Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

17
Jun 18

e politicamente (in)correcto.

Aveiro anda em "sobressalto", diga-se bastante agitada, por causa do Rossio (Aveiro).

A uma semana do tema ter "honras de Estado" na próxima sessão da Assembleia Municipal importa "concordar em discordar".

A passividade, a apatia, a falta de participação e intervenção cívicas, no dia-a-dia, nos "espaços públicos" ou nos momentos cruciais da vida comunitária e do país (seja no direito ao exercício do voto, seja nas simples sugestões ou contributos) da generalidade dos portugueses é igualmente proporcional à forma como manifestam indignação e descontentamento perante resultados (mais ou menos) finais. Daí a sabedoria popular raramente errar no espelhar das realidades: "casa roubada, trancas à porta" ou "lembrar Sta. Bárbara quando troveja", como exemplos. Imagine-se que até já há quem, agora, venha "desejar" a tão malfadada ponte sobre o canal, ligando o Rossio ao Alboi.

projeto rossio.jpg

Quando reparei, pela primeira vez, na imagem que retrata o projecto de requalificação do Rossio o impacto não foi, diga-se, positivo. Não pela proposta em si mas pelo que ela contrasta com as memórias vividas e "fotográficas". Joguei ali "à bola"... foi ali que andei na 'Roda Gigante' da Feira de Março, pela primeira vez. Entre outras (muitas) coisas.
Mas o mundo é feito de mudanças e são muitos os exemplos dos chamados novos tempos. Aveiro já assistiu a muitos, de forma mais ou menos pacífica: as Pontes (que passaram a uma 'ponte'), o nascimento do Bairro de Santiago, a urbanização da Forca, o 'fecho' da Rua Direita, a requalificação do Teatro Aveirense, a praça Marquês de Pombal, o novo Estádio Municipal, o túnel da Estação (tornando esta um elo de ligação e não de separação ou isolamento), a antiga Fábrica Jerónimo Pereira Campos, a nova Estação da CP, por exemplo (e para todos os 'gostos').

Nas muitas discussões que tenho assistido há uma pergunta que tem faltado, mais do que qualquer teoria a polemizar o eventual estacionamento subterrâneo: o que é, hoje, o Rossio? O que significa ele para a cidade de Aveiro?
Já foi palco de romarias e devoções. Já foi espaço de feiras e trocas comerciais. Já teve um bar sobre parte dos seus muros. Já foi... Porta de entrada na cidade e um dos cartões de visita, a verdade é que o Rossio já não dá, nem tem capacidade de, resposta para um conjunto de funções lúdicas, culturais e sociais às quais nos habituou durante várias décadas. Querer manter este espaço nobre e central da cidade como está é votá-lo à sua degradação e conceder-lhe uma lamentável agonia.

A atractividade turística é, hoje, muito elevada, seja pelo natural aumento do turismo em Portugal e na Região Centro, seja pela atractividade da Ria. E o Rossio tem que saber sobreviver e complementar esta realidade.

A proposta apresentada, à qual, garantidamente, a "habituação visual" e a convivência darão uma inquestionável resposta positiva, dá nova vida ao Rossio, requalificando-o e repensando a sua funcionalidade e potenciando a sua atractividade.
O novo desenho projecta uma praça rejuvenescida, aberta, ampla, com novos suportes, com elementos urbanísticos que defendem melhor o ambiente (a manutenção de espaços relvados tem custos e impactos ambientais que são, nos dias de hoje, insuportáveis... para além de uma total ausência de cultura e de civismo, por exemplo, com os dejectos animais em pleno espaço onde as crianças teriam direito a pular e brincar). E tem mais... tem, pela sua amplitude, a capacidade de acolher um considerável e multifacetado conjunto de respostas culturais e sociais que hoje estão totalmente abandonadas (eventos artísticos, feiras e exposições). E tem ainda mais... para aqueles que, e bem, preservam a identidade e as "estórias", tem um interessante destaque da história e cultura daquele espaço aveirense.

A proposta apresentada traduz a duplicidade actual do Rossio: espaço de recepção e de cartão de visita para os turistas e um espaço permanentemente disponível para os aveirenses. Haja vontade e empenho para tornar o Rossio um "enorme espaço público" com intensa actividade.

Este Rossio, de hoje, é que já não respira saúde, nem serve os aveirense, nem os muitos que acolhemos ao longo do ano.
Este Rossio precisa de nova vida.

