Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

28
Mar 14

Pela enésima vez, Santana Lopes (o Pedro) apresenta-se como candidato a um cargo político. Mesmo que assuma que lhe faltam condições "profissionais e pessoais". O mesmo significará que lhe falta o apoio político necessário.

E se alguns se surpreenderam e, inclusive, se indignaram com a minha observação em "Santana presidenciável...", fica aqui, para memória colectiva, e para que se esclareçam as dúvidas.
"Presidenciais: Santana à espera" (jornal Sol)

publicado por mparaujo às 16:36

16
Mar 14

Pedro Santana Lopes não assinou, não foi convidado a assinar, o manifesto pela reestruturação da dívida pública portuguesa.

Como apoiantes do referido manifesto estão personalidades próximas de Marcelo Rebelo de Sousa.
Apesar da distância temporal que ainda nos separa das eleições presidenciais (as últimas deste próximo ciclo eleitoral, apenas em 2015), mesmo sem o assumir publicamente, Marcelo Rebelo de Sousa afigura-se como o candidato a candidato presidenciável na direita política e com eventuais possibilidades de "pescar" eleitorado no centro-esquerda (PS), a menos que Sócrates surja como o candidato socialista.

Depois de uma passagem muito discreta no último congresso social-democrata, e longe do fulgor de outros anos, Pedro Santana Lopes surge hoje no jornal Público com algumas referências curiosas. Principalmente, as que dizem respeito a José Sócrates.

Contextualizando, não deixa de ser interessante que Santana Lopes se refira desta forma a José Sócrates: "Foi um primeiro-ministro com visão em várias áreas. Ele era vários deuses ao mesmo tempo, depois caiu em desgraça e passou a ser o culpado de tudo. Isso é caricato. Ele foi um primeiro-ministro com várias qualidades, um chefe de Governo com autoridade e capaz de impor a disciplina no seio do seu Governo."

Não considero errado o pressuposto (posso ou não concordar com as qualidades referidas, mas isso é outra história). A responsabilidade política termina em cada ciclo eleitoral. Andar sempre a culpabilizar o passado parece ser, cada vez mais, um "desporto nacional, tal como o referi aqui em "A carta errada e os anti-manifesto".

Pedro Santana Lopes acredita mesmo no que disse?! A verdade é que as dúvidas são muitas... toda a entrevista afigura-se como o querer manter-se à tona da vida pública, não ser esquecido e colar-se, claramente, a um lugar a candidato presidencial.

(créditos da foto: Daniel Rocha, in jornal Público online)

publicado por mparaujo às 22:35

22
Jan 14

publicado na edição de hoje, 22 de janeiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Na política o que parece, é.

Ao contrário do que diz a voz popular do “nem tudo o que parece, é”, na política, no momento e no mediático, “tudo o que parece, é”. Mesmo que, no dia seguinte, a verdade e os factos tenham leituras distintas. Nos últimos dias, a política tem sido (é) um factor claro de divertimento e de distracção. Divertimento para os seus actores directos (partidos e políticos) e para a comunicação social, e distracção para os portugueses.

Como já o referi na edição do passado domingo, têm sido várias as “produções” informativas (excesso de trabalho dos “spin doctors” oficiais) ou as manobras políticas que o PSD e o Governo têm desenvolvido para desviar a atenção dos portugueses do essencial e da realidade. Recordando: a transladação de Eusébio para o Panteão Nacional; um congresso do CDS-PP que teve como pontos altos a proposta da Juventude Popular para a redução da escolaridade obrigatória (do 12º ano para o 9º ano) ou o caso da factura dos leitões protagonizada por congressistas do Algarve; o anúncio da recandidatura (única candidatura) de Pedro Passos Coelho à liderança do “actual” PSD e a um eventual segundo mandato legislativo; e, por último, à vergonhosa imagem deixada pelos deputados parlamentares com a decisão sobre o referendo à proposta de lei (já aprovada na generalidade) sobre a co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Mas, apesar da lista ser longa para um período de tempo tão escasso, como uma semana, o poder político não se sentiu satisfeito, nem saciado.

