Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

07
Jan 19

673200.png.jpg

Nunca me causou qualquer estranheza ou desagrado a forma como Marcelo Rebelo de Sousa tem levado a cabo o seu mandato, a forma como lida com a realidade social e política portuguesa e internacional. Ao contrário do que alguns possam argumentar, a adjectivação atribuída de "o Presidente dos Afectos" é um espelho do que tem sido o seu papel como principal figura do Estado e da Nação.

Não havia, por isso, qualquer necessidade de cair no ridículo, de promover este acto, no mínimo, insólito. E muito menos o argumento usado para justificar tamanho despropósito.

Não foi o cidadão, professor universitário jubilado, que, por iniciativa própria (espera-se) telefonou para um canal de televisão a desejar os maiores sucessos a uma apresentadora na primeira edição de um novo programa. E as minhas ausências de referência aos nomes é propositada porque não está em causa o canal, a apresentadora e o programa. Fosse em que circunstância fosse. Marcelo Rebelo de Sousa fez o telefonema enquanto Presidente da República, acto esse que nada tem a ver com o desempenho das suas funções. Mais ainda, tomou, deliberadamente, um "partido", assumiu uma opção e escolha pessoais, principalmente num momento muito particular e efervescente de "guerras de audiências" entre canais televisivos. Além disso, ao tomar esta atitude abriu um precedente que o obriga, enquanto Presidente de TODOS os portugueses (onde se incluem os profissionais de televisão), a ter a mesma deferência em situações semelhantes.
Isto porque a função de Chefe de Estado não se compadece ou se compagina a gostos e relações pessoais.

Por outro lado, é incompreensível que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tenha argumentado como justificação do seu telefonema o facto de ter concedido uma entrevista, nas vésperas do Natal, à TVI e ao apresentador Manuel Luís Goucha. Pior a emenda que o soneto. O Presidente da República conceder uma entrevista a quem quer que seja não é o mesmo que, por iniciativa própria, pegar no telefone e ligar para a Cristina Ferreira (ou qualquer outro profissional da comunicação que fosse), por causa do seu primeiro programa e desejar "boa sorte".
Não está em causa a Cristina Ferreira (longe disso), o "Programa da Cristina" ou a SIC. Está sim em causa que nada disto tem a ver com a função de Presidente da República ou com qualquer questão de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que "era o mínimo que podia fazer". Nem o tinha que fazer, porque o Presidente da República não é nenhum "agente de marketing televisivo, nem mediador de audiências televisivas", e muito menos foi "o mínimo". Antes pelo contrário... foi antes "o máximo" do absurdo e do ridículo.

Era escusado.

publicado por mparaujo às 21:26

07
Abr 15

bola de cristal e cartola magica.jpgA discussão traz, normalmente, bastante polémica e não é, de todo, recente. Refiro-me à questão do segredo de justiça, à sua "eventual" violação e à legitimidade na divulgação de factos processuais, não apenas na comunicação social, embora nestes casos seja o mais mediático (e imediato).

A discussão sobre a relação entre o dever de informar, o supremo interesse público (bem diferente do interesse do público) e a reserva da intimidade e da privacidade, tem fronteiras muito débeis e facilmente transpostas, com argumentações válidas (fora os excessos) para ambos os casos (divulgação factual/imagem ou não). E, neste caso da reserva da privacidade e intimidade, há ainda outras áreas como a questão do sigilo bancário, fiscal (lista vip das finanças), etc.

Mas há ainda a questão das fugas de informação e as escutas (muito para além da questão do segredo de justiça) que costumam, por exemplo, preocupar partidos, políticos, Governo e Presidência da República. Só que, neste âmbito, a contradição, a promiscuidade e os interesses menos transparentes, transformam esta realidade na maior das permissividades e confusões. Até porque há ainda a dificuldade em perceber a quem interessa e a quem prejudica, verdadeiramente, algumas fugas de informação.

A realidade é já antiga, tem "barbas" e até já poderia ter sido tema de comentário. Adiamento atrás de adiamento, aqui vai finalmente.

A prestação de comentador político de Marques Mendes é algo de surreal. Primeiro são notórias as deambulações entre a crítica e o elogio ao Governo, nunca definindo um posicionamento (o tal ditado "uma no cravo, outra na ferradura"); segundo são as constantes revelações, premeditações, o adivinhar o futuro, sempre em antecipação ao Governo. Das duas, três... ou Marques Mendes é adivinho (e a Maya que se ponha à coca face à concorrência) ou Marques Mendes é usado como evidente "soundbite" político do Governo para que este apure impactos e reacções de medidas, projectos ou posições que tenha de tomar publicamente, sem ter que correr riscos com "fugas de informação".

