Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

12
Jan 14

Pedro Passos Coelho, na quinta-feira passada, anunciou uma dupla recandidatura: à liderança do PSD e a um novo mandato como primeiro-ministro.
Para o bem do PSD, da social-democracia e do país seria bom que os sociais-democratas encontrassem uma capaz alternativa que revitalizasse ambos: partido e país.
Acrescem duas notas. A primeira tem a ver com a declaração de Passos Coelho ao afirmar que "Não se estranhará, portanto, que eu me recandidate a presidente do PSD" . Antes pelo contrário… muitos estranham que ainda tenha a “distinta lata” de o fazer. A segunda prende-se com a expressão usada pelo responsável máximo pelo PSD quando disse, no anúncio da sua recandidatura, assumindo com ironia que não tem sido um bom presidente do PSD: “Já não sei quem é que disse que não tenho sido um bom presidente do PSD. Bem, não se pode ser bem em tudo”.
Claro que não, Sr. Primeiro-ministro e Presidente do PSD. De facto são raríssimos os que conseguem ser bons em tudo. Mas o problema é quando nos deparamos com os que, pelo contrário, são maus em tudo.

(créditos da foto: Miguel A. Lopes / Lusa)

publicado por mparaujo às 23:23

20
Jul 13

PSD, CDS e PS não chegaram ao acordo de compromisso de salvação nacional, promovido pelo Presidente da República.
Tal como tinha afirmado (“PS… ‘Coveiro’ ou ‘Salvador’?”) o peso maior da responsabilidade política recaía sobre o Partido Socialista, quer pelo histórico do discurso nestes dois anos, quer por ser o partido fora da coligação governativa (com implicações externas e internas).
Não há ainda qualquer posição oficial concertada dos pormenores que falharam nas negociações. No entanto, mesmo que o PS tenha argumentos sólidos que justifiquem a sua recusa no compromisso tripartido de “salvação nacional”, há um pormenor que António José Seguro não deve descurar: num processo negocial todos têm a sua responsabilidade. Isto é, não há vencidos nem vencedores.
António José Seguro não pode vir dizer que o falhanço do compromisso é culpa do PSD e do CDS por não aceitarem as propostas do Partido Socialista. É que se for este o argumento do líder socialista tudo cai facilmente. É que o mesmo argumento é válido para o PSD e o CDS puderem afirmar que o compromisso não foi celebrado porque o PS recusou as propostas da coligação. Tem de haver muito mais que esta troca de “galhardetes”.
Neste falhanço de compromisso de salvação nacional há alguém que não pode deixar de assumir a principal responsabilidade dos factos, dos acontecimentos e das consequências desta falta de entendimento entre os partidos do “arco do poder”: É o Presidente da República.
Tal como afirmei (“Pior não poderíamos esperar...” e “Adenda à crise presidencial”) Cavaco Silva só tinha dois caminhos, após a audição dos partidos com assento parlamentar: ou aceitava a solução da remodelação governativa (goste-se ou não, haja ou não contestação, ela era legitima) ou marcava, já e no imediato, eleições antecipadas. O Presidente da República é, acima de tudo e de todos, o principal responsável pela falta de entendimento partidário, quer por ter sido o seu promotor (a solução que propôs ao país), quer por não ter sido ou não se ter disponibilizado para ser o mediador do processo (algo que, na qualidade de promotor e de Presidente da República, seria seu dever institucional e político).
Desta forma, atrevo-me a dizer que o esforço foi feito pelo lado do Governo e dos partidos. Quem falhou foi o Presidente da República.
Assim… antes de se marcarem eleições legislativas deveria ser marcado antecipado processo eleitoral presidencial. Pela salvação nacional.

(a proposta do PSD)
(a proposta do PS)

publicado por mparaujo às 19:54

11
Jul 13

Em relação ao post "Pior não poderíamos esperar..." importa realçar o seguinte aspecto.

A maior surpresa que possa ter sido, ontem, a comunicação de Cavaco Silva ao país, para além do surrealismo político e ter gerado uma crise em cima de outra crise, reside na falta de coerência da decisão presidencial face ao histórico das intervenções do Presidente da República.

E a maior falta de coerência faz-nos recuar até 2011. Em pleno PEC IV, com o Governo de José Sócrates pressionado por todos os lados (interna e externamente), Cavaco Silva, em vez de apelar à "salvação nacional" e "ao compromisso patriótico" entre PS, PSD e CDS, só tomou uma atitude e muito mais célere: demitiu o Governo.
O país não merece o Presidente da República que tem... mas a democracia tem razões que a razão desconhece.

publicado por mparaujo às 14:26

O Presidente da República falou ontem ao país no seguimento da crise política instalada no Governo, entretanto supostamente ou aparentemente resolvida internamente, para o bem bem ou para o mal.

Mas tal como a 'Lei de Murphy' prevê, "algo que corra ou esteja mal só tem tendência a piorar".

Como diz o povo: "meu dito, meu feito".

Cavaco Silva, após estes anos todos de inércia presidencial, de escassa iniciativa e recurso aos poderes que ainda tem (poucos é certo, mas ainda os há), resolveu inventar e entrar na esfera do surrealismo político, para "gáudio jornalístico" (já que matéria prima não faltou e não irá faltar nos próximos dias) e para estupefacção e surpresa de todos (todos, mesmo).