Assim, havia a necessidade de se encontrar um novo “fait divers” político. E nada melhor que a relação entre Governo, PSD, eleições e o mais mediático dos comentadores políticos televisivos e eterno candidato presidencial: Marcelo Rebelo de Sousa. Tudo com um objectivo óbvio e imediato: desviar as atenções dos portugueses e da comunicação social (sempre ávida por boas historiestas e quezílias políticas) do essencial: os cortes na função pública, já sentidos com os vencimentos deste mês de janeiro; os cortes nas pensões e a sobrecarga da Contribuição Especial de Solidariedade nas reformas; os aumentos generalizados dos bens de consumo e serviços; os problemas nos serviços de saúde. E, principalmente, com o aproximar das eleições europeias e com o futuro do país no pós-troika (com ou sem resgate, com ou sem novo programa cautelar). Entretanto, o país passou a falar das terceiras eleições do próximo ciclo eleitoral: as eleições presidenciais (em 2014 as eleições europeias, em 2105, primeiro, as legislativas e só depois as presidenciais). Uma preocupação demasiado “à la longue”, demasiadamente projectada num longo prazo político. Com a definição da estratégia eleitoral para Belém, descrita na moção que será apresentada, em congresso nacional, Passos Coelho (um candidato que não seja um "cata-vento de opiniões erráticas" ou alguém de popularidade fácil e mediático) acabou por conseguir o seu objectivo de criar, na opinião pública, mais um divertimento político, mas, ao mesmo tempo, deu um verdadeiro tiro no pé. Mesmo que ainda falta demasiado tempo e a verdade dos factos políticos hoje pode não ser igual à de amanhã. Mas a verdade é que, com a descrição do “não” candidato (mais do que com as características do candidato), Marcelo Rebelo de Sousa viu projectada a sua imagem e saltou para o palco político, assumindo-se como o centro das atenções (algo que, pela lógica, até podia identificar outros nomes como Marques Mendes, por exemplo). Se para Passos Coelho o objectivo estava cumprido (distrair os portugueses e alimentar a comunicação social), a verdade é que, pela posição assumida por Marcelo Rebelo de Sousa, o líder social-democrata terá, a partir de hoje, um grave problema interno para resolver. Marcelo acaba por se tornar, claramente, como o candidato natural, deixando para segundas escolhas nomes como o de Durão Barroso ou Santana Lopes. É óbvio que ainda falta percorrer muito caminho e quer Passos Coelho, quer Marcelo, saberão isso perfeitamente. Mas para os portugueses, nomeadamente para o eleitorado do CDS e do PSD (este último, principalmente, os muitos que não se revêem em Passos Coelho) Marcelo Rebelo de Sousa afigura-se como o principal candidato da direita a Belém, em 2015, relegando outros eventuais nomes para segunda escolhas, e escolhas vistas como perdedoras. Pela imagem de Marcelo na opinião pública, pela figura e carisma (concorde-se ou não com as suas posições), pelo mediatismo que possui (contrariando a definição de candidato de Passos Coelho), pela projecção na oposição interna no PSD ao actual Primeiro-ministro, por poder ser visto como um factor de “vingança” numa anunciada derrota eleitoral legislativa do PSD, Passos Coelho terá, lá mais para a frente, de rever a sua moção, a sua estratégia eleitoral para as presidenciais, terá (até porque deverá estar, na altura, numa posição de liderança fragilizada) que ceder às fortes pressões internas, das bases do partido e do próprio CDS.

publicado por mparaujo às 12:02

16
Dez 10
Publicado na edição de hoje, 16 de Dezembro de 2010, do Diário de Aveiro.

Cheira a Maresia
O Rei vai nú!


