Espaço de encontro, “tertúlia” espontânea, “diz-que-disse”, fofoquice pegada, críticas e louvores, ..., é uma zona nobre da cidade, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre "tudo e nada".

17
Abr 19

A greve é um direito constitucional, deve ser protegido, mais do que condicionado ou limitado, correndo-se o risco de ferir as liberdades, direitos e garantias mais fundamentais. Seja no âmbito laboral ou social.

Independentemente da questão dos serviços mínimos ou da requisição civil, não cabe aqui questionar a legitimidade dos fundamentos que sustentam a greve dos motoristas de viaturas pesadas de matérias perigosas (ao caso, combustíveis).

O que importa referir, por muito que custe a cada um de nós, enquanto cidadão, e para as nossas rotinas diárias, é que uma greve terá sempre mais sucesso quanto mais impacto tiver nas comunidades e no país. Infelizmente, de forma muito pragmática, é esta a realidade: sem provocar alterações no dia-a-dia, qualquer greve não terá quaisquer resultados.

Mas no caso desta questão dos "motoristas dos combustíveis" há um outro lado da moeda.

A greve acabou por ter um impacto e uma dimensão extremamente elevados, criando o pânico generalizado e provocando um princípio do caos.

Se a maioria dos portugueses tivesse optado pela normalidade do seu quotidiano (ou até mesmo pela excepção do período da Páscoa) o impacto da greve de fornecimento de combustíveis aos postos de venda teria sido diluída no tempo e teria sido, significativamente menor. Pelo contrário, face à correria desenfreada e esquizofrénica aos postos de abastecimento o resultado é, e ainda poderá ser maior, preocupante: em pouco mais de 24 horas, o país vê-se na contingência de "secar" os postos de abastecimento (1500, hoje de manhã).

Mas esta corrida em pânico aos abastecimentos das viaturas é algo preocupantemente irreflectido por parte da maioria dos portugueses. Em situações de crise, o que importa fazer é poupar o mais possível, e não o seu contrário (gastar de tal forma que se "secou" o país em 2 dias).

E a atitude é de tal forma irreflectida que os portugueses nem sequer pararam um bocadinho para pensar em si mesmos, nas suas famílias, nos seus vizinhos e no país.
A ausência imediata de combustível nos postos de abastecimento tem impactos muito elevados nas nossas vidas: afigura-se a paragem dos transportes públicos; as dificuldades evidentes na área da saúde (hospitais), da segurança pública (PSP e GNR) e da assistência médica (INEM - Bombeiros); pode provocar uma paragem no abastecimento dos supermercados e hipermercados, impossibilitando qualquer um de nós de efectuar as habituais compras de alimentos; impossibilitará as deslocações mais distantes de milhares de trabalhadores para os seus postos de trabalho.

Tudo porque o pânico assolou um país que age mais por reacção do que actua de forma pensada.

Agora sim... temos o caos, não só pela greve, mas pela intempestividade dos portugueses.

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publicado por mparaujo às 11:46

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