Num processo tão complexo quanto delicado como é o caso BES e a intenção governativa de vender o Novo Banco faz algum sentido vir publicamente afirmar, categoricamente mesmo que tudo devesse ter o maior recato possível, que o Banco Popular e o Banco da China ficaram fora da "corrida" ao Novo Banco e anunciar, com a mesma certeza e publicidade, quais os finalistas no processo? Se é fuga de informação deve ser averiguada, se há intencionalidade na divulgação dos factos afigura-se uma estratégia governativa lamentável e condenável.

E não deixa de ser curioso que com tanto ruído à volta das presidenciais de 2016, Marques Mendes ainda não tenha consultado a sua "bola de cristal" para saber e anunciar quem é, de facto, o candidato da direita. Ou será o próprio? E já agora... quem ganhará as eleições?

E ainda... o "meu" Porto ainda conseguirá ganhar o campeonato?

publicado por mparaujo às 14:45

27
Nov 14

Sousa Veloso - TV Rural.jpg

Faz parte das memórias... de muitas e muitas memórias. Sejam as da televisão, sejam as de infância e juventude, sejam as relacionadas com razões profissionais (mesmo que familiares).

Não tenho registo de um programa ter durado tanto tempo numa televisão como o TV Rural. Com uma regularidade irrepreensível, dominicalmente, o Eng. Sousa Veloso foi companhia de muitas casas durante cerca de 30 anos (desde 1959).

Resistindo às mudanças fortes das realidades e transformações sociais e políticas (antigo regime, revolução, prec, pós 25 de novembro) acabaria por deixar, no início da década de noventa, um enorme legado sobre tudo o que envolve a agricultura.

familia prudencio - tv rural.png

O TV Rural tinha particularidades significativas: a agricultura, percorrida de lés-a-lés, muitas vezes pelos lugares mais recônditos, era "apresentada" na sua vertente técnica, legislativa, associativa, social e também de forma pedagógica. Era produzido, realizado e apresentado para todos, fossem ou não do sector primário. Quem não se recorda da "Família Prudêncio"?

Aos 88 anos, aquele que foi a imagem exclusiva do Tv Rural faleceu: R.I.P. Eng. Sousa Veloso.

publicado por mparaujo às 10:15

17
Nov 14

Morreu Anthímio de Azevedo.

Entre chuvas e depressões (baixas ou altas), entre sol e temperaturas amenas. Há muitos e muitos anos não se retiravam os olhares dos finais dos noticiários para ouvirmos o Sr. Meteorologia, o Sr. Anti-ciclone, o Sr. do Tempo: Anthímio de Azevedo.

Restam as memórias. R.I.P. Sr. Anthímio.

Anthimio RTP.jpg

publicado por mparaujo às 15:10

13
Ago 14

Não sei se será muito correcto e fundamentado dizer que há uma comunicação social antes e pós Emídio Rangel. Aliás, porque o próprio 25 de abril, entre muitas coisas, trouxe a liberdade e com ela a liberdade de expressão, de opinião, de informação.

Mas não é de todo exagerado se afirmar que Emídio Rangel foi um dos marcos importantes e uma referência na comunicação social portuguesa.

Fundador da que é hoje uma das emissoras de referência no jornalismo radiofónico - TSF; fundador do primeiro canal de televisão privado em Portugal, algo que, à data, poucos vaticinavam poder acontecer ou que tivesse sucesso, abrindo o caminho a muitas outras apostas nomeadamente ao segundo canal privado - TVI; começou a sua carreira de jornalista na RDP e assumiria ainda o cargo de director-geral da RTP.

Homem de polémicas, irreverências, dizem que de alguns excessos, mas também de grandes virtudes e uma grande paixão pela comunicação social.

Goste-se ou não, Emídio Rangel foi um marco na história da comunicação social portuguesa.

E esta é uma das notícias que nenhum órgão de comunicação social gostaria de dar: a comunicação social ficou mais pobre com o falecimento de Emídio Rangel.

R.I.P. Emídio Rangel.

publicado por mparaujo às 13:55

12
Mar 14
Televisões recusam cobrir campanha e fazer debates

Já tinha acontecido nas útlimas eleições autárquicas, em setembro de 2013.

Volta a ser tema polémico e controverso.
Maioria e PS preparam-se para alterar a legislação que regula a cobertura jornalística das campanhas eleitorais. Isto a apenas dois meses de distância do próximo acto eleitoral: eleições europeias.