Bem sei que referir-me à monarquia numa questão totalmente republicana pode parecer um autêntico paradoxo. Mas a verdade é que ainda mal se iniciou a campanha (isto é, os debates televisivos) para as próximas eleições presidenciais são gritantes e inquietantes o vazio de ideias, as trapalhadas discursivas e os “tiros nos pés” da demagogia do desespero.
O país atravessa uma crise grave que necessita de criatividade, de ideias concretas, de justiça, de estabilidade social, e de projectar um futuro consistente.
São estas as necessidades das pessoas: dos cidadãos que perderam ou não conseguem encontrar emprego, das famílias que têm cada vez mais dificuldades em se sustentarem, das pessoas que sentem obstáculos no recurso à saúde e à justiça… do aumento significativo de casos de pobreza e de fome.
Acrescida da influência que a União Europeia exerce sobre a soberania dos Estados (realidade cada vez mais consciente por parte dos portugueses), são estas as preocupações que os cidadãos gostariam de ver reflectidas na campanha eleitoral para as presidenciais, mesmo sabendo-se que não cabe ao Presidente da República a governação do país.
Até à data, a que se junta o início, na passada terça-feira, dos debates televisivos, as expectativas estão muito longe da realidade, correndo-se o risco de um alheamento dos eleitores em relação às eleições, provocando um significativo valor da abstenção.
É que a campanha está, claramente, com tendência para a demagogia, a falta de ideias, a repetição de clichés, o saudosismo histórico, o constrangimento político.
A tal ponto do desespero da falta de argumentação política levar o candidato Manuel Alegre a constantes “tiros no pé”, contradições e a demagogias baixas que em nada contribuem para o elevar da discussão, do confronto de ideias e convicções.
Veja-se o caricato episódio dos cantos de “Os Lusíadas” (como se Camões alimentasse as crianças e solucionasse o desemprego) enquanto o país necessita de soluções pragmáticas em vez de lirismos, os ataques pessoais a Cavaco Silva (mesmo que venha dizer que não condena os passados, foi o primeiro a levantar a acusação) como se o país sentisse algum interesse saudosista na sua história (mesmo que recente e com a importância reconhecida – o mesmo saudosismo histórico seria legítimo para os defensores da monarquia, em confronto com o espírito republicano das eleições presidenciais), e a triste falta de respeito para com o associativismo, a solidariedade e as respectivas medidas que promovam o combate à fome e à pobreza. É certo que não são os excedentes da restauração que resolverão o problema da fome e da pobreza, mas será com toda a certeza mais um contributo para a solução do problema (onde a questão do casino é um mero pormenor de cenário, sem qualquer fundamento político).
Problema que Manuel Alegre não consegue encarar de frente, por condicionalismos políticos, por constrangimentos eleitorais: se criticar as políticas socialistas que levaram ao arrastar e avolumar da situação perde o apoio oficial do PS e cola-se definitivamente ao Bloco de Esquerda (sem que isso significa um claro apoio da esquerda, já que o PCP tem em Francisco Lopes uma voz coerente com os seus princípios e convicções).
Ao contrário do que sucedeu nas últimas eleições presidenciais, onde Manuel Alegre surgiu como uma proposta de cidadania extra-partidária, para 2011 o candidato apresenta-se sufocado pela bipolarização do apoio partidário do PS e do BE, em claro confronto político e oposição no que é o essencial da estruturação da sociedade portuguesa.
O que torna Manuel Alegre um evidente erro de casting eleitoral.
Resta saber se intencionalmente ou não… Gritaria o povo: “o Rei vai nú!”.
publicado por mparaujo às 05:26

13
Dez 10
Ainda a procissão vai no adro, ainda só agora entrámos oficialmente no período da campanha eleitoral, e já se nota uma clara e evidente percepção do desfecho eleitoral, quer por parte dos portugueses, quer mesmo por parte de Manuel Alegre.
São tiros nos pés, afirmações e demagogia "barata" que só demonstra que o candidato não vive nos dias de hoje, sofre de uma "nostaligite" aguda, e comporta uma irrealidade gritante e preocupante.
O único propósito resulta num constante ataque a Cavaco Silva, nem que isso signifique a ausência de ideias concretas, reais e eficazes.
Para um país mergulhado no limiar da pobreza (à qual não se pode esquecer a questão da fome), com uma taxa de desemprego preocupante, sem perspectivas de uma economia consolidada, à beira de uma recessão, os cidadãos estão mesmo preocupados se o próximo Presidente da República sabe os cantos dos Lusíadas de cor e salteado, de trás para a frente.

Além disso, o "poeta" candidato à presidência da república criticou o actual detentor do cargo por usar e abusar do "princípio" (da má prática) da promulgação com dúvidas.
No entanto, as mesmas dúvidas que assolaram Cavaco Silva na promulgação da lei do financiamento dos partidos políticos, sustenta a razão do voto contra do BE na aprovação da referida lei. Sem esquecer que o BE é um dos partidos suporte da campanha de Manuel Alegre. (fonte: TSF on-line)