Sobre uma crise governativa, Cavaco Silva, ao invés de usar a sua condição presidencial para a resolver, colocou mais crise política sobre a que se viveu nos últimos dias.

Se não vejamos...

Ainda há poucos dias, perante a iminência de uma eventual rotura da coligação governamental, afirmou publicamente que o Governo tinha condições para Governar. Algo que já tinha repetido em circunstâncias políticas muito mais graves, como o caso do chumbo, pelo Tribunal Constitucional de algumas normas (importantes) dos dois últimos Orçamentos do Estado, ou a "crise" que envolveu o processo não concretizado da TSU.

Face à proposta do Primeiro-ministro encontrada entre os dois parceiros da coligação governamental e que, goste-se ou não, garantia o normal funcionamento do Governo, Cavaco Silva optou por fazer o que nunca o preocupou nos dois útlimos anos, o que deixou arrastar com a sua conivência: solicitar um compromisso alargada de poder, envolvendo o PS, a que chamou, pomposamente, "Compromisso de Salvação Nacional".

Com esta proposta, da qual apenas se conhece um conjunto vago de 'boas intenções', Cavaco Silva abre nova conflitualidade política e assina um "atestado" de incompetência ao Governo que sempre apadrinhou. Primeiro pela rejeição da proposta de Passos Coelho (mesmo que sobre ela nada tenha dito), segundo porque, depois de dois anos de crispação, de afastamento, de visões totalmente distintas sobre as formas de aplicação do memorando assinado, depois do PS ter exigido, por várias vezes, eleições antecipadas, afigura-se quase que impossível um acordo tripartido. Ou seja... o "sonho" de Cavaco Silva virou "pesadelo" para o país.

Desta forma, a imagem do Governo, por responsabilidade do Presidente da República, ficou, interna e externamente, completamente desfeita (mais do que já estava com o caso da irrevogável demissão do ministro Paulo Portas). Para além da fragilidade do Governo, Cavaco Silva transformou o Executivo de Pedro Passos Coelho num mero executor a prazo da gestão corrente (e banal) do país.

Por outro lado, ao afirmar que a solução por si apresentada representa o evitar de uma crise mais grave se houvesse eleições antecipadas, pelo facto de Portugal se encontrar em processo de ajuda financeira (algo que o próprio Governo justificou com a proposta de remodelação que apresentou ao Presidente da República), Cavaco Silva contraria toda a sua argumentação ao antecipar as eleições por um ano. A justificação dada prende-se com o final do processo de resgate, mas face à realidade do país, aos factos, às notícias que apontam para um segundo resgate (com ou sem FMI), nada leva a crer que, em junho de 2014 Portugal esteja em condições de "sobreviver" sozinho.

Cavaco Silva só tinha dois caminhos consistentes e coerentes: ou aceitava a remodelação do Governo proposta por Passos Coelho (que ainda tem a legitimidade eleitoral como suporte) ou então, face ao reconhecimento da insuficiência do normal funcionamento das instituições e da democracia (tal como diz o artigo 195 da Constituição de 2005) marcava eleições antecipadas ainda este ano (provavelmente junto das autárquicas).

Todo o resto é de um devaneio político inqualificável. De tal forma que as surpresas não ficaram por aqui.

Cavaco Silva não satisfeito com a sua prestação epistemológica ainda vai mais longe na sua concepção político-filosófica da realidade nacional. Apresenta a proposta para o país que entende ser a melhor, volta a querer ouvir os partidos (algo que andou a fazer nestes últimos dias, supostamente... ou então foi tudo apenas ao "chá das cinco" a Belém), mas mais surreal ainda, sublinha que aceita que surja uma figura de relevo e comprovado prestígio para mediar o processo. As duas óbvias perguntas são: Qual é, então, o papel do Presidente da República (que Cavaco Silva acabou por minimizar e banalizar)? E que figura é essa?

Já que estamos num tal surrealismo político, qualquer cidadão terá o seu legítimo direito de se dar ao luxo da especulação.

A minha é simples e tem dois "rostos", apenas pela análise dos últimos acontecimentos.

Uma dessas personalidades poderá ser Freitas do Amaral. Fundador do CDS, ministro do PS de Sócrates, candidato vencido em eleições presidenciais pela actual coligação. Além disso, recentemente defendeu um governo de salvação nacional numa entrevista televisiva.
A outra personalidade, já que Cavaco Silva entende que o compromisso tripartido é simples (mais técnico que político), poderá ser o Presidente do Banco de Portugal que apresentou, basicamente, a mesma solução precisamente após uma audiência, nesta semana, com o Presidente da República.

Para mim só encontro uma razão... o país perdeu rumo e tino. E se não concordo com os termos que Miguel Sousa Tavares adjectivou Cavaco Silva (porque, independentemente de tudo, resta-nos, ao menos, o respeito pelas instituições, se não é mesmo o fim de tudo...) há uma coisa que me parece óbvio: isto é tudo uma "palhaçada".

Ao menos salvaram-se as eleições autárquicas e já poucos se lembram do ex-ministro Vítor Gaspar.

publicado por mparaujo às 11:21

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