Em causa estão eventuais princípios constitucionais de equidade em confronto com a liberdade de informação e a independência editorial, embora com algumas diferenças de aplicação entre a proposta do PSD-CDS e a do PS, nomeadamente no que diz respeito a distinções entre períodos de pré-campanha e campanha leitorais.

De qualquer forma, as três direcções de informação - RTP, SIC e TVI já vieram denunciar a eventual alteração à lei e a sua não exequibilidade ou a sua inviabilidade operacional e jornalística. Isto expresso num comunicado conjunto que levará a procedimentos jornalísitcos idênticos aos das eleições autárquicas de 2013.

publicado por mparaujo às 16:34

03
Fev 14

Tudo indica que será esta semana, em princípio no dia 7 de fevereiro, que a Assembleia da República discutirá os novos estatutos da RTP, bem como consequentes revisões da Lei da Televisão e da Lei da Rádio. Para já, a “novidade” (se é que haverá algo que mude a influência do poder tutelar na RTP) é a criação de um Conselho Geral que surgirá rotulado de independente. Só que tal não será mais que uma nova roupagem nos estatutos da televisão pública e uma ilusão a ideia da diminuição da interferência do poder político no grupo RTP.

Segundo o interessante trabalho publicado na edição de ontem do jornal Público, “Governo terá pelo menos metade do poder decisório no novo conselho geral independente que vai criar para a RTP, a que se soma o parecer prévio e vinculativo sobre o administrador responsável pela área financeira. O Estado mantém também na sua alçada a assembleia geral, composta exclusivamente por membros designados pelo Governo. Um cenário que contraria a intenção a montante da criação do novo órgão: a desgovernamentalização da RTP” (via clube dos jornalistas).

O Governo, através do seu ministro Poiares Maduro, tem feito da desgovernamentalização da RTP a principal bandeira que sustenta a proposta dos novos estatutos da RTP. Não será, com este tipo de articulações, que tal acontecerá face ao continuar da gestão governamental (directa ou indirectamente) da televisão e rádio públicas.

Na entrevista que o Público realizou a Poiares Maduro, em relação a este novo modelo de gestão da RTP, Maria Lopes e Miguel Gaspar questionam o ministro sobre a posição do Conselho de Administração da RTP (sabida que é a sua discordância) face à proposta do Governo. A resposta é, no mínimo, inquietante: “Eu compreendo que um CA [Conselho de Administração] nomeado com um certo modelo de governo da empresa possa sentir algum desconforto por a meio desse mandato ver esse modelo alterado. Mas um Governo não pode esperar pelo fim dos mandatos dos CA das empresas públicas para mudar os modelos de governo das empresas. O importante é o CA estar ou não disponível para funcionar de acordo com este modelo. E está.” Mas será?

Mas em relação a Alberto da Ponte, presidente do Conselho de Administração da RTP, não será de estranhar uma oposição à proposta do Governo, nomeadamente no que diz respeito à questão dos financiamentos, da TDT e do recurso (ou a ausência) a fundos publicitários.

O que não admira. É certo que o grupo RTP tem a urgente necessidade de uma reavaliação do seu projecto, da sua missão e função públicas, e, obviamente, da sua gestão financeira. Mas não será com declarações bombásticas, sem respeito pelos profissionais (e muitos deles excelentes profissionais), pelo seu trabalho e pelo seu mérito, que a RTP construirá o seu futuro, de forma consistente, equilibrada e pacífica. Polémico e mal-amado desde que iniciou as suas funções à frente da RTP, não me parece que a visão que muitos têm da sua gestão melhorará, nem a imagem da falta de competência para o cargo que desempenha, quando, ao Jornal de Notícias, Revista Notícias TV, afirmou que “(…). Continuo a ver na RTP profissionais que trabalham 13 e 14 horas por dia e continua a haver na RTP profissionais que não trabalham puto. (…) Há gente na RTP que não trabalha puto. E não sou eu que o digo, são os próprios colegas dessas pessoas, que eu não vou identificar, naturalmente, mas que estão identificadas, que o dizem”.

É gravíssimo quando um administrador diz que, na empresa que (supostamente) deveria gerir e liderar, há quem não se esforce (mas que eventualmente é premiado) à custa dos colegas. Mais grave ainda é o facto de Alberto da Ponte fazer uma gestão empresarial da RTP com base no “diz que disse” e dos queixumes de alguns (não se sabe se muitos ou poucos) dos funcionários da empresa pública de rádio e televisão. E ainda mais grave é que condicione a sua reflexão sobre o mérito, o valor e o desempenho dos profissionais da RTP com base em apenas um dos seus funcionários, ao caso, do jornalista José Rodrigues dos Santos, sem que se perceba o porquê da “bitola profissional”, relegando para segundo plano todo o mérito e valor profissionais dos inúmeros jornalistas e trabalhadores da RTP (grupo).