Por último, o que já vem sendo prática comum na campanha e no discurso do candidato Manuel Alegre - as afirmações contraditórias face às posições públicas do Governo, do PS ou do BE - publicamente, Alegre defendeu a posição do Presidente do Governo Regional dos Açores na compensação salarial dos funcionários públicos das ilhas. José Sócrates nem sim, nem não... antes pelo contrário! (Lamento. Não concordo, mas...).
No entanto, uma "pesada" opinião já se manifestou: para o constitucionalista Jorge Miranda, a "compensação salarial nos Açores é inconstitucional". (fonte: Rádio Renascença)
publicado por mparaujo às 23:30

10
Nov 10
O resultado das presidenciais de 2006 começa a pairar sobre a candidatura de Manuel Alegre.
A bipolarização dos apoios a Manuel Alegre (PS + BE) vão deixando marcas políticas e demarcando um fosso cada vez maior entre Cavaco Silva e Manuel Alegre, afastando e dissipando o cenário de uma segunda volta.
O discurso pouco consistente e convincente do histórico socialista não tem marcado uma agenda política, nem convencido o eleitorado, nomeadamente o socialista (recorde-se os socialistas apoiantes da recandidatura de Cavaco Silva).
E face ao afastamento político entre PS e BE, concretamente nas medidas sociais e no Orçamento de Estado, afigura-se difícil o equilíbrio de convicções, de posições e de afirmação de uma candidatura supra-partidária.
Aliás... essa tem sido, a par com um discurso distante das necessidades do país e dos cidadãos, a maior hecatombe da candidatura de Manuel Alegre: por um lado a necessidade de ter ao seu lado, em "estrada", o aparelho socialista e bloquista, por outro, a pedido dos dois partidos, uma ambiguidade ou independência ("supra-partidarismo") que não produz efeitos práticos (conquista de votos).
E o desespero tem sido notório ao ponto de Manuel Alegre defender a ideia de que as eleições presidenciais são mais importantes do que as legislativas (non sense completo e algo que o eleitorado não aceite nem compreende), de não conseguir rebater o posicionamento de Cavaco Silva (quer em relação ao Orçamento, quer em relação ao país e ao futuro, quer em relação às questões sociais), e de não conseguir convencer os cidadãos (mesmo os socialistas) do que reconhece poder ser um perigo para democracia (outra pérola da demagogia do seu discurso) "uma maioria, um governo, um presidente" (sonho de Sá Carneiro). O que parece, desde já, reconhecer uma eventual queda do governo de José Sócrates e de uma anunciada derrota nas próximas legislativas.
publicado por mparaujo às 21:58

18
Out 10
No seguimento do que expus em Triângulo Presidencial, nada melhor que a confirmação de que em política vale tudo menos ter coerência e assumir convicções.

O BE anunciou hoje o voto contra a proposta de Orçamento do Estado para 2011 do Governo.  (fonte: SIC on-line).
Assim sendo, como é que fica a posição política de Manuel Alegre e o apoio do PS à sua candidatura?!


Porque, para já, BE e PCP já definiram claramente o "seu sentido de Estado": CHUMBO!
publicado por mparaujo às 22:55

Um triângulo político com distintos ângulos e que coloca mais interrogações (para além de eventuais "dores de cabeça").

O Orçamento de Estado para 2011 face à sua importância que tem para a economia e as finanças do País, à bandeira governativa, e ao peso que representa numa eventual crise política e, eventualmente, nas próximas eleições presidenciais, tem apoiantes e opositores.
E nesta perspectiva, os apoios ou a oposição ao orçamento revestem-se politicamente de um peso, convicção e importância acrescidos. Além disso, determinantes para posicionar um partido ou uma personalidade a favor ou contra o governo.

A ética e a coerência políticas, estão, de facto, demasiadamente degradadas na nossa política de hoje.
Vejamos...

O Orçamento de Estado para 2011 é da responsabilidade do Governo e conta apenas com o apoio inequívoco do PS.


Alegre diz que consigo na Presidência não haveria banqueiros a mediar o Orçamento (referindo-se a Passos Coelho, esquecendo - como lhe convém - o Ministro das Finanças). (fonte: SIC on-line)

Sendo  Manuel Alegre, candidato presidencial, apoiado pelo PS e BE...
Há aqui algo que não bate certo, por ser do mais contraditório que se possa imaginar.