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E importa lembrar: (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)
ros·si·o (substantivo masculino)
1. Terreno largo, fruído em comum pelo povo.
2. Logradouro público. = BALDIO
3. Lugar espaçoso; praça larga. = TERREIRO

publicado por mparaujo às 18:48

30
Jul 17

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O Turismo Portugal - Turismo Centro Portugal "levou" Aveiro até à TF1 (França).

Pessoalmente não me provoca qualquer constrangimento que se misture Aveiro e Ílhavo (Costa Nova). Bem pelo contrário...

Mas das duas, uma... a reportagem errou o(s) alvo(s).

Se era para juntar Aveiro e Ílhavo, fazia sentido incluir a tradição do mar e da pesca do bacalhau, o Museu Marítimo, para além da Costa Nova e da Barra (Farol, por exemplo).

Se era para falar de Aveiro... era escusado falar da Costa Nova e deixar a única praia do Concelho de fora (S. Jacinto, a Ria, os Moliceiros no seu "habitat natural", a Reserva, o turismo militar).
Se era para falar da cidade de Aveiro, faltou o Sal e as Salinas e faltou a cerâmica e o azulejo.

Mas fica, de facto, o contributo e o empenho em promover a região.

Para memória futura...

(créditos da foto: Turismo Centro Portugal)

publicado por mparaujo às 18:05

16
Nov 14

publicado na edição de hoje, 16 de novembro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos
A taxinha turística alfacinha

É o regabofe da actualidade política, fazendo esquecer já a triste e dispensável figura do ministro Pires de Lima, na Assembleia da República na passada semana. Não há espaço público (real ou virtual) que não fale das taxas, taxinhas e “taxões” que o presidente da autarquia de Lisboa, António Costa, pretende implementar naquele município. Nomeadamente as que se referem ao turismo (dormidas na hotelaria da capital e chegadas ao aeroporto da Portela).
A temática dá para tudo; dá para as críticas, para as comparações, para as interrogações jurídico-legais, e dá, principalmente, para a confrontação política.

As críticas têm uma significativa dificuldade de sustentação: ou porque não existem dados concretos e fiáveis que indiquem uma quebra significativa de fluxo turístico com a aplicação de taxas turísticas (dada a imaturidade da medida) ou porque não há ainda uma sustentação científica para, em realidades como a de Lisboa, se auferirem impactos negativos com a aplicação da medida.

As comparações servem os dois lados da questão: compararem-se realidades, contextos, dimensões e objectivos distintos não faz qualquer sentido. Alguns países e algumas das grandes capitais da Europa usam a taxa para refrear o elevado fluxo turístico ou para suportar custos de manutenção dos espaços públicos. Mas a medida não é generalizada em toda a linha: por exemplo em Espanha há cidades/províncias que aplicam a taxa, mas a própria capital, Madrid, não aplica nenhuma medida; quanto ao seu valor (questionando-se se um euro é ou não significativo), nas zonas europeias onde é aplicada a taxa turística ela varia entre poucos cêntimos até cerca de cinco euros ou 5% do valor da factura (como em alguns casos alemães). Há para todos os gostos e cada caso deve ser analisado pontualmente, em função de inúmeras realidades e variáveis. Daí não fazer sentido qualquer tipo de comparação com a medida recentemente aplicada pela autarquia aveirense de revogar as duas taxas turísticas que existiam no município.

As dúvidas jurídico-legais podem ou não ser complexas dependendo da forma como o Município de Lisboa regulamentar a referida medida. Taxas municipais, da responsabilidade da autarquia, têm que ter um objectivo/destino consignado, se não figuram no princípio do regime dos impostos que não são da responsabilidade municipal. Justificar o destino das taxas a aplicar caberá ao Executivo lisboeta a sua definição e demonstração. Há, no entanto, uma outra dúvida. António Costa pretende aplicar uma taxa aos fluxos de chegadas de turistas ao Aeroporto da Portela. Só que, neste caso, é importante referir que nem todas as chegadas de turistas ao aeroporto significam que o destinam é o município de Lisboa. No caso, do destino ser um outro local fora do concelho de Lisboa não é aceitável a argumentação do uso de infraestruturas e equipamentos municipais.