Alguém que salve a RTP… porque se (eventualmente) há quem "não faça puto", é mais que óbvio que também há, na RTP, quem não "gere puto".

publicado por mparaujo às 10:47

06
Jan 14

A morte do Eusébio não poderia fugir à regra.
Apesar disso, entre os excessos de algum fanatismo (uns mais descontrolados que outros), entre alguma indiferença, entre os que gostam e os que detestam futebol, entre os que são do clube “A”, “B” ou “C”, nesta caso, houve um consenso alargado sobre o símbolo que foi Eusébio da Silva Ferreira para o desporto nacional, para o futebol e para o país. E basta dar uma espreitadela para as notícias que surgem na imprensa estrangeira, para o que sentiram, nomeadamente, as pessoas ligadas ao futebol por esse mundo fora, para termos uma noção da dimensão futebolística do Eusébio.
Mas é nesta dimensão que, à boa maneira portuguesa, corremos os riscos de sempre: o exagero. Não me refiro à valorização do Eusébio. Essa, goste-se de futebol ou não, penso que está, genericamente, ultrapassada. Eusébio é do povo, de todo o povo, independentemente do tempo e da carreira que fez no Benfica. Será sempre um símbolo do Benfica, da sua história e da grandeza do clube. Mas ultrapassou os relvados do estádio da Luz, vestiu a camisola da selecção, é, foi e será, um símbolo nacional.
E esta dimensão é que traz alguns constrangimentos. Na ânsia de valorização da personalidade, no desejo de homenagear e elevar o Eusébio, muito rapidamente caímos no erro do exagero, no irracional, na descontextualização das comparações, no fanatismo e, ao caso, na clubite. Por exemplo, não fosse Eusébio um ídolo do povo ficaríamos apenas a ouvir (legitimamente) o Hino do Benfica. Mas Eusébio era de Portugal e as vozes dos portugueses rapidamente se lembraram do Hino Nacional e entoaram A Portuguesa.
Mas este foi um episódio de somenos importância no contexto do que foi o dia de ontem e de hoje.
Eusébio merece este estatuto e esta homenagem nacional? Claramente. Só por mera indiferença se pode julgar o contrário (como houve indiferentes ao falecimento do Nobel da Literatura Portuguesa, José Saramago, ou quando do falecimento da fadista Amália Rodrigues).
Mas terá sido a sua memória respeitada? Tenho dúvidas. Não só pelo que já referi quanto às emoções irracionais, aos comentários despropositados (como alguém referir que o "Eusébio está ao nível de Mandela, talvez até um pouco mais acima") ou aos fanatismo (quer pró, quer contra), mas, essencialmente, pela forma como a Comunicação Social “explorou” a morte de Eusébio, em vez de celebrar a “sua vida”. Como referiu Luís Novaes Tito, no blogue “A Barbearia do Sr. Luís”, é importante saber “respeitar a memória dos mortos, principalmente daqueles que, em vida, nos serviram de exemplo”.
Que o País devesse uma sincera homenagem a Eusébio, que parasse durante várias horas para se despedir de um dos seus símbolos nacionais (não o que o Estado Novo tentou aproveitar, mas sim o que o povo quis escolher), tudo seria mais que merecido. Mas com um excessivo número de horas de transmissão dedicados à morte de Eusébio (quase que ininterruptamente), explorando muito mais as emoções, os sentimentalismos, as opiniões de todos e de mais alguns (mesmo que sujeitas às alarvidades do costume, como a citada acima, ou o comentário do Dr. Mário Soares, que pareceu sincero mas inoportuno ou despropositado – para não dizer, infeliz) do que o que foi a vida pessoal e desportiva do Rei Eusébio (e a RTP tinha material mais que suficiente para o fazer com extrema elevação) não me parece que se tenha prestado a devida homenagem pública nesta hora da despedida. A maior parte do tempo usado nas televisões nacionais, por força da necessidade de “ocupar tempo de antena”, foram as repetições, o exagero dos testemunhos e das opiniões, a disputa pelas emoções dos portugueses (mesmo que sinceras). Como escreveu a Estrela Serrano, no seu blogue “Vai e Vem”, “Homenagear Eusébio e outros grandes ídolos mundiais na hora do seu desaparecimento é também ser capaz de encontrar o equilíbrio no tempo, nas palavras e na selecção daqueles que efectivamente tenham algo para dizer que não seja o que qualquer um podia dizer”. Eu diria mais… Homenagear Eusébio seria ser capaz de celebrar muito mais a sua vida do que o momento da sua morte. E menos excesso não significaria menos gratidão. Antes pelo contrário, Seria sinal de maior respeito.
Mas também se reconhece que esta é a Comunicação Social/televisão que o povo quer e sonha. Um povo agarrado a horas sem fio de “Casas dos Segredos”, “Portugal em Festa” e tudo o que tenha sangue, tragédia e lágrimas (para o bem e para o mal).
Eusébio merecia menos, mas melhor. Muito melhor. Acho...

publicado por mparaujo às 16:03

06
Jan 13

Ainda a tempo...