Coerências... portanto!
publicado por mparaujo às 00:51

14
Out 10
Publicado na edição de hoje, dia 14 de Outubro, do Diário de Aveiro.

Cheira a Maresia
Pressões Presidenciais


Tal como referi na passada semana, ficaria para hoje o envolvimento do processo eleitoral presidencial na problemática da aprovação ou não do Orçamento de Estado para 2011.
Apenas uma referência breve ao texto da passada semana (“Viabilizar ou não… eis a questão”), para mencionar que me parece curioso que se coloque (como quase todos os ilustres da nação) a questão e a pressão do sentido de Estado apenas no PSD, só pelo facto de ser o maior partido da oposição e, com o seu sentido de voto, poder viabilizar ou não o Orçamento. É o mesmo que afirmarmos que os outros partidos com assento parlamentar ou não têm sentido de responsabilidade de Estado ou o seu papel institucional não serve para nada. Ou ainda, que aos mesmos (e ao contrário do que sucede com o PSD) seja permitido o exercício do sentido de voto de acordo com as suas convicções, afirmações, políticas e ideologias, mesmo que nelas não se vislumbre o tal sentido de Estado e a responsabilidade perante o peso institucional e fiscalizador da Europa.
É caso para dizer que, “não há moralidade, nem comem todos!”
Regressando à viabilização do Orçamento para 2011, continuidade prometida no texto do passado dia sete, uma das razões políticas que, eventualmente, poderá condicionar a posição do PSD é o processo eleitoral para a Presidência da República, marcado para o dia 23 de Janeiro.
Recentes afirmações de Pedro Passos Coelho dão-nos conta de que o presidente social-democrata não apresenta (ou não apresentou) nesta altura uma moção de censura ao governo pela aproximação das presidenciais e respectivo timing, embora me pareça que o PSD já o poderia ter feito, enquanto teria impacto político (com a possibilidade de marcação de eleições antecipadas por parte do actual Presidente da República), e face aos comportamentos do governo da nação republicana.
Se a questão da moção se percebe no contexto actual, já em relação ao Orçamento o que referi na semana passada, mantenho com o mesmo espírito crítico.
Não me parece que o PSD tenha de ficar refém de um eventual impacto nas presidenciais de uma demissão governativa de José Sócrates por diversas razões: Cavaco Silva ainda não se apresentou como candidato (e embora o entendimento geral seja da sua recandidatura, nada está tido como certo), um candidato do espectro político à direita do PS pode beneficiar eleitoralmente de uma hipotética “crise política” (pior que a que existe, neste momento, não deve haver), e há uma necessidade clara do PS, BE e Manuel Alegre fundamentarem a suas opções e convicções, quando são conhecidas as divergências face às medidas económicas e sociais preconizadas pelo governo socialista, nesta altura. Algo que o BE sempre contestou, algo que Manuel Alegre usou, em diversas ocasiões, como argumento discursivo na campanha eleitoral anterior (que o opôs precisamente ao PS e a Mário Soares), e algo que o PS assume como bandeira política das suas medidas sociais e económicas.
No fundo, trata-se para o PSD e para Passos Coelho de uma questão de coerência de discurso, de imagem e de construção de uma alternativa para o País.
publicado por mparaujo às 03:16

13
Out 10
Manuel alegra está numa verdadeira encruzilhada dogmática e existencial. E isso turvou-lhe o raciocínio e o discernimento... para ser "manso".
Para camuflar o desaire que se prevê frente a uma recandidatura de Cavaco Silva, para disfarçar o incómodo do apoio de dois partidos em clara rota de colisão e com distintas visões da política e da sociedade, já para não falar do antagonismo de posições sobre o Orçamento e as medidas de combate à crise financeira entre PS e BE, para fugir a uma posição clara sobre o país (não vá ver retirado o "tapete" do apoio socialista), Manuel Alegre, sem qualquer tipo de pudor e com todo o topete, sem qualquer noção do ridículo, num verdadeiro tiro no pé, afirmou, na abertura da sua sede de campanha eleitoral (curiosamente com mais figuras bloquistas que socialistas), em Lisboa: "ter informações de que estão a ser recrutadas crianças em escolas para levarem “bandeirinhas” para as visitas do Presidente da República a determinados concelhos do país." (fonte: Público on-line).
Para além do ridículo da afirmação, Manuel Alegre esqueceu-se que mais inaugurações escolares tem feito a Ministra da tutela educacional e o Primeiro-ministro (e aí, já não há criancinhas?!).
Por outro lado, Manuel Alegre esqueceu-se que a(s) escola(s) inaugurada(s) estava(m) relacionada(s) com as comemorações do Centenário da República (Alegre queria o quê?! Bandeiras da Monarquia?!).
E Manuel Alegre já se esqueceu dos casos escolares com o Magalhães ou das inaugurações de Unidades de Saúde fantasmas?!
É notório o desespero, a falta de argumentação, de discurso... mas acima de tudo, uma sede de poder histórica!
Enfim... tristes patetices....
publicado por mparaujo às 22:05