Mas a verdadeira questão das taxas turísticas em Lisboa não é a sua implementação ou a opção da autarquia em criá-las. A questão é meramente política e demagógica. Em causa está o facto de António Costa ser o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas, principalmente, ser o próximo adversário de Passos Coelho e o futuro líder socialista. Daí a preocupação e a confrontação política do Governo, como se isto fosse algum problema nacional. Se a medida tivesse sido anunciada por uma outra qualquer autarquia (por exemplo a do Porto, para falar na segunda maior) e o assunto não tinha nem uma milésima parte de impacto na agenda política nacional. Aliás, excluindo as polémicas e as posições locais, não me recordo de alguém do Governo se ter manifestado quando as duas taxas turísticas foram implementadas em Aveiro, na legislatura autárquica anterior.
As taxas e taxinhas turísticas são, legitimamente, criticáveis ou aplaudíveis pelos sectores directamente implicados. Há razões e argumentações para os dois lados da moeda.
Infelizmente, para o Governo não é a taxa ou a taxinha de António Costa que está em causa, mas sim a preocupação com o “taxão” eleitoral de 2015.
E como diz a sabedoria popular (da mais sábia e popular): “quem te cú tem medo”.

publicado por mparaujo às 11:15

05
Fev 14
https://1.bp.blogspot.com/-ShrdV2qCviA/US3VE7tQUJI/AAAAAAAAMLk/S_EedZRgV7U/s1600/Aveiro.JPG

publicado na edição de hoje, 5 de fevereiro, do Diário de Aveiro.

Debaixo dos Arcos

Olhares sobre Aveiro

Vem a propósito a lembrança das mensagens da última campanha eleitoral autárquica e do discurso de tomada de posse (devidamente tornado público) do actual Executivo camarário.

É, para já, notório o cumprimento de um dos pilares anunciados no período eleitoral e reforçado na tomada de posse: recolocar Aveiro como referência de uma região. Presidência da CIRA, vice-presidência da ANMP, relançamento da plataforma A25, integração do grupo europeu do poder local, entre outros. Resta esperar pelos resultados e impactos que isso possa trazer para Aveiro.

Sendo certo que a reorganização interna de todo o universo municipal está pendente das conclusões da auditoria interna, prevendo-se que os seus resultados possam ser conhecidos ao longo deste primeiro semestre do ano; já o desenvolvimento social e económico, e a qualificação urbana estão dependentes do resultado do esforço anunciado para este primeiro ano de mandato no que diz respeito à recuperação e equilíbrio financeiro das contas do Município.

No entanto, volvidos os primeiros 100 dias de mandato autárquico e porque foi determinação expressa pela autarquia acolher as vontades dos aveirenses, as suas sugestões e os seus “olhares” sobre a sua cidade e o seu concelho, resta-me, nessa qualidade, devolver um conjunto de reflexões que foram, por diversas vezes, ao longo de oito anos do “Debaixo dos Arcos”, repetidamente expostas e consideradas relevantes para o desenvolvimento local e a qualidade de vida em Aveiro.

Do ponto de vista da qualificação urbana Aveiro tem carências significativas. Há duas áreas que são vitais: revitalizar, quer do ponto de vista social, quer económico, quer, essencialmente, urbano (espaço público e edificado) o centro da cidade – Rua Direita e Avenida. Mas há ainda a zona a nascente da Estação (entre o túnel e a E.N.109) que urge promover a sua urbanização; a zona da antiga Lota (agora já fora do programa do Pólis da cidade) onde poderia, com uma qualificação urbana e ambiental coerente e consistente, surgir uma marina e equipamentos complementares (lazer, turismo e ciência/educação ambiental) aproveitando ainda toda a zona lagunar e as marinhas/salinas; a zona sul do plano pormenor do centro (toda a área entre o cruzamento para S. Bernardo e o pavilhão do Galitos) onde esteve planeado o novo parque da cidade, qualificando ambientalmente toda aquela área a sul da avenida 25 de Abril (entre esta e a E.N.109) proporcionando uma melhor qualidade de vida aos aveirenses com mais espaço verde e de lazer; e, por fim, a zona a norte das Barrocas, a área das Agras do Norte, entre Esgueira e a A25, requalificando urbanisticamente todo aquele espaço “abandonado”, permitindo o crescimento da cidade.

Mas o desenvolvimento de Aveiro não estará apenas compaginado à vertente urbanística. A cidade precisa, urgentemente, de um planeamento ao nível da mobilidade, integrado e sustentável, com impactos na vertente pedonal, ciclável, da promoção do transporte público (seja ele municipal ou concessionado), do estacionamento e do ordenamento do trânsito (nomeadamente na zona da Vera Cruz).