Escrevi aqui, em “Sociedade Civil RTP”, uma forte preocupação quando se perspectivou, em Março de 2012, um eventual fim do programa diário da RTP2, “Sociedade Civil”.

Se é verdade que tudo tem um fim, nada é eterno, não tenho como sempre válida a máxima de que “ninguém é insubstituível”. Claro que há quem seja insubstituível. Mas já lá vamos…

Para já retomo alguns apontamentos do texto de 2012:

Claramente mais preocupada com as audiências e a concorrência (informação em "A RTP tem razão" de Estrela Serrano) do que com a qualidade, a diferença e o verdadeiro serviço público, existe a eventualidade da direcção de programação poder terminar com o programa da RTP2 "Sociedade Civil". Para além de terminar com um programa que é referência no segundo canal da televisão pública (?) - e que ainda há bem pouco tempo, no dia 18 de Fevereiro, comemorou a milésima emissão (programa 1000) , para além de inúmeros prémios conquistados - há um claro sentimento de desilusão e de decepção por parte dos cerca de 120 parceiros do programa. Todos!!! O que leva a questionar como é que se pode terminar com um programa que é uma evidente mais-valia para a estação e para os espectadores.

Neste momento, a RTP decidiu não acabar com o programa, mas “refundá-lo” (mais depressa do que o Governo quer fazer com o Estado Social) ao ponto de lhe retirar toda as características e estrutura que fizeram do “Sociedade Civil” um programa de referência, de excelência, na televisão portuguesa. Entre alguns factores decisórios está a questão financeira (que mais poderia ser), como se o que tem qualidade e tem valor não tivesse, obviamente, os seus (justificados) custos, e que reduziu em 65% o orçamento do programa (o que significa reestruturar mais de metade do programa), bem como o facto de terminarem com uma das suas principais razões existenciais: a participação do público, da “sociedade civil”. Para quê ter um programa “Sociedade Civil” sem a participação da sociedade?!

Em relação à questão dos custos e encargos, volto a repetir o que afirmei quando escrevi sobre o fim do “Câmara Clara”:

Quando se retomou a discussão da viabilidade da RTP (porque o processo não é, de facto, novo) por mais que uma vez aqui, neste espaço, defendi que o Governo e a Administração tinham uma solução para a redução de custos no canal público: para tal bastava juntar o que de melhor tem a programação da RTP2 com o que de melhor tem a informação na RTP Inf num único canal. O difícil seria, eventualmente, escolher, porque qualidade não falta nas duas grelhas, deixando a RTP1 para a exclusividade da programação generalista. Mas as várias Administrações e este Governo insistem que a vida e a sociedade gira em torno de folhas de excel, de cálculo financeiro. Infelizmente não percebem que há realidades sociais que não têm preço. O saber, o valor, a crítica, a qualidade, a cultura e a arte, são valores que não têm preço pela importância e relevância que têm na construção do espaço público e do desenvolvimento das comunidades.”

Regressemos à temática do “ninguém é insubstituível”. Não está, nem quero colocar, em causa a competência e o profissionalismo da nova apresentadora do “refundado” Sociedade Civil, Eduarda Maio. Mas, ao caso, há alguém que tenho de considerar insubstituível: a jornalista Fernanda Freitas.

Acima de toda esta “tragédia” comunicativa e de atentado a um verdadeiro serviço público, há um desperdício de um recurso humano de uma qualidade superior indiscutível, quer a nível profissional, quer humano. A sua inteligência, a sua “liberdade” (não alinhamento), o seu sentido cívico e crítico, o seu lado emocional e humano (basta recordar o seu importante papel no Ano Europeu do Voluntariado), e, obviamente, a sua capacidade e empenho profissionais. Enquanto a Fernanda não regressar e abraçar outro projecto televisivo, a RTP e a televisão não serão as mesmas. Porque há pessoas que são insubstituíveis.

publicado por mparaujo às 22:22

29
Set 12

Um canal televisivo: Sic.

