Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

30
Dez 06
As minhas previsões estavam certas. Não que isso me traga qualquer rasgo de felicidade. Bem pelo contrário. Infelizmente só acerto no que não é racional e benéfico. (por isso é que para a semana à jackpot no euromilhões).
A reacção óbvia ao enforcamento de Saddam Hussein - Aqui.
A estupidez habitual no discurso de quem pensa que é dono do mundo e das pessoas, mais a sua real aliança - "A execução do antigo ditador iraquiano é "uma etapa importante" no caminho para a democracia no Iraque, afirmou o presidente norte-americano George W. Bushqui".
E a hipocrisia europeia da condenação do acto, mas com o habitual lavar de mãos historicamente herdado de Pilatos - Aqui.
publicado por mparaujo às 13:07

Por uma questão de princípio (valores), pela defesa da vida, por razões sociais, culturais e por razoabilidade civilizacional: pena de morte… NUNCA!
Como diz a Carta dos Direitos Fundamentais: "ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado".
Ninguém. Nem mesmo por razões que a emotividade e o irracional desconhece.
Ao fim de um julgamento, que contemplou situações mais próximas do dantesco, do polémico e do anárquico, do que propriamente do conceito de justiça e do judicial, Saddam Hussein foi esta madrugada enforcado (publico on-line). Condenar o que foram os 24 anos de ditadura e as atrocidades étnicas, religiosas e políticas cometidas pelo regime de Saddam é relativamente fácil e óbvio.
Por outro lado, para quem defende a dignidade humana e o valor da vida, é racionalmente espontânea a oposição consciente à pena de morte. O princípio defendido que punir um crime com outro crime corresponde à lei do “olho por olho, dente por dente”. Nada justifica um crime com outro crime.
Aliás, até que ponto o cumprimento da sentença já algum tempo proferida, não irá desencadear uma onda de revolta na minoria sunita, transformando Saddam Hussein num verdadeiro mártir?!
Onde está a coerência da Europa (bastião da defesa da abolição total da pena de morte) que publicamente condenou, as atrocidades do regime de Saddam e que, apesar disso, se opôs igualmente (salvo as excepções conhecidas - Inglaterra, Espanha e Portugal) à intervenção norte-americana?!
Que relevância ou pressão diplomática junto da Administração Bush tem a posição Europeia na condenação da sentença, no sentido de exigir a face inegociável de um princípio como o da defesa da dignidade humana e da vida?!
Uma Europa que, num verdadeiro instinto de avestruz, traduzido pela subserviência aos Estados Unidos, diz-se revoltada, mas amorfa na defesa da sua Carta Europeia dos Direitos Fundamentais.
Hoje, não deixa de ser verdadeiramente importante reflectir-se o que foram estes últimos anos de Iraque, após a “captura” de Saddam: um incalculável (porque contraditório) número de mortes, atentados diários, insegurança e instabilidade (medo), crise social e económica instalada. A democracia tão apregoada, continua uma miragem na aridez dos desertos iraquianos. A isto tudo, acresce os conhecidos e polémicos casos de abuso das forças militares estrangeiras, nomeadamente as americanas e britânicas, que em nada se inferiorizam aos acontecimentos do então regime iraquiano.
A razão e a legitimidade assiste a quem souber fazer e pautar-se pela diferença. E não pelos mesmos meios que nunca justificam os fins.
Assim termina um 2006 que em nada augura um melhor 2007.
publicado por mparaujo às 12:12

10
Nov 06
Publicado na edição de ontem (9.11.06) do Diário de Aveiro

Post-its e Retratos
A morte da pena!