Por outro lado, Aveiro não pode esquecer o seu património, quer por razões históricas e sociais (identidade colectiva), quer por questões económicas (turismo, por exemplo). Primeiro o seu património histórico, cultural e social, porque o presente e o futuro não se constroem renegando o passado. Seja a gastronomia, a azulejaria (a falta que faz o museu do azulejo), o sal, entre outros, Aveiro precisa de investir na sua preservação e promoção. Segundo, o seu património natural, inserido na região, como são os casos da Ria de Aveiro e das salinas/marinhas. Do ponto de vista turístico, não temos muito mais para projectar e “vender” para captar visitantes e receitas, sem esquecer a tão desaproveitada praia de S. Jacinto, a única praia do concelho.

Terceiro, do ponto de vista do património ambiental, são necessários projectos que promovam a Ria, a zona lagunar do Baixo Vouga, o retomar do projecto do Rio Novo do Príncipe (ao nível ambiental, turístico e desportivo) e a reserva ambiental de S. Jacinto.

Por fim, Aveiro precisa de promoção cultural, de vida nos espaços públicos que traga uma maior qualidade de vida e bem-estar aos aveirenses. As poucas e parcas praças que temos na cidade, Rossio, Melo Freitas, Marquês de Pombal, precisam de dinamismo, de vida, de animação, que promova o convívio, a cultura, entre os aveirenses.

É óbvio que nem tudo poderão ser prioridades, nem tudo poderá ser equacionado, face às contingências económicas do país e da autarquia. Mas, pelo menos, espero que não sejam esquecidas estas realidades, umas mais relevantes que outras, com impacto no desenvolvimento de Aveiro. Fica o contributo.

publicado por mparaujo às 09:43

04
Set 13

Publicado na edição de hoje, 4 de setembro, no Diário de Aveiro.

Cagaréus e Ceboleiros

Aveiro e o turismo fluvial

Quando escasseia a contribuição económica suscitada pela presença, significativa, da vertente da produção, as comunidades (concelhos, regiões) tendem a procurar outras áreas de desenvolvimento económico que permitam a sustentabilidade das regiões.

Uma das alternativas poderá ser a do recurso à fixação da área dos serviços e/ou da tecnologia, aliás numa necessária e pertinente ligação com a excelência da Universidade de Aveiro.

Outra, porém, poderá recair na exploração e no investimento nos patrimónios naturais existentes.

No caso de Aveiro, havendo a dificuldade de fixação de indústrias produtivas de média e grande capacidade de investimento (para além dos exemplos da Vulcano, Funfrap, Portucel, C.A.C.I.A., Aleluia, Martifer ou a LoveTiles/Margrés) também é um facto que, infelizmente, vão rareando os investimentos (tem sido adiado o anunciado alargamento da área de produção da Portucel), outros vão fechando as portas pela crise gerada (Fábrica Campos, Casal, Mavirel, Makro, …) e gorou-se a oportunidade de ver implantada a fábrica das baterias Nissan/Renault, por exemplo.

Não sendo desejável que Aveiro perca este objectivo estrutural para a economia do Concelho e da Região, para além da necessidade de se repensar e reformar as áreas industriais existentes (Cacia, Taboeira e Mamodeiro), a verdade é que o Município tem de ser capaz de encontrar formas de contrabalançar esse défice produtivo: a aposta no turismo e, mais concretamente, naquele que está directamente relacionado com a Ria de Aveiro.

O tema tem tido, curiosa e felizmente, alguns ecos nas campanhas eleitorais aveirenses (ou, pelo menos, de alguns). Do meu ponto de vista pessoal com alguma pertinência. Aveiro tem tido, por força da realidade conjuntural dos últimos anos (quer no país, quer na região), bastantes dificuldades financeiras que permitam muitas “festas”. Mas há prioridades que não podemos descurar. Da mesma forma que existiu capacidade de financiamento para a necessária requalificação urbana do Alboi, Baixa de Sto. António, Parque D. Pedro (e envolvente, como as capelas) e o Parque/Fonte dos Amores, com inclusão da Casa da Sustentabilidade, também deverão ser consideradas outras prioridades de regeneração urbana: a urgência da Avenida; a zona nascente da Estação (antigo Bairro do Vouga e prolongamento da zona da Forca); a possibilidade de se criar uma nova mancha ambiental com a criação de um novo Parque da Cidade na zona nascente da Av. 25 de Abril; a Baixa de Vilar; a zona lagunar; o Rio Novo do Príncipe, a Ribeira de Esgueira, a zona ribeirinha de Eixo, a Pateira de Requeixo… e, principalmente, o aproveitamento ambiental, turístico, lazer e desportivo da zona da antiga Lota e de todo o esteiro que vai até ao Porto de Pesca da Gafanha da Nazaré. Esta era uma verdadeira aposta abrangente do ponto de vista de desenvolvimento económico, contemplando áreas como a educação e monitorização ambiental; a preservação da história e cultura ligadas ao salgado aveirense; a criação de condições para a prática desportiva náutica (envolvendo Sporting de Aveiro e Galitos, por exemplo, e ainda a realização de competições como o Triatlo ou a pesca desportiva); o desenvolvimento do turismo com a criação de uma marina de recreio, restauração e hotelaria); actividades ligadas ao ecoturismo.