Programa: Alta definição – Hoje – 14.10 horas

Entrevistado/convidado: Maria João Ruela

 

(créditos da foto: blogue Sic 20 anos)

O programa “Alta Definição” de hoje, 29 de Setembro, na Sic, conduzido pelo Daniel Oliveira, teve como convidada a jornalista da Sic, Maria João Ruela. Visto, deliciosamente, do princípio ao fim.

Só me surge esta nota mental: é por estas pessoas, por estas causas, que vale a pena defender a Comunicação Social (com unhas e dentes). Uma excelente lição do ponto de vista profissional e pessoal. Uma história de vida fantástica.

Ainda bem que existe outro mundo na estação de Carnaxide, um mundo profissional muito melhor, bem melhor que o do Mário Crespo.

 

Felizmente o fim-de-semana até ficou com outro brilho…

Felizmente passou mais uma semana e o Mário Crespo continua sem ser correspondente da RTP em Washington.

publicado por mparaujo às 17:46

22
Set 12

A TVI é capaz de extremos no que respeita a programação. Basta ter como péssimo exemplo o degredo da Casa dos Segredos.

No entanto, talvez seja esta disparidade de qualidade de programação que torna a estação de Queluz a mais vista dos canais nacionais.

Apesar destes "senãos" há na TVI momentos (cada vez mais, importa realçar) que nos vão fazem prender a atenção e "colar-nos" ao pequeno ecrã.

É o caso da estreia, hoje, na programação da TVI24 de um dos melhores programas de informação/debate de toda a rádio nacional.

O programa da TSF - "Governo Sombra" chega à televisão.

Hoje, Sábado, pelas 23.00 horas, "Governo Sombra", TVI24... a não perder. Nunca!

(créditos da foto: © Mário Ribeiro/Notícias TV - via DN online)
publicado por mparaujo às 14:15

18
Set 12

O anúncio publicitário da Zon, a linha que separa tudo, quando surgiu teve alguma indiferença ou até mesmo alguma crítica.

Mas a verdade é que a publicidade ficou no "ouvido" e no léxico nacional.

Mas, como tudo neste país, nunca se consegue ficar pelo racional, pelo suficiente. É sempre no abuso, no exagero, na exaustão.

E já não há pachorra para "tanta linha que separa".

Há uma linha que separa isto, aquilo, aqueloutro e mais não sei o quê.

Até na política já usam o raio da "linha da Zon", tal como referiu António José Seguro na passada quinta-feira, 13 de Setembro, qaundo se dirigiu ao país: "Há uma linha que separa a austeridade da imoralidade e essa linha foi ultrapassada".

Será que ainda não perceberam que há uma linha que separa a paciência da irritação?!

publicado por mparaujo às 21:21

01
Set 12

Antes de mais, para que conste como declaração de interesse, tenho amigos, conhecidos e referências na RTP, na SIC ou na TVI, nomeadamente no que respeita a jornalistas (mas não só). Não importa sequer discutir qualidade e profissionalismo, porque, como em todas as profissões e empresas, há bons, menos bons e maus profissionais (seja qual for a área). Sobre isso, não vejo que haja uma televisão melhor que a outra, uma rádio melhor que a outra ou um jornal melhor que outro (excluindo as devidas excepções).

E antes de tecer qualquer comentário, importa dizer que acho que houve, como muita gente o referiu, uma histeria colectiva sobre o caso RTP, a partir das declarações do consultor/assessor governativo, António Borges, em entrevista à TVI. Não me refiro aos profissionais da RTP que, como é natural, sentiram a “casa” que é deles e feita por eles a ser “assaltada” (embora entenda que em determinados momentos e em alguns espaços de discussão, tenha faltado alguma serenidade e discernimento). Mas, por exemplo, parece-me esquisito que de repente seja imenso o número de “adeptos” da RTP2 (provavelmente o canal TV mais “visto” na última semana) mesmo que a maioria não saiba o que é o Hoje, a Sociedade Civil, a Justiça Cega, a Janela Indiscreta, o Diário da Câmara Clara, o Parlamento ou até mesmo a Fé dos Homens, entre outros.