12
Out 10

O Presidente da República, Cavaco Silva, marcou hoje a data das próximas eleições presidenciais: 23 de Janeiro de 2011.
Oficialmente, a campanha eleitoral arranca a 9 de Janeiro.

No site oficial da Presidência da República a informação é, como se ousa dizer, "curta e grossa":
Presidente da República marcou eleições presidenciais para 23 de Janeiro de 2011
A propósito da marcação da data em que vão decorrer as próximas eleições presidenciais, a Presidência da República divulga a seguinte nota:"Nos termos constitucionais e legais, o Presidente da República fixou o dia 23 de Janeiro de 2011 para a realização das eleições presidenciais".

Vai começar a festa republicana...

Para já a corrida eleitoral tem, na linha de partida, Manuel Alegre (PS e BE), Fernando Nobre (independente), Francisco Lopes (PCP) e Defensor de Moura (independente). Quem faltará mais?!
publicado por mparaujo às 00:16

26
Set 10
ou como nem tudo o que parece é, e a coerência é algo muito débil.

Nas últimas eleições presidenciais foi notório o afastamento político entre o PS e o candidato Manuel Alegre. Não apenas pelo facto de Mário Soares ter sido o candidato “oficial” do partido, mas pelos conceitos, ideias e concepções da sociedade e das medidas políticas.
Inclusive, no rescaldo das eleições, muitas foram as vozes e comentários que colavam Manuel Alegre ao Bloco de Esquerda.
Volvidos quatro anos, Manuel Alegre é o candidato presidencial às eleições de Janeiro de 2011, apoiado por PS e BE.
Com que coerência?!
Como é que Manuel Alegre vai lidar com um eventual Orçamento de Estado que desagradará ao país (aumento de impostos, diminuição dos benefício fiscais SOCIAIS), que aumentará a contestação social, que colocará num substancial confronto político e ideológico os socialistas e os bloquistas.
Como reagirá Manuel Alegre?!
È que passar todos os momentos mediáticos a disparar constantemente sobre Cavaco Silva, só reflecte fragilidade política e falta de fundamentação estratégica.
Desviar as atenções sobre Cavaco Silva ou uma eventual segunda candidatura da direita (algo perfeitamente impensável) só serve para não mostrar as deficiências políticas da sua candidatura.
Mas os portugueses não dormem… e não são tão estúpidos como querem fazer crer.
publicado por mparaujo às 22:34

16
Jan 10
Não consigo perceber as hostes socialistas e esta sua ansiedade em relação a Manuel Alegre. Principalmente depois de Louçã o ter colado ao BE o que identifica, claramente, o perfil da sua candidatura.
Só entendo esta ansiedade se por acaso o PS não encontrar um candidato de relevo e uma candidatura mais unificadora, por exemplo Jaime Gama ou Guterres (ao contrário do que aconteceu com Mário Soares).
Uma candidatura destas poderá condicionar o resultado de Manuel Alegre (que não acredito vir a repetir o das últimas eleições) e pressionar à direita. Por exemplo, retirar espaço à recandidatura de Cavaco Silva.
publicado por mparaujo às 21:16

15
Jan 10
Manuel Alegre anunciou, hoje à noite, em Portimão, a sua disponibilidade para uma candidatura a Belém, em 2011.
PS e José Sócrates repetem o dilema das últimas presidenciais.
Não se afigura o mesmo erro socialista, assim como não se afigura o mesmo resultado para Alegre. Principalmente se Jaime Gama se afigurar como candidato presidencial, conforme alguns sectores socialistas pretendem.
BE e Louçã é que acabam por ganhar um candidato presidencial sem "mexer uma palha".