A área é navegável, existem marinhas de sal que podem ser reabilitadas, existe o Ecomuseu da Troncalhada, existem bons acessos (como o caso da A25) e existe espaço geográfico suficiente (a antiga lota, o TIR/TIF, as marinhas, o antigo porto comercial, …).

É, claramente, uma área privilegiada para a promoção da regeneração urbana, ambiental, cultural e desportiva. Infelizmente, pela periferia (mesmo que encostada à malha urbana) essa zona lagunar da cidade teima em ficar esquecida e abandonada, apesar do potencial económico suficiente para dinamizar Aveiro e a Região. Pena que o projecto Pólis não tenha tido a possibilidade de criar mais valor nessa zona envolvente ao limite da cidade.

Para além disso, é indiscutível que a promoção de investimento desta natureza e nesta área traria uma mais-valia evidente ao turismo e ao próprio comércio em Aveiro.

Haja vontade, capacidade de inovação e criatividade para a promoção de investimento.

Não fiquemos apenas pela sobrecarga dos canais urbanos que muito dificilmente aguentarão tanta concorrência e tanto usufruto desse património natural e do postal aveirense que é o Canal Central Urbano da Ria.

Num futuro, qualquer dia, tudo quisemos e tudo perdemos, por irreparáveis que serão os danos que estão a ser causados no canal e nos muros urbanos da Ria.

Como aveirense “Cagaréu e Ceboleiro”.

publicado por mparaujo às 10:25

14
Jul 13

Publicado na edição de hoje, 14 de julho, do Diário de Aveiro.

Cagaréus e Ceboleiros

Taxar ou não taxar o turismo.

O tema da taxa turística (ou das taxas turísticas) é assunto recorrente das conversas dos aveirenses e será, naturalmente, questão a abordar nas campanhas eleitorais, até porque a Ria e o turismo é já referência nos discursos de alguns candidatos, neste período de pré-campanha, por exemplo Ribau Esteves (“Aliança com Aveiro”) e Eduardo Feio (PS). A aplicação da taxa turística não é, no entanto, consensual na comunidade aveirense e, principalmente, nos “visados”: operadores de passeios na Ria e nos hoteleiros.

Entendo que a taxa aplicada às dormidas/estadias em Aveiro (taxa aplicada às unidades hoteleiras) não é, objectivamente, comparável com a taxa turística cobrada os passeios de moliceiro nos canais urbanos da Ria. Reconheço a legitimidade política da Câmara Municipal de Aveiro em cobrar a taxa sobre as dormidas/estadias em Aveiro, como forma de recolher financiamento (receitas) que permitam ao município algum investimento na promoção turística do Concelho. Aliás, medida partilhada e aconselhada a outras autarquias pela Associação Nacional de Municípios face à quebra acentuada de receitas municipais. Mas tal como há tempos afirmou o Secretário de Estado do Turismo, Adolfo Nunes, a sua aplicabilidade deixa algumas reservas. Mesmo que ache que não tenha impacto significativo no número de visitantes e turistas, entendo que posa existir alguma falta de capacidade de aplicação/cobrança da taxa, por parte da Câmara Municipal, mas, acima de tudo, deixa-me muitas reservas quanto ao retorno de benefícios por parte dos hoteleiros, já que os mesmo têm a sua própria autonomia na promoção turística ou o recurso a outras entidades que não o turismo municipal (por exemplo, os operadores, a sua associação ou o próprio Turismo Centro de Portugal).