Mas vamos ao que importa. A primeira análise (de três, sendo a última guardada para o fim) centra-se no ponto de vista político. Não são inocentes as declarações de António Borges a Judite de Sousa, na TVI. Primeiro porque ele não falou a nível pessoal. Falou na qualidade de assessor/consultor do governo para a área das privatizações e com óbvia cobertura do ministro Miguel Relvas. E porquê o modelo de concessão da RTP1 e o encerramento da RTP2? Porque, ao contrário do que ainda hoje refere Passos Coelho, quando diz que nada está definido e que todos os cenários são possíveis, este é, ou era, o modelo que melhor encaixava nas perspectivas do Governo (podendo deixar de ser por força do ruído inesperado). A ideia foi, claramente, tentar sentir o pulsar das reacções públicas e do mercado a esse modelo. Só que o governo nunca esperou uma reacção crítica tão grande, principalmente pela posição do CDS. Puro amadorismo governativo ao não serem acautelados quaisquer tipo de riscos e consequências, nomeadamente para a própria imagem do governo que não discutiu a questão nos espaços próprios e devidos (coligação governativa, parlamento, administração da RTP, presidência da república). Daí que enviar um “ventrículo” a terreiro facilita sempre o sacudir da água do capote se necessário inverter as posições. Por mais que se saiba que a divulgação da concessão da RTP1 e do encerramento da RTP2 (mesmo sem se saber o que aconteceria à RTP inf, à RDP ou à Lusa) foi feita com a cobertura governativa, ela não o foi do ponto de vista formal e institucional. António Borges foi o chamado “testa de ferro”.

Por outro lado, não são coincidências de mero agendamento informativo o facto das declarações de António Borges surgirem logo após a notícia publicada pelo jornal SOL, curiosamente um órgão de comunicação social que é propriedade de um dos grupos que se perfilam para “atacar” o canal público de televisão (Newshold, grupo angolano constituído pela Pineview Overseas e pela TWK). Importa ainda destacar, como bem referiu a Estrela Serrano, que a notícia publicada no jornal SOL é assinada por um elemento do conselho de administração do jornal. Coisa rara e que só realça a importância do facto.
Mas não só… (segunda análise política) Durante mais de uma semana o país desviou a sua atenção de um dos mais graves problemas reais: a derrapagem do défice das contas públicas para valores próximos dos 6,9%, neste primeiro semestre e logo em altura da 5ª avaliação da Troika. Tal como no défice e na crise o governo voltou a falhar redondamente. Assim como, do ponto de vista comunicacional e de gestão.

Concessionar um canal e fechar outro deixa o governo perfeitamente vulnerável a questões legais, bem como a uma derrota política já que o programa eleitoral previa a manutenção de um dos canais. Assim como não entendo porquê encerrar a RTP2. Aquando da renovação e reestruturação da RTP N (RTP Info) defendi que deveria haver uma fusão dos recursos e da oferta, criando uma estrutura sólida, distinta de outros canais (SIC notícias ou TVI24), apresentando-se como um canal verdadeiramente alternativo, ganhando posição concorrencial no mercado fruto do uso de canal aberto RTP2 (emitido também através do cabo). E estariam criadas condições para o garante de um canal público e a sustentação de um serviço público, E aqui reside outra realidade. É que o problema da televisão pública não passa, essencialmente, pela questão dos gastos, despesas, custos. Nem vou perder muito tempo a questionar esta situação até porque, nesta temática, há números para todos os gostos. Sem no entanto deixar de relevar uma realidade: estamos a falar de uma entidade pública, dentro de um universo estatal, com todos os riscos comparativos, seja a nível da própria estrutura, seja a nível dos seus quadros.

O que falta é uma definição clara, consistente e coerente sobre o que deve ser o serviço público (já que o último estudo terminou desastrosamente numa gaveta, provavelmente ainda bem) mesmo que se conheçam alguns dos seus princípios fundamentais: maioria de capital público (o que não acontecerá na concessão); financiamento directo pelos cidadãos/imposto; isenção em relação ao poder político e económico (aliás como deve ser o jornalismo) embora esta realidade, hoje em dia, seja totalmente desrespeitada; a existência de um órgão fiscalizador da sua actividade; entre outros. E penso que, a par com algumas reformas de gestão necessárias para corrigir erros que existem, passaria por aqui a consolidação do futuro do grupo RTP e a sua permanência como canal público. Até nem seria muita a exigência porque, excluindo uma ou outra situação (muito poucas, diga-se) a RTP não se assemelha (programação e informação) aos canais privados. Mas também aqui é importante que paremos para reflectir com alguma serenidade: serviço público não é só informação, com os riscos óbvios de não se agradar, simultaneamente, a gregos e a troianos. Mas tal como referi aqui, a propósito do valor da cultura, também cabe referir que não concebo um preço, um valor comercial, para toda a história, identidade, património e percurso do serviço prestado pela RTP, desde a sua origem até aos dias de hoje.

