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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

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Uma vergonha para a democracia mundial

Parte da (ainda) actual Administração Norte-Americana e o presidente Trump conseguiram. Finalmente, conseguiram. Destruíram por completo aquela que era vista como a (ou uma das) democracia mais plena do mundo. A novidade é que não surpreenderam; e não surpreenderam, inclusive, um dos seus principais rostos, como o ex candidato republicano a vice-Presidente de Trump, Mike Pence.

Esta governação da chamada maior potência mundial fica, claramente, marcada como um dos maiores desastres da história da política norte-americana. De acontecimentos em acontecimentos, pé ante pé, a forma como menosprezaram o exercício cívico do voto; a forma como atiraram para a lama a democracia e os resultados eleitorais do final de 2020, apesar das evidências jurídicas e dos factos apurados; as suspeições levantadas sobre as eleições quando, a bem da verdade, é abjecta a forma como o ainda Presidente dos Estados Unidos pressionou e ameaçou no sentido de reverter o número de votos, e, por fim, esta condenável invasão do Capitólio à boa maneira "terceiromundista" espelham a forma como foi exercido o poder e a governação naquele país, com incursões e implicações geopolíticas a nível internacional.
Mais grave ainda, reflexo de tudo o que se passou nestes quatro últimos anos, foi a inqualificável forma como Trump avaliou os recentes acontecimentos, ao contrário das opções de força musculada e as veementes críticas usadas noutras circunstâncias (como por exemplo, nos polémicos casos de racismo): nem uma crítica, nem uma condenação dos actos, nem o envio de forças militares para a segurança do Capitólio que deveria ser a "casa da democracia" nos Estados Unidos: Trump continuou a falar na fantasmagórica fraude eleitoral e afirmou adorar e compreender as acções dos manifestantes. Isto diz tudo sobre o actual estado da América e sobre Donald Trump.

Mas tudo isto não é apenas o balanço final do que foi a administração Trump, desde 2017.
É o resultado de uma perigosa e trágica tendência actual (e, de facto, não é apenas do outro lado do Atlântico) do recurso arbitrário e irreflectido do voto anti-sistema ou de protesto, seja lá o que isso signifique na prática.
É o risco presente em qualquer canto do mundo (e com muitos exemplos, infelizmente) de se cair na eleição de inadaptados, incompetentes, lunáticos que não sabem o que significa democracia, política e poder, que transformam e usam as funções e serviço público do mais alto cargo de qualquer magistratura nacional como se fossem o administrador do condomínio lá do prédio.
Já há muito... e muito mesmo... que olho para os USA com desdém porque me lembro sempre do nosso velho ditado: "o dinheiro não traz felicidade". Longe vão os tempos de um país onde a democracia tinha mais relevância e significado, onde o poder económico não se sobrepunha aos valores e aos princípios, onde não corríamos (no mundo) o perigo da instabilidade geopolítica através da ingerência arbitrária e da impunidade de crimes de guerra.
Enfim... porque é que isto não me surpreende de todo. Porque é que isto me faz lembrar sempre a nossa importante sabedoria popular: "olha para o que eu digo, não olhes para o que faço" ou "atirar pedras ao vizinho (Cuba, Venezuela ou Bielorrúsia, entre outros) com telhados de vidro".

Post scriptum... muito melhor do que as palavras acima apresentadas, é a leitura, recomendada, deste texto da Sofia Craveiro, no "A In.So.Len.Te": "Mas que m**** é esta???".

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(créditos da foto: Leah Millis / Reuters)