Por outro lado, e precisamente em oposição à taxa nos hotéis, a aplicação de uma taxa turística nos passeios na Ria parece-me mais que justificada. Não sei se esta taxa, o valor em causa, a forma, o conceito, a eventual constituição de um fundo de reserva, etc. Isso seria outra reflexão. Mas é justificável a aplicação de “uma” taxa turística sobre os passeios nos canais da Ria. Primeiro, porque se trata de um bem público, de um espaço público, que é de todos os aveirenses, que é a imagem de marca de Aveiro (ou uma delas a par, por exemplo do salgado). O usufruto comercial deste espaço público, com receitas (legítimas) dos operadores, deve ter uma contrapartida para o bem público. Segundo, ao contrário do que acontece com as unidades hoteleiras, há, em teoria, um benefício directo do investimento público na actividade privada. Ou seja, “uma” taxa turística (seja ela qual for, na prática) significa uma contribuição para o investimento que a autarquia tem na responsabilidade de assumir a preservação dos canais urbanos da Ria, a limpeza, a preservação das suas margens, a manutenção do mobiliário público envolvente (por exemplo as pontes) e dos muros dos canais.

Mesmo que restem algumas dúvidas sobre o processo de aplicação, de fiscalização e de cobrança… mesmo que existam algumas reservas quanto à forma… não restam incertezas quanto à legitimidade da defesa do bem e interesse públicos que os canais urbanos da Ria têm para a cidade de Aveiro. Algo que, diga-se a bem da verdade, os operadores dos passeios turísticos nunca objectaram (pelo menos publicamente).

Como aveirense “Cagaréu e Ceboleiro”.

publicado por mparaujo às 20:21

12
Fev 13

Ou então é Carnaval...

Há algo que este país tem que o individualiza de todos os outros. Só não consigo perceber é muito bem o quê.

Portugal tem apenas um pista/estância de ski localizada na Serra da Estrela (Torre). Seja do ponto de vista desportivo ou de lazer, seja pelo turismo, só faz sentido a Serra da Estrela (Torre) com neve e a nevar.

Daí que não se perceba que seja precisamente quando cai neve que fica condicionado ou impossibilitado o acesso à Serra da Estrela (Torre). Um verdadeiro paradoxo.

O que seriam os Alpes, o que seria a Suíça, a Suécia, a Noruega, ..., sem as acessibilidades turísticas próprias de zonas com neve?

Enfim...

(créditos da foto: Nelson Garrido / Público)
publicado por mparaujo às 15:59

06
Mai 11
Como referi aqui (Por um Mar já antes navegado...) infelizmente Portugal não sabe aproveitar e explorar os seus recursos naturais, o seu património mais valioso, para se impor interna e externamente, para ganhar desafios de competitividade, para combater a crise e conquistar um eficaz desenvolvimento. Um desses patrimónios reside na redistribuição de investimentos na área do turismo, principalmente nas regiões costeiras.
E a Portugal Dream Coast é um dos exemplos de empreendedorismo, de competitividade, de conquista de desafios, em Portugal e, nomeadamente, na zona do Sado (Setúbal).

Como exemplo...

Portugal Dream Coast assina contrato de parceria com a Câmara Municipal de Setúbal

A Portugal Dream Coast foi escolhida pela Câmara Municipal de Setúbal para trabalhar a promoção digital do Concelho.

O projecto Portugal Dream Coast, iniciado em Janeiro de 2010, tem hoje uma dimensão bastante significativa no Mundo Digital, sendo seguido por 250 mil pessoas e empresas em mais de 150 Países, com uma audiência mensal de 5 milhões de visualizações.
Hoje, são já várias as empresas DREAM PARTNERS (denominação criada para designar os seus parceiros) que são promovidas nesta robusta plataforma digital, que inclui website (www.portugaldreamcoast.com), blogues (www.portugaldreamcoast.blogspot.com), Sapo e Networked Blog no Facebook (ocupa o 1º lugar Mundial na categoria Lifestyle, 3º em Photos e 4º em Travel), Página Oficial Facebook (12 º Marca Portuguesa e 3ª na categoria viagens e Turismo, apenas suplantada pelos “Gigantes” Descobrir Portugal - informação só para Portugueses - e TAP), Linkedin, Twitter (já com 4 canais, sendo 2 temáticos), Trip Advisor, Tripatini, Youtube, Vimeo, Tripfilms, Filckr, Digg, Stumbleupon, Tumblr, Localyte, Foursquare e outros. Este projecto é hoje igualmente referenciado pela CNN, Daily Telegraph, Los Angeles On Line, Times e vários outro media Mundiais na sua vasta oferta na web, e sempre por temas específicos e variados.