Por último, entendo que tem havido muito ruído em torno desta questão da RTP que, diga-se, nem é nova. E a este respeito, acho que o Sindicato dos Jornalistas tem sabido ser mais assertivo e consistente do que a plataforma sindical da RTP ou, por exemplo, a comunidade de jornalistas. É extremamente fácil e tentador disparar contra tudo e contra todos. Assim como é muito fácil perder a serenidade, a coerência, a lucidez, e consequentemente perder-se a razão e dar força ao “outro lado”. A constante presença no palco mediático da “rua” expõe em demasia e está muito mais vulnerável a críticas e animosidades. Além disso, numa altura em que os profissionais da RTP (e agora refiro-me aos jornalistas, sem qualquer tipo de desconsideração ou desrespeito pelos outros sectores, apenas para contextualizar) estão sujeitos a uma grande pressão, a um sentimento de desilusão e apreensão em relação ao futuro, exigia-se muito mais consideração, respeito e corporativismo por parte dos colegas jornalistas dos outros órgãos de comunicação (como exemplos: Sol, Correio da Manhã, Mário Crespo) até porque ninguém está livre de lhe acontecer o mesmo. E é tão notória a inveja, a cobiça e o ressabiamento de alguns, felizmente não muitos.

A terminar tal como começado (a terceira análise política). Tinha aqui defendido a posição pública da Administração da RTP e a sua continuidade, com as razões e fundamentações descritas. Entendo que a apresentação da demissão só vem reforçar a intenção inicial do governo. Provocar alterações na administração da RTP para ser mais fácil atingir os objectivos delineados pelo governo para o futuro do canal público e respectivo grupo. E conseguiu-o. E para além de deixar caminho aberto a Passos Coelho e Miguel Relvas, o agora demissionário conselho de administração deixou mais vulneráveis, mais isolados e abandonados as direcções, chefias e os profissionais da RTP.

Resta-me a solidariedade e respeito para com todos, porque para com os amigos é escusado sublinhar.

publicado por mparaujo às 23:43

21
Set 11
Enquanto a RTP lançava, nesta segunda-feira, a renovada RTPN com o surgimento da RTP I(nformação) lia este excelente texto da Estrela Serrano "A televisão pública não existe para “derrotar” as privadas", e assolava-me apenas um pensamento: a RTP afundou-se, perdeu uma oportunidade única de marcar a diferença, de se afirmar como verdadeiro serviço público, algo que vai descurando e desvirtuando. Aliás, sobre as propostas (e o próprio comentário de Nuno Santos - pena que a Estrela Serrano tenha sido "politicamente correcta") apraz-me referir: gosto muito de humor, tenho razoável sentido de humor, mas entendo que há coisas que devem ser tratadas com seriedade (pelo menos a possível) e que não basta o mediatismo da figura pública para garantir qualidade (quando muito o sucesso de ganhar audiências)... infelizmente é disto que vai vivendo muita da comunicação social portuguesa, bem como com a mistura perigosa entre informação e programação.

Já aqui o afirmei, a RTP perdeu uma preciosa oportunidade, no âmbito do tão badalado processo de reestruturação (que me parece mais exclusivamente economicista que estrutural), de dar dimensão, qualidade "competitiva", verdadeira concepção de serviço público, ao relançar e renovar a RTP N com o lançamento, nesta segunda-feira, da RTP I. É que teria sido muito mais vantajoso,a todos os níveis (informativos, formativos, sociais e culturais, de recursos financeiros, técnicos e humanos), se tivesse havido uma fusão entre a RTP 2 e a nova RTP I.
É que tirando o processo de naming, alteração de cenários e logotipagens ou grafismos, e uns esforçados (mesmo que bem conseguidos) "mais-valias" ou "Justiça Cega", que se espera não caia num banal "casos de polícia" ou no "crime" ou mediatismo fácil de muita imprensa actual, não se nota qualquer inovação, redimensão, para além de ser dúbia a capacidade para competir com a SIC N ou mesmo a ainda "criança" TVI24.
E mais se lamenta a oportunidade perdida porque, diga-se em abona da verdade, é notória a capacidade profissional da globalidade dos seus jornalistas (só, pura e simplesmente, a título de exemplo: Alberta Marques Fernandes, Sandra Pereira, Estela Machado, Cristina Esteves, Daniel Catalão, Fátima Araújo, Carla Trafaria, Maria Flor Pedroso, Carlos Daniel, Sandra Felgueiras, Cecília Carmo, Inês Gonçalves e Luís Castro, entre outros).
publicado por mparaujo às 01:27

01
Dez 10
Depois de uma sugestão de petição, depois de uma ("longa") espera ansiosa...
uma prenda antecipada nesta (já) quadra natalícia.
TVI 24 no canal 8 da Cabovisão.
yesssssssssssssss.... ATÉ QUE ENFIM!!!!
publicado por mparaujo às 18:03

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