(clicar na imagem para aceder ao discurso de Manuel Alegre, proferido hoje, em Portimão, via expresso)
publicado por mparaujo às 21:40

18
Nov 05
Já proliferam nesta cidade (e provavelmente no resto do rectângulo nacional) os cartazes das presidenciais de 2006. Um que me chamou a atenção foi o do Dr. Mário Soares. Reflecte nitidamente o vazio da sua candidatura e a irracionalidade da sua campanha.
"Porque sabe unir os portugueses" é a chave do cartaz.
Pura ilusão e demagogia eleitoralista.
Para quem não consegue (e não soube) unir o seu partido (sim esse mesmo... o PS) e para quem não consegui unir a Esquerda (já para não falar das 'zangas' com o seu amigo poeta), querer unir todo um país é chavão e puro 'No sense'...
Será que ainda não houve ninguém que lhe explicasse isso?!?!
É que (felizmente) há muita gente (à direita e à esquerda) que não se quer unir ao Dr. Mário Soares.
Porque não tem ideias para Portugal, não tem perspectivas para a crise nacional (económica e de valores), não mostrou saber o que os cidadãos querem para o país. E por não saber e não dizer, é que apenas reduz o seu discurso ao seu pesadelo que é Cavaco Silva.
publicado por mparaujo às 11:56

16
Nov 05
fonte: Capa do Semanário Expresso de 12.11.2005, edição 1724
(em http://semanal.expresso.clix.pt/capa/default.asp)
publicado por mparaujo às 08:00

14
Nov 05
Enquanto os outros candidatos, confinam as suas ideias presidenciais (alguma ligeira exepção para Manuel Alegre) a críticas a Cavaco Silva, num total vazio de conceitos e projectos concretos para o país, o quase eleito presidente prefere deixar a retórica de lado, orgulhar-se do passado e assumir o futuro do país, aproximar-se dos sentimentos e desejos dos portugueses.
Numa análise clara e concreta à realidade portuguesa, Cavaco Silva promete ser, como presidente, sério, rigoroso e exigente. Três aspectos fundamentais para o desenvolvimento de Portugal. Assim se fala em nome da confiança. E para quem tinha dúvidas, Cavaco Silva convenceu hoje na TVI (que fora as primeiras companhias e big brother's vai tendo, esporadicamente, pontos de interesse). Claro, conciso, realista, transmitiu confiança e mostrou capacidade para ser um ponto de convergência nacional. Assim se caminha para Belém! Enquanto a esquerda continua 'amuada' entre si (e em plena 'guerrilha' interna) e cada vez mais traumatizada com a possível derrota conjunta, o principal opositor de Cavaco Silva poderá ser a 'tradicional' apatia e abstenção eleitoral, que caracteriza o eleitorado português e que face às sondagens e indicadores, na hora de 'colocar a cruz' no dia 22 de Janeiro, desmobiliza. E isso significa votar à esquerda. Até lá 52% chegam!
Actualização
Mário Soares, em Guimarães, numa das suas aparições públicas (resumindo os 'banhos de multidão' a jantares de 300 pessoas) afirmou que vai fazer "uma campanha inovadora e de proximidade com os portugueses". Eis pois as suas ideias chave e objectivos presidenciais: "Cavaco, Cavaco, Cavaco, Cavaco e Cavaco Silva". (pelo menos são 5).
Felizmente para Cavaco Silva, o Dr. Mário Saores ainda não percebeu que não é a ele que o Professor Economista tem que dar explicações, falar e dialogar: é aos portugueses; àqueles que, não sendo candidatos, têm o direito e o dever cívico de votar (eleger).
publicado por mparaujo às 23:30

07
Nov 05
A entrevista de Manuel Alegre (hoje TVI) veio clarificar o que neste blogue fui discutindo em relação às presidenciais.
Manuel Alegre é o principal adversário de Soares e do aparelho do PS. Por exclusão lógica, é o 'único' adversário de Cavaco Silva. O 'único' que poderá criar alguns percalços no seu 'passeio' até Belém.
Pelo conteúdo do seu discurso, pelos seus valores de esquerda disfarçados por algumas referências politicamente correctas e universais (patriotismo e história) e porque sempre assumiu o 'não confronto' com Cavaco Silva (a espaços, com alguns elogios circunstanciais), Manuel Alegre perfilha-se como o verdadeiro candidato da esquerda, embora denomine a sua candidatura de apartidária.
Soares sem ideias concretas, vai ter que assumir responsabilidades à esquerda pelo fracasso nas presidenciais.
Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, travarão a 'batalha' percentual de sempre (autárquicas para o PCP, legislativas braço-de-ferro e presidenciais para os bloquistas), pela alternativa da esquerda mais radical.
Tendo já afirmado que não contaria com o apoio do aparelho partidário do PS caso passe à segunda volta, Manuel Alegre poderá sentir a divisão da esquerda (que nunca mais foi unida e por consequência poderá ser vencida) na flutuação de algum eleitorado Soarísta e do PS para o Prof. cavaco Silva, candidato que, se não vencer com maioria, será sempre um dos que estará na segunda volta.
publicado por mparaujo às 23:27