“É com grande alegria que vemos reconhecido o nosso trabalho na divulgação da Região de Setúbal para todo o Mundo, pela Câmara Municipal de Setúbal. Esta parceria agora concretizada é uma enorme aposta no projecto que temos vindo a desenvolver e irá beneficiar ainda mais todas as pessoas, empresas e instituições da Região e de Portugal, para além dos 95% de seguidores que activamente participam fora de Portugal.” Afirmou João Lemos Cabral, responsável da Portugal Dream Coast, que após um  aturado estudo em diferentes valências, concebeu e implementou este projecto.
“Existe uma disrupção do paradigma de comunicação na Internet e na Portugal Dream Coast não acreditamos que apenas um “website”, uma página no Facebook ou um anúncio pontual traga o retorno esperado. Acreditamos em estratégias de comunicação dinâmicas e continuas, para diversos públicos e segmentos, através dos canais digitais mais adequados com medição de resultados, por forma a melhor “ouvir” os utilizadores e constantemente melhorar. A Câmara de Setúbal, entendeu perfeitamente este novo paradigma e partilha agora a responsabilidade com profissionais e isso é uma satisfação, especialmente sendo eu setubalense”, conclui João Lemos Cabral.

A Portugal Dream Coast anuncia ainda mais duas parcerias estabelecidas esta semana com os Azulejos de Azeitão e com a Fábrica de Tortas Azeitonense, que são já hoje temas altamente procurados por seguidores na Ásia, Europa e especialmente Estados Unidos.

Fonte: Portugal Dream Coast www.portugaldreamcoast.com
publicado por mparaujo às 22:03

02
Ago 06
Publicado na edição de hoje (02.08.06) do Diário de Aveiro.

Post-its e Retratos
(re)Baptizar Aveiro


O nome é algo que nos acompanha para a vida inteira.
Excepcionalmente alterado, identifica-nos como pessoas, com personalidade própria e, embora repetível, distingue a unicidade de cada indivíduo.
Há por isso uma entidade própria em cada nome.
Um nome pode ser sonante, invulgar, vulgar mas característico, engraçado, embaraçoso, etc.
Mas é sempre identificativo e pessoal.
Daí que a sua escolha seja tida em consideráveis deambulações criativas dos progenitores, familiares no caso de nome pessoal e associados ou empresários caso se trate de uma actividade associativa ou comercial.
Portanto, cuidadosamente escolhido para identificar e dignificar objectivamente o seu destinatário.
É conhecida a intenção da Direcção da Região de Turismo da Rota da Luz de alterar a sua denominação, conforme notícia no Diário de Aveiro de 30 de Julho de 2006.
De facto nunca percebi porque “carga de água” algumas regiões de turismo (e não são assim tão poucas) utilizam esta nomenclatura imperceptível para quem necessita de saber onde passear, fazer férias, se divertir e descansar. Para além de conhecer e contactar com outras realidades sociais e culturais.
Para quem necessita de identificar uma região turística, que deseja conhecer pela curiosidade gerada pela divulgação oral ou pelos meios de comunicação e de marketing, nada mais enigmático e confrangedor do que não existir uma relação óbvia e directa entre o nome da região de turismo e a zona que pretende visitar.
Ele é a "Rota da Luz" - "Costa do Sol" - "Costa Verde" – “dos Templários” – “Planície Dourada” – “do Oeste” e “do Nordeste”, etc. etc.
Como já aqui referi, aquando da publicação do artigo “Pensar Aveiro IV – Marcar um claro centralismo.”, parece-me extremamente importante para a centralização, desenvolvimento e posicionamento estratégico da Região de Aveiro/GAMA, a sua sustentabilidade turística.
É uma das nossas inquestionáveis riquezas que temos obviamente que desenvolver, comercializar e estruturar.
Portanto, parece-me aceitável que a actual direcção da Rota da Luz, perdão, da Região de Turismo da Rota da Luz, queira alterar a sua denominação, por forma a identificar e melhor enquadrar este importante organismo na sua localização e contexto geográficos.
A Região de Aveiro (como um todo) tem que ser uma "marca" que venda.
Tem de se posicionar estrategicamente no turismo nacional.
Temos Mar, Rio, Ria, Serra, Sol e somos acolhedores.
Temos o Sal, os Moliceiros, os Ovos Moles, o Pão-de-Ló de Ovar, os Vinhos da Bairrada, O Peixe e a Carne, condições naturais excepcionais para o desporto e para o lazer e somos, geograficamente centrais e com excelentes acessibilidades.
Temos que ser competitivos, qualificados e inovadores turisticamente, para sermos atractivos.
Este é pois um processo em que a inter-municipalidade e o conjugar de esforços deveria ser uma realidade.
O turismo na região de Aveiro tem que ser encarado como um potencialidade para o seu desenvolvimento económico, social e cultural.
Segundo a notícia do Diário de Aveiro, estão, para já, duas propostas de alteração da denominação da Região de Turismo: "Região de Turismo de Aveiro" e "Região de Turismo da Ria de Aveiro".
Pessoalmente e pelas convicções descritas, entendo que a denominação "Região de Turismo de Aveiro" é mais coerente com a oferta turística que a Região tem para dar: náutica (ria – mar e rio, por exemplo o Poço de Santiago), balnear (praias marítimas e fluviais, como por exemplo Pessegueiro do Vouga), rural (Vale de Cambra – Sever do Vouga e a ruralidade de Vagos), ecoturismo (Dunas de S. Jacinto) e aventura (as serras), natural e paisagístico, cultural e gastronómico.
Ou seja, muito para além da Ria: o mar - a serra, o rio e a ria, como um todo, congregando as diversidades culturais, sociais, económicas e geográficas dos municípios que compõem a região.
Até poderíamos ir mais longe e, eventualmente, tentar algo do género: TuriAMA - Turismo da Área Metropolitana de Aveiro.Que o turismo desenvolva a região e se rebaptize de projectos, de valores e de vontades.
publicado por mparaujo às 22:33

