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Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Debaixo dos Arcos

Espaço de encontro, tertúlia espontânea, diz-que-disse, fofoquice, críticas e louvores... É uma zona nobre de Aveiro, marcada pela história e pelo tempo, onde as pessoas se encontram e conversam sobre tudo e nada.

Vale a pena pensar nisto #07

Refugees lives matter... Dia Mundial do Refugiado. pessoas iguais a nós

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(fonte da imagem: ACNUR/ONU)

Há uma péssima "tradição" na sociedade portuguesa de argumentar contextos e realidades longínquas (violência, racismo e xenofobia, pobreza, migração, guerra, fome, direitos humanos) com dois infelizes e dispensáveis argumentos: "isso é lá longe, no país (terra) deles" ou, ainda, "preocupem-se é com as pessoas de cá".
Mas mesmo em situações "à nossa porta", temos reacções semelhantes: fechamos os olhos à pobreza (lá damos um quilo de arroz e esparguete ao Banco Alimentar na proximidade do Natal), ao racismo, à exclusão, à violência doméstica (entre marido e mulher...), à corrupção e ao compadrio, ao sem abrigo...

Desde a indiferença, o desconhecimento conveniente e o alheamento conivente, até ao desprezo, há ainda algo que se afigura preocupante: a negação e a apatia.

A globalização, com tudo o que significa e comporta, é, hoje, uma realidade de dimensão universal e que começa mesmo à nossa porta (basta recordar a evolução estrutural do Poder Local, nestes últimos 45 anos: dos micro concelhos, fechados em si mesmos, temos, hoje, as Comunidades Intermunicipais e, na ordem do dia, a temática da regionalização e descentralização).
É o contexto comercial, económico e financeiro... é o contexto geopolítico e geoestratégico... é o contexto laboral, formativo/educativo ou científico... é o contexto informativo e comunicacional... é o que a realidade tecnológica nos permite alcançar nas relações e redes interpessoais, redefinindo o "espaço público"... basta ter em conta o que se passa com o efeito pandémico (transnacional) deste Coronavírus.
tudo isto sem fronteiras físicas, sem necessidade de limitações geográficas ou barreiras históricas, linguísticas e culturais.

Apesar do muito que foi divulgado na imprensa, o dia 20 de junho, Dia Mundial do Refugiado, passou à margem de uma pandemia que não pára de nos colher as preocupações e atenções. Mas há mais vida...

Ou melhor... há quem (e muitos milhares) diária e insistentemente, procure a VIDA obrigado a fugir da Morte.

Há aproximadamente 71 milhões de pessoas no Mundo que são forçadas a deslocarem-se para escapar a conflitos/guerras, perseguições, terrorismo ou violações de direitos humanos, bem como aos efeitos adversos das alterações climáticas, desastres naturais ou outros factores ambientais: 31 milhões de refugiados (mais de metade com menos de 18 anos), 3 milhões de requerentes de asilo e mais de 37 milhões de pessoas deslocadas internamente (ou seja, dentro do seu próprio país, privadas das mais elementares liberdades).

A CADA 2 SEGUNDOS HÁ UMA PESSOA QUE É FORÇADA A DESLOCAR-SE COMO RESULTADO DE UM CONFLITO/GUERRA, PERSEGUIÇÃO, FOME OU ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS.

Os principais focos migratórios têm origem no Afeganistão, vários países da América do Sul, África Subsaariana, Central e Oriental, Paquistão, Síria, Jordânia, Líbano, Turquia e Iraque.
Entre 2015 e 2020, 15.000 pessoas desapareceram ou morreram no Mediterrâneo nas inúmeras perigosas travessias, transformando o mar num lamentável cemitério. No mesmo Mediterrâneo, só nestes primeiros 6 meses de 2020 já foram resgatados mais de 20.000 refugiados.

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Portugal acolheu, até hoje, apenas cerca de 2.000 refugiados.

Aqueles que, contra a sua vontade, procuram a Vida, a Sobrevivência e a Paz fugindo da Morte, são iguais a qualquer um de nós.
VALE A PENA PENSAR NISTO...

Declaração Universal dos Direitos Humanos (extractos)
Artigo 1 - Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
Artigo 3 - Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo 6 - Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Artigo 14 - Todo ser humano, vítima de perseguição,tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
Artigo 15 (ponto 2) - Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.