06
Nov 05
do que referi Aqui (Soarismos...) após a entrevista ao candidato Mário Soares na TVI.
E que melhor confirmação poderia ter após ler o artigo (envolvente e profundamente analítico) de António Barreto, no público de 6.11.05: "Os Erros de Soares".
Nunca fui politicamente próximo do Dr. António Barreto. No entanto (a vida tem destas curiosidades) desde muito novo nutri uma admiração pela sua figura e inteligência. Primeiro porque a minha mãe (de direita e reformada do Ministério da Agricultura) sempre se referiu a António Barreto como o melhor ministro da agricultura com quem trabalhou. Segundo porque sempre 'bebi' (filtrando o que me parecia desajustado à minha visão do mundo, da sociedade e da política) sofregamente as suas palavras na tertúlia que mantinha com Pacheco Pereira e Miguel Sousa Tavares, há uns anos atrás na SIC.
E que melhor confirmação poderia eu ter da minha análise, vindo de alguém marcadamente de esquerda?!
Basta-me referenciar o último ponto do seu artigo:
"Por sua vontade e decisão, Soares encabeça hoje um combate fora de tempo e fora da actualidade. Sem, aparentemente, argumentos políticos nacionais pesados, busca uma campanha de luta pessoal. Ora com Alegre, ora com Cavaco. Corre o risco de apenas obter, como resposta, o silêncio. Corre o risco de ficar sozinho na arena. À procura de adversário. E, com ele, a esquerda e o seu partido." (António Barreto - Retrato da Semana - jornal O Público - 06.11.2005).
Simples, lógico e politicamente do mais correcto. 
Obrigado Doutor.
publicado por mparaujo às 20:30

05
Nov 05
Numa fase da vida social, política e económica portuguesa algo controversa, agitada e problemática, o discurso de ontem do "contrato presidencial" de Manuel Alegre foi lírico, poético e ilusório. Foi a clara Utopia dos Poetas. Um verdadeiro romance presidencialista.
Para além da novidade 'baptismal' do nome manifesto ('contrato presidencial' - será que alguém o vai assinar?!) as propostas de Manuel Alegre são numa parte essencial na linha das apresentadas por Cavaco Silva: respeito pelos poderes presidenciais contemplados na constituição - garante da estabilidade governativa - estabilidade social.
No entanto e ao contrário do vazio de ideias de Mário Soares, no discurso de Manuel Alegre foi clara a identificação dos valores de esquerda, revivendo o memorial do 25 de Abril (embora para um número considerável de eleitores essa data é mais um facto histórico do que uma realidade) sem perceeber que entretanto Portugal avançou mais de 30 anos (obviamente com base nesse marco importante). Críticas a acções do governo também não faltaram e ao próprio aparelho partidário do PS que sempre rejeitou a sua candidatura, indo ao ponto de Manuel Alegre afirmar que dispensa o apoio da direcção do PS se passar à segunda volta.
Manuel Alegre desmarca-se igualmente de Mário Soares, quer nos apoios partidários às presidencias (referindo que também existe acção cívica para além da esfera partidária e que podem existir candidaturas apartidárias), quer nos ataques aos outros candidatos, nomeadamente a Cavaco Silva, quer no facto de se candidatar por consciência e não contra ninguém (nem à esquerda, nem à direita).
Idependentemente do contexto sonhador e poético da sua candidatura, esta é evidentemente apartidária (apesar de esquerda), sendo aí que resulta o seu melhor trunfo. Para desepero das 'cortes socraístas'.
E é aqui que Cavaco Silva poderá encontrar maior resistência ao seu passeio até Belém.
publicado por mparaujo às 12:34

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