais seguidores. Tal como aquando da sua gestão governativa na forma como lidou com os fundos comunitários e a nossa entrada na (então) CEE e com o clientelismo, com as pescas e o mar, com a agricultura, com o “monstro da Administração Central”, também nestes dez anos de Cavaco Silva em Belém muitas coisas, demasiadas coisas, ficaram no cinzentismo da sua magistratura e nas decisões ou na ausência de decisões nos momentos cruciais. E não é apenas pela imagem rude e austera de Cavaco Silva. Apesar de todo o tempo de exercício de cargos públicos, Cavaco Silva nunca conseguiu ser um político, nunca conseguiu despir o fato de tecnocrata. Aliás, para Cavaco Silva tudo se resume e resumiu à economia e às finanças, relegando para segundo plano o social e o político. Eleito com o menor número de votos numa eleição presidencial, sai de Belém com a mais baixa referência de popularidade. Cavaco Silva não soube gerir os principias momentos nacionais e não soube gerir os meandros da política. Ficam na memória a forma como lidou e liderou a relação com a autonomia dos Açores; a polémica com as hipotéticas e engendradas escutas a Belém; o seu sectarismo político e os discursos tendenciosos; a sua insensibilidade social tão espelhada na polémica das pensões; a dificuldade em gerir a relação, no mínimo, institucional com a Assembleia da República; o aval que deu aos inúmeros e sucessivos incumprimentos constitucionais do Governo de Passos Coelho; os vetos inconsequentes, mal fundamentados e evitáveis (como o último caso da adopção); a sua própria relação com as Forças Armadas; a falta de qualquer registo relevante na política externa; a ausência de sentido democrático na forma como sempre olhou para o BE e PCP; a incapacidade política de ser mediador e moderador num preferível entendimento entre PSD e PS face aos resultados eleitorais das últimas legislativas, reconhecendo-se, diga-se, a forma como evitou a crise política entre Paulo Portas e Passos Coelho em pleno mandato governativo.

Cavaco Silva, a ser lembrado, será mais pelas ausências do que pela presença nos momentos críticos e importantes para o país. Apesar dos limitados poderes presidenciais que a Constituição actual consagra esperava-se um Presidente da República mais activo, mais interventivo, mais plural, mais perto da realidade do país. Logo ele que esteve tanto tempo à frente de um Governo, com duas maiorias absolutas.

Por isso, não é de estranhar que Marcelo Rebelo de Sousa tenha sido recebido pelos portugueses de forma tão eufórica e populista, qual D. Sebastião. Em tamanho nevoeiro que envolveu Belém nestes dez anos, qualquer mudança na Presidência desta república teria sempre um ar soalheiro.

Até quando brilhará este “sol presidencial”? Quando chegarem os dossiers bem quentes às mãos de Marcelo logo se saberá. Falaremos disso na próxima quarta-feira.

Há para já a grande diferença: para Cavaco Silva a economia estava em primeiro plano, sendo que o social e o político vinham por “arrasto”.

Com Marcelo na Presidência é mais que notório que tudo ficará subordinado ao poder político, a começar pelo económico.

(fonte da foto: dn online)

publicado por mparaujo às 13:08

09
Mar 16

Marcelo Rebelo de Sousa - lusa.jpg

Hoje, e por sinal os próximos dias, toda a agenda está focada, também, na tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República (o 20º presidente da república e o 5º após o 25 de abril).

Finalmente um Presidente... finalmente um Presidente de muitos portugueses.

Será inevitável não falar de Cavaco Silva, por mais que queiramos esquecer os últimos dez anos da história presidencial de Belém, mas isso serão linhas para o próximo domingo, no Diário de Aveiro.

Para já fica uma nota a propósito do dia de ontem, (Dia Internacional da Mulher). A primeira nota da tomada de posse é o facto de, finalmente, não haver o ridículo "posto protocolar e institucional" de "primeira dama". fez-se história, para já.

publicado por mparaujo às 10:07

22
Jan 14

a imbecilidade do machismo e da cultura nacionais.
e o mais grave é a preocupação da comunicação social (não foi apenas o JN) em dar eco e cobertura a essa imbecilidade.

não se trata do "protocolo" ou da quebra do mesmo. isso é preocupação para a Casa Civil da Presidência da República.
trata-se do "fait divers", da "cusquice", da mentalidade cultura e social, da "inveja" e de isto ser notícia.

"Saia de assessora de Cavaco "ofusca" Ronaldo"

 

Saia de assessora de Cavaco
(créditos da foto: Gustavo Bom - Global Imagens, in JN)
publicado por mparaujo às 11:35

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