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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

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Uma guerra que é de todos nós...

Todos Somos Ucrânia...

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Por mais comentários e teses de geopolítica, geoestratégica, teorias e princípios da ciência militar que vão preenchendo horas a fio nas nossas televisões e jornais, a questão da Ucrânia é, acima de tudo e de todas as teorias, bem clara e simples (não queiram complicar o que é um facto evidente): a invasão da Rússia é um vil e intolerável ataque à liberdade e soberania de um Estado e de um Povo, sem qualquer justificação e legitimidade, uma inquestionável violação do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.
É, por isso, uma guerra de todos nós. Ou pelo menos deveria ser.

Primeiro, pela liberdade de um Estado, pela vida de um Povo e pela legitimidade que ambos têm de definir, livremente, o seu destino, os seus objectivos, a sua vivência social e comunitária, bem como a liberdade de escolherem as suas relações de vizinhança e internacionais. Não há nada, nem ninguém, que possa condicionar este princípio de soberania de um Estado e do seu Povo.

Segundo, no mesmo patamar de relevância, pela defesa dos mais fundamentais direitos humanos e dos mais elementares princípios da liberdade e das garantias da dignidade humana, na qual encontramos, no topo da pirâmide, o direito à vida e à sobrevivência.

Mas esta é também uma guerra de todos nós, pela promoção da estabilidade e da paz internacional, dos valores humanistas, claramente ameaçados com esta posição imperialista e ditatorial de Putin. E a esta ameaça, a comunidade internacional, com a União Europeia, os Estados Unidos, a ONU e a NATO no topo das responsabilidades, está a falhar e a deixar à mercê dos destinos de uma guerra desigual e da sorte de uma "bala" toda uma Nação e um Povo. Sim... a Ucrânia está abandonada à sua capacidade de resistência, de sofrimento e de estoicidade. E fá-lo de forma abnegada, heróica e inabalável, com sofrimento, com perdas de vida, com separações familiares. Mas fá-lo até ao limite das suas capacidades e forças, enquanto Estado e enquanto Povo.

A UE falhou porque não é capaz de encontrar soluções e respostas eficazes e cirúrgicas que refutam os itentos da Rússia.
A UE falhou porque falha nos sacrifícios inerentes à solidariedade para com a Ucrânia e ao combate ao seu lado, porque não assume os riscos, óbvios, de uma crise financeira e energética, dada a sua dependência colossal em relação ao gás, energia, cereais, aço (entre outros) russos. Por exemplo, a Alemanha, num ano, gasta mais orçamento na importação de gás russo, do que a Rússia investe no seu orçamento militar.
É, por isso, tão óbvia esta apatia europeia, mesmo depois de Putin ter ridicularizado toda a União Europeia (incluindo a Hungria que, surpreendentemente, se colocou ao lado da Ucrânia, condenando este miserável ataque da Rússia). E tão frágeis as respostas dadas e os sinais demonstrados até agora. A começar pela ridícula opção de bloqueio do sistema SWIFT (Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais). Não só porque há anos que a Rússia vive e sobrevive a todas as sanções até agora aplicadas (nomeadamente após a anexação da Crimeia, por exemplo), mas também porque os efeitos do bloqueio do SIWFT à Rússia têm impactos reduzidos: primeiro, porque não abrange todo o sistema bancário, financeiro e comercial russo; segundo, porque o único efeito que este bloqueio tem é o de criar algum atraso nos processos de transacção financeira e comercial, criar algum grão na engrenagem;terceiro, porque a Rússia tem outras plataformas de transacção internacional, nomeadamente a da China ou outras russas.
É muito poucachinho... a par com a nobreza, diga-se, de todos os esforços e medidas extraordinárias de acolhimento e integração dos cidadãos ucranianos que se refugiaram na Europa, à União Europeia falta mais coragem, falta mais sacrifícios, falta mais solidariedade. Não só pela Ucrânia, como pela própria Europa e paz Internacional.
Era interessante perceber, por exemplo, qual a capacidade da Europa e da própria maioria da Comunidade Internacional (sabendo-se que a unanimidade nunca seria alcançável, obviamente) quantas Embaixadas foram encerradas na Rússia e quantas Embaixadas russas foram fechadas nos 27 países da União Europeia, na própria Europa e pelo mundo fora, limitando  Rússia a um maior isolamento político e institucional possível.
Era interessante, também, perceber até que ponto a União Europeia redefine e reformula o seu conceito de Defesa Europeu, porque Putin percebeu, claramente, que esta é uma enorme fragilidade na estrutura e política europeia.

Falhou a Comunidade Internacional, nomeadamente a ONU, concretamente na defesa da sua Carta de Princípios, no seu papel e missão de organismo máximo na relação internacional entre os Povos, e falhou, redondamente, na condenação da Rússia e desta invasão abominável. E de forma ridícula, com criticas inaceitáveis ao papel de António Guterres enquanto Secretário-Geral da ONU e com uma cómica e grotesca votação no Conselho de Segurança das Nações Unidas onde, com assento permanente, o Invasor é Juiz em causa própria e compromete, com a sua decisão, os restantes 193 Estados-membros da Assembleia Geral. Ridículo em pleno século XXI, ainda demasiado agarrado ao contexto pós II Guerra Mundial.
São tantos os exemplos da presença dos "Capacetes Azuis" por esse Mundo fora (perto de 250 missões), desde a sua criação em novembro de 1956, nomeadamente no Médio Oriente e em África. Porque não na Ucrânia?

Falharam, como tantas vezes falham nestes contextos, os Estados Unidos. Uma das nações, tal como a própria Rússia, mais interesseira, incoerente e narcisista no plano internacional.
Aos Estados Unidos bastava recordar a sua própria história internacional e nacional. Bastava recordar os ataques do Japão na fase final da II Guerra. Bastava recordar aos Estados Unidos a sua posição e acções, em 1962, depois do fracasso, em 61, da Invasão da Baís dos Porcos, aquando da Crise dos Mísseis em Cuba (implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba) e que deu origem a um intenso e complexo confronto entre os Estados Unidos (de John F. Kennedy) e a União Soviética (de Nikita Khrushchev), muito próximo de uma guerra nuclear. Bastava recordar, as razões (também demasiado questionáveis e criticáveis) e os interesses geoestratégicos e geoeconómicos que levaram à invasão do Iraque (e às "fantasmas" armas de destruição maciça), do Afeganistão ou da "alimentação" do conflito israelo-palestiniano, entre outros contextos.

Não são precisas teorias e tratados geopolíticos e militares para justificar o injustificável e o inaceitável.

São precisas é respostas rápidas, concretas e eficazes. Ninguém deseja a guerra por todas as razões e mais algumas, principalmente porque morre sempre quem é mais inocente e porque os impactos universais são preocupantes. Mas havendo quem a promova e quem a ela recorra para atacar a liberdade, a vida e a soberania de um Povo, e, igualmente, colocar em causa a Paz Internacional, esgotados todos os mecanismos possíveis (diplomacia internacional), muito dificilmente se deslumbra outro tipo de resposta. Infelizmente...
Só conheço e reconheço quem, dando a outra face, se manteve "de pé" e foi há mais de 2.021 anos: Jesus Cristo.

Pelo Povo Ucraniano... TODOS SOMOS UCRÂNIA.

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