Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

13
Nov 13

Publicado na edição de hoje, 13 de novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Porque não se calam?!

A conhecida e célebre expressão do Rei Juan Carlos dirigida a Hugo Chaves (“¿Por qué no te callas?”) mantém uma actualidade imensa quando transposta para a realidade portuguesa.

Para além da questionável e criticável competência política deste Governo e das medidas e estratégia aplicadas para criar condições para Portugal sair, o mais rapidamente possível, da crise em que se encontra, é indiscutível que a equipa governativa liderada por Pedro Passos Coelho tem um infindável complexo comunicacional. Ou melhor, uma evidente falha nesta área deveras importante para a cabal informação (e formação) dos portugueses.

Esta realidade vem desde o início do mandato legislativo (não é novidade) e são mais que inúmeros os factos que a fundamentam: o Governo gere mal o processo de comunicação e a sua relação com a informação. Até no sentido mais lato como é o caso da sua relação com o grupo RTP ou os “casos” que envolveram o então ministro Miguel Relvas (jornal Público ou Antena 1, por exemplo).

Mas nada seria de estranhar ou de sublinhar se esta “conflitualidade” se resumisse ao confronto Governo vs Imprensa. Uma relação tradicionalmente conflituosa entre poder político e comunicação social, transversal aos vários governos (lembre-se, a título de exemplo, da relação entre o Independente de Paulo Portas e o Governo de Cavaco Silva, ou José Sócrates e o Correio da Manhã). O problema é que a dificuldade de lidar com processos comunicacionais (ampliada pelos microfones, câmaras ou páginas dos jornais) vai muito para além da relação com a imprensa. É uma questão de gene e como se diz na família, em jeito popular, “não se aguentar as urinas”. Nunca houve, neste Governo, um cuidado especial com a comunicação, com o que se diz, da forma como se diz e onde se diz. Há, neste caso, um claro excesso de exercício do direito fundamental de liberdade de expressão.

Recentemente, são disto exemplo os tão “badalados” briefings diários do Governo, lançados inovadoramente antes das férias deste ano, com a responsabilidade do secretário de Estado Pedro Lomba por esta área. Mas mal começaram, nasceram tortos. Mal surgiu a crise política lançada pela irrevogável demissão de Paulo Portas, o Governo decidiu suspender a iniciativa até as “águas agitadas acalmarem”. O que é um verdadeiro contrassenso, atendendo à função ou objectivo de um briefing. Trapalhada após trapalhada, gestão difícil de vários temas, eis que surge a “cereja em cima do bolo” no que respeito às dificuldades comunicacionais, pela voz do recentemente nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros: Rui Machete. E logo numa pasta em que a diplomacia e o bom-senso devem imperar. Primeiro o caso BPN, depois o “mea culpa” angolano e, recentemente, a dissonância interna criticável em relação à ajuda externa e a um eventual segundo resgate. Não bastava o enorme disparate das declarações públicas do Ministro que fixavam a saída da Troika e uma quase certa segunda intervenção externa em função das taxas de juro (4,5%), o espaço e local onde foram produzidas, como as possíveis consequências financeiras para Portugal. Mas ainda mais grave é a imagem política deste Governo. Após estas declarações, Rui Machete tentou limpar a “asneirada” com contradições após contradições, foi contrariado pelo vice-Primeiro Ministro Paulo Portas e pela própria União Europeia.

Falta consenso no Governo, falta estratégia governativa, falta um único rumo e uma única voz.

É caso para pedir, como várias personalidades já o fizeram, que Pedro Passos Coelho "deve advertir os ministros para terem cuidado na linguagem” (sic, Nogueira Leite) ou, como António José Seguro que sugeriu ao Primeiro-ministro que "ponha juízo nos seus ministros para que eles não criem mais problemas para o país”. Por mim bastava um curto e grosso: Porque não vos calais?! E já agora… aproveitem e governem.

publicado por mparaujo às 09:18

07
Ago 13

Publicado na edição de hoje, 7 de agosto, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

A política não foi de férias

Depois de afastado o cenário da crise política e de eventuais eleições legislativas antecipadas parece ser também um dado adquirido que, no actual quadro político, os portugueses não encontram alternativas governativas que passem pelos dois principais partidos políticos: PSD e PS.

A mais recente sondagem da Universidade Católica para o Diário de Notícias mostra dois factos importantes: quer o PS quer o PSD mantêm a sua diferença, com ligeira vantagem para os socialistas (mas que não garante qualquer tranquilidade eleitoral a António José Seguro) o que significa ter sido um alívio para o PS a não realização de eleições antecipadas nesta altura já que, pelos vistos, muitos dos portugueses preferem manter a estabilidade política e não arriscarem com o que desconhecido, e, por outro lado, os dois partidos sobem na intenção de voto dos portugueses, o que revela uma falta de confiança em outras alternativas governativas (BE, PCP ou o próprio CDS isoladamente) que ultrapassem a esfera política destes dois partidos. Como diz o ditado: “mal por mal…”

Mas se estes são alguns factos em relação às alternativas políticas para governar o país, centradas nos dois partidos do chamado “bloco central”, já o mesmo não se poderá dizer em relação à opinião que os portugueses têm dos políticos e dos partidos. Veja-se, por exemplo, a quantidade considerável de movimentos independentes de candidaturas às próximas eleições autárquicas. E essa opinião negativa que os cidadãos têm em relação aos partidos e aos políticos prende-se, por exemplo, com a falta de confiança numa necessária e urgente transparência e ética na gestão das coisas públicas e nos “meandros” que regulam as escolhas das pessoas para os cargos políticos e públicos.

Não me refiro a questões de incompatibilidades legais porque essas são fáceis de comprovar através dos mecanismos existentes de controlo. Refiro-me a situações sabidas e provadas que envolvem transferências de poderes e responsabilidades entre privado e público, dentro da mesma área. Ou mesmo que não seja no mesmo âmbito, há ainda o exercício de actividades que se vieram a provar terem sido prejudiciais ao erário público. Se assim não fosse, nada justificaria a omissão da ligação ao BPN/SLN no curriculum publicado na tomada de posse de Rui Machete como ministro dos Negócios Estrangeiros, na última remodelação governamental.

Ou, eventualmente, mais grave ainda a legitimidade política e governativa que o Secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge. Com que ética política e de serviço público pode alguém que, enquanto gestor de empresa privada, esteve envolvido em negócios que envolveram (ou eventualmente envolveriam) compromissos do governo de José Sócrates com propostas de produtos bancários swap e agora, enquanto Secretário de Estado tenha a responsabilidade de rever e renegociar o dossier dos contratos bancários swap celebrados entre o Estado e alguns sectores empresarias públicos (como os transportes)? Ou ainda a renegociação das parcerias público-privadas quando promotor desse tipo de negócio no sector privado?

É caso para dizer, “não ligues ao que digo… nem ao que faço”.

publicado por mparaujo às 23:19

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