Por uma questão de princípio (valores), pela defesa da vida, por razões sociais, culturais e por razoabilidade civilizacional, somos contra a pena de morte.
E como diz a Carta dos Direitos Fundamentais: "ninguém pode ser condenado à pena de morte, nem executado".
Ninguém. Nem mesmo por razões que a emotividade desconhece.
Ao fim de mais de um ano de um julgamento, que contempla situações mais próximas do dantesco, do polémico e do anárquico, do que propriamente do conceito de justiça e do judicial, Saddam Hussein foi condenado, pelo tribunal iraquiano, à morte por enforcamento.
Pela emotividade inerente à essência humana, condenar o que foram os 24 anos de ditadura e as atrocidades étnicas, religiosas e políticas cometidas pelo regime de Saddam é relativamente fácil e óbvio.
Por outro lado, para quem defende a dignidade humana e o valor da vida, é racionalmente espontânea a oposição consciente à pena de morte. O princípio defendido que punir um crime com outro crime corresponde à lei do “olho por olho, dente por dente”.
Aliás, no caso concreto, é generalizada a opinião de que o cumprimento da sentença proferida, poderá desencadear uma onda de revolta na minoria sunita, transformando Saddam Hussein num verdadeiro mártir.
Então, entre a dualidade da defesa da vida e da análise crítica aos acontecimentos cometidos pelo regime que permitiriam sustentar a pena de morte, onde reside a dúvida?!
Numa questão de coerência.
Será que reagiríamos com a mesma clareza de princípios se a realidade estivesse bem ao nosso lado?!
Não será incoerente ou, até mesmo, hipócrita a posição da Europa (bastião da defesa da abolição total da pena de morte) que publicamente condenou, de forma sistemática, as atrocidades do regime de Saddam e que agora, se mostra oposicionista da sentença, mas sem qualquer relevância ou pressão diplomática, no sentido de exigir a face inegociável de um princípio como o da defesa da dignidade humana e da vida?!
Uma Europa que, num verdadeiro instinto de avestruz, traduzido pela subserviência aos Estados Unidos, diz-se revoltada, mas amorfa na defesa da sua Carta Europeia dos Direitos Fundamentais.
A posição de George Bush é plausível. É a sustentabilidade da fundamentação da sua política externa, nomeadamente a forma como foi considerada e processada a crise no Iraque, e é, igualmente, uma questão de valores: Saddam Hussein é sentenciado à morte porque “assinou” a sentença de 142 rebeldes em Dujail em 1982. George Bush assinou as sentenças de morte de 152 pessoas enquanto foi Governador do Estado do Texas.
Só pela coerência destes princípios é que a administração norte-americana poderia ter a discutível e lamentável opinião de que, tendo sido Saddam Hussein um ditador, a sentença marca um virar de página na consolidação democrática do país e no “esquecer” um período dramático da história iraquiana.
No entanto, não deixa de ser importante reflectir-se o que foram estes últimos três anos de Iraque, após a “captura” de Saddam: um incalculável (porque contraditório) número de mortes, atentados diários, insegurança e instabilidade (medo), crise social e económica instalada. A isto tudo, acresce os conhecidos e polémicos casos de abuso das forças militares estrangeiras, nomeadamente as americanas e britânicas, que em nada se inferiorizam aos acontecimentos do então regime iraquiano.
A par disto, as inqualificáveis e inexplicáveis realidades de Guantánamo e os voos secretos da CIA, na Europa.
Já aqui referi que o Mundo, após o 11 de Setembro, está mais inseguro.
O Mundo, após a invasão o Iraque e a desastrosa política externa desta administração americana, está, claramente, perigoso (Afeganistão - Irão - Coreia do Norte - Paquistão - América do Sul, etc.).
O Mundo ficará, irremediavelmente perdido, se a dignidade humana e a vida, reduzirem os Direitos dos Homens a nada de valor.
Se disparas, eu ataco.
Se matas… morres! Sem pena!
publicado por mparaujo às 21:14

05
Abr 06
Pela primeira vez Saddam Hussein é oficalmente acusado de genocídio, correspondente a crimes contra ahumanidade, num dos episódios mais sangrante do seu regime: a morte de mais de 100 mil curdos apenas em dois anos (1987-1988).
Este é, por inúmeras razões políticas, sociais, religiosas e económicas, o julgamento destes dois últimos séculos.
No entanto, algumas perguntas impõem-se:
Será este o princípio do fim do terrorismo?!
Será este o início de um Iraque livre e democrático?!
Será esta a justificação (se é que a há) para a "invasão" e permanência Americana naquele país?!
Que contributo dará o resultado deste julgamento para o início do fim do conflito no médio oriente?!
Se a prisão (e consequente condenação) de Saddam Hussein tivesse contribuído para a paz e a democracia no Iraque, porque é que a presença estrangeira naquele país ainda se mantém?!
Mais do que um julgamento que permita repor a justiça e a liberdade democrática naquele país, parece-me um julgamento de "ajuste de contas" e mais mediático, do que racional e prático.
A ver vamos... a bem da verdade e daquele povo!
publicado por mparaujo às 21:50

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