30
Jul 06
O Diário de Aveiro, na sua edição de hoje (30.07.2006), refere a intenção da Direcção da Região de Turismo da Rota da Luz de alterar a sua denominação.
De facto nunca percebi porque raio algumas regiões de turismo (e não são assim tão poucas) utilizam esta nomenclatura imperceptível para quem necessita de saber onde passear, fazer férias, se divertir e descansar. Para além de conhecer e contactar com outras realidades sociais e culturais.
Ele é a "Rota da Luz" - "Costa do Sol" - "Costa Verde", etc. etc.
Como já aqui referi e no Diário de Aveiro é extremamente importante para a centralização, desenvolvimento e posicionamento estratégico da Região de Aveiro/GAMA, a sua sustentabilidade turística. É uma das nossas inquestionáveis riquezas que temos obviamente que desenvolver, comercializar e estruturar.
Portanto, parece-me aceitável que a actual direcção da Rota da Luz, perdão, da Região de Turismo da Rota da Luz, queira alterar a sua denominação, por forma a identificar e melhor enquadrar este importante organismo na sua localização e contexto geográficos.
A Região de Aveiro (como um todo) tem que ser uma "marca" que venda.
Tem de se posicionar estrategicamente no turismo nacional.
Temos Mar, Rio, Ria, Serra, Sol e somos acolhedores.
Temos o Sal, os Moliceiros, Os Ovos Moles, o Pão-de-Ló de Ovar, os Vinhos da Bairrada, O Peixe e a Carne, condições naturais excepcionais para o desporto e para o lazer e somos, geograficamente centrais e com excelentes acessibilidades.
Temos que ser competitivos, qualificados e inovadores turisticamente, para sermos atractivos.
Este é pois um processo em que a inter-municipalidade e o conjugar de esforços deveria ser uma realidade.
O turismo na região de Aveiro tem que ser encarado como um potencialidade para o seu desenvolvimento económico, social e cultural.
Segundo a notícia do DA, estão, para já, duas propostas de alteração da denominação da Região de Turismo: "Região de Turismo de Aveiro" e "Região de Turismo da Ria de Aveiro".
Pessoalmente e pelas convicções descritas, entendo que a denominação "Região de Turismo de Aveiro" é mais coerente com a oferta turística que a Região tem para dar: náutica, balnear, rural, ecoturismo e aventura, natural e paisagístico, cultural e gastronómico.
Ou seja, muito para além da Ria: o mar - a serra, o ria e a ria, como um todo, congregando as diversidades culturais, sociais, económicas e geográficas dos municípios que compõem a região.
Até poderíamos ir mais longe e, eventualmente, tentar algo do género: TuriAMA - Turismo da Área Metropolitana de Aveiro.
publicado por mparaujo